Era Uma Vez... Uma Ilusão
41 40. Mas até quando o teremos?
Julho|1812 Palácio de Hampton Court, Londres
Numa velocidade alta, porém instável e inconstante, Cathrine cruza um escuro corredor e choca-se numa porta. A respiração dela é ofegante e o suor torna quase impossível pegar a maçaneta, que Cathrine só encontra tateando pela porta.
Mas ela consegue e entra praticamente correndo no amplo e igualmente escuro corredor. Este, porém, possui largas janelas envidraçadas, cujo reflexo da lua revela sombriamente todos os pesadelos de Cathrine.
— Não! Não, por favor! — Os olhares na direção dela... Decepção... Raiva... Cathrine só consegue recuar, negando. — Afastem-se de mim! Saíam ou eu mesma as expulsarei!... Saíam!
E num grito, Cathrine pisa no próprio robe e cai no chão, tão assustada e perdida que esconde o rosto... Os quadros... Cathrine não consegue encará-los! Todos retratam a epítome da feminilidade: as mulheres Tudor-Habsburg com seus muitos filhos...
Vestidas quase como deusas, sorrindo tão arrogantemente quanto é próprio desta família e segurando rosas, algumas até mesmo miniaturas dos maridos, elas são retratadas rodeadas pelos filhos. Crianças tão belas e saudáveis que... Cathrine tira as mãos do rosto e volta-se... Na direção de Adam...
O único retrato dela e de Adam na galeria... Encarando fixamente o retrato, Cathrine levanta e caminha friamente na direção dele, nunca parando ou mudando de rumo.
— Tão bonito, tão belo, tão... — Acariciando em completo transe a tela, Cathrine tira a moldura do lugar e... — Tão indigno!
A bela pintura de Thomas Lawrence é atirada no chão, e tão fortemente que o estrago dificilmente poderá ser pequeno. Cathrine, porém, ainda aproximando-se da pintura, completamente determinada a destruí-la... Mas Richard entra na galeria...
Os dois se encaram fixamente, nada falam ou fazem... Até que as lágrimas começam a descer dos olhos de Cathrine e ela cai aos prantos no chão.
— Não me torture desse jeito; odeio vê-la chorando. — Cathrine, porém, completamente alheia a Richard, aproximando-se dela, encara fixamente a pintura. — Vamos para o quarto, por favor...
— Longe daqui... — ela sussurra, fazendo-o franzir o cenho. Cathrine então encara Richard. — Desejo-as longe daqui! Todas elas!
As malditas pinturas! Cathrine não consegue aguentar e volta a chorar, embora dessa vez sendo protetoramente abraçada por Richard.
— Vai passar, Cathrine; tudo passa. — Beijando-a na cabeça, Richard ainda tenta acrescentar: — Filhos...
— Determinam quem somos na vida... E eu sou um fracasso! — Cathrine sussurra, encarando-o suplicante. — Tire-as daqui... Não deseja mais vê-las... Nunca mais.
Essas mulheres... Elas são tudo que Cathrine deveria ser, mas não consegue e nem pode. O pior pesadelo dela é realidade: mais filhos não virão. Richard volta a beijá-la, tanto que Cathrine apóia-se no peito dele.
— Você não é um fracasso, Cathrine... Nenhum de nós é. — Mas a realidade não mostra isso. Richard sussurra no ouvido dela: — Temos Adam; temos um herdeiro.
Adam, o frágil herdeiro deles... Cathrine se abraça ainda mais fortemente a Richard, tentando ao máximo não ser dominada pelo medo... Porém...
— Mas até quando o teremos? — É impossível não sentir medo.
Richard a encara com horror, porém também com medo... No final, ele apenas abraça Catherine, enquanto ela derrama todas as lágrimas que guardou nesse dia.
*****
Julho|1812 Palácio de Inverno, São Petersburgo
A confusão instaura-se na corte. Guardas ladeiam toda a galeria superior da Escadaria Principal, ao mesmo tempo que gritos ecoam pela ala noroeste do palácio. São raivosos, exigentes... protestantes, embora eloquentes demais para serem populares.
— Nossos generais haverão de saber lidar com essa crise! Confiem neles! — É Elizaveta... Receosa, quase desesperada. — Gritos e protestos não salvarão a Rússia!
Mas continuam e parecem aumentar... Chegando na colunata da escadaria, onde Anna e Mikhail assistem tudo atrás de uma coluna, Mary franze o cenho ao encontrar não apenas Elizaveta e Nicholas, mas também a origem dos protestos...
São homens... Dificilmente membros da corte ou aristocratas de São Petersburgo, mas suas roupas... Parecem nobres, mas nobres não usam barbas e nem gritam como bárbaros. Mas, graças a Deus, eles estão contidos pela guarda no patamar inferior.
— O que significa isso? — pergunta Mary, juntando-se a colunata. — E quem é essa gentinha tão... deplorável?
