Era para ser você
15 Capítulo 15
Notas iniciais
A semana passou rápido, eu e o Logan estávamos nos dando bem, para todos os efeitos, nós saímos juntos, mas não ficamos grudados um com o outro todo o tempo. Eu não posso dizer que isso é um namoro, na verdade acho que ainda estamos naquela fase de ‘conhecimento’, ou seja, estamos nos conhecendo melhor. Ele é super fofo, e engraçado, tem horas que eu acho que ele ri das minhas piadas só por educação, pra ser bem sincera, eu acho que essa fase do ‘conhecimento’ está sendo fundamentalmente boa, nem tive tempo de assimilar as coisas ainda, mas estou gostando de como está.
Hoje tem aquele jantar na casa dos Voughan, meu pai estava super animado, ainda com a idéia de construir o hotel, ele não parava de falar sobre isso, e parecia mais que ele estava tentando decorar um discurso, eu nem me importei muito, sempre que meu pai se animava para fazer alguma coisa, ele ficava agitado demais. Faltava cerca de três horas antes do jantar, e minha mãe praticamente obrigou eu e a minha irmã a começar a se arrumar. Fui primeiro tomar meu banho, e só pra provocar ela, demorei um tempo a mais no banheiro arrumando meu cabelo. ‘’Eu estou precisando cortar essas pontas, olha isso, que horror’’. Falei comigo mesma, peguei as pontas do cabelo e cheirei, estava com cheiro de flores, do meu creme.
—Apure Pietra, eu preciso tomar banho. –minha irmã gritou do outro lado da porta.
Revirei os olhos, e sem a menor pressa disse que já estava saindo. Passei três camadas de rímel, um leve blush pra dar uma cor na minha cara pálida e um gloss sem brilho, fiquei bem natural, como eu gosto, sai do banheiro e fui pro meu quarto se trocar.
—Já não era sem tempo. –minha irmã resmungou entrando no banheiro.
Eu estava revirando meu guarda-roupa tentando achar alguma coisa que ficasse legal, separei uma calça jeans, uma blusinha que eu ganhei da tia Amber, irmã mais nova da mamãe, no natal passado. Era de manga curta, preta com alguns desenhos indefinidos na frente e transparente atrás, nada vulgar, mas ainda não era o que eu queria, continuei tirando mais roupas, e achei um vestido que eu não usava á uns dois anos. Era cor de baunilha, básico ia a uns quatro dedos antes do joelho, tinha uns botões até a cintura. Decidi que ia usar este, mas o sapato, essa era a questão; eu detesto sapatilhas, nem me dou ao trabalho de comprar uma, e meus saltos não eram para a ocasião, então decidi colocar meu all-star branco.
Terminei de me vestir e desci, meu pai estava sentado no sofá assistindo tevê, confesso que fiquei surpresa, em ver ele tão calmo agora, minha mãe estava vindo da cozinha colocando seus brincos, como sempre ela estava linda, com um vestido azul marinho, e sapatilhas combinando, e uma echarpe, branco pérola que também combinava.
—Mamãe, a senhora está deslumbrante.
—Linda, maravilhosamente linda meu amor. –meu pai se levantou e foi até minha mãe e lhe deu um beijo.
—Obrigada. –ela disse com um sorriso de orelha a orelha.
Meus pais pareciam dois adolescentes suspirando de paixão, era fofo, mas meloso demais pro meu gosto; mas o que importa é que eles se amam. Um minuto depois minha irmã estava descendo as escadas.
—Woow cinderela, está indo pro baile e nem pra me convidar? –eu disse rindo.
—Não enche. Estamos atrasados? –ela perguntou olhando pros meus pais.
—Se sairmos agora, podemos chegar pra sobremesa. –meu pai disse olhando o relógio no pulso.
Minha irmã se arrumava demais quando não precisava, e quando precisava também, é um jantar informal, não precisa colocar um vestido de formatura, nem um salto de oito centímetros, e nem vou falar do tanto de sombra que ela passou nos olhos. Eu não disse nada, caminhamos até o carro; quando chegamos em frente a casa dos Voughan meu pai parou, apertou um interfone e disse que era ele, logo o portão se abriu e ele seguiu caminho, mais ou menos uns cinco metros, a casa era enorme, e linda, tinha arbustos na frente, era bem iluminada. O Sr. e Sra Voughan estavam parados na entrada, com sorrisos de boas vindas.
