Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
4 Funeral Of Hearts
"Ela era o sol
Brilhando sobre
O túmulo de suas esperanças e sonhos tão frágeis
Ele era a lua
Retratando você
Com o seu brilho tão vulnerável e pálida" — Funeral Of Hearts – Him
Os amigos se entreolhavam aflitos, haviam esquecido Gaara e que o convite feito a Ino sobre ingressar na banda traria problemas com o ruivo, problemas os quais os amigos haviam prometido enterrar. Porém sentiram-se tão a vontade com a presença da Yamanaka que ninguém mediu as palavras. Ino permanecia calada, alheia a situação e sem entender o motivo da reação do ruivo. Ela não havia tocado mal. Mesmo depois de tanto tempo sem pratica, surpreendera-se consigo, bem como sua voz. Havia uma chance de recomeçar com algo que realmente gostava e que tinha um talento.
“Ele não vai estragar minha segunda chance... não mesmo” — Pensou Ino, levantando-se num pulo e correndo atrás de Gaara.
Neji, Tenten, Sasuke, Sakura e Hinata olharam Ino se afastando na direção por onde Gaara tinha ido e em seguida olharam para Naruto, como se esperassem uma reação dele. O Loiro mantinha-se calmo, como se nada tivesse acontecido.
— Ta esperando o que, Dobe? Vai atrás deles— Disse Sasuke dando um tapa na nuca de Naruto.
— Por que eu deveria ir?— Disse Naruto massageando a nuca e com um bico.
— Porque o Gaara so escuta você, Naruto-kun— Disse Hinata, acariciando os cabelos do namorado.
— E aquilo ali— Disse Sasuke, apontando para a direção onde os dois haviam ido – Vai dar merda.
— E não podemos perder a Ino, ela é a pessoa que tava faltando na banda. Você tem que convencer o Gaara. Já ta mais do que na hora dele superar aquilo.— Disse Neji dando de ombros.
Todos se levantaram e seguiram para longe do local onde estavam, enquanto Naruto ia mais a frente, procurando Gaara e afastando-se dos outros.
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Gaara adentrou a escola por uma das pesadas portas de ferro ao fundo do prédio onde ficava localizada a sua sala. Fechou-a com força, provocando um estrondo. Estava muito irritado. Como assim eles queriam deixá-la na banda? Eles não podiam fazer isso, não depois do que aconteceu. Era o acordo selado por eles. O ruivo caminhou para o interior do prédio, seguindo em direção a sua sala. Subiu as escadas, aproximando-se de um dos corredores, que estava vazio, provavelmente o sinal já havia batido e o pessoal estava na sala. Gaara caminhava pesadamente pelo corredor. Seu pensamento estava distante e sua respiração acelerada. Lembrar-se daquela cena horrenda e as palavras contidas naquela carta era um martírio. Não havia tido uma infância muito normal e os acontecimentos da adolescência só contribuíram para o seu estado de espírito perturbado. Ele virou-se bruscamente e socou um dos armários da parede, amassando-o. Sentiu seus ossos da mão doer, porem nada fez. Aquela dor na mão não significava nada. Socou o armário mais uma vez e mais outra, até ver que sua mão sangrava e tremia. Sentiu sua respiração normalizar por alguns instantes e percebeu passos atrás de si. Virou-se num ímpeto e viu Ino parada, olhando-o atentamente, com os enormes olhos azuis mostrando surpresa. Ela vagava o olhar para a sua mão, depois para o armário, ligando os fatos e entendendo o que havia se passado ali. Logo a expressão aparentemente de choque da loira transformou-se em raiva e ela logo se pôs a falar.
— Gaara né? Olha, eu não tenho problema nenhum contigo, ta. Nem te conheço e olha que incrível você também não me conhece. Eu não pedi pra entrar na banda, eles que me convidaram. Então não vou admitir que me trate daquela maneira. Já permiti isso de boa parte da escola, agora chega.— Ino disse tudo muito rápido e percebeu que seu tom de voz estava mais alto.
Gaara nada disse, apenas aproximou-se calma e perigosamente de Ino, apertando a mão, fazendo com o seu sangue pingasse no chão. A loira olhava a cena e agora sua expressão passou de raivosa para precavida. Sentia-se acuada, mas não mexeu-se do lugar. Gaara estava a um palmo de distancia de Ino e a loira pôde ver que apesar da expressão impassível do ruivo, ele estava muito irritado. Ele olhava em seus olhos sem ao menos desviar e Ino sentiu medo. Não presenciava aquela sensação de medo há muito tempo, porem era um medo... Diferente. Não o medo que sentiu naquela noite. Gaara então levantou a mão machucada e sangrando e colocou o dedo na altura do rosto de Ino.
