Notas iniciais
Yanna = Mãe da Ino. Capitulo revelador hein galera, prestem atenção!! :)

"Esqueça todas as merdas que nós passamos

Eu quero estar aqui para sempre e sempre" — Forever and Always — Bullet For My Valentine

XxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxX

— Kabuto, isso já está demorando demais. Se eu soubesse que você ia ser tão lento eu mesma tomava as minhas providências com aquela inútil – Disse Yanna visivelmente alterada.

— Ah, minha cara Yanna, você e sua impaciência. Foi por essa pressa que tudo o que fizemos não deu certo na ultima vez. – Disse Kabuto numa calma aparente – Pense comigo, minha querida. Ino está prestes há completar dezoito anos, está completamente desnorteada pelas atitudes de sua amada mamãe e para completar, drogada. – Kabuto respondia com um pequeno sorriso sinistro.

— D-drogada? Como assim drogada?— Perguntou Yanna, um tanto surpresa.

— Eu sou muito eficiente. Tenho contatos dentro da Saint Pierre e um dos meus...- Kabuto sorriu debochado, procurando uma palavra – sócios, ofereceu um certo refúgio para a sua cria.

— Nossa, você é melhor do que eu imaginava. Eu sabia que essa garota era perturbada, mas não a esse ponto. — Disse Yanna sentando-se no colo de Kabuto, enquanto este apertava-lhe as nádegas sem puder.

— Não se preocupe. Antes mesmo que você possa contar os milhões, essa pentelha vai estar na merda...e de vez.

XxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxX

As semanas transcorreram calmamente e o namoro de Gaara com Ino foi uma surpresa no colégio. Muitas ali achavam estranho ver Gaara com uma garota depois do que aconteceu com Matsuri. Uns estavam realmente surpresos, outros desgostosos e o burburinho pelos corredores era algo constante. Já para os amigos dos dois, era uma felicidade enorme vê-los juntos. Apesar das brigas e diferenças, ficavam perfeitos juntos, na opinião de todos.

Estavam no cantinho deles na área externa do colégio, discutindo os últimos detalhes sobre as férias do meio do ano que passariam na casa de praia dos Uzumaki.

— Eu odeio aquele lugar... fico toda ardida e cheia de areia — Resmungava Tenten, emburrada.

— Deixa de ser chata, Pucca. Vai ser divertido— Disse Neji, abraçando a namorada.

— VAMOS FAZER UM LUAU — gritou Naruto, que havia acabado de chegar no lugar, com um copo nas mãos – Seu suco, Hina-chan— Entregando o copo para Hinata, que lhe sorriu docemente e lhe deu um selinho.

— Vai ser muito bom, você vai né porquinha? — Disse Sakura, fazendo com que todos os outros olhassem para Ino.

— É... eu vou sim— Disse Ino com um meio sorriso.

A loira estava sentada entre as pernas de Gaara, que tinha suas costas encostada numa árvore. O ruivo não era de demonstrar muito carinho em publico como seus amigos, na verdade, depois que começaram a namorar ele continuou quase igual, porém não brigavam. Ino gostava, era o jeito dele, não tinha porque mudar. Mesmo sendo sério, Ino sentia que o carinho de Gaara por ela era sincero e entre eles ele demonstrava isso perfeitamente. Ela inclinou a cabeça e deu um selinho nos lábios do namorado, que retribuiu, mordendo-lhe o lábio inferior de leve.

— Por favor, vocês dois. A Hina é inocente, não pode ver essas coisas— Disse Naruto fingindo espanto e tapando os olhos de Hinata.

— Deixa eles, Dobe— Disse Sasuke, atirando a mochila em Naruto.

XxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxX

Como sempre, após as aulas, Ino foi pra casa e Kabuto estava lá. A loira havia percebido uma mudança no padrasto. Ele voltara a olhar daquele jeito novamente. Um olhar cobiçoso, que deixava Ino enojada. Seguiu direto para o seu quarto, sem nem ao menos falar com sua mãe. Após o banho, Ino colocou um short básico azul e uma camiseta branca. Prendeu o cabelo num coque frouxo e resolveu arrumar o quarto. Desceu até a área de serviço e pegou os produtos de limpeza que utilizaria. Ao retornar ao quarto, ouviu a porta da sala ser batida com força, provavelmente sua mãe havia saído. Ótimo, assim ela teria mais tranquilidade. Como estava sozinha em casa, Ino deixou a porta do quarto aberta, colocou uma musica para tocar no pequeno aparelho de som no seu quarto e foi limpar o banheiro. Enquanto limpava o local, seus pensamentos se voltaram para Gaara, fazendo um pequeno sorriso se formar nos lábios pálidos da garota. Incrível como só o fato de pensar nele já tirava o peso de estar em casa. O relacionamento deles era recente, estranho e ainda assim aos olhos da Yamanaka era algo completamente adorável. Ela conheceu o outro lado do ruivo e viu que ele realmente era uma boa pessoa. Por baixo de toda aquela seriedade e apatia, havia um homem carinhoso e gentil. Ino limpava o banheiro tão distraidamente que não percebeu que já não havia mais musica no ambiente... e nem estava sozinha.

Ino estava com o corpo inclinado e o bumbum pra cima, limpando a parte baixa da pia e aquela visão deixou o homem enlouquecido. Ele esticou os braços e apertou o bumbum de Ino com vontade, puxando o corpo da garota para si, encostando seu membro ereto por dentro da calça na bunda da garota. Ino assustou-se de imediato e se debateu sem olhar quem era.

— Ei, me solta seu pervertido. – Disse a loira já com lagrimas nos olhos. Aquele cheiro insuportável. Nem precisava olhar pra ver quem era.

— Calma, filhinha. Eu só quero te dar carinho— Disse Kabuto, deslizando as mãos pelas coxas de Ino e subindo a mão até os seios da garota.

Ino se debatia nervosa, tentando soltar-se de Kabuto. Num reflexo rápido, Ino levantou a perna, mesmo de costas e pressionou a sola do pé com força no membro pulsante de Kabuto, que gemeu de dor, soltando a garota.

Correndo para a porta, Ino desceu as escadas correndo, tropeçando e quase caindo ao alcançar a porta saiu para a rua, do jeito que estava, sem nem dar-se conta que estava descalça. Correu o mais rápido que pôde, as lágrimas insistentes caindo e molhando o seu rosto. Após correr muito e chamar a atenção das poucas pessoas que estavam na rua, a loira parou, ofegante e sentou-se no meio-fio. Ainda chorava muito, sentia-se suja. O cheiro de Kabuto ainda estava em si. Para onde iria? Levantou-se um tanto inerte e pôs-se a andar dessa vez. Não tinha nada nãos mãos, nem dinheiro, nem celular e com certeza não voltaria para casa.

Após caminhar muito, sentiu seus pés doloridos. Estava descalça e o chão estava quente do calor recebido durante o dia. Sem nem perceber, viu que havia caminhado até a casa de Gaara. Mas não poderia simplesmente aparecer ali naquele estado, o que diriam? Caminhou até os fundos e digitou o código de segurança dos portões. Temari havia lhe dado à combinação na época em que ela e Gaara estavam em pé de guerra, para que a garota pudesse ter acesso a garagem de ensaio sem depender do ruivo implicante para abrir a porta. Caminhou até a garagem de ensaio e silenciosamente, digitou mais alguns códigos no painel de segurança e a porta lateral da garagem foi aberta. Ino adentrou o local e no escuro, tateou até encontrar o futon e deitar-se em cima dele. Sabia que não teria ensaio naquele dia e já estava anoitecendo, então teria algumas horas para se recompor e pensar em algo.

