Notas iniciais
Capitulo atrasado por motivos de ter uma merda de notebook --'

"Eu encontrei uma razão para mim

Para mudar quem eu costumava ser

Uma razão para começar de novo

E a razão é você"— The Reason — Hoobastank

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Segunda havia chegado e por incrível que pareça, a turma havia ido pra escola mais cedo. Cada um deles estava internamente esperando que Ino aparecesse. O sinal anunciando o início das aulas havia tocado e nada de Ino aparecer. Frustrados, todos foram para a sala e qual foi à surpresa de todos ao chegarem lá e encontrarem Ino sentada no fundo da sala, com a cabeça apoiada na mesa. A loira estava em péssimo estado. Sua palidez estava anormal e suas olheiras também. Ino nem se dera o trabalho de escondê-las com a forte maquiagem que usava nos grandes olhos azuis. Estes, por sua vez, não possuíam brilho algum. Era como se fosse de vidro. Os garotos olhavam para Ino hesitantes, mas as meninas não. Tenten e Hinata logo foram ao encontro da amiga.

— Ino, o que houve? Onde você estava?— Disse Hinata visivelmente aflita, já apertando a amiga nos braços.

— Eu tava tão preocupada com você. — Disse Tenten completando o abraço, juntamente com Hinata.

— Não aconteceu nada. Eu só precisei fazer uma viagem com urgência, não tive como avisar, me desculpem.— Disse Ino com um meio sorriso mecânico e encolhendo-se ainda mais na cadeira.

— Ino, a gente sabe que você tava com o Sai— Disse Naruto olhando sério para amiga. Aquilo tinha que acabar. Ino continuava a olhá-los de maneira distante.

Um alerta piscou fortemente na mente de Ino. Sai. Eles sabiam. Se eles sabiam, Gaara havia contado algo. E se Gaara havia contado, todos ali poderiam correr um risco que ela definitivamente não tinha dimensão do quão grande e catastrófico poderia ser. Sai era um louco, disso ela tinha absoluta certeza. Não tinha como expor seus amigos daquela forma. Precisava continuar a agir sozinha. Todos sem exceção estranharam a reação da loira. Definitivamente Ino estava mais estranha que o normal. Não agüentando mais todo aquele interrogatório, a Yamanaka levantou-se bruscamente da cadeira e sentou-se afastada no fundo da sala, alegando estar com um pouco de dor de cabeça e que conversaria com todos depois.

Poderia ser estupidez afastar-se das pessoas que a amavam. Mas não para Ino, ela estava assustada. Já havia passado por algo semelhante antes. A mente de Ino não estava muito boa. Ela de fato não estava raciocinando muito bem e quando forçava, só lhe vinha a mente lembranças da noite de horror com Sai e aquilo lhe enojava. Sentia-se suja. Na verdade, não se afastara dos amigos porque eles lhe atormentavam. A verdade era que se sentia suja, indigna, mesmo que nada daquilo tenha sido sua culpa.

Uma pessoa ainda não havia entrado na sala. Gaara. Ele havia ficado mais tempo próximo aos portões do colégio, no intuito de vê-la chegar. Ele não perdia a esperança de revê-la um dia sequer. Quando o ruivo entrou distraído na sala, sentiu seu coração falhar uma batida ao reconhecer aqueles enormes cabelos esparramados sobre uma mesa no fundo da sala. O ruivo estancou no lugar e ficou olhando fixo para Ino por alguns segundos, que obviamente ainda não tinha o visto. Gaara foi tirado de seu transe pelo professor que acabara de entrar na sala e ordenara que o ruivo fosse para o seu lugar. Sem pensar muito no que fazia, Gaara sentou-se carteira ao lado da de Ino, mantendo o olhar fixo na garota, como se esse gesto fosse fazê-la olhar para ele. E de alguma forma ele estava certo. Ino levantou a cabeça ao ouvir o barulho da cadeira ao lado ser arrastada e arrependeu-se de ter olhado no exato momento que seus olhos se encontraram com aqueles verdes que ela tanto gostava. Sentiu-se trêmula só por olhá-lo nos olhos. Ele estava tão perto. Queria poder contar tudo e receber seu carinho. Mas não podia, afinal, não tinha só ela envolvida. Odiaria pensar em Hinata ou Tenten passando por tudo aquilo. Fora que sentia-se suja e olhar intimidador de Gaara a deixava ainda mais nervosa. Sentiu sua respiração faltar, como se o ar estivesse sumindo. Tinha medo de Gaara descobrir e realmente perder o pouco controle que tinha e fazer alguma loucura com Sai, arriscando-se. Só o simples pensando foi o bastante para sentir seus olhos marejarem. Desviou-os rapidamente do Sabaku, que devido a atitude da garota tivera certeza de que ela escondia algo.

