Era Uma Vez... Uma Ilusão
48 47. Não há felicidade sem diálogo, sem franqueza... Sem honestidade!
Notas iniciais
A música da valsa continua dominante nos aposentos de estado de Carlton House, mas não o suficiente para fazer Richard deixar de encarar fixamente o Robert, cujo olhar é desafiador.
— Covarde? — sussurra friamente Richard, avançando furioso na direção do irmão. — Como ousa...?
— Ouso, e sem qualquer arrependimento. — Os olhos de Richard arregalam de raiva, mas Robert semicerra os olhos e desafia: — Acha mesmo que esse "fato" trará alguma solução?
Os sentimentos e a fúria dele apenas aumentam. Não simplesmente pelo tom desafiador de Robert ou pelas palavras, mas pela calma e razoabilidade dele. Richard nega para Robert.
— É necessário saber reconhecer os próprios erros para...
— Então reconheça os seus e aja! — exclama Robert, num tom visivelmente de ordem. — Não há felicidade sem diálogo, sem franqueza... Sem honestidade!
— Honestidade é aceitar que errou — retruca Richard, afastando-se do irmão e negando o mais veemente possível. — Nós conversamos; nós fomos honestos!
— Mas então por que estão nesta situação!? — Arregalando os olhos, Richard volta-se surpreso a Robert, que sorri de lado. — Vejo que não tem uma resposta.
A surpresa transforma-se em horror, tanto que Richard volta a dar as costas ao irmão e afasta-se na direção de Rubens. Encarando fixamente a pintura — uma pintura cujo um dos elementos faz parte das vestes da Jarreteira dele —, Richard respira e nega.
É certo que a fúria foi dissipada e substituída por um misto de sentimentos que... A única ação dele é negar; sempre negar!
— Quem é você para dar conselhos? — sussurra Richard, acrescentando depois com mais ênfase: — Quem é você para falar de amor!?
— Agora você já está fugindo do assunto, Richard — responde Robert, aproximando-se do irmão —, a questão aqui não é o amor.
Mas tem haver! Tudo está conectado ao amor! Olhando com extremo ultraje para o irmão, Richard nega e se afasta de Robert, caminhando na direção da antecâmara oeste.
— Pense no que eu disse, por favor — Robert insiste, mesmo com Richard negando. — A vida já é tão difícil, Richard; suportá-la sozinho é... tolice.
É o bastante para fazê-lo parar... Mas, respirando fundo, Richard deixa a sala carmesim. Ficando para trás, porém, Robert respira fundo e retorna ao sala circular. Haverá de criar algum efeito essa conversa.
*****
Respirando com toda a dificuldade do mundo, Charlotte nega veemente e aproxima-se do pai, praticamente se jogando aos pés do regente. É uma ação que assusta Lady Hertford, embora não Lord Castlereagh.
— Por favor, papai, agora não! — suplica Charlotte, quase aos prantos. — Não acho que seja a hora certa ainda!
— Você já tem 18 anos, Charlotte.
— Mas não o amo! — O rosto do regente, porém, continua impassível. Respirando fundo, ela nega. — Ainda tenho dúvidas e... Serei rainha! Não posso deixar a Grã-Bretanha!
Mesmo que durante todos esses meses ela tenha repetido inúmeras vezes essa frase. Mas a única ação do regente é apontar para o contrato na mesa.
— Tudo que você pediu, e foi considerado justo, está no contrato. — A respiração dela para momentaneamente. O regente, porém, a levanta e entrega uma pena. — Assine, Charlotte, para o benefício da Grã-Bretanha.
— Há tantos príncipes no continente...
— Mas poucos são protestantes e herdeiros do mesmo legado que Orange — responde Lady Hertford, ganhando a atenção da princesa. — Você pode ser rainha dos Países Baixos, Charlotte!
— Já serei rainha de um legado muito maior: a Grã-Bretanha! — Encarando fixamente o contrato na mesa, Charlotte respira fundo e afasta a pena. — Mamãe não concorda com esta união...
— Claro que não concorda! — A fúria do regente é o suficiente para fazê-la recuar, mas ele acrescenta numa negativa: — Me admira você escutá-la. Não foi ela quem deixou perder o trono mais glorioso da Europa por tolice!?
Nenhuma resposta é dada por Charlotte, que abaixa a cabeça e volta a encarar o contrato. Será que Orange já sabe disso? Será por isso que ele já a considera noiva dele? E essas palavras do regente... Elas ferem como facadas no peito!
— Esta aliança com a Holanda só trará benefícios, minha princesa. — Ela volta-se para o calmo Lord Castlereagh, que acrescenta: — Pense na economia, no comércio... Pense na proteção da própria Grã-Bretanha.
A Inglaterra já tem colônias, domínios ricos em praticamente todo o mundo. Claro que a economia está debilitada por conta da guerra, mas... Os olhos de Charlotte arregalam; eles não terão mais Hannover quando ela for rainha... Não haverá presença britânica no continente!
