"Não chore esta noite

Eu ainda amo você, querida

Não chore esta noite

Não chore esta noite

há um paraíso acima de você, querida

E não chore esta noite"— Don't Cry — Guns'n'Roses

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Gaara caminhava possesso por entre os corredores da escola. Estava com tanta raiva que ninguém que o visse atrevia-se a perguntar ao ou aproximar-se. Ele precisava se controlar. Por muito pouco não estragara tudo. Mas ver aquela cena era demais pra ele. Sua vontade naquele momento era acabar com a existência daquele anêmico.

Flash Back On

O ruivo sentia-se sufocado naquela aula. Era a ausência dela. Como Ino havia se afastado do pessoal, no período das aulas era o único momento em que Gaara podia observá-la e de certa forma, cuidar dela, mesmo que longe. Mas ela havia saída da sala, alegando estar com dor de cabeça e não voltara. Era mentira. Gaara conhecia cada gesto, cada alteração no corpo da namorada. Ino quando estava com dor de cabeça, ficava com os olhos vermelhos e num humor impossível.
Num ímpeto, Gaara levantou-se da aula e saiu porta a fora, deixando a professora Kurenai parada e o restante da turma de boca aberta. O ruivo vagava pelos corredores da escola. Precisava de ar. Precisava dela. À medida que dobrou um corredor, logo retornou num pulo. Ela estava ali, com Sai. Ficou observando-os escondido.

— Sai, eu já te falei mil vezes, eu não vou morar com você— Dizia Ino exasperada.

— Você já está me irritando Ino. Não é esse o comportamento que espero de você— Disse Sai segurando Ino pelo braço.


— Eu quero que você se exploda. Da pra me soltar? Você ta me machucando ...— Disse Ino tentando soltar-se do aperto forte em seu braço – Sai, me solta— Disse Ino. Sua voz já não saiu tão firme como gostaria. Ele realmente tinha força nas mãos.

Sai então segurou o queixo de Ino fortemente com a mão livre, imprensando o corpo da loira na parede, para que ela parasse de se mexer.

— Escuta, meu amor. Você precisa entender que agora é minha e que precisa me tratar bem, senão eu não terei problema algum em quebrar o nosso acordo. Entendeu loira?— Disse ele com o sorriso que Ino mais odiava ver.

— Entendi— Disse Ino cerrando os dentes e controlando a enorme vontade de aplicar-lhe um chute entre as pernas.

— ótimo— Disse Sai sorrindo mais ainda e a soltando, como se nada tivesse acontecido — Te vejo no final das aulas.

Sai inclinou-se e beijou os lábios da loira num selinho casto, saindo na direção contraria a que Gaara estava. Quando Sai sumiu de vista, viu Ino limpar a boca como se acabasse de tocar a coisa mais nojenta do mundo. Bom, talvez realmente fosse

Flash Back Off



O ruivo controlou o ímpeto de ir até Ino naquele momento e questioná-la sobre tudo, ou ir atrás de Sai e quebra-lo ao meio. Mas de nada adiantaria. Recordou-se mentalmente da conversa estranha entre Sai e Ino que Tenten ouvira e havia lhe contado. Agora realmente não tinha mais duvida alguma. Sai tinha Ino nas mãos. Estava a ameaçando com alguma coisa. Mas por que ela não lhe pedira ajuda? Ele precisava cuidar da sua amada. Sentiu o desespero tomar conta de si por um momento. Não sabia como agir primeiro. Estava com a cabeça a mil só de imaginar Ino sozinha com Kabuto em casa e agora tivera a prova de que Sai também a maltratava e ela não reagia. Ela não era assim. Sempre o confrontara, sempre fora forte. Por que não fazia o mesmo com Sai? Definitivamente algo muito sério estava acontecendo ali. E ele descobriria.

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Um carro baú de instalações de TV a cabo estava estacionado do outro lado da rua, enquanto um homem estava ao volante, outro ao seu lado e o terceiro do lado de fora do carro, mexendo nos cabos elétricos que transportavam as ondas de TV às residências daquela rua.

— Você tem certeza que é ele?— Disse um homem de aparentemente 40 anos, alto e forte. Tinha um porte extremamente intimidador.

— Tenho. Está com o cabelo maior, usando óculos e mais grisalho. Mas eu reconheceria esse filho da puta até deformado — Disse Shikamaru por detrás dos óculos escuros, observando a residência sorrateiramente.

