Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
24 When You're Gone
Notas iniciais
“ Oi meu amor,
Eu sinceramente não sei como começar essa carta, então resolvi apenas continuar escrevendo. Primeiramente, não se preocupe. Sei que você já deve ter surtado e quebrado o quarto inteiro...ou quebrado alguém , mas não se preocupe comigo. Não estou com o Sai e não estou em casa. Estou num lugar seguro e sozinha, prometo. Desculpa mais uma vez tomar decisões sozinha, mas eu realmente precisava fazer isso. Eu literalmente morreria se o Sai causasse algum mal a vocês para me punir e eu sei que ele seria capaz de tudo. Então é melhor, por enquanto, eu me isolar, até que o Shikamaru consigo algo concreto para tirá-lo de circulação. Desculpa se não te dei a chance de se despedir ou de você cuidar de mim como queria, mas realmente essa me pareceu a escolha mais sensata a se fazer. Talvez se eu tivesse pensado nisso um pouco antes as coisas não teriam fugido tanto do controle. Eu te amo tanto, Gaara. Em meio a uma música e outra, nossos pensamentos cruzaram a distância para nos conectarmos um ao outro. Você foi meu anjo, meu escudo, com você fui do inferno ao céu. Com você eu atravessei barreiras, enfrentei meus piores medos e venci a maior parte deles. Me reinventei de forma mais simples. Você fez meu coração ficar mais leve, leve de desejos e sonhos e de histórias bonitas. Mas eu não consegui deixar a minha vida de lado, não consegui deixar minha bagagem no caminho, as minhas pegadas continuaram comigo, todas as dores e mágoas que ganhei nessa minha vida de erros continuaram comigo, pois essa era eu, essa sou eu, um conjunto de derrotas e acertos, de medos e incertezas. E mesmo sabendo de tudo isso, você mostrou que daria conta, que suportaria cada peso, que curaria cada ferida. E juntos apostamos tudo que tínhamos. E por essa razão eu vou te amar pra sempre, cada vez mais forte, mais intenso, porque você é o meu Equilibrio. Ino”
Gaara relia a carta. Perdera as contas de quantas vezes já a havia relido nas ultimas três semanas. Um sorriso triste lhe passava pelo rosto ao olhar para o quarto todo destruído. Ele realmente havia quebrado tudo após o sumiço da Yamanaka. Havia ido novamente a casa de Yana, havia batido em Kabuto, havia discutido com todos e tudo em virtude do desespero, pois juntamente com o sumiço de Ino, viera o de Sai. Porém Shikamaru estava na cola dele e garantira que a loira não estava com o desgraçado. Após 4 dias, ela finalmente mandara aquela carta e desde então, três semanas já haviam se passado sem noticia alguma. A carta não tinha endereço, nem selo. Ele e Shikamaru haviam procurado Ino pela cidade inteira e era como se ela tivesse evaporado. Simplesmente não estava em lugar algum e ninguém havia visto. O ruivo estava visivelmente abatido. Não dormia mais do que 2 horas por noite, ficava sempre atento ao celular e sabia que era ela que o ligava durante as madrugadas e ficava muda. Mesmo sem vontade alguma, o ruivo levantou-se da cama e começou a se preparar. O festival da escola era hoje e se ele não fosse, todos ficariam bastante chateados.
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Três semanas haviam se passado e o Festival Anual de Música da Saint Pierre-Eton chegara. A escola estava em polvorosa. O grande pátio estava apinhado de alunos, enquanto um grande palco se situava no local. Os corredores da escola estavam vazios, visto que os alunos estavam no pátio.
Ino caminhava até o pátio sem vontade alguma de estar ali. Ficara naquele quarto todo o tempo nas ultimas semanas e Sai não a havia encontrado. Mas naquele dia era o festival, sentia saudades de todos e da banda. Queria vê-los tocar. Queria ver ele cantar. Apressou o passo e logo se viu diante da grande massa de alunos que estava no local. Por sorte, não estava vendo Sai, mas sabia que ele estava ali. Caminhou com dificuldade até a parte da frente do palco, queria vê-lo de perto.
Os garotos subiram ao palco montado no pátio e cada um seguiu ao seu instrumento. Gaara ficou a frente, no microfone, enquanto prendia a alça da guitarra. Em meio à massa de alunos, ele destacou bem os olhos azuis que tanto amava. Ele estava alucinando? Era isso? Piscando algumas vezes, Gaara percebeu que, pela expressão de surpresa no rosto de Ino, ele de fato não estava alucinando. Resolveu mandar tudo pro alto. Chega de esperar. Chega de ser sensato. Gaara pegou o microfone e olhou pra Ino, que já fazia menção de se afastar. Porém ao ouvir seu nome, a loira congelou no lugar onde estava. Todos a olhavam. Sai os observava um pouco afastado.
