Equilibrium (REESCRITA E REPOSTADA)
6 End Of All Hope
Notas iniciais
Sem desejo para acordar esta manhã
Para ver outra rosa negra nascida
O leito de morte é lentamente coberto com neve— End Of All Hope – Nightwish
FLASH BACK ON
Desci para tomar café mais cedo. Queria ia para a escola caminhando hoje. Precisava de um tempo sozinha e longe de casa. Ao chegar à cozinha, preparei um sanduíche rápido e sentei-me num banco alto, encostando-se ao balcão. Mordi o sanduíche e a lembrança nostálgica de estar ali com meu pai veio à tona em minha mente. Sorri de canto, permitindo minha mente vagar por anos atrás, quando ele colocava creme de chocolate pra mim, escondido da minha mãe. Senti uma mão acariciando meus cabelos e fechei os olhos. Era a mão do meu pai. Ele sempre acariciava meus cabelos enquanto eu comia gulosa alguma coisa.
Meu pai... ele está morto. Não, não era a mão do meu pai. Abri os olhos num súbito e pulei do banco assustada, caindo no chão e sentindo meu pé latejar. Merda. Olhei para trás e senti-me invadida pela raiva. O que ele estava fazendo?
— JÁ DISSE PRA NÃO ENCOSTAR EM MIM, VERME NOJENTO— Eu disse, tentando me levantar do chão sem sucesso, já que meu pé estava doendo.
Vi Kabuto se aproximar de mim com o seu sorriso malicioso, o mesmo sorriso daquela noite. Ele abaixou-se bem perto de mim, enquanto eu ofegava de raiva e desespero tentando me afastar dele.
— NÃO CHEGA PERTO, SAI DAQUI AGORA. MÃE. MÃE— inconscientemente eu chamei por minha mãe. Que ridículo, como se ela fosse fazer alguma coisa. Não fez quando eu mais precisei. Não seria agora que ela faria.
Logo minha mãe apareceu à porta da cozinha e olhou para mim com um ar incrédulo. Kabuto logo pôs aquela mascara de bom moço e a olhou com aquele sorriso falso e levantou-se, caminhando para longe de mim.
— Ela caiu querida, daí resolvi ajudá-la— disse ele simplesmente.
Vi minha mãe vir em minha direção com seus olhos de fúria e me erguer pelo braço. Gemi baixinho com a brusquidão que fui colocada de pé. Meu pé estava queimando. Minha mãe me chocou contra o balcão da cozinha, possessa.
— Você é mesmo uma vagabunda, Yamanaka Ino. Uma vagabunda— Senti meu rosto inteiro arder e doer. Ela havia me batido? Por quê? O que eu fiz? Minha mãe continuava a falar e a gritar como louca.
— Acha que eu não entendi esse joguinho sujo que você está fazendo? Tentando ser vitima para que o Kabuto lhe dê atenção. Você quer acabar com a minha vida, sua inútil?
Eu olhava para ela absurdamente espantada. Não consegui falar nada. Havia um bolo enorme na minha garganta. Ignorei a dor no meu pé e me soltei das mãos da minha mãe. Sai mancando apressadamente. Eu estava desnorteada. Sem rumo. Sem chão novamente. Palavras matam. Matam mais que um tiro. Quando você morre fisicamente, é muito fácil. Sua alma já não existe. Seu corpo vai ser devorado pela terra e fim. Porém quando é a sua alma a ser atingida, não por um tiro, mas por palavras, a situação torna-se muito mais agressiva. Você vê sua essência se perder. Sua vontade de viver sumir. Sua alegria, seu brilho, se esvai. A pior parte é que você morre por dentro, porem tem que continuar vivendo, pois seu corpo físico não está definhando. E eu sentia que estava morrendo.
