Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
25 Sign (LEIAM AS NOTAS INICIAIS)
Notas iniciais
Vim para dizer que siga as cicatrizes
Se fizer isso, não há mais nada a temer
Não se esqueça de sua razão de sorrir – Sign – Flow
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A sala estava fechada. Todos que trabalhavam do lado de fora estavam avisados de que ninguém devia atrapalhar a reunião dos dois homens. Dentro da sala, Shikamaru olhava seriamente para Itachi, pensando em como o convenceria a cuidar de um caso que não era de sua jurisdição. Uchiha Itachi era o melhor delegado investigativo que aquela cidade já tivera e Shikamaru precisava dele em sua equipe. Por serem amigos há muitos anos, o Nara sabia que poderia contar com ele.
— Então, Shikamaru, qual é o caso em questão? — Disse Itachi demonstrando interesse, afinal, o Nara não era designado para casos bobos.
— O caso Kabuto, se lembra dele?— Disse Shikamaru um tanto sério.
— Como não lembrar do maior pedófilo da história dessa cidade?— Disse Itachi como se fosse óbvio.
— O encontramos— Disse Shikamaru de uma vez.
— Vocês o que?— Disse Itachi sobressaltando-se.
— Não me admira que não tenha chegado aos seus ouvidos. Minha equipe é muito competente— Disse Shikamaru com um sorriso de canto.
— E em que buraco aquele rato se meteu?— Disse Itachi não contendo a sede de em participar do caso.
— Aqui mesmo. Em Konoha— Disse Shikamaru alargando ainda mais o sorriso diante a confusão nos olhos de Itachi – Eu sei que soa ridículo. Eu também fiquei surpreso. Mas foi o disfarce perfeito. Ele apagou cada rastro que pudesse nos levar até ele. Acredito que na época das investigações, ele realmente tenha saído daqui. Mas ele voltou. E agiu bem debaixo dos nossos olhos. Se não fosse a namorada do Gaara, íamos continuar cegos, já que o patife do delegado Hyuuga decidiu arquivar o caso por pura incompetência.
— Se não fosse você a me contar isso, eu juro que não acreditaria. Parece impossível que esse cara estivesse aqui esse tempo todo— Disse Itachi um tanto indignado.
— Ele foi esperto. Deu o velho golpe de consolar a viúva solitária. O que sabe sobre os Yamanaka?
— Pouquíssimo. Sei que é uma das famílias mais ricas daqui e que o patriarca morreu em um acidente aéreo. Nada que não tenha sido dito nos jornais. Por quê?— Interrogou Itachi com a sobrancelha arqueada.
Shikamaru então narrou para Itachi tudo o que Gaara havia lhe contado sobre o que acontecera com Ino, bem como as informações que a própria Ino lhe contara. Desde os abusos sexuais sofridos pela adolescente na época até a internação no reformatório para jovens mentalmente perturbados.
Itachi absorvia tudo o que ouvia atentamente. Sabia tudo sobre o caso Kabuto, afinal, a peripécia do criminoso em escapar das mãos da policia e do departamento de inteligência de Konoha fora histórico. Mas não tinha conhecimento sobre estes fatos novos.
— Então, o que me diz?— Disse Shikamaru esperançoso.
— É lógico que eu to dentro. Comigo no comando, a gente pega esse safado— Disse Itachi com um sorriso de canto
— Muito humilde você— Disse Shikamaru entrando na brincadeira.
— Sabe que essa Ino vai precisar de acompanhamento do Departamento de proteção a mulher, não sabe?— Indagou Itachi
— Eu já cuidei disso— Disse Shikamaru, olhando para o relógio – E por sinal, está na hora. Venha. Vamos buscar uma pessoa no aeroporto. Ela com certeza vai ajudar e muito a Ino.
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Londres – Dois dias antes
O espaçoso escritório, muito bem localizado no centro de Londres, era um ambiente de requinte e bom gosto. Sentada sobre um lindíssimo divã, a jovem atendia ao celular com um sorriso no rosto. Reconheceu o numero de imediato e não demorou três toques para que atendesse.
— Fala Shika barata! Sua esposa já te largou por conta do seu abacaxi?— Disse a jovem mulher risonha.
— Sem brincadeiras Anna. Preciso de uma ajuda séria. – Disse Shikamaru sem rodeios.
— Ok ok, o que posso fazer por você? — Disse a mulher prontamente.
— Nossa nem sabe o que vou te pedir— Disse Shikamaru quebrando um pouco o pesado clima que se instalara na ligação.
— Sem palhaçada Nara, estou te devendo uma e além disso, para que servem os amigos? E ... você não me pediria ajuda se achasse que eu negaria.— Disse Anna convicta.
— Digno da única pessoa que me venceu no shouji... Mas tem razão, lembra-se do caso Kabuto ?— Disse Shikamaru apreensivo. Sabia que só Anna poderia ajudá-lo e esperava que ela se lembrasse do caso.
— Claro, mas o que tem? Pelo que levantei o caso foi arquivado e ele sumiu. – Disse Anna dando de ombros.
— Errado Anninha. Ele não sumiu e vou reabrir este caso, mas preciso de você e sua Fundação— Disse Shikamaru confiante. Sabia que ela o ajudaria.