— A música que vamos cantar, é de minha autoria. Ficou pronta há pouco tempo. Fala de amor. Pra alguns pode parecer ridícula. Mas... esse amor, sinceramente, transformou minha vida. E me sinto morto sem ele. Ino, você é a minha razão.
I always needed time on my own
(Eu sempre precisei de um tempo pra mim mesmo)
I never thought I'd need you there when I cry
(Eu nunca pensei que eu precisaria do seu apoio quando chorasse)
And the days feel like years when I'm alone
(E os dias parecem anos quando eu estou sozinho)
And the bed where you lie
(E a cama aonde você dorme)
Is made up on your side
(Está arrumada do seu lado)
When you walk away I count the steps that you take
(Quando você vai embora eu conto os passos que você dá)
Do you see how much I need you right now?
(Você percebe o quanto eu preciso de você agora?)
When you're gone
(Quando você vai embora)
The pieces of my heart are missing you
(Os pedaços do meu coração sentem a sua falta)
When you're gone
(Quando você vai embora)
The face I came to know is missing too
(O rosto que eu conheci também me faz falta)
When you're gone
(Quando você vai embora)
The words I need to hear to always get me through the day
(As palavras que eu preciso ouvir pra sempre poder levar o dia adiante)
And make it ok
(E fazer tudo ficar bem)
I miss you
(Eu sinto sua falta)
I've never felt this way before
(Eu nunca tinha me sentido assim antes)
Everything that I do
(Tudo que eu faço)
Reminds me of you
(Me lembra você)
And the clothes you left they lye on the floor
(E as roupas que você largou estão espalhadas pelo chão)
And they smell just like you
(E elas tem o seu cheiro)
I love the things that you do
(Eu amo as coisas que você faz)
We were made for each other
(Nós fomos feitos um para o outro)
Out here forever
(Para ficarmos juntos para sempre)
I know we were
(Eu sei que fomos)
Yeaaaahhhh
All I ever wanted was for you to know
(Eu só quero que você saiba)
Everything I do I give my heart and soul
(Tudo o que eu faço me entrego de corpo e alma)
I can hardly breathe
(Mal posso respirar)
I need to feel you here with me
(Eu preciso senti-la aqui comigo)
Yeaahhh
Gaara e Ino se olhavam com intensidade. Do palco Gaara pôde ver os olhos marejados da amada. Não era de tristeza. Era aquele brilho que ele tanto gostava de ver. Ela finalmente entendera que ele estava ali. Que sempre esteve. Gaara não pode deixar de sorrir. Tudo ficaria bem agora.
Bom, não era bem isso. Sai subiu ao palco batendo palmas e rindo ruidosamente. Todos do pátio ficaram em silêncio observando a cena que se formava. Os meninos haviam descido do palco e Gaara preparava-se para fazer o mesmo, porém parou no lugar quando viu Sai subindo.
Sai caminhou até o microfone e o retirou do suporte, virando-se e ficando frente a frente com Gaara. Ele ria transtornado. Passava as mãos pelos cabelos e seus olhos tinham um incrível brilho de maldade. Ele andou e gesticulou teatralmente pelo palco.
— É sério que você se declarou em público?— Disse Sai debochadamente – Eu também quero me declarar — Disse Sai cínico. Diante da expressão de desentendimento de Gaara, Sai continuou — Ué? A Ino não te contou? Tsc, tsc... que falta de confiança, Ino. — Disse Sai olhando pra Ino, que sentia sua respiração começar a acelerar.
— Foi tão gostoso Gaara. Fico duro só de lembrar — Disse Sai fechando os olhos – Mas, você é um inútil, Sabaku. DO QUE ADIANTA TANTO AMOR SE VOCÊ NÃO ESTAVA LÁ QUANDO ELA CHAMOU SEU NOME EM SOCORRO ENQUANTO EU METIA E GOZAVA DENTRO DELA?— Disse Sai gritando para quem quisesse ouvir e rindo sadicamente – Ela se debatia tanto, foi lindo. O estupro mais difícil que já fiz, devo admitir. Mas, você é um fraco Sabaku. Um fedelho inútil que teve que ser protegido pela namorada. Tem noção do quão patético isso é?
Ninguém ousava dizer uma palavra naquele pátio. Alunos, professores, até a própria diretora estava estarrecida com tudo aquilo. Gaara parecia em choque. As palavras de Sai dançavam em sua mente. O ruivo levou as mãos à cabeça, como se quisesse desligar o próprio cérebro que a todo segundo repetia as palavras de Sai. “ELA CHAMOU SEU NOME EM SOCORRO ENQUANTO EU METIA E GOZAVA DENTRO DELA”.