— Foda-se essa escola— Grunhiu Gaara baixinho, levantando e chutando a mesa de Ino para o lado.

Num rompante, o ruivo a levantou de vez e a abraçou tão forte que por um momento Ino havia gemido um pouco de dor. Gaara não falou absolutamente nada, apenas a abraçava, como se naquele ato pudesse ter a plena certeza de que ela estava realmente em seus braços. Ino não retribuiu ao abraço. Estava estática, muda, sem reação. Ela só queria sair dali. Era uma imunda e Gaara a estava tocando. Não podia, ele não podia ficar sujo também. Com o pouco de força que ainda julgou ter, ela se desvencilhou dos braços do ruivo e saiu desesperada da sala.

Ino andava apressada pelos corredores, sua cabeça estava latejando e provavelmente estava com febre de novo. Sentia-se quente e suando frio. Não estava comendo praticamente nada há uma semana e aquilo estava acabando com seu organismo. Sentiu seu corpo ser parado por alguém segurando seu braço. Inevitavelmente aquela sensação de pânico apoderou-se de seu corpo. Lembranças da noite em que Sai a violentara vieram como um filme em sua mente e rapidamente puxou o braço, sem nem olhar pra trás. Sentiu que estava tremendo violentamente.

— Shh...calma, calma. Sou eu— Dizia Gaara num sussurro, encostando o corpo de Ino ao seu num abraço estranho, já que ela estava de costa.

Aquela voz. Não era Sai. Ino começou a respirar muito rápido e sentiu seu coração querendo saltar. Virou para Gaara que a olhava extremamente preocupado. Ele foi aproximar-se, porém Ino recuou alguns passos. Ele investiu novamente e a segurou, impedindo que ela saísse. Ino sentiu-se agoniada. Queria muito sair dali. Ter Gaara tão perto de si e as cenas com Sai em sua mente estava a ponto de enlouquecê-la. Foi arrastada a contragosto para a sala de música vazia. Gaara praticamente a empurrava para que ela andasse. Ao entrarem na sala, o ruivo continuava a segurá-la, agora de frente, olhando-a nos olhos opacos. Sem dizer nada, o ruivo levantou uma mão em direção ao rosto de Ino, que encolheu-se um pouco e fechou os olhos. O ruivo traçou o rosto de Ino com o dedo, desenhando o formato delicadamente.

— Ele bateu em você...— Disse o ruivo num sussurro com o maxilar trincado. Aquilo não era uma pergunta. Ino estava assustada e aquilo era visível. – Eu tive tanto medo de não te ver mais...eu nunca deveria ter concordado com isso. Me perdoa, meu amor. – Agora o ruivo a abraçava forte de novo, afagando os longos cabelos da namorada.

Ino não tinha mais força física e nem psicológica para afastá-lo. Ela precisava dele e o tinha. Não ia conseguir lidar com aquilo sozinha e nem sabia se queria. Era uma egoísta, afinal. Estava cedendo. Estava os colocando em risco. Era um fraca estúpida. Ainda não retribuía ao abraço de Gaara, mas não o afastava, só sentia suas barreiras sumindo aos poucos. Seus rosto estava úmido novamente. As lágrimas não cessavam e ela sequer havia percebido.

