Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
17 World So Cold
Notas iniciais
"Sussurrar mentiras, me lembram os dias
Que fui abandonado, em um mundo tão frio
Culpando as mesmas coisas
Só porque
Fui abandonado, em um mundo tão frio" — World So Cold – Mudvayne
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Desde o acontecimento na noite da visita do pai de Gaara, Ino ficara intrigada. Primeiro, com as acusações do pai do ruivo, ela até aquele momento não sabia sobre o que o sogro falara e não queria perguntar a Gaara para não deixá-lo triste. Intrigara-lhe também o ataque de asma que o ruivo havia tido. Ela o vira fumando naquela mesma noite. Ele nunca tivera crise alguma. Na verdade ela nem sabia disso.
Ino divagava sobre estes assuntos enquanto ajudava Temari a limpar a cozinha. A loira Sabaku lavava a louça enquanto Ino enxugava. Temari havia percebido o quão quieta e distante a cunhada estava e não hesitou em perguntar.
— Que foi Ino? Você ta longe...— Disse Temari cutucando a cunhada.
— Sabe Tema...tudo aquilo que o seu pai falou pro Gaara, ficou martelando em minha cabeça. Deve ter sido algo muito sério pra ele ter ficado daquele jeito— Disse Ino receosa. Não queria parecer invasiva.
— Ficou preocupada e pelo que conheço do meu irmão, ele também não deve ter te dito nada né? – Disse Temari com um pequeno sorriso triste para a cunhada.
Ino apenas acenou positivamente com a cabeça. Temari largou a louça e sentou-se numa cadeira. Ino manteve-se de pé, de frente para a cunhada, olhando-a.
— Sabe Ino, a relação do Gaara com o papai nunca foi boa. Ele nunca gostou do Gaara e sempre deixou isso bem claro, desde que ele era criança. Não que tenha sido uma mera implicância. Ele teve suas razões. Claro que não justifica o modo como ele sempre tratou o Gaara, mas pra ele era uma razão. Ele amava minha mãe. Nossa, ele a amou sem medidas. Tudo o que ele construiu hoje, construiu com ela. Eles batalharam juntos pra levantar o império Sabaku e a mamãe era muito sagaz, como ele dizia. Tinha um dom natural para os negócios— Disse Temari sorrindo – Eles amavam o que faziam e sempre foi assim. Depois que eles estavam muito bem estruturados, a mamãe quis ter filhos, claro. Porém a gravidez minha e de Kankuro não foi tranqüila. Não foi tão conturbada, mas o médico disse que, depois de mim, a mamãe não deveria ter mais filhos, pois o organismo dela estava reagindo agressivamente aos bebês, era como se tivesse matando-a.
Temari deu uma pausa. Lembrar de tudo aquilo era demais, mesmo depois de tanto tempo.
— Quando a mamãe estava com 40 anos, ela engravidou do Gaara. Meu pai ficou irado. Claro, ele sabia que não era culpa dela. Eles haviam tomado todo o cuidado do mundo. Meu pai até ia fazer uma vasectomia para proteger a mamãe, mas ela não deixou. A gravidez do Gaara foi a mais agressiva ao organismo da minha mãe. Ela ficou ficou muito magra e teve que ficar de repouso absoluto. Mas ela já o amava muito. Dizia que era o filho de sua velhice— Temari agora tinha um sorriso bobo nos lábios – O Gaara era lindo, bem branquinho e ruivo, cheinho de sardas. Ele nasceu com seis meses e com vários problemas de saúde, mas o mais grave eram os problemas respiratórios. Quando o Gaara nasceu, mamãe quase morreu no parto, mas graças aos céus deu tudo certo. Então ela resolveu deixar a empresa, para se dedicar ao Gaara, já que ele nasceu com a saúde fraca. Aquilo matou meu pai aos poucos. Eles tinham muitos projetos ainda e a mamãe simplesmente deixou tudo pra trás. O Gaara cresceu sendo muito amado pela mamãe, porém com o desprezo do meu pai. Lembro-me das vezes em que, mesmo quando Gaara era criança, o papai cuspia que ele quase matara a mamãe.— Temari parecia distante ao falar de tudo. Seus olhos estavam marejados.