— Alguma vitima dele resolveu aparecer? E falar?— Disse Anna visivelmente interessada no caso.
— Não exatamente.— Disse Shikamaru com certo suspense.
— Seja claro Nara! Sem tempo e paciência para seus joguinhos— Disse Anna impaciente.
— Melhor se sentar— Disse Shikamaru com certa apreensão na voz
— Ok estou no meu divã— Disse Anna rolando os olhos.
— A namorada do irmão caçula da minha mulher é enteada e vitima de Kabuto — Soltou Shikamaru de uma só vez.
O silêncio que se sucedeu após isso pareceu eterno. Shikamaru sabia que Anna não havia desligado pois escutava a respiração dela através da linha telefônica.
— Embarco assim que conseguir uma passagem— Disse Anna, desligando o celular em seguida sem dar chance alguma de Shikamaru falar mais alguma coisa.
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— Ai, Naruto. Você pisou no meu pé— Disse Sakura olhando de maneira assassina para o amigo.
— Desculpa, Sakurita— Disse Naruto coçando a nuca.
A verdade é que todos estavam espremidos próximos à cama de Ino. Todos queriam ver se a amiga estava bem e queriam ao mesmo tempo.
— Naruto, faz silêncio senão vai acordar ela— Disse Hinata sussurrando.
— Seria impossível dormir com o escândalo do Naruto— Disse Ino acordando, num tom de voz baixo.
— Idiota— Disse Tenten beliscando o loiro.
— Ai, Tenten. Sua vaca. – Disse Naruto choramingando.
— Oi Ino, como se sente?— Disse Hinata sorrindo docemente.
— Estou bem, não se preocupem. – Disse Ino erguendo-se um pouco para sentar e sendo prontamente ajudada por Neji, sob um olhar intimidador de Tenten.
— Não queriam deixar a gente entrar— Disse Naruto inocentemente.
— Porque será hein, seu tapado?— Disse Sasuke com um meio sorriso.
— Deve ser porque alguém criou a maior confusão com a enfermeira — Disse Tenten arrancando gargalhadas de todos.
— Ei não tenho culpa se ela era estressada. Isso é falta de sexo— Disse Naruto naturalmente, fazendo todos olharem pra Hinata, que por sinal, não estava corada.
— Ela é estressada ou você é escandaloso?— Disse Ino bem humorada.
— ATÉ TU, BRUTUS?— Disse Naruto apontando para Ino que gargalhou com vontade, coisa que não fazia há muito tempo.
— NARUTO, NÃO GRITA— Disse Sakura, dando um cascudo em Naruto, também gritando.
— AI, SAKURA. VOCÊ TAMBÉM TA GRITANDO— Disse Naruto massageando a cabeça.
— NARUTO, NÃO ME PROVOQUE E... –
— Calem a boca, os dois— Disse Hinata, não gritando, mas com o tom de voz um tanto mais alto e com aquela cara que todos ficavam com medo. A doçura e a firmeza presentes numa pessoa só. Naruto e Sakura não deram mais um pio – Muito bem, assim ta melhor — Disse Hinata sorrindo como se nada tivesse acontecido.
A Hyuuga caminhou até Ino e beijou o topo da cabeça da amiga carinhosamente. Ino fechou os olhos, estavam pesados devido à medicação em seu sangue. Os últimos dias tinham sido assim. Sempre sentia sono demais.
— Ino, vamos te deixar descansar agora. Amanha, se deixarem, viremos te ver de novo. Até porque se continuarmos aqui, com todo esse barulho, o ruivo ali acorda e mata a gente— Disse Hinata apontando para Gaara, que dormia todo torto em uma minúscula poltrona.
Com todo esse alvoroço, Ino não havia visto que Gaara dormia ali. Pensou que o ruivo havia ido para casa ou algo assim. O olhar questionador de Ino foi o suficiente para a compreensão da sua pergunta muda.
— Ele não sai daqui. Já tentamos convencer ele, mas nada. É muito teimoso – Disse Hinata sorrindo – Até amanhã, Ino. Descanse, parece cansada.
— Não é bem cansaço, são os remédios— Disse Ino sorrindo triste – Pessoal, desculpa. Por tudo. Por preocupar vocês e ...
— Ah loira, nem comece. A gente nem sabe do que você ta falando – Disse Tenten abraçando a amiga, sendo acompanhada de Hinata e Sakura.
Logo os meninos embarcaram no abraço coletivo, fazendo Ino derramar as lagrimas que segurava.
— A gente te ama— Disse Naruto abafado pelo braço se Sasuke. – Idiota, você ta me sufocando — Resmungou Naruto.
— Ah, cala a boca, seu retardado – Disse Sasuke colocando o braço ainda mais sobre o rosto de Naruto.
— Gente não maltrate meu irmão— Disse Ino risonha.
— Obrigada Ino, só você me ama mesmo— Disse Naruto num bico extremamente fofo. Todos riram novamente. Parecia que tudo estavam voltando ao seu eixo natural. Parecia.
