Equalize

32 Capítulo 32


Notas iniciais
Opa, terminei de escrever e já vim postar, ou seja, ta sem revisão nenhuma, peço desculpas por isso! Mas eu to morrendo de sono t-t PS: Leiam as notas finais.

Eu estava estressada e nervosa. Uma combinação nada agradável para quem estava ao meu redor. Faltava apenas três horas para embarcar em uma viagem internacional ao Brasil. Ok, a ideia havia sido minha, mas isso não tirava toda a pressão psicológica que eu estava sofrendo naquele momento. Iria voltar para encontrar o bicho-papão do meu velho armário, o monstro que se escondia debaixo da minha cama. Eu me sentia uma criança assustada, uma que tinha um medo profundo de sua mãe.

Nem mesmo na minha première eu havia ficado em tal ponto de nervoso e cansaço mental. Na verdade, tinha sido uma das melhores noites de minha vida. Eu estava realmente linda, trajando um vestido vermelho curto e decotado, meu cabelo muito bem arrumado e a maquiagem magnifica. Jenny havia chegado ao meu lado, nossas mãos entrelaçadas, nossos sorrisos tão grandes que poderiam rasgar nossos rostos. Eu via o olhar verde dela orgulhoso em minha direção, eu via o desejo que ela sentia sempre que olhava para meu corpo, eu via a admiração. Tê-la ao meu lado só tornou a minha noite perfeita e ainda mais divertida. Demos entrevistas juntas, separadas, conheci artistas e figuras famosas, surtei como uma fã sem me impedir dessa vez, afinal era a minha vez de beber um pouquinho além da conta. O filme ao ser lançado estava entre os com maiores números de vendas de bilheterias, quase igual ao de Jenny.

Então, dois dias depois eu estava reservando a minha passagem para São Paulo. Foi quando eu comecei a surtar cronicamente. Kevin havia resolvido tudo para mim em uma tentativa de ser uma viagem discreta. Teria uma semana de folga antes de ter de retornar para as gravações da nova temporada de Eternal. Passaria penas cinco dias lá, até porque queria mostrar um pouquinho do meu Brasil para Jennifer, não queria que a experiência fosse apenas traumática.

–Amor, cheguei – Jenny entrou no quarto de hotel com algumas sacolas.

–Você está atrasada! – reclamei irritada, qualquer coisa estava me deixando a flor da pele – Custava ter mandado uma mensagem avisando?

–Mô, estou atrasada dez minutos! – Jenny se explicou pacientemente.

–Dez minutos que já poderíamos ter feito muitas coisas! – eu não conseguia deixa-la ter a razão, eu precisava estar certa o tempo todo, pois se eu estivesse errada em algum momento também acharia que era errado essa viagem. Lógica? Também sinto falta. – Você é sempre assim, se atrasando, inventando desculpas!

Jenny revirou os olhos, aparentemente acostumada com o meu novo estado de mal humor eterno. Ela colocou as sacolas sobre a mesa da sala de nosso quarto de luxo. Era um hotel próximo ao aeroporto, lugar onde decidimos ficar até chegar a hora de ir. A minha irritação, aquele frio desgraçado na barriga e minha mente traiçoeira estavam me levando a loucura. Resmunguei comigo mesma, levei as mãos ao cabelo e os baguncei começando a andar de um lado para o outro. Eu precisava brigar, ou iria surtar a qualquer momento.

–Ao menos se defenda! – gritei – Nem isso é capaz mais? Não anda nem conversando comigo!

–É difícil manter uma conversa com você nesse estado – Jenny deu de ombros e pegou algo de dentro de uma das sacolas – Olha o que eu trouxe para você – Ela me mostrou chocolates, daqueles caros e importados – Por isso eu demorei, quer um? Eu posso jogar para você, porque eu não vou me aproximar de você nesse estado, é risco de morte!

–Você está zoando comigo?! – gritei em fúria agora – Eu não sou nenhuma cachorra pra latir e morder só por causa de um maldito chocolate!

–É parece que a ideia do chocolate não deu certo – Jenny suspirou em derrota, falando consigo mesma – Então vamos para o tratamento de choque – ela moveu os ombros como se estivesse se preparando para algo, fitando-me seriamente – Por favor, não me machuque demais ok?

–O que está pensando em fazer? Porque não volta a passear? Parece que lá fora é mais divertido do que está comigo, não é?! Vai atrás de alguma fã desesperada, ou de alguma modelo vadia sua que...