Ino fechou o punho automaticamente. Sentia um aperto enorme no peito. Como alguém pudera sofrer tanto? Gaara era calado demais e trazia marcas eternas em sua alma. Ino manteve-se em silêncio, olhando séria para Temari, que percebeu a tensão da amiga.
— O Gaara tinha crises constantes de asmas, mas a mamãe sempre estava lá com ele. Cuidando, com a bombinha sempre a mão. Gaara se apegou muito a ela. A amava tanto. Quando o Gaara estava com sete anos, a mamãe começou a adoecer de novo. A principio pensamos que novamente fosse uma gravidez, mas não era. O médico da família disse que era vestígios da ultima gravidez. O corpo dela não havia se recuperado por completo. O papai surtou. Disse que o Gaara estava sugando a mamãe aos poucos, que ela de tanto cuidar dele, estava morrendo— Temari falara a ultima frase baixo, num sussurro, enxugando algumas lágrimas que começaram a cair — Um dia...um dia eu ouvi o Gaara tossindo muito e respirando com dificuldade. O som vinha do quarto dele. Entrei lá, mas não o encontrei. Comecei a ficar desesperada. Até que ouvi outro suspiro sufocado do meu irmão e o barulho vinha de dentro do guarda-roupa dele. Quando abri, ele estava lá, encolhido, chorando sufocado, sem consegui respirar direito. Eu o peguei no colo e corri pro banheiro. Coloquei a bombinha na boca dele e ele sugou com ânsia. Depois ele me olhou, chorando desesperado, pedindo pra eu ir embora do quarto, que ele não queria me matar também. Daí ele me contou que havia se escondido quando a crise começara porque ele não queria que a mamãe ficasse tanto tempo com ele, já que aquilo estava a matando.— Temari fizera uma pausa, engolindo e tentando parar de chorar – Alguns meses depois a mamãe morreu. Gaara, apesar da pouca idade, entendia perfeitamente o que era a morte e ficou completamente inerte a tudo. Fechou-se para todos. Incrivelmente as crises de asma foram cessando. Os médicos disseram que era normal, que a medida que ele fosse crescendo e pelos cuidados que teve, o organismo ficaria mais forte, mas que não era uma cura, claro. Ele nunca mais tinha tido uma crise, até essa ultima visita do papai.
Ino estava estática. Secara os olhos com a ponta dos dedos. Impressionante como tudo o que pudesse machucá-lo a machucava também. E ele naquela época era só uma criança.
— Desculpa Tema, mas seu pai é um cretino— Ino dizia com certo ódio na voz.
— Sim, ele é. E o pior é que ele não mudou nada. Por isso eu tirei o Gaara daquela casa quando me casei com o Shika. Eu não podia deixá-lo sozinho com o meu pai. Acho que ele faria uma loucura, acabariam se matando— Disse Temari num riso sem humor.
— Eu vou cuidar dele Tema. Ele disse que cuidaria de mim, vou fazer o mesmo por ele – Disse Ino sorrindo para a cunhada— E também eu...— Ino parara de falar ao olhar para a porta da cozinha — Gaara...
O ruivo estava parado a porta da cozinha, escorando na mesma, olhando de Ino para a irmã. O ruivo ouvira o final da conversa das duas e sabia sobre o que conversavam.
— Vamos nos atrasar pra aula— Disse ele olhando para Temari com um olhar de “Depois vamos ter uma conversa”
Ino apenas aproximou-se de Temari e a abraçou forte, antes de acompanhar o ruivo.
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— Que demora. Pensei que iam faltar — Dizia Naruto dando um leve tapa na cabeça de Gaara, que retribuiu apenas com um olhar.
— É, fiquei conversando com a Tema e acabei esquecendo a hora— Disse Ino, sorrindo amarelo.
Todos entraram no colégio e as aulas transcorreram na mais perfeita calma. Na hora do intervalo, Ino fora até a biblioteca devolver um livro enquanto Gaara pegava algo para ambos comerem. Ino estava caminhando distraída, com os fones de ouvido na maior altura, até que sentiu seu corpo ser puxado para dentro da sala de música.
