Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
15 Keep Holding On
Notas iniciais
"Quando fizer frio
E parecer ser o fim
E não tiver para onde ir
Você sabe que não desistirei"— Keep Holding On — Avril Lavigne
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Marcas, cicatrizes são sinais que a pessoa leva provavelmente para uma vida toda. As marcas na pele, causadas por feridas físicas incomodam, mas com o tempo, torna-se quase que invisíveis. Mas as cicatrizes da alma, estas, não somem nunca.
Gaara ainda guardava essas marcas em si. Não é que não quisesse esquecê-las ou como se gostasse de torturar-se com as lembranças de seu passado mórbido com seu pai. Ele simplesmente não conseguia esquecer. Quando pensava que tudo estava submerso, logo as malditas lembranças voltavam à tona.
— Como assim Temari? Isso é algum tipo de piada? Por que se for, não teve a menor graça— Disse Gaara extremamente sério.
— Não Gaara, o Kankuro me ligou hoje cedo.— Disse Temari com um tanto de receio na voz.
— E por que permitiu isso? Essa casa é sua, faz alguma coisa— Disse Gaara já se alterando.
Ino olhava de Temari para Gaara sem entender absolutamente nada. Por que a vinda do chefe da família Sabaku era algo tão incomodo?
— O que queria que eu fizesse Gaara? Kankuro disse que vem pra cá, tem tanto tempo que ele não vem. Você sabe como o papai é, provavelmente só liberou ele da empresa pra vir junto— Disse Temari
— Que grande merda – Disse Gaara num sussurro exasperado, soltando a cintura de Ino e subindo para o quarto.
— Gaara, vem comer, o café já esta posto— Disse Temari, observando o irmão subir as escadas.
— Não to com fome— Disse Gaara de imediato, entrando no quarto e batendo a porta com violência.
Ino permaneceu parada, olhando Temari interrogativamente. A loira Sabaku nada disse, apenas deu um sorriso amarelo para a cunhada, que preferiu não questionar nada, afinal, era um assunto de família.
— Eu...eu vou lá chamar ele pra gente ir encontrar o pessoal— Disse Ino sorrindo gentilmente para Temari e subindo as escadas em direção ao quarto do namorado.
Ino abriu a porta do quarto de Gaara e o encontrou sentado na cama, com a cabeça abaixada e as mãos cruzadas na nuca. Silenciosamente, ela sentou-se atrás do namorado e o abraçou por trás, acariciando a barriga dele levemente, enquanto apoiava o rosto nas costas de Gaara.
— Quer conversar?— Indagou Ino com um leve tom preocupado na voz.
Gaara fechou os punhos. Sentiu que seu corpo tremia em fúria. Diferentemente de Matsuri, pela qual Gaara sentia medo e culpa, o sentimento por seu pai era de raiva extrema. Jamais pensou que teria que encarar seu pai novamente, principalmente sob o mesmo teto. Pensar no seu pai automaticamente o fazia lembrar-se de sua mãe e como todo esse ciclo de ódio fora criado.
Algo o trouxe a si novamente. Era voz de Ino e as leves caricias que ela agora fazia em seu cabelo. Ela era sua razão. Sua força. Por ela ele tinha que estar sempre bem. Num movimento rápido, Gaara virou-se para Ino e a empurrou na cama bruscamente, fazendo a loira deitar-se. Ele deitou-se por cima dela, apertando sua cintura, porém sem machucá-la. Gaara a olhava nos olhos e Ino podia ver uma súplica neles.
— Promete...promete que vai ficar aqui? Eu não vou conseguir encará-lo com lucidez sozinho— Disse Gaara ainda encarando o rosto da namorada.
— Ei, calma. Eu vou estar, fica tranquilo— Disse Ino num sussurro, acariciando o rosto de Gaara com carinho. Ino não sabia o que havia acontecido naquela família, mas pela reação do namorado, algo bom não era.