— O Shikamaru já montou uma força-tarefa para o Kabuto. E descobrimos muitas coisas sobre o Sai. Você não precisa voltar pra lá, meu amor, não precisa, não precisa... – Dizia o ruivo, secando as lágrimas de Ino com a ponta dos dedos.

— Gaara, eu não consigo mais, desculpa...me desculpa— Dizia Ino chorando nervosamente.

A mente de Gaara estava um caos naquele momento. Tentava transparecer a mais tenra calma para que Ino se tranquilizasse. Porém, seu pensamento estava em quantas formas poderia fazer com que Sai pagasse. E ele iria pagar. O mais caro e alto preço. Ele havia falhado em cuidar da sua amada uma vez e não falharia de novo.

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Todos haviam retornado para a sala após o intervalo, inclusive Gaara e Ino, que foram pegos na sala de música pela vice-diretora que havia os obrigado a voltarem para a sala, mesmo sob os protestos, xingamentos e ameaças do ruivo. Ino achou melhor voltarem, afinal, havia retornado para a escola e queria que as coisas parecessem normais. Mas todos os amigos sabiam que ela não estava normal. Outro fato era a aparência de Ino. Ela parecia doente. Estava sempre pálida e no refeitório mal tocava na comida.

A aula de filosofia estava prestes a começar. Arrumaram a sala em dois grandes grupos. Meninos e meninas. A professora de filosofia havia proposto um debate em sala e todos estavam mais que empolgados. Ino queria que a aula acabasse logo. Todo aquele barulho estava fazendo sua cabeça latejar novamente.

— Pessoal, o debate de hoje será sobre o aborto. Assunto polêmico, fascinante e divergente. Os que concordam com o ato e os que não concordam. Quero que resolvam em grupo e depois iremos abrir o debate para a sala— Disse a professora empolgada.

Os grupos se reuniram e começaram a discutir. Após as discussões, foi escolhido que o representante de cada grupo explanaria sobre o assunto. Gaara, a contragosto, fora escolhido pelo grupo para expressar a opinião.

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— Professora, houve algumas divergências de opiniões aqui e eu prefiro que o que vou dizer seja considerado apenas por mim. Eu não concordo com o aborto dependendo do contexto. Por exemplo, em caso de gravidez precoce ou por falta de uso de métodos preventivos, mas que seja com o consentimento da pessoa então eu não concordo que o aborto seja feito. Porém, em casos de estupro pro exemplo, eu acho que a pessoa deveria abortar, caso quisesse— Disse Gaara naturalmente.

Ao ouvir da boca dele sobre estupro, Ino sentiu-se extremamente incomodada. Sentiu aquele arrepio na espinha percorrer-lhe o corpo. Gravidez. Nunca havia pensado nisso. Ficou extremamente nervosa com a possibilidade, afinal, Sai não havia usado nada e ela não tomava pílulas. E se engravidasse? Sentiu-se zonza novamente. Estava suando frio e aquela maldita náusea voltara.

— A pessoa não deveria ser obrigada a ter um filho concebido em um ato tão sujo quanto um estupro. Pior ainda é lembrar-se do ato toda vez que pensar na gravidez. Então, o melhor a se fazer, nesse caso, seria abortar e... — Gaara fora interrompido por Ino que levantara-se bruscamente.

— Professora, posso ir ao banheiro? – Disse Ino rápido.

— Claro, pode ir— Disse a professora.

Assim que Ino saiu da sala, o estado da amiga não passou despercebido aos olhos de Tenten. A garota rapidamente pediu a professora para que saísse também e ao sair da sala foi diretamente ao banheiro feminino. Ao chegar lá, deparou-se com Ino debruçada sobre o vaso sanitário, vomitando. Correu até a loira e abaixou-se também, pondo-se a segurar os longos cabelos loiros da amiga. Tenten não disse absolutamente nada. Apenas segurou os cabelos de Ino e passava a mão calmamente pelas costas da amiga, enquanto Ino vomitava ainda mais. Sentiu que o corpo da loira tremia e ela suava frio.

