Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
16 Dare You To Move
Notas iniciais
"Talvez a redenção tenha histórias pra contar
Talvez o perdão está onde você caiu
Pra onde você pode escapar de você mesmo?
Pra onde você vai?
Salvação está aqui" - Dare You To Move — Switchfoot
XxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxX
Sai não conseguia controlar o riso. Sempre que olhava para o rosto do pai e via o corte na boca, que ainda não havia cicatrizado deixado pelo soco dado por Gaara, o garoto ria. Kabuto tinha vontade de descontar todo o ódio que vinha sentindo naquela ultima semana em seu filho debochado, mas precisava dele. Não podia se dar ao luxo de se aproximar tanto da herdeira Yamanaka, mas Sai sim podia.
— Quando parar com seu ataque de loucura, conversamos— Disse Kabuto sério, olhando para o filho que agora parecia mais contido.
— Sério, você é muito frouxo— Disse Sai, agora sem ri. As rápidas mudanças de expressão do garoto era algo notável.
— Frouxo é o que você tem no meio das pernas, moleque. Agora me escuta. Você não tem noção de quanto dinheiro está em jogo aqui, seu doente. A merdinha da Yamanaka tem 95% da herança no nome dela. Ela não sabe, mas a mãe só pode administrar 5% da herança. Quando aquela idiota completar dezoito anos, vai tomar posso de tudo. E não queremos isso, certo? — Disse Kabuto analisando o filho.
— Claro, só não entendi o que o Sabaku tem a ver com isso— Disse Sai um tanto quanto displicente.
— Você tem a mente tão doente que chega a ser burro— Disse Kabuto massageando as têmporas – Quando a Ino completar dezoito anos, virá um oficial de justiça, passar oficialmente a fortuna que o babaca do Inoichi deixou pra ela. Porém, meu caro filho, tem uma pequena cláusula nessa herança, que foi determinada pela justiça, após aquele fatídico incidente que tivemos há dois anos— Disse Kabuto, mostrando as horrendas cicatrizes que ficaram em sua barriga e debochadamente mostrava uma expressão de inocência, fazendo Sai arquear uma sobrancelha.
— Fatídico... sei— Disse Sai, no momento mais interessado em desmontar sua pistola.
— Não me interrompa. Porém, se ela não tiver em perfeito juízo mental, ela não vai poder tomar posse da herança, que vai ser definitivamente passada para a mãe dela, portanto, para nós. Só que aquele inútil do Sabaku, assim como aqueles amiguinhos que a Ino fez no colégio, de alguma forma, a mantém em equilíbrio. E é ai que você entra. Você tem que afastá-la do Sabaku— Disse Kabuto.
— E como eu vou fazer isso?— Disse Sai, parando de mexer na arma.
— Dê um jeito, mas faça— Disse Kabuto friamente.
— Posso matá-lo?— Disse Sai naturalmente.
— Claro que não, seu imbecil— Disse Kabuto rangendo os dentes – Você volta pra escola e o Sabaku morre. Muito inteligente. Às vezes tenho minhas duvidas se é realmente meu filho.
— Posso...machucá-lo então?— Disse Sai com o sorriso mais sincero que ele tinha, o sádico.
— Isso sim você pode. Vingue a surra que ele me deu. E incite a Yamanaka a voltar a se injetar. Nenhum oficial de justiça vai conceder a fortuna do Inoichi a uma drogada. Não mesmo— Disse Kabuto num sorriso tenebroso.
XxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxX
“Gaara sentia aquele enorme peso na cabeça novamente. Aquela dor infernal parecia não deixá-lo nunca. Era aquele cheiro, ele tinha certeza. Aquele cheiro muito doce o havia perseguido o dia inteiro. Era o cheiro dela. Ela estava o seguindo novamente.
Gaara ouvia uma risada. Era a risada dela, agora ele tinha certeza. Para onde fugiria? Iria pra casa. Isso. Lá ela não podia entrar, afinal, o colégio era um espaço público, ele não podia impedir a entrada dela. Mas em sua casa sim. O ruivo entrou no carro e acelerou para casa. Estava a 180Km/h. Tinha que chegar logo ou ela o seguiria.
Quanto mais corria, mas o cheiro impregnava o veículo. Não. Não era possível. Ela não podia estar ali. Ele já estava longe do colégio.
— Ela não vai ficar com você. Em algum momento ela vai perceber que está com você é o mesmo que apodrecer aos poucos. – Disse Matsuri, sentada ao lado de Gaara no carro.
— Como entrou aqui ? – Disse Gaara sério, sem olhá-la.
— Não vê? Ela vai te fazer sofrer, como todas as outras – Disse Matsuri acariciando os cabelos do ruivo.
— Não encosta em mim – Disse o ruivo tentando afastar-se – Ela me ama – Disse ele num sussurro.
— Te ama? Não seja tolo Gaara, ninguém pode te amar. Só eu te amei e você jogou minha vida no lixo – Disse Matsuri, sentando-se no colo de Gaara.