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Londres – Escritório da Dra. Anna Peters
As duas malas já estavam postas ao lado esquerdo da porta, juntamente com uma pequena bagagem de mão. Anna ajeitava seu elegante sobretudo, principalmente a gola. Estava frio. Arrumava os últimos detalhes em sua mesa. Não queria deixar nada fora do lugar em sua ausência. Abrindo a porta sem bater, uma mulher entra no escritório. Tinha intimidade suficiente para isso. Naquele momento não estava ali como secretária de Anna e sim como amiga.
— Tem certeza que quer encarar essa sozinha? O caso Kabuto te deixou ...esquisita.— Disse Eliza um pouco seria.
— E o que sugere Liza?— Disse Anna virando-se para a secretária.
— Me mande, ou até mesmo, sei lá alguma das meninas da Fundação.— Disse Eliza como se fosse algo óbvio.
— Não posso Liza e você bem sabe. O Nara conta comigo, foi a mim que ele pediu o favor e bem, eu que estou devendo uma para ele— Disse Anna dando de ombros, como se não fosse importante. Porém Eliza percebeu o incomodo de Anna. É claro que outra pessoa da fundação poderia ir.
— Não é só isso né?— Disse Eliza, confirmando uma segunda coisa por trás de tudo isso pelo olhar de Anna.
— Não, mas o resto eu ainda não faço idéia— Disse Anna sincera.
— Ok, aqui está a sua passagem, você deve chegar lá de tarde, mas mesmo que esteja ocupada, me liga, ok?— Disse Eliza abraçando a amiga.
— Ok e...- Disse Anna após finalizar o abraço.
— Eu sei. Vou cuidar de tudo. Mas Anna, se você o encontrar, não fuja dessa vez, ok?— Disse Eliza olhando firmemente para a amiga.
— Liza! Acho que o trabalho amofinou seu cérebro, as chances de eu reencontrar meu marido por conveniência são mínimas. Desde que obtive o visto nunca mais o vi, concordamos de cada um ir para seu canto e assim temos ficado nos últimos três anos, o que te faz pensar que justo quando vou ajudar um amigo vou reencontrar Itachi Uchiha?— Disse Anna um tanto exasperada.
Após o silêncio de Eliza, Anna despede-se novamente, pegando as malas e seguindo para o táxi que já a aguardava para levá-la ao aeroporto.
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Aeroporto Internacional de Konoha – 15:25 da tarde
Anna olhava tudo ao seu redor, já havia estado em Konoha apenas uma vez e fora uma passagem muito rápida. Localizou Shikamaru, ele ainda mantinha o cabelo de abacaxi, então não foi difícil encontrá-lo. Mentalmente preparava uma piadinha para quando o encarasse, e foi quando o homem que o acompanhava virou-se em sua direção.
— “Eliza Derus sua maldita! Isso só pode ser mandinga sua!”— Pensou Anna enquanto caminhava a passos lentos até Shikamaru.
— Itachi...- Disse Anna num sussurro audível quando já estava bem próxima dos dois.
Itachi a olha como se visse um fantasma. A surpresa em seus olhos era tanto que estes pareciam não caber em sua orbita de tanto que o Uchiha o arregalou. Será que tinha a mente tão louca que agora via coisas? Quais eram as chances de justamente ela ser a pessoa a qual Shikamaru falara? Percebendo que estava dando muito bandeira, Itachi logo se recompõe e volta a sua cara de paisagem de antes.
— Vocês se conhecem? — Disse Shikamaru intrigado.
— NÃO!— Disse Itachi e Anna ao mesmo tempo, arrancando um pequeno sorriso cínico dos lábios de Shikamaru.
— Sei... Ok, então podemos ir e eu vou te adiantando o caso especial da Ino. Itachi, seu apartamento ainda tem um quarto vago? Com essa confusão toda eu não pude ver um hotel para Anna— Disse Shikamaru naturalmente.
— Hum— Disse Itachi olhando para o amigo.
— Cara, você tem algum distúrbio de personalidade limítrofe? Ele te fez uma pergunta, será que pode responder como uma pessoa normal?— Disse Anna recebendo apenas o olhar sério de Itachi sobre si, com a sobrancelha arqueada.
— Isso foi o sim dele, Anna— Disse Shikamaru divertindo-se internamente com a situação.
— Que seja...— Bufa Anna.
Durante o percurso até o apartamento de Itachi, Shikamaru colocou Anna totalmente a par da situação sobre o caso, igualmente como explicara a Itachi. Este, por sua vez, dirigia calado.
Ao chegarem ao apartamento, Itachi abre a porta e Anna atravessa a sua frente, largando as malas no hall de entrada e segue para o segundo andar, deixando um Shikamaru e um Itachi olhando-a embasbacados e para carregarem as malas.
Já no segundo andar, Anna entra no primeiro quarto que encontra e vai logo tirando a roupa até encontrar o banheiro. Precisava de um banho para encarar um caso como o de Kabuto.
No andar de baixo, Itachi deixa Shikamaru em seu escritório e vai em busca de sua nova hóspede. Ao entrar em seu quarto a visão que recebe é linda. Anna estava enrolada em uma toalha e deitada de bruços em sua cama.
— Acho que errou o quarto. Este é o meu – Disse Itachi fechando a porta atrás de si.
