Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
21 In A Darkened Room - LEIAM AS NOTAS INICIAIS
Notas iniciais
"Em um quarto escuro
Além do alcance da fé de Deus
Estão feridos e despedaçados restos do amor traído"— In A Darkened Room — Skid Row
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A equipe de investigação e operações táticas que trabalhava com Shikamaru estava dentro da casa de Ino. Não eram muitas pessoas, mas eram eficientes. Se fosse uma equipe grande, dificultaria a retirada deles caso houvesse alguma emergência. Alguns estavam do lado de fora da casa, vigiando como sempre, caso Yana ou Kabuto retornassem.
Shikamaru, após uma olhada em toda casa, já espalhava comandos de onde as câmeras de monitoramento deveriam ser instaladas. Obviamente, eram câmeras utilizadas em operações discretas. Eram pequenas, porem altamente eficazes. Shikamaru estrategicamente posicionou-as em locais dos quais pudessem monitorar o ambiente sem interferência e que as câmeras ficassem escondidas aos olhos das pessoas.
O local onde tinha mais câmeras, em diversos ângulos, era o quarto da loira, a pedido de Gaara, obviamente. Segundo Ino, as investidas de Kabuto sempre fora ali, então era onde mais precisava de vigília.
Cerca de uma hora depois todo o equipamento já estava instalado e todos puderam se retirar da residência dos Yamanaka, sob a supervisão de Ino, que agradecera muito a Shikamaru pela ajuda.
— Vai dar tudo certo, loira. Nós vamos por esse verme atrás das grades— Disse Shikamaru antes de dar um pequeno beijo na cabeça de Ino e sair junto com sua equipe.
Ino sentia-se mais protegida agora. Pois sabia que sempre havia alguém da equipe de Shikamaru, ou até mesmo o próprio Shikamaru, vigiando sua casa 24 horas.
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O ruivo estava ansioso. Andava de um lado para o outro esperando sua amada. Olhou novamente o relógio de pulso e levou as mãos aos cabelos, bagunçando os fios ruivos desalinhados. Ela estava demorando. Foi tirado dos seus devaneios quando sentiu pequenas mãos lhe envolverem a cintura. Fechou os olhos e sorriu.
— Você demorou— Disse Gaara virando-se de frente para abraçá-la forte, como sempre fazia.
— Desculpe. Mas precisei dar uma desculpa convincente para que o Sai não me trouxesse aqui. Por sorte ele recebeu uma ligação e precisou realmente me deixar— Disse Ino retribuindo ao abraço do namorado. Amava os abraços dele. Por Gaara ser muito mais alto e maior que ela, seu abraço praticamente a cobria por inteiro e aquela sensação de estar protegida por ele era sublime.
Sem demoras, o ruivo a beijou com certa pressa. Estavam a mais de duas semanas sem se ver, exceto na escola. Devido as desconfianças de Sai, Gaara achou melhor ficar longe uns tempos, temendo que Sai descobrisse e fizesse algo a ela, sem que ele pudesse estar por perto para ajudá-la.
O ruivo desceu os beijos até o pescoço de Ino, que suspirava sentindo sua respiração descompassada. A trilha de beijos que Gaara avidamente fazia entre seu pescoço e seu colo arrepiavam a loira e uma sensação de êxtase imensa tomava conta do seu corpo. Gaara a guiou as cegas até o grande sofá da garagem de ensaios e deitou-a ali. Sem esperar, o ruivo retirou a blusa da sua loira, que não o impediu, retirando a dele também. Como sentia falta de olhar para aquela pele desnuda dele. As pequenas sardas que ele tinha. Ino achava lindo.
Gaara desceu os lábios do pescoço de Ino até o vale dos seus seios. Em seguida percorreu até a barriga de Ino, que gemia baixinho e cerrava os olhos em prazer. Retornando aos lábios da loira, Gaara explorava cada canto de sua boca, enquanto Ino mordia-lhe os lábios, provocando-o. O ruivo deslizou suas grandes mãos pela lateral do corpo esguio da namorada, retornando ao alcançar suas pernas e apertando a coxa dela com vontade. Em resposta, Ino soltou mais um pequeno gemido, arrancando um sorriso malicioso do ruivo. Estavam tão entregues que, por pouco não foram pegos. Ino num rompante, empurrou o ruivo, que caiu com tudo no chão, resmungando um sonoro xingamento pela dor que sentiu ao bater as costas no chão fortemente.