Ao relembrar o que havia acontecido, a loira voltou a chorar compulsivamente, soluçando alto e tapando a boca, no intuito de reprimir o choro. Chorou novamente por tudo e de forma tão violenta que adormeceu ali mesmo sem ao menos perceber quando.

XxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxX

— Merda, onde está ?– Dizia Gaara, revirando o quarto procurando algo – Temari, você levou meu violão pra garagem? – gritou Gaara do quarto, não obtendo resposta alguma da irmã – Deve ter saido— pensou o ruivo.

Gaara desceu as escadas pelo corrimão e caminhou calmamente até a garagem de ensaios. Temari sempre tinha a mania de arrumar seu quarto e levar o violão dele para a garagem, por mais que ele dissesse para não tirá-lo do quarto. O silêncio que imperava na casa era um indicativo de que Temari e Shikamaru de fato haviam saído.

O ruivo abriu a porta da garagem e acendeu o interruptor, clareando o ambiente de imediato. E qual foi sua surpresa? Um corpo frágil e sujo, todo encolhido no futon. Gaara a olhou por alguns segundos, como num transe, porém logo reagiu e correu até a namorada. Pegando-a nos braços e a colocando em seu colo, Gaara sacudiu os ombros de Ino delicadamente.

—Ino? Ino? Acorda... Ino? — Dizia ele baixinho no intuito de acordá-la. Olhou para o corpo fragil em seu colo. Ela estava toda suja e os pés machucados. O que havia acontecido?

Aos poucos, Ino foi acordando e abrindo os olhos com dificuldade, devido a claridade. Ao sentir mãos em volta da sua cintura, a loira desesperou-se e tentando desvencilhar-se das mãos que a segurava, acabou caindo com tudo no chão.

— Me deixa em paz, não encosta em mim. NÃO ENCOSTA — gritou a loira já chorando novamente.

— Ei, ei Ino. Sou eu. O Gaara. Calma— Dizia o ruivo tentando abraça-la.

Ino recobrando os sentidos, abraçou o namorado tão forte que sentiu como se estivesse esmagando-o, porém não diminuiu a intensidade do abraço. Sentiu os braços de Gaara rodearem seu corpo e sabia que estava protegida.

— D-desculpa... m-me desculpa, eu não queria que me visse assim. Tô tão imunda— Dizia Ino, chorando e agora afastando-se do ruivo. Estava suja. Havia sido tocada por Kabuto. Não queria deixar aquele cheiro nele.

Gaara não entendia nada, porém não pressionou. Viu Ino afastar-se dele bruscamente e virar-se de costas, chorando descontroladamente.

Ino sentiu aqueles braços que tanto gostava lhe envolver num abraço acolhedor. Gaara nunca fora de falar muito ou fazer declarações perfeitas. Não que ele não quisesse, ele só não conseguia. Ele era muito tátil. Demonstrava seu carinho tocando e aquele abraço era a forma dele dizer que estava ali. Que sempre estaria.

— Calma, minha pequena... eu to aqui agora — Dizia ele baixinho, pegando Ino no colo.

Depois de muita insistência, Gaara pegou Ino no colo e a carregou para o seu quarto, a deixando sentada no recaimer da cama. Após preparar um banho quente e relaxante para Ino, Gaara voltou ao quarto, pegando-a pela mão e guiando até o banheiro do seu quarto, onde a deixou sozinha no banheiro. O ruivo fez menção de tirar a camisa da loira, porém ela o parou, segurando sua mão.

— Deixa, eu posso fazer isso sozinha – Disse Ino um pouco inerte.

— Tudo bem...eu vou la em baixo pegar algo pra você comer...tem toalha limpa na gaveta de cima— Disse o ruivo apontando para o armário conjugado na parede próxima a pia.

Ele saiu do quarto e desceu para a cozinha para preparar algo para a loira comer. Estava intrigado. Esperaria Ino se acalmar, mas aquilo o deixava nervoso. Quem deixara sua pequena naquele estado? Estava tão distraído que não viu Temari e Shikamaru chegando.