— Matsuri, sai de cima de mim, eu estou dirigindo – Disse Gaara, tentando afastar a garota. – Você quem pôs fim a sua vida, não fui eu.
— FOI VOCÊ. A CULPA SEMPRE SERÁ SUA, SEU MONSTRINHO. MATOU A SUA MÃE E NÃO IMPEDIU MINHA MORTE – Dito isto, Matsuri sumiu do colo de Gaara e apareceu logo a frente do carro.
Gaara estava em alta velocidade e consequentemente não conseguiu parar, atingindo-a em cheio”
— Gaara! Gaara acorda!— Dizia Ino, sacudindo o namorado e tentando acordá-lo.
Gaara suava frio e sua respiração estava muito alterada, bem como seus batimentos cardíacos. Ino ficou desesperada. Não conseguia acordá-lo e ele parecia à beira de um colapso nervoso. A loira levantou-se da cama desesperada e saiu do quarto, batendo nervosamente na porta do quarto de Temari. A porta logo foi aberta por um Shikamaru sonolento, com Temari o acompanhando logo atrás.
— Ino o que foi q...- Temari fora interrompida, observando a aflição da cunhada.
— Tema, o Gaara ta estranho. Ele ta se debatendo muito na cama e ta respirando com dificuldade, eu não to conseguindo acordar ele— Disse Ino chorosa.
Rapidamente os três correram para o quarto de Gaara e o ruivo ainda estava imerso num sono conturbado, murmurando palavras desconexas e respirando mal, o que o deixara um pouco vermelho.
— Gaara! Gaara ! Acorda— Disse Temari, dando leves tapas no rosto do irmão.
— Delicada...— Disse Shikamaru bocejando.
— Ele ta tendo uma crise. Tem que acordar senão vai ter uma asfixia – Dizia Temari com desespero na voz.
Asfixia? Como assim asfixia? Ino não compreendia o que a cunhada queria dizer, mas agiu no automático. Seguiu correndo para o banheiro, onde pegou um pequeno pote, encheu com água e retornou para o quarto. Sem cerimônias, a loira Yamanaka despejou o conteúdo liquido no rosto de Gaara, que despertou tossindo e tentando respirar. Recobrando a consciência aos poucos, Gaara sentiu os olhos incomodados pela forte luz do quarto acesa, o que lhe deu clareza para ver os rostos preocupados de Temari e Shikamaru. Olhou para o canto e viu Ino com os olhos marejados e segurando um pequeno pote. Sentindo o ar lhe faltar, num misto de desespero e certa vergonha, o ruivo levantou-se da cama num salto e correu para o banheiro, batendo a porta com força.
Ino olhava para Temari e para a porta do banheiro fechada sem saber o que fazer. Temari levantou-se da cama mais aliviada. Ino então percebeu que realmente ficaria sem entender nada e que Gaara não saia do banheiro. Freneticamente, a loira começou a bater na porta do banheiro, esperando o namorado abrir.
— Gaara, abre a porta— Disse Ino um pouco baixo. Não obtendo resposta, a loira voltou a bater mais forte — Gaara, abre.
— Ele não vai abrir Ino. Pensei que já soubesse dos pesadelos — Disse Temari um pouco tristonha – Ele fica meio perturbado com isso, não me deixa vê-lo. Provavelmente não vai deixar você também
— Pesadelo? Que pesadelo?— Disse Ino sem entender.
— Com... a Matsuri— Disse Temari baixinho – Se quiser dormir no outro quarto eu posso...
— Como assim ele tem pesadelos desse jeito e fica sozinho? Eu vou ficar aqui. GAARA ABRE ESSA PORTA AGORA— Disse Ino esmurrando a porta.
— Vem problemática, deixa os dois— Disse Shikamaru, arrastando Temari para fora do quarto.
— GAARA SE EU MACHUCAR MINHA MÃO DE TANTO BATER NESSA PORTA EU TE ARREBENTO QUANDO SAIR DAÍ. ABRE ESSA PORTA — Disse Ino histericamente.
A porta fora aberta devagar e Ino entrou no banheiro como um furacão. A cena que viu a fez parar. O ruivo estava apoiado ao batente da pia, de olhos fechados e com uma bombinha pra asma na boca, sugando-a com certo desespero. Ainda estava com o rosto muito vermelho, porém parecia respirar melhor. Ino apenas ficou o olhando, estava aflita.
A loira aproximou-se do namorado e acariciou-lhe os cabelos com imenso carinho. Gaara suspirou pesadamente, retirando a bombinha dos lábios e a colocando sobre a pia. Em silêncio, Ino retirou a camisa que o ruivo vestia, que por sinal estava molhada de suor.
— Não precisa fazer isso...— Disse Gaara num sussurro e devagar.