Após livrar-se de tudo o que tinha no estômago, os espasmos ainda eram presentes no corpo da loira, que chorava devido a dor que estava sentindo no estomago. Na verdade chorava por tudo. Tenten abraçou a amiga, que pra sua surpresa, não recuou. Ino não dizia nada.

— Olha Ino... Eu sei que está acontecendo algo muito serio contigo. Na verdade, todos nós sabemos. Você se afastou de todo mundo, nos excluiu da sua vida. Mas tenho uma novidade pra você: nós não te excluímos da nossa e nem vamos. Não sei o que ta acontecendo, mas quando estiver pronta, eu vou estar aqui. Todos nós vamos, então nem pense que vai desabar, porque nós não vamos deixar.

— Ten... eu preciso ir pra casa, fazer uma coisa muito importante e preciso fazer sozinha. Poderia dar um jeito no Gaara pra mim? Eu não consigo voltar pra sala e... – Disse a loira já chorando novamente.

— Claro, mas...não prefere ficar com o Gaara? – Disse a Mitsashi desconfiada.

A loira apenas negou com a cabeça. Não poderia ir para a casa dos Sabaku. Como iria reagir? Certamente Shikamaru e Gaara iriam enchê-la de perguntas. Perguntas as quais ela ainda não sabia como responder e também não saberia mais como mentir para eles. Levantando-se, a loira lavou o rosto na pia, sob o olhar cuidadoso de Tenten.

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Ino continuava sentada naquela cama. Haviam se passado o que...minutos? Horas? Ela não sabia dizer. Aquele estado de letargia havia tomado seu corpo novamente, a impedindo de ter qualquer reação. A loira apenas olhava fixamente o teste positivo em suas mãos. Não havia pensado em nada. Sua mente novamente lhe entorpecia e a distanciava da realidade em que estava vivendo, dessa vez, sem heroína alguma em seu sangue.

A porta do quarto fora aberta com brusquidão, passando por ela o alto homem muito branco, impecavelmente vestido em seu terno negro. Sai era um belo homem e tinha sua elegância, apesar da pouca idade. Quem o visse, poderia até se encantar, até descobrir a podridão que era sua mente e seu coração. Se é que ele tinha um.

Sai trazia uma pequena sacola nas mãos, muito bem decorada. Sorria falsamente como sempre. Após entrar no quarto, fechou a porta e logo caminhou até Ino.

— Boa noite, meu amor. Como foi seu dia?— Sai voltara a encenar o namorado perfeito em sua mente. Era o que Ino mais temia nele. Os distúrbios de personalidade. Nunca sabia como ele ia agir.

Ino porém não disse nada. Nem a voz irritante de Sai foi capaz de tira-la do seu aparente transe. E isso não passou despercebido pelos negros olhos sagaz do rapaz. Sai curiosamente seguiu o olhar de Ino, parando no que a loira segurava. Por um momento não acreditou no que via. Foi instantâneo não sorri. Aquele sorriso diabólico que ninguém gostava de ver. Rapidamente, ele retirou o teste de gravidez das mãos da Yamanaka e esse ato foi o suficiente para trazê-la de volta a realidade., que levantou-se da cama e ficou a uma distância considerável do rapaz.

— Então por isso todos aqueles enjoos? Oh que bom Inozinha, vamos começar nossa família, isso não é ótimo?— Disse Sai olhando para Ino que sustentava o seu olhar – O que é isso que vejo em seus olhos, é coragem? Esse bebê veio um pouquinho cedo, mas eu te entendo meu amor. Espero que você não tenha mostrado isso para ninguém. Não queremos que você e esse bebezinho se machuquem... não é? — Disse Sai sorrindo.

