Era Uma Vez... Uma Ilusão
42 41. A única coroa que desejo... é uma de flores.
Início de setembro|1812 Castelo de Ocenia, Windsor
O som dos soluços de Cathrine domina absoluto no quarto, embora em constante luta com a toalha que ela molha numa bacia — cheia de água morna e lágrimas — e coloca na testa de Adam... É uma imagem angustiante, que torna-se ainda pior com o ambiente.
— Por que eles sempre receitam o calor? — questiona Robert num sussurro, referindo-se a lareira, as velas e... — Adam já está coberto, são desnecessárias estas cortinas fechadas!
Cortinas tão pesadas e escuras que impossibilitam qualquer luz solar. Robert até tenta sinalizar para Lady Chartents abri-las, mas Sophia agarra a mão dele e nega.
— Quando começou? — Sophia volta-se a Richard, cujo olhar é fixo apenas no filho e a barba está para fazer. — E quem receitou tudo isto?
— Um médico local... Estávamos sem opções. — Passando a mão no rosto, Richard nega. — Já faz cinco dias e ele só piora! Nós...
Cathrine volta-se para trás, encarando-os com uma expressão tão ameaçadora que Richard abaixa a cabeça. Mas o quarto logo é preenchido por uma violenta tosse de Adam. E Cathrine novamente molha a toalha.
— Não parece um resfriado comum — Robert aponta, agora mais preocupado. — O que o médico...?
— Um resfriado... — A voz de Cathrine é baixa... Até que ela volta-se na direção deles, com o rosto tomado pelas lágrimas. — É só um resfriado forte!... Entendeu!?
— Meu ouvido dói. — Toda a atenção volta-se a Adam, que faz uma careta e tenta fracamente sentar na cama. — Não grite, mamãe, por favor.
— Eu não... Desculpe! — E Cathrine volta a chorar. Mas agora tão amargamente que Richard não aguenta.
— Talvez seja melhor você dormir, favo — Richard fala com a voz embargada e, forçando um sorriso, tenta afastar Cathrine. — Vamos deixá-lo...
— Não! — ela exclama, empurrando Richard tão furiosa quanto violenta... E sorri para Adam. — Vou contar uma história para você dormir.
Mas as lágrimas permanecem e, deitando na cama, a história de Cathrine vira palavras misturadas com soluços. Quanto a Richard... Ele senta no chão e, fechando fortemente os olhos, apoia a cabeça na cama.
É uma visão de partir o coração, tanto que as damas de companhia deixam o quarto. Robert e Sophia, porém, permanecem no local, encarando tudo com profunda pena e angústia.
— O estado deles é lamentável — Robert sussurra, acrescentando em seguida apenas para Sophia: — Temo que seja a gripe.
Encarando-o, Sophia arregala os olhos com horror. A gripe?... Richard e Cathrine certamente sabem disso também e... Saber não torna as coisas melhores, muito pelo contrário. Sophia então deixa o dormitório e, na antecâmara, fala para Lady Newport:
— A Guarda Germânica deve ir atrás do Dr. Markson e trazê-lo. — Com certeza ele já foi chamado, mas de carruagem demorará muito. A condessa nada faz... — Vá! É sua princesa que ordena!
Lady Newport faz uma mesura e deixa correndo a antecâmara. É vital que o Dr. Markson chegue o mais rápido possível, ou dificilmente... É melhor nem pensar nesse dificilmente.
*****
Schloss Leonberg, Leonberg
Risos e conversas sussurradas correm livremente pela farta mesa de jantar da princesa herdeira, que é ocupada tanto pela realeza alemã quanto pelas autoridades locais. Tudo parece certo e agradável...
— E como é a Inglaterra? — Até que isso acontece. Comendo o creme, Anne volta-se a Oettingen-Wallerstein, que sorri de lado. — Ouvi dizer que Londres é uma cidade grandiosa.
— A maior da Europa. — O olhar dela volta-se a Fritz, na cabeceira da mesa, que sorri desdenhoso. — Muito maior que Paris ou quaisquer das capitais alemãs.
— Maior que Paris? Só acredito vendo — o príncipe responde numa risadinha e volta-se para Anne. — Confesso que sou muito curioso com... o parlamento.
Todos na mesa imediatamente deixam suas sobremesas e viram-se na direção de Oettingen-Wallerstein, que, sorrindo fracamente para Anne, começa a comer o creme. É o bastante para gerar alguns comentários, bem como um duro olhar de Fritz... Mas quando Anne se importou?
— Nada me alegraria mais do que falar da Inglaterra, mas não acredito que seja o momento. — Anne saboreia uma última colher de creme e levanta. — Uma apresentação nos espera na sala de música.
— Mais austríaca que isso impossível — comenta Fritz, também levantando e estendendo a mão. — Wilhelm vai cantar hoje?