—Uckermann! –o pai do Christoph cumprimentou meu pai com um abraço. –Bem vindos.
—Obrigado Edward. Essas são, minha esposa Jeynnie, e minhas filhas Ennye e Pietra.
—Prazer em conhecê-las. –ele nos cumprimentou com um aperto de mão.
—Que maravilha finalmente lhes conhecer. Sou Genevieve, esposa do Edward. –ela abraçou minha mãe com afeto, em seguida minha irmã e a mim.
Christoph era parecido com o pai, confesso que por curiosidade, e costume também, olhei bem nos olhos deles quando me cumprimentaram, mas nenhum tem os olhos iguais aos do Christoph. Do Sr. Voughan era verde escuro, e da Sra. Voughan era cor de mel. Entramos na casa, era ainda mais linda por dentro do que por fora, com lustres no teto, bem espaçosa; disseram para nos sentarmos no sofá da sala, antes de servirem o jantar.
Minha mãe e a mãe do Christoph ficaram conversando num sofá uma do lado da outra, eu e minha irmã em outro do lado do delas, meu pai e o Sr. Voughan se sentaram um em cada poltrona. Fiquei olhando pela casa pra ver se avistava o Christoph, mas ele não estava por ali, eu não tive coragem de perguntar pra mãe dele onde ele estava, ao invés disso, o pai dele fez esse favor para mim sem que eu pedisse.
—Genevieve, onde está o Christoph?
—Está no banho querido. –ela respondeu sem olhar para ele, ainda conversando com minha mãe.
Eu não fiquei prestando atenção na conversa deles, fiquei em pleno silêncio olhando alguns quadros que tinha nas paredes da sala, enquanto minha irmã mexia no celular. Eu não costumo ficar mexendo em redes sociais, só uso meu celular pra fazer ligações e olha lá, e como não tenho ninguém com quem conversar, achei melhor deixar em casa.
Demorou cerca de uns dez minutos e o Christoph apareceu, quando eu olhei pra escada, ele estava ali parado, não sei quanto tempo ele estava ali, nem o que ele estava fazendo ali parado, me deu vontade de perguntar, mas achei melhor ficar quieta. Quando nossos olhares se encontraram ele sorriu, um sorriso torto, ele estava bem bonitinho, com uma calça jeans e uma camisa cinza escura. Ta, eu tenho que confessar que ele estava muito gato, o cabelo úmido do banho, certamente; caindo um pouco no rosto. Ele passou a mão pelo cabelo e desceu as escadas.
—Boa noite senhor. –ele cumprimentou meu pai assim que se aproximou.
—Meu jovem, que bom te ver novamente.
—Senhora Uckermann. –ele cumprimentou minha mãe com um abraço.
—Christoph, que bom te ver querido.
—Igualmente. –ele sorriu.
—Ennye, Pietra. –ele acenou de cabeça para nós.
—Quem não te conhece, pensa que é tão educado quanto parece. –eu sussurrei de um modo que só ele pôde ouvir.
Ele revirou os olhos e se sentou ao lado da mãe dele, que ainda estava conversando animadamente com a minha mãe. Eu olhei por cima do ombro da minha irmã pra tela do celular dela, pra ver que horas era. Estava começando a ficar faminta, até que uma senhora apareceu na entrada e disse que o jantar já estava servido, nos levantamos e fomos até a sala de jantar.
O jantar estava divino, e a sobremesa nem se fala, depois que terminamos o pai do Christoph convidou meu pai para ir até o escritório tratar dos negócios, Genevieve, como ela fez quentão que a chamássemos, nos convidou para tomar um chá na sacada, mas antes que eu pudesse responder o Sr. Voughan disse pro Christoph mostrar o jardim para mim e para a minha irmã. Nós caminhamos até a porta dos fundos, que ficava na cozinha, passamos pela porta, e o jardim estava todo iluminado, tinha arbustos, uma fonte, ao lado oeste tinha uma piscina enorme, e mais á frente uma estufa.
—A gente vai ter que passar por essa grama? –minha irmã perguntou apontando pra grama do jardim.
—Se você quiser ir até a estufa, sim. –eu disse meio impaciente.
—Não obrigada, prefiro ficar aqui e deixar meu sapato de salto alto, lindo e novo.
Eu revirei os olhos e dei as costas para ela, para continuar andando.