— Que você, como cavalheiro, me cederá não é Itachi-Kun ?— Disse Anna com ar de inocente.
— Não me lembro de sermos íntimos para que use esse Kun.
— Gosta do que vê, Itachi?— Disse Anna percebendo o olhar insistente de Itachi sob toda a extensão do seu corpo.
— Depende do que queira me mostrar— Disse Itachi cínico.
— Não se faça de besta Uchiha. Em Vegas viu bem mais que uma toalha – Disse Anna já de frente para Itachi, porém ainda na cama.
— Há três anos— Disse Itachi simplesmente.
— Não falamos do passado, lembra?— Disse Anna debochadamente.
— Quem primeiro lembrou dele foi você— Disse Itachi mantendo-se impassível.
— Que seja...imbecil— Disse Anna exasperada
— Não me lembro de me chamar assim quando consumamos o casamento, na verdade você gemia de prazer nas minhas mãos, se me lembro bem. — Disse Itachi como se relembrasse de algo, com um pequeno sorriso de canto.
— Você é bom de cama, admito, mas eu também estava bêbada, então não posso ter um parecer imparcial – Disse Anna entrando no jogo.
— Problema esse que podemos resolver imediatamente – Disse Itachi aproximando-se um pouco mais da cama.
— Se deixar com que eu me troque antes— Disse Anna dando de ombros.
— Se eu puder te tirar essa toalha não haverá mais duvidas e...— Disse Itachi olhando-a nos olhos. Aqueles olhos hipnotizantes que a mulher a sua frente tinha.
— E...— Disse Anna gesticulando com as mãos para que ele continuasse.
— Podemos dividir o quarto— Disse Itachi por fim.
— Proposta recusada. Eu fico nesse quarto, você sai. E outra, estou aqui a trabalho, e temos que concordar que não pega bem envolvimento entre colegas, ainda mais em turno de serviço, agora, se me der licença...— Disse Anna levantando-se da cama.
— Sabe que o que tem não é nada do que eu não tenha visto, não é Anna?— Disse Itachi cinicamente perto do ouvido de Anna, saindo do quarto em seguida para ir falar com o Nara.
— Eu devia ter pedido o divórcio!
Anna vestiu-se e ficou arrumada, não demorando muito nessa tarefa e saiu do quarto, descendo as escadas calmamente para ir de encontro a Shikamaru e Itachi que estavam no escritório. Ao chegar à porta do escritório, resolve escutá-los ao invés de se pronunciar de imediato.
— Esse plano possui muitas falhas – Disse Shikamaru com uma das mãos no queixo.
— Eu sei, por isso ele pode dar certo— Disse Itachi igualmente pensativo.
Anna então resolve adentrar o local, recebendo os olhares e atenção dos dois homens ali presente.
— Ok rapazes, agora que pararam de brincar de detetive com esses planinhos bestas, podemos agir como gente grande, por favor?— Dissee Anna sentando-se em uma das poltronas acolchoadas do local.
— E o que você sugere?— Disse Itachi com certa descrença.
— Eu, sinceramente, não tenho uma idéia melhor – Disse Shikamaru olhando para Anna.
— Shika barata sem idéias? Ok eu sempre tenho uma idéia — Disse Anna com deboche e bom humor, o que fez Itachi revirar os olhos.
Anna então explica cada detalhe que sua mente criou para o plano. Desde que soubera de tudo isso, sua mente não lhe dera sossego um minuto sequer. Ela havia bolado uma estratégia digna de uma estrategista brilhante. Após contar tudo aos dois, Anna os aguardava para o veredicto.
— Nem pensar! Fora de cogitação, é arriscado— Itachi fora o primeiro a se manifestar.
— É a única chance que vocês têm— Disse Anna tranquilamente.
— Você nem é uma agente— Disse Itachi exasperado.
— Aí que você se engana— Completou Anna com um pequeno sorriso.
— Calem a boca os dois! O casal pode discutir a relação em outro momento? Preciso pensar!— Levantou-se Shikamaru da cadeira num rompante. Andando de um lado para o outro o Nara parecia pensar e realmente dar crédito ao plano de Anna — Não é uma má idéia, cala a boca Itachi, eu não terminei e que se foda se essa é sua casa.— Disse o Nara ao ver que o amigo iria retrucar. — Sim é arriscado, e gosto disso menos até que você, talvez, mas ela infelizmente tem razão... é nossa melhor chance. Anna, quando pode começar? — Concordou Shikamaru por fim.
— Quero um primeiro contato com a menina e começo se der ainda hoje, preciso que ela me conte tudo o que sabe sobre ele, aonde vai, o que faz... o tipo de menininha que gosta— Disse Anna a ultima frase com um sorriso sádico nos lábios.
— Eu não apoio isso— Disse Itachi visivelmente desconfortável com a situação.
— Cala a boca Itachi— Disse Anna o fuzilando com o olhar.
— Problemática— Disse Shikamaru balançando a cabeça negativamente.
— Ok, mas realmente preciso falar com a garota— Disse Anna desviando sua atenção para Shikamaru
— Isso vai ser problemático— Suspirou o Nara.