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Todos estavam tensos na escola, a semana de provas havia sido espetacular como sempre. Saint-Pierre era conhecida por suas rígidas formas de avaliação. De fato, só os mais esforçados obtinham boas notas. O grupo estava em seu lugar de sempre, com caras nada felizes, exceto Hinata e Neji. A genialidade Hyuuga era algo latente no grupo.
—Não sei porque estão com essas caras— Disse Naruto emburrado, com um bico que fez Hinata rir.
— Eu te ajudei a estudar Naruto-kun, vai se sair bem, fica tranquilo— Disse Hinata gentilmente.
— Eu to é com fome, isso sim— Disse Naruto deitando a cabeça no colo de Hinata.
— Novidade, Dobe— Disse Sasuke, rolando os olhos.
— Ei Gaara, cadê a Ino? – Perguntou Tenten, que trançava os longos cabelos de Neji, mesmo sob os protestos do namorado.
— Foi ao banheiro, daqui a pouco ela vem— Disse o ruivo, que permanecia de pé, escorado numa árvore.
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Ino andava despreocupadamente pelos corredores da escola. Precisara ir urgentemente ao banheiro trocar o absorvente ou ocorreria uma catástrofe em sua saia. Pensara em Gaara. O ruivo insistiu em espera-la do lado de fora, mas Ino não quis. Era incrível como ele se preocupava com ela mesmo quando ele não estava bem. Ino sentia-se plena. Tinha os melhores amigos que poderia pedir e alguém que realmente se importava com ela. Riu sem humor ao lembrar-se da heroína. Sentia seu corpo, às vezes, implorar pela droga, principalmente quando lembrava-se de casa, mas ela não ia ceder. Havia prometido a Gaara que não usaria mais e assim seguiria. A loira estava tão imersa em seus pensamentos que não viu quando seu corpo chocou-se bruscamente ao de alguém, derrubando-a no chão.
— Desculpa, eu estava distraída e ...— Ino parou imediatamente de falar ao ver quem era. Impossivel. O que ele estava fazendo ali novamente? Não estava preso? — Sai?— Disse Ino. Sua voz saira vacilante.
— Bom dia, Ino. Sentiu minha falta?— Disse Sai com um sorriso que, desta vez, aos olhos de Ino, não era falso e sim sádico.
Ino levantou-se rapidamente e tentou parecer tranqüila. Tinha notado o quão perigoso Sai poderia ser e o pior, nada sabia sobre ele, além do envolvimento com o tráfico.
— Não sabia que tinha saído da prisão— Disse Ino num tom imparcial. A verdade é que estava nervosa a presença de Sai. Um sentimento ruim e amargo apoderou-se da loira, que nem mesmo entendia o porque.
— Você não deveria saber nem que estive preso – Disse o rapaz, arqueando a sobrancelha.
— Comentaram nos corredores... – Disse a loira displicente.
— Não fiquei muito tempo por lá. Sabe, eu sou influente, se é que me entende— Sai avistou Gaara no final do corredor atrás de Ino e logo se despediu da loira – Foi bom te encontrar loira, nos vemos em breve— Dito isto, Sai inclinou-se e mencionou beijar Ino na bochecha, porém a loira se afastou bruscamente.
Sai então saiu rindo macabramente, para o outro lado do corredor. Esse meio tempo foi o suficiente para que Gaara chegasse até Ino, com uma cara nada amigável.
— O que ele queria com você?— Disse Gaara seriamente.
— Nada. Eu tava indo encontrar você e me esbarrei nele— Disse Ino fitando o corredor por onde Sai tinha ido.
— E por que deu atenção pra ele?— Disse Gaara num ciúme latente.
— Eu acabei de dizer que me esbarrei com ele. Não sabia que ele estava de volta— Disse Ino voltando a sua calma natural.
— Ele me parecia muito à vontade contigo, Ino— Disse Gaara sem desviar os olhos da namorada. Ino o fitou sem entender.