Nenhuma resposta é dada por Anne, que simplesmente estende a mão para Oettingen-Wallerstein e sai com ele para a sala de música. Fritz apenas força um sorriso e segue com a princesa Adelheid de Solms-Hohensolms-Lich.
Logo toda a atenção está nas três filhas de Fritz e Anne, que cantam, enquanto Wilhelm toca o piano... A perna dele não parece tão ruim assim... Anne, sentada numa cadeira, foca apenas nos filhos.
— São divinos, minha princesa. — Até que Oettingen-Wallerstein se aproxima. — Deve lembrá-la da sua infância, não? A princesa Katherine...
— Tome cuidado ao falar da Inglaterra, Wallerstein — Anne imediatamente repreende, olhando rapidamente para trás e sussurrando: — Há muitos bonapartistas aqui.
— E o que faz minha princesa achar que também não sou bonapartista? — É o bastante para Anne franzir o cenho. Mas o príncipe acrescenta: — Eu amo a liberdade... Eu amo a Alemanha.
— O amor é um termo muito relativo. — O príncipe assente e... Satisfeita, Anne sorri. — Aprecio seu amor pela Alemanha. O príncipe...
— Ludwig — ele corrige, fazendo-a franzir o cenho, e sorri, em seguida. — Me chame de Ludwig.
Inicialmente, Anne fica sem reação. Chamá-lo de Ludwig? Tão íntimo assim? A última vez que isso aconteceu foi com...
— Obrigado por não mencionar a campanha russa. — É Fritz e tão próximo do pescoço dela que… Anne não responde. — Assim vou ficar com ciúmes.
— Que esplêndido! — responde Anne, sorrindo falsamente para Fritz e voltando-se a Ludwig. — Como é Wallerstein?
— Nada muito impressionante; Napoleão achou melhor o... nosso fim. — O príncipe ri com suas próprias palavras e a encara fixamente. — Somos muito parecidos nesse aspecto.
Oettingen-Wallerstein foi anexado pela Baviera e Württemberg em 1806. De fato, muito parecidos, sem contar que Ludwig é filho de uma duquesa de Württemberg. Anne sorri e continua a escutá-lo. Fritz franze o cenho... Porém afasta-se.
— O príncipe não deveria estar na Rússia? — Anton pergunta, aproximando-se dele com os olhos semicerrados. — Por que voltou?
— Não achei próprio lutar contra Alexandre. — Contra a primeira casa dele. Mas Anton ri cético, fazendo Fritz acrescentar: — A doença me impediu de continuar.
— E espero que esta mesma doença também o impeça de fazê-la sofrer. — Fritz franze o cenho para Anton, que encara Ludwig. — Por que exigem a presença dela na corte?... Por que ele está aqui?
Ele não sabe... Ninguém deu uma explicação verdadeira para Fritz. E, como resultado, o silêncio instaura-se entre ele e Anton; os dois encaram fixamente Anne e Ludwig. Porém, embora não saiba ao certo...
— Desejam espioná-la — Fritz fala, supondo o quase óbvio. — Quanto a Oettingen-Wallerstein... Ele deseja seduzi-la.
Arregalando os olhos, Anton encara Fritz e depois volta-se a Anne... rindo com algo que Ludwig disse. Ele deseja seduzi-la... E já está conseguindo.
*****
Início de setembro|1812 Castelo de Ocenia, Cornwall
— O que mais o príncipe sente, além de febre e calafrios? — questiona o Dr. Markson com um tubo de madeira no peito de Adam. — Alguma dor ou dificuldade...?
— A cabeça... Minha cabeça dói...! — A voz de Adam é ofegante, muito cansada, tanto que ele choraminga: — M-meu corpo todo dói!
Assistindo tudo de uma poltrona, Cathrine nega e tenta levantar... Mas Richard, segurando os ombros dela, a mantém sentada. Não cabe a eles interferir. A angústia dele é tão grande quanto a dela, mas o desespero não ajudará.
— Não é bom chorar, meu príncipe. — Guardando seu curioso instrumento, Markson sinaliza para o assistente. — Traga o láudano...
— O senhor vai drogar o menino!? — Robert exclama, levantando perplexo da janela. — Isso não é perigoso?
— Tudo é perigoso quando nas mãos erradas, meu príncipe — Markson responde e dá para Adam, fazendo careta, uma pequena quantidade de láudano. — O gosto é ruim, mas fará bem.
Entregando seus instrumentos ao assistente, Markson levanta da cama e volta-se ao marquês e a aflita marquesa.
— O que meu filho tem, doutor? — Cathrine levanta da poltrona e "foge" do controle de Richard. — Diga, por favor, que não é nada grave!
O tom dela é absolutamente suplicante, e não há como ser diferente. Quantas vezes Adam adoeceu na vida? Inúmeras, mas quantas foram... assim!? Richard também aproxima-se do médico, cuja expressão é impassível.