— Nobres — sussurra Anna, ganhando um surpreso olhar de Mary. — Eles vieram em busca de refúgio e agora exigem uma audiência com Alexandre.
Significa, então, que são das partes mais orientais do império. Mas... Uma audiência? Os protestos continuam a aumentar; Elizaveta mal consegue falar... Na verdade, ela não consegue.
— Garanto-lhes que o imperador já está a caminho...!
— Para encontrar São Petersburgo em chamas!? — um nobre retruca, recebendo gritos de apoio; uma mistura de iluminação e ignorância. — MacDonald e Oudinot estão vindo! E com ordens para devastar a capital!
— E qual a nossa proteção!? — acrescenta outro, questionando depois com desdém: — O alemão Wittgenstein!?
— O Todo-poderoso e o inverno russo! — É o suficiente para fazê-los parar. Elizaveta respira fundo e suspira: — Vejamos se Napoleão consegue suportar o inverno russo.
Porém, tão rápido quanto parou, os gritos reiniciam... Por que Elizaveta se dá a esse trabalho? Mary só consegue negar. Falta claramente nela a força necessária para suportar uma situação dessas.
— E o que farão depois? — Mikhail semicerra os olhos na direção da multidão. — Nos estrangularão, como fizeram com papai?
Anna repreende o irmão por esse comentário, mas Mary não se importa e segue para a sacada da escadaria. O objetivo dela é assentir melhor a situação, porém...
— Vamos oferecê-la aos franceses! A inglesa! — A presença dela é muito bem notada e odiada. — Quem sabe não é o sacrifício que eles desejam!?
Gritos são dados em apoio, embora não surpreendendo nenhum pouco Mary. A Rússia a odeia... E ela odeia a Rússia. Mas, apesar dos gritos e até mesmo Nicholas colocar-se ao lado dela, Mary mantém-se orgulhosamente com a cabeça erguida, pronta para respondê-los...
— Não conseguiremos nada com tais discussões! — Mas a imperatriz Maria chega na escadaria com o conde Kutuzov. — Nenhum de nós deseja a guerra, é fato, mas devemos suportá-la com coragem e unidade de espírito...!
— Estamos perdendo! — protesta um nobre, recebendo assentimentos dos outros. — Nossos generais são fracos e o exército recua ao Oriente!
— A Rússia precisa...
— De um comandante forte e confiável — é a própria imperatriz viúva quem fala, assentindo afetada, em seguida. — O conde Kutuzov e eu sabemos disso e garanto-lhes que o imperador também.
Não é o suficiente para matar a desconfiança, mas cria uma base que a imperatriz Elizaveta foi incapaz de criar. Os homens se entreolham e começam a sussurrar, para a satisfação da imperatriz viúva e de Kutuzov.
— O quanto disso é verdade? — sussurra Mary, inclinando-se na direção de Nicholas.
— As reclamações da nobreza não sei — ele responde, fitando o estoico general Kutuzov —, mas Alexandre dificilmente está satisfeito com o general Barclay.
Por causa das derrotas? O exército russo está recuando, mas a "terra arrasada" não deixará nada para os franceses. Mas a nobreza não gosta de Barclay, isso que importa.
— Suas súplicas serão todas ouvidas pelo imperador, que haverá de tomar uma decisão russa! — Ou seja, Barclay está condenado. — Mas esperemos!... É o melhor que podemos fazer.
Até que o inverno chegue, pelo menos. A imperatriz Maria então deixa a sacada, sendo seguida pela imperatriz Elizaveta e o resto da família imperial. Mas tropas francesas ainda estão marchando rumo a São Petersburgo... E todos aqui sabem disso.
*****
Final de julho|1812 Oldenburg House, Londres
— ... as tropas em Niedersieg foram direcionadas para a Rússia... — A voz de Carrelli é distante, quase inaudível. — A grande maioria dos homens niedersiegers está lutando...
Embora reunido com seus ministros niedersiegers, são apenas fragmentos da reunião que Richard escuta. O olhar dele foca apenas na porta, no outro lado da sala, embora profundamente disperso e claramente longe desta sala.
— Suponho que muito em breve serei soberano apenas de mulheres e idosos. — Negando, Richard suspira melancólico e encara os ministros. — Mais alguma coisa?
— As negociações com Lord Liverpool. — Richard franze o cenho para o conde O'Ryen, que acrescenta: — O príncipe já considerou nosso pedido para as iniciarmos?
— Devemos aproveitar esta oportunidade — o coronel Karinberg aponta, muito pensativo —, o conde acabou de ser nomeado primeiro-ministro e está firmando-se...
— Ainda não pensei o suficiente neste assunto. — Nenhum deles opõe-se às palavras do príncipe, que fala num cansado suspiro: — Estão dispensados.
Pelo resto do ano, no caso. A aristocracia já está retornando para suas propriedades no interior e logo os Bristol farão o mesmo. Não haverá mais reuniões conjuntas, salvo em alguma emergência.