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Gaara estava acordado por muitas horas. Não que estivesse cansado de vigia-la, longe disso. Ele até gostava de velar seu sono, principalmente porque desde quando perdera o bebê, o sono de Ino era bastante conturbado. Os remédios a deixava sonolenta, porém não tinham efeito de dopantes. Ela ainda estava frágil. Não tinha risco de vida, mas estava frágil. Principalmente sua alma. Gaara sabia que naquele momento estava em pedaços, por mais que ela sorrisse pra ele e para os amigos, dizendo que estava bem. Mas ele sabia que não. Aquele quarto de hospital era deprimente e se Gaara não conseguia esquecer por um minuto todo o inferno que o amor da sua vida havia passado, com certeza ela também não conseguia esquecer.
Era inevitável para ele não conter as lágrimas que vinha em seus olhos ao lembrar-se do que acontecera. Medo. Dor. Angústia. Raiva. Impotência. Um misto de sentimentos que ele nem ao menos conseguia mensurar. Acariciava os cabelos loiros esparramados pela cama. Mesmo tão pálida e com o leve arroxeado em seus lábios, aos olhos do ruivo Ino estava divina.
— Desde quando você ficou tão chorão?— Disse Ino olhando para o namorado, que a olhava tão imerso em si que nem a viu acordando.
— Não estou chorando Yamanaka, não seja tola— Disse Gaara tentando manter a postura que tinha com ela logo que a conheceu, porém um sorriso logo brotou em seus lábios. Gaara inclinou-se um pouco e a beijou levemente. — Como está se sentindo?
— Estou bem...é serio— Disse Ino observando a descrença que Gaara sempre demonstrava quando ela falava isso.
— Desculpa— Disse Gaara num sussurro, mas Ino ouviu – Desculpa não te livrar de tudo isso. Desculpa não estar presente e cuidar de você, eu disse que faria isso. Eu te prometi e falhei.— Disse Gaara apertando forte as mãos.
Ino aproveitou a proximidade do ruivo e segurou o rosto do mesmo com as duas mãos. Sabia que ele precisava falar. Sabia que ele se culpava mesmo não tendo culpa de absolutamente nada.
— Gaara, olha bem pra mim e me escuta. Tá tudo bem. Acabou. O Sai ta preso. O Shika ta cuidando de tudo. Já passamos por muita coisa. Eu passei por muita coisa e não sei se agüento mais essa de ver toda essa culpa que você ta carregando. Então para com isso. – Disse Ino, porém sem olhá-lo
— Tudo bem, não vou mais falar sobre isso. Mas vamos sair daqui e não quero que me conteste— Disse Gaara vendo Ino abrir e boca e fechá-la novamente, num bico até infantil – Vamos para o chalé da minha mãe e...
Gaara não pôde terminar de falar, já que a porta do quarto fora aberta bruscamente e por ela entrou uma loira sorridente. Temari trazia consigo uma barra de chocolate enorme, a qual Ino ao detectar o que era, alargou um sorriso ainda maior em direção à cunhada.
— Por favor, diz que esse chocolate é pra mim— Disse Ino com os olhinhos brilhando.
— É claro que é pra você. Eu sei que o pessoal do hospital não te dá nada decente pra comer. Então vim te salvar cunhadinha. – Disse Temari fazendo com que Gaara rolasse os olhos.
Temari estendeu a barra de chocolate para Ino, que a pegou avidamente e começou a comer pequenos pedaços. A loira Sabaku puxou uma das cadeiras e sentou-se ao lado da cama de Ino, após dar um estalado beijo na bochecha de Gaara.
— Tenho uma novidade para contar— Disse Temari tentando conter inutilmente a ansiedade.
— Já me interrompeu mesmo. O que é, Temari?— Disse Gaara acomodando-se na cama com Ino que logo o abraçou.
— Eu vou ser mãe— Disse agitando as mãos freneticamente.
Ino tossiu e engasgou-se um pouco com o chocolate e Gaara não sabia se acudia a namorada ou saía de seu transe temporário. Após a crise de tosse da Yamanaka, os dois olharam-se entre si e depois olharam para Temari.
— O que foi?— Disse a Sabaku sem entender.
— Você ta grávida mesmo?— Disse Ino primeiro.
— Grávida de um bebê?— Disse Gaara com certo receio.
— Não, grávida de um rinoceronte— Bufou Temari.
— Seria mais normal— Disse Gaara baixinho.
— O que você disse?— Disse Temari olhando mortalmente para Gaara.
— Eu não disse nada— Corrigiu o ruivo rapidamente.
— Parabéns Tema, ficamos muito felizes— Sorriu Ino empolgada, após dar um leve cutucão em Gaara.
— O que estavam falando?— Disse Temari tomando o chocolate das mãos de Ino, que soltou um muxoxo em desagrado – Já comeu demais loira.
— Então, como eu dizia— Disse Gaara e voltou sua atenção para Ino — Assim que o médico te liberar, vamos pro chalé da minha mãe. É longe daqui e ninguém vai nos incomodar.
— Não precisa Gaara, da pra ficarmos aqui mesmo e...
— Ino, eu disse que vamos para o chalé – Disse Gaara com aquele olhar que Ino sabia que nem adiantava contestar – Vai ser melhor pra você ficar longe de tudo isso. Não quero que se machuque mais.