O olhar dela no contrato torna-se cada vez mais fixo. Parece até... inevitável.
— Você será rainha, não é, Charlotte? — questiona o regente, ganhando um assentimento da filha. — Então saiba desde já que um soberano nunca faz o que deseja, mas o que deve.
Não há em Charlotte vontade alguma de casar com Willem de Orange, mas o dever... Uma rainha sempre deve cumprir o seu dever, não? Respirando fundo, ela pega a caneta e assina o contrato...
Imediatamente recuando, Charlotte dá as costas ao pai e abraça o próprio corpo. Até que Lady Hertford se aproxima.
— Sorria, minha princesa. — Ela semicerra os olhos com a marquesa, que nega. — Não é um casamento, não é eterno... não ainda.
Mas a única ação de Charlotte é olhar para o contrato e deixar a sala. Pode até não ser eterno, mas...
— Charlotte, mas o que houve? — Até que ela passa por Friedrich, que agarra a mão dela com um preocupado olhar. — Está chorando?
A ação imediata dela é negar, mas... Charlotte sente lágrimas começando a descer de seus olhos, então ela simplesmente abraça Friedrich... É um compromisso! Qual a justificativa aceitável para quebrá-lo!?
*****
— Fico horrorizada com uma coisa dessas. — Negando com desgosto para a valsa, Lady Cavenbush volta-se a Lady Castlereagh. — Faça alguma coisa, Emily!
Mas a própria viscondessa parece encantada com a dança vienense, tanto que fica surpresa com o "pedido" da baronesa.
Todas as damas de companhia encontram-se ao lado de Cathrine, que mostra-se visivelmente entediada ao se abanar com o leque. Na verdade, a indiferença dela é tamanha que em momento algum Cathrine criticou a escandalosa valsa.
— Oh, querida Jane, é assim que funciona a valsa — responde Lady Castlereagh, suspirando na direção dos pares. — Os jovens gostam, então fazer o quê? Não é mesmo, minha princesa?
— Está falando comigo, milady? — As damas franzem o cenho para Cathrine. — Sim, a valsa... Oh, lá está Robert!
No outro lado do salão, deixando a sala carmesim. Seguida pelas damas, Cathrine segue com rapidez na direção do cunhado, determinada a encontrar Richard para eles irem embora. O imperador e os dois líderes Tories já foram investidos, sendo assim...
— Ora, mas está fugindo de mim, Sua Alteza Sereníssima? — Até que Cathrine tem o caminho obstruído por... Bernadotte. — Seria um prazer beijar sua mão dinamarquesa.
Um frio sobe pela espinha de Cathrine, tanto que a única ação dela é erguer arrogantemente a cabeça. O príncipe herdeiro sorri galante para a princesa, cujo silêncio é profundo.
— Não vai falar comigo...?
— Perdão, Sua Alteza Real, mas é a princesa quem deve iniciar a conversa — avisa Lady Newport, tentando não olhar nos olhos dele. — E estamos com um pouco de pressa agora...
— Serei breve. — Ele toma o lado de Cathrine e os dois começam a andar. — Gostaria apenas de avisar que será breve minha estadia na Inglaterra e logo voltarei a Suécia.
— Por que devo saber disso? — retruca Cathrine, forçando um sorrisinho ao francês. — Você que começou esta coisa... Bernadotte.
— E eu mesmo irei findá-la. — Cathrine franze o cenho. Sorrindo galante, ele então fala: — Não é da minha vontade, mas terei de declarar guerra à Noruega e seu irmãozinho rebelde.
Christian... As pupilas de Cathrine arregalam com essas palavras, enquanto a vitória no sorriso de Bernadotte apenas aumenta. Mas Cathrine tenta ao máximo não mostrar fraqueza ou demasiada afetação, tanto que...
— Nada tenho haver com os assuntos nórdicos — ela sussurra e, fechando rapidamente os olhos, o encara friamente. — É inútil me ameaçar.
— Oh, não veja assim. Sou incapaz de ameaçar uma mulher. — A expressão dele é ferida, mesmo que logo sendo substituída por um sorriso. — Desejo apenas que transmita ao "rei da Noruega" o meu aviso.
A zombaria na voz dele ao dizer isso é tamanha que... Bernadotte não é homem desagradável, de fato, e há realmente um certo encanto nele, mas...
— É para isso que existem os diplomatas, não? — E Christian já os enviou para toda a Europa. Cathrine se afasta dele. — Já disse antes e irei repetir novamente, Bernadotte: nada tenho haver com os assuntos nórdicos!
E dito isso, ela deixa com rapidez o príncipe herdeiro sueco, o que traz alguma atenção, mas... Todos já esperavam mesmo por isso. As damas de companhia ficam para trás e ela cruza até com um confuso Robert.
Deixando a sala circular, Cathrine fecha os olhos e, respirando fundo, segue pelos corredores para o pátio. A vontade dela é realmente ir embora. E ela encontra Richard na carruagem.