Mesmo receosos, os ministros levantam e, numa rápida mesura, deixam a sala de conferências. Sozinho com seus próprios pensamentos, Richard cobre o rosto e bufa com profunda frustração. Como se não bastassem os problemas com Niedersieg, agora há... isso...
— Você não vai realmente pedir ajuda a Liverpool, não é? — E mais isso agora... Novamente bufando, Richard descobre o rosto e observa Robert aproximando-se. — Ele é Tory!
— Mas pode me devolver Niedersieg, isso que importa. — Richard recompõe-se na cadeira e... franze o cenho. — O que houve no seu olho?
Instantaneamente, Robert tenta cobrir o olho direito com o cabelo, mas em vão. Está tão roxo e inchado que pode ser visto até da Normandia. Mas, desistindo de esconder, Robert suspira e senta ao lado de Richard.
— Levei uma surra de Byron... de novo. — E não bastou a primeira? Richard nega para Robert, que bufa. — Sophia está trancando a porta do quarto como castigo. Sei que ela está grávida, mas... É tão bom se divertir!
Deitando a cabeça na mesa, Robert ri com frustração. Tudo isso não passa de uma brincadeira para ele, claro, mas a ideia de Robert achar o sexo conjugal uma diversão... Sorrindo debilmente, Richard nega.
— Diversão... As vezes esqueço que o sexo também é uma diversão. — Ultimamente foi mais um pesado dever a ser cumprido. Richard encara melancolicamente o irmão. — Imagino que você já saiba do nosso... infortúnio.
— Eu gostaria de negar, até mesmo mentir, mas toda a Londres já sabe. — Toda... Londres? Mas Robert, suspirando, nega. — Não consigo nem imaginar a dor que Cathrine está sentindo.
— Nenhum de nós pode. — Está além da compreensão masculina. O olhar de Richard, porém, continua firme em Robert. — Assim como não posso mais fingir que tudo está bem... E nem ignorar a nossa situação.
Não passa de um sussurro essa última parte, mas que é muito bem escutado por Robert. O frio silêncio instaura-se entre os irmãos, cujos olhares são o bastante para a mútua compreensão. A situação deles... O problema deles...
— Sophia e eu temos conhecimento disso — Robert fala, levantando a cabeça da mesa e encarando seriamente Richard —, bem como sabemos o significado deste problema.
Um problema que envolve toda a dinastia dos Tudor-Habsburg. Niedersieg pode até ser reconquistado e a soberania deles restabelecida, mas de nada isso adiantará caso a dinastia... Richard assente para Robert e levanta.
— Alivia-me saber disso. — O tom dele é frio, mas torna-se muito pior quando ele acrescenta: — Estamos em suas mãos, Robert... Não falhe.
É frio e insensível, porém extremamente necessário. Eles têm Adam, claro, mas um plano B é necessário caso... Caso não haja mais Adam. E Richard sai da sala, deixando para trás um Robert tão estoico quanto assustado.
*****
Buckingham House, Londres
Qual a semelhança entre um detento e uma princesa britânica? Inicialmente até o pensamento de haver uma semelhança é desprezível, totalmente vil! Um reside entre ratos e o outro num palácio!... Mas ambos são humanos, ambos pensam, sentem e amam.
A verdade é que, realmente existe uma grande diferença entre um detento e uma princesa... Mas até mesmo um palácio pode se tornar uma prisão. Vide Buckingham House, onde as três filhas solteiras do rei vivem em quase reclusão durante a temporada.
— Odeio as gestações de Sophia. — Sentada despreocupadamente à janela, Mary bufa entediada e volta-se às irmãs. — Ela não vem, não fazemos nada e o relógio, aparentemente, para!
— Reclamar não ajuda, Mary — canta Elizabeth, focando num desenho da própria Mary. — Edward esteve aqui faz pouco tempo.
— E William também. — Mas atrás de Sophia, não delas. Bufando novamente, Mary retorna a janela; Augusta deixa de lado a carta que escreve. — Use seu tempo para algo útil... Cartas, por exemplo.
— Perdão, querida Augusta — Mary fala, encarando com desdém a irmã —, mas não tenho nenhum amante anglo-irlandês para escrever.
As bochechas de Augusta ficam vermelhas de vergonha e raiva, principalmente raiva, tanto que ela quebra a pena de escrever. É o bastante para Elizabeth direcionar um duro olhar para Mary, que simplesmente levanta e dá as costas.
Augusta deveria procurar um marido de verdade, não Sir Brent Spencer. E o silêncio apodera-se da sala. Elizabeth retorna ao desenho e Augusta pega outra pena, enquanto Mary... Ela encara os ponteiros do relógio. É tão triste e ociosidade da solidão.
— Logo partiremos para Windsor, Mary, foque nisso. — Ela apenas assente para Elizabeth, embora não a encarando. — Por que você não toca para nós?