O clima ficara um tanto quanto pesado no quarto. Os três sabiam que Shikamaru estava em ritmo de investigação com o caso de Kabuto e que Ino, se permanecesse ali, ficaria bem no meio do furacão. E ela não estava bem. Toda pose de forte se esvaia ao olhar em seus olhos. Temari resolvera quebrar aquele silêncio mórbido que se fizera no quarto.
— Gente...eu posso ir para o chalé com vocês?— Disse Temari calmamente.
— Claro Tema...— Dissera Ino sorrindo abertamente,
— Que não— Disse Gaara olhando feio para a irmã.
— Por que não?— Disse Temari cruzando os braços.
— Temari, quero que a Ino fique no chalé para descansar, além do mais, programei apenas para nós dois— Disse Gaara olhando mortalmente para a irmã. Realmente queria que Ino descansasse e ficasse longe de toda a confusão das investigações, mas também queria ficar um momento a sós com sua amada.
— Mas como eu fico? Eu to grávida, sabia? E o Shika quase não fica em casa, está atolado de coisas pra fazer no trabalho, e eu vou ter que ficar naquela casa, sozinha, a mercê...e se meu bebê nascer? Ai meu Deus, meu bebê vai nascer e não vai ter ninguém comigo e...— Dizia Temari sem parar, com os olhos cheios de lagrimas.
— Argh Temari, ta bem. Você vem com a gente.
— Eu sabia que você ia entender maninho— Disse Temari com um sorriso enorme, como se nada tivesse acontecido e encerrando seu drama com uma pequena piscadela para Ino, que riu da expressão mal humorada de Gaara.
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Shikamaru andava a passos calmos com Anna ao seu lado em direção ao quarto em que Ino estava. Ele não sabia sobre como Anna iria falar com Ino sobre isso e muito menos se Ino falaria algo, visto que nem com Gaara a loira falava sobre. Porém de uma coisa o Nara tinha certeza: fosse como fosse, Anna Peters teria sim essa conversa com Ino e descobriria tudo o que queria descobrir.
Ino estava dormindo e Gaara estava segurando sua mão com a expressão preocupada e franzindo o cenho, assustando-se com a porta sendo aberta, porém fica mais tranqüilo ao ver Shikamaru entrar com uma mulher ao seu lado.
— Ela dormiu agora, quer falar comigo?— Disse Gaara num tom baixo para que Ino não acordasse.
— Na verdade sim, vamos tomar um café – Disse Shikamaru acenando com a mão para que Gaara o acompanhasse, porém o ruivo olhava desconfiado para Anna, afinal não a conhecia.
— Ei garoto, Pode ficar tranqüilo, vou tomar conta da guria... – Disse Anna para Gaara, que parecia ainda mais confuso, olhando dela para Shikamaru.
Muito contrafeito, Gaara segue com Shikamaru para a lanchonete do hospital. Anna encontrava-se agora sozinha no quarto com Ino. Era bem nova, realmente. E mesmo com uma palidez anormal em seu rosto, Anna pôde ver que era bonita. Bonita e com carinha de anjo. Então esse era o tipo que Kabuto gostava? Um pequeno sorriso de canto se formou nos lábios da mulher. Caminhando até bem perto da cama e ficando ao lado de Ino, Anna dava-lhe uns tapinhas mansos no rosto da loira para acordá-la. Ino acorda meio grogue e sonolenta olha a procura de Gaara, como não o encontra olha assustada para a intrusa ao seu lado.
— O que você quer ?— Disse Ino ainda encarando Anna com receio.
— Ótimo que não foi o clichê quem é você?— Disse Anna arqueando uma sobrancelha
— Pensei nisso, mas li seu crachá— Disse Ino apontando levemente com a cabeça para o pequeno crachá que Anna usava.
— Bem, então você não é uma loira burra, ótimo. Vamos direto ao ponto, quero prender Kabuto e você tem que me ajudar— Disse Anna simplesmente.
— Não quero me meter mais com eles, olha aonde vim parar com tudo isso?— Disse Ino sentando-se melhor na cama para fitar Anna.
— Agora, depois de tudo você vai virar uma covarde? Sério isso?— Disse Anna com total descrença recebendo um olhar negativo da Yamanaka em resposta.
— Você não sabe de nada! Não tem idéia de como me sinto, o que eu tive que passar!— Exaltou-se a loira visivelmente alterada.
— Ok ok começamos do jeito errado, e cala a boca e me escuta. Eu sei bem o que você sente. Arrisco-me a dizer que se não a única, uma das poucas que realmente entende a sua dor...— Disse Anna agora visivelmente mais séria do que quando havia entrado naquele quarto.
— Como pode saber? São apenas palavras vazias... Eu não quero mais saber... De nada!— Ino pôs as mãos nas orelhas num ato infantil. Sim, ela não estava escutando o que fez Anna bufar. Ino sacudia a cabeça como forma de não ouvi-la, porém isso não impediu Anna de continuar.