— To ouvindo a voz do Naruto— Disse ela vestindo a camisa rapidamente, jogando a de Gaara para ele.
O ruivo resmungou novamente e vestiu a camisa, afastando-se de Ino no exato momento em que Naruto, Hinata, Neji, TenTen, Sakura e Sasuke entrava na garagem de ensaios. Todos vinham rindo de alguma coisa que parecia ter sido hilária. Porem o riso de todos morreram ao encontrarem Ino e Gaara na garagem. Gaara estava extremamente sério e parecia com um mau humor incrível. Todos, obviamente, acreditaram que ele estava assim por Ino estar ali. Mas Gaara estava controlando-se para não esganar todos ali por terem interrompido o único momento raro que tinha a sós com sua amada.
Ino por sua vez tentava controlar o leve vermelho que seu rosto adquiria. Se não fosse a voz estridente de Naruto, teriam sido pegos. Tratou de interpretar seu papel mudar seu semblante, já que ela e Gaara deveriam estar em “pé de guerra”. Todos olhavam para os dois e questionavam se o ensaio realmente aconteceria com aquele clima entre os dois. Gaara percebera o desconforto dos amigos e resolvera agir, antes que algum deles resolvesse perguntar alguma coisa que os denunciasse, afinal, Ino ainda estava um tanto descabelada e com o lábio inchado.
— Vocês vão ensaiar ou vão ficar me olhando com essa cara? — Disse o ruivo na sua habitual delicadeza, enquanto segurava a guitarra.
— Ino-chan, que bom que voltou para os ensaios— Disse Hinata abraçando a amiga.
Ino esqueceu-se completamente que deveria manter-se fria e distante com as amigas e deixou-se abraçar forte por Hinata. Abraçou Hinata de volta, também forte, como se naquele abraço quisesse dizer que a amava muito e que tudo ficaria bem. O mesmo fez com Tenten e Sakura. Obviamente Naruto a apertou contra si também, recebendo um olhar mortal do ruivo, que foi ignorado pelo loiro.
— Nee-chan, que bom que voltou. Eu não agüentava mais ouvir a voz desse idiota cantando— Disse Naruto apontando para Gaara, que apenas lhe mostrou o dedo do meio.
Ino sentia uma imensa falta do clima descontraído que era quando estavam reunidos. Das implicâncias eternas entre os garotos e da cumplicidade que compartilhava com as meninas. Era doloroso agir friamente com eles, quando foram eles que a acolheram quando ela era só mais uma estranha que vagava pela escola quando saíra do internato. Mas era para o bem deles. E para isso, precisa retornar a realidade e interpretar seu papel.
— Vamos começar logo, tenho um compromisso com Sai daqui a pouco e não posso demorar— Disse Ino mudando drasticamente seu comportamento.
Bury all your secrets in my skin
(Enterre todos os seus segredos na minha pele)
Come away with innocence
(Afaste-se com inocência)
And leave me with my sins
(E me deixe com meus pecados)
The air around me still feels like a cage
(O ar à minha volta ainda parece com uma gaiola)
And love is just a camouflage
(E o amor é apenas uma camuflagem)
For what resembles rage again
(Ao que se assemelha a raiva novamente)
So if you love me, let me go
(Então se você me ama, deixe-me ir)
And run away before I know
(E fuja antes que eu saiba)
My heart is just too dark to care
(Meu coração ainda permanece triste demais para se importar)
I can't destroy what isn't there
(Não consigo destruir o que não existe)
Deliver me into my fate
(Me entregue a meu destino)
If I'm alone, I cannot hate
(Se eu estou sozinho, não tenho o que odiar)
I don't deserve to have you
(Eu não mereço ter você)
My smile was taken long ago
(Meu sorriso foi tomado há muito tempo atrás)
If I can change, I hope I never know
(Se eu posso mudar, espero nunca saber)
I still press your letters to my lips
(Ainda pressiono suas cartas em meus lábios)
And cherish them in parts
(E as estimo em partes)
Of me, that savor every kiss
(De mim, que saboreiam cada beijo)
I couldn't face a life without your light
(Eu não poderia encarar uma vida sem a sua luz)
But all of that was ripped apart
(Mas tudo isso foi dilacerado)
When you refused to fight
(Quando você se recusou a lutar)
So save your breath, I will not hear
(Então poupe sua respiração, eu não a ouvirei)
I think I made it very clear
(Eu acho que deixei isso muito claro)
You couldn't hate enough to love
(Você não poderia odiar o suficiente para amar)
Is that supposed to be enough?