Ele caminhou a passos lentos até a cama da Yamanaka e deitou-se na mesma, dando um tapinha ao seu lado para que Ino fizesse o mesmo. A loira porém não saiu do lugar. Sai revirou os olhos impacientes e num ímpeto levantou-se da cama e caminhou rápido até a Yamanaka, pegando-a pelo braço e a atirando na cama com violência. Ino não dizia nada, não demonstrava nada. Estava sem vontade alguma. Sai deitou-se parcialmente sobre a loira, puxando-a pelos cabelos, obrigando-a a olhá-lo.

— Ai Ino querida, você podia ter me avisado que queria um bebê, eu não me planejei ainda para isso. Vamos escolher o nome agora— Disse Sai novamente sorrindo. Sádico. Essa era a palavra que mais o definia – Será um lindo menininho, certo?— Ino não poderia responder algo mesmo se quisesse, já que Sai não deixava ela falar coisa alguma, como se conversasse sozinho. Ele se levanta e começa a caminhar pelo quarto enquanto continua o seu monólogo.

— Lógico que será.Vai ser igual o papai e vai ter que ter os seus olhos. Se ele não nascer com os seus olhos... podemos arrancar e colocar não é mesmo?— Disse Sai numa falsa preocupação. Era incrível a mudança de comportamento do homem — Ou morrer tentando— Disse Sai enfatizando a palavra morrer. Ino abrira a boca, porém nem tivera chance de falar coisa alguma.

— Nem se atreva a dizer que pode ser uma menina. Se for uma menina...— Disse Sai numa pausa forçada, levando a mão ao queixo como se pensasse – Hum... se for menina, você tira e tentamos de novo.

Ino leva as mãos a barriga protetoramente, abaixando o olhar até seu ventre que ainda estava reto. Não iria deixar aquele maníaco machucar aquela criança. Um ser de luz em meio toda as trevas que vivia. Ela era a inocência. Não tinha culpa de nada o que estava acontecendo.

— Nem faça essa cara de puta de esquina arrependida. Ou você se comporta direitinho e essa criança vem direito...ou eu não pago um aborto—Disse Sai. Ino por um momento aliviou-se de sua tensão. Ele ao menos não iria atentar contra o seu bebê.

Esse alivio não passou despercebido por Sai, que deliciava-se com tudo aquilo. Percebendo que a loira estava aliviada, ele sorri sadicamente. Colocando as mãos no bolso interno do terno, retira de lá uma pequena adaga prateada e leva esta até a barriga da loira, deslizando suavemente o frio metal pela região.

— Eu mesmo faço o serviço — Disse num sussurro audível, com os meus olhos demoníacos que Ino tivera a infelicidade de conhecer.

Dito isto e aos olhos de medo que vira em Ino, Sai levanta-se e sai do quarto, gargalhando de satisfação. Não era um riso alegre. Era fúnebre.

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Kabuto, Yana e Sai estavam trancados no escritório da casa. Kabuto olhava pra Sai com tanta raiva que só não tinha dado uns bons tapas no filho porque a situação ali era de emergência.

— Eu sabia que, depois de uma idéia tão brilhante quanto a do estupro, você ia acabar fazendo merda — Disse Kabuto olhando para o filho.

— Não tenho culpa se aquela vadia é tão fértil e engravidou logo na primeira trepada— Disse Sai extremamente sério – A questão é que ela não quer mais usar a heroína por conta do bebê. E sem a droga podem ter certeza que ela não vai ser mais tão fácil de dobrar— Disse Sai preocupado.

— Aquela infeliz não vai voltar a razão. Se ela não quer mais a droga, então eu mesma faço ela perder esse bebê— Disse Yana, levantando-se bruscamente da cadeira e rumando para o quarto da filha

— Hora do show— Disse Kabuto, com o mesmo sorriso sádico herdado nos mínimos detalhes por Sai

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Yana entrou no quarto da filha. Depois de tanto tempo, esquecera-se como era aquele ambiente, bem como esquecera-se da face de Ino. Mal se viam e quando estavam no mesmo cômodo, não se olhavam de fato. Yana viu o quarto vazio e supôs que a filha estivesse no banheiro, visto que ouvia um barulho de água corrente vindo do local.