— Dói, não é? Tudo que você mais deseja é esquecer, mas a dor nunca vai embora, os seus sorrisos e brincadeiras sempre serão vazios, a sua impotência sempre irá te seguir, seus sonhos serão sempre pesadelos eternos, até que você será consumida pela sua própria amargura e enlouquecerá...Desejará tão ardentemente a morte que sua vida não terá mais sentido, se tornará uma casca fria, todos se afastarão, você os afastará, você se afastará daqueles que teimarem em te salvar, e aí...— Anna para por um momento, com um sorriso mínimo, que qualquer um que o visse saberia que não era de felicidade — Acabará como eu, sozinha, amargurada e falsa... Olhe bem para mim!— Disse Anna virando o queixo de Ino para que ela a olhasse realmente — Sou você no futuro... Porque eu já vivi essa situação, eu já escolhi me calar... – Ino abriu a boca para falar algo, mas logo foi interrompida — Antes que você fale, vou te contar minha história, então chegue para lá esse seu traseiro gordo, que eu quero me sentar. — Disse Anna sem esperar que Ino de fato se afastasse e já foi logo sentando ao lado da loira.
Ino a olhava sem dizer uma palavra sequer. Quem era aquela mulher tão...tão, segura de si? Sim, porque era assim que Ino a via. A loira observou em silencio cada movimento de Anna, dando espaço devagar para que a mesma se apossasse de sua cama.
— Eu não tive uma vida fácil, não no início. Era apenas eu, minha mãe e meu pai. Bem, não minha mãe ela morreu quando eu nem podia andar sozinha, não lembro dela para ser franca. Sobrou o homem e eu. Sei que você tinha um bom relacionamento com seu pai, e te invejo um pouco por isso, porque até a sua adolescência você soube o que era ser amada, mas continuando... As coisas não eram muito fáceis, e logo a ausência de uma mulher na cama do meu pai passou a interferir na forma com que ele me olhava. – Disse Anna olhando para Ino de certo forma impassível.
— Para, eu não quero escutar mais... Sai daqui. – Disse Ino novamente tapando as orelhas.
— Você vai escutar, precisa saber que não tem um conto de fadas lá fora, e que você e só você pode evitar que a minha história se repita... Que a sua história se repita.— Disse Anna firmemente, capturando a atenção de Ino — Ele não se interessava por putas, era refinado demais para algo assim, quando eu tinha 10 anos ele chegou, e não se engane ele estava sóbrio. Me pediu que lhe levasse o jantar no escritório, era tarde e eu já estava de pijama, mas ele era meu pai, eu o obedeci, talvez ele me ajudasse no meu dever de matemática...- Disse Anna com o olhar distante — Naquele dia ele me estuprou pela primeira vez, eu não lembro exatamente de tudo, mas ainda consigo sentir a dor, ainda vejo o sangue.e ainda me culpo por ter me calado e permitido que isso acontecesse mais vezes... Todos os dias eu era a sua puta particular. Me tornei mocinha com onze anos, e durante o período da minha menarca, a primeira menstruação ele me deixou em paz, eu realmente tive paz, mas ela não durou muito, na segunda vez que minhas regras desceram ele não se importou, ainda lembro de suas palavras, ele dizia que não me tomaria bêbado, pois queria ter plena consciência de seu pau enterrado em minha buceta e como eu insistia em impedi-lo, ele comeria o meu cu lindo de brasileira.— Anna repetiu as exatas palavras do pai, sentindo um asco enorme — Eu não possuía mais lágrimas, eu não tinha mais nada, ele havia levado tudo. E com doze anos eu acabei ficando grávida, não foi uma doença, foi uma gravidez. Ino, de quanto tempo você estava?— Por mais incrível que pareça, Ino percebeu um retração na voz de Anna ao chegar naquele ponto sobre a gravidez.
— Quase três meses – Disse Ino rapidamente, sem tirar os seus enormes olhos azuis de Anna.
— Imagino que apesar de tudo, você o amava, não é mesmo?— Indagou Anna e Ino apenas anuiu com a cabeça.
Sim, Ino já amava aquele pequeno ser que deveria crescer em seu ventre. Não sabia explicar aquele sentimento. Não que culpasse o bebê ou algo assim, mas não conseguia explicar o laço de amor que havia criado com ele sendo ainda tão pequeno. Mas só Deus sabia o quanto ela o amava e ele fora “arrancado” de si de maneira cruel. O médico havia lhe dito que seu corpo, no estado de anemia e estresse em que estava, começara a rejeitar o bebê, provocando um aborto espontâneo. A Yamanaka sentiu seus olhos arderem. Era difícil demais conter tudo aquilo guardado bem fundo.
— Eu era uma criança Ino, eu não sabia amar, eu havia me esquecido, mas quando soube que havia uma vida sendo gerada em mim, eu desejei ser forte por ela, eu sentia novamente algo. Nesta época eu o conheci, o meu melhor amigo, o homem que me ensinou amar novamente e se mostrou mais um pai do que o que eu tinha— E novamente Anna imersa em lembranças deixou aquele sorriso...triste...escapar.
— O que aconteceu? Digo, com a criança? — Perguntou a loira.