Saí pela porta da cozinha, que dava nos jardins no fundo da casa, arrastando meu pé, trôpega. Caminhei desesperada pelas ruas. Era sempre assim. Quando os golpes nada singelos da vida começaram, eu sempre era atingida em cheio, e sempre caía. Perdi toda a noção do tempo. Senti meu pé reclamar e minhas forças sumirem. Eu estava andando meio torta e percebi que se não parasse, iria cair no chão e não conseguiria levantar. Mesmo no estado ao qual eu me encontrava, minha mente guiou-me até a praça a caminho da escola, a mesma a qual eu encontrava, agora regularmente, Tenten e Neji. Sentei-me de vez no banco duro, sentindo todo o meu peso chocar-se ao concreto. O dia estava nublado, provavelmente começaria a chover logo. “você é uma vagabunda, está tentando acabar com a minha vida?”
As palavras da minha mãe ecoavam na minha cabeça de forma perturbadora. Eu senti meu corpo tremer. Aquilo não teria fim, eu acabava de constatar aquilo. Minha mente só adoecia a cada dia. Chorava compulsivamente e não conseguia parar. Chorei tudo o que havia guardado em dois anos. Abracei meus joelhos e continuei a chorar desesperada. O que eu tinha feito? Porque minha vida tinha se transformado nesse limbo eterno? Parecia que não tinha fim. Para todos os lados que eu olhava, não tinha saída. Aquela mulher era mesmo a minha mãe? Senti meu peito doer tanto que foi inevitável não colocar a mão sobre ele.
– Ai meu Deus, Ino. O que fizeram com você?— ouvi a conhecida voz e não quis me virar para olhar. Permaneci na posição abraçada ao joelho.
Senti os braços de Tenten me envolverem como uma mãe que acalenta o filho e nesse momento eu desabei de vez, se é que era possível. Ela não me perguntou mais nada. Apenas acariciava meus cabelos enquanto eu chorava descontrolada em seu ombro. Eu tremia muito. Não queria ficar daquele jeito na frente dela. Não queria mesmo, porém eu não conseguia parar. Permiti-me ser abraçada e a apertei mais forte, tentando me esvaziar daquela dor.
– Vai ficar tudo bem. Isso chora tudo — dizia Tenten calmamente enquanto acariciava os meus cabelos.
Tenten era boa nisso. Pelo pouco tempo que eu a conhecia, percebi uma de suas maravilhosas qualidades. Ela sabia ajudar alguém sem ser invasiva. Ela sabia acalmar sem dizer nada. Ela conseguia plenamente compreender alguém em um momento de dor. E o melhor de tudo: sem perguntas. Após alguns minutos, que a meu ver foram eternos, me acalmei e já não chorava mais. Agradeci internamente aos céus por ter encontrado pessoas como a Tenten naquela escola. Parece que eu não estava tão sozinha, afinal.
— Vem, o Neji veio de carro hoje. Vamos pra escola.— disse Tenten levantando-se e tentando me levantar junto.
— Não Tenten, eu...eu não vou pra escola hoje... Não acho que vai ser uma boa — eu disse não olhando para o rosto dela.
— Ino, temos uma avaliação hoje. Se você faltar, vai ficar sem uma nota completa e isso vai te deixar bastante prejudicada. Prometo não te encher de perguntas. Vou estar aqui quando quiser conversar... Mas não posso te deixar aqui sozinha.
Sequei os olhos e o rosto molhado. Precisaria passar no banheiro para limpar aquilo. Sai mancando, sob o olhar preocupado de Tenten até a esquina, onde Neji já nos esperava com o carro ligado.
FLASH BACK OFF
Solidão, inquietação, insatisfação... Palavras se atropelam na imensidão confusa da dor. O sentimento de desprezo, de ser tão insignificante para a pessoa que me trouxe a vida é doloroso demais. Apesar dos insultos e da honra violada, apesar de todo ódio que eu julgava ter, eu sabia que nada daquilo procedia. Eu na verdade só queria um abraço e que ela dissesse: “Vai ficar tudo bem, filha” como ela disse logo quando o meu pai morreu. Ah papai, como você me faz falta. Por que tinha que entrar naquele maldito avião? Nunca senti tanta dor como a sua perda. Velar aquele caixão vazio foi a pior parte. Imagino seu corpo desaparecendo no imenso oceano. Haveria um final mais triste que esse?
