Era Uma Vez

7 Capítulo 7 - Por favor,diga SIM!


Notas iniciais
Gente,esse capítulo é narrado pelo Bill.
Uma boa leitura!

Vi Elize se afastar e ir sumindo em meio as árvores aos poucos deixando junto à mim o medo.Meu sentimento de culpa era tão grande que mal conseguia reagir,fiquei um tempo na floresta para esfriar a cabeça e voltei para casa quando estava quase anoitecendo,antes de abrir a porta me virei para a casa da senhora Lucy e fiquei observando a janela do segundo andar que dava para a frente da casa de minha mãe,era o quarto de Elize.O vidro estava aberto mas só era possível ver uma cortina azul claro balançando com o vento,eu sabia que poderia não ter sido o suficiente o que disse à ela mas eu tentei e continuaria tentando quantas vezes fosse preciso.

Abri a porta escutando risadas vindo da cozinha,Gordon decidiu fazer o jantar aquela noite o que resultou em um desastre total,ele não sabia cozinhar.Não pude evitar e tive que rir com a cena,minha mãe dava gargalhadas.Tomei um banho e fui até o quarto me trocar,encontrei Tom na sacada parecia pensativo.

- O que houve Tom? – Perguntei enquanto vestia a blusa.

- Estou preocupado.

- Com o que? – Disse parando ao seu lado.

- Bill,eu sei que você a ama... mas não alimente muita esperança.

- Você sabe de alguma coisa que eu não sei? – Fiquei realmente tenso com aquela situação.

- Falei com ela hoje,me disse que vocês conversaram.Elize disse que acredita em você.

- E isso é bom,não? – Ergui a sobrancelha.Tom estava estranho e isso me assustava,nos conhecíamos melhor do que ninguém,quando eu estou mal ele também esta.

- Não senti muita segurança quando ela falou que precisava de tempo – ele suspirou e me olhou – quero dizer,não fique esperando um “sim” de imediato porque isso pode te decepcionar. – Escutamos nossa mãe nos chamar – Vou descer,você vem?

- Pode ir eu vou ficar aqui mais um pouco. – Ele deu um meio sorriso para mim e saiu.

Por mais que eu não quisesse admitir eu sabia que Tom estava certo mas era difícil muito difícil de encarar os fatos,teria que me preparar para uma resposta negativa que era o mais provável.Por um lado eu merecia sim um certo desprezo da parte dela porque eu tinha consciência de que o meu erro fora de uma certa maneira grave,busquei por tanto tempo a pessoa certa e quando encontrei a fiz sofrer.

- Covarde! – Gritei comigo mesmo esmurrando o parapeito.

Olhei novamente para a janela de Elize,de repente as luzes se acenderam e pude ver uma silhueta através da cortina fechada.Era ela.Observei atentamente ela soltar o cabelo,o vento bateu forte afastando as cortinas.Usava uma pequena camisola branca de alças finas e um tecido aparentemente leve,seu cabelo balançava com o vento,parecia um anjo.Sai da sacada antes que ela me visse,fui para a sala de jantar onde já estavam todos à mesa comendo.

Quando todos terminamos de jantar Gordon ajudou minha mãe a retirar a mesa e Tom foi para o quarto dormir.Fiquei sentado à mesa pensativo,senti uma mão sobre o meu ombro,era minha mãe,ela sentou-se ao meu lado com uma expressão preocupada.

- Bill meu filho,você parece tenso.O que esta acontecendo?

- Nada mãe – Desviei o olhar mas ela era minha mãe e me conhecia perfeitamente.

- È ela não é? – Disse sorrindo carinhosamente para mim – È a Elize.

- Sim...

- Percebi que as coisas não andam muito boas entre vocês desde o dia em que fomos vê-la.

- Nunca esteve.

- Achei que já estavam se falando... apesar que o que você fez com ela é difícil perdoar.

- È eu sei.Nós conversamos e ela disse que precisa de um tempo,eu tenho tanto medo de perde-la,o que sinto por Elize é tão forte que nem mesmo todos esses meses longe dela foram capazes de me fazer esquece-la – Ela me olhou triste acariciando meu cabelo em forma de consolo e eu a abracei.

- Dê esse tempo à ela,tenho certeza de que o impacto do reencontro foi muito maior para ela.Acalme-se querido,tudo vai se resolver.

Como eu queria que tudo não tivesse passado de um pesadelo,que ela sorrisse para mim como sempre fazia,que eu pudesse segurar em suas mãos quando precisasse de conforto,que pudesse acariciar seu rosto e beija-la,dizer o quanto a amava,tê-la em meus braços e saber que ela era só minha.Tive que aprender a não ter Elize comigo,depois que a deixei ir embora naquele estado me lembro que meu coração doía demais porque eu poderia ter impedido-a de partir,poderia ter caído na real e corrigido meu erro enquanto ainda era tempo,mas eu não o fiz.Elize não estaria errada se me desse um não,mas eu me culparia eternamente por tudo.

Quando acordei no dia seguinte não queria me levantar,enrolei um pouco na cama até Tom chegar feito um furacão retirando meu edredom e abrindo as cortinas,enfiei a cabeça embaixo do travesseiro quando aquela luz forte invadiu o quarto.

- Bill! Saia dessa cama,anda! – Tom retirou o travesseiro de mim e o atirou longe.

- Você vai arrumar o quarto depois – Disse me levantando e indo para o banheiro tomar um banho.

- Vamos ao centro da cidade.

- Fazer o que lá?

- Comprar alguma coisa,distrair a cabeça... ver as garotas... – eu gargalhei.

- Tava demorando Tom!

Coloquei uma blusa de tecido leve,uma calça jeans escura e um casaco preto,o dia estava ensolarado mas o vento que batia era frio.Como era fim de semana as ruas estavam cheias,entramos em algumas lojas mas não comprei nada,não tinha cabeça para compras.Paramos em um café,sentamos em uma das primeiras mesas e fomos atendidos,esperávamos o pedido quando vi uma mulher loira entrar logo a reconheci.

- Natalie! – Ele virou-se para mim sorrindo e veio em minha direção.Ela era a maquiadora da banda a alguns anos e se tornou uma grande amiga.

- Bill?! – nos abraçamos.

- O que faz por aqui? – perguntei confuso.

- O que você faz aqui?

- Eu e Tom viemos passar um tempo com nossos pais.

- Oi Natalie – Tom a cumprimentou.

- Olá.Eu também vim passar um tempinho por aqui para relaxar,mas são só algumas semanas.E vocês como estão?

- Eu estou bem. – Tom respondeu.

- Eu também. – Forcei um sorriso.

- Tem certeza? Você parece abatido.

- Estou? – Estava tão óbvio assim? – Não é nada.

- Bill eu te conheço sei quando não está bem. – Olhei para os lados e suspirei.

- Natalie,aqui não é um bom lugar.Eu te ligo qualquer dia desses e nós conversamos.

- Claro. – Ela sorriu e quando me abraçou cochichou em meu ouvido – Sou sua amiga não se esqueça disso.

- De maneira alguma.

- Agora eu preciso ir meninos.Até logo! – Natalie acenou para nós.

- Até!