— Mas o que você está fazendo aqui tão...? — A voz de Richard morre assim que ele vê lágrimas nos olhos dela. — Quem fez isso com você, Cathrine!?
— Oh, Richard! — exclama Cathrine, abraçando Richard e permitindo-se chorar. — Eu odeio ele, Richard! Odeio Bernadotte! Odeio do fundo do meu coração!
Perplexo, Richard a abraça e deixa Cathrine chorar e fala tudo que sente, até que ela apenas chora no peito dele. Nenhuma palavra é dita por Richard, mas ele a escuta...
*****
Junho|1814 Palácio de Inverno, São Petersburgo
Voltada para a Praça do Palácio, uma visão que dificilmente é mais gloriosa que o Neva, a frente sul do Palácio de Inverno é onde abriga os mais belos e sofisticados aposentos da imperatriz viúva. Tudo é rico e ostentoso; um claro resquício do passado século XVIII.
— "A Rússia ainda regozija com a vitória e celebra tão luxuosamente quanto em Londres" — a imperatriz viúva dita ao concluir uma pintura pastel. — "Mas confesso que não vejo a hora de estar em Pavlovsk e..."
— Ekaterina fala tão bem do príncipe-hereditário de Orange — comenta a grã-duquesa Anna, sentada à escrivaninha. — Ele parece tão charmoso.
— E já tem dona. — Sequer olhando para a filha, ela ainda questiona: — Escreveu o que eu disse, Anna?
Como que pega fazendo algo errado, a grã-duquesa rapidamente assente e volta a escrever. A única ação da imperatriz é negar e voltar a ditar. Anna não precisa de uma paixão, principalmente de alguém nunca visto antes.
— "Quanto a sua "proximidade" com esse senhor, aconselho cuidado". — Concluindo, a imperatriz levanta com a pintura. — "Por mais que eu despreze ela e ame ele, não suportaria vê-la numa situação humilhante. Tome cuidado com o seu coração, Ekaterina."
Uma vez pego, dificilmente poderá ser liberto. Colocando a pintura perto da lareira, a imperatriz suspira e...
— Acha mesmo que isso é necessário, mamãe? — Anna questiona, dando os ombros em seguida. — Avisar Ekaterina.
— Desnecessário não é, tenha certeza — ela responde e, negando, ainda acrescenta: — Um amor imprudente pode até parecer empolgante, mas, na realidade, é letal.
— Ele é casado...!
— O que nem sempre é um empecilho. — Adultério... As bochechas de Anna coram. A imperatriz segue para uma janela. — Mais alguma carta?
A vergonha some das bochechas de Anna. Mas, em contrapartida, os olhos dela são dominados pelo receio. A imperatriz percebe isso, mas permanece estoica olhando para a Praça do Palácio. Até que Anna fala:
— Nika, mamãe; ele pergunta sobre... Mary. — Olhando de lado para Anna, a imperatriz semicerra os olhos. — E também sobre... o bebê.
Imediatamente ela volta-se na direção da filha, encarando-a tão fixamente que até Anna acredita estar escondendo algo. A imperatriz aproxima-se lentamente dela.
— E por que ele mesmo não pergunta a ela? — questiona a viúva, virando-se subitamente o rosto e cruzando os braços. — Diga que foi uma surpresa. Ela simplesmente visitou Konstantin e logo após voltar... descobriu-se grávida.
— Está sugerindo algo, mamãe? — A ação dela é dar os ombros. Anna suspira. — Ela está muito feliz, permite até que as crianças a vejam mais.
— Acho isso muito estranho — comenta a imperatriz, franzindo o cenho em seguida. — Até Pavel?
E a surpresa dela só aumenta quando Anna assente. Pois bem... A imperatriz deixa os próprios aposentos e cruza o palácio até a ala noroeste. Mas só é necessário entrar na antecâmara dos aposentos da tsesarevna para escutar risadas desde o dormitório.
— Gosto tanto quando a senhora está feliz. — Abrindo levemente a porta, ela vê Pavel sentado na cama com Mary. — São tantos abraços que...
— Não, Pavel, deixa-a responder! — exclama Elena, levemente desenvolvida para quase seis anos. — Qual será o nome dela?
— O que lhe dá tanta certeza que é ela? — questiona Pavel, ganhando uma careta da irmã.
— Elena, por favor! — Mary, porém, é indulgente demais e sorri para a filha caçula. — Será Natalya.
Surpresa, a imperatriz franze o cenho. Natalya? Mas a última Natalya... A atenção dela, porém, é capturada com a pergunta de Maria:
— Mas e se for um menino? — O silêncio domina, fazendo a imperatriz abrir mais ainda a porta.
— Então o nome será mais especial ainda — responde Mary, sorrindo largamente. — Nikolai.
Arregalando os olhos, a imperatriz recua para longe da porta e nega veementemente. Nikolai... O nome será Nikolai ou Natalya... Mas... Respirando fundo, a imperatriz deixa a antecâmara. Ela prestará muita atenção nisso tudo...