— Porque o piano era dela — Mary responde e, suspirando, retorna a janela. Sophia está casada... E Amélia morta. — Onde está Charlotte? Foi no café da manhã a última vez que a vi.
Desde então ela praticamente desapareceu. Augusta e Elizabeth, porém, se entreolham discretamente e dão os ombros para Mary.
— Creio que foi cavalgar — responde Augusta, encarando fixamente demais a carta.
— E espero que não demore — Elizabeth acrescenta, sussurrando, em seguida: — Deve ser impecável a virtude de uma futura rainha.
— Impecável? — As duas irmãs negam para Mary, que franze o cenho, desconfiada. — O que vocês sabem que eu não sei?
Essas duas são cheias de segredinhos, até mesmo Sophia e Amélia tinham, na verdade. Mary nunca sabe de nada, tudo porque elas têm medo dela falar para a rainha. Mas Mary está curiosa, principalmente porque envolve a virtude...
A atenção de Mary, porém, acaba voltando-se momentaneamente à janela, onde ela vê Charlotte voltando do passeio a cavalo com a Srta. Mercer. É o bastante para fazê-la levantar, bem como trazer a atenção das irmãs.
— Ligue você mesma os pontos, Mary — Augusta fala, levantando da mesa e aproximando-se da janela —, mas aviso logo que nenhuma de nós sabe ao certo.
Então elas sabem algo, de fato. Mas Mary logo trata de deixar a sala e ir atrás da sobrinha. As duas se encontram na escadaria, onde Charlotte imediatamente abaixa a cabeça.
— Onde você andou cavalgando, Charlotte, em Kew? — Sorrindo amplamente, Mary chega no sobrinha e levanta o rosto dela. — Está tão vermelha e... desalinhada.
— Estive com mamãe em Montagu House. — Montagu House... Mary sorri de lado e analisa a sobrinha, aborrecendo Charlotte. — É um interrogatório, por acaso!?
— Quem não deve, não teme. — O tom dela é despreocupado. Mary abre o caminho para Charlotte, que sobe com a Srta. Mercer. — Caroline está em Kensington, não Blackheath.
Charlotte momentaneamente para, mas logo volta a subir os degraus, embora mais rapidamente. Que coisa... Mary sorri de lado; é muito claro o que está acontecendo... Uma paixão!... George FitzClarence?
*****
Agosto|1812 Palácio de Kensington, Londres
Parada com as damas de companhia no hall da Escadaria do Rei, Cathrine analisa atentamente uma das pinturas mais curiosas do local, senão a mais. Os painéis e estátuas da escadaria são lindos, claro, mas a atenção dela está na pintura rococó das "Três Princesas Mais Jovens".
Crianças sempre geraram um grande fascínio em Cathrine, e essa pintura... As princesas brincando, vivendo sua liberdade infantil; isso faz Cathrine sentir-se tão bem, mas ao mesmo tempo tão... angustiada...
— Éramos tão belas quando crianças, não acha? — A atenção de Cathrine volta-se a Sophia, descendo ainda de negligee a escadaria. — O Sr. Copley ainda deve ter pesadelos com essa pintura.
— Mas é encantadora. — Cathrine encara uma última vez a pintura e depois sorri para Sophia. — Perdão pela visita tão abrupta; espero não estar atrapalhando.
Não foi enviado nenhum aviso ou mensageiro, Cathrine apenas veio. Mas Sophia nega e, docemente sorrindo, lidera o caminho para a sala de visitas. Logo todas estão acomodadas na sala, enquanto criados usando vermelho trazem chá.
— Prefiro uma surpresa sua a de Caroline — comenta Sophia, assim que os criados deixam a sala. — Sinto as vezes que ela abusa da minha gentileza.
— E nós também, enviando parte da coleção para Kensington. — O único palácio onde Cathrine jamais passará uma noite. Aceitando uma xícara, ela pergunta: — Sente falta do seu apartamento em St. James?
— Não muito; Kensington não é mais confortável que St. James, mas pelo menos é relativamente isolado. — Sophia cheira discretamente o chá e, numa careta, o coloca de lado. — Meu médico disse que é bom para o bebê.
O bebê... Bebendo do chá, Cathrine encara a barriga de Sophia. Ainda não há sinal algum de gravidez, é tão recente quanto a incapacidade dela, mas a simples ideia de Sophia estar grávida...
— Foi uma lástima o incêndio de St. James. — Cathrine volta-se à melancólica Lady Cavenbush, que ganha um assentimento de Sophia. — Dificilmente algum soberano voltará a residir lá.
É um palácio Tudor, pequeno e desconfortável; nem mesmo o rei morava realmente em St. James. Mas, ainda assim, Lady Cavenbush está exagerando, só metade do palácio virou cinzas.