— Não estou entendendo, Gaara. Por que ta tão bravo comigo?— Disse Ino cruzando os braços.
— Nada. Só estava preocupado com sua demora, chego aqui e te encontro aos papos com aquele anêmico. Ele estava querendo relembrar o encontro no bar?— Disse Gaara impassível.
— O que? Está insinuando o que Gaara?— Disse Ino, já irritada com a crise do namorado.
— Ele só não a beijou porque me viu...- Disse Gaara, numa irritação também aparente.
— Ele não me beijou porque eu me afastei. Qual o seu problema, hein? Quer saber, eu não preciso disso, não hoje. Fica ai com suas conclusões estúpidas.— Dito isto, Ino virou-se e saiu andando rápido rumo aos portões do colégio, deixando um Gaara visivelmente abatido.
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O clima entre o casal durante a semana foi fúnebre. Gaara estava irritado demais com a vinda do pai, que seria naquele dia e Ino não dava o braço a torcer, afinal, não tinha feito nada e daria uma lição em Gaara com relação a isso. Sentia-se ofendida com as insinuações do namorado. Optou por voltar pra casa naquela semana, afinal, não poderia ficar na mesma casa que ele no clima que estavam. Estranhamente Kabuto não estava lá naqueles dias e sua mãe estava pior do que nunca. Passara a beber e gastar o seu dinheiro em coisas inúteis. Sim, o dinheiro era seu. Isso Ino sabia. Enquanto não completasse dezoito anos, sua mãe era quem administrava sua herança, pessimamente, por sinal.
Sentou-se na cama e suspirou profundamente. Sentia seus músculos reclamarem. Havia limpando com esmero todo o seu quarto. Já que ficaria ali, pelo menos deixaria o ambiente limpo. Sem Kabuto na casa e sua mãe bêbada no quarto, poderia desfrutar do silêncio e refugiar-se por um momento. Eram seis da tarde. Precisava se arrumar para o jantar na casa dos Sabaku. Havia dito a Temari que iria. Seria uma tremenda falta de educação não ir só porque ela e Gaara haviam brigados e apesar de tudo, ela havia feito uma promessa ao ruivo de que não o deixaria sozinho. E não deixaria mesmo.
Levantou-se arrastadamente e foi para o banheiro, onde tomou um longo e relaxante banho quente. Saiu do banho e se dirigiu ao quarto, onde retirou do guarda-roupa o vestido que havia comprado quando fizera compra com as garotas. Comprara aquele por insistência de Sakura e agora agradecia mentalmente por ter escutado a amiga. Realmente, para uma ocasião com aquela, aquele vestido seria adequado. Pelo que Temari havia lhe dito, o pai dela era um homem extremamente convencional e conservador. Vestiu, colocou as sandálias de salto médio, bem como uma maquiagem leve. Apesar das olheiras, não estava com tanto disposição a maquiagem pesada que sempre usava.
Olhou o relógio. Estava atrasadíssima.
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A mansão Nara Sabaku estava em festa naquela noite. Era sempre assim quando Kankuro visitava os irmãos. Uma alegria sem igual. O mais velho dos irmãos Sabaku era muito querido e amado por todos. Principalmente por Gaara. Mesmo tendo agora pouco contato com o irmão, Gaara o admirava. Não concordara de inicio com a iniciativa do irmão de trabalhar ao lado do pai, mas com o tempo percebera que aquele era o objetivo de vida de Kankuro e resolvera aceitar.
Temari, Kankuro e Shikamaru, conversavam na sala de visitas da mansão. O clima estava agradável. Todos riam e contavam como estava a vida de cada um.
— Tema, cadê o Gaara?— Disse Kankuro, abraçado a irmã no sofá.
— Tá lá no quarto dele— Disse Temari, sorrindo amarelo.
— Vou lá falar com ele, antes que o senhor Hozuki chegue e o clima bom vá para o espaço— Disse Kankuro num meio sorriso.