— Infelizmente, os sintomas ainda são insuficientes para um diagnóstico. — Insuficientes? Richard franze o cenho e confuso olhar de Cathrine. — Parece gripe, mas... Também parece muitas outras coisas.
— Que coisas? — questiona Richard, apoiando as mãos nos ombros de Cathrine.
— É melhor nem saberem. — Exclamando assustada, Cathrine tampa a boca e desvia o olhar. A expressão de Markson é sombria. — Minha senhora está pálida, deseja algum tônico?
Franzindo o cenho, Richard nega para Markson. Mas é tarde demais e Cathrine, encarando friamente o médico, se afasta bruscamente. O olhar de Richard também torna-se irritado, porém...
— Desejo respostas, Dr. Markson — Cathrine fala, sentando-se ao lado de Adam na cama —, e se o senhor não pode dá-las, exijo que deixe estes aposentos.
— Como desejar, senhora. — O médico curva-se à marquesa e vira-se a Richard. — Voltarei quando o efeito do láudano passar.
E o que ele fará nesse meio tempo? Dormirá enquanto eles sofrem com a agonia do único filho!? Negando, Richard afasta-se na direção da lareira eternamente acesa. Há nele um imenso desejo de gritar e falar sem quaisquer freios... Mas Richard respira fundo e...
— E quanto a tudo isto, Markson? — ele pergunta, parando o médico na porta. — As cortinas, velas e água morna; devemos dispensar?
— Deixem tudo como está — o médico responde, abrindo a porta e acrescentando: — Sugiro apenas que alguém observe a respiração dele.
Dito isso, o médico sai, bem no momento que Cathrine volta-se horrorizada na direção dele. O silêncio instaura-se, porém sombrio de uma forma que o calor não impede Richard de sentir calafrios. O olhar de Cathrine...
— A respiração, Richard... Markson falou da respiração! — Levantando, Cathrine aproxima-se com uma temerosa expressão. — Nosso favo pode dormir e...
— Não! Não pense nisso! — Richard exclama, assustando Robert, e pega as mãos de Cathrine. — É só porque Adam está fungando e tossindo, apenas isso.
— Mas a respiração dele... — Richard nega veemente para as palavras e medos de Cathrine, que exclama: — Nosso filho quase não consegue falar!
— Porque está cansado e com febre! — Agarrando-a pelos ombros, ele a encara fixamente. — Você mesma não disse que é só um resfriado? Então vamos acreditar nisso.
Não existe outra opção para eles, é isso, ou... Os olhos de Richard e Cathrine voltam-se ao inerte Adam, cujo sono é acompanhado por uma respiração terrivelmente curta. Os dois acabam indo para junto do filho, enquanto Robert deixa em silêncio o quarto.
*****
Setembro|1812 Palácio de Inverno, São Petersburgo
As roseiras da imperatriz Maria exalam seu forte aroma pelo pátio, enquanto pássaros cantam nos galhos do grande carvalho e o vento... É tão forte e frio que as damas são obrigadas a usar peliças. Parece que o verão acabará mais cedo este ano.
— Uma batalha geral!? — O horror apodera-se de Mary, que nega incrédula para Nicholas. — E o que aconteceu com "o enganaremos" de Kutuzov!?
O comandante-em-chefe disse uma coisa antes de partir e agora... Mary levanta do banco e, afastando-se, tenta ao máximo entender esta situação. Uma batalha geral contra Napoleão Bonaparte!?
— Parece realmente uma manobra arriscada, mas devemos confiar nele! — Nicholas também levanta e, indo para a frente dela, sorri confiante. — Temos a vantagem numérica.
— E quando não a tivemos? — E quando esses números trouxeram a vitória!? Nicholas não responde, fazendo-a acrescentar: — Acredito na competência de Kutuzov, mas ambos sabemos que esta ação é influenciada unicamente pela nobreza.
— Está no direito deles...
— Interferir!? — questiona Mary, negando com desdém. — Faça-me o favor, Nika, não cabe a nobreza russa governar nossos generais!
Talvez seja até esse o fator decisivo, a diferença entre a derrota e a vitória. Kutuzov é um militar experiente e que já lutou diversas vezes contra o usurpador; ele sabe que ações inconsequentes custam caro. Muito diferente da néscia nobreza russa, com seu imediatismo.
Nicholas não responde, enquanto Mary volta a sentar no banco. Mas Kutuzov não é tão fraco assim para se deixar facilmente levar.
— Alexandre anda bastante silencioso desde que recebeu essa informação — comenta Nicholas, sentando ao lado dela. — Pergunto-me o motivo.
— Talvez seja receio ou... — A voz de Mary morre e ela franze o cenho. A menos que Kutuzov...
— Os julgamentos de Alexandre sempre estão certos. — Pensativa, Mary assente para Nicholas, que acrescenta: — Certamente que Kutuzov tem um plano.
— Mas qual será esse plano? — sussurra Mary, franzindo o cenho para Nicholas. — Não era usar o inverno a nosso favor?