*****
Junho|1814 Palácio de Hampton Court, Londres
Servindo-se com um pouco de whisky, Richard bufa cansado e segue para uma janela. O dia estão tão belo no lado de fora, enquanto na sala azul... Ele já sente uma enxaqueca chegando.
— Beber não vai mudar nada, você sabe, né? — comenta Robert do sofá, acrescentando, porém, num dar de ombros: — Mas se ajuda...
— Não ajuda nenhum pouco, mas também não atrapalha. — Deixando a janela, Richard segue para uma poltrona. — Como pode alguém ser tão obstinado?
— Devemos concordar que faz todo o sentido, Richard. — Mas ele nega para Robert, que acomoda-se no sofá. — Controlar Niedersieg significa controlar a parte mais vantajosa do Inntal.
— Mas a presença militar bávara só permanece em Ehreschöne e Smaragdberg! — Richard exclama e, fechando os olhos, nega num suspiro. — Talvez eu deva demitir Beylstein e...
— Beylstein permanecerá em Munique. — Ele franze o cenho para Robert, cujo olhar é firme. — Demiti-lo seria uma amostra de fraqueza e desespero, características que não desejamos mostrar.
Mas eles estão desesperados! Eles são fracos! O poder de Niedersieg sempre foi a economia e a posição estratégica no Inntal, mas agora... Nem um país de verdade Niedersieg é!
Não conseguindo se manter sentado, Richard levanta e, bebendo todo o whisky, serve-se novamente. É muito perceptível as ambições de Robert para Niedersieg, mas na situação atual...
— O que você aconselha então? — Voltando-se na direção do irmão, Richard ainda zomba: — Vamos, Sr. Estadista!
— Não estou na posição de oferecer conselhos. — Mas Robert mantém-se calmo e dá os ombros. — Pergunte aos seus ministros.
Rindo com desdém, Richard abre a boca e... A porta é aberta e Cathrine entra na sala, chamando imediatamente a atenção dos irmãos. O silêncio instaura-se, nenhuma palavra é trocada, e a única ação de Richard é encará-la fixamente.
— Serei breve, desejo apenas pegar algumas cartas.
Mas Cathrine desvia o olhar e segue para a escrivaninha. Apesar do que houve em Carlton House, nada mudou muito. A ação dele, porém, é olhar na direção de Robert, que sinaliza para ele falar algo. Então...
— Sente-se melhor? — questiona Richard, segurando o braço de Cathrine antes dela sair. — Não sei se você sabe, mas Bernadotte partiu hoje mais cedo.
— Ótimo, esse problema fugiu de mim e não o contrário — sussurra Cathrine, olhando para ele e depois para a mão dele. — Preciso responder essas cartas, Richard.
— Oh, mas é claro, desculpe! — Livre, Cathrine segue para a porta. Mas Richard morde os lábios e... — Fiquei muito curioso com esse orfanato em Berkshire.
É o bastante para fazê-la parar, porém nada é dito e Cathrine mantém-se de costas para ele. Ansioso, Richard olha para Robert, que dá os ombros.
— Ficou? — O tom dela é questionador.
— Suas doações são todas registradas — Richard explica e acrescenta sorrindo: — Se precisar de alguma ajuda...
— Não se incomode, por favor. — Olhando séria na direção dele, Cathrine faz uma mesura e deixa a sala.
A única ação de Richard é fechar os olhos e respirar fundo. Cada conversa "normal" deles é uma vitória pessoal. Quando abre os olhos, porém, Richard encontra um malicioso Robert sorrindo para ele. Richard franze o cenho.
— O que foi?
— Nada... Nada foi — responde Robert, sinalizando para ele sentar. — Como eu dizia, fale com os seus ministros sobre esse problema com as tropas...
Oh, Deus, as tropas! Richard só consegue bufar e cair sentado na poltrona. Por que ele não pode focar só em Cathrine, hein? E falar com os ministros... É realmente necessário?
*****
Palácio de Kensington, Londres
O apartamento do duque de Sussex é, no mínimo, excêntrico. Augustus não esconde de ninguém seu amor pela literatura e natureza, tanto que mantêm na sala de estar uma grande variedade de plantas e pássaros. E no meio disso tudo, sentada no sofá...
— Charlotte me visitou recentemente — Sophia comenta e, suspirando, volta-se ao irmão. — Ela queria saber como quebrar um noivado da forma menos prejudicial possível.
— Mesmo? — Augustus, porém, parece mais atento a uma arara azul e amarela.
— Não entendo isso, Augustus, francamente, não entendo! — Mas Sophia, em contrapartida, está mais atenta a si mesma. — Na idade dela mataríamos para casar, mas Charlotte foge! E temo ainda que ela tenha se apaixonado novamente.