— Conversa com ele, Kankuro. Manda ele ignorar... o papai sempre vai ser desagradável com ele— Disse Temari tristemente.
Kankuro apenas acenou com a cabeça e subiu até o quarto do irmão. Batendo na porta, ouviu um entre e assim adentrou o quarto do irmão. O encontrou em pé, de frente a um espelho, apenas de calça.
— O que é isso, Gaara ? Ta tomando fermento?— Disse Kankuro bem humorado.
Gaara não escondeu o sorriso de canto. Estava feliz por vê-lo, tinha muito tempo que não via o irmão e aceitou o abraço que este oferecia de bom grado. Porém Kankuro notou o semblante apático do irmão.
— O que foi, o papai nem chegou ainda e você já está nesse clima?— Disse Kankuro numa tentativa de brincar com o irmão.
— Eu e minha namorada discutimos e eu acho que fui idiota— Disse Gaara afastando do irmão e tentando arrumar os cabelos na frente do espelho.
— Eu sempre te dei conselhos sobre as garotas...— Disse Kankuro, sacudindo a cabeça negativamente
— Que eram péssimos, por sinal...— Disse Gaara permitindo-se rir da careta do irmão.
— Que moleque mal agradecido— Disse Kankuro numa falsa indignação – Mas sério, me conta, o que houve?
— Fui injusto com ela. Não consegui me controlar e fui injusto— Disse Gaara sentando-se de frente ao irmão.
— Ciúmes?— Disse Kankuro, como se fosse obvio.
— Exatamente. Agora não sei como pedir desculpas...— Disse Gaara, coçando a barba que começara a nascer.
— Não precisa saber como, apenas peça. Ela vai saber que é sincero e ...— Kankuro fora interrompido pelo barulho da campainha. – O papai chegou. Gaara... Apenas ignore-o, certo? Ele é só um velho que não quer mudança alguma na vida. Você é mais sensato que ele. Então ignore.
Gaara nada disse, apenas retomou a seriedade de pedra que sempre tinha, principalmente na presença do pai, vestiu a camisa e desceu as escadas junto com o irmão.
O jantar não poderia estar mais desagradável. Todos sentiam a tensão que emanava naquela mesa. Por hora ou outra, Hozuki desferia alfinetadas a Gaara, que em momento algum havia sequer cumprimentado o pai. Não tinha estomago para tal feito. Temari sorria forçadamente, na tentativa de amenizar a situação. Shikamaru era apenas educado, afinal, não se dava bem com o sogro e era algo recíproco.
— Então meu filho, soube que está namorando. Não convidou sua namorada para me conhecer por quê? Sou um pai tão ruim assim?— Disse Hozuki cinicamente.
— Ela não pôde vir— Gaara limitou-se a dizer.
— Que desculpa mais esfarrapada. Provavelmente ela deve ter tido algo de útil para fazer do que desfrutar da sua companhia durante o restante da noite. Ou alguém— Disse Hozuki claramente provocando o filho. O problema, é que Gaara sempre aceitava as provocações.
— Não a conhece, então sugiro que cale a boca— Disse Gaara, largando os talheres e encarando o pai.
— Não me mande calar a boca seu fedelho. Eu não sou a ingênua da sua mãe. – Disse Hozuki tocando num ponto crucial. Sua falecida esposa.
— Não ouse falar nela dessa maneira. Não de novo— Gaara levantou-se exasperado e seguiu para fora da mansão, pois se permanecesse iria arrancar a cabeça do pai com as próprias mãos.
O silêncio na mesa pareceu eterno. Ninguém ousava dizer absolutamente nada. Estavam de certa forma aliviados. Na ultima discussão entre Gaara e Hozuki os dois quase se agrediram fisicamente. Todos foram tirados de seus pensamentos com o barulho da campainha. Temari pediu licença e levantou-se, indo em direção à porta.
— Ino! Graças a Deus você veio— Disse Temari, abraçando a cunhada.
