Notas iniciais
Yo minna. Perceberam as mudanças? Por enquanto ainda são sutis, mas tiveram algumas. O ritmo das postagens será mais acelerado, para compensar o tempo de espera. Vamos la!!

"Você vai queimar nesta hora

Ao ver a violência

Acelerando a minha mente

Ninguém está te salvando

Como você pode encontrar um paraíso nesse inferno?" — A Demons Fate — Within Temptation

Como acontecia sempre, Gaara havia dormido pouco naquela noite. Sua mente estava cheia demais para consegui dormir. Nem o comprimido que roubara do armário de remédios de Temari surtia efeito. As palavras de Naruto ecoavam em sua mente. Realmente, já haviam se passado dois anos e meio e nesse tempo ele não havia se esquecido do que ocorrera um dia sequer. Nunca tivera paz. Se já não bastassem as tribulações que havia sofrido na infância, agora carregava mais esse fardo consigo.

— Foco Gaara, você precisa pensar na banda... — murmurava baixinho, numa tentativa de convencer a si mesmo da ideia de que ter novamente uma garota na banda seria algo bom.

Ouviu o relógio despertar ao lado em cima do criado-mudo. Esticando o braço, Gaara apertou um pequeno botão desligando-o e voltando a deitar na cama, permitiu-se fechar os olhos novamente, vendo aquele misto de imagens agonizantes dançarem em sua mente.

FLASH BACK ON

“Ao ver aquela cena eu não consegui raciocinar de imediato. Meus pés pareciam pregados ao chão e senti como se meus olhos fossem saltarem das orbitas. Eu estava alucinando? Com certeza não. Eu estava limpo a mais de uma semana, não tinha como eu estar criando ilusões. Ela estava realmente ali.

— Gaara, eu vou sair com o Shika e... — Temari parou de falar instantaneamente — AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

O grito apavorado de Temari me tirou da espécie de transe em que eu estava, porém eu ainda não me movia. Vi Temari me empurrar e correr para onde ela estava.

— Gaara, me ajuda a tirar ela daqui— Temari dizia desesperada, tentando fazer algo – ANDA GAARA, SE MEXE. AI MEU DEUS. GAARA VAI PEGAR AS CHAVES DO CARRO E CHAMA O SHIKAMARU — Eu apenas olhei para ela. Se eu me olhasse de fora, teria certeza do pânico em meu rosto naquele momento – RÁPIDO GAARA, FAZ ALGUMA COISA”.

FLASH BACK OFF

Gaara abriu os olhos e o sentiu ardendo. Era realmente culpa dele? Ele havia causado tudo aquilo? Essas e outras perguntas perturbavam a sua mente a mais de dois anos e as respostas nunca vinham. Como o Naruto dizia, ele precisava tentar, ou acabaria definhando cada vez mais.

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O dia amanhecera nublado e frio naquela manhã. Um suave sabor de macabro parecia pairar sobre o ambiente. Não havia o aroma do café recém preparado ou o barulho das crianças rindo e correndo pela rua. Só o uivo constante do vento frio e cortante. Ino acordara com dificuldade. Sentia-se dolorida, como se seu corpo tivesse sido submetido a diversas torturas. Estaria adoecendo? A loira piscou os olhos várias vezes, numa tentativa de mantê-los abertos.

Levantou-se da cama e sentiu suas pernas reclamarem. Os cortes não pareciam doer tanto quando os fizera a noite. Caminhou até o grande espelho ao lado do guarda-roupas e olhou-se nele. Percebeu que os cortes estavam sangrando um pouco. Como esconderia aquilo? Não poderia ir pra escola com as pernas cortadas, mesmo que a maioria dos cortes tenha sido feitos na coxa, porem alguns apareceriam com a saia do uniforme. Após pensar um pouco, Ino resolveu substituir a meia arrastão por uma meia preta e grossa, assim esconderia as pernas por completo. Após o banho e sua higiene matinal, Ino vestiu-se, maquiou-se e pegou sua bolsa. Ao descer para cozinha e entrar pela porta, deu literalmente de cara com o namorado da sua mãe, que num reflexo a segurou firme para ela não cair com o tombo. Ino sentiu-se encolher ao perceber que ele a segurava. Como se houvesse levado um choque, a loira soltou-se dele bruscamente, afastando o máximo que pôde.

— TIRE SUAS MÃOS NOJENTAS DE CIMA DE MIM. NÃO ENCOSTA, KABUTO— Disse Ino furiosa aos gritos, chamando a atenção de sua mãe que vinha correndo ao encontro dos dois.

—Mas o que está acontecendo aqui?— Disse a mãe de Ino chegando à cozinha e vendo Ino olhar assassinamente para Kabuto.

— Nada meu bem, a Ino esbarrou em mim e eu a segurei para que ela não caísse. Não entendo o motivo de ela fazer tanto escândalo— Disse Kabuto com a maior naturalidade que conseguiu impor na voz.