Não demorou muito e Ino saiu de lá, secando o rosto com uma toalha. A loira estancou na porta do banheiro ao ver sua mãe ali parada. Com tudo o que vivia nos últimos tempos, esquecera-se completamente que Sai não era o único dos seus problemas. A diferença é que Yana já não a assustava mais.

— O que quer?— Disse Ino com agressividade na voz.

— Quero lhe contar uma...história, minha filha. Nunca contei, não é? Lembro o quanto você me enchia a paciência pra fazer isso quando era pequena— Disse Yana com um rancor imenso – Agora quero lhe contar uma. Só não sei se vai gostar

Ino a olhava sem emoção alguma. Era impressionante como não conseguia sentir nada pela mulher a sua frente. Nem o ódio que tanto sentia existia mais. Era como se Yana nem existisse pra ela. Havia decidido sair daquela casa e ir até Gaara. Sabia que era só questão de tempo até o Sabaku chegar ali com toda a sua fúria. Tenten com certeza teria dito que ela fora pra casa.

— Não quero ouvir nada que venha de você — Disse Ino calmamente.

— Mas você vai ouvir, sua infeliz. Você estragou minha vida e vai ouvir. Sabe, aquele paspalho do Inoichi era muito idiota mesmo. Foi tão fácil seduzi-lo e ter toda essa mordomia pra mim— Disse Yana sorrindo falsamente. – Foi mais fácil ainda ele me pedir em casamento. E eu aceitei. Lógico. Não que eu quisesse ter toda essa besteira de família. Credo. Que coisa brega— Disse Yana rolando os olhos – Mas toda a fortuna do seu pai era...tentadora.

Ino a olhava incrédula. Sempre achou que o problema da sua mãe era apenas com ela, porém pensou que ela de fato chegara a amar seu pai. Estava enganada. Porém era Yana. Com o tempo aprendera a ver o quão dissimulada era a mulher a sua frente e por alguma razão, não ficou tão surpresa.

— Sabe, eu podia conviver minha vida toda com o Inoichi sabe? Mesmo ele sendo chato e meloso demais. Mas todo aquele dinheiro... então porque não viver tudo aquilo? Sabe Ino, estávamos num casamento dos sonhos, tudo perfeito. Ai o maldito do seu pai teve a idéia fixa de ser pai. Sabe o quanto isso me abalou? Como assim ele queria filhos? Mas ele realmente queria muito um filho e eu não ia deixar que ele encontrasse uma puta para lhe dar um...

— Claro, ele já tinha uma em casa— Disse Ino cortando Yana.

— Eu poderia até ser uma puta, mas era uma puta milionária. Então engravidei de você. Você Ino, unicamente você é a culpada de tudo isso. Eu tinha um corpo perfeito, e você me tirou isso. Eu tinha minha vida, e você me tirou isso. Eu tinha tudo nos trilhos e VOCÊ ME TIROU ISSO— Disse Yana visivelmente alterada.

Ino não moveu um músculo. Permaneceu onde estava, olhando a mulher a sua frente sem demonstrar absolutamente nada. Ino caminhou até Yana, com os braços cruzados, aproximou-se bem do ouvido da mãe e disse num tom baixo.

— Você não tem idéia do inferno em que vivo. Não é descobrindo mais uma falha no seu caráter que vou me surpreender. – Ino afastou-se da mãe e seguiu para o banheiro de novo, estava enjoada. Aquele perfume extremamente doce de Yana impregnara todo o quarto – Nenhuma verdade sua pode me machucar mais— Dito isto, a loira saiu do quarto, descendo as escadas o mais rápido que pôde. Não iria ficar ali nem mais um minuto. Tinha um lugar seguro pra ir, não fugiria mais. Enquanto andava pelas ruas, Ino segurava foto a correntinha de ouro branco que Inoichi havia lhe dado no seu primeiro aniversário. Já tinha tudo o que precisava. Não voltaria mais naquela casa.