Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
20 Watch Over You
"E quem vai salvar você
Quando eu me for?
E quem vai cuidar de você
Quando eu me for"— Watch Over You — Alter Bridge
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Por mais que Gaara mostrasse tranqüilidade, Ino estava insegura. Não por ele, mas por seu temperamento. Não tinha tanta certeza assim se o ruivo realmente se controlaria ao saber que fora Sai quem atirara contra ele. Lembrou-se da reação de Gaara ao saber de Kabuto e o quanto o ruivo ficara irado com tudo, tanto que bateu nele. Gaara lia as expressões de Ino com muita facilidade. Para ele, tudo nela era fascinante, então ele não deixava passar um detalhe sequer.
— Como descobriu? — Perguntou Ino um tanto quanto curiosa. Em sua mente havia sido totalmente convincente.
— Ino...você ainda não entendeu que, pra mim, tudo em você é fascinante. Cada mínimo detalhe e expressão sua, eu guardei na mente. Inclusive quando está mentindo pra mim ou me escondendo algo. — Diante do silêncio da namorada, o ruivo manifestou-se. — Ino... estou de ouvindo— Disse o ruivo olhando-a seriamente.
— Promete que, quando eu terminar de falar, você não vai sair por aquela janela e ir atrás do Sai?— Disse Ino, virando-se de frente para o namorado e entrelaçando as pernas na cintura dele.
— Eu prometo— Disse Gaara olhando-a com firmeza, para logo em seguida lhe beijar docemente. Era uma promessa que nem ele mesmo sabia se cumpriria.
— O Sai... Há algumas semanas atrás ele me fez uma proposta na escola. Disse que eu deveria terminar com você e ficar com ele. Eu não dei atenção, disse que ele era louco...— Ino pausou a narrativa, sentindo os olhos lacrimejarem — Então... Então ele não falou mais nada. Daí naquele dia, que você foi baleado, eu tava no hospital esperando você acordar da cirurgia, então recebi uma ligação — Ino engoliu em seco e prosseguiu – Era ele. Me disse que não havia sido convincente o bastante. Que da próxima vez o tiro serio um pouco mais pra esquerda— Como num filme, a lembrança de Gaara extremamente pálido e ensangüentado veio à mente da loira, que instintivamente o abraçou forte, como se quisesse certificar-se novamente que ele estava inteiro.
Gaara cerrou os punhos e fechou os olhos enquanto retribuía o abraço da amada. Lembrava muito bem do desespero que vira nos olhos da sua loira naquele dia e que ele mesmo tivera que acalma-la. Sentia aquele sentimento obscuro que era a raiva tomando conta da sua mente. Sai havia atirado nele? Que espécie de maníaco aquele cara era? E qual era a obsessão dele por Ino
— Foi ele que atirou em mim, não foi?— Disse Gaara ainda com Ino nos braços.
— Foi. Daí ele disse que eu tinha que ficar longe de você, ou ele te mataria e machucaria o restante do pessoal. Eu fiquei com tanto medo – Disse Ino em lágrimas.
— Deveria ter me contado, Ino— Disse o ruivo olhando-a seriamente.
— Pra você ir atrás dele e acabar sendo morto? Não Gaara, eu não podia fazer isso. Eu precisei tomar a atitude certa e foi essa. Não podia deixar ele te machucar ou machucar os outros. Ele é um louco. Você não faz idéia do tipo de lugar que ele freqüenta ou as pessoas com quem ele fala— Disse Ino enxugando o rosto com a manga do casaco.
— E você faz?— Disse Gaara arqueando a sobrancelha.
— Sim. Eu já me encontrei com ele no lugar onde ele faz os seus ...negócios— Disse Ino hesitante.
Gaara abaixou o olhar por um instante. Sentiu aquele aperto o corroendo novamente. Os furos. Os inúmeros furos no braço de Ino. Então era Sai quem fornecia as drogas para ela. Ele, assim como boa parte das pessoas da escola, sabiam do envolvimento de Sai com o trafico. Porém o Sabaku sabia o quão esperto ele era e como nunca havia sido pego. Claro, sem provas, não há acusação alguma.