(Isso deveria ser o suficiente?)
I only wish you weren't my friend
(Eu apenas desejava que você não fosse minha amiga)
Then I could hurt you in the end
(Assim, poderia te machucar no final)
I never claimed to be a saint
(Nunca reivindiquei que eu fosse um santo)
My own was banished long ago
(O meu eu foi banido há muito tempo atrás)
It took the death of hope to let you go
(Tive que perder as esperanças para te deixar partir)
So break yourself against my stones
(Então se quebre contra as minhas pedras)
And spit your pity in my soul
(E cuspa sua piedade em minha alma)
You never needed any help
(Você nunca precisou da ajuda de ninguém)
You sold me out to save yourself
(Você me vendeu para se salvar)
And I won't listen to your shame
(E eu não ouvirei a tua vergonha)
You ran away — you're all the same
(Você fugiu — vocês são todos iguais)
Angels lie to keep control
(Anjos mentem para manter o controle)
My love was punished long ago
(Meu amor foi punido há muito tempo atrás)
If you still care, don't ever let me know
(Se você ainda se importa, não deixe que eu saiba)
Todos na garagem de ensaio olhavam os dois um tanto quanto pasmos. O que estava acontecendo ali? Era tão palpável o amor entre aqueles dois. Ninguém ousou dizer nada. O barulho do celular de Ino a despertou do transe e o numero no visor a trouxe bruscamente para a realidade. Ela rejeitou a chamada e pegou a bolsa sobre o sofá.
— Eu preciso ir. Na escola vocês me avisam o próximo ensaio — Dito isto, a loira saiu em disparada.
Todos olhavam para Gaara interrogativamente. O ruivo tentou parecer indiferente, arqueando uma sobrancelha. Todos ficaram em absoluto silêncio. Gaara esperava para ter certeza de que Ino já havia ido.
— O que foi isso?— Disse Naruto por fim
Gaara enfim contou tudo para os amigos sobre as ameaças de Sai a Ino e o plano louco da loira em continuar com ele. Ino havia implorado para que Gaara não contasse nada aos amigos, mas eles precisavam agir juntos. Tenten tinha o mesmo pensamento de Gaara de que tudo isso era uma péssima idéia.
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INO POV´S ON
Estávamos sentados naquela sala cerca de uns trinta minutos e Sai não falara absolutamente nada. Eu também não ousei perguntar. Sua expressão estava o mais assustadora possível. Para muitos, um sorriso é o que há de mais belo no rosto de alguém. No caso do Sai, é assustador. Ele me olhava com aquele costumeiro sorriso vazio e eu não sabia o que estava por vir. Ele havia me levado ao seu apartamento. Na verdade, havia me forçado, como sempre. Analisava-me minuciosamente em silêncio. Aquilo já estava me cansando. Por mais incrível que possa parecer depois que comecei essa vida dupla na qual tenho que estar com Sai para proteger quem amo, ficar em casa não era mais torturante. Havia minha mãe e o Kabuto. Porém havia o meu quarto...e uma porta, que eu trancava e ficava por lá sem que ninguém me perturbasse.
Observei Sai levantar-se e arrumar graciosamente o seu terno negro. Eu apenas o segui com o olhar. Ele foi até o quarto e após alguns minutos, retornou de lá girando algo entre os dedos. Era uma adaga pequena. Sentou-se na poltrona a minha frente, colocando-a muito perto.
— Ino, eu vou te perguntar algo e espero sinceramente que não minta pra mim— Disse Sai numa calma assustadora. Diante do meu silêncio ele continuou – Você contou ao Sabaku sobre o nosso acordo?
— Claro que não— Respondi rápido demais. Merda. Senti minha mão tremer sem que eu quisesse e isso não passou despercebido pelos olhos aguçados de Sai.
— Sei— Disse ele ainda me olhando com bastante atenção – E você por um acaso, encontrou-se com ele em sua casa?— Perguntou Sai sem desviar seus olhos de mim um minuto sequer.
Nesse momento eu congelei. Mesmo não me vendo em um espelho, senti a cor sumir do meu rosto. Mesmo com minha costumeira palidez, senti meu sangue esfriar. Como ele havia descoberto? Aquilo não era possível. Ele estava me vigiando? Não. Não era isso. Se ele tivesse visto o Gaara, com certeza já teria explodido. Será que ele estava blefando? Era isso. Estava me testando. Eu precisava ficar calma. Continuei a manter seu olhar, por mais que me embrulhasse o estomago encará-lo por tanto tempo.