Eu estava tão ocupada esbravejando a minha frustração que nem percebi quando Jenny correu em minha direção, jogou-me em seu ombro me fazendo gritar de susto. Eu gritei com ela e bati em suas costas com força. Quanta audácia e ousadia! Eu estava irritada e ela ainda fazia aquilo?! Então ela fez outro movimento brusco, mas dessa vez me jogando na enorme cama do quarto do hotel. Eu a fitei em puro ódio, estava já esticando as mãos para bater nela quando Jenny segurou meus pulsos. Ela sentou sobre meu quadril e prendeu minhas mãos no alto de minha cabeça, eu estava arfando, mas não sabia dizer se de raiva ou de tesão pela situação.

Então ela me beijou. Eu estava transtornada por estar sendo mobilizada, por não ter podido brigar e extravasar toda a minha angustia do momento. O que eu fiz? Descontei tudo naquele beijo. Foi um toque agressivo, eu mordia o lábio dela, chupava a língua com mais força que o necessário, pressionava nossos lábios com força. Mas Jenny não desistia ou recuava, retribuía a tudo tentando me dominar. Eu lutei, porém a insistência dela foi me fazendo esquecer o propósito de eu estar agindo de forma tão idiota. Em um momento eu sabia que estava com raiva e com medo de tudo, no outro eu estava suspirando e a beijando avidamente. Poderia ter passado uma eternidade, mas Jenny soube esperar até o momento certo de me dominar e comandar o beijo. Ela soltou minhas mãos e deitou o corpo sobre o meu, o beijo foi diminuindo de ritmo lentamente até se tornar um calmo e íntimo. Quando nossas bocas se separaram, eu suspirei me sentindo enervada e em outro mundo. Jenny sorriu vitoriosa e eu a abracei, já calma e tranquila.

–Gosto dessa terapia – comentei com um sorriso de lado – Muito efetiva.

–E gostosa, posso brigar com você dessa forma sempre que quiser – Jenny riu e deitou ao meu lado, puxando-me para bem perto depois – Eu sei que você está abalada por causa dessa viagem. Então vou perguntar uma última vez: tem certeza de que quer ir?

Apoiei-me sobre um cotovelo e ergui meu corpo para que eu pudesse encarar aquela mulher. Eu sabia que não conseguiria ser forte o suficiente se não a tivesse ao meu lado. Provavelmente estaria surtando até agora e fugiria como o diabo foge da cruz. Mas Jenny segurou-me e me beijou, apesar de todo o perigo que estava correndo de apanhar um pouco.

–Se você for comigo, eu sei que vou conseguir – murmurei a fitando com toda a minha sinceridade e paixão – Sozinha eu vou ser apenas uma criança assustada. Mas ao seu lado? Eu me sinto uma mulher de verdade.

–Deus, você diz essas coisas que me deixam toda abalada – Jenny me puxou para si novamente e abraçou forte – É errado eu gostar que você dependa de mim?

–Não amor, não é. Porque eu também quero ser sua força quando for o momento certo.

Pude senti Jenny sorrindo e dessa vez quando a beijei nosso contato estava repleto de carinho. Mas não por muito tempo, pois logo estávamos envolvidas uma na outra, sendo tragadas por aquele mar sem fim de tesão e sedução. Resultado? Quase perdemos o horário de voo por estarmos fazendo amor sem os celulares por perto. O melhor? Estávamos tão ocupadas em chegarmos a tempo que eu não tive tempo de me preocupar com outras coisas.

(...)

Graças aos remédios eu pude dormir durante toda a viagem para o Brasil. Apesar disso, acordei toda dolorida e ganhei uma bela de uma massagem de Jenny assim que chegamos ao hotel que Kevin havia reservado para nós duas. Nós não éramos tolas de pensar que não havia altas chances de sermos descobertas no Brasil, Kevin e o agente de Jenny já haviam contratado toda uma segurança e uma pessoa para cuidar de todos os nossos esquemas para nossas viagens e passeios. Ela se chamava Adriana e nos esperava já no hotel, se apresentou, nos elogiou e foi bastante educada e simpática. Era uma brasileira com traços indígenas, a pele bem morena, cabelos castanho escuro extremamente liso. Mãe de uma garotinha chamada Giovanna que por acaso era uma fã alucinada da Jenny. Resultando em um pedido de autografo da mãe coruja antes de nos deixar em nossa suíte.