Ino nada disse, apenas o olhava nos olhos, ainda o despindo. Gaara não se opôs. A loira o pegou pela mão e o levou até o box, abrindo o chuveiro e guiando para que Gaara entrasse debaixo dele.
— Não queria que visse isso... vai me achar meio...doido— Disse o ruivo a olhando e procurando a melhor palavra.
— Shhhhi... não fala agora — Disse Ino o beijando apaixonadamente, não se importando com a água que molhava sua roupa.
Gaara a abraçou forte e retribuiu ao beijo, entrelaçando a sua língua a de Ino num misto de desejo e alivio. Gaara a despiu calmamente e no banho amaram-se com calma, com o mais pleno amor e carinho.Após o banho, Ino aconchegou-se na cama, com Gaara lhe abraçando a cintura, enquanto a loira acariciava seus cabelos molhado. Ela não queria pressioná-lo, mas precisava ajudá-lo e para isso, precisava saber o que estava acontecendo.
— Não sabia que tinha pesadelos com a Matsuri— Disse Ino tentando parecer calma.
— ...
— Gaara, eu sei que você ta acordado— Disse Ino .
—...
— Ok, se você prefere assim— Disse Ino impaciente, levantando-se da cama, mas Gaara a segurara pelo braço.
— Desculpa, mas não preciso te contar isso pra ter pena de mim, Ino. – Disse Gaara sério.
— Pena? Acha mesmo que vou sentir pena? Gaara, sinceramente eu não sei porque se comporta assim. Você conhece tudo o que me aflige, me fez te contar todas as minhas dores e me ajudou com isso...mas não me deixa fazer o mesmo por você. Não confia em mim o bastante?— Disse Ino soltando os braços das mãos de Gaara e caminhando em direção a porta – Claro, por que confiaria em alguém com a mente tão perturbada quanto a minha né? - Dito isto, a loira abriu a porta e saiu do quarto.
Ino precisava ser enérgica naquele momento. Temari havia lhe dito o quanto Gaara recusava ajuda com relação aos acontecimentos com Matsuri, mas ela iria ajuda-lo, ele querendo ou não. Gaara caminhou apressadamente por toda a casa. Será que ela tinha saído àquela hora da noite? Do jeito que Ino era impulsiva, ele não duvidava. Abrindo a porta dos fundos, Gaara caminhou até os jardins e lá a encontrou sentada a beira da piscina. Linda. Os longos cabelos loiros dançando com o vento forte. Gaara aproximou-se e sentou-se atrás dela, abraçando-a.
— Vai ficar resfriada se ficar aqui nesse frio— Disse o ruivo, apoiando o queixo no ombro de Ino.
— Vou sobreviver – Disse Ino secamente.
— Sempre... quer dizer, tenho esses pesadelos todos os dias, desde que a Matsuri morreu— Disse Gaara fracamente.
— São tão ruins assim? – Disse Ino franzindo o cenho. Ela virou-se para o namorado, ficando de frente para ele, o encarando.
— Muito... são sonhos muito reais. E ela sempre acaba morrendo e eu nunca posso salvá-la. Eu...eu não pude salvá-la Ino. Eu não fiz nada... – Disse Gaara, seus olhos estavam marejados, porém ele não chorou, apenas fitava um ponto qualquer na piscina.
— Meu amor, você não poderia ter feito nada...precisa parar de se culpar e,..— Ino fora interrompida por Gaara.
— Eu poderia tê-la impedido de soltar a corda...— Disse Gaara, agora sim uma lágrima solitária caía em seu límpido rosto.
— Como assim?— Disse Ino um tanto confusa.
— Naquela dia... quando cheguei a garagem, ela ainda não havia se matado. – Gaara dera uma longa pausa – Quando cheguei à garagem, ela estava lá, pendurada, mas ainda segurava a corda que sustentava o seu corpo. Ela me olhou, disse que me amava e que eu poderia mudar o seu fim... mas eu não consegui fazer nada. Simplesmente entrei em choque e não fiz absolutamente nada... então ela soltou a corda e eu a vi morrer diante dos meus olhos...e não fiz nada. Eu não fiz...— Disse o ruivo, novamente com o olhar distante e cheios de dor. – Talvez o meu pai tenha razão, estar comigo não é bem uma escolha inteligente.
Ino estava estática. Não conseguia pronunciar uma palavra sequer. Realmente, a vida do ruivo tinha profundas marcas que ela jamais imaginaria.
— Você era só um menino Gaara, o que poderia fazer? Escuta, eu não vou deixar ela te atormentar ainda mais, entendeu?— Ino disse as palavras olhando nos olhos do namorado – Gaara eu disse que estaria com você e vou estar. Ela não vai te causar mais nenhum mal, não vai. É triste a Matsuri ter ido por um caminho sem volta...mas eu não deixarei por entrar nele também.— Disse a loira decidida.
Mal sabia Ino que não teria o equilíbrio necessário para livrar Gaara das marcas de seu passado.
Fale com o autor