— Gaara, seu inseto. Ta querendo queimar a casa?— Dizia Temari adentrando a cozinha com Shikamaru, que seguia o cheiro de queimado.

— Gaara? Acorda cara— Disse Shikamaru, dando um tapa na cabeça do cunhado.

— Merda, queimou tudo — Disse Gaara, voltando a realidade. – A Ino... ela vai dormir aqui essa noite... pode ser?— Disse Gaara inexpressivo, olhando de Temari para Shikamaru.

— Ta... ela pode ficar aqui quando quiser. Só tenham cuidado... quer dizer, a Ino e você também, são muito novos e ... - Disse Temari um pouco constrangida.

— Não é nada disso, Temari — Disse Gaara revirando os olhos – Ela só... não ta bem, não quero deixá-la sozinha— Disse Gaara novamente inexpressivo. – Pode emprestar algo pra ela vestir para dormir, Tema? Ela ta la no meu quarto, tomando banho.

Temari apenas assentiu com a cabeça e saiu da cozinha. Assim que ela saiu, Gaara encarou Shikamaru, que acenou com a mão, chamando o cunhado para fora. Gaara pôs as mãos nos bolsos e seguiu para os fundos da casa com Shikamaru.

— Ta, pode falar agora — Disse o moreno, cruzando os braços.

— Preciso de ajuda. Mas a Temari não pode saber, sabe o quanto ela é escandalosa. – Disse Gaara num suspiro.

— Eu não gosto de mentir e nem esconder nada da problemática... mas pra você ter me pedido ajuda, deve ser algo muito sério. Pode falar— Disse Shikamaru, sentando-se na mureta da sacada da area externa da casa.

— É a Ino... tem algo muito estranho acontecendo com ela. Mesmo antes de começarmos a namorar eu já tinha percebido, mas não dei importância, até hoje. Ele chegou aqui hoje toda suja, tava escondida lá na garagem. Os pés machucados, descalça...acho que veio andando de casa até aqui. Estava com totalmente transtornada, chorando muito. Consegui acalma-la com muito custo. Eu sei que todo mundo tem problemas com a família, mas... é estranho sabe. Eu sei que o pai dela morreu e ela vive com a mãe e o padrasto. Mas ninguém nunca os viu, sabe? Ela não deixa nenhum de nós ir até a casa dela, sempre inventa algo. Outra coisa que eu percebi é que, toda vez que ela ta comigo ou com a turma e precisa voltar pra casa, fica triste. É algo palpável e ...— Gaara abaixou a cabeça tentando ordenar as idéias — ...eu sei que tem alguma coisa séria acontecendo, depois do que vi hoje, não tenho duvida.

Shikamaru ficou pensativo por alguns minutos. Ele era observador e atento e também achava estranho o fato de Ino passar dias com eles e a mãe nem ligar pra saber. Com as outras garotas não era assim.

— Vou pensar em algo prático pra que isso seja investigado— Disse Shikamaru num tom tranqüilo.

— Obrigada, Shikamaru— Disse Gaara esboçando um pequeno sorriso de canto.

XxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxX

— Ino?— Disse Temari, dando batidas na porta. Com uma camisola nas mãos e um conjunto de lingerie para que Ino vestisse, a loira Nara Sabaku adentrou o quarto de Gaara, encontrando a cunhada em pé, próxima a janela, apenas de toalha.

— Yo, Tema-chan— Disse Ino com um sorriso pequeno. Não tinha mais o cheiro de Kabuto em si e estar perto de Gaara era com se uma mágica incrível acontecesse e todas as suas dores sumissem.

— Não achou que eu ia te deixar dormir de toalha né? Se meu irmão dormir com você assim ele tem um infarto— Disse Temari divertida, abraçando a cunhada. Era perceptível na expressão de Ino que de fato algo havia ocorrido. Por hora, ela decidiu não perguntar o motivo que levou Ino ali.