— É. Para um iniciante ele enganaria fácil. Mas também o achei familiar. Mas, já que confirmou que é realmente ele, o que ainda estamos fazendo aqui?— Disse o robusto homem.

— Shino, meu amigo... É por isso que você faz parte das operações táticas, meu caro. Eu preciso de um álibi, que com certeza não encontrarei nessa casa apenas observando daqui do carro. Ele não reside ai. Precisamos descobrir onde ele mora, então enquanto ele não sair daí, não sairemos daqui. Entendeu?— Disse Shikamaru, descansando a cabeça no apoio do banco do carro.

— Acho que entendi— Disse Shino ainda pensando.

— Aquela é a residência dos Yamanaka. Mais uma viúva que ele com certeza dará o golpe. Precisamos descobrir onde ele realmente está morando. Lá sim vamos encontrar o que de mais podre ele esconde. – Disse Shikamaru com uma determinação incrível – Não se esqueça...todo pedófilo tem seu acervo guardado em casa.

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Duas semanas haviam se passado desde o confronto que Gaara presenciara entre Ino e Sai. Com a ajuda de Shikamaru, o ruivo agora sim tinha um plano. Sabia o que fazer e o faria sem hesitar. Havia comentado com os amigos que Ino estava passando por sérios problemas, mas que era melhor não entrar em detalhes no momento, pois quanto mais gente envolvida, mas seria difícil agir.

O ruivo sorriu discretamente enquanto procurava a loira pela escola. Lembrou novamente da conversa que Tenten havia lhe contado. Ela de fato não amava aquele anêmico. Ele sabia disso, ele confiava em seu amor. Mas ouvir o que Tenten havia contado o enchia de alegria por um momento.

Assim como surgiu, seu sorriso também sumiu. Onde diabos Ino estava? O horário de intervalo estava quase terminando e ele não havia visto nem sinal da loira. Desistiu da sua busca e retornou a passos pesados para a sala de aula antes do sinal tocar. Como faltava apenas a ultima aula, o Sabaku resolveu que sairia da escola mais cedo, escondido. Teria que esperar por sua amada em outro lugar.


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Ino chegara em casa exausta psicologicamente. Passara toda a manhã escondendo-se de Sai. Estava sendo muito difícil ficar longe dos seus amigos e principalmente ver Gaara na sala todos os dias. Não queria nem imaginar até quando aguentaria aquela situação toda antes de surtar. Kabuto voltara a ficar em sua casa e sua mãe a cada dia ficava pior. Sempre bêbada e Kabuto sempre estava lá para dizer que ficaria tudo bem. Sua mãe nunca fora de beber tanto. Queria saber o que estava acontecendo para a mudança repentina.

Deitou-se na cama e novamente aqueles olhos verdes claríssimos vieram em sua mente. Cobriu o rosto com as mãos e não pôde conter as lágrimas que vieram. Sua vida era até engraçada. Parecia um roteiro de filme. Não era possível que tudo aquilo realmente pudesse acontecer a uma pessoa normal. Será que Gaara estaria conseguindo dormir sem ter os pesadelos de sempre? Era ela que o acalmava. Já podia imaginar o ruivo em claro por várias noites, afinal vira as olheiras do ruivo.

Sentiu aquele conhecido aperto no peito. Imaginar que o ruivo poderia odiá-la naquele exato momento era esmagador. Mas não podia vacilar. A vida dele dependia disso. Ainda cobrindo o rosto com as mãos, sentiu a parte vazia do colchão ao seu lado afundar. Com o susto a Yamanaka levantou-se da cama.

— Gaara?— Disse Ino com a voz falha. Incrédula, ainda acreditando na teoria de que sua mente estava lhe enganando.

— Oi, meu amor— Disse Gaara com a voz calma, porém não tão firme como gostaria. Também estava nervoso.

— O que...como entrou aqui?— Disse Ino ainda estática olhando o ruivo com os olhos marejados.

— Pela janela. Não foi tão difícil — Disse o ruivo com um meio sorriso.

— Não! Você não devia estar aqui— Disse Ino num desespero latente. Sai havia deixado-a na porta de casa. E se ele tivesse visto o ruivo?

— Eu sei que tem algo errado Ino – Disse o ruivo ainda sentado na cama a olhando.

— Não tem nada de errado. Eu te disse que gosto do Sai— Disse Ino olhando-o em seu mais profundo desespero. Limpava com a manga do casaco as lágrimas insistentes que caiam.

