Notas iniciais
Só uma coisa a dizer: eu amei escrever esse capitulo!!

"Agora eu sou sua lua

Suas estrelas , seu amanhecer

Nos estamos ouvindo a musica

De dentro do silêncio"— Vampiric Prose – Darzamat

“Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-las a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo, nem culpa de sentir prazer. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se presente e tem a duração do instante que passa”.

Foi com esse pensamento que Ino resolveu seguir com sua vida. Decidiu não deixar se abater, afinal, sua vida podia caminhar para um lugar bom, mesmo que o caminho fosse repleto de pedras. Envergonhou-se muito ao lembrar-se que havia usado heroína numa tentativa vã de se desligar de tudo. Precisava agüentar só mais alguns meses. Sua mãe só teria sua guarda até ela completar dezoito anos. Depois disso, poderia ser livre, então decidiu que melhoraria seus dias, afinal, estava cantando numa banda, sempre fora seu sonho e este estava sendo realizado no pior momento de sua vida. Sentada em sua cama, Ino fez uma retrospectiva dos últimos três meses. Havia deixado o inferno e entrado em outro maior, que era sua casa. Sabia que a convivência com sua mãe seria difícil. Na verdade a convivência entre elas nunca fora fácil desde que seu pai morrera há três anos. Voltar para casa foi doloroso, principalmente por ter que conviver com Kabuto, o homem que havia lhe tirado a alegria de viver. Graças aos céus, Ino encontrou pessoas que realmente poderia chamar de amigos. Todos eram incríveis e se importavam com ela, era algo que ela podia sentir.

Lembrando-se de seus amigos, Ino lembrou-se de Gaara e do quanto era complicada a convivência com ele. Sempre a destratava, porém Ino dificilmente o confrontava, aqueles olhos verdes a inibiam, não por medo, mas de uma forma estranha que Ino não havia decifrado. Até hoje a loira não entendia a implicância sem fundamento do Sabaku e todos diziam que era apenas o jeito dele. Mas por que só com ela era assim? Ele sempre a questionava, criticava, colocava defeito em tudo. Era irritante. Ino olhou no relógio e ainda era cedo para o ensaio. Odiava os sábados. Não tinha aula, o que implicava ficar mais tempo em casa. Mesmo com a nova filosofia de que seguiria com a cabeça erguida, não gostava de ficar em casa, principalmente por saber que Kabuto estava lá.

Cansada de ficar presa no quarto, a loira levantou-se, pegou sua bolsa e suas chaves na cômoda e saiu do quarto. Ao descer as escadas, viu sua mãe na sala vendo TV agarrada em Kabuto. Ino tentou sair o mais silenciosa possível, não queria ter que dar satisfações.

— Onde está indo, Ino?— Perguntou a mulher sentada no sofá.

— Vou dar uma volta com o pessoal da escola. À noite eu volto— Disse Ino sem olhá-los.

— Tudo bem, não chegue muito tarde— Disse a mãe de Ino, ironica.

Ino estranhou aquela preocupação da mãe com o horário em que ela chegaria, porém não falou nada, apenas concordou com a cabeça e saiu, batendo a porta.

— Ela já tem amigos Kabuto, precisamos agir antes que ela se recupere do trauma. Essa infeliz precisa surtar de uma vez. – Dizia a mãe de Ino, olhando para o namorado.

— É. Percebi que ela ta mais animadinha nesses últimos dias. Temos que acabar com ela antes dos dezoito, senão tudo o que fizemos vai ter sido em vão.— Disse Kabuto socando o sofá – Mas eu já tenho uma idéia. – disse ele com um sorriso diabólico nos lábios – Vamos comemorar, a idéia que eu tive pede uma boa foda.

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Após caminhar inerte pelo parque central, Ino resolveu seguir para a casa de Gaara, talvez o ensaio já estivesse perto de começar. A loira tomou um taxi e seguiu para o lugar do ensaio. Ao chegar à residência dos Sabaku, Ino pagou o taxi e desceu do mesmo, seguindo para o imenso portão que circundava a residência. Seguiu para os fundos, local onde ficava a garagem de ensaio e que todos eles tinham acesso por ser fora do alcance dos portões.

“Merda, eles ainda não chegaram”— Ino constatou, já que o portão estava fechado e praguejou baixinho.

Voltou à frente da mansão e apertou o botão do interfone, esperando uma resposta.

— Pois não? Quem é?— Disse Temari do outro lado da linha.