— Tema...obrigada— Disse Ino apenas, retribuindo ao abraço da cunhada de forma intensa.

— Você é importante pra mim. Pra todos nós, nunca esqueça disso ta? Agora descansa, o Gaara vai trazer algo queimado pra você comer— Disse Temari divertida, saindo rindo do quarto.

Ino seguiu para o banheiro e vestiu a lingerie e a camisola que Temari havia lhe dado. Gaara entrou no quarto e colocou a bandeja com sopa e torradas em cima da recaimer. Viu a luz do banheiro acesa e deduziu que a sua loira estava lá. Não demorou muito para que Ino saísse do banheiro. Gaara estava sentado no recaimer da cama, de cabeça baixa, olhando um ponto fixo no chão, até sentir mãos delicadas levantando o seu rosto.

Céus, como estava linda, pensou o ruivo. Ino estava vestida numa camisola de seda platinada, um pouco folgada, já que era de Temari, mas ainda assim o ruivo achou-a perfeita. Os cabelos soltos, ainda úmidos do banho. Gaara esmurrou-se internamente por desejá-la tanto num momento inapropriado.

— Meu Deus... eu vou matar a Temari – Disse num sussurro quase inaudível.

— Por que vai matar a tema?— Disse Ino sentando-se no colo de Gaara.

O ruivo praticamente a devorou com os olhos. Certo que Ino já o enlouquecia em roupas normais, principalmente quando usava aquelas blusas que deixava um pouquinho da barriga lisinha a mostra. Mas aquilo já era demais. O soutien deixara os seios da loira quase saltando. Sentiu seu corpo reagir brutalmente a tudo aquilo, principalmente quando sentiu Ino lhe beijar no pescoço.

— Gaara... não fica me olhando assim que fico sem graça — Disse Ino manhosa.

— Er... trouxe isso pra você comer— Disse apontando para a bandeja ao seu lado – Preciso tomar um banho... agora.— Disse o ruivo, tirando Ino do seu colo e a colocando sentada na cama, seguindo para o banheiro como um furacão.

Ino pôs-se a comer e so então percebeu o quanto estava faminta. Não havia comido nada durante o dia inteiro, só um pequeno lanche que fizera no colégio. Quando deu por si, havia comido tudo o que estava na bandeja.

Gaara saiu do banheiro apenas com a toalha branca enrolada na cintura e dessa vez foi Ino que quase teve um ataque cardíaco. A loira observou aquela cena dos deuses. Acompanhou com os olhos cada gotícula de água que descia dos cabelos do ruivo, escorria por sua barriga e morria naquela entrada perigosa que a toalha cobria.

O ruivo apenas esboçou um sorriso de canto ao perceber o olhar da namorada, sacudiu a cabeça e seguiu até o guarda-roupas, onde pegou uma cueca preta e uma calça da mesma cor no guarda roupas e voltou para o banheiro.

Ino continuava estática. Nunca tinha prestado muito atenção no corpo de Gaara ou de qualquer outro garoto, até aquele momento. Não demorou muito para que Gaara saísse do banheiro, já vestido com a calça e com o dorso desnudo. O ruivo caminhou até a cama e deitou-se, esticando os braços para que Ino se deitasse também.

— Não vai comer nada?— Dizia Ino, aconchegando-se no peito de Gaara.

— Já comi antes de subir — Dizia o ruivo, acariciando levemente o ombro desnudo da namorada. Aquele minimo toque fez o corpo inteiro de Ino arrepiar, o que não passou despercebido pelo ruivo, que resolveu provocar – Está com frio ?

— N-não...não é i-isso— Dizia Ino, sentindo seu rosto queimar de vergonha.

Gaara sorriu levemente com a timidez dela. Sabia que não era frio, afinal, o quarto estava aquecido. Permaneceram em silêncio por mais alguns minutos. Gaara suspirou pesadamente. Sabia que teria que falar uma hora ou outra. Depositando um beijo no topo da cabeça da loira, o ruivo ajeitou o corpo de Ino sobre o seu.