— Mas é claro que não. Não seja ridículo – Devolvi com a firmeza que eu queria. Não poderia me mostrar assustada. Ele era esperto demais.
— Tem certeza que não está mentindo pra mim, Ino?— Disse ele girando novamente aquela adaga entre os dedos.
— Acho que você está alto demais – Eu disse dando de ombros. Olhei furtivamente para a minha bolsa. O celular estava la dentro.
— Sabe Ino, eu odeio que mintam pra mim. Fico feliz que esteja sendo sincera— Disse ele deslizando o metal frio da adaga sobre a minha bochecha.
Eu não disse nada. Na verdade nem consegui raciocinar com o que se seguiu. Sai bruscamente segurou meu pulso e afastou as mangas da blusa até a altura do meu cotovelo. Ele posicionou a ponta da lâmina sobre o meu pulso. Eu tentei me soltar, mas ele apertou ainda mais. Sai , por mais que não parecesse, tinha uma força enorme na mão.
— O que você ta fazendo?— Eu disse um tanto assustada.
Ele não me respondeu. Apenas afundou aquela lamina em minha carne, perfurando. Senti uma ardência incomoda, que logo se transformou em dor. Por que ele tava fazendo aquilo?
— Sai, pare com isso. Está me machucando— Eu disse tentando conter as lágrimas. Não era só uma perfuração. Ele deslizava a lâmina majestosamente bem sobre minha pele, que agora sangrava e manchava todo o pulso.
Foram apenas alguns minutos que se sucederam nisso. Como se pintasse um quadro, Sai retirou um lenço do bolso e limpou o sangue do meu pulso, deixando evidente assim o que ele havia feito ali. Marcado, em letras de sangue, havia um “S” desenhado em meu pulso.
— Isso, minha querida, é a minha marca. Para você nunca esquecer o nosso acordo e sempre lembrar-se de não mentir pra mim. Espero que continue assim— Disse ele levantando-se e indo guardar a adaga.
Naquele momento eu tinha plena certeza de que eu deveria continuar a proteger meus amigos. Sai era mais psicótico do que podia imaginar e naquele dia eu nem suspeitava o que ainda estava por vir
INO POV’S OFF
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Gaara não conseguia prestar atenção em uma palavra sequer da professora. Sua mente só pensava no bilhete que recebera discretamente. Sabia que era de Ino. Estava com muita saudade da sua loira. Olhava de soslaio para a loira, que tentava não retribuir aos olhares do ruivo para não levantar suspeitas. Foi retirado de seus devaneios quando o sinal tocou e a algazarra na sala se fez presente. Saiu da sala antes de Ino, afinal não queria dar bandeira.
A loira esperou um tempo e saiu calmamente da sala. Já tinha a desculpa perfeita para que Sai não ficasse com ela durante o intervalo. Não demorou muito e o seu pesadelo apareceu. Porém o que Sai lhe dissera mais parecia com uma ajuda dos deuses. Mal ela sabia que não era bem isso.
— Ino, você terá que ir para casa sozinha hoje. Tenho uma ...reunião de negócios. Só vou vê-la a noite — Disse Sai com seu sorriso vazio.
— Não tem problema— Disse Ino tentando parecer indiferente e conter a felicidade. Já ia se retirar quando sentiu-se ser segurada pelo braço.
— Não está esquecendo de nada?— Disse Sai arqueando a sobrancelha. Ino levantou-se na ponta dos pés e deu um beijo na bochecha de Sai, querendo limpar a boca imediatamente após o ato. Mas não o fez — Bem melhor— Disse Sai, sorrindo novamente e se afastando da loira.
Ao chegar a sala antiga, Gaara permitiu-se sentar no sofá antigo que tinha ali. Era a antiga sala abandonada dos professores, que por sinal, não era permitida aos alunos. A sala era localizada na ala dos fundos da escola, que era vazia. Provavelmente so a faxineira freqüentava aquele local, visto que, apesar de antigo e abandonado, tudo estava perfeitamente limpo.
