Era para ser você
19 Capitulo 19
Notas iniciais
Quando eu cheguei na sala, o Christoph estava conversando com o meu pai, ele estava de costas para mim, assim que meu pai me viu, me olhou com um sorriso, o Christoph deve ter percebido, ele se virou e ficou me olhando por alguns segundos sem expressão alguma, então se levantou e continuou me olhando até eu se aproximar.
—Vamos? –eu disse um pouco constrangida.
—Vamos. –ele disse, então se virou pro meu pai e apertou sua mão. –Boa noite senhor Uckermann, prometo trazê-la antes da meia noite.
—Já disse pra me chamar de Peter, meu jovem. Tudo bem, só cuide bem da minha filha.
—Vou cuidar senhor.
Dei tchau pro meu pai, e para a minha mãe quando ela apareceu na sala, abri a porta e sai, ele saiu logo atrás de mim, caminhei até seu carro que estava parado em frente a minha casa, uma Mercedes esportiva CLK preta. Ele abriu a porta para mim, e deu meia volta no carro, entrei, ele ligou a chave e saiu.
—Você está muito bonita. –ele disse olhando para rua.
—Você também não está nada mal.
E realmente não estava. Ele vestia uma camisa preta, uma jaqueta de couro com capuz cinza, calça Jens e botas, definitivamente o Christoph estava deslumbrante, o cabelo um pouco bagunçado, e cheirava a loção de banho e perfume caro. Eu já tinha percebido que ele é bonito, mas nunca reparei que ele tem um charme, é diferente do Logan, tem um “Q” de mistério.
—O que você acha? –ele disse me tirando dos meus pensamentos.
—Sobre o quê? –perguntei confusa, sem saber o que ele tinha perguntado.
—Essa banda.
—Que banda?
—Eu perguntei se você conhece, caso não goste eu vou mudar de estação. Então, o que acha da banda? –ele disse com um sorriso torto.
—Eu não sei... quer dizer, eu nunca ouvi essa banda antes.
E nunca mesmo, eu nem sabia quem estava cantando, quanto mais qual música era, pra falar a verdade eu nem estava prestando atenção, então ele apertou o botão e trocou de estação, agora estava passando uma música mais calma, eu não reconheci quem estava cantando, e nem me lembrava do nome da música, mas pelo menos essa eu conhecia.
—Como é o nome do seu primo? –perguntei quebrando o silêncio.
—Por que você quer saber o nome dele?
—Você vive falando dele, mas nunca diz o nome, sempre se refere como “primo”. Só estou curiosa pra saber o nome.
Achei melhor não falar que eu apelidei o misterioso primo de, “O Primo”, era desnecessário fazer esse comentário, e além do mais, se eu falasse pra ele, perderia toda a graça para mim quando fosse se referir a ele.
—Scott.
—Scott? –repedi, eu não esperava que fosse esse o nome dele.
—Scott! –ele confirmou.
—Eu imaginava John, Gerald, Adam, James. Qualquer um, menos Scott.
Ele começou a rir, e eu fiquei encarando ele sem saber o porque dele estar rindo.
—Ta rindo de quê?
—De nada. Nada que vala a pena eu rir, e é por isso mesmo que eu estou rindo.
Revirei os olhos, e fiquei olhando pela janela, ele parou de rir, e aumentou o volume do rádio, durante o caminho ficamos conversando sobre coisas sem pé nem cabeça. Depois de umas duas horas mais ou menos chegamos, a festa era num restaurante perto da Marina, tinha muitos barcos, e lanchas estacionados ali perto. Christoph abriu a porta do carro para mim, e estendeu o braço, passei minha mão pelo braço dele, e caminhamos até a entrada do restaurante.
—Boa noite. –uma moça com um terno azul marinho disse, recolhendo os convites.
Já estava começando a escurecer, tinha iluminarias acessas, o lugar estava cheio, a música alta, de repente um rapaz moreno, alto com os olhos cor de avelã veio na nossa direção com o sorriso estonteante.
—Christoph Voughan. Que bom que conseguiu vir meu amigo. –ele disse abraçando o Christoph.
—Feliz aniversário Kelan. –ele falou depois de se soltar do abraço. –Essa é Pietra, uma amiga. –ele me apresentou.
—Prazer em conhecê-la Pietra.
—O prazer é meu. Ahm... feliz aniversário. –eu disse lhe dando um abraço.
—Obrigado, obrigado. Bem, fiquem a vontade, tem champanhe, vinho, qualquer bebida ali no balcão. Ali tem frutos do mar. –ele disse apontando pro canto de uma mesa. –E o que vocês quiserem. Se me desculpem, estão chegando mais convidados, nos falamos depois.-ele deu uma batida no ombro do Christoph e saiu.