— Ino? Ta acordada? — Disse Gaara num sussurro.

— Não... – Disse Ino manhosa.

— Sabe que precisamos conversar, não é ?— Dizia o ruivo um tanto apreensivo. Não queria fazê-la lembrar do que quer que a tenha ferido, mas era algo necessário.

— Sim, eu sei...— Disse Ino desvencilhando-se dos braços de Gaara e sentando-se na cama, de costas pra ele — Mas... pode não ser hoje? Por favor...— murmurou tão baixinho que mais pareceu uma súplica.

Gaara também sentou-se na cama, colocando as pernas ao redor do corpo de Ino e a abraçando por trás, pela cintura, encostando o queixo na curva do pescoço da loira.

— Quando quiser, minha pequena... quando quiser — Disse Gaara, acariciando a barriga de Ino levemente, porém o abraço era firme. Ele estaria ali e ela precisava saber disso.

Ino virou de frente para Gaara e encaixou as pernas no quadril do ruivo. Permaneceram unidos, com as testas juntas, enquanto Ino acariciava os cabelos de Gaara. Ambos mantinham os olhos fechados.

A loira então uniu-se seus lábios aos do ruivo, que começou a beijá-la calmamente. O beijo terno tornou-se mais quente por iniciativa do ruivo, que pediu passagem e foi prontamente atendido. As línguas dançavam. A boca de Ino era quente e somente aquele beijo era mais que suficiente para enlouquecer o ruivo. Gaara apertava a cintura de Ino com as duas mãos e, mesmo por cima do tecido da camisola, Ino sentia uma corrente eletrica dominar seu corpo só por conta do toque. Logo Gaara deliciou-se com a pele alva do pescoço de Ino, que pendeu a cabeça para trás como num convite.

Gaara lentamente deitou Ino na cama e ficou sobre ela de forma estratégica a não machucá-la, afinal, ele era grande e pesado. Deslizou uma das mãos pela extensão do corpo de Ino, enquanto a outra acariciava-lhe o rosto com carinho. Os beijos tornavam-se urgentes e desejosos por ambas as partes. Gaara apertou uma das coxas de Ino com vontade, arrancando um suspiro baixo da loira. Ele deslizou as mãos para as nádegas de Ino, levando consigo o tecido da camisola, deixando aquela região exposta. O ruivo levantou ainda mais a camisola, deixando a barriga lisinha que ele tanto gostava a mostra. Logo pôs-se a beijar cada centimetro daquela região, fazendo Ino revirar os olhos de prazer. Gaara então parou bruscamente o percurso dos beijos. Precisava vê-la sem aquela camisola por completo. O ruivo então foi retirando a camisola da loira lentamente, enquanto passava as mãos pelas costas dela no percurso.

Ao passar as mãos nas costas de Ino, Gaara parou de imediato. Suas mãos haviam tocado em algo. Ino arregalou os olhos assustada. Havia esquecido completamente as cicatrizes. Num rompante, a loira levantou-se da cama assustada, vestindo a camisola por completo. Gaara levantou-se logo atrás, tentando ver o que era aquilo, porém a loira havia encostado-se na parede.

— Ino, deixa eu ver isso – Dizia ele calmamente, estendendo uma mão para a namorada.

— Não é nada demais Gaara – Dizia Ino com a voz trêmula e os olhos marejados. Merda. Não podia chorar.

— Se não é nada demais, então deixa eu ver— o ruivo mantinha o seu semblante impassivel, porém por dentro estava aflito.

Ino então segurou a mão dele, que girou a loira, a colocando de costas pra ele. Gaara então abaixou calmamente cada alça da camisola de Ino, deixando-a cair ao chão. Seria a cena mais erótica da sua vida, se ali, nas costas da sua pequena, não tivessem as marcas do que um dia foi somente dor.