O silêncio instala-se na sala de visitas. É um silêncio tão desconfortável que Sophia sequer olha para Cathrine, que instantaneamente percebe o que se passa na cabeça da cunhada.
— Nós... soubemos do seu... — Sophia começa, mas nega num suspiro. — Como chamar uma coisa dessas!?
— Infortúnio, tristeza ou, o meu favorito, humilhação — a marquesa responde, deixando Sophia perplexa. — Segundo o Dr. Markson, é o resultado dos meus abortos. Eu, sendo dinamarquesa, vejo como uma maldição.
— Maldição? — repete Sophia, ganhando um assentimento.
— Desde Frederik V os Oldenburg são particularmente inférteis. — Salvo algumas exceções, claro. Cathrine então sorri desdenhosa para Sophia. — Não somos como vocês, filhos de Elizabeth Stuart.
A "Rainha do Inverno", cujos descendentes governam metade da Europa. Sophia franze o cenho com o comentário de Cathrine, cujo sorriso é substituído pela seriedade. É difícil não fazer assim.
— Vocês têm Adam, pelo menos. — Fitando o chá na xícara, Cathrine assente para Sophia, que acrescenta: — É o menino mais doce da terra.
— E o único da sua geração — responde Cathrine, encarando fixamente. — Sei que você sabe o motivo desta visita.
— Minha gravidez.
— A continuidade dos Tudor-Habsburg — Cathrine fala, aumentando tanto o tom que Sophia franze o cenho —, continuidade que agora cabe a você proporcionar.
— Não fale como se fosse minha obrigação! — Visivelmente irritada, Sophia levanta e nega veemente. — Somos mulheres muito distintas, Cathrine.
O olhar da marquesa é frio e profundo, porém desprovido de quaisquer sentimentos. Durante muitos anos o único objetivo de Cathrine foi cumprir o dever, mas ela quase falhou no maior deles. Respirando fundo, Cathrine também levanta.
— De fato, muito distintas — Cathrine fala, encarando fixamente a desafiadora Sophia. — Eu sou a marquesa, enquanto você... Você é a procriadora.
Sophia arregala os olhos com a afirmação de Cathrine, que, mesmo sentindo o arrependimento vindo, dá as costas e deixa a sala. Ela cumpriu o objetivo dela, não há mais motivos para permanecer em Kensington... E nem em Londres.
*****
Agosto|1812 Palácio de Inverno, São Petersburgo
Tal como prometido pela imperatriz viúva, bem como ferozmente exigido pela nobreza, o imperador nomeou uma comissão especial assim que chegou na corte. Qual o objetivo dela? Apresentar um novo comandante-em-chefe dos exércitos. O escolhido...?
— Sua Alteza Sereníssima, o príncipe Mikhail Illarionovich Kutuzov! — um arauto anuncia, enfatizando o novo título de Kutuzov. — O mais digno general de Sua Majestade Imperial!
E toda a corte aplaude assim que Kutuzov adentra no Salão Branco. A "Velha Raposa do Norte", e favorito de Ekaterina II e Pavel Petrovich... Kutuzov, um russo. A animação da corte é própria, bem como adequada, considerando os últimos acontecimentos. Porém...
— Sorria, por favor. — A expressão de Mary é séria, longe de satisfeita, o que aflige profundamente Nicholas. — Está triste? Eu posso chamar Mikhail.
— Não será necessário, e nem agradável. — Mikhail admira o Ceto. Ainda preocupado, Nicholas senta também no banco, fazendo-a suspirar. — É só um sentimento tolo, Nika. No fundo, estou feliz.
— É o natural, afinal Wittgenstein está mantendo os franceses longe — Nicholas fala, pegando a mão dela e apertando. — Sorria, Mary; temos um russo como comandante!
Wittgenstein estar contendo MacDonald e Oudinot não significa que segurança, e o mesmo pode ser dito de Kutuzov ser o novo comandante-em-chefe. Mas o problema é que uma sensação ruim apoderou-se de Mary e não deseja sair. É como se...
Sentindo o aperto de Nicholas, Mary força um sorriso e apoia a cabeça no ombro dele. É o bastante para fazê-lo corar, porém a atenção da tsesarevna está no salão, onde alguns se juntam para dançar a valsa... Mary volta-se a Nicholas e...
— Isso não é... impróprio? — Eles se separam assim que Elizaveta, semicerrando os olhos, aproxima-se. — Não acho correto que, enquanto Konstantin luta no exército, você fique festejando com Nicholas.
— Foi Alexandre quem sugeriu o baile — retruca Nicholas, não a mão de Mary.
— E nada mais justo que festejarmos. — Mary e Nicholas franzem o cenho para a imperatriz, que nega. — Mas considero uma regra que as grã-duquesas fiquem apenas com suas damas nos bailes, para evitar comentários.
