Notas iniciais
Espero que gostem desse, e só adianto que o Christoph é mais sarado do que aparenta ser kkkkkkk (palavras de Pietra). Logo mais em breve, estarei postando mais ((: Boa leitura !! Nosso objetivo é satisfazer baby ^^

Para a minha primeira vez, eu até que não estava indo tão mal assim, deixei escapar uns três peixes até agora, mas é que ficar perto do Christoph não ajudava muito, e ele ficava falando toda hora o que eu devia fazer.

—Se você continuar querendo mandar no meu jeito de pescar, é claro que eu não vou conseguir pegar nenhum peixe. –disse um pouco brava.

—Só estou querendo te ensinar. –ele falou com toda calma.

Essa calma dele estava começando a me irritar, ele não pegou peixe nenhum, pra querer ficar falando de mim, e eu posso muito bem conseguir pegar um maldito peixe sem a ajuda dele.

—O segredo de um bom pescador, é a paciência. –ele disse olhando pra linha na água.

—Conversa fiada, como eu vou ter paciência, se peixe nenhum aparece.

—Pescar não é pra ficar nervoso, e sim calmo.

—Eu não estou nervosa.

—Muito menos calma. –ele disse rindo.

Eu não estava nem um pouco calma, e sim com raiva. Agora eu sei por que nunca pesquei antes, isso é muito chato, e da nos nervos ter que ficar esperando um peixe aparecer e morder a isca, eles não podiam ter inventado um jeito mais prático pra se pescar?

—Porque você me trouxe pra pescar? –perguntei tentando me distrair um pouco.

—Não tem muito o que se fazer nessa ilha, e achei que você precisava se distrair um pouco.

Claro que preciso me distrair, mas preferiria ver algum filme, passar a tarde lendo um livro, comendo ou jogar xadrez.

—Não jogo xadrez desde que o vovô morreu. –disse para mim mesma.

—O quê? –ele perguntou olhando para mim.

—Nada, só estou pensando alto.

Vovô sempre me dizia que o que mais o acalmava era uma partida de xadrez, e eu fui a única neta que ele conseguiu ensinar a jogar, sem que reclamasse porque não conseguia ganhar. Eu vi ele tentando ensinar minha irmã uma vez, mas ela começou a chorar porque não estava entendendo nada, e perdeu a partida. Vovô respirou fundo, fechou os olhos, se levantou e deu umas moedas para ela comprar bala, para parar de chorar, porque ele se irritava um pouco fácil demais; devo ter herdado isso dele. E nunca mais ele quis ensinar ela outra vez.

Será que devo perguntar ao Christoph se ele ouviu o que disseram no vestiário masculino, ou isso seria meio inconveniente? Bom, na via das duvidas o único jeito de eu saber sobre isso é perguntando para ele.

—Christoph?

—Pergunte. –ele disse como se soubesse que eu ia perguntar.

—Como sabe que eu vou te perguntar alguma coisa?

—Porque quando você fala desse jeito, é porque quer perguntar alguma cosia.

—Que jeito?

—Esse jeito. O tom da sua voz fica curioso, e você fala toda melosa.

—Eu não falo toda melosa. –retruquei, porque não falo mesmo.

—Só um pouquinho. –ele disse rindo.

—Você ouviu alguma coisa no vestiário masculino, sobre eu e o Logan termos brigado?

—Porque ouviria?

—A loira, amiga da minha irmã, disse que alguém falou que os caras do time comentaram sobre eu e o Logan termos brigado, e que ele estava meio arrasado.

—O que falaram?

—Perguntaram qual foi o motivo da nossa briga. Eu só quero saber se você estava lá quando disseram, e se ouviu alguma cosia.

—Não. Eu não estava, pelo menos eu não ouvi nada no vestiário. E só sei o que você me contou.

—Hum...

—Hei. Hei a sua varinha. –ele disse depressa e se levantando.

Olhei pra minha varinha, que já estava com a metade da linha na água, me levantei e tentei puxar, mas o peixe era mais forte do que eu, de repente senti as mãos do Christoph nas minhas, me ajudando a puxar. Caímos no chão, e o peixe estava pra fora da água.

—Ah. Eu consegui. Eu peguei um peixe. –disse toda animada.

—É. –ele disse sorrindo. –Agora recolha a linha, para tirarmos o peixe do anzol. –ele se levantou, me ajudando a se levantar também.