Um temor que a imprensa fofoqueira faz questão de aumentar. Dizem até que Charlotte foi vista nos braços de um príncipe em Carlton House, um príncipe que definitivamente não é holandês.
Suspirando, ela encara Augustus, esperando realmente encontrar alguma atenção. Porém...
— Não acha que ela está magra demais? — questiona Augustus, aproximando de Sophia a arara.
— Acho que você não está me escutando, isso sim. — Sophia franze o cenho e afasta o braço dele. — Sabe ao menos do que estou falando, Augustus?
— Charlotte, e saiba que ela também me procurou — ele responde e, colocando a arara no sofá, acrescenta num dar de ombros: — Aconselhei até ela a fugir com o prussiano arrojado.
É o suficiente para fazê-la rir com prazer. Augustus sempre teve esse efeito... Mesmo que a risada logo seja substituída por um preocupado suspiro. Um prussiano...
— Estou tão preocupada, Augustus. — Encarando-o fixamente, Sophia nega num suspiro. — Tudo me afeta, desde o noivado de Charlotte até... Richard e Cathrine.
A expressão dela é tomada pelo cansaço, tanto que Augustus franze o cenho, preocupado, e senta ao lado dela no sofá. Nenhuma palavra é dita, até que Augustus pega a mão da irmã.
— Você é a anjinha, Sophia, mas não um querubim celeste. — Apertando a mão dela, Augustus sorri. — Não fique tão preocupada com eles.
— Como se eu conseguisse evitar — ela sussurra, forçando também um sorriso. — Faz parte de mim.
— Então foque nos seus problemas. — Sophia franze o cenho, então Augustus arregala os olhos e nega. — Perdão! Eu não queria... !
— Robert e eu já conversamos sobre esse assunto — O tom dela é calma, e o sorriso também. — Não me fere mais tanto assim.
Claro que vez ou outra ainda dá um aperto no coração essa pergunta, mas Sophia e Robert sempre foram bastante francos um com o outro. O alívio retorna ao rosto de Augustus.
— Você será a mãe de uma dinastia, Sophia — ele garante e ainda acrescenta, confiante: — Mamãe tinha quase 40 anos quando Amélia nasceu.
— É o meu consolo e esperança. — Suspirando, Sophia tenta focar nisso. — Não é por falta de amor, ou do ato de amor, então deve ser a ansiedade.
Sim, só podem ser as preocupações e ansiedades. Isso significa, porém, que logo ela ficará grávida novamente, não? Afinal a guerra acabou... O sorriso dela acaba se tornando tenso, principalmente quando Augustus pergunta:
— Mas o que acontecerá caso... bem, não hajam herdeiros? — O silêncio instaura-se. Até que Sophia volta-se ao irmão.
— Bristol será herdado pelos Aberavon, enquanto Niedersieg... É uma incógnita. — Ninguém pensou seriamente nessa possibilidade. — O fato, porém, é que a lei sempre pode ser mudada, seja para eles... ou para elas.
A expressão dela torna-se sombria, sendo dominada pela seriedade e preocupação. A possibilidade dela falhar... Até o pensamento disso é desagradável.
— Haverá herdeiros — Augustus garante e, levantando, pega uma gaiola com um beija-flor. — Veja como é belo, Sophia.
Um pássaro que voa terrivelmente rápido e "cheira" o néctar das flores com o seu grande bico... Suspirando, Sophia sorri. Sim, haverão herdeiros nascidos dela.
*****
Junho|1814 Green Park, Londres
Uma alegria quase rural domina o Green Park, que por si só já é extremamente rural. Risadas ecoam por todo o campo aberto, embora vez ou outra também seja possível escutar vacas mugindo.
É a ilusão de um mundo romântico e idílico, mas tão popular que as jovens usam as roupas mais "humildes" e "rurais" possíveis. E até mesmo o príncipe herdeiro de Württemberg entrega-se a esta ilusão "brincando" com a grã-duquesa Ekaterina...
— Mas isso não tem nenhum precedente! — O clima, porém, é totalmente diferente na tenda dos Bristol, onde Richard nega veementemente. — Nunca fiz isso antes.
— Nenhum de nossos ancestrais, na verdade. — Já Robert parece bem calmo numa cadeira portátil. — Tem certeza disso, Linzmain?
— A mais absoluta — responde o barão, junto de von Frieden e von Eden. — Uma reunião privada com Kriegelstein mostrará a boa-vontade do príncipe e certamente acalentará o coração do rei.
— O motivando a aceitar uma reunião com Beylstein — acrescenta von Frieden, mesmo que depois bufando. — Montgelas mostrou-se inútil, então que recorramos diretamente ao rei.
Mas Richard não consegue assentir ou consentir, a única ação dele é andar ansiosamente pela tenda. Essa é uma questão muito importante e... As risadas não ajudam em nada! E nem as malditas vacas!
— Serão necessárias concessões — responde Richard, sentando numa outra cadeira.