— Desculpa, cheguei bem tarde. Mas não consegui achar um taxi, tive que vir de metrô, ai já sabe como é a demora né— Ino percebera a aflição de Temari e nem precisava de muito esforço pra deduzir que era algo relacionado à Gaara – Cadê ele?
— Ta nos fundos, no jardim. O primeiro round já aconteceu.— Disse Temari, vendo Ino lhe sorrir docemente e seguir para lá.
Gaara estava sentado em um dos bancos de pedra no jardim dos fundos. Levava um cigarro à boca vagarosamente. Há tempos não fumava. Havia adquirido esse péssimo habito há um ano. Porém só recorria ao cigarro quando discutia com o pai. Era sempre assim. Ele sempre falava em sua mãe, isso o atingia e eles discutiam. Riu sem humor. Pelo menos dessa vez ele não jogara as inúmeras ofensas em sua cara.
Sentiu os olhos encherem-se de lágrimas. Não estava aguentando mais conte-las. Lembrou-se de sua mãe e na falta que ela lhe fazia. No quão amargo sua vida tinha se tornado sem ela. Pensou em Ino. Seria tudo tão mais fácil se ela estivesse ali. Sentia-se um completo inútil. Talvez tivesse perdido a única mulher que poderia amá-lo. Talvez seu pai tivesse razão. Era um inútil mesmo. Afastava as pessoas. Era sempre assim. Sentiu uma mão pequena e delicada em seus cabelos e fechou os olhos. Não era possível. Estava imaginando-a. Sua mente era mesmo perturbada, pensou.
— Não sabia que fumava— Disse Ino, surpresa.
— Você veio— Disse Gaara, num sussurro, ainda de olhos fechados.
— Eu disse que não ia te deixar sozinho— Disse Ino, engolindo a vontade de abraçá-lo ao vê-lo tão triste.
Gaara levantou-se e a abraçou forte, como se quisesse fazer parte do corpo da loira. Ino por sua vez permitiu-se abraçar. O ruivo colocou a testa junto à de Ino, ainda de olhos fechados, sussurrava.
— Me perdoa, me perdoa, me perdoa, me perdoa...— Dizia ele baixinho, numa suplica – Eu não posso perder você, me perdoa— Dizia Gaara, sua agonia era palpável.
— Por que agiu daquela forma?— Disse Ino acariciando o rosto dele, ainda com as testas unidas.
— Eu não sei. Fiquei com tanto ciúmes em ver o Sai tão perto de você. Tenho medo do dia em que você vai perceber que eu não te mereço. Que não sou o bastante pra você...— Disse ele num tom visivelmente triste.
— Ei, que conversa é essa? Olha pra mim— Disse Ino abrindo os olhos – Gaara, olha pra mim!— Disse a loira num comando. Gaara a olhou e pôde ver uma certeza imensa nos olhos dela. – Escuta, eu amo você. Eu estava vivendo num inferno. Um inferno eterno. Ainda estou nele, mas você me ajuda a suportá-lo. Me faz ter vontade de sair dele. Você ...você não me deixou continuar a me matar aos poucos injetando heroína... acha...acha que um homem assim não merece o meu amor?— Disse Ino já chorando. Odiava quando Gaara se diminuía – Eu não posso nem imaginar como eu estaria agora sem você. Tem os nossos amigos, sei que eles me ajudariam, mas não é como você. Então para de pensar esse tipo de coisa, para de se ferir dessa forma, ta?— Disse Ino, secando uma lágrima que caía dos olhos do namorado – Chorão— Disse ela sorrindo da cara constrangida de Gaara.
— Cala a boca, Yamanaka. É só um cisco— Disse ele rindo de canto e beijando a namorada – A propósito, está linda.
Gaara e Ino retornaram para a mansão de mãos dadas. Adentraram a cozinha, já que estavam nos jardins dos fundos e foram para a sala, onde as vozes eram ouvidas. Ao entrarem, Ino logo foi o centro das atenções. Kankuro levantou-se e beijou-lhe a mão.