Claro que recuar até o inverno pelo Oriente seria extremamente perigoso, bem como prejudicial à Rússia, mas... Mary nega, totalmente incapaz de decifrar o plano de Kutuzov. O quebra-cabeça parece incompleto... Suspirando, Nicholas pega a mão dela.
— É inútil teorizar sobre isso; eu já tentei e... — Ele franze o cenho e, assustando-a, levanta a manga da peliça dela... Há uma mancha roxa no pulso de Mary. — Não me diga que foi...!?
— Konstantin? Ele não seria tão audacioso — Mary responde, afastando o braço e negando. — Elas apareceram sozinhas.
— Isso é difícil de acreditar. — E Nicholas volta a agarrá-la e analisa a mancha.
— Mas é a verdade. — Caso o contrário, ela teria uma arma judicial. — Ainda não estive sozinha com ele.
Até o berçário Mary deixou de frequentar, as crianças que são trazidas até ela. Mas o olhar de Nicholas permanece firme no pulso dela, tanto que Mary franze o cenho... Principalmente quando ele leva a mão dela aos lábios.
— O que você deseja com isso, Nika? — Mary questiona num indesejável sussurro.
— Ainda não percebeu, Mary? — Apertando fortemente a mão dela, Nicholas a encara com ternura. — Eu...
É o suficiente! Mary levanta bruscamente do banco e, dando as costas, afasta-se de Nicholas. Essa conversa tomou um rumo extremamente desagradável.
— Onde será a batalha? — Mary engole em seco, tentando esquecer disso.
— Será perigosamente perto de Moscou. — Moscou? Mary franze o cenho para Nicholas, que fala: — Próximo a uma vila chamada Borodino.
Perto de Moscou... Pensativa, Mary assente para Nicholas. Parece que as peças restantes deste quebra-cabeça estão aparecendo, principalmente nesta batalha em... Borodino...
*****
Setembro|1812 Castelo de Ocenia, Cornwall
Um doloroso gemido ecoa pelos corredores de Ocenia; parece um choro de tão débil e fraco. Mas não é Adam, a voz dele está muito fraca para isso, mas sim de Cathrine...
— É inútil dialogar. — Os olhos de Robert voltam-se a Sophia, negando tristemente ao descer a escadaria. — Conseguimos levá-la para o quarto, mas dormir que é bom... Ela acha que o sono será fatal.
— Não para ela, com certeza — ele sussurra, aproximando-se da escadaria e estendendo a mão. — Cathrine não vê que só deixa Adam pior com esse desespero?
— Infelizmente, creio que não. — Sophia aceita a mão de Robert e suspira. — É mais difícil para quem sofre perceber tais coisas; ambos sabemos disso.
Suavizando o olhar, Robert assente. De fato, eles sabem o que é perder um filho — quatro, na verdade, assim como conhecem o medo de perder um. Mas um filho na idade de Adam...?
Os gemidos que ecoam tornam-se um triste choro. É um som angustiante, que torna-se terrivelmente assustador com o barulho do vento costeiro. Robert estende um braço ao redor dos ombros de Sophia e a traz na direção dele.
— Você deve descansar também. — Robert encara Sophia e, sorrindo de lado, acaricia a bochecha dela. — Vá dormir, por favor, avisarei a qualquer nova informação do inútil Markson.
— Agradeço profundamente pelo elogio, meu príncipe. — O médico aparece no hall, com expressão fria e tom... irônico.
Robert não se afasta de Sophia, e nem a deixa se afastar, ele apenas sorri e assente ao médico. As coisas só vêm piorando e a presença de Markson em nada está interferindo nisso... Ele é, para todos os efeitos, inútil.
— Espero que o senhor tenha encontrado o que procurava em Falmouth. — Sophia, porém, é muito mais conciliadora. — Ajudará na recuperação de Adam?
— Ajudará a descobrirmos qual a doença dele — Markson responde, fazendo uma mesura e seguindo para a escadaria... O choro recomeça. — Pobre senhora; já tratei casos semelhantes onde mulheres ficaram meses atônitas.
Histeria? Há um número cada vez mais crescente de médicos defendendo que essa é uma doença envolvendo a mente. Mas... Robert e Sophia se entreolham; o que Markson está sugerindo com isso?
— Mas Adam vai ficar bem — Robert pergunta, fazendo o médico parar na escadaria —, não vai?
O choro de Cathrine é o único som que permanece entre eles, alarmando profundamente Robert e Sophia. Este receio de Markson... O médico volta-se para trás, na direção de Sophia.
— O príncipe está certo, minha princesa, vá descansar. — Sophia franze o cenho com as palavras de Markson, que acrescenta: — Não queremos que seu bebê nasça fraco... Ele não pode.
Sophia, arregalando os olhos, é abraçada fortemente por Robert, igualmente horrorizado. Porém Markson continua a subir... Isso significa que...?