— Eu gostaria de dizer que eu a tive, que consegui escapar, que ainda tenho meu amigo, mas lembra? Não existe um conto de fadas lá fora...Resumindo, eu estava com três meses de gravidez quando meu pai descobriu, o meu amigo, um padre incrível sempre que meu pai saia ia me visitar, cuidar dos machucados, levar-me mimos, e naquela noite de inverno levou-me um sapatinho, ele me apoiava para que eu não tirasse o meu bebe, eu já amava tanto aquele pequenino, já pude até em uma consulta escutar seu coração...Meu pai chegou e me viu com o sapatinho— A voz de Anna tornara-se mais baixa e falha — De todas as vezes aquela talvez tenha sido a que eu mais apanhei, eu tentava proteger meu bebe, e ele parecia querer atingi-lo de todas a as formas, chutes, socos... Ele ameaçava matar meu amigo, e eu chorei, depois de me deixar desacordada sei que ele saiu em busca da mulher que destruiu minha vida.— Anna parou por um momento e engoliu em seco — Eu acordei e lembro de estar com muita dor, tudo ocorreu no quarto que eu dormia, aquela mulher recebia dinheiro do meu pai, eu estava ensangüentada, mas ele estava feliz. Disse que minha criança era forte, que havia sobrevivido às surras, mas que ele já tinha resolvido o problema. E ele atirou em mim os pedaços do meu bebe. — A ultima frase saiu mais como um sussurro. Anna virou-se de costas pra Ino, contendo ao máximo as lagrimas que já estavam em seus olhos. A dor realmente não ia embora.
Ino olhava para Anna horrorizada com tudo o que escutara. Não que desde o inicio de tudo o que Anna dissera não tivesse achada tudo horrível demais, mas imaginar algo como aquilo era cruel. Ino não sabia o que dizer. Achara que tudo o que havia passado era o que de pior poderia acontecer a alguém. Estava errada. Realmente o mundo não era um conto de fadas e aquela mulher a sua frente era sua mais real prova. A loira esticou uma das mãos e tocou o ombro de Anna.
— O tempo passou, eu não sentia mais nada, eu não lembro mais de muita coisa... Mas eu devia ter quinze ou dezesseis quando o padre chegou com a carta de aceitação em uma Universidade fora do país, eu estudava como uma condenada, eu queria fugir do meu inferno, e eu queria redenção pela vida que eu nuca pude proteger— Disse Anna aos poucos, contendo-se o máximo que podia. A história era sua e ela sabia o que ainda estava por vir — O padre conseguiu que eu tirasse visto, passaporte, absolutamente tudo. Na véspera da minha viagem, meu pai matou a sangue frio o padre, mesmo comigo implorando piedade, mesmo que eu jogasse tudo, os documentos, o passaporte... Ele o matou.— Anna estava com a voz presa. Nunca havia falado tudo isso a outra pessoa e por Deus, estava sendo difícil demais. Anna respirou profundamente, tentando recuperar seu controle e refrear as lágrimas. Após alguns minutos, virou-se para Ino novamente — Me vendeu, eu fui parar nos EUA, eu precisava pagar tudo o que papai havia gasto, depois por lá eu conheci um cara, eu queria escapar então nos casamos em Vegas, eu comecei a gostar dele, e como fiquei assustadinha saí correndo, depois de conseguir o green card e deixei de ser uma imigrante, fugi. Estudei, me formei, e cá estou querendo prender o filho ou melhor, os filhos da puta que te fuderam. – Anna levanta-se da cama, ajeitando a roupa e recompondo-se — Como vai ser? Vai me ajudar ou vai se condenar?
Ino a olhava sem dizer absolutamente nada. Não sabia de fato o que fazer ou como agir diante de Anna e o único ato que teve foi se encolher na cama um pouco mais.
— Bem, o que eu tinha para falar era isso, agora é com você. Vou pegar Kabuto porque é uma questão de honra para mim, o que ele e toda corja andam fazendo não há perdão...E tenho algumas idéias bem divertidas do que posso fazer a ele— Anna esboçava aquele sorriso sádico novamente que fizera Ino se interessar um pouco mais.
— O que você pretende? — Perguntou a loira.
— Coisas bem simples... Mas agora não são importantes. Quero apenas saber, será do meu método fácil ou seu jeito difícil e idiota? Bem, vou te dar 3 minutos para pensar e desfazer esta cara de merda, porque o teu ruivo me mata se te encontrar assim... Sinceramente querida... Bofe escândalo esse... — Disse Anna saindo do quarto enquanto Ino ainda a olhava abobalhada.
Anna sai do quarto e estanca na porta. Ali estava Itachi, de braços cruzados e a olhando com aquela seriedade habitual, mas que desnudava. Ela percebe que ele escutou absolutamente tudo, inclusive a parte que ela disse gostar dele e ter fugido por isso.
— Anna...— Disse Itachi, mas fora interrompido.
— Agora não garanhão...agora não — Disse Anna tentando por um fim aquela conversa que nem tinha começado de fato.
— Quer dizer que algum dia vamos conversar? — Disse Itachi com desdém.
— Quer dizer simplesmente que agora eu não estou a fim de ouvir as merdas das suas desculpas e nem me humilhar mais um pouco. E que o tempo da Yamanaka se recompor acabou. Sai da minha frente. – Disse Anna tentando entrar no quarto novamente.
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