— Mais que merd... SAI. QUAL O SEU PROBLEMA? — Disse a loira exaltada. Sai nada disse, apenas a olhava com um sorrisinho nos lábios — O que você quer?
— Você!— Disse Sai. Seu sorriso não era falso. Era doentio, o que fez um arrepio correr pela espinha da loira.
— Sai, me deixa sair daqui. – Disse Ino ríspida.
— Por que é sempre tão hostil comigo?— Disse Sai cinicamente.
— Você tentou me agarrar à força Sai. Isso pra mim é motivo mais que suficiente. Agora me da licença— Disse Ino tentando passar, porém Sai se colocava a sua frente, bloqueando a passagem.
—Quero que termine com o Sabaku— Disse Sai, agora numa seriedade assustadora, que fez Ino recuar um passo.
—Você é maluco— Disse Ino numa risada debochada.
— Sou e estou falando sério. Quero que termine com o Sabaku e seja minha.
— Tenho duas palavras pra você: ME ESQUECE— Disse Ino o empurrando e abrindo a porta, para logo sair da sala.
Sai fechou os olhos e cerrou os punhos, se controlando, para logo rir cinicamente. Talvez ele devesse ser mais convincente na próxima vez.
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Todos haviam combinado de ir ao cinema após saírem do colégio, visto que não saiam juntos há um tempo. Ficaram zanzando pelo shopping, almoçaram e pegaram uma sessão ás seis da tarde. Quando saíram do cinema, já havia anoitecido. Estavam um ao lado do outro, aos pares, em casal. Estavam felizes, rindo a toa. O fato é, quando estavam juntos, qualquer mera coisa que fizessem, era divertido e sempre acabava em gargalhadas. Faziam piadas sobre como Naruto quase fora expulso da sala por conversar demais.
Estavam tão distraídos que não viram um carro estacionado do outro lado da rua, com vidros escuros e com alguém em seu interior que esperava justamente a saída do grupo de amigos. O fato que se sucedeu fora extremamente rápido e difícil de assimilar. Eles ouviram um barulho de tiro. Ouviram um disparo. Os garotos saíram correndo em direções opostas. Puxando suas namoradas e abaixando-se.
Gaara correra puxando Ino pela mão e jogara-se no chão com a mesma, atrás de uma van que estava estacionada.
– Ino, fica abaixada— Dizia o ruivo, também abaixado por cima de Ino, numa tentativa de protegê-la.
Ino estava deitada sob Gaara, com os olhos arregalados de medo. Tiros? Era algum assalto na porta do shopping? A loira ouviu um urro de dor. Era Gaara. O ruivo sentou-se no chão e apoiou as costas na van. Tinha algo errado. Ele estava sentindo um dor estranha no ombro. Ino o viu tirar o casaco e reprimiu um grito ao ver a camisa branca do uniforme da escola toda suja de sangue. Era muito sangue. Por que ele tava sangrando tanto? A loira desesperou-se ficou de frente para o namorado em pânico, sem saber como agir.
— Merda...— Disse Gaara, tocando o ferimento, sujando aos mãos com seu sangue e constatando o obvio: havia sido atingido em cheio.
O ferimento do ruivo sangrava muito e ele estava suando frio e estava mais pálido que o costume. Ino sentiu as lagrimas escorrendo por seu rosto de imediato.
— Ai meu Deus. Gaara... você ta sangrando muito. Ai meu Deus — Ela falava muito rápido e gesticulava muito.
— Ino, ino, ino...calma. Ei. Olha pra mim— Disse o ruivo mais baixo. Realmente estava perdendo muito sangue e aquilo estava deixando-o fraco. Fora a dor insuportável que estava sentindo – Vai buscar ajuda. Vê se encontra algum dos meninos ou alguém que possa ajudar.
A loira não disse mais nada, apenas levantou-se correndo e saiu em direção a porta do shopping, onde encontrou o restante do pessoal e os seguranças do shopping vasculhando a área a procura de quem havia feito os disparos.