*****
Palácio de Inverno, São Petersburgo
Os passos de Mary são fortes, firmes e extremamente irritados, sendo que essa última característica marca até mesmo a expressão dela. Todos os cortesãos e criados que cruzam com ela desviam os olhos, baixam a cabeça ou fazem mesuras. Mas Mary não se importa, apenas continua.
Como eles ousam!? Ela estava doente, claro, mas esconder que... Mary respira fundo e adentra na ala onde reside o imperador...
— Para onde você pensa que está indo? — Mas Elizaveta aparece e coloca-se na frente de Mary. Paradas no corredor, as duas se encaram fixamente. — Alexandre não mandou chamá-la.
— Mas eu desejo vê-lo — Mary responde e tenta passar pela imperatriz.
— O mesmo não pode ser dito de Alexandre. — Mas novamente Elizaveta a impede. — Ele não deseja ver ninguém.
— Incluindo você, aparentemente. — É o bastante para Elizaveta franzir o cenho, mas Mary sorri e acrescenta: — Alexandre dificilmente reclamará da minha presença.
Eles são muito amigos, afinal de contas. A irritação da imperatriz apenas aumenta. É a chance dela; Mary desvia de Elizaveta e segue pelo corredor...
— Não tente insistir! — a imperatriz exclama, agarrando Mary pelo braço e virando-a na direção dela. — É sua imperatriz quem ordena.
Mary franze o cenho, principalmente ao sentir o aperto de Elizaveta aumentar. Em total silêncio, as duas ficam um bom tempo numa luta de olhares, que Mary se solta e recua.
— Por que não fui avisada? — ela questiona, ganhando um confuso olhar da imperatriz. — Não seja cínica! Sei que perdemos a batalha em Borodino!
A tão esperada pelos russos "batalha geral", que acabou custando muito caro... para no final ser uma derrota! Inicialmente, Elizaveta arregala os olhos, apenas para logo em seguida negar.
— E qual a sua exigência nessa questão? — Elizaveta impõe-se na direção de Mary. — Você não é ninguém...
— Sou uma grã-duquesa russa e futura imperatriz! — O que está longe de ser uma "ninguém". Mary não recua para a imperatriz, tanto que exclama: — Disseram que perdemos quase metade do nosso exército!
— Mas os franceses também! — retruca Elizaveta, fechando os olhos em seguida e tentando regular a voz. — Fomos derrotados em Borodino, mas não humilhados.
— Recuamos de Moscou! — Agora a imperatriz arregala os olhos. — Nesse exato momento os franceses já devem ter tomado Moscou e destruído o Kremlin e sua amada Catedral de São...
Elizaveta ergue a mão e cala Mary com um furioso tapa. Sentindo-se desnorteada, ela recua e encara Elizaveta, cuja respiração é ofegante.
— Pecadora! Vagabunda...! Meretriz! — Qualquer contenção ou calma de Elizaveta cai por terra. — Você fala com tanta arrogância, mas não sabe de nada!
— Como ousa!? — Massageando a bochecha, Mary nega veemente. — Falarei com Alexandre e...
— E o quê!? — questiona numa exclamação Elizaveta, semicerrando os olhos e acrescentando: — Vai seduzi-lo, assim como fez com Nika!?
Agora é Mary quem arregala os olhos, sendo tomada pela perplexidade. Mas Elizaveta novamente levanta a mão e... Mary agarra a mão da cunhada.
— Parece uma estalajadeira imunda e vulgar. — O tom de Mary é frio e enojado.
Afastando a imperatriz, Mary volta a seguir pelo corredor. Ela verá Alexandre, Elizaveta querendo ou não...
— Moscou foi incendiada. — Imediatamente parando, Mary franze o cenho para Elizaveta, que respira fundo e... — Nós evacuamos Moscou e a deixamos em chamas para os franceses.
Os russos incendiaram Moscou... Não contaram essa parte. Agora tudo faz sentido... Mary curva-se à imperatriz e deixa rapidamente o local. Moscou está em chamas... Os franceses tomaram uma cidade em chamas!
*****
— Pneumonia? — Cathrine repete, ganhando um hesitante assentimento de Markson. — O senhor está dizendo que meu filho tem... pneumonia!?
O tom dela torna-se profundamente choroso, mas o médico volta a assentir. Cathrine sente a garganta fechar, tento que abraça-se fortemente em Richard. Pneumonia... Ela nega, respirando com imensa dificuldade.
— Mas como isto é possível? — Richard questiona, abraçando-a protetoramente... A voz dele está embargada. — Adam não pegou nenhuma friagem ou... Não entendo!
— Foi a gripe, meu príncipe. — Gripe? Cathrine, já derramando algumas lágrimas, franze o cenho para Markson, que explica: — Tudo indica que ela evoluiu para uma pneumonia, principalmente considerando...
Calando-se, o médico nega. Mas o estrago já foi feito e ele torna-se o foco não apenas de Cathrine, mas também de Richard. Markson começou, então que termine.
— Considerando o que, Markson? — Richard aproxima-se ameaçadoramente do médico, fazendo-o recuar.
— Que o príncipe é fraco e doente! — Markson responde, fechando os olhos e negando. — Deveríamos ter dado mais atenção aos problemas respiratórios dele.
— E não era isso que fazíamos o levando ano após ano ao litoral!? — exclama furiosamente Richard, soando quase violento. — Nunca deixamos de passar o verão em Ocenia e você diz que Adam tem... pneumonia!?
Novamente, é o silêncio do médico que prevalece, mas não por muito tempo... Adam começa a tossir violentamente, bem no momento que Robert entra no quarto. É o bastante para chamar a atenção de Cathrine e Richard, tanto que ela se aproxima...
— E-eu... vou morrer? — Instantaneamente parando, Cathrine arregala os olhos. Mas Adam volta a perguntar: — E-eu vou morrer... mamãe?
O olhar de Richard na direção de Adam é igualmente horrorizado, tanto que ele tenta se aproximar. Cathrine, porém, levando ambas as mãos à boca, dá as costas ao filho e se afasta. As lágrimas voltam a dominá-la, mas agora são como tsunami: impossíveis de conter.
Enquanto Richard... O desespero apodera-se de tal forma que torna-se impossível agir. Ele fica paralisado. Isso até que Robert adentra no quarto e tenta acalmar Adam. É o suficiente para Richard correr para junto de Cathrine e abraçá-la.
— Diga que tudo ficará bem, Richard! — ela suplica, chorando no peito dele. — Diga, por favor!
— Só Markson pode nos dar essa certeza...
— Perdão, meu príncipe, mas não posso. — As lágrimas instantaneamente cessam e transformam-se em fúria na direção de Markson. — O estado do príncipe é muito avançado e... A pneumonia é uma doença fatal.
Essa última parte não passa de um sussurro, mas é o suficiente. Afastando-se de Richard, empurrando-o, na verdade, Cathrine avança na direção de Markson e levanta a mão.
— Mas você é médico! — ela acusa, visivelmente ofendendo o médico... que ainda recua. — Use seu ensino em Edimburgo para algo útil!
— Já fiz tudo que estava ao meu alcance, senhora — Markson defende-se e, olhando rapidamente para trás, sussurra: — Há certas coisas que a medicina atual não pode fazer.
— Então ela é inútil para mim. — Dando as costas ao médico, Cathrine começa a chorar na direção de Richard. — O que faremos agora!?
— Orar e orar muito — é Markson quem responde, tornando-se novamente o foco de Richard e Cathrine. — Agora é esperar por um milagre... Ou pelo pior.
Horror e desespero... É apenas isso que domina Richard e Cathrine, desde as expressões até... Cathrine sai correndo na direção de Adam, e quando Robert olha confuso para Richard... Ele encontra o irmão chorando.
*****
Setembro|1812 Frogmore House, Windsor
Cruzando o hall de entrada, a Srta. Margaret Mercer Elphinstone pega a correspondência da princesa Charlotte com um criado e segue dá meia-volta. Os passos dela são contidos, embora rápidos e levemente ansiosos... Até que...
— Bom dia, Srta. Mercer. — Ela cruza com as princesas no patamar da escadaria.
O silêncio instaura-se momentaneamente entre Margaret e as três sorridentes princesas, até que ela faz uma mesura e segue pela escadaria.
As princesas, porém, não deixam de perceber a ansiedade da Srta. Mercer, tanto que a seguem discretamente com o olhar e, quando ela desaparece, se entreolham. É muito claro o que está acontecendo; Charlotte pode até tentar disfarçar, mas não consegue.
— E então? Chegou alguma carta? — Charlotte questiona, assim que Margaret entra nos aposentos dela. — Alguém viu você?
— Suas tias, mas não acho que elas tenham suspeitado. — Margaret entrega as cartas para Charlotte, que nega.
— Mas viram. — O que é terrivelmente ruim. Charlotte ainda acrescenta com rancor: — Minhas tias são fofoqueiras, frívolas e levadas a criar intrigas. Tia Mary não descansou até me separar do primo George.
— Não era só um flerte? — Margaret pergunta, recebendo da princesa apenas um dar de ombros. — Charlotte, Charlotte, seus namoricos ainda vão causar muitos problemas.
Que problema um prussiano pode causar? A princesa ri com desdém e, negando, segue para a cama. Margaret apenas suspira e segue a amiga. Logo as duas estão confortavelmente sentadas, olhando com expectativa para as cartas. Charlotte pega a primeira.
— É de... papai? — Ela franze o cenho e, bufando, dá a carta para Margaret. — Não entendo isso, Margaret, Lower Lodge está a menos de três milhas daqui e ele envia... uma carta!?
— O príncipe regente é muito ocupado...
— A ponto de nunca ver sua única filha e herdeira? — Mordendo os lábios, Margaret dá os ombros. Charlotte pega a próxima carta e começa a lê-la. — Conhece esse tal Henry Brougham?
— É um deputado Whig e abolicionista — responde Margaret, franzindo o cenho em seguida. — Por que a pergunta?
— Mamãe fez amizade com ele. — É um ótimo aliado, sendo Whig e parlamentar. Charlotte continua lendo a carta... Até que sorri amplamente. — É ele, Margaret! E ele... deseja me ver...
O sorriso da princesa instantaneamente morre, sendo substituído por um franzir de cenho. Vê-la? Mas agora? Charlotte levanta da cama e, vagando pelo quarto, lê novamente a carta.
— Em Windsor!? — Margaret questiona ao também deixar a cama. A expressão dela é séria. — Aviso logo que não vou compactuar...
Mas Charlotte ignora tudo que a amiga fala. Indo para junto da escrivaninha, ela pega papel e começa a escrever um bilhete. É impossível um encontro em Windsor; até em Home Park e Great Park ela é vigiada. Mas tudo tem uma solução, não é?
— Dê um jeito de entregar na casa de mamãe — Charlotte ordena ao entregar o dito bilhete para Margaret. — Mas só faça isso depois, minhas tias podem suspeitar.
— O que diz aqui? — pergunta Margaret, semicerrando os olhos na direção do bilhete.
— Que irei vê-lo — a princesa responde, acrescentando em seguida: —, mas no momento e lugar correto.
A Srta. Mercer franze o cenho com as palavras da princesa, que pega outro papel e volta a escrever. É uma carta para a princesa de Gales, apenas para disfarçar.
*****
Final de setembro|1812 Palácio de Inverno, São Petersburgo
— Você, sendo o imperador, talvez não perceba, mas é a melhor opção. — Alexandre, de costas para o irmão, não responde Konstantin, que acrescenta: — Devemos manter a paz da Rússia!
— Mas a que custo!? — o imperador questiona, observando o Neva com uma sombria expressão. — O usurpador deseja a Lituânia em troca da paz e isso é inaceitável!
— Veja a razão, Alexandre! — Avançando na direção do imperador, Konstantin o agarra pelos ombros e vira na direção dele. — Eles tomaram Moscou, a capital espiritual da Rússia! E em troca pedem apenas a insignificante Lituânia!
— O território mais ao ocidente que temos. — Perder a Lituânia seria rejeitar Pedro, o Grande. Alexandre nega. — Uma paz com Bonaparte significa retroceder.
E retroceder, até mesmo voltar atrás, nunca é algo agradável, principalmente para um autocrata como Alexandre. Desde a Paz de Tilsit a Rússia viveu em paz, de fato, mas sofrendo com um comércio fraco e conflitos diplomáticos.
Claro que a atual situação da guerra não parece boa; Bonaparte tem consigo Moscou! Mas as cartas que ele enviou oferecendo uma paz...
— Considere pelo menos a última carta. — Konstantin oferece a intacta recém-chegada mensagem.
Duas outras já foram enviadas, ambas oferecendo a paz de uma forma tão ambígua... Agora uma terceira vez? E em tão pouco tempo? Alexandre pega a carta e abre...
— Sabia que o encontraria aqui. — Mas as portas do escritório são abertas por Mary, que adentra. — Já está sussurrando tolices no ouvido de Alexandre, Konstantin?
— Sou um amante da paz, esposa — o tsarevich fala entre dentes, ofendendo-se quando Mary ri. — O que faz aqui!? Não deveria estar cuidando das crianças!?
Mary ignora Konstantin e segue na direção de Alexandre, que volta-se novamente na direção do Neva. O silêncio instaura-se no escritório, principalmente à medida que o imperador sente a cunhada ao lado dele.
— Não o escute, Alexandre — Mary sussurra no ouvido dele. — Devemos manter nossa posição; o inverno está chegando.
— Você fala como se fosse uma estadista. — Konstantin também se aproxima deles. — Os termos de Bonaparte parecem o suficientemente aceitáveis.
— Mas e depois? — questiona Mary, mas encarando o imperador. — Dificilmente o usurpador esquecerá da nossa "traição".
— Ele deseja a paz, Mary — Alexandre fala, mostrando a carta —, e deseja a todo custo.
Pegando a carta e abrindo, Mary começa a lê-la. Não fala de propostas ou nada do tipo, parece mais uma carta pessoal suplicando pela paz. É tão curta que... Mary nega e, num suspiro, entrega a carta para Alexandre.
— Quem somos nós para recusar... Ou para aceitar? — Alexandre franze o cenho com as palavras dela. — Moscou foi destruída pelo fogo; Rússia foi devastada... Como superar o inverno nestas condições?