Gaara estava ali a menos de cinco minutos, porém parecia uma eternidade. Ouviu o rangido da porta e olhou imediatamente para o local, onde viu uma silhueta loira entrar e fechar a porta rapidamente. Ino correu até ele, que a pegou no colo num abraço que ela tanto esperou.
Não tinham muito tempo. Em vinte minutos deveriam voltar para a sala e sabe-se la quando poderiam se ver novamente. Na verdade, se viam todos os dias na escola, porém não podiam conversar e muito menos tocarem-se.
— Eu senti tanto a sua falta...— Disse Gaara entre os beijos ávidos que lhe preenchia a boca.
— Eu também senti, meu amor. Ainda sinto...— Disse Ino retirando a camisa do namorado.
— Ino, que está fazendo?— Disse Gaara vendo a atitude da namorada.
— Eu quero tocar em você sem esse mundo de roupar, Gaara— Disse Ino, deixando-o so com a gravata do uniforme.
Gaara esqueceu-se de tudo. Esqueceu-se do horário da aula, esqueceu-se que deveria perguntar mil coisas para ela, se estava bem, se Sai havia aprontado. Esqueceu-se do turbilhão que estava a vida deles. Era apenas eles dois naquele momento. Ou pelo menos, ele achava que era. Gaara e Ino amaram-se ali mesmo, estavam tão entregues a saudade e ao amor que sentiam, que não notaram que alguém observava os dois.
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Ino chegara em casa quase a noite. Passara a tarde inteira com Gaara, já que Sai não estava lhe perturbando. Seu humor estava consideravelmente bom. Mesmo sabendo que dentro de poucas horas teria que fazer companhia a Sai, nem isso tirava o sorriso de seu rosto. Sentiu o celular vibrar dentro da bolsa e já podia imaginar quem era.
— Oi Sai— Disse Ino mecanicamente.
— Se arrume. Vou te buscar em meia hora— Disse Sai apenas, antes de desligar.
Ino achou estranho o tom de voz dele, mas não se importou. Estava feliz demais para pensar nisso. Tomou um banho um tanto quanto demorado, vestiu-se e prendeu o cabelo num rabo de cavalo alto. Não demorou muito e ouviu o celular vibrar novamente. Era uma mensagem de Sai avisando que já estava esperando na porta de sua casa. Pegou a bolsa num desanimo aparente e seguiu até o carro. Mesmo desanimada por ter que ficar com Sai, a felicidade no rosto da Yamanaka ainda era algo notável.
— Parece bem contente – Disse Sai um tanto quanto seco.
— Impressão sua – Disse Ino procurando conter-se.
— É deve ser. Ultimamente tenho imaginado muita coisa — Disse Sai numa indireta implícita.
Ino resolvera ignorar o comentário dele e o caminho até o apartamento dele fora completamente silencioso. Ao chegarem, Ino estranhou o silencio de Sai. Ele em si estava mais estranho que o normal. Diferente dos outros dias, Sai guiou Ino para o seu quarto. Ao entrarem, ele logo trancou a porta e guardou a chave no bolso, sem que Ino percebesse. A Yamanaka jogou a bolsa num canto e sentou-se no recaimer da cama. Sai olhava para ela fixamente. Não desviara seu olhar um minuto sequer. Ino estava começando a ficar incomodada e algo em seu peito estava em alerta. Tinha algo errado.
— O que foi, Sai? Tem algo errado?— Disse Ino tentando parecer gentil.
— Deveria ter algo errado, Ino? – Disse Sai friamente.
— Não entendi— Disse Ino simplesmente
Sai avançou até ela, pegando-a no colo e a jogando na espaçosa cama com violência.
— O que é que ta acontecendo?— Disse Ino assustando-se pelo movimento brusco que sofrera.
— Sabe Ino. Eu te disse. Por que não acreditou em mim? Eu disse que odiava ser enganado. Mas você não deu a mínima pra mim— Disse Sai gesticulando com as mãos. Estava fora de si.
— Do que você ta falando?— Disse Ino saltando da cama.
— Chega de ser gentil. Agora vai ser do jeito que eu quero— Disse Sai a prensando com força contra a parede e segurando seu rosto – OLHE PRA MIM— Disse ele. Sua voz nunca parecera tão assustadora aos ouvidos de Ino, que olhou-o petulante.