Novamente eu estava trancada em meu quarto. Eu chorava mais que o normal nas ultimas semanas. Ir para a escola e encontrar com os meus novos colegas era a melhor parte do dia. Eu me permitia me desligar do inferno em que eu vivia em casa. Lembrei-me dos ensaios. Eu ainda não havia cantado com eles, pois não sabia as musicas, mas passei a presenciar os ensaios. Toda tarde, na garagem da casa do Gaara. Casa não, mansão. Era gigante aquele lugar. Não entrei na casa, mas por fora da pra ter uma noção do quão luxuoso é aquele lugar. Meu pai tinha certo patrimônio, conquistado a muito custo. Eu via o quanto ele trabalhava pra dar uma vida confortável para mim e para minha mãe e agora ela gastava tudo absurdamente com o namoradinho dela. Naruto havia me dado uns CDs com as musicas da banda para que eu aprendesse as letras.
Nunca pensei que poderia encontrar amigos ao sair do lugar onde estive. Não gosto nem de sequer pronunciar. Sim, amigos. Mesmo eu ainda estando confusa acerca de tudo isso, posso sim parar de falar colegas e dizer que são meus amigos. Com eles eu ria como não fazia em dois anos. Porém chegava o momento trágico em que eu deveria voltar para casa. E ele constantemente estava lá. Agora ia quase todos os dias. Eu tinha que suportar o olhar gélido da minha mãe e o sorriso cínico dele. Kabuto era mais cretino do que eu imaginava. E o pior é que minha mãe não enxergava nada. Na verdade eu começava a cogitar a hipótese dela até perceber o quão cretino ele era, porém não se importava, o que a tornava mais cretina que ele.
Minha mente era um constante turbilhão. Oscilava entre o sorriso de estar com meus amigos e a profunda dor de estar em casa. Mas eu não precisava mais passar por aquele ritual macabro e insano de dor. Não mais. Minhas mãos tremiam enquanto eu olhava aquela ampola com aquele liquido dentro. Senti mais algumas lágrimas escorrerem. “Vagabunda, vagabunda, vagabunda”. As palavras da minha mãe ainda ecoavam em minha mente. Gélida. Eu não podia hesitar mais. Eu tinha que tomar uma atitude. Olhei novamente a ampola em minhas mãos. Eu sabia que aquilo seria ruim para mim e provavelmente seria o inicio do fim. O fim das dores. Era isso que eu precisava. Mesmo estando na banda, algo que eu sempre quis desde nova, não era o suficiente, pois eu sempre tinha que voltar para casa e as dores que se sucediam a esse momento eram dilacerantes.
FLASH BACK ON
Após esses três meses nessa escola, pude perceber que nem tudo era impecável aqui. Na verdade todo esse ambiente era, na verdade, uma camuflagem. A diretora era uma bêbada que jogava tudo nas costas da vice, que aparentava uma calma absurda. Apesar de ter feito amizade com o pessoal da banda, eu ainda me sentia deslocada. Naquele dia em especial eu estava um lixo.
Eu estava sentada na quadra do colégio, num ponto afastado e o mais escondido que pude encontrar. Eu havia fugido do pessoal. Não queria encarar o olhar de Tenten. Eu sabia que ela não forçaria a barra, porém o olhar preocupado dela me incomodava, porque eu sabia que continuar a andar com eles, era aproximar-se do momento em que eles conheceriam minha vida, e se eles conhecessem a minha iriam se afastar por vontade própria. Não queria passar por tudo novamente. Meus pensamentos foram interrompidos logo que ouvi uma movimentação por debaixo das arquibancadas e praguejei baixinho. Merda. Tinha gente ali. Fiz menção de levantar quando senti mãos fortes e pálidas me segurarem o braço.
— Perdida de novo?— Disse Sai, sorrindo de canto. O sorriso dele havia melhorado.
— Não, só me refugiando do agito da escola— tentei ser o mais natural possível.