— Temari, é a Ino. É que eu vim muito cedo pro ensaio e a garagem ta fechada...será que poderia abrir o portão dos fundos pra mim? É que eu não queria ter que voltar— Disse a loira um tanto tímida.

— Ino querida, pode entrar por aqui mesmo, fique onde está, abrirei os portões. – Disse Temari.

Ino ouviu um pequeno ruído e logo os portões da residência se abriram. A loira adentrou a propriedade, atravessando os jardins e pondo-se em frente a grande porta. Logo Temari a abriu com um sorriso imenso. Ino gostava de Temari. Havia se tornado muito amiga da irmã de Gaara, por mais irônico que aquilo pudesse parecer. Ela era divertida e sincera. Parecia realmente gostar de Ino. Logo elas se abraçaram e Ino também sorriu pra ela. Já não era desagradável ser gentil com eles. Elas caminharam até a garagem de ensaio pela parte interna da casa e sentaram-se nos futons. Conversaram sobre coisas banais e sobre a vida de Temari. Ela contou sobre o casamento precoce com Shikamaru e o quanto se amavam. Ino sentiu-se tentada a questionar Temari sobre Gaara. Não era possível que ele implicasse com ela por nada. Aquilo a intrigava.

— Temari... Posso te perguntar uma coisa?— Disse Ino um tanto receosa.

— Claro Ino. O que houve?— Questionou Temari vendo que Ino parecia nervosa.

— É sobre o Gaara. – Disse Ino, mordendo o lábio inferior.

Temari estremeceu. Sabia muito bem qual o rumo que aquela conversa levaria e não sabia se deveria prosseguir.

— Sabe Tema... Desde que o conheci não nos damos muito bem, apesar de eu não ter nada contra ele, fora o fato dele ser irritante e convencido, sem contar a prepotência e arrogância, aquele ruivo idiota e...

Temari gargalhou alto com o desabafo inconsciente da loira. Via algo nos olhos de Ino quando ela falava sobre Gaara. Algo incomum. Algo bom

— Imagina se tivesse algo contra hein?— Disse Temari, divertida.

— Desculpe. Então, é que ele sempre implicou comigo, desde o inicio. A princípio eu pensei que era bobagem, por eu ser nova no grupo e pela empolgação do pessoal por ter uma nova pessoa pra cantar na banda. Mas com o tempo percebi que não é isso. Ele me olha estranho toda vez que eu to cantando. Na verdade ele me olha estranho sempre, mas durante os ensaios a coisa piora. Ele me maltrata, implica, tenta ser o mais grosseiro possível comigo e isso não é normal. Eu nunca fiz nada pra ele. Raramente conversamos. O pessoal diz que esse é o jeito dele. Eu percebi que ele é realmente fechado, sério, mal-humorado, grosso, infantil, birrento e... Desculpa. Mas essa implicância absurda dele... É só comigo.— Disse Ino num fôlego só. Estava nervosa e falando demais.

— Olha Ino, o problema do Gaara não é necessariamente com você. É por você estar na banda. Se você não tivesse na banda, com certeza ele te veria com outros olhos e...— Disse Temari nervosa. Sabia que era injusto Ino não saber o motivo, mas também não poderia contar.

— Mas o Naruto disse que já teve outra garota na banda.

— Exatamente. É por isso mesmo que ele não pode vê-la na banda. Você trás a mente dele o que ele vem tentando esquecer. – Disse Temari não olhando Ino nos olhos, sentiu seus olhos arderem, mas não choraria.

— Já entendi. Eles tinham uma vocalista muito boa, daí ela saiu da banda e agora ele acha que eu to tentando tomar o lugar dela. É isso? Mas é ridículo. Era alguém especial para ele? É por isso?— Disse Ino percebendo que Temari estava desconfortável.

— Não... Gaara não suportava aquela garota e quando ela passou no teste pra banda ele só faltou perder os cabelos.— Disse Temari rindo amargamente com a lembrança.

— Como assim? Eu não to entendendo nada Temari— Disse Ino franzindo o cenho, confusa.

— Ino é que ela...— Temari foi interrompida.

— Acho melhor você não terminar essa frase, Temari. O Shikamaru está te esperando. — Gaara estava parado na porta, com os braços cruzados e o semblante extremamente sério.

— Vocês vão ensaiar né? Eu vou indo, vou sair com o Shika. Até mais Ino— Disse Temari, abraçando Ino e despedindo-se da amiga.