Sai beijou-lhe os lábios com tamanha força e violência que chegou a feri-la. Ino começou a contorcer-se para soltar-se dele. Num descuido de Sai, ela conseguiu desvencilhar-se de suas mãos e correu para a porta. Ao girar a maçaneta sentiu suas mãos tremerem. Estava trancada. Estava presa ali.Não pode pensar muito, pois sentiu grandes mãos a pegarem pela cintura e atirarem na cama novamente. Porem dessa vez, Sai ficou sobre ela, prendendo seu corpo com uma perna de cada lado.
— Sai, o que você esta fazendo? Para com Isso— Disse Ino tentando estapea-lo – Sai, me solta— Disse a loira quando Sai agarrou seus braços e imobilizou-a.
— GOSTOU DE GEMER PARA O SABAKU HOJE? HÃ? ACHOU QUE EU NÃO IRIA DESCOBRIR? — Berrava Sai. Seu olhos estavam negros de ódio.
De todas as vezes que Ino pensara em como poderia ser o rosto do demônio, nenhuma chegava a imagem do rosto de Sai naquele momento. Ela via o demônio em seus olhos. Sentiu um medo aterrador apossar-se de seu corpo. Ele estava literalmente fora de si. Num movimento rápido e grosseiro, Sai rasgou o fino vestido que Ino usava, deixando-a apenas de roupa intima. Sorriu com a cena. A quanto tempo desejava vê-la daquele jeito? Agora ela seria somente sua.
— Sai, por favor. Não faz isso— Disse Ino não contendo as lágrimas. Preferia ser espancada do que imaginar sendo tocada por ele. Abominou qualquer envolvimento carnal e sentia nojo de qualquer homem que pudesse tocá-la. Até conhecer Gaara. Somente se entregaria a ele.
— Ah, Ino. Eu vou fazer sim. Eu quero ver você gemendo pra mim como gemeu pro Sabaku hoje cedo – Disse Sai em frenesi, retirando o sutiã de Ino e acariciando os belos seios da loira com força.
Ino, vendo que seus braços estavam livres, começou a socá-lo e estapea-lo com toda força que tinha. Sai num ímpeto de raiva e impaciência, desferiu um violento tapa em seu rosto.
— Fique quieta — Disse ele inclinando-se e segurando o rosto de Ino com extrema força, forçando-a a olhar pra ele — Escuta, meu amor. Se você não for uma boa menina e colaborar, eu vou foder aquelas vadiazinhas das suas amigas até elas ficarem secas !— Disse Sai num sorriso mais do que sádico – Vou fazer aquela gaguinha da Hinata gemer meu nome e você VAI VER TUDO ISSO. ENTÃO FIQUE QUIETA ENQUANTO EU TE COMO— Disse Sai soltando os braços de Ino.
Como esperava, ela parou de debater-se. Ino sentiu a língua de Sai deslizar por seu corpo. Estava totalmente perdida. Estava no apartamento dele. Se gritasse, ninguém a ouviria. Não tinha escapatória. Seu rosto pendia para o lado, não queria ver aquilo. Sentir já era doloroso demais. As lagrimas caiam sem que ela emitisse nenhum som agora.
Seus seios estavam doloridos. Sai os mordia e chupava sem delicadeza alguma. Não havia prazer. Ela só sentia dor. Nojo. Tristeza. Sentiu sua calcinha ser retirada com violência e sem aviso e cuidado algum, Sai a penetrou. Nesse momento sim Ino não conteve o grito de dor que veio em sua garganta. Sai a penetrava com tanta força que ela jurava que seu baixo ventre estava se desintegrando. As lagrimas não cessavam.
Sai parecia em outra dimensão. Totalmente inerte ao sofrimento da garota. Ele pouco se importava com Isso. A cada investida dele, Ino sentia um pedaço seu morrer. Pensou em seus amigos. Pensou nas meninas. Elas não mereciam nada daquilo. Ela também não merecia, mas se fora ela a escolhida a pagar um preço, que fosse. Pensou em Gaara e as lagrimas vieram com mais força. Inconscientemente seus lábios chamaram por ele. Grave erro.
— Gaara...- Disse baixinho, num sussurro, porem Sai a escutou.
— ONDE ESTÁ O SABAKU AGORA, INO? HA? — Disse Sai numa gargalhada audível.