— Refugio... Sei bem o que é isso. O pior de tudo é quando você não se sente melhor ao encontrar um— ele disse pensativo, como se estivesse longe. — Então, posso te ajudar em sua árdua tarefa de refugiar-se do mundo?— Disse ele com mais um daqueles sorrisos.
— Claro, se tiver alguma droga poderosa que me faça ficar alheia a tudo, aceito sua ajuda— Eu disse irônica e me permiti soltar um mínimo sorriso.
— Na verdade, eu até tenho — Sai sorriu maliciosamente, umedecendo os lábios com a língua. O olhar dele era hipnótico. Ele não se desviara dos meus um minuto sequer. Ele remexeu os bolsos e de dentro, retirou uma ampola contendo um liquido. – Yamanaka Ino, lhe apresento a sua heroína— ele sorriu abertamente, como se tivesse ouvido uma piada.
— O que é isso?— Eu disse, olhando para a ampola nas mãos de Sai. Ele a entregou para mim.
Sai aproximou-se de mim como um felino, abaixando-se até ficar na minha altura e sussurrando em meu ouvido. Seu tom de voz era gélido. Baixo. Perigoso.
– Isso é algo que você jamais vai esquecer. E você só vai precisar de uma única seringa. Prove. Sinta. Esqueça — Disse ele, roçando os lábios na minha orelha, o que me deixou em alerta. Eu não estava acostumada a contato física masculino, o que fez meu corpo retesar.
Sai apenas me fitou novamente com seus belos olhos negros e se afastou, me deixando com uma idéia perturbadora nãos mãos.
FLASH BACK OFF
Esquecer, aquilo era muito tentador. Eu não conseguia ignorar. Eu precisava esquecer. Precisava esquecer tudo aquilo que estava me matando aos poucos, mesmo que para isso eu utilize métodos que realmente me matem. Eu não era tão ingênua como há dois anos. Eu sabia aquela ampola continha uma droga injetável. Heroína. A minha heroína, como Sai havia dito.
Levantei-me da cama e caminhei sem pressa alguma até a cômoda, abri minha bolsa e retirei uma seringa de dentro dela. Caminhei pesadamente ate o banheiro e tranquei a porta. Olhei minha imagem no espelho. Meu rosto estava inchado, meus olhos e nariz muito vermelhos. Conseqüência do choro compulsivo. Eu não conseguia me ver. Retirei a seringa da embalagem lacrada e a deixei sobre a pia. Abri a ampola e despejei o conteúdo na seringa. Eu podia ouvir a voz do meu pai em minha cabeça. Como se ele, onde quer que estivesse, me mandasse parar, que aquilo era um erro. Coloquei novamente a seringa, agora cheia, sobre a pia e retirei minha camiseta, amarrando-a em meu braço e pressionando o mesmo, até que a veia ficasse evidente, o que não foi dificil. Retirei a tampa da seringa e novamente me olhei no espelho.
— Me desculpa pai... Mas não suporto mais.
INO POV’S OFF
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Ino estava com o humor ótimo naquela tarde. Isso era notório, todos haviam percebido. Provavelmente era a empolgação. Seria o primeiro ensaio da banda em que ela participaria. Seu semblante estava sereno. Tenten percebera isso de cara. Todos estavam tagarelando na garagem de ensaios. Neji estava sentado entre as pernas de Tenten, que fazia tranças no enorme cabelo do namorado. Hinata estava deitada com a cabeça no colo de Naruto, que gesticulava empolgadamente sobre o final de semana que eles teriam na casa dele. Sasuke fazia uns solos na bateria e Sakura conversava com Ino, tentando convencê-la a ir com eles para o final de semana com Naruto.
— Cadê o Gaara viadinho hein? Aquele emo sempre se atrasa— Disse Neji levantando-se e pegando o seu contrabaixo.
Ino sentia-se anormalmente bem. Os ensaios com a banda de fato iriam começar e as tribulações em casa já não a perturbavam mais. Agora ela tinha alguém para salvá-la. Riu-se internamente pela piada, esboçando um sorriso torto, fato que não passou despercebido por Tenten. A garota era muito atenta, a tudo. Ino não lhe contara o que a deixava tão apática, porém ela havia percebido que a amiga passava por maus bocados e quase sempre estava triste, dispersa. Porém o comportamento estava diferente, não de forma brusca, mas Tenten pode notar uma certa euforia na amiga. É, a banda a fazia bem. Definitivamente era isso.