— Você está usando de novo... você me prometeu que não iria fazer isso de novo, Ino — Disse Gaara olhando-a novamente. Não era um olhar acusador, era triste.
— Eu sei. Desculpa... é que eu não estava aguentando mais. Se eu ficasse mais um minuto nessa realidade eu iria enlouquecer— Disse a loira envergonhada.
— Não devia ter cedido as ameaças do Sai. Eu posso dar um jeito — Disse o ruivo acariciando o rosto de Ino. A loira surpreendeu-se com a aparente calma do namorado.
— Que jeito, Gaara? O Sai foi preso com porte de armas e eu sei que ele estava com drogas naquele dia no bar e foi solto sem nem ficarmos sabendo disso. Ele conhece pessoas influentes e...— Ino fora interrompida.
— Ino me ouça com atenção. Nenhum advogado desse país vai absolver um traficante, quanto mais um possível homicida. Ele tentou me matar e te ameaçou. Não vai ficar impune, até por que... você ainda não viu o Shikamaru trabalhando— Disse Gaara com um sorriso sombrio.
— Shikamaru? Mas o que ele tem a ver com isso? — Disse a loira franzindo o cenho.
— Ele vai nos ajudar. Na verdade, já está ajudando. Com o Kabuto — Disse o ruivo com receio. Não sabia como a namorada reagiria ao saber que ele tinha contado algo tão serio, quando ele havia cometido segredo. – Desculpa, mas eu precisei contar o que houve contigo ao Shikamaru.
— O que? Por que contou? Gaara, eu pedi pra não contar— Disse Ino levantando-se do colo dele.
— O que queria que eu fizesse? Visse você aqui com esse maníaco sob o mesmo teto e não fizesse nada? Há dois anos não fizeram nada por você Ino, não me peça pra fazer isso também— Disse o ruivo olhando-a com tanto carinho que desarmou a loira.
— Mas...mas e se ele não acreditar em mim como todos fizeram e...— Ino sentiu Gaara a segurar pela mão e colocá-la em seu colo novamente.
— Meu amor, me escuta. Ele acreditou no que eu disse. Sabe o que ele me disse? O Kabuto é fichado e procurando pelo policia há vários anos. Ele é um dos pedófilos mais procurados, na verdade. Shikamaru de inicio achou que seria impossível ser a mesma pessoa, mas ele tem vigiado sua casa e descobriu que realmente é ele. Segundo o Shika ele mudou um pouco a aparência, mas é ele. O serviço de inteligência, após investigações, havia concluído que ele deixara o país e que havia trocado de identidade. Mas a exatos dois anos e meio ele voltou para Konoha, porém as investigações sobre ele já estavam arquivadas por falta de fontes de investigação, enquanto ele estava bem embaixo dos seus narizes, num disfarce perfeito. – Disse Gaara de uma vez, observando Ino que parecia surpresa com tudo aquilo.
— Se tudo o que me disse for verdade, então ele...ele é pior do que eu pensei. – Disse Ino ainda incrédula.
—Não se preocupe, ele não vai mais te causar nenhum mal— Disse Gaara acariciando o rosto da namorada.
Ino olhou-o nos olhos e Gaara por um momento temeu o que ela poderia falar. Ela ficara extremamente séria.
— Sabe que eu preciso seguir o plano e continuar com o Sai, não é? — Disse Ino quase num sussurro.
— O que? Mas é claro que você não vai continuar com aquele maníaco— Disse Gaara exasperado, levantando-se alterado.
— Gaara, senta aqui— Disse Ino fechando os olhos e respirando fundo. Estava ficando irritada. Será que ele não entendia a dimensão de tudo aquilo?
Gaara conhecia bem aquela expressão. Ela estava irritada. Sentiu vontade de rir por um momento. Se a situação fosse outra, continuaria com alguma birra só para vê-la apertando aqueles lindos olhos na direção dele. Sem alternativas, o ruivo sentou-se na cama novamente.
— Eu não vou concordar com isso, Ino— Disse Gaara tentando ficar mais calmo.