Temari passou por Gaara e deu um beijo na bochecha do irmão, que permaneceu parado e impassível. Após Temari sair, o olhar de Gaara ainda estava sobre o de Ino, que o olhava sem desviar. Ficaram assim pelo que pareceram minutos. Ino não sabia decifrar o que se passava na mente dele, mas sentiu uma inquietação estranha. Ruim. Ele estava olhando em seus olhos, mas era como se não a estivesse vende. De repente ele falou, como se despertasse de um transe.

— O que você pensa que está fazendo?— Disse Gaara sem sair do lugar, sua voz era baixa e contida. Ele estava se controlando.

— Olha Gaara, desculpa, eu não queria ser invasi...

Nesse momento, Gaara rapidamente caminhou para perto de Ino e a levantou do sofá pelo braço, segurando-a com força. Ino o olhou surpresa e com certo desespero. Acuada. Ela detestava isso.

— O que pensa que está fazendo? Acha que pode vir até a minha casa e questionar sobre a minha vida? — Gaara falava nervoso e alterado. Ino nunca o tinha visto daquele jeito. Os olhos de Gaara estavam repletos de raiva e Ino sentia isso na pele já que ele estava apertando seu braço com força.

— Ai! Gaara, me solta! Ta me machucando, seu estúpido. – Ino tentava soltar os braços da mão de Gaara, sem sucesso.

— Não vou soltar. Você vai me dizer agora o que pretende com isso. Você quer me enlouquecer como aquela vadia? É isso?— Os olhos verdes de Gaara olhavam Ino e a loira pode ver uma dor profunda nele, bem como uma raiva latente.

— Eu não sei do que você ta falando, seu grosso. Eu só perguntei a Temari o porquê de você ser tão estúpido comigo. EU NUNCA TE FIZ NADA. ME SOLTA – a loira alterou o tom de voz, exasperada. Ino sentiu seus olhos encherem-se de lágrimas. Seu braço doía tamanha a força que Gaara a segurava, mas não choraria na frente dele.

Como num estalo, Gaara percebeu que realmente a estava machucando e soltou Ino, que caiu novamente sentada no futon. Com toda gritaria dos dois, Temari e Shikamaru, acompanhados por Naruto, Sasuke, Neji, Sakura, Tenten e Hinata, que haviam chegado para o ensaio, apareceram na porta da garagem e os olhava estáticos.

— Mas que merda é essa? Vocês dois não podem ficar um minuto sozinhos sem se matarem não?— Disse Naruto, entrando na garagem e olhando de Gaara para Ino.

Logo Tenten viu o hematoma formando-se no braço de Ino, já que a mesma era muito branca, o que não demorava a aparecer. A garota correu em direção a Ino, que permanecia estática sentada no futon.

— Gaara, seu idiota. O que você fez?— Disse Tenten o olhando de forma repreensiva.

— Eu não vou ensaiar com essa maluca, me ouviram? Não vou permanecer na banda com ela. Está me sufocando.— Disse Gaara saindo da garagem.

Maluca? Ela era a maluca? A cada momento que permanecia ali, menos Ino compreendia as coisas. Nesse momento Ino sentiu uma corrente elétrica por seu corpo e levantou-se num rompante, soltando-se dos braços de Tenten e empurrando os que estavam na porta da garagem e indo atrás de Gaara. Ele estava na metade da escadaria para o primeiro andar da residência quando Ino o gritou do pé da escada.

— Você é um verdadeiro estúpido, Sabaku no Gaara. E precisa urgentemente se tratar, eu não sou a maluca aqui.— Disse Ino histérica e respirando descompassadamente.

Gaara nada fez. Apenas continuou subindo as escadas, sem nem ao melhor olhar para Ino. A loira por sua vez subiu as escadas atrás dele, vendo o ruivo entrar em um quarto e fechar a porta. O ruivo sentou-se em sua cama e pôs as mãos no cabelo. Estava trêmulo e muito nervoso. Sentiu sua cabeça doer muito. Sempre se sentia mal ao lembrar-se do ocorrido. Ouviu um barulho e olhou para a porta. Viu Ino adentrar o seu quarto e fechar a porta com a chave.

— É muita coragem sua ficar trancada num quarto comigo no nível de ódio que circula no meu sangue— Disse Gaara sem olhá-la. Não conseguia olhá-la nos olhos e muito menos para o hematoma que havia feito no braço dela. Aquilo o estava corroendo e ele não sabia por quê.