Gaara apareceu de surpresa, entrando na garagem pela porta que dava acesso ao interior de sua casa, irritado como sempre. Ino não o entendia muito bem e de todos ali, era o único que não falava com ela além do necessário. Qual o problema dele? Pensou Ino. O ruivo a olhou de cima abaixo. Ino estava vestida com um short jeans preto de cintura alta, customizado com tachas, um cropped vermelho, por cima um casaco de couro preto e um all star vermelho. Em um outro momento da sua vida, Gaara a teria achado simplesmente bela. Mas não agora, na verdade, ele nem a enxergava direito.
— Cara, eu não sei por que a problemática deixou vocês ficarem ensaiando aqui. Vocês nunca ensaiam. – Logo atrás de Gaara, vinha um homem alto e com os cabelos presos num rabo-de-cavalo alto. De mãos dadas a ele, vinha uma loira exuberante. Era Sabaku no Temari, irmã de Gaara e seu marido, Nara Shikamaru.
O homem direcionou seu olhar para Ino, estranhando a presença diferente no grupo. Temari soltou-se das mãos de Shikamaru e prontamente abraçou Ino, acolhedoramente, sem restrições, sem estranheza. Apesar do jeito mandão e autoritário de ser, Temari era uma pessoa de coração enorme e bastante gentil.
— Temari, você vai esmagar ela— Disse o homem sentando-se num dos futons da garagem.
— Ta me chamando de gorda? – Disse Temari, erguendo uma sobrancelha para o homem.
— Problematica... - Disse o homem espreguiçando-se no futon.
— Oi, eu sou a Temari, irmã do esquentadinho ali. — Disse Temari apontando para Gaara. O ruivo lançou-lhe um olhar de poucos amigos e voltou a mexer em sua guitarra. — E aquela preguiça ali, é o Shikamaru, meu marido— Disse apontando para o mesmo que estava esparramado no sofá.
— Yamanaka Ino... Prazer— Ino sorriu um tanto sem graça.
— Viemos ver você cantando Ino, a Tenten disse que sua voz é fabulosa— Disse Temari empolgada, juntando-se a Shikamaru no futon.
— Creio que ela tenha exagerado — Ino disse entredentes, lançando um olhar mortal para Tenten, que levantou as mãos como se não soubesse de nada.
— Ta tudo muito lindo, mas vamos ensaiar logo que eu to ansioso— Disse Naruto, colocando a guitarra em si.
Todos foram para seus devidos instrumentos. Gaara não havia dito nada desde o momento que chegara. Ino sentia-se incomodada com aquilo. Como ele podia nutrir algum tipo de raiva por ela sem ela ter feito nada? Mal se conheciam. Nem tinha o que ter raiva. Naruto passou um microfone para Ino, que o acomodou em um suporte.
— É... antes de começar, eu queria falar uma coisa. Fiz algumas alterações nas cifras e nas letras das musicas, para adaptá-las a minha voz. Foi só um teste e...— Naruto interrompeu a garota.
— Relaxa irmãzinha, vamos ver como ficou. Vamos começar com Make me wanna die — disse o loiro sorrindo de orelha a orelha.
— Irmãzinha, dobe?— Disse Sasuke, arqueando uma sobrancelha.
— é Teme, ela é minha gêmea, não viu a semelhança?— Disse Naruto, apontando dele para Ino como se fosse obvio.
— seu retardado. Vamos começar logo— Sasuke bateu com as baquetas e logo Gaara começou a tocar, com os outros o acompanhando. Após a introdução instrumental, Ino respirou fundo e começou a cantar. Achou que ia travar, mas não foi o que aconteceu, a música simplesmente fluiu.