Cego. Estava cedo. Surdo. Aturdido. Ele não ouvia ou via mais nada que não fosse o monstro a sua frente. Porém, Gaara não tinha mais medo de monstro algum. Já convivia com Matsuri em sua mente e aprendera a lidar com o medo. E a acabar com os monstros. Num acesso de fúria sem medidas, o ruivo lançou-se contra Sai, desferindo um violento soco. Sai nem ao menos tivera tempo de raciocinar a atitude de Gaara, visto que este parecia em estado de choque. O ruivo jogou Sai no chão e subiu em cima dele, o prendendo embaixo de suas pernas. Sem esperar qualquer outro movimento de Sai, Gaara continuou a socá-lo mais forte, ignorando o sangue nojento que sujava suas mãos. Sai não conseguia se desvencilhar. O ruivo estava em cólera e a força que aplicava sobre si parecia absurda. Gaara não falava nada, apenas batia em Sai, estava transtornado. Estava cego. Aquele monstro havia acabado com o pouco de inocência que ainda havia restado em Ino.
Todos do pátio saíram de seus transes ao ouvirem um grito agonizante. Todos olharam na direção do grito e lá estava Ino, se contorcendo de dor e respirando com dificuldade. Tenten foi a mais rápida e correu até a amiga. A morena assustou-se ao ver todo o sangue que escorria por entre as pernas da loira.
— Ten, me ajuda...meu...meu filho — Disse Ino sussurrando entre os gemidos de dor.
— Neji, faz alguma coisa— Disse Tenten apontando para Gaara que continuava a bater em Sai num fúria incontida.
Neji correu para cima do palco, assim como os outros garotos. Tentou inutilmente tirar Gaara de cima de Sai. Nem parecia a mesma pessoa.
— Gaara, você vai matar ele. Para com isso — Berrou o Hyuuga tentando tirar o ruivo, novamente sem sucesso.
A idéia de ver Sai morto por suas mãos pareceu tentador aos ouvidos do ruivo, que aumentou a força nos golpes, enquanto Sai mantinha-se caído, atordoado e desmaiando diante da dor e do sangue.
— GAARA, A INO NÃO ESTÁ BEM. ELA PRECISA DE VOCÊ — Berrou Tenten, que segurava a cabeça da amiga em seu colo, enquanto Ino se contorcia em dor.
Ino. A menção do nome da loira fez Gaara parar de imediato, como se saísse da escuridão em que so ele e Sai estavam. O ruivo virou a cabeça para onde Ino estava e seu coração falhou uma batida com a cena. Ela estava caída no chão, sangrando e parecendo sentir muita dor. Levantando-se bruscamente e esquecendo completamente a existência de Sai, Gaara pulou o palco e correu até a loira, a pegando no colo dos braços de Tenten e saindo do pátio, com Sakura em seu encalço.
Após alguns minutos, ninguém no patio ousava falar ou fazer nada novamente. Exceto o grupo de amigos. Hinata estava no palco e olhava para Sai com um imenso nojo. Ele levantou-se com dificuldade e depois de muito custo, conseguiu se colocar de pé. Olhando para Hinata, ele cuspiu sangue na direção da Hyuuga, que se afastou a tempo de não se sujar. Mesmo tendo apanhado muito e com uma dor física que ele nem conseguia medir, Sai conseguiu sorrir debochadamente para os amigos de Ino. Sem dizer nada, Hinata aproximou-se de Sai e lhe desferiu um sonoro soco na cara.
Sai sente seu sangue ferver. Aquela gaguinha iria simplesmente pagar esse soco com a vida. Ainda sentindo o rosto latejar e meio desorientado, Sai leva uma das mãos a parte de trás da calça, porém Sasuke e Neji foram mais rápidos, o jogando no chão, fazendo com que a arma que Sai tentaria pegar tombasse ao chão em um baque surdo.
Naruto pensou rápido e correu até a arma, a tirando do alcance de Sai que continuava imobilizado no chão. Ouviram-se barulho de salto e os garotos olharam para a escada do palco. Tenten subia com cara de poucos amigos e caminhou até Sai. Parando ao lado do corpo dele, Tenten pôs o pé sobre o membro de Sai, que a olhou com espanto.
— O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? — Berrou Sai diante do que estava por vir.
Tenten apenas o olhou com asco e sem aviso, pisou com toda a força do corpo e de seu poderoso salto em cima do membro de Sai. Este gritou de dor, o que não foi o suficiente para fazer Tenten parar de pisar e pisar novamente. Neji e Sasuke se entreolharam, enquanto Neji engolia em seco. Sempre se lembraria dessa pisada para que nunca pisasse na bola com Tenten. Nunca.