Após penetrá-la diversas vezes com extrema violência, Sai derramou-se dentro dela. Ino sentia-se suja. Aquele liquido quente e viscoso escorria de sua intimidade e ela não sabia descrever o quão ruim era aquela sensação.,Naquele momento sentiu-se morta. A pior morte que alguém pode desejar, é a morte da alma
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Shikamaru estava trabalhando até tarde naquela noite. Uma garrafa térmica de café bem quente fora deixada por Temari em seu escritório e o Nara pendurava as fotos recém-tiradas de Kabuto em seu grande mural. Os anos trabalhando na polícia haviam aguçado ainda mais sua perspicácia. O moreno estava tão concentrado no que fazia que nem ouviu Gaara bater na porta e entrar no escritório. O ruivo nada disse, apenas adentrou e observou o enorme mural com fotografias e rascunhos de anotações. Depois de percorrer todo o mural com os olhos, uma foto em especial chamou a atenção do ruivo. Era um rapaz, jovem, devia ter uns 12 anos. O garoto da foto era bem branco e tinha compridos cabelos negros. Os seus olhos eram igualmente negros. Gaara o achou familiar, porém não conseguia se lembrar.
— Quem é esse? – Perguntou Gaara a Shikamaru, apontando para a fotografia.
— Esse ai é o Yakushi Danzir, filho do Kabuto — Disse Shikamaru colocando-se ao lado de Gaara e também observando a foto.
— Ele tem um filho? — Disse Gaara franzindo o cenho.
— Sim. Porém a criança desapareceu a alguns anos. Danzi foi diagnosticado com sociopatia latente, associada a psicopatia. Em outras palavras, ele é perigoso. Ele matou dois colegas de escola e assistiu a morte dos dois, lentamente. Quando descobriram, ele foi internado num sanatório e Kabuto o deixou lá para apodrecer. Essa foi a ultima foto que temos dele nos registros do sanatório. Uma semana após essa foto ser tirada, Danzir desapareceu. – Disse Shikamaru sombriamente.
— Como assim desapareceu? – Disse Gaara confuso.
— Simplesmente sumiu do sanatório. Ele sumiu, as coisas dele também. Como se alguém o tivesse tirado de lá. Os anos que se sucederam nas investigações sobre Kabuto, não encontramos nenhum vestígio de que ele estivesse com o filho – Disse Shikamaru dando de ombros e voltando a organizar o mural.
Gaara porém ainda olhava intrigado para a fotografia. Ele conhecia aquele rosto. Tinha certeza disso. Aqueles olhos negros estranho estavam olhando pra ele, parecia até desdenhar do seu esforço. Aquele cabelo enorme. E se não tivesse aquele cabelo? Ou o rosto um pouco mais amadurecido pela passar dos anos? De repente, a mente de Gaara o recordou como um golpe de quem era aquele rosto apático e pálido. A cabeça do ruivo girou e este teve que se segurar na cadeira para não cair.
— É O SAI. SHIKAMARU. É O SAI NESSA FOTO – Disse o ruivo descontroladamente. Uma sensação de agonia e medo crescendo dentro dele.
— Sai? Você tem certeza? – Disse Shikamaru retirando a fotografia do mural. Havia visto Sai pouquíssimas vezes e sempre de longe, então não pode confirmar a suspeita de Gaara. Mas e os nomes?— Gaara, esse garoto na foto é o filho do Kabuto, chama-se Danzir e está desaparecido a dez anos. O Sai deve ter a sua idade. – Dizia Shikamaru tentando montar aquele quebra cabeça.
— Eu...eu não sei, mas é ele Shikamaru, eu tenho certeza. Se ele é tão perigoso, não deveria estar preso de novo? Se ele tiver recluso em algum lugar, não vai poder fazer nada a ninguém. Shikamaru, você precisa acreditar em mim, é ele. – Dizia o ruivo nervoso. Pensou em Ino junto aquele sádico— A Ino está com ele...
Dito isto, o ruivo saiu em disparada para fora de casa, em direção ao carro.Era uma da manhã. Seu coração estava acelerado e apertado. Alguma coisa estava muito errada.
Dizem que quando se ama alguém tão profundamente, as almas se conectam de tal forma que é possível sentir as emoções uma da outra, mesmo longe. Talvez, realmente, aquilo fosse possível. Gaara dirigia como um louco até a casa de Ino. No caminho tivera uma fortíssima crise de asma. Encostou o carro e após acalmar-se e usar o inalador, a sensação de agonia ainda não o deixava.
Olhando a rua deserta, sentiu o vento frio da noite bagunçar seus cabelos. Seus olhos ardiam e logo lacrimejaram, fazendo cair uma lagrima solitário por seu rosto.
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