Ino estava parada escorada na porta. Guardou a chave da porta no bolso do short e apenas olhou para Gaara. Ele estava trêmulo. Era possível ele sentir tanto ódio assim dela? Era como se ele sentisse por ela o nível de ódio que ela sentia por Kabuto. Porém Kabuto havia feito algo imperdoável, ela não. Recusava-se a acreditar que aquela raiva que ele sentia era por ela e naquele dia havia tido sua confirmação. Não sabia explicar, mas algo nele a chamava. Ela precisava entendê-lo, era como se somente aquilo pudesse preenchê-la. E ela não iria mais recuar.

— Por que Gaara? Porque me odeia tanto? O que eu te fiz? Só me responde isso... O que eu fiz pra merecer o seu ódio? Eu vivi dois anos da minha vida sendo o alvo do ódio das pessoas sem nem saber o por quê. Mas já chega, eu não posso viver assim. Só me diz o que eu fiz?— Ino dizia ainda o olhando.

Gaara permaneceu com a cabeça baixa e as mãos nos cabelos. Não conseguia se pronunciar. Aquelas palavras dela... Ser o alvo do ódio das pessoas. Ele entendia muito bem o que ela queria falar. Ele estava agindo da maneira que mais odiou na vida. Era realmente um monstro.

Ino sentiu os olhos arder de novo. O silencio dele a feria. Porque se importava tanto com o que ela era pra ele? Desde que fora passar dois anos naquele lugar, sempre fora assim. Sempre a culpavam ou a odiavam sem que ela tivesse feito nada e ela não se importava mais. Porque com ele teria que ser diferente? Sentiu uma lagrima incontida cair. Por que seu coração doía? Por que vê-lo naquele estado lhe causava dor? Virou-se para a porta e retirando a chave do bolso, a colocou na fechadura.

— Que inferno... desculpa, seja lá qual for o motivo de toda sua raiva por mim— Disse a loira abrindo a porta e saindo do quarto.

Ino limpou o rosto rapidamente e seguiu para a garagem de ensaio. Chegando lá encontrou os amigos todos em pé, em silencio.

— Até que enfim voltou. Eu ia lá, mas a Hina não deixou e... — Naruto parou de falar ao ver Ino pegar a bolsa e caminhar para a porta. – Ei, aonde vai?

— Naruto... Não da mais para mim. Sério. Não agüento mais isso. Já tenho problemas demais pra ter que lidar com tudo isso. Desculpa gente... Não queria deixar vocês na mão, mas tem muita gente boa por ai que vai adorar cantar na banda de vocês. Até segunda. – Disse Ino saindo rapidamente da garagem.

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Ino saiu da mansão Sabaku desnorteada. Parece que todo aquele plano de continuar sua vida tentando deixar as angustias para trás havia desmoronado. Queria a felicidade. Queria desligar-se do mundo por um momento. Pouco se importava com o que aconteceria com seu corpo físico. Sua alma não existia mais mesmo. Caminhou por horas. Sentia-se exausta. Estava em um dos grandes jardins da cidade. Era afastado e poucas pessoas estavam por ali. Tirou o seu celular da bolsa e procurou um numero na agenda.

— Alô? Sai?— Disse Ino calmamente.

— Oi Yamanaka. Quanto tempo— Disse Sai do outro lado da linha.

— Eu preciso de mais, Sai. E quero pra hoje— Disse Ino secamente.

— Do que está falando?— Disse Sai fingindo inocência.

— Não se faça de idiota, sabe do que eu to falando— Disse Ino, ríspida.

—Ei, calma loira. Aquele presentinho que te dei é caro. Não posso te dar mais.

— Dar não, mas pode vender. Eu tenho dinheiro.— Disse Ino firmemente.

— Agora falou a minha língua. Quanta você quer? Da um pouco de trabalho, mas posso conseguir pra você, se me compensar, é claro — Disse Sai malicioso.

— Dez ampolas. Vou pensar no seu caso. Mas primeiro, consiga o que te pedi.

— Seu desejo é uma ordem, minha rainha.

Ino desligou o celular e o guardou na bolsa. Sentiu algo nela morrer naquele instante. Parecia não se importar com mais nada. Não ia mais viver, ia apenas existir, afinal, era só isso que se resumia sua vida nos últimos dois anos. Apenas existia. Não sabia mais o que era viver. Nunca mais saberia.