—Tem certeza? A estufa é muito bonita. –o Christoph disse com a voz meio rouca.
—Tenho sim. Vou sentar ali perto da piscina. –ela foi caminhando até a piscina.
Continuamos caminhando até a estufa, esse jardim era enorme, a casa dele era enorme, demorou um pouquinho pra chegarmos lá.
—Sua casa é enorme. –eu disse quebrando o silêncio.
—Eu sei. –ele disse meio sarcástico.
—Gostei da sua mãe, ela é uma pessoa adorável.
—É mesmo, ela é inglesa sabia.
—É mesmo?
—É, na verdade, eu também.
O Christoph, inglês? Fala sério, será que todo mundo decidiu ser inglês nesse lugar.
—Meu pai também, ele nasceu em Londres, eu e minha irmã somos de Birmingham.
—É mesmo?
—Uhum...
—Eu também sou de Londres, a família da minha mãe é de lá, então ela resolveu ir pra lá para eu nascer.
Entramos na estufa, e estava tudo escuro, a porta de entrada era estreita, o Christoph abriu a porta, e deu passagem para eu entrar, passei muito perto dele, e não pude deixar de sentir seu perfume, era muito bom.
—Espere aí, eu vou ligar as luzes. –ele disse e passou correndo por mim.
De repente as luzes foram ascendendo uma a uma, e iluminando as flores, e plantas que deixavam o lugar com mais vida e cor. Num canto, mais pro fundo tinha uns quadros, alguns em branco, outros pintados.
—De quem são aqueles quatros? –perguntei caminhando até eles.
—Minha mãe gosta de pintar. Ela é decoradora.
Olhei para ele, que estava parado alguns passos de mim, com as mãos no bolso da calça.
—Quando chegamos, encontrei alguns quatros no meu quarto. Por acaso não são dela, são?
—Talvez. –ele caminhou até uma mesa onde estavam algumas rosas soltas.
—O que você tem?
—Hein? –ele me olhou confuso.
—Você ta estranho.
—Estranho como?
—Não sei. –caminhei ao lado dele. –Só... estranho. –peguei uma rosa vermelha e cheirei.
—Eu estou cansado, fui com o meu primo de barco até o continente. Levou cerca de umas três horas pra ir, e pra voltar, fora o tempo que passamos andando por lá.
—Foram fazer o quê?
—Comprar algumas peças pros aparelhos eletrônicos dele, ele preferiu ir até lá, do que esperar vir.
—Entendi.
—E o Logan, como vai indo? –ele perguntou depois de um minuto.
—Graças a você, vai bem. Nós nos damos bem, apesar de eu achar que ás vezes ele ri das minhas piadas por educação.
—Suas piadas nunca tem graça Pietra. –ele disse rindo da minha cara.
—Algumas tem. –retruquei.
—Então me conte uma.
Olhei pro teto e fiquei pensando, se bem que eu não sabia nenhuma de cabeça, e às que falava eram sempre inventadas na hora.
—Quando você me contar uma, que realmente me faça rir, eu retiro o que disse. –ele disse interrompendo minha busca mental por uma piada.
Só olhei pra ele e não respondi nada, olhei em volta, pras plantas e pras flores, cheirei de novo a rosa vermelha, que ainda estava na minha mão, enquanto fitava uma rosa branca na mesa á frente.
—Você está muito bonita hoje. –ele disse com a voz rouca.
Parecia que ele estava perto demais de mim, me virei pra olhar pra ele, que ainda estava distante, a primeira coisa que eu olhei foi nos seus olhos, que estava de um cinza escuro hoje, sem os pontinhos verdes. Ergui as sobrancelhas, e continuei olhando pra hipnotizante cor de seus olhos.
—Obrigada. –disse abaixando a rosa do meu rosto. –Deve ser o vestido, eu quase nunca uso um. –disse olhando pro meu vestido.
—Acho melhor nós voltarmos, você fez uma careta quando meu pai mandou eu trazer vocês pra ver o jardim, aposto que foi por causa do chá.
—Com certeza, minha boca ainda está salivando por vontade daquele chá.
Realmente, era por causa do chá, eu adoro chá. Voltamos, e minha irmã já não estava mais perto da piscina, certamente ela voltou pra dentro da casa. Assim que chegamos á sala, minha mãe e a mãe do Christoph estavam paradas perto de um piano.
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