— Sabaku no Kankuro, prazer— Disse Kankuro galante, porém não havia malicia alguma em sua voz ou olhar.
— Está tentando seduzir minha namorado, Kankuro?— Disse Gaara, arqueando suas albinas sobrancelhas.
— Teria alguma chance?— Disse Kankuro, olhando para Ino.
— Não mesmo, prefiro os ruivos— Disse Ino sorrindo. Kankuro logo abraçou-a acolhedoramente, cochichando no ouvido de Ino – Obrigada por fazer o meu irmão feliz— Ino retribuiu o agradecimento com um sorriso.
— Ei Kankuro, pare de dar em cima da minha garota— Disse Gaara num falso ciúmes.
As brincadeiras cessaram quando, imponentemente, Hozuki descia as escadas. Seus olhos se cruzaram aos de Gaara e logo o chefe Sabaku pôs seus olhos em Ino. Seguiu até a loira, que não deixou-se intimidar, olhando-o nos olhos. Ino já adquirira uma antipatia pelo sogro só pelo simples fato dele ter causado um mal estar em Gaara.
— Devo admitir, meu filho tem bom gosto. Pena que não posso te dizer o mesmo, minha jovem— Disse Hozuki empertigando-se.
— Gaara é um homem de caráter, isso é raro hoje em dia— Disse Ino fitando o sogro, irritadiça.
— Homem? Não, ele é só um menino que mal saiu das fraudas ainda. Veja só, pra falar a verdade estou surpreso que ele ainda esteja vivo depois da morte da mãe. Era tão dependente que pensei que não se sustentaria nas próprias pernas— Disse Hozuki acidamente, com aquele insuportável sorriso.
— Pai, já chega— Disse Kankuro visivelmente irritado com a insistência do pai em ferir Gaara.
— O que? Mas é verdade. Gaara era tão dependente da mãe que até sugou-lhe a vida e ...- Fora interrompido por um soco de Gaara, que avançara sobre Hozuki tão rápido que mal dera tempo dos outros o impedirem.
Hozuki porém não ficara para trás, levantara-se e desferira uma serie de socos no filho. Há anos que queria fazer isso. Gaara, porém, não conseguira defender. Havia socado o pai num ímpeto de fúria, mas seu pai era bem maior que ele. Ele e Kankuro tivera a enorme estrutura corporal do pai, porém nem se comparava.
— CALA ESSA SUA MALDITA BOCA. EU NÃO FIZ NADA A ELA. EU NÃO FIZ. EU A AMAVA SEU MALDITO, ENTÃO CALA A BOCA— Dizia Gaara em fúria, cuspindo o pouco de sangue que saía de sua boca. Shikamaru o havia segurado.
— VOCÊ FOI E SEMPRE SERÁ UM SUGADOR, SEU INUTIL. SUA MÃE NÃO TINHA UMA VIDA. VIVIA PRA CUIDAR DE VOCÊ, QUE ESGOTOU-SE NISSO.— Berrava Hozuki, enquanto Kankuro o tirara de cima de Gaara. – Cuidado menina, provavelmente ele vai fazer com que você se mate também, esse menino só causa desgraça – Dizia Hozuki olhando para Ino.
— Fora da minha casa Hozuki— Disse Shikamaru, numa calma aparente.
— Quem é você pra me dar ordens, seu merdinha?— Disse Hozuki com desdém
— Você pode mandar na sua casa, Hozuki. Temari pode não fazer isso por ser sua filha. Mas eu posso. Na minha casa mando eu, então saia daqui. Se não sair com o pouco de dignidade que te resta, peço pros seguranças o tirarem. – Disse Shikamaru firmemente, enfrentando o sogro. Não fizera isso antes por respeito a esposa e a sua família, mas aquilo já fora longe demais.