Fiz o que ele disse, e o peixe estava se contorcendo todo, com o anzol enroscado na boca. Eu estou tão eufórica, feliz por ter pego meu primeiro peixe, mas o problema é que eu não tenho a menor idéia do que fazer, de como tirar o anzol da boca dele, coitado, ele deve estar sentindo muita dor.

—Eu não sei fazer isso. Christoph, eu não posso tirar isso.

—Calma, deixa que eu tiro pra você.

Ele pegou o peixe e começou a tirar o anzol devagar, quando pisquei meus olhos, o anzol já estava fora do peixe, que continuava se debatendo sem parar.

—Vai fazer o que com o peixe? –ele perguntou erguendo o peixe para mim.

—E eu que sei.

—Então posso jogar na água de novo?

—Por quê? Eu passei horas esperando pra pegar esse bendito, e agora você quer jogar ele na água. Não, não, não. Eu vou levar pra casa, vou mostrar pro meu pai que eu sei pescar.

—Ele vai morrer até lá.

—Tudo bem, minha mãe sabe fazer um assado de peixe supimpa.

—Você é doida. –ele disse, se virando para colocar o peixe na mochila.

—Doido é você, querendo desperdiçar horas para pegar um peixe pra depois jogar ele na água de novo. Aprenda a aproveitar as coisas.

Ele não falou nada, eu estou tão contente, orgulhosa de mim mesma. Peguei a varinha e pedi ao Christoph que colocasse a isca de novo, e joguei a varinha para trás, quando fui jogar para frente, para a água, me assustei com o grito do Christoph, e me virei rapidamente pra ver por que ele gritou.

—O que foi? –perguntei desesperada.

Ele não falou nada, larguei a varinha no chão e fui correndo até ele, que estava com a mão sangrando.

—O que você fez? –perguntei ainda desesperada.

—Eu? Foi você.

Ele mostrou a palma da mão, que não parava de sangrar, com o anzol enroscado. Como é que o anzol veio parar na mão dele?

—Ai minha nossa. –levei as duas mãos na cabeça, sem saber o que fazer. –Como esse anzol foi parar na sua mão?

—Você jogou a merda dessa varinha, e quando puxou, o anzol rasgou a minha pele.

Como é que esse anzol foi parar na mão dele? Eu não entendo, eu só sei que a mão dele está sangrando demais, e não da pra ver nada além do sangue.

—Vem. Eu vou te levar pro hospital. –disse correndo pro carro.

—Você não vai dirigir meu carro.

—Você é quem não vai dirigir com a mão desse jeito. Vamos logo Christoph.

—Me ajude a pegar essas coisas.

—Que se dane essas coisas, a sua mão não para de sangrar, e você preocupado com essas coisas.

—Eu não vou deixar essas coisas aqui. Anda, me ajuda aqui. Você tem que cortar esse fio.

—Cortar com o quê?

—Tem um canivete na minha mala, no bolso da frente.

Fui até a mala dele e peguei o canivete, cortei a linha e o anzol continuou enroscado na mão dele, peguei a mala e fui levando até o porta-malas do carro, coloquei lá, e logo o Christoph trouxe as varinhas. Ele parece tão calmo, como ele pode ficar calmo com um anzol pendurado na mão dele, que ainda não parava de sangrar.

Caminhei até a porta do motorista, abri a porta e entrei. Ele continuou parado do lado de fora da porta, me olhando com uma cara de abobado, abaixei o vidro.

—Anda, me dê á chave e entre no carro.

—Já disse. Você não vai dirigir meu carro. –ele falou sério.

Revirei os olhos, mas que garoto teimoso.

—Christoph, sua mão está sangrando muito, e você está com um anzol pendurado na sua mão. –disse começando a me irritar com ele. –Você pode por favor me dar a chave e entrar no carro?

Ele continuou me encarando por alguns segundos, deu a volta no carro, entrou e me entregou a chave. Liguei o carro, engatei a ré e sai dali indo direto pro hospital.

—Você sabe ser insistente quando quer. –ele resmungou.

—E você sabe ser teimoso quando quer. Coloque um pano pra não pingar sangue na sua roupa.

—Eu não estou nem aí pra minha roupa.

—Ta, mas pelo menos, para não manchar seu carro.

Olhei pra ele, que continuava me encarando sério. Olhei pra estrada, de repente percebi que ele estava tirando a camisa, fiquei muito tentada em olhar, mas eu não podia tirar os olhos da estrada. Espiei de canto de olho, ele estava enrolando a caminha na mão, e pude ver seus bíceps fortes, tórax e abdômen definido. Respirei fundo e voltei á atenção para a estrada.