— Sobre minha fidelidade? Oh, Elizaveta, antes um cunhado moleque que um capitão da guarda ou ministro. — A imperatriz arregala os olhos, mas Mary sorri. — Konstantin logo estará de volta, ele foi dispensado.
Após criar um conflito aberto com Barclay. A imperatriz encara fixamente a tsesarevna, que sorri em desafio. É uma luta, embora totalmente indigna.
— Com licença, vou oferecer uma valsa à princesa Ekaterina Vasilievna. — Nicholas faz uma mesura a imperatriz e... volta-se na direção da tsesarevna. — Não sou um moleque, Mary!
E Nicholas sai, deixa-as sozinhas com seus conflitos. Mary ofendeu Nicholas, e ela sabe disso, porém... A atenção dela volta-se a Elizaveta, cujo olhar torna-se arrogante.
— Lembre-se de quem você é, Mary: a futura imperatriz da Rússia. — Mary franze o cenho; o que Elizaveta está querendo dizer? — E sorria; é o que eles desejam.
— Já dei aos russos o que eles desejam — responde Mary, levantando do banco. — Agora é a minha vez de fazer exigências...
Calando-a, Alexandre aproxima-se com o príncipe Kutuzov. Rapidamente a imperatriz abaixa a cabeça e fez uma mesura ao marido, enquanto Mary... Ela faz o mesmo, porém mantendo fixamente os olhos no sério imperador.
— Exigências? Agora estou curioso — Alexandre fala, porém logo em seguida Kutuzov limpa a garganta. — O príncipe deseja se despedir.
— Já!? Mas é tão cedo! — exclama Mary, tomando a palavra da imperatriz.
— Partiremos amanhã cedo, madame — Kutuzov explica e, beijando a mão da tsesarevna, acrescenta: — O quanto antes me juntar aos generais, melhor será.
— Ou Barclay destruirá a Rússia. — Elizaveta nega e, sorrindo, estende a mão ao príncipe. — Iremos orar pela sua vitória, general.
— Vitória? Não, madame, não vamos derrotar Napoleão. — Tanto Elizaveta quanto Mary franzem o cenho para Kutuzov. — Nós o enganaremos.
Dito isso, Kutuzov curva-se ao imperador e afasta-se. São Petersburgo foi salva, mas o exército russo continua recuando e os franceses avançando.
— E quanto a capital? — sussurra Mary, voltando-se a Alexandre. — O que será dela agora?
— São Petersburgo está segura, Mary. — Mas ela nega para ele.
— Refiro-me à capital oriental. — As pupilas de Alexandre dilatam, mas Mary continua: — O que será de Moscou?
Nenhuma resposta é dada por Alexandre, que toma o braço da imperatriz e segue para a valsa. A mensagem é subliminar, mas clara... Ninguém sabe o destino da Rússia e de Moscou.
*****
Final de agosto|1812 Castelo de Ocenia, Cornwall
— Você fez o quê!? — exclama altamente Richard, amassando uma carta e avançando na direção de Cathrine.
— Disse a verdade, apenas isso. — O tom dela é calmo, impassível, mas o modo como Cathrine o encara... É quase desafiador. — Não vejo problema algum nisso.
Não vê? Ele acena para Lord Irvington, que deixa a sala azul com os outros cavalheiros e as damas. Coisas desse tipo estão cada vez mais comuns. Respirando fundo, Richard começa a vagar pela sala.
— Sophia está grávida, Cathrine! — Parando, ele a encara, incrédulo. — Colocar uma peso desses sobre os ombros dela pode trazer consequências...
— Ninguém pensou nas consequências quando era eu! — Cathrine exclama e, avançando na direção dele, sussurra: — Ninguém teve pena de mim, então não terei de Sophia.
A única reação de Richard é negar, e negar veemente. Como Cathrine consegue falar uma coisa dessas!? É inveja!? Ele também inveja Robert, mas nunca falou algo desse tipo. Respirando fundo, Richard aproxima-se dela.
— Sei que você não sabe o que fala, ainda está afetada pela... pelo nosso infortúnio. — Infortúnio... Richard nega e, suavizando o olhar, pega as mãos de Cathrine, cujo cenho é franzido. — Mas isso não lhe dá esse direito.
— De cobrar o que todos me cobraram? — Cathrine se solta do aperto dele e afasta-se.
— Eu nunca lhe cobrei, Cathrine — ele pontua, agora profundamente sério —, nenhum de nós cobrou.
— Mas a sociedade sim — afirma Cathrine, abraçando o próprio corpo e negando. — Não tente me repreender, é inútil.
Pelo menos ela sabe que está errada, mas qual deles não está...? A única coisa que Richard vê são as costas de Cathrine; ele não vê o quão aflitivo tudo isso é para ela. Na verdade, os dois estão presos em suas próprias ansiedades e preocupações...
— Seu coração está congelado demais para escutar — Richard apontou, sussurrando, em seguida: — Vejo que seus livros não mencionavam o fracasso.