Na pele alva e limpa das costas de Ino, haviam varias cicatrizes, de diversas formas e tamanhos. Como Ino estava de costas, não pode ver a mascara de tristeza e ódio que havia se formado no rosto de Gaara. Quem teria feito tamanha atrocidade com ela?

— Ino... quem fez isso com você?— Dizia Gaara, tentando parecer calmo.

— Eu fui uma criança muito levada Gaara... isso não é nada e..— Dizia Ino notavelmente nervosa e segurando as lágrimas o máximo que podia.

— QUE MERDA INO, NÃO MENTE PRA MIM. SÃO SEUS PAIS NÃO É? ELES MALTRATAM VOCÊ? FORAM ELES QUE FIZERAM ISSO?— Disse Gaara já com a voz alterada. Pensar em alguém a machucando daquela forma fazia o seu sangue ferver.

Ino sentiu as lágrimas escorrerem por seu rosto. Não aguentava mais guardar aquilo dentro de si. Sentia sua vida se esvair aos poucos. Aquele segredo sempre a perturbaria, onde quer que fosse. Será que ela não podia ser feliz? Não poderia fazer com que tudo que havia vivido no passado sumisse? A resposta era tão obvia. Não. Não podia sumir porque tinha literalmente as marcas no corpo...e na alma. E novamente Ino sentiu aquele abraço aconchegante. Gaara, de uma maneira inexplicável, retirava toda a sua dor, não se importando com as dele. Ela havia prometido para si que o tiraria das trevas, porém não conseguia ter o controle sobre suas lembranças.

— Desculpa, desculpa, desculpa... – Dizia Gaara num sussurro – Não queria ter gritado... mas... me dói... aqui – Disse, apontando para o coração – saber que alguém pode estar machucando você e eu sem poder fazer nada.

—E-eu...eu não posso te arrastar pra tudo isso, Gaara. Eu não posso fazer isso com você. Não posso— Dizia Ino entre os soluços — Você já tem problemas demais e...

— Shii— Gaara uniu sua testa a de Ino – Eu quero que me escute... por favor só me escuta, com atenção, ta bem?— Após ver a loira assentir positivamente com a cabeça, Gaara continuou – Quando eu te contei quem eu era e você não me achou um estranho... quando você viu o monstro dentro de mim e não correu pra longe ...— Gaara deu uma pausa. Sentiu que sua voz estava muito baixa, num sussurro – Quando você me abraçou, apesar dos espinhos... quando você foi a única que não me fez querer ser outra pessoa... — Gaara então abriu os olhos, encarando os orbes tão azuis de Ino, que achava tão lindo – Foi então que descobri meu lugar.

Ino ficou estática. Não duvidava dos sentimentos de Gaara, mas nunca pensou em ouvi-lo dizer algo assim. Sentiu suas lagrimas serem limpadas do seu rosto pelas mãos de Gaara, que ainda a olhava sem desviar por um minuto sequer.

— Não me deixa voltar para o buraco frio em que eu vivia Ino... deixa eu cuidar de você. Eu preciso cuidar de você — Dizia Gaara, agora abraçando a loira fortemente.

— Essas... essas cicatrizes eu ganhei no reformatório, Gaara. Foi lá onde fiquei nos meus últimos dois anos. Num reformatório para jovens mentalmente perturbados — Ino dizia as palavras de uma única vez, com um riso triste ao pronunciar o nome do lugar.

Gaara sabia que reformatórios e orfanatos eram lugares completamente diferentes e que os reformatórios não era lugares bons. O ruivo então, novamente caminhou até a cama, so que com Ino em seu colo dessa vez. Sentou-se e colocou a loira entre suas pernas, abraçando-a possessivamente, como se a impedisse de fugir.

— Mas... você tem família, por que te colocaram lá?

— Eu esfaqueei meu padrasto... e quase o matei— Dizia Ino, fitando um ponto qualquer do quarto, com um olhar distante.