— Gaara, me escuta com atenção. O Sai é perigoso. Muito perigoso e nem de longe tem uma mente sã. Ele foi capaz de atirar em você só pra me convencer de tudo isso. Ele ameaçou ferir nossos amigos, ferir a Temari. Acha mesmo que ele seria incapaz de fazer isso? — Disse Ino olhando fixamente para Gaara. Diante do silêncio do namorado ela prosseguiu – Olha, não é algo definitivo. É só... até termos algo contra ele. Até conseguirmos provas, não sei... alguma coisa que de fato incrimine ele. Não temos nada, Gaara. Você quer que algo aconteça aos outros? Quer que algo aconteça a mim? — Disse Ino agora acariciando o rosto de Gaara, que fechou os olhos por um momento.
— É claro que não. Vocês são tudo o que eu tenho — Disse Gaara olhando para a namorada.
— Então precisa me deixar continuar com isso— Disse Ino firmemente.
— Ele está machucando você— Disse Gaara desviando seu olhar para o braço de Ino.
— Ele nem sempre é grosseiro. Isso aqui não foi nada demais. Eu o irritei de propósito. Se eu ficar na minha ele não me faz nada. Não pense nisso— Disse Ino tentando amenizar o quão louca aquela idéia parecia.
— Eu não tô gostando dessa idéia, Ino. Ainda acho que você deveria ir comigo agora mesmo pra minha casa. Não precisa mais ficar aqui. Com as suas acusações, o Shikamaru pode pedir uma ordem preliminar da justiça, pra que você não fique nessa casa.— Disse o ruivo. Não tinha como concordar com aquela idéia de Ino em continuar com Sai.
— Olha, eu tive uma idéia. Eu continuo com o Sai, só fingindo, até você e o Shikamaru alertar a todos e encontrarem uma forma de deixar todos seguros. É a nossa melhor chance, por favor— Disse Ino suplicante.
Gaara inclinou e beijou-lhe os lábios delicadamente, como se fechassem um acordo. O beijo que iniciara-se doce, tão logo passou a ser mais intenso. Havia muita saudade entre os dois. Gaara impôs ainda mais seu corpo sobre o de Ino e a deitou na cama, ainda a beijando e deitando-se por cima da mesma. Ficaram entre carinhos leves por alguns minutos.
— Ino... não usa mais aquilo... por favor...por mim— Disse o ruivo numa suplica.
— Eu...eu não vou usar – Disse Ino vacilante – É melhor você ir. Daqui a pouco o Sai vai chegar— Disse Ino entre o forte abraço que Gaara lhe dava.
— Eu ainda acho isso uma péssima idéia, Ino – Disse o ruivo vacilante.
— Preciso fazer isso, meu amor. Isso vai acabar logo. Até todos estarem seguros. Ele não vai fazer nada comigo. As ameaças dele são sempre direcionadas a vocês. – Disse Ino tentando parecer confiante.
— Se ele te fizer qualquer coisa, me ligue imediatamente. Deixe o celular por perto – Disse Gaara sendo guiado por Ino até a janela – Tenha cuidado — Disse Gaara novamente tomando Ino entre os braços e beijando-a com amor. Ficaram alguns minutos olhando-se numa despedida silenciosa.
Gaara a abraçou forte novamente. Não queria soltá-la. Por mais que sua mente lhe dissesse que aquela era a única saída que tinham no momento, seu coração mandava ele não cometer esta loucura de deixá-la ali. Já sentia seus olhos arderem novamente e seu corpo tremer. Odiava ficar daquele jeito na frente de Ino. Ele tinha que mostrar-se forte. Mas será que demonstrar o quanto tava assustado em pensar que algo de ruim pudesse acontecer com a pessoa que mais amou, que lhe mostrou o que era viver novamente, sem que ele pudesse cuidar dela, era realmente fraqueza?
— Eu amo você. Vai ficar tudo bem, eu prometo – Disse a loira num ultimo selinho.