–Mitch – Jenny chamou durante o jantar que fazíamos encima da cama assistindo a televisão. Nosso prato? Pizza. – Eu evitei perguntar isso até agora, mas... O que pretende fazer já que está aqui?

–Bom, pensei nisso de diversas formas – falei e terminei de comer o meu pedaço de pizza, lambendo a pontinha de meus dedos para limpá-los – Eu poderia tentar ir para o endereço de minha mãe, mas seria arriscado entrar em território inimigo antes de mapeá-lo. Então eu pedi para Kevin procurar por minha única amiga aqui no Brasil. A Maria Eduarda, ou Duda.

–Você nunca falou dela antes – Jenny observou olhando-me atentamente.

–Para ser sincera, eu me afastei muito de tudo aqui no Brasil, infelizmente a Duda está no meio. Ela não era tão popular na escola, mas era extremamente divertida e feliz. Foi ela quem me ajudou a pensar em sair do Brasil e ir procurar meu pai.

–Então eu tenho de agradecer de joelhos a essa garota – Jenny sorriu brevemente – O que o Kevin descobriu?

–Coisas que eu nunca iria imaginar – ri divertida – Ela se tornou advogada, está casada e parece que adotou uma criança. Eu pedi para que ele a contratasse para mim, amanhã logo pela manhã ela deve está chegando pensando que vai encontrar com uma cliente – comecei a gargalhar só de imaginá-la – Ela vai me matar amor. Mas é só você aparecer que eu acho que ela entra em choque. Conhecendo o gosto dela por filmes, ela deve te venerar.

–Claro que venera, eu sou fabulosa – Jenny disse convencida e rindo da brincadeira, levantou ficando sentada na cama – Vamos tomar um banho?

Eu prontamente saltei da cama, ignorando toda a comida que havia sobrado. Nada se comparava a um banho com a Jenny. Sempre ficávamos trocando carícias e brincando com a espuma. Pior ainda quando era uma banheira, parecíamos duas crianças às vezes. E claro, fazer amor na água sempre era delicioso.

Apesar de ter dormido no avião, assim que deitei naquela enorme e deliciosa cama eu apaguei de forma natural, envolvida pelos braços finos e aconchegantes de minha namorada. Acordei com leves resmungos, mas recebendo beijos por todo o meu rosto. Jenny já estava vestida a rigor, com um shortinho jeans, uma blusa solta vermelha e os cabelos pretos molhados.

–Você tem meia hora para se arrumar – Jenny falou – Adriana ligou avisando que sua amiga confirmou a vinda, irá tomar café da manhã conosco em uma área reservada do hotel.

Balancei a cabeça, me espreguicei e corri para o banheiro. Eu estava agitada para rever minha primeira amiga e que por muito tempo foi única. Provavelmente eu estaria depressiva neste momento se não fosse por Duda puxando minha orelha, passando horas comigo para me distrair. Reencontrá-la definitivamente estava sendo uma das melhores coisas que essa viagem poderia proporcionar para mim.

Era época de calor em São Paulo, não hesitei em também colocar um shortinho jeans claro, sandálias rasteiras bem simples e uma camisa branca caída em um ombro. Não usei quase maquiagem, afinal, iria encontrar apenas a Duda, já estava diferente o suficiente do que eu era antes.

Assim que sai, Jenny me olhou dos pés a cabeça com um sorrisinho de lado, revirei os olhos e já estava rumando para a saída do quarto quando ela me abraçou por trás. Mordi o meu lábio tentando ter um pouco de controle... Mas foi impossível quando ela pegou em meu cabelo e o puxou fazendo minha cabeça tombar o suficiente para que aquela boca cobrisse a minha. Deus, Jenny tinha uma pegada alucinante! Quando ela me soltou, tinha um sorriso cafajeste nos lábios molhados enquanto eu lutava por ar novamente.

–Meu beijo de bom dia, mô – ela justificou dando de ombros – Agora vamos que estamos ficando atrasadas.

–Por culpa de quem? – reclamei ainda sentindo as borboletas agitadas em minha barriga – Se bem que eu não estou reclamando.