— Um pequeno preço a pagar pela liberdade. — Ele só consegue negar para Eden, tanto que o barão lembra: — Metternich deixou claro que não manterá as tropas austríacas com as bávaras bem ao lado.
Olhando na direção do próprio Metternich, que conversa alegremente com a condessa Lieven, Richard cobre o rosto e tenta respirar fundo. Uma haverá de sair para a outra ficar.
— Falarei com o homem. — Os ministros e Linzmain sorriem exultantes. Porém Richard sussurra: — É a primeira vez em quase 80 anos que isso acontece num período de paz.
— Não existe paz entre Niedersieg e a Baviera, meu príncipe. — A ação de Richard é encarar fixamente von Frieden, que não se afeta. — Confiamos na sua sabedoria.
E, numa mesura, os ministros deixam a tenda. Nenhuma palavra é trocada entre Richard e Robert, a única ação de Richard é olhar fixamente para um jarro e sinalizar para Lord Maurs trazer algo para ele beber.
Richard terá de falar com o enviado bávaro em Londres... Mas que desgraça!
— Por que você não fala com Metternich? — O tom de Robert é zombeteiro, tanto que Richard olha com censura para ele. — Tudo bem, mas você não escutou? Eles confiam em você.
— Até que eu falhe miseravelmente. — O que não é difícil. Suspirando, Richard nega. — Não sou um diplomata, Robert!
— Mas está se saindo muito bem no papel de um. — E, novamente, Richard nega. O olhar de Robert, porém, volta-se para outro lado. — Já no de amante...
Seguindo o olhar do irmão, Richard vê Cathrine olhando para um balão de ar quente c as damas de companhia. Robert não está... Ele olha para Robert, cujo sorriso é malicioso, e ganha um assentimento. A primeira ação de Richard é negar. Porém...
— Não será mais alto do que meu status me permite? — As damas riem com as palavras de Lady Castlereagh. Até que...
— Mas e quanto a marquesa? — Richard se aproxima e estende a mão na direção de Cathrine. — Me acompanha?
Surpresa, Cathrine não consegue fazer outra coisa senão aceitar a mão de Richard. Então é isso... Eles vão passear de balão.
*****
Schloss Leonberg, Leonberg
Colocando uma bandeja com chá na escrivaninha, a condessa Verweyen serve uma xícara e entrega a Anne. A princesa está sentada na cama... Tão pálida e sem brilho que...
— Não acha que deveria chamar o médico? — Também servindo-se com chá, a condessa senta numa poltrona e nega. — É necessário se tratar, minha princesa.
— É só um resfriado, Luise — responde Anne, tomando do chá num suspiro. — Um mal-estar passageiro.
— Que já perdura há quase um ano. — É o bastante para Anne encarar duramente Luise, que assente... Mas ainda sussurra: — No final, Anton estava certo.
A dureza no rosto de Anne apenas aumenta, mas ela respira fundo e bebe novamente do chá. Não importa mais se Anton estava certo ou errado — o rei não permitiu mesmo a ida dela para Londres —, a questão é que ela está resfriada.
O silêncio ameaça se instaurar no quarto da princesa herdeira... Porém logo são escutadas risadas e passos apressados.
— Oh, mamãe, é uma alegria! — Anna adentra exultante. Porém, talvez imaginando a censura de Charlotte logo atrás, ela franze o cenho. — Sente-se melhor, mamãe?
— Como eu dizia para Luise, não é nada que exija preocupação. — Ela sorri calmamente para a condessa e as filhas. — Mas qual o motivo dessa alegria?
— Recebemos uma carta — responde Charlotte, revelando um envelope —, e uma carta...
— É de papai! De Londres! — A alegria de Anna é explosiva, apesar dela suspirar em seguida. — Oh, Deus, sinto tanta falta dele!
Eis aí uma coisa que nunca realmente Anne conseguiu entender. Como Anna consegue amar o pai e Wilhelm odiar? Os dois passaram pela mesma situação, são gêmeos, mas...
— Onde estão Wilhelm e Elisabeth? — pergunta Anne, acomodando-se na cama. — Estou curiosa para saber como anda a velha Londres.
— Wilhelm disse "para o inferno o desgraçado". — E a própria Elisabeth entre correndo no quarto, com Anton logo atrás. — Ele fala de papai, não é, mamãe?
A única ação dela é rir e pedir para a filha caçula sentar ao lado dela na cama. É melhor focar no... Mas Anne começa a tossir, tanto que preocupa as filhas e Luise serve mais um pouco de chá.
— Sugiro visitar uma cidade termal, minha senhora. — Aceitando a xícara, Anne volta-se a Anton. — Talvez ajude no seu "mal-estar".
— Já pensei nisso, Anton, talvez Baden-Baden ou Aachen...
— Graz é melhor. — Todas elas franzem o cenho para ele.
— Graz!? — exclama Charlotte, ganhando um assentimento dele. — Mas é nos confins da Áustria!
