Era para ser você
24 Capitulo 24
Notas iniciais
Acordei com a minha mãe fazendo cafuné no meu cabelo, e me chamando para acordar.
—Que horas são? –resmunguei ainda de olhos fechados.
—Seis da tarde.
—Chegou agora?
—Sim. De onde é aquele peixe na cozinha?
—Eu pesquei. –sorri, sem abrir os olhos.
—Pelo visto a pesca foi boa.
—Mais ou menos. –abri os olhos, e pisquei algumas vezes.
—Aconteceu alguma coisa?
—Quando eu fui jogar o anzol na água, acabei jogando na mão do Christoph. E não foi nada bom.
—Ele está bem?
—Está. Só fez um corte, nada que vá fazer ele ter que amputar a mão. E como foi ás compras?
—Boas, comprei um presente pra você.
—Só um? –me sentei na cama e fiz cara triste.
—Um em especial, que eu sei que você vai adorar. Então vale pelos outros. –ela disse sorrindo.
—Posso tentar adivinhar?
—Que tal ir ver?
Levantei rápido, e fui correndo até a sala, tinha várias sacolas em cima do sofá, tentei adivinhar qual era a minha, mas achei melhor minha mãe me mostrar.
—Qual é a minha? –perguntei assim que ela parou ao meu lado.
—Deixe eu ver. –ela foi até o sofá e vasculhou algumas sacolas.
—Esse. Esse. E esse aqui. –ela me entregou uma de cada vez.
Abri a primeira sacola, tinha uma blusa de lã cinza, com algumas tarraxas na frente. A segunda tinha uma calça jeans azul escura, que combinava perfeitamente com a blusa. E a terceira sacola, tinha uma caixa.
—O que tem na caixa?
—Abra.
Abri a caixa, e dentro tinha um monte de pedacinhos de isopor, espalhei o isopor pros cantos, e dava para ver uma maquina de datilografar semi nova, mas em perfeitas condições.
—Gostou?
—É perfeito. Obrigada mãe. –disse a abraçando.
—Eu sabia que você iria gostar.
—Gostar? Eu amei. E as roupas também.
Eu sempre quis uma maquina de datilografar a moda antiga, e essa era exatamente como eu sempre quis. Eu já tive outras, mas eram vindas de fábrica, novas, sem uso. Mas eu não levava junto quando nos mudávamos. Essa tem detalhes, que pelo o que me parece foram feitas á mão, os botões estão em ótimas condições e ela faz um tilintar quando acaba a linha. Eu adorei.
—Quer me ajudar com o jantar?
—Quero.
—O que faremos com esse peixe? –minha mãe falou mais para si mesma, do que para mim.
—Você poderia fazer aquele seu assado de peixe. –sugeri.
—Ótima idéia. –ela disse sorrindo para mim.
Minha mãe limpou o peixe, e depois preparou o tempero, colocou no forno para assar, enquanto eu preparava uma macarronada, que eu aprendi com o vovô. Meu pai sempre gostou desse prato, e modestamente, era o que sabia fazer muito bem.
—Eu e a Genevieve estávamos conversando.
—Ah não mãe, você não contou pra ela que...?
—Não querida, claro que não. Bom, eu comentei com ela que daqui a duas semanas é seu aniversário e da sua irmã. Podíamos fazer um jantar aqui em casa, sua irmã convida os amigos dela, e você pode convidar os seus.
—Meus amigos? Acho que eu tenho uma lista bem grande. –brinquei.
—Você convida o Christoph, e bem. Eu e seu pai convidamos a Genevieve e o Edward.
—Tudo bem.
—Estou achando que vamos acabar passando mais tempo nessa ilha, do que passamos em qualquer outro lugar.
—Por que acha isso?
—Já faz dois meses que estamos morando aqui, e até agora seu pai não comentou nada sobre qual lugar vamos morar. E com o planejamento da construção do hotel, acho que vamos ficar um bom tempo.
—Ele está super animado com isso não é?
—Está. Nunca vi seu pai tão animado com uma obra antes. E ele diz que vai render muito esse negocio.
Terminei meu macarrão, e enquanto o peixe ainda estava no forno, eu e a mamãe fomos assistir tevê. Estávamos vendo um programa de guerra de culinária, que ela adora, e confesso que eu também. Não demorou muito e minha irmã logo chegou, ela se sentou do outro lado da mamãe e fez como eu estava, encostou a cabeça em seu ombro.