Jenny riu alto e fechou a porta do quarto atrás de si. Caminhamos de mãos dadas até o elevador, seguindo as instruções que Jenny havia recebido de Adriana, meu encontro com a Duda seria na cobertura do hotel. Meu coração estava disparado, eu apertava a mão de Jenny cada vez mais forte a cada passo próximo que eu dava da porta de vidro. Havia poucas mesas ali na cobertura, uma enorme piscina e espreguiçadeiras. Mais ao canto, próximo dos limites da construção do prédio e com uma bela vista de São Paulo, tinha uma mesa redonda e branca, lotada de comidas típicas de meu país de origem. De pé, perto dessa mesa, estava uma mulher de pele bronzeada e cabelo pintado de loiro. Eu lembrava deles bem ondulados, mas naquele momento estava liso e enormes. Duda parecia até mais alta, com um corpo de mulher muito bonito. Ela falava ao celular, a mão a cintura enquanto ficava mexendo o pé esquerdo, uma mania que ela tinha desde a adolescência.

–Ela parece ser bonita – Jenny cochichou em meu ouvido.

–Ela é incrível – respondi sem nenhum traço de ciúme – Fique aqui amor, eu vou enfrentar a fera. Só interfira caso veja ela querendo me empurrar para a piscina ok?

A minha namorada sorriu divertida. Respirei fundo para tomar coragem e me aproximei a passos silenciosos. Escutei parte da conversa, evidentemente ela estava falando com a sua filha, dando instruções para o almoço. Então pigarreei e coloquei as mãos dentro do bolso de meu short.

–Que feio Duda, esperava mais profissionalismo de você, esperando a sua importante cliente com um desleixo desses? – falei em tom zombador, arranhando em meu português já que fazia muito tempo que eu não o falava.

Duda virou bruscamente, deixando o celular cair ao chão tamanho foi o seu choque. A sua boca abriu-se perfeitamente em um enorme O. Seus olhos castanhos escuros piscaram várias vezes, como que para ver se era verdade o que estava vendo. A situação me fez rir e abrir os braços.

–Venha cá, sua chata, me abrace, depois me mate ok? – chamei.

–MICHELLE LOPEZ! – Duda gritou e então correu em minha direção.

Ela sempre foi mais alta do que eu e mais forte, mas aquele abraço estava mesmo me esmagando. Duda até mesmo me levantou do chão enquanto me tinha em seus braços, me fazendo rir e gemer de dor ao mesmo tempo. Ela se afastou, olhou para mim incrédula e como se estivesse lembrando de algo, começou a fechar a expressão para uma zangada.

–Sua vadia! – ela bateu em meu braço – Eu fiquei preocupada por anos! – outro tapa em meu ombro – Pra depois você reaparecer como estrela de televisão e nem lembrar de minha existência!

–Se você parar de me bater talvez eu consiga me explicar! – tentava desviar dos golpes, que apesar de tudo eram fracos, mas ardidos – Duda! Calma mulher!

Ela respirou fundo, me olhou e fez beicinho. Dessa vez fui eu quem me joguei em seus braços. Duda sempre foi a irmã que eu nunca tive, ela esteve presente nos meus momentos mais obscuros. Tinha certeza de que todo o meu nervosismo de vim para cá estava valendo a pena por causa dela.

–Estou tão orgulhosa de você – Duda murmurou em meu ouvido com a voz emocionada – Você está tão linda! Tão forte!

Aquilo foi como se um enorme vendaval tivesse passado por mim e levado embora todas as mágoas que tinha passado. Escutar aquilo dela era com certeza uma das melhores coisas que já tinha me acontecido. Eu podia sentir lágrimas emocionadas rolando por meu rosto, afastei para poder enxuga-las e bufei quando Duda falou qualquer coisa sobre eu ser manteiga derretida. Ela já ia falar algo quando perdeu a voz e ficou pálida.

–Aquela é a Jenny Summers? – ela perguntou encarando um ponto atrás de mim.

Olhei por sobre o meu ombro. Jenny estava encostada em um pequeno muro comendo uvas enquanto assistia a cena afastada. Ao me ver, ela sorriu e acenou enquanto mastigava uma daquelas pequenas frutas. Fiz um sinal com a cabeça para ela se aproximar e foi o que minha namorada fez.

–Você acha mesmo que eu ia vim para cá sem trazer minha mulher junto? – indaguei com um enorme sorriso – Você sabe falar inglês não é?