— Não vou deixar alguém como você acabar com minha vida, de novo. Eu acabo com você antes, entendeu?— ele disse cerrando os dentes e com uma calma aparente que fez Ino encolher-se.
Ino olhou-o com certa confusão e não disse nada, até porque não compreendera o que ele quis dizer. Permaneceu ali imóvel, observando Gaara se afastar. Percebeu que havia prendido a respiração, habito que ela tinha quando estava nervosa. Agora respirando com ânsia e rapidamente, Ino aproximou-se do armário que Gaara havia socado e que estava amassado. Logo ouviu passos atrás de si e percebeu que era Naruto. O loiro aproximou-se de Ino e olhou para o armário que ela tanto olhava. Naruto suspirou pesadamente.
— Foi o Gaara né? Ao menos ele não fez isso em alguém, porque o ármario dá pra consertar e ...— Disse Naruto constatando o óbvio e começando a tagarelar.
— Ele... Ele me disse umas coisas. Eu não entendi nada. Quer dizer, eu não fiz nada, não pra ele— disse Ino encolhendo-se enquanto Naruto gentilmente colocava uma mão seu ombro.
— Olha, eu vou falar com o Gaara, fica tranqüila. O pessoal deve ta lá no pátio, vai lá ficar com eles— disse Naruto com aquele sorriso enorme que só ele tem.
— Olha Naruto, é melhor deixar isso pra lá. Já tenho complicações demais na minha vida, não preciso de outra.
Dito isto, Ino se afastou e deixou Naruto parado e sem reação.
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INO POV’S ON
Passei as aulas restantes escondida, não queria voltar pra sala. Após o fim das aulas, caminhei pelas ruas da cidade sem me importar com o horário ou com a fome. A chance de cantar numa banda era tão promissora. Sentia que podia recomeçar do zero. Agora eram só ilusões. Senti-me desolada. Tudo por culpa daquele ruivo. Porque sempre tinham que implicar com ela sem ela ter feito absolutamente nada? Será que era uma pessoa muito ruim? Com esse pensamento, foi para casa. Sua mãe já havia lhe dado uma chave, então não precisava mais chamá-la para abrir a porta. Ao entrar, logo percebeu que sua mãe não estava sozinha. Ao passar pela sala, logo viu a companhia indesejada. Aquele maldito estava lá novamente. Ao me ver, ele esboçou mais um daqueles sorrisos falsos, como se nunca tivesse ocorrido nada, como se ele não tivesse tornado minha vida um inferno. Vê-lo tão perto de mim, no mesmo ambiente, me deixava vulnerável. Logo senti meus olhos arderem e lacrimejarem. Minha mãe olhava pra mim num misto de desconforto e raiva. Como ela queria que eu reagisse.
Eu não disse nada, apenas subi as escadas rumo ao meu quarto. Tranquei a porta e coloquei a bolsa sobre a cama. Apertei o peito. Sentia meu coração doer demais. Eu não ia chorar, não podia. Segurei as insistentes lagrimas e fui para o banheiro, trancando a porta. Dor. Lembrei-me do ruivo. Ele pareceu ignorar a dor em sua mão naquela hora. Porem percebi dor em seus frios olhos, apesar de tudo. Dor. Será que uma dor acaba com a outra? Peguei um lamina dentro do armário do banheiro. Eu costumava repicar meu cabelo com ela. Minha franja crescia muito rápido, então eu sempre cortava. Sentei-me no banquinho do banheiro, apertando a lamina fortemente entre minhas mãos. O que eu estava pensando em fazer? Me cortar? Que coisa ridícula. Minha mente viajava a mil. A dor... Aprender a ignorar a dor. Foi isso o que Gaara havia feito naquele momento. Talvez controlando a dor física eu consiga controlar a outra dor.
Não quis pensar em mais nada. Estendi o braço e posicionei a lâmina no antebraço. Não hesitante, deslizei a lamina, abrindo um corte grande, não profundo, porem suficiente para doer e sangrar. Mordi os lábios devido à dor. Ainda era pequena. Eu ainda lembrava da outra dor. Não tinha sido suficiente.
INO POV’S OFF
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Os meninos arrumavam os instrumentos para mais um ensaio. As meninas estavam sentadas em pufs esperando os meninos começarem o ensaio. Sakura levantou-se de um dos pufs, sacudindo uma folha de papel media, entregando-a a Neji, que pegou o papel e pôs-se a ler.
— Ficou muito boa Sakura, acho que dá até pra incluí-la no festival. – Disse Neji analisando a letra da musica escrita por Sakura.