—Onde a senhorita estava? –minha mãe perguntou a ela.
—Fui com as minhas amigas até a lanchonete.
—O que tem de tão bom nessa lanchonete, que você e suas amigas nunca saem de lá?
—Acho que o James saberia responder. –eu disse brincando.
—James? –minha mãe perguntou.
Minha irmã levantou a cabeça, e fez cara feia para mim.
—Pensei que o nome dele fosse Ian. –minha mãe disse depois de alguns segundos.
—A Pietra fala o nome dele errado de propósito. –minha irmã falou.
—Eu não tenho culpa por não me lembrar o nome dele o tempo todo. –retruquei.
Achei que a minha irmã não tivesse percebido que eu errava o nome do Ian de propósito. Mas pelo visto, ela me conhece melhor do que eu imaginava. Então minha mãe estava sabendo do Ian. Claro que ela sabe, eu e a minha irmã nunca escondemos nada dela, só uma da outra, ás vezes.
—Ele quer vir falar com o papai.
—Você quer que eu fale com o seu pai, sobre isso?
—Quero. Eu não sei como falar com o papai sobre isso, com você é tão fácil mãe.
—Por que a mamãe é nossa amiga Ennye. –eu resmunguei. –Ele quer vir quando? –perguntei.
—Já queria ter vindo. Mas eu pedi que esperasse um pouco, por causa do papai.
—Tudo bem. Eu vou falar com seu pai hoje mesmo, e amanhã eu te digo o que ele disse.
—Obrigada mãe.
Logo meu pai chegou, fomos jantar, o macarrão estava muito bom, e o peixe uma delicia. Meu pai ficou surpreso por eu ter pescado aquele peixe, mas não ficou surpreso por eu ter enroscado o anzol na mão do Christoph, mesmo que por acidente.
Foi um jantar bem agradável, depois eu e a minha irmã arrumamos a cozinha, e fomos ver tevê com meus pais, enquanto tomávamos chá. Uma primeira vez desde que o vovô morreu e o papai decidiu viajar o mundo, levando a família e o trabalho junto, que eu não estou com vontade de ir embora para outro lugar, outra aventura.
Conhecer gente nova, lugares novos, eu sempre gostei disso, mas agora o que eu mais quero é ficar nessa ilha “desconhecida”. Não tenho a menor ideia de como meu pai achou esse lugar, mas foi um dos melhores lugares que ele poderia ter nos levado para morar. Não por causa do Christoph, dele também, mas a cidade, as pessoas, as coisas daqui são diferentes do que em uma cidade mais agitada, e eu sempre quis morar numa cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo. E esse é o lugar perfeito.
Na manhã seguinte, eu não estava muito disposta pra sair da cama. Meu corpo doía, minha cabeça latejava, e eu mal podia comigo. Mas hoje, tem prova de biologia, justamente com aquele professor mala, e nem que eu desmaie na frente dele, tenho que ir.
Levantei sem a menor vontade, e fui tomar um banho quente para ver se ajudava a aliviar a dor no corpo. Depois fui tomar meu café da manhã, pra ver se melhorava a dor de cabeça. Minha mãe me deu um remédio, pedi para que a Ennye me desse uma carona hoje, porque eu não iria conseguir dirigir.
Assim que chegamos na escola, fui direto pra sala de aula, o remédio estava começando a fazer efeito, e logo aquele mala do professor iria chegar. Estava bem distraída olhando pela janela, quando uma voz familiar falou meu nome, virei a cabeça para ver quem era, e dou de cara com olhos negros olhando para mim.
—Oi. –o Logan disse com um sorriso torto.
—Oi. –respondi também sorrindo.
—Como você está?
—Estou bem. E você, como está?
—Bem. Eu quero conversar com você, mas preferiria que fosse num lugar mais reservado. Tudo bem?
—Ta.
—Você pode ir ver o treino depois da aula. Podemos conversar assim que o treino terminar.
—Tudo bem, eu vou estar lá.
—Ótimo. –ele abriu um sorriso lindo.
—Espero que tenham estudado. –o professor disse entrando na sala.
—Te vejo depois. –o Logan disse, se levantou e foi para o seu lugar.
Fale com o autor