Eu não imaginava que ele fosse tão gato assim, dava pra perceber que ele era musculoso, e tal, mas não pensava que fosse tão bem definido assim, e lindo. Estacionei em frente ao hospital e sai do carro, ele saiu em seguida, seguimos até a recepção, uma mulher de meia idade pediu para que esperássemos um momento, nos sentamos no banco de espera.

—Está doendo muito? –perguntei olhando pra ele.

—Não. Não está doendo.

—Você está mais calmo?

—Eu não estava nervoso.

—Você me pareceu nervoso quando não quis me deixar dirigir seu carro.

—Christoph, pode entrar. A enfermeira vai te atender. –a mulher de meia idade disse.

—Posso ir junto? –perguntei pra ela me levantando depois dele.

—Claro. –ela sorriu para mim.

Caminhamos até a sala de enfermagem, outra mulher de meia idade estava lá.

—O que houve por aqui? –ela perguntou olhando na mão dele.

—Um acidente na pesca. –ele falou se sentando na maca.

—Deixa eu dar uma olhada. Hum... certo. Vamos limpar isso e depois vou tirar esse anzol.

Ela limpou todo o sangue, depois tirou o anzol, e agora dava para ver melhor o machucado. Com a rapidez que eu puxei a varinha, o anzol fez um belo corte na mão dele, mas não foi tão profundo assim, então não precisou dar pontos, ela só fez um curativo e receitou uma pomada para cicatrizar mais rápido. Saímos de lá, e fomos caminhando até o carro, ele abriu o porta-malas, e pegou uma camisa limpa, vestiu e entrou no banco do motorista, eu entrei em seguida.

—Desculpa. –eu disse, enquanto ele dirigia.

—Tudo bem, foi um acidente.

—Você não está bravo comigo, está?

—Não. Ta tudo bem Pietra. –ele respondeu sério.

Para mim, ele ficou e ainda está bravo comigo, ou é o que parece.

—Eu ainda estou tentando entender como foi que aquele anzol foi enroscar na sua mão.

—Mesmo sem olhar, você tem uma boa mira. –ele disse rindo um pouco.

Ótimo, um vestígio de humor. Isso me deixa um pouco mais tranqüila.

—Imagine se eu tivesse mirado. –brinquei.

—Talvez agora eu estivesse sem um olho. –rimos juntos.

Ele parou o carro em frente a minha casa, eu não quero ir pra casa agora, eu não quero me despedir dele, quero ficar mais um pouco perto dele, poder ouvir a voz dele, olhar nos olhos dele.

—Quer entrar? –convidei, implorando pra que ele dissesse sim.

—Não, acho melhor eu ir pra casa.

—Tem certeza? Eu posso pedir pra minha mãe fazer aquele assado de peixe.

—Tenho, preciso de um banho quente, e acho que elas não voltaram das compras ainda.

—Eu me esqueci disso. Bom, me desculpa de novo.

—Ta desculpada. –ele sorriu para mim.

Como eu quero me jogar nos braços dele, e poder sentir aqueles músculos, sentir o cheiro dele de perto.

—Eu vou pegar seu peixe. –ele abriu a porta e saiu do carro.

Eu não estou nem um pouco com vontade de sair desse carro, mas o que eu vou fazer? Abri a porta e sai. Ele me entregou o peixe com a mão boa. A impressão que eu tive, é que ele queria se ver livre de mim de uma vez. Então peguei o peixe, dei tchau e sai, fui caminhando até o portão quando escutei ele chamar meu nome.

—Adorei essa tarde, apesar do pequeno acidente. –ele disse com um sorriso lindo, que literalmente me tirou o ar.

—Eu também adorei. Obrigada por me ensinar a pescar. –disse me lembrando de respirar.

—Ainda bem que eu não inventei de te ensinar a caçar. –ele disse rindo. –Tchau.

—Tchau.

Ele entrou no carro e saiu. Fui direto pro meu quarto, minha mãe ainda não voltou das compras e meu pai ainda estava trabalhando, e minha irmã deve ter saído com as amigas dela. Eu estava com a casa toda só para mim, deixei o peixe na cozinha, e fui tomar um banho, depois fui para o meu quarto, deitei na cama e acabei dormindo.