Hozuki soltou-se bruscamente de Kankuro e caminhou para a porta com um sorriso cínico nos lábios, abrindo a porta e saindo por ela. Shikamaru soltou Gaara, que nada disse, apenas subiu para o quarto. Ino desviou os olhos dos cunhados, como numa permissão e subiu atrás de Gaara.
Quando Ino chegou ao quarto, encontrou Gaara escorado no batente da janela. O rosto estava começando a inchar e os lábios estavam feridos. A loira tirou os sapatos e foi até o banheiro, onde pegou algodão e uma loção anti-inflamatória. Caminhou até Gaara e o pegou pela mão, ambos em silencio. O ruivo não protestou, apenas deixou-se guiar por Ino. Sentou na cama e observou a loira carinhosamente limpar seus ferimentos. Pacientemente.
Gaara então encostou o rosto na barriga de Ino e chorou. Como há anos não fazia. Chorou pela morte da mãe. Chorou por seu pai culpá-lo por isso, chorou por não ter conseguido ajudar Matsuri e chorou pela incerteza de saber se conseguiria cuidar de Ino.
Ino por sua vez nada disse, apenas o deixou chorar o quanto precisasse, fielmente acariciando seus cabelos. A loira sentia um nó formar-se em sua garganta. Eram como um só, sentiam as dores um do outro. Ainda acariciando os cabelos dele, ela precisava acalmá-lo. Sentia o corpo dele tremulo em seus braços. Havia composto uma música para ele, numa melodia simples. Era péssima com palavras de consolos, então as colocou em forma de música. Era o que sabia fazer afinal, sentindo-o mais calmo, Ino procurou o violão dele e o encontrou. Pegou o violão, sentou-se na cama, de frente pra Gaara, inclinou-se para frente e lhe deu um beijo suave. Após o beijo, a loira ajeitou o violão no colo.
— O que está fazendo?— Disse Gaara confuso, o choro já havia cessado.
— Eu te amo tanto...eu disse que ia estar com você...quero te mostrar isso do nosso jeito – Disse a loira, começando a tocar, sem desviar os olhos do ruivo
You're not alone
(Você não está sozinho)
Together we stand
(Juntos nós ficamos de pé)
I'll be by your side
(Estarei ao seu lado)
You know I'll take your hand
(Você sabe que segurarei sua mão)
When it gets cold
(Quando fizer frio)
And it feels like the end
(E parecer ser o fim)
There's no place to go
(E não tiver para onde ir)
You know I won't give in
(Você sabe que não desistirei)
No, I won't give in
(Não,eu não desistirei)
Keep holding on
(Continue aguentando)
Cause you know we'll make it through,
(Porque você sabe que conseguiremos,)
we'll make it through
(Conseguiremos)
Just stay strong
(Apenas seja forte)
cause you know I'm here for you,
(Pois você sabe que estou aqui por você,)
I'm here for you
(Estou aqui por você)
There's nothing you can say
(Não há nada que possa dizer)
Nothing you can do
(Nada que possa fazer)
There's no other way when it comes to the true
(Não há outro jeito em se tratando da verdade)
So keep holding on
(Então continue aguentando)
Cause you know we'll make it through,
(Porque você sabe que conseguiremos,)
we'll make it through
(Nós conseguiremos)
So far away
(Tão longe)
I wish you were here
(Eu gostaria que estivesse aqui)
Before it's too late
(Antes que seja tarde demais)
This could all disappear
(Isso tudo poderá desaparecer)
Before the doors close
(Antes que as portas se fechem)
And it comes to an end
(E chegue ao fim)
With you by my side
(Com você ao meu lado)
I will fight and defend
(Eu lutarei e defenderei)
I'll fight and defend
(Eu lutarei e defenderei)
Hear me when I say,
(Escute quando eu digo)
When I say I believe
(Quando digo que acredito)
Nothing's gonna change
(Nada irá mudar)
Nothing's gonna change,
(Nada irá mudar,)
Destiny
(O destino)
Whatever is meant to be
(O que quer que seja)
We'll work out perfectly
(Nós resolveremos perfeitamente)
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