— Isso é pra você aprender alguma coisa, SEU DOENTE — Disse Tenten em cólera. O barulho de sirenes invadiu todo o pátio, fazendo todos se entreolharem.
— Quem chamou a policia?— Disse Naruto confuso, distinguindo o olhar cúmplice de Tsunade, que apenas afirmou com a cabeça.
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Estavam todos sentados na sala de espera do hospital, aflitos e ansiosos por noticias. Já fazia mais de quatro horas que Ino fora atendida e medicada para que dormisse. Todos estavam uma pilha de nervos e o mais obvio de todos era Gaara, que andava de um lado para o outro. Porém a mente do ruivo estava a mil.
Ino havia sido estuprada e se calara. Por quê? Por que escondera algo assim dele. Ele sentia-se um inútil. Ela passara por tudo isso para salva-lo. Idiota. Ele sentia-se assim. Seria egoísta por seus amigos em perigo, mas ele devia ter pensado em algo, não devia tê-la deixado na linha de tiro. Não sabia como ela iria reagir ao saber da perda do bebê. Um filho de Sai. O ruivo sentia seu corpo enrijecer ao lembrar disso. Ao pensar em Sai a tocando e a machucando dessa forma. Mas ela devia ter contado pra ele. Ela não confiava nele? Não, não era isso. Então por que? A mente do ruivo estava quase dando um nó. Viram o médico responsável por Ino aproximar-se e todos se levantaram imediatamente.
— A Yamanaka já acordou, mas somente uma pessoa pode entrar para vê-la— Disse o médico polidamente.
Gaara prontamente pôs-se a frente e ninguém ousou contradizer ou se opor. O medico afirmou com a cabeça e pediu para que Gaara o seguisse. Ao chegar a porta do quarto, Gaara parou, hesitante. Sentiu um frio na barriga. Ignorou e abriu a porta do quarto. Ao entrar, estava pronto para questionar a namorada do porque de ter escondido algo assim dele. Ino estava meio deitada na cama de cabeça baixa, porém pelas fungadas Gaara sabia que ela chorava. Estava pálida. Era de se esperar, afinal, havia perdido muito sangue. Os longos cabelos loiros pendiam sobre seu colo e ainda assim Gaara a achava tão linda. Ino levantou o olhar ao ver a porta do quarto sendo aberta e de todas as pessoas que esperava, ele era o seu refugio. Ino não disse nada. Ver Gaara ali a desestabilizou de vez e ela começou a chorar alto. Chorou tudo o que a oprimia. Chorou a saudade, chorou sua dor, chorou seu amor por ele, chorou a perda do seu bebê. Sim, ela sabia, ela já não o sentia mais em si.
Vê-la chorar, por qualquer motivo que fosse, sempre acabava com o Sabaku. Gaara se aproximou da cama de Ino e sentou, abraçando a loira fortemente contra si. Ino também o apertou e chorou ainda mais, não conseguia parar. Ele era tudo o que ela precisava.
— Olha, me bate, me xinga, me culpa, faz o que você....mas não chora assim...isso eu não vou suportar— Disse Gaara também com lagrimas nos olhos. Ver Ino sofrer, era sofrer igualmente. Seu coração doía de tal forma que a dor era física. Ele limpou as lagrimas do rosto dela com a mão, fazendo um carinho que Ino tanto sentia falta
— Gaara...Gaara me tira daqui, vamos fugir, vamos pra qualquer lugar, mas me tira daqui por favor. Eu não agüento mais isso. O Sai é louco, ele não vai me deixar em paz e...— Disse Ino chorando nos braços do amado.
— Shhh, calma. Eu to aqui agora e não vou deixar isso acontecer. Me perdoa meu amor. Me perdoa não ter te protegido como eu prometi – Disse Gaara sentindo o peso das palavras. – Nós vamos sair daqui sim, assim que o médico te liberar. E quanto ao Sai, ele está preso e não vai sair de lá dessa vez. – Gaara a beijou com uma imensa delicadeza e Ino não o afastou. O beijo era calmo, era doce, repleto de amor e carinho
Gaara sabia que tinha que acalmar a loira. Ela estava num estado de estresse muito grande. Deitou-se na cama com ela, pouco se importando se era um hospital e contra as regras. Ino aninhou-se no corpo do namorado, que a apertou contra si. Não demorou muito e Gaara ouviu a respiração tranqüila de Ino. Ela havia dormido novamente, devido ao efeito ainda presente dos remédios. Vendo que a namorada dormiu, Gaara permitiu-se chorar baixinho.
Ela estava ali em seus braços e dali ele jamais permitiria outra vez que ela saísse.
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