— Justamente por isso é a melhor opção — responde Anton, confundindo-as mais ainda. — Graz tem um clima agradável e já foi residência dos ancestrais...
— O que diz na carta mesmo? — Mas Anne decide simplesmente esquecer do assunto. — Curioso, Fritz não enviou uma carta sequer para mim. Devo me preocupar?
Rindo, ela bebe novamente do chá. Qual seria a preocupação dela? Um divórcio? Discutindo para saber quem lerá a carta, Charlotte e Anna também sentam na cama. Mas Anton... Ele encara fixamente Anne...
— Talvez ele esteja ocupado com a grã-duquesa Ekaterina. — É o bastante para chamar atenção. Anton dá os ombros. — Na corte estão dizendo que eles parecem bem próximos.
— Mesmo? — Sorriso, Anne abraça Elisabeth. — Eu também ficaria próxima dos meus primos se os conhecesse.
— Principalmente sendo como a grã-duquesa. — E o sorriso dela vacila. Ele explica: — Ela é tão amável que assalta todos os corações para si.
Não foi assim que Mary descreveu Ekaterina, muito pelo contrário... Mas Anne volta a sorrir e sinaliza para Belgärd deixar os aposentos dela. A carta, não é mesmo? Porque... Não importa o que Fritz faz ou deixa de fazer.
*****
Green Park, Londres
Com um alto grito, seguido por ordens de cuidado, o balonista e seus ajudantes desprendem as cordas que mantêm o balão no chão e ele começa a subir. Primeiro há um tremor, depois um giro e... Cathrine agarra o braço de Richard... Todos começam a "encolher".
Mas logo para e toda a extensão de Green Park torna-se visível... Até mesmo Buckingham House no outro lado! Os olhos de Cathrine brilham; um pouco mais alto e grande parte da Cidade de Westminster será visível.
— Estamos bem alto. — Cathrine, porém, logo é lembrada da presença de Richard, que abraça o ombro dela. — Será que dá para tocar nas nuvens daqui...?
— O que você deseja, Richard? — Mas ela se afasta e agarra-se a uma corda. — Qual o seu objetivo com tudo isso? Ganhar o meu perdão?
Ele não responde, apenas franze o cenho com uma expressão ferida... Respirando fundo, Cathrine volta-se na direção da Catedral de St. Paul, encarando tão fixamente a cúpula que...
— Não quero discutir sobre perdão... Nem sobre quem está certo ou errado — ele responde, aproximando-se dela. — Cathrine, por favor, a única coisa que desejo é a nossa felicidade.
Franzindo o cenho, Cathrine vira-se para Richard, encarando-o profundamente surpresa. Felizes? Deseja que eles sejam... felizes?
— Faltam quase quatro anos para o nosso vigésimo aniversário de casamento. — Richard pega a mão dela, encarando-a com igual atenção. — Sabe o que isso significa?
— Que no final dessas duas décadas nos mostramos totalmente falhos. — Mas ela afasta dela a mão e nega. — Não temos Niedersieg! Não temos união...! Não temos filhos! Nós falhamos...!
— Não, nós não falhamos! — exclama Richard, fazendo até o balão tremer. — Fomos felizes, Cathrine; muito felizes!
— Sei que sim, Richard, mas... — A voz dela falha e Cathrine desvia o olhar. Ela sussurra: — É como se faltasse algo...!
Porque falta algo. Todo casamento, principalmente da realeza, acontece com o único objetivo de gerar herdeiros... filhos. Mas eles não têm isso! E... Os olhos dela enchem de lágrimas; Cathrine sempre quis filhos, muitos filhos!
O silêncio instaura-se entre os dois. Até que Richard pega o queixo de Cathrine e a traz na direção dele.
— Quero ser feliz com você, Cathrine... Continuar sendo feliz — ele fala, levando uma mão a bochecha dela. — E nós podemos ser felizes. Mesmo que... Mesmo que...
— Você não consegue — sussurra Cathrine, fazendo-o fechar os olhos. — Está claro que não ter filhos lhe perturba...
— Claro que me perturba, Cathrine! Assim como lhe perturba! — Os olhos dela arregalam com as palavras dele. Porém Richard acrescenta: — Mas será que isso, apenas isso, impedirá a nossa alegria?
Cathrine abre a boca... Mas a única ação dela é novamente virar o rosto e, afastando-se de Richard, se abraçar a corda. Ela deseja ser feliz! Deseja muito! Mas... Richard se aproxima dela por trás.
— Façamos então uma promessa. — Cathrine franze o cenho com as palavras dela. — Um novo pacto.
— Promessa? Pacto? — Voltando a encará-lo, Cathrine nega. — O que você está querendo dizer, Richard?
— Que prometo me esforçar para ser feliz e fazê-la feliz, apesar de tudo. — O olhar dele é determinado, bem como a voz firme. — Serei um homem melhor... Um marido melhor.