Ino sentia seu sangue ferver. Como ele conseguia ser tão cínico? Porque ele agia assim? Sentiu seus olhos encherem-se de lagrimas. Só o breve contato daquele homem com a sua pele fez seu estomago embrulhar. Pôs a mão na boca e saiu de casa correndo, sem nem olhar para trás.

Chorava descontroladamente. Estava com falta de ar. Sentia-se suja. Ele havia encostado nela. Como ousava. Parou numa praça um tanto deserta e sentou-se no banco. Ali se permitiu chorar ainda mais. Lembrou-se de tudo o que havia acontecido com ela e não conseguia se conter. Não queria ir pra escolar e fingir estar bem. Ela não estava. Não havia esquecido nada e a dor não passava. Perdeu a noção de quanto tempo havia ficado sentada ali. Mesmo sabendo que não fora por muito tempo, parecia uma eternidade. Sentiu alguém colocar a mão em seu ombro. Olhou para o lado assustada e viu uma cabeleira marrom e um olhar preocupado. Era Tenten.

— Dia difícil?— Disse a amiga olhando-a com atenção.

— O que está fazendo aqui?— Ino perguntou tentando se recompor. Virou o rosto para o lado oposto ao de Tenten, limpando os olhos apressadamente.

— Estava indo para a escola. Eu sempre paro aqui para encontrar com o Neji para irmos juntos. – O olhar de Tenten ainda era repleto de preocupação— Ino não precisa esconder, eu sei que estava chorando. Não vou te encher de perguntas. Quando quiser conversar, é só chamar. – disse Tenten, simplesmente sentando-se ao lado de Ino e a abraçando forte.

— O-obrigada. – Ino disse tentando sorrir. Estava surpresa diante da atitude da outra garota.

Ficaram assim por alguns minutos. Ino encostada ao ombro de Tenten, enquanto esta afagava-lhe os cabelos calmamente, em absoluto silêncio. Era de fato um gesto estranho para Ino, que a muito tempo havia esquecido totalmente o que era carinho e compreensão, principalmente por parte dos amigos. Ino estava aparentemente mais calma quando Neji apareceu. Ela desencostou-se do ombro de Tenten, que recebeu um suave beijo na testa do namorado.

— Bom dia, Ino— Disse Neji com sua habitual seriedade, porém Ino percebeu que ele parecia bem mais a vontade com ela.

Tenten se levantou e segurou a mão de Neji, começando a caminhar para fora da praça, em direção a escola. Ao olhar para trás, percebeu que Ino continuava sentada no banco, sem reação.

— Nem pense que eu vou te deixar aqui sozinha, Ino. Vamos, você vai pra escola com a gente – Disse Tenten, voltando até onde Ino estava e tentando arrastar a loira pela mão.

— Tenten, pode ir indo. Depois eu vou... — disse Ino sem convicção alguma.

— Até parece. Neji-kun, poderia me ajudar por favor? — Disse Tenten piscando para Neji, que parecia entender perfeitamente o que a namorada pedia.

— Desculpa Ino, mas não posso irritar minha namorada logo cedo. É altamente letal para minha saúde— Disse Neji e num rompante, pegou Ino e a colocou nos ombros.

— Ei, o que pensa que está fazendo?— Dizia Ino, batendo nas costas de Neji, enquanto esse caminhava calmamente ao lado de Tenten a caminho da escola – Ta bem, ta bem, eu vou. Me põe no chão que eu vou.

Tenten sorriu vitoriosa, fazendo um sinal para que Neji colocasse Ino no chão. Ino agradecia internamente pela insistência de Tenten. Sentia-se péssima e sabia que ficar sozinha so pioraria seu estado.

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Após as aulas, os amigos se reuniram no seu refugio particular. Tenten percebia que Ino estava mais relaxada. Perguntava-se o que havia acontecido para deixá-la naquele estado que a havia encontrado. Todos riam e conversavam sobre coisas banais, como o fim de semana na casa de Naruto que eles programavam a mais de um mês. Esperavam Gaara chegar com os violões, o que não demorou muito.

O ruivo chegara e seus olhos automaticamente encontraram-se aos de Ino. A loira percebeu que ele estava muito apático e suas olheiras estavam enormes. O cabelo estava afastado da testa, deixando a tatuagem ainda mais evidente. Estava mais pálido e suando, parecia nervoso. O ruivo não falou com ninguém, caminhou para Ino e parou na frente da loira, abaixando-se e olhando-a nos olhos.

— Você pode ficar na banda, mas fique longe de mim, entendeu? Põe na sua cabeça que nosso relacionamento é estritamente profissional, é só pela banda. Não esqueça disso um minuto sequer — Gaara falou e levantou-se. Jogou o violão para Naruto e saiu do lugar, deixando todos pasmos e uma Ino boquiaberta.