Duda apenas acenou com a cabeça, em choque demais para falar. Jenny se aproximou e prontamente envolveu um braço em minha cintura. Eu poderia imaginar que ela estava segurando o ciúme depois de tantos abraços que eu e Duda trocamos. Tudo bem que eu disse que aquela era apenas uma amiga, porém Jenny ainda não conhecia a figura que Maria Eduarda era.

–Duda, essa é Jennifer Summers, minha namorada – apresentei falando dessa vez em inglês – Amor, essa é Maria Eduarda, minha melhor amiga do Brasil.

–OMG! – Duda exclamou sem conter o impulso – Jenny, eu amo você, você é incrível!

–Eu concordo com a parte do incrível – a cortei rapidamente – Mas a parte do eu te amo pode gerar pequenos conflitos aqui.

–A Mitch me falou muito bem de você – Jenny aproximou de Duda, deu um abraço rápido e voltou para meu lado – É muito bom conhecer alguém tão importante para ela.

–Alguém tinha de cuidar dessa coisinha irritante quando era menor ainda – Duda não perdeu a chance de me provocar e eu acabei rindo junto com ela – Eu ainda não consigo acreditar no que está acontecendo.

–Bom, poderá acreditar mais ainda se estiver de estômago cheio – Jenny sugeriu olhando para a comida servida – Eu estou com fome, vocês não?

Seguimos para a mesa do café da manhã. Não bastou para sentarmos para Duda começar um verdadeiro interrogatório. Fiz todo um retrocesso de como foi minha vida desde que eu tinha chegado a Chicago, até o encontro com meus pais, nas primeiras dificuldades que eu tive, dos amigos que eu fiz. Claro que ela ficou se mordendo de ciúmes da Zoey e a galera. Contei como foi as primeiras audições que eu fiz e recebi um belo e doloroso não, assim como foi completamente inusitado o meu primeiro encontro com Jenny e nossa pequena encenação em meu teste. Depois falamos dela, de como foi o período na USP, como ela conheceu o seu atual marido, Leonardo e adotou a bela Larissa, uma menina que agora tinha oito anos. Aquela conversa durou a manhã inteira e foi repleta de risadas. Jenny era extremamente divertida quando queria e se sentia a vontade, coisa que Duda conquistou rapidamente assim que começou a contar todas as minhas bizarrices de infância e adolescência.

–Eu estou muito orgulhosa do vídeo que você fez – Duda comentou fitando-me com aqueles olhos castanhos brilhando – Foi muito corajoso se expor daquela forma e eu posso imaginar que você estava surtando antes de fazer aquele desabafo.

–Parecia um inseto zanzando pelo quarto de hotel – Jenny denunciou e eu a belisquei – O que amor? É verdade!

–E você é louca de ir nas ondas dela – Duda falou apontando para Jenny, mas abriu um enorme sorriso – Mas espero que continue sendo louca assim.

–Eu sou louca por ela, é suficiente – Jenny disse fazendo carinho em meu rosto.

–Vamos parar? Eu já estou ficando sem jeito! – pedi ficando vermelha com toda aquela atenção.

–Ok, mudaremos de assunto agora – Duda mudou completamente, ficando mais ereta e até mais séria – Eu não sou boba de pensar que veio até o Brasil apenas para me ver, o que eu acho uma tremenda falta de consideração de sua parte. Mas... Qual o real motivo?

De repente toda a alegria da manhã estava se esvaindo. Meus ombros caíram e eu senti a mão quente de Jenny sobre a minha perna, apertando levemente como em sinal de apoio. Cobri a mão dela com minha palma, entrelaçando nossos dedos naquela posição.

–Eu quero encontrar com ela. Minha mãe – falei em um fio de voz, respirei fundo e encolhi na cadeira – Eu preciso superá-la. Ou eu vou ter crises por não deixar esse fantasma do passado ir embora. Preciso crescer e muito, quero crescer bem e ser a melhor pessoa que eu puder ser. Mas para isso, eu preciso encará-la.

Duda pareceu analisar cada palavra minha. Um silêncio um tanto quanto incomodo se instalou no ambiente. Jenny começou a acariciar a minha palma em uma tentativa de me manter calma e eu podia jurar que era apenas por isso que eu estava ali ainda parada e não andando de um lado para o outro começando a entrar em desespero.

–É muito corajoso e arriscado, mas acho que também é o certo – Duda disse por fim e suspirou – Eu sei muito pouco sobre sua mãe e seu padrasto. Mas Vanessa está estudando no mesmo colégio que minha Larissa. Esbarrei com ela no inicio do ano letivo.

