Equalize

25 Capítulo 25


Notas iniciais
Então, eu mesma fiquei com um pouco de dó do final, então dobradinha de domingo para vocês s2 PS: apesar de tudo, eu ainda dou risada desse capítulo hauhauhauha

POV Jenny

Eu estava explodindo de felicidade. Aquele havia sido definitivamente a minha melhor e maior atuação como atriz de cinema! As críticas estavam todas positivas, eu recebia elogios de todos os lados, de todas as pessoas! Meu ego estava o mais alto possível, transbordando em todo o meu ser a sensação de que eu tinha feito tudo certo e da melhor maneira que poderia ter sido feito.

Para comemorar eu meio que bebi um pouco além do que deveria. Isso me deixava leve e um pouco estúpida. Mas aquela era a minha noite e eu queria extravasar toda a tensão que eu senti para fazer aquