Era Uma Vez
8 Capítulo 8 - Minha fiel escudeira
Notas iniciais
Tinha acabado de tomar o café da manhã,minha avó lia um livro sentada à mesa da varanda na frente da casa me sentei junto a ela.Fiquei calada,percebi que me avó me olhava com um certo ar de curiosidade,fechou o livro.
- Elize.Quer falar algo? Parece inquieta. – Eu sorri.
- Vovó... como você e o vovô se conheceram?
- Bem,na nossa época era muito diferente.Nós mulheres desde novas aprendíamos a cuidar da casa,dos filhos,não tínhamos uma grande liberdade como vocês jovens de hoje em dia,mas posso dizer que nunca me enquadrei bem nesse aspecto.Sempre corri atrás do que eu queria mesmo que muitas pessoas me dissessem que era bobeira,queria ser independente,a música sempre foi minha paixão era nova quando comecei a tocar piano,tocava com a alma colocava todos os meus sentimentos para fora a cada nota.Aos poucos meu talento foi sendo reconhecido e logo comecei a tocar em concertos.Em uma de minhas viagens encontrei seu avô,um homem bonito e sonhador,no inicio éramos amigos mas depois descobrimos o amor... um sentimento tão frágil,tão bonito,tão inocente. – Ela sorriu com os olhos lacrimejados – Foi em uma de minhas apresentações que ele me pediu em casamento,nós nos casamos e alguns meses depois tivemos nossa primeira filha Laura,sua mãe e mais tarde a sua tia Rosie.Eu e seu avô Peter fomos muito felizes,ainda é difícil para mim saber que ele já se foi mas as lembranças que guardo são preciosas.
Minha avó estava chorando não nego que também me emocionei,eu a abracei e ficamos assim por um bom tempo,nos olhamos e sorrimos uma para a outra.Vovô foi uma pessoa muito importante na vida dela,antes dele falecer ainda era possível ver nos olhos dos dois o quanto se amavam apesar dos muitos anos juntos,um casal que me admirava muito e que eu sempre levaria de exemplo para toda a vida porque são poucos que conhecem o verdadeiro significado do amor,em imaginar que ainda existem pessoas que jogam essa oportunidade fora.
Aconteceu o que eu já previa,todos esses pensamentos me levaram até Bill,fazia de tudo para não pensar nele mas era impossível,tudo se resumia à ele.
- Será que eu ainda vou viver um romance como esse? – Perguntei à minha vó pensativa. – Às vezes eu acho que isso está longe de acontecer comigo. – suspirei.
- Todos nós nascemos para amar.
- Mas eu tenho medo.
- Nunca deve temer ao amor,é uma grande besteira,por mais que você saia machucada nunca deixe de amar porque ele te da o poder de mudar alguém.Uma hora a pessoa certa aparece. – Ela disse segurando minhas mãos. – Eu te amo querida,e sei que vai tomar a decisão certa.
Não disse nada,achei que o silencio fosse melhor,minha avó era a minha fiel escudeira,seus conselhos eram sempre úteis ela sabia muito sobre a vida coisa que eu estava começando a aprender.Quando eu me sinto um nada ela sempre está pronta para me ajudar.
À tarde eu recebi uma ligação de minha prima Anna,me avisou que ela e meus tios tinham chegado naquela manhã e estavam na casa de meus pais,todos os anos eles vem passar o natal conosco mas nesse ano eles vieram um mês antes.
- Elize eu estou com tanta saudade! – Tive que afastar o telefone do ouvido,Anna estava quase me deixando surda.
- Também estou Anna – Disse sorrindo em seguida.
- Como esta a vovó? Também sinto tanta falta dela.
- Ela está ótima,quando vocês vão vim nos ver?
- Amanhã talvez,a viagem foi cansativa e a aeromoça ainda derrubou suco em mim,que raiva! – Eu gargalhei.
- Olha... você está rindo,estou feliz por você estar melhor.Pensei que aquela fase ruim nunca fosse passar.
- E não passou,mas só de falar com você já é ótimo. – Pude escuta-la sorrir.
- Só espero que o Bill não apareça novamente senão ele vai direto para o hospital. – Percebi que teríamos problemas quando ela soubesse da noticia,por isso resolvi contar pessoalmente,sabe-se lá o que ela faria além de dar um verdadeiro “pití”.
- Às vezes você me da medo Anna.
- Logo eu que sou tão inofensiva? – Confirmei sua ironia após uma risada.
- Sei...
- Elize vou desligar,ainda tenho que desfazer as malas e descobrir uma maneira de retirar essa mancha da minha roupa.
- Tudo bem,até amanhã então.
- Até. – Desligamos.
Coloquei um casaco e fui até a Biblioteca pegar algum livro.Assim que entrei avistei Daniel no final de um dos corredores de estantes gigantescas,ele era meu amigo a algum tempo e trabalhava lá na parte da tarde.Sempre me fazia rir pelas suas idéias malucas,fazia o tipo nerd descontraído que sabia exatamente o meu gosto por isso sempre guardava os melhores livros para mim.
- Dan! – O chamei.
- Ah... olá Elize! Como está? – Ele falou fechando rapidamente um livro grosso que estava lendo.
- Estou bem e você?
- Melhor impossível! – Sorrimos – Olha,guardei um livro para você que chegou esses dias tenho certeza de que vai gostar é de aventura como você gosta...
- Na verdade estava a procura de um romance... – Ele parou de andar e virou-se para mim.
- Romance? Faz tempo que você não pega um livro de romance.
- Sim,mas senti vontade de ler algum.
- Está apaixonada? – Ele sorriu me fazendo arregalar os olhos imediatamente.
- E-eu? – gaguejei – claro que não.
- Você está vermelha – Daniel me conhecia o suficiente para saber que quando gaguejava e ficava vermelha,algo eu tinha a esconder.
- Me fale de algum livro de romance bom... – Mudei de assunto.
- Claro. Vai querer levar o que guardei para você agora também?
- Sim. – Peguei os dois livros e nos despedimos.
Fale com o autor