Dito isto, ela apenas pôde observar o namorado irromper janela a fora
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Shikamaru espalhava sobre a mesa as diversas fotos de Kabuto que havia tirado naqueles últimos dias. Aquele maníaco realmente tinha algum tipo de sorte exagerada. Alem de não ter sido pego estando por tantos anos na cidade, justamente naqueles dias em que estava sendo vigiado ele não havia ido para outro lugar que não fosse à residência dos Yamanaka. Saia para lugares simples, mas sempre retornava a residência dos Yamanaka. Shikamaru tinha certeza de que ele tinha um outro lugar para morar. Segundo as informações que retirou de Gaara, Ino havia dito pro ruivo que Kabuto ficara um tempo fora da sua casa, além do mais, ele nem sempre havia morado com ela e sua mãe.
O Nara não descansava um minuto sequer. Atingira um patamar em seu trabalho ao qual lhe era permitido tirar folgas e férias quando quisesse. Mas ele não queria mais isso. Precisava resolver esse caso. Lembrava-se bem quando o Caso Kabuto fora arquivado. Ele na época não trabalhava no caso, mas agora este lhe fora dado, devidos aos indícios que apresentou.
Lembrou-se de Ino. Depois de tudo o que Gaara havia lhe contado, até ele mesmo havia ficado incomodado ao pensar que a garota estava sob o mesmo teto que Kabuto e que este, poderia novamente tentar algo com a garota. E se ele tentasse como ela provaria? Esmurrou a mesa ao pensar com raiva ao pensar que ela poderia passar por tudo aquilo uma segunda vez. Gostava de Ino. Ela inconscientemente trouxe uma tranqüilidade a sua casa. Ele considerava Gaara como um filho, de certa forma. O vira criança e estava com a família Sabaku quando esta sofreu a perda da mãe das crianças. Vira o quanto Gaara ficara mudado com isso e o quanto o suicídio de Matsuri havia transtornado de vez a mente do garoto. Também presenciou todo o sofrimento de Temari devido à agonia do irmão.
Ino havia transformado a vida de Gaara e trazido a calmaria a sua casa. Ele a ajudaria com tudo o que tivesse. Iria protegê-la assim como Gaara faria. Retirando o celular do bolso, Shikamaru discou rapidamente o numero do cunhado.
– Pode falar, Shikamaru— Disse Gaara do outro lado da linha.
— Gaara, preciso que faça uma coisa— Disse Shikamaru.
— Que seria...?
— Dê um jeito de falar com a Ino. Minha equipe precisa instalar câmeras pela casa dela. Preciso que ela me avise quando a casa estiver vazia. – Disse Shikamaru simplesmente.
— Câmeras...isso é brilhante. Ei shikamaru, essas câmeras são de transmissão simultânea? — Disse Gaara.
— São.
— Então da para monitorá-la em tempo real – Disse Gaara sentindo um alivio enorme.
— Exatamente isso. Você é bem esperto, deveria trabalhar comigo — Shikamaru rindo – As câmeras são parte das provas que preciso conseguir com a investigação. E de bônus podemos monitorar a casa e saber o que aquele cretino faz. Nós vamos conseguir, Gaara. Eu sinto isso— Disse Shikamaru determinado.
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Kabuto ria tanto que quem visse a cena poderia jurar que ele havia visto a melhor comédia do mundo. Na verdade, poderia até ser porque a situação aos seus olhos era hilária. Já Sai cerrava os punhos com uma raiva extrema, embora seu rosto demonstrasse uma calma absurda. Por que seu pai tinha que ser tão debochado?
— Sério, quando a Yana me contou, eu não acreditei. Mas ela realmente estava séria e sóbria. – Kabuto controlava o riso e no mesmo instante cessou a risada e seu rosto tornou-se serio. As mudanças de humor entre pai e filho era uma semelhança incrível. – Você é realmente muito inútil. Atirou no Sabaku, ameaçou a pirralha e ela está se encontrando com ele do mesmo jeito.
— Tem certeza que era ele?— Disse Sai ignorando as ofensas.
— Eu não o vi. Mas a Yanna sim. Viu um rapaz alto, branco, de cabelos incrivelmente vermelhos. Conhece outro com essas características que pularia a janela da sua tão amada Ino?— Disse Kabuto arqueando a sobrancelha
— Aquela vadia...não se preocupe, nada vai sair dos trilhos. Eu vou dar a ela uma prova de amor incrível— Disse Sai com seu sorriso mais sádico.
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