— E eu não acreditei em uma única palavra— Disse o ruivo, levantando-se e aproximando-se calmamente de Ino, que instintivamente foi afastando-se. Viu-se encurralada entre a parede e o ruivo.

A respiração de Ino estava descompassada, contrastando com a aparente calma de Gaara. A loira estava muito nervosa. Gaara não podia ser visto ali. Aquilo para Sai seria estopim. Ino tentou empurrá-lo, mas Gaara colocou seus braços envolta da cintura de Ino e inclinou o rosto até o pescoço da loira, inalando o cheiro dela. Ino arrepiou-se com o contato, não tinha como evitar, estava entregue. O ruivo levantou uma das mãos e limpou os últimos vestígios de lágrimas que teimavam em rolar por aquele belo rosto. Encostou sua testa a dela e ficaram olhando-se por alguns minutos. Ino perdeu-se naqueles olhos que tanto sentiu falta. Gaara segurava-se para não demonstrar o quanto estava abalado em vê-la daquele jeito. Estava mais pálida que o normal, as olheiras haviam aumentado. Ela também não estava dormindo e perdera peso consideravelmente.

Gaara sorrateiramente levantou as mangas do casaco de Ino, deixando a mostra as marcas roxas que ali estavam, bem como os furos das aplicações constantes de heroína. Nesse momento, ao desviar seus olhos da imensidão azul que era os olhos de Ino, seus olhos pararam no braço da loira. Ino também desviou o olhar nessa direção. Ino sentiu algo pingar e molhar seu braço. Lágrimas? Sim, mas não eram as suas, eram as dele. Gaara não agüentava mais. Lhe doía demais saber o que Ino poderia estar passando todo esse tempo e ele não fizera absolutamente nada. Ela estava se drogando novamente. Estava acabando com sua vida.

— Eu...não posso deixar que faça isso, Ino— Disse o ruivo ainda olhando para os braços da amada. Rapidamente ele secou as lágrimas e a olhou decidido — Eu sei que o Sai está te ameaçando com algo. Eu conheço aquele infeliz a mais tempo que você e posso afirmar que ele está te pressionando. Eu vi, Ino — Disse Gaara ainda a olhando.

Como num sopro de realidade, Ino o empurrou e desvencilhou-se de seus braços. Ela tinha que ser convincente e havia se deixado levar.

— Não Gaara. Vai embora, será que é tão difícil entender que acabou?— Disse a loira sem olhá-lo.

— Não, não acabou. Você nem consegue dizer isso olhando pra mim. Você consegue enganar aquela ameba, mas não a mim, Ino. – Disse se aproximando dela, já estava próximo o bastante para abraçá-la pela cintura, apoiando o queixo no ombro de Ino – Eu vi vocês discutindo e ele te ameaçando, Ino...não negue mais. Vamos, meu amor. Me conte o que houve— Disse Gaara com a voz calma.

— Você não entende...ele...ele é perigoso demais. Não faz idéia das pessoas com que ele anda. Eu... eu não posso deixar ele ferir você de novo e nem os outros e...— Ino novamente chorava, tentando controlar-se para que sua mãe ou Kabuto não os ouvisse.

Gaara a pegou no colo e sentou-se na cama, ainda com Ino em seu colo. Sem pedir permissão ou aviso, Gaara tocou-lhe a face da amada delicadamente e a beijou nos lábios com calma. Ino estava entorpecida. Não lembrou-se de mais nada, apenas de beijar aqueles lábios que tanto sentiu falta. Foi um beijo cheio de amor e saudade. Ambos precisavam daquele beijo. Gaara não queria parar de beija-la, mas deveria. Separando-se lentamente, desgrudaram os lábios, porém as testas ainda estavam unidas. Gaara a olhava com aquele olhar que somente ele sabia fazer. Aquele olhar que a acalmava.

— Vai ficar tudo bem... Não chore mais, meu amor. Eu prometi cuidar de você, lembra? Não me peça pra te deixar sozinha Ino...confia em mim?— Disse o ruivo acariciando com carinho o rosto lívido de Ino.

A loira apenas acenou positivamente, fechando os olhos para aproveitar melhor aquele carinho.

— Sei que está com medo de me contar...mas eu não irei agir por impulso, Ino. Pra você ter se afastado de todos, inclusive de mim, deve ser algo muito serio e eu tenho cabeça o suficiente pra entender. Então me diga, o que está acontecendo?— Disse o ruivo agora mais serio do que estava, porém seu olhar passava confiança.

— Tudo bem, eu vou te contar— Disse a loira enxugando os olhos.