—Está com sede? –o Christoph perguntou olhando pra mim.
—Sim.
Caminhamos até o balcão onde estavam servindo as bebidas. Eu não tenho o costume de beber, só tomo champanhe ou vinho uma vez ou outra quando meu pai quer comemorar alguma coisa, pedi um vinho e o Christoph também, o barman nos entregou, e nos sentamos no banco ali mesmo. Enquanto eu bebericava meu vinho, olhava em volta para as pessoas que estavam dançando, conversando e comendo.
—Essa não. –o Christoph sussurrou.
Olhei pra ele, que estava olhando sério para um canto, segui seu olhar, mas não percebi quem exatamente ele estava encarando.
—O que foi? –perguntei voltando a olhar pra ele.
—Lembra quando você me pediu para mim te ajudar com o Logan, e disse que ficaria me devendo uma? –ele falou sério.
—Ham?
—Eu vou cobrar, e agora.
—Quê? –perguntei confusa.
—Preciso que você finja ser minha namorada.
Mas o quê? Será que ele bebeu antes de sair de casa? Ele não pode estar em sã consciência, mas também não parece estar brincando. Ele estava sério demais para estar brincando.
—Por quê?
—Ta vendo aquela loira ali. –ele disse apontando com o queixo pro lugar que estava encarando á um minuto atrás.
Me virei, e vi uma moça loira, magra demais pro meu gosto, com um vestido roxo e salto alto, conversando com algumas pessoas, no canto, perto da mesa de frutos do mar.
—O que, que tem ela?
—Eu e ela, fomos namorados um tempo atrás. Mas ela acabou terminando comigo por causa de um universitário. Bom, eu não vou entrar em detalhes agora, só... por favor, finja que é minha namorada, só por essa noite. –ele me olhava ainda sério.
—Não acredito. –comecei a rir. –Você namorava com ela? –eu estava achando graça naquilo.
—Sim, ou não? –ele pediu impaciente.
—Só, se você me contar tudo depois.
—Ta, eu conto. Droga. Ela ta vindo pra cá. –ele disse nervoso.
Me virei e vi ela andando na nossa direção, ela olhava fixamente pro Christoph, ela era loira falsa, parecia quase uma replica falsa da Britney Spears, bem, era praticamente uma replica falsa da Britney Spears.
—Chris, que surpresa te ver por aqui. –ela disse parando de frente para ele.
—Oi Ashley.
—Meu irmão disse que você não viria mais.
—Mudança de planos.
—Você está ótimo.
—Ahm... essa é Pietra, minha namorada. –ele deu ênfase no “namorada”.
Ela se virou para mim, e ficou me analisando, eu só olhava fixamente nos olhos dela, quando ela olhou pro meu rosto abriu um sorriso forçado.
—Pietra. Que nome... ahm... diferente. –ela disse fazendo uma cara de nojo.
—Com certeza é mais original do que sua imitação barata da Britney Spears. –disse sorrindo.
Ela fechou a cara para mim e voltou a olhar pro Christoph.
—Vejo você mais tarde Chris. Espero para uma dança. –ela me esnobou e saiu desfilando.
Que voz mais nojenta, que menina mais arrogante, como é que o Christoph teve coragem de namorar com essa... essa zinha, já não fui com a cara dela, e quando ela falou do meu nome com cara de nojo, odiei, garota ridícula.
—Chris? –perguntei erguendo uma sobrancelha.
—Era como ela me chamava. –ele explicou.
—Parece que não perdeu o costume. Como você conseguiu namorar com uma garota tão arrogante assim?
—Quando namorávamos, ela era diferente. Vamos dançar. –ele disse se levantando.
Me levantei, ele colocou a mão direita nas minhas costas e foi me guiando até o meio da pista. Eu sou uma negação quando se refere á dança. Começou a tocar uma música lenta, o Christoph segurou minha mão direita, e colocou a mão esquerda nas minhas costas, ele me aproximou mais perto dele, com esses saltos eu ficava do seu tamanho, o que facilitava um pouco. Ele encostou o rosto nos meus cabelos, e pude sentir sua respiração na minha orelha; pra minha surpresa ele sabia dançar, e não era difícil ser conduzida por ele. Era impossível não sentir seu perfume, era um cheiro muito bom, fechei meus olhos e me deixei levar pela música. Por um momento eu esqueci completamente do Logan, da briga, de tudo, e de todos, eu nunca tinha dançado com alguém assim antes, e não ter tropeçado nos meus pés foi um alivio para mim, e não é querer me gabar, mas para uma primeira vez, eu estava dançando bem.
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