Take me, I'm alive
(Pegue-me, estou viva)
Never was a girl with a wicked mind
(Nunca fui uma garota com uma mente perverse)
But everything looks better
(Mas tudo parece melhor)
When the sun goes down
(Quando o sol se põe)
I had everything
(Eu tinha tudo)
Opportunities for eternity and
(Oportunidades para a eternidade e)
I could belong to the night
(Eu poderia pertencer a noite)
Ino havia se esquecido de tudo. Remexia-se enquanto cantava e entregava-se plenamente a musica. Todos os presentes ali notavam o quão leve a garota estava.
Then your eyes
(Mas então seus olhos)
Your eyes
(Seus olhos)
I can see in your eyes
(Eu posso ver em seus olhos)
Your eyes
(Seus olhos)
You make me wanna die
(Você me faz querer morrer)
I'll never be good enough
(Eu nunca serei boa o bastante)
You make me wanna die
(Você me faz querer morrer)
And everything you love will burn up in the light
(E tudo o que você ama queimará na luz)
And everytime I look inside your eyes
(E sempre que olhos dentro de seus olhos)
You make me wanna die
(Você me faz querer morrer)
Estranhemente, Ino estava ansiosa em ouvir a parte do backing vocal que Gaara faria na música. Ele a havia aceitado na banda, porém o relacionamento, ao qual ele disse que seria profissional, nem isso estava sendo, e ela teve medo de que ele não colaborasse. Aquele ensaio decidiria tudo, inclusive seu futuro na banda.
Taste me, drink my soul
(Prove-me, beba minha alma)
Show me all the things that I shouldn't know
(Mostre-me todas as coisas que eu não deveria conhecer)
When there's a blue moon on the rise
(Quando há uma lua azul em ascensão)
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GAARA POV’S
Eu estava fazendo um esforço enorme para não jogar tudo pro alto e sair dali. Estava sentindo-me sufocado. Minha cabeça parecia explodir num dilema entre agir por mim ou agir pela banda. Eu estava vivendo sob um estado continuo de conformação, até aquela maldita Yamanaka aparecer, e como um carma, uma válvula de escapa, como um imã, como algo que você simplesmente não consegue se afastar, ela atraía minha atenção e isso era algo extremamente ruim. Maldição. Porque ela tinha que se mexer tanto enquanto cantava. Será que ela tinha noção do quanto aquilo era sensual? Aqueles cabelos enormes e esvoaçantes e aquele cheiro que ele levantava no ambiente. To me sentindo ridículo, deixando meus instintos carnais falarem mais alto. Essa Ino é hipnótica. A voz. O cheiro. O modo como o corpo dela se expressa enquanto ela ta cantando. Eu não tinha prestado sequer atenção nela nesses últimos tempos, estava irritado demais com essa idéia absurda de novamente ter uma garota na banda. E agora todos os meus preconceitos sobre ela estavam sendo descontruídos só em vê-la cantar. Não só o seu exterior. Era o que tava vindo de dentro naquele momento. O espetáculo externo era hipnotizante. Resolvi analisa-la melhor. Péssima idéia. Realmente, ela era muito linda. Uma beleza diferente das que eu já tinha visto. Porém percebi algo que me intrigou: os seus olhos. Apesar de naquele momento estar totalmente descontraída, seus olhos mostravam uma dor profunda, como os meus.
Sacudi a cabeça e foquei na música, minha mente estava a mil, mas eu sabia que quem olhasse para mim não veria nada menos que um rosto zangado, como Temari costumava dizer. Minha mente começava a divagar em áreas perigosas, as quais eu havia jurado não mais andar.
— Gaara? Gaara? GAAAAAARAAAAA. ACORDA— Despertei do meu transe com a voz estridente do naruto.
Olhei para em volta e todos me olhavam. Eu havia terminado de tocar sem nem perceber. O que estava acontecendo? Eu nem havia prestado atenção no ensaio.
— Você não acompanhou a Ino na musica e você sabe que eu sou um péssimo backing. Ta tudo bem, cara? — Disse Naruto me olhando.
Eu não disse nada. Bufei irritado e voltei a tocar sem olhá-los. Aquela loira é o principio das minhas dores. Já posso pressentir isso.
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