Neste atual momento, a desvantagem não está com os russos, mas sim com os franceses. O inverno começou tão cedo este ano... Alexandre arregala os olhos.
— É a nossa oportunidade — ele sussurra, deixando a janela e voltando-se a Konstantin. — Vamos aniquilar a França de Napoleão Bonaparte!
— E incitá-lo a buscar vingança!? — exclama Konstantin, negando veemente. — E o que acontecerá depois desta campanha, irmão?
Mas é em vão. Mary já plantou no coração do imperador a semente da resistência. Alexandre segue na direção da lareira.
— Não haverá paz. — E Alexandre joga a carta nas chamas. — Se não expulsamos os franceses, o inverno tomará cabo disso.
*****
30|09|1812 Castelo de Ocenia, Cornwall
O dormitório do príncipe-hereditário nunca esteve tão cheio. Professores, damas de companhia, cavalheiros, os Kendal e... Richard e Cathrine... Todos assistem em quase silêncio o mortalmente pálido príncipe receber o sacramento.
— ... Que ele o livre de todo mal, o preserve em toda a bondade e o leve à vida eterna; — O bispo Sparke asperge então o óleo nas mãos do príncipe e continua: — por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
O bispo concluiu fazendo o sinal da cruz na testa de Adam. E acabou, para o melhor ou pior, acabou... E a atenção volta-se ao marquês e à marquesa, ambos profundamente aflitos e com lágrimas nos olhos, principalmente a marquesa, que não hesita em chorar.
— Não sofra excessivamente, minha senhora — o bispo Sparke fala e, fazendo-a franzir o cenho, acrescenta num suspira. — Devemos nos resignar com a vontade de Deus.
A vontade de Deus? A fúria apodera-se de Cathrine. A corte também volta-se ao bispo e as damas de companhia lentamente negam. Sparke está dizendo que...?
— Saia daqui — ordena Cathrine, tentando ao máximo se conter. Mas Sparke franze o cenho. — Eu mandei sair! Ou o reverendo deseja ser escoltado!?
— Mas... Eu só quero ajudar!
— Pois não está conseguindo. — A ofensa apodera-se do bispo, principalmente quando Cathrine aponta para a saída. — Deixe este quarto. Agora!
O bispo recua para trás, tão assustado que quase derruba o óleo dos enfermos. Cathrine, porém, continua apontando para a saída; nada poderá fazê-la mudar de ideia. Richard até tenta se aproximar... Mas em vão.
— N-não... Deixe-o ficar... por favor. — Adam... Cathrine paralisa na direção do filho, que, embora fraco e ofegante, nega. — Não quero morrer... causando discórdia.
Nestes últimos dias as lágrimas tornaram-se praticamente parte de Cathrine, mas agora, vendo Adam assim... Ela segue lentamente para junto da cama dele, embora Richard continue afastado.
— Oh, meu favo, não diga... uma coisa dessas — Richard suplica, dividindo-se entre Adam e Cathrine, sentando ao lado do filho. — Você não vai... morrer.
— Você não pode. — Acariciando o pálido e frio rostinho dele, Cathrine sussurra: — Precisamos de você... Eu preciso de você!
— Que triste, não? — Adam fala, levantando com dificuldade a mão e apertando a de Cathrine. — Sei que vou morrer... E-eu sinto isso.
Não há sentimento algum no rosto de Adam, ele não parece sofrer ou sentir dor, embora sinta o ar escapando cada vez mais dos seus pulmões. Porém uma lágrima acaba descendo do seu olho. Quem a limpa, porém, é Richard, que ajoelha-se ao lado da cama.
— Uma coroa lhe espera em Niedersieg — Richard sussurra, pegando a outra mão do filho.
— A única coroa que desejo... é uma de flores. — Cathrine soluça, já imaginando o resto. — D-desejo uma enfeitando todos os dias... o meu túmulo.
Nenhuma palavra é dita em oposição, nem pelos pais e muito menos pelos que assistem. Todos os cortesãos mantêm a cabeça baixa, apenas Robert e Sophia veem tudo plenamente, igualmente aflitos.
— Eu mesma irei colhê-las! — Cathrine promete, pegando a mão do filho e beijando. — Para o meu amado... Adam!
Ela quase não consegue acabar, sendo dominada pelas lágrimas. Nenhuma outra palavra é dita, é apenas o choro que sobra. Isso até que Adam beijo fala:
— Amo te amo, mamãe. — Ele beija com dificuldade a mão de Cathrine e depois faz o mesmo com Richard. — Amo você, papai.
E o silêncio retorna, agora muito mais profundo... bem como mórbido. Richard e Cathrine ficam o tempo todo ao lado de Adam, segurando fortemente as mãos dele...
Na tarde do dia seguinte, o The London Gazette começa a circular em Londres com a seguinte curta mensagem: "ontem, por volta das onze horas da noite, morreu Sua Alteza Sereníssima, o príncipe Adam de Niedersieg…”
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