É uma promessa não é? Que ele cumpra então. Respirando fundo, Cathrine volta a olhar para a cúpula da catedral. Já Richard... Ele não esperava pelo silêncio, mas fará desse silêncio um consentimento... Eles serão melhores.
*****
De braços dados com o príncipe Willem de Orange, apesar de Frederik de Orange vir logo atrás, Charlotte caminha pelo Green Park. A expressão dela é visivelmente abatida — mesmo que ocultada pelo chapéu — e Charlotte parece procurar algo... ou alguém...
— Quando será que eles descerão, hein? — Charlotte sequer se esforça para encarar Willem, cuja atenção está no balão. — Quero fazê-la se sentir nas alturas.
Mas isso ela não consegue ignorar, tanto que franze rapidamente o cenho para Willem. Ah, se fosse o suficiente... Mas ela conversou com Lord Grey e ele deixou bem claro que só há uma única opção viável, mesmo que possivelmente acompanhada por diversas dificuldades.
Negando num suspiro, Charlotte volta a olhar pelo parque, enquanto a atenção de Willem permanece no balão. Onde será que...?
— Friedrich não veio hoje, princesa. — Arregalando os olhos, Charlotte volta-se ao calmo Frederik. — E ele que procura, não?
— F-Friedrich...? C-creio que esteja enganado, meu príncipe... — E Willem franze o cenho para Charlotte, que recua negando. — P-procuro minha amiga, a Srta... Eh... Mercer...
E Charlotte tropeça nos próprios pés, caindo bem no peito de um alto cavalheiro, que a agarra pela cintura e... O coração dela começa a bater freneticamente. Ele é lindo! Desde o negro cabelo cacheado até os olhos castanhos que a encaram com preocupação.
— Está bem, Sua Alteza Real? — Um sotaque alemão! Ele a ajuda a se reerguer. — Suplico pelo seu perdão; não era meu objetivo machucá-la...
— Não machucou; estou bem. — Ela até tenta se afastar, mas ele continua segurando a mão dela. — Não sou tão frágil assim... eh...
— Coburg! Por que você não olha por onde anda!? — É o bastante para "Coburg" soltá-la e se afastar. Willem agarra a mão de Charlotte. — Poderia tê-la machucado!
O príncipe-hereditário de Orange impõe-se a Coburg, que semicerra os olhos. Nenhuma palavra a mais é dita. Há, porém, uma visível rivalidade entre os dois, o que apenas confunde Charlotte. Ela até tenta se soltar, mas em vão.
— Não brigue pelo passado, Guillot. — Até que Frederik intervém, segurando o ombro do irmão. — A princesa está bem, não está?
É o bastante para Orange se afastar de Coburg, e levando-a junto. Logo, porém, Charlotte descobre que trata-se do duque Leopold de Saxe-Coburg-Saalfeld...
— Depois irei visitá-lo para agradecer — ela comenta, agora livre de Willem. — Ele está no Pulteney Hotel, não é?
— Pouco importa — sussurra Willem, negando irritado. — É um exibido que acha-se muito belo!
Mas em contrapartida deve ser extremamente pobre... Que duque ernestino é rico?
Esse incidente, porém, tem um efeito poderoso sobre Charlotte. É o bastante para fazê-la criar coragem... O público não apoia esta união com a Holanda, sendo assim...
— Posso fazer um pedido, meu príncipe? — É o bastante para trazer a atenção dele. — Um pedido que muito influenciará o nosso casamento.
— A vontade — responde Willem, sorrindo confiante e pegando a mão dela —, até o mundo estou disposto a dá-la...
— Quero que mamãe more conosco. — O sorriso dele instantaneamente morre e Willem franze o cenho.
— P-perdão, eu acho que... — Mas Charlotte assente, deixando-o ainda mais perplexo. — Morar conosco? A princesa de Gales!?
— Sim — ela confirma e os olhos dele arregalam. — Sou filha única e, como uma boa cristã, devo cuidar dela, honrá-la.
O coração de Charlotte bate freneticamente, mas a expressão dela é calma e profundamente determinada. Willem troca um olhar com o confuso Frederik e retorna a Charlotte.
— Temo que não seja possível. — Ele nega veemente e... — Seu pai, o regente, dificilmente...
— Oh, Willem, seja homem! — Os olhos dele arregalam, mas Charlotte acrescenta: — É um termo para o casamento, um termo pessoal.
Um extremamente pesado, de fato, mas... Charlotte encara fixamente Willem, que respira fundo e responde:
— Não. — O tom dele é calmo, porém muito firme. — Perdão, Charlotte, mas não teremos sua mãe morando conosco.
— Oh, sendo assim... Não haverá mais casamento! — ela bruscamente exclama, afastando-se dele e negando. — Sem mamãe, sem noiva e, consequentemente, sem união! Adeus!
E Charlotte afasta-se correndo, exibindo, porém, um largo sorriso. Isso chama bastante atenção e deixa Willem, além de confuso, extremamente envergonhado. Ele olha para Frederik, que dá os ombros. Acabou mesmo?
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