Gaara tocava algo leve na guitarra enquanto os outros terminavam de arrumar os instrumentos. Sua mente estava distante. Pela primeira vez em dois anos, sentia-se encurralado. Kankuro sempre o culpava pelo ocorrido, porem ele havia aprendido a ignorar, ou fingir que não se importava, mas agora não conseguia, tudo vinha à tona em sua mente, sem controle. Percebeu que Naruto acenava com a mão em sua frente, como se tentasse acordá-lo.
— Gaara, vai ficar aqui sonhando ou vamos começar? — Disse o loiro rindo.
Gaara nada disse. Estava sério e assim manteve-se, caminhando até o microfone, ajeitando-o no suporte. Prendeu a guitarra sobre o corpo e logo começou a cantar a introdução da música, que era sem os instrumentos. Após Gaara iniciar, os outros meninos começaram a acompanhá-lo, irrompendo o estúdio em uma música que eles gostavam muito de tocar. O ruivo gostava daquela musica e por um momento permitiu-se desligar-se de tudo e pôs-se a cantar.
Pain, without love
(Dor, sem amor)
Pain, I can't get enough
(Dor, eu não tenho suficiente)
Pain, I like it rough
(Dor, áspera, é como eu gosto)
'Cause I'd rather feel pain than nothing at all
(Porque eu prefiro sentir dor ao invés de nada)
You're sick of feeling numb
(Você está cansada de se sentir magoada)
You're not the only one
(Você não é a única)
I'll take you by the hand
(Eu a tomarei pela mão)
And I'll show you a world that you can understand
(E vou te mostrar um mundo que você pode compreender)
This life is filled with hurt
(Essa vida é cheia de sofrimento)
When happiness doesn't work
(Quando a felicidade não funciona)
Trust me and take my hand
(Confie em mim e pegue a minha mão)
When the lights go out you will understand
(Quando as luzes apagarem você irá entender)
Anger and agony
(Raiva e agonia)
Are better than misery
(São melhores do que miséria)
Trust me I've got a plan
(Confie em mim eu tenho um plano)
When the lights go out you will understand
(Quando as luzes apagarem você irá entender)
Após terminarem o ensaio, os meninos desligaram seus instrumentos e se despediram de Gaara, já que o estúdio deles em uma das garagens da casa do Sabaku, cedido por Temari. Todos foram embora, menos Naruto, que olhava o amigo atentamente.
— Olha Naruto, se ficou pra me dar sermão, pode ir parando— Disse Gaara deitando-se num futon ao canto da garagem. Naruto sentou-se em um dos pufs.
— Não vou te dar sermão, só queria ser profissional e não seu amigo por um instante – Naruto estava sério, o que era algo raro – Olha Gaara, já se passaram dois ano e meio desde que... - Naruto parou de falar percebendo o desconforto de Gaara. Ainda era difícil pro amigo falar daquilo depois de tanto tempo – Bom você sabe. Mas cara, precisamos pensar na banda. Já estamos procurando vocalista a um tempão e você sabe que não consegue cantar e tocar um festival inteiro. Você precisa superar isso.
— Tinha que ser logo uma garota? Velho, vocês resolveram me sacanear — Gaara agora se sentou no futon e encarava Naruto, com queixo apoiado nas mãos.
— Cara, você sabe que todos nós nos importamos com você. Sabe que é mais que um irmão pra mim. Mas você ouviu aquela garota cantando? So a Ino se encaixou no perfil da banda. Fala sério, todos aqueles caras que ouvimos nos testes nem chegam perto. Você tem que ceder. Cara, ela não é a Matsuri, não é porque a Matsuri se... fez aquilo, que a Ino vai fazer também. — Naruto levantou-se e foi até Gaara, visto que o mesmo continuava o olhando sem dizer absolutamente – Eu já vou, senão a dona Kushina me arranca os olhos. Mas pensa no que eu te disse. É serio, não só pela banda, mas por você.
Dito isto, Naruto deu um abraço no amigo, que fez uma carranca pelo gesto de Naruto e logo foi embora, deixando um Gaara pensativo e triste. Apesar do jeito idiota de ser, Gaara sabia que Naruto tinha razão, como sempre. Mas ele ainda não tava pronto. Tinha se mantido numa espécie de bolha nos últimos dois anos e lá era confortável, ninguém ousava ameaçar sua sanidade. Até agora.
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— Maldição. Esses cortes não prestam, não doem tanto, não doem...— disse Ino em desespero, agora entregue as lagrimas. Sua perna estava com vários cortes e sangrava bastante. – Eu não tenho que ignorar a dor... Eu tenho que esquecê-la. Eu preciso daquilo. Eu preciso esquecer.
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