–Como a Van está? – perguntei realmente curiosa.

–Uma verdadeira patricinha – Duda disse rindo – É popular, tem o seu grupo de amigos, se veste de acordo com a moda. E eu sei disso em apenas um encontro com ela. Mas... Eu a vi ajudando a uma garota depois que um garoto esbarrou nela, ela tinha um sorriso gentil. Talvez não seja uma Queen B. tão má assim.

–Poderá arranjar um encontro entre nós duas? – pedi meio incerta – Então eu poderei perguntar como estão as coisas, como ela está, como está a mamãe... Eu não quero aparecer lá de surpresa e ser pega desprevenida.

–Se eu não me engano ela deve estar tendo aula pelo período da tarde hoje. Se eu me apressar talvez eu consiga conversar com ela agora – Duda analisou e já foi levantando, ela era bem desse tipo, tomava a decisão e ia lá e fazia, não esperava tempo nenhum para agir – Passe o seu número para que eu possa entrar em contato assim que possível. E o da Jenny também, porque eu vou adorar contar umas coisinhas para ela.

–Eu sei que eu devo ter medo disso – fiz uma careta e peguei o celular que ela me oferecia, salvei nossos números e devolvi o aparelho – Obrigada por tudo o que está fazendo Duda, eu nunca vou poder dizer o quanto você foi e é importante para mim.

–Idiota, não me deixe emocional, estou de TPM – Duda reclamou desviando os olhos que ficaram marejados – E não se preocupe, eu mantenho sigilo profissional com meus clientes. Mas já que você é rica agora, vou aumentar a minha taxa de consultoria.

–Aproveitadora! – reclamei e ri.

–Venha cá me dá um abraço.

Levantei e dei um mega abraço de urso em Duda. Eu quis acompanha-la, mas sabia que facilmente seria vista pelos outros hóspedes do hotel. Então só pude observá-la parti, rezando para que tudo desse certo e eu pudesse encontrar logo com minha irmã. Soltei um longo suspiro quando senti Jenny me envolvendo suavemente em seus braços.

–Eu gostei dela – Jenny comentou.

–Eu disse que ela era incrível – sorri orgulhosa e virei o rosto em sua direção – O que quer fazer agora?

–Está calor e aquela piscina está bastante convidativa – Jenny abriu um enorme sorriso.

–Então vamos para o quarto por nossos biquínis e...

–Não é necessário, ninguém vai aparecer por aqui mesmo!

Então ela me pegou no colo e mais uma vez eu estava gritando. Eu me agarrei nela desesperada ao senti-la correr em direção a piscina. Gritei assim que ela pulou, bebendo um pouco da água de cloro durante a submersão de meu corpo. Assim que emergi, busquei por Jenny, mas ela já estava longe demais para que eu pudesse bater naquele corpo branquela até aquele sorriso travesso e sapeco sair de seus lábios. Eu comecei a correr atrás dela, a nadar em busca daquele ser irritante. Mas no meio de caminho eu esqueci o meu propósito vingativo e estava apenas me divertindo. Eu adorava cada faceta de Jenny, desde a incrível mulher que ela podia ser até essa eterna garota moleca que ficava rindo e correndo pela piscina em brincadeira. O melhor? Eu sabia que a partir daquele momento ela estaria do meu lado em todos os momentos de minha vida, sejam eles bons ou ruins. Seja ela estando perto ou longe. Afinal, era isso que significava amar e ser amado, não é?

Notas finais
Eu estava conversando com algumas pessoas e descobri uma coisa incrível. Muitas leitoras comentam entre si e com amigos (que são fantasmas para mim) sobre as minhas fics! Eu acho isso tão legal cara! hauhauhaua Então, eu estava pensando o seguinte. Uma vez eu sugeri a criação de um grupo no face para a galera que ler yuri... Mas deu preguiça! hauahuah então, como eu tenho alguns contatos daqui do Nyah no whatsapp pensei: porque não criar um grupo lá? É tão mais fácil! Ai seria um grupo não só pro pessoal que ler minhas fics, mas que gosta do estilo e tudo o mais, até mesmo para se conhecer! Já até falei com algumas pessoas e elas gostaram da ideia, mas preciso ver se vocês também gostam da ideia. Ai pensei até em um ir falando com o outro, passando os números que o ADM vai adicionando e tals. Sei lá, é só uma ideia base! =3