— O GAARA FOI BALEADO...ELE...ELE TA SANGRANDO DEMAIS...ELE...ME AJUDEM— Dizia Ino desesperada
— O que? Merda. Que merda— Dizia Naruto acompanhando Ino que saira em disparada para o local onde Gaara estava, sendo seguida pelos outros.
Chegando lá, Gaara estava quase inconsciente. Os garotos o pegaram no colo e seguiram para o carro de Sasuke. Ino sentou no banco de trás, com Gaara em seu colo.
— Ino, mantêm ele acordado— Disse Sasuke dando partida no carro, com Sakura ao seu lado. Os outros o seguiam nos outros carros.
— Gaara...Gaara, olha pra mim. Olha pra mim, meu amor— Disse Ino chorando e fungando.
— Fica calma ...eu to acordado — Disse Gaara num sorriso fraco, de olhos fechados.
— Abre os olhos, se ficar com eles fechados vai acabar dormindo. Olha pra mim, eu quero ver eles— Disse Ino desesperada.
Gaara abriu os olhos e Ino os olhou profundamente. Aquele verde lindo que a tranqüilizava de tudo. Ino sentiu um amargo enorme em sua boca. Era medo. Medo de nunca mais ver aqueles olhos abertos. Era certo que o tiro não havia sido em um ponto critico. Mas ele perdera sangue demais e o hospital não chegava nunca.
Não podia perdê-lo. A verdade é que o amava tanto e aprendera tanto sobre ele que não podia perdê-lo não só como namorado, mas pelo pessoa que ele era. Ino lentamente abaixou a cabeça e deu um beijo demorado na testa do ruivo, sobre os cabelos molhados de suor.
— Eu te amo tanto...— Disse Ino baixinho, porém o ruivo ouviu.
— Eu vou ficar bem...meu amor— Disse Gaara, não conseguindo mais manter-se acordado.
— Gaara? Gaara? SASUKE ELE NÃO TA ACORDADO— Disse com dificuldade pelo choro.
—Calma Ino, ele deve ter desmaiado. Chegamos— Disse Sasuke parando o carro numa freada. Naruto e Neji pararam logo atrás e logo desceram do carro.
Carregaram Gaara até a entrada do hospital e logo vieram enfermeiros com a maca e o levaram para dentro.
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Ino estava desconsolada. Não conseguia parar de chorar enquanto estava com a cabeça no colo de Sakura, que acariciava os cabelos da amiga. Todos esperavam noticias do ruivo. Temari já havia chegado ao hospital juntamente com Shikamaru. Gaara tivera que passar por uma cirurgia que já duravam quatro horas. O tiro não fora de raspão. Apesar de ter atingido o ombro, havia rompido uma artéria e um ligamento, ocasionando a imensa perda de sangue. Ino ouviu seu celular tocando e foi atendê-lo no corredor, para não fazer barulho próximo as salas de repouso do hospital.
—Alô? – Disse Ino chorosa.
—Espero que eu tenha sido convincente desta vez, Ino – Disse a pessoa do outro lado da linha.
— Olha Sai, não é uma boa hora e...— Ino fora interrompida.
— O ruivo não morreu? Droga, eu sabia que deveria ter mirado no coração — Disse Sai fingindo desgosto e rindo.
— Foi você...não foi um assalto— Disse Ino com a voz falha e em choque.
— Claro que não, garota burra. A questão é a seguinte amor: eu quero você. E sim, eu sou doente. Eu sei, meu pai vive falando isso, tsc. Aquele ruivo imbecil deu sorte, eu poderia acidentalmente ter disparado a arma um pouco mais pra esquerda. Eu quero você longe do Sabaku. Espero que eu tenha sido claro o suficiente dessa vez Ino, digamos que na próxima eu não vá ser tão misericordioso. E não conte pra ninguém sobre esta conversa, porque eu sei como encontrar cada um de vocês — Disse Sai, desligando.
Ino estava estática. Aquilo não podia ser serio. A mente de Sai era mais doentia do que ela pensava. Ino agora temia por todos. Quando procurara Sai pela primeira vez em busca de heroína viu o tipo de lugar que ele frequentava e as pessoas com quem se relacionava. Era perigoso demais. Ela sabia que o deveria fazer. Riu sem humor algum ao pensar que achara que sua vida iria pros trilhos. Bobagem. Ela havia buscado as trevas e não havia como sair dela. Porém não os levaria com ela. Viu Tenten se aproximar correndo e segurou-se para não chorar novamente.