Arregalando os olhos, Cathrine volta-se na direção de Richard, tão perplexa que ele mesmo entende o erro dessas palavras. Infortúnio, tristeza e desgraça, Richard usou todos esses termos, mas nunca o termo... fracasso...
— Não me torture dessa forma, Richard — sussurra Cathrine, aproximando-se lentamente dele.
— Você sabe muito bem que não era meu objetivo...
— Mas foi isso que fez! — ela exclama, tão furiosa que ele recua para trás.. — Lembre-se que se minha feminilidade fracassou, a sua masculinidade falhou.
Agora são os olhos de Richard que arregalam, não humilhado ou sentindo-se inferior, mas ferido com a ousadia de Cathrine. Ele merece, claro, mas... As portas da sala são abertas por Lady Paston e Cathrine marcha rapidamente para o piano, onde começa a tocar.
Richard, ainda perplexo, simplesmente afasta-se para uma janela. A confusão, junto do receio, domina Lady Paston, mas ela respira fundo e volta-se ao príncipe.
— O bispo Sparke mandou uma mensagem, meu príncipe. — O piano para um momento, mas logo volta a ser tocado. Lady Paston então fala: — É o príncipe Adam.
É o bastante para trazer a atenção de Richard e Cathrine, que voltam-se alarmados na direção da condessa e... Eles deixam com rapidez a sala azul...
*****
Início de Setembro|1812 Schloss Leonberg, Leonberg
Exibindo o glorioso brasão da princesa herdeira, a carruagem aberta de Anne cruza as medievais ruas de Leonberg rumo ao castelo. Já é uma visão tão comum que os leonbergers nem atenção dão mais... Embora hoje estejam particularmente agitados e sorridentes.
— Sinto um mau pressentimento — Anne sussurra, tirando os olhos da Igreja da Cidade e focando em Luise. — Desde quando os württembergers me amam?
— São apenas sorrisos, senhora. — Mas é o máximo que Anne consegue desse povo. A condessa simplesmente dá os ombros. — Tudo estava normal quando fomos para Engelberg mais cedo.
E desde então tudo ficou terrivelmente ruim. Anne nunca imaginou que seria tão difícil uma trilha na montanha e nem que Wilhelm iria tropeçar, cair e voltar às pressas com Anton para o castelo. Mas tudo para distrair as crianças e mantê-las longe da corte.
Logo, porém, a carruagem vira na rua atrás da igreja, que é a mesmo do castelo... Os olhos de Anne arregalam quando ela vê um grupo de guardas em frente ao castelo e...
— É ele, Luise... Fritz. — E está com Charlotte e Anna. Perplexa, Anne só consegue negar. — Mas ele não deveria estar na Rússia!? O que faz aqui!?
— Veio levá-la para Ludwigsburg, talvez? — a condessa sugere, quase irônica.
Talvez, afinal Anne vem protelando isso desde abril. Mas não tarda muito e a carruagem dela chega no castelo. Ė o bastante para chamar a atenção não apenas de Fritz, mas também de Anton; ambos os homens seguem na direção de Anne e estendem a mão.
Perplexa, Anne apenas observa as duas mãos, até que... Um dos guardas de Fritz se aproxima e estende uma mão na direção de Anne, que aceita e deixa a carruagem. Tanto Fritz quanto Anton ficam profundamente surpresos, embora Fritz...
— Quem lhe deu permissão para tamanha ousadia, jovem? — Fritz sequer tenta esconder o ciúme. O guarda, porém, cujo rosto é escondido pelo capacete, permanece em silêncio. — Não sabe que ações desse tipo resultam em castigo?
— Peço perdão, Sua Alteza Real, mas não acredito que possa me castigar — o guarda responde e tira o capacete. — Sou Ludwig, o príncipe de Oettingen-Wallerstein.
Fritz fica sem reação, mas o jovem príncipe volta-se à perplexa Anne e beija a mão dela. Então esse é Oettingen-Wallerstein...
— Mas que encantadora surpresa! — Sorrindo tensamente, Anne bate palmas e afasta-se de todos os homens. — Não esperava ninguém e agora... convidados.
— Não viemos para ficar, infelizmente — Fritz rapidamente explica, recebendo protestos das filhas. Os olhos dele, porém, estão em Anne. — É urgente sua presença em Ludwigsburg.
— Creio que uma viagem seja impossível agora. — Sob o atento olhar de Oettingen-Wallerstein, Anne nega lentamente e explica: — Wilhelm sofreu um acidente e não sabemos...
— As crianças virão também. — As palavras de Fritz são o bastante para fazê-la franzir o cenho. Mas ele aproxima-se. — Cheguei há poucos dias da Rússia e... Desejo aproveitar cada segundo com minha família.
Encarando-a fixamente, Fritz pega a mão de Anne e a beija ternamente. Mas a única ação dela é se afastar e ir na direção de Charlotte e Anna.