— Ino. O Gaara acordou. Vem – Disse Sakura, puxando a loira pelos corredores.
Por unanimidade, todos deixaram Ino ir primeiro, já que somente uma pessoa podia entrar no quarto. A loira estava pálida e seus olhos sem vida. O que diria a ele? Como faria isso, ela não sabia. Ino entrou hesitante no quarto. Ao fechar a porta, caminhou até a beira da cama de Gaara e o viu com o braço todo enfaixado e imobilizado. Gaara sorria para ela. Aquele sorriso que ela sabia que era a única a ter dele.
— Eu disse que ia ficar bem, não disse? — Disse o ruivo com a voz fraca.
Porém o sorriso de Gaara logo se desfez. Algo estava estranho com Ino. Ela não o abraçara e estava calada desde que entrara no quarto.
— O que houve, Ino?— Disse Gaara inexpressivamente, porém com um tom de preocupação.
— Eu quero terminar, Gaara— Disse Ino de uma só vez, porém sem olhá-lo.
— Terminar? Terminar o que?— Disse Gaara sentando-se com dificuldade
Ino controlava a vontade que tinha de abraçá-lo e ver se ele estava inteiro.
— Quero terminar nosso namoro— Disse Ino ainda sem olhá-lo. Controlava a vontade que tinha de abraçá-lo e ver se ele estava inteiro.
— Por que isso agora?— Disse Gaara sério.
— Porque...porque eu não posso mais— Disse Ino olhando para o monitor cardíaco do ruivo, que o denunciava, acelerando.
— Ino olha pra mim— Disse o ruivo num comando – O que aconteceu?
— Não aconteceu nada. Eu só não quero continuar com você— Disse Ino baixinho. Não ousava olhá-lo, se visse aqueles olhos, não conseguiria e precisava conseguir.
— E você espera que eu acredite nisso? Antes de apagar, eu me lembro do sangue, eu me lembro da dor ...e lembro do quanto disse que me amava— Disse o ruivo sem desviar os olhos dos de Ino.
Ino sabia que ele conhecia quando ela mentia. Precisava magoa-lo. Só assim ele talvez pudesse acreditar. Sentiu seus olhos ficarem extremamente marejados. Não podia chorar. Não podia.
— Eu achei que te amava... mas o Sai voltou e tudo isso não passou de um erro... você é problemático demais. Desculpa, mas é isso— Disse a loira e saiu do quarto num rompante.
Não conseguia ficar ali nem mais um minuto. Ver a mascara de tristeza e angustia que o rosto de Gaara havia se tornado era doloroso demais. De fato, aquilo não poderia continuar. Era melhor pra ele, pensou Ino. Ele tinha uma família incrível, apesar do pai. Amigos e um futuro brilhante. O que ela era? Uma ex detenta de reformatório, usuária de heroína e com uma família completamente deturpada e pra piorar, ainda havia se envolvido com pessoas ruins. Ino saíra do hospital pelo corredor oposto ao da sala de espera. Não podia encontrar seus amigos. Não teria como olhar para eles.
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Não há nada mais perigoso que a mente. É neste vasto lugar que se escondem os maiores perigos.Naquela mesma noite, Ino havia ligado para Sai contando que já havia feito o que ele tinha mandado. Ino vagava sem rumo pelas ruas. Inconscientemente, talvez, ela caminhou até o velho e sujo lugar onde Sai ficava juntamente com os traficantes mais perigosos da região. Ao chegar à porta do lugar, viu que Sai estava em pé, conversando com um homem bastante alto e de porte elegante. Ao vê-la, Sai não evitou sorrir, aquele sorriso doentio que fazia Ino sentir uma repulsa enorme. Sai tirou uma seringa do bolso do terno que vestia e balançou frente ao rosto de Ino, quando esta estava perto.
— Eu sabia que viria aqui. E te trouxe um presentinho, amor.
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