— Creio que seja uma ordem expressa do rei, não? — Fritz assente para Anne, que suspira e encara as filhas. — Meninas, a princesa Adelheid as ajudará com...
— Perdão por atrapalhar, — A atenção volta-se ao príncipe de Oettingen-Wallerstein, encarando fixamente Anne. — mas posso fazer um pedido, minha princesa?
— Um pedido? — repete Anne, ganhando um assentimento dele. — Fique a vontade, o príncipe é visita.
— Poderia me apresentar a cidade e ao castelo? — Anne, tal como Fritz e Anton, franze o cenho, mas o príncipe acrescenta sorrindo: — Aprecio muito a Idade Média e o Renascimento; vai atrasar minimamente a viagem.
Essa parte é dita principalmente para o sério Fritz, que assente para o jovem. Um tour por Leonberg? Se for para atrasar a viagem... Anne sorri e estende o braço na direção do príncipe. Perplexos, Fritz e Anton se encaram e depois voltam-se a Anne.
*****
St. Ives, Cornwall
Sorrindo largamente, os comerciantes acenam de suas lojas e tendas, enquanto as mulheres — altas ou baixas — fazem respeitosas mesuras e as crianças correm atrás da carruagem. É digno de um soberano tamanho respeito e devoção... Mas é apenas a princesa Sophia.
Tudo isso é direcionado a carruagem dos Kendal, sendo esta a primeira vez da princesa em St. Ives, possivelmente até em Cornwall. Sophia, mesmo com a carruagem sendo fechada, sorri em agradecimento ao povo. Muito diferente do carrancudo Robert.
— Quando você vai deixar disso, hein? — Sophia questiona, voltando-se rapidamente a Robert e depois sorrindo ao povo. — Já passou, Robert, nem ofendida estou mais.
— Mas eu estou. — Cruzando os braços, Robert nega veemente e exclama: — Como ela ousou dizer aquilo!? Estou incrédulo! Ressentido...!
— Ela não sabe o que faz, ainda está em negação. — Sophia fecha então as cortinas da janela e, voltando-se na direção dele, nega. — Não é próprio de Cathrine ofender.
— Justamente, por isso o ressentimento. — Torna-se muito mais doloroso quando vem de alguém "bom". — E Richard sequer respondeu minha carta... Mas ele vai ver só.
E nada que Sophia diga poderá mudar isso. Robert até tentou evitar um embate ou a humilhação da exposição, mas foi Richard quem escolheu assim ao deixar de respondê-lo. Sophia, porém, nega lentamente... e sorri.
— Vai desafiá-lo para um duelo? — O tom dela é zombeteiro, sendo o suficiente para fazê-lo sorrir também.
— Eu deveria — brinca Robert, acrescentando em seguida num falso tom de desafio: — "Bristol! Eu exijo uma satisfação!"
Os dois riem com em seguida. Seria algo terrivelmente vergonhoso... ou talvez fatal. Nenhum dos dois jamais pegou numa pistola, imagine então duelar.
As risadas duram por mais um pouco, até que param e o silêncio instaura-se na carruagem. Robert encara fixamente Sophia, que sorri e pega a mão dele, apertando-a com imenso carinho e força.
— Deixe para lá, Robert — ela sussurra num tom suplicante. — Eles estão sofrendo... Ela está sofrendo.
— O sofrimento de Cathrine não justifica as ações dela. — Robert aperta de volta a mão de Sophia e, suspirando, sorri de lado. — Falarei com Richard, mas com toda a calma e brandura.
— Será o melhor. — Sophia beija Robert e, acomodando-se no banco, observa o mar pela janela. — Não sabia que o castelo era praticamente numa encosta.
— Você vai amar o som das ondas batendo nos rochedos. — Principalmente durante uma tempestade. Sophia franze o cenho, mas Robert sorri, zombeteiro. — Mas não se preocupe, prometo dormir juntinho de você.
Não que normalmente eles durmam separados, claro, o que só acontece quando Sophia está com raiva dele.
A carruagem segue seu caminho pela costa do Mar Celta, afastando-se cada vez mais da pequena St. Ives. Não tarda muito e o Castelo de Ocenia começa a surgir ao longo da estrada e logo a carruagem cruza o portão da propriedade, parando em frente ao castelo Tudor.
— Graças a Deus! Eles chegaram! — É Lady Newport, e Lady Castlereagh também. As duas saem correndo do castelo.
— Mas o que houve? — Sophia pergunta, compartilhando um preocupado olhar com Robert. — Estão pálidas.
— É o príncipe Adam, ele... — A voz de Lady Castlereagh falha, mas ela engole em seco e fala que: — O príncipe Adam está morrendo!
Adam... morrendo? Robert e Sophia se entreolham, profundamente alarmados, e correm para dentro. Assim que entram, porém, eles conseguem ouvir gritos e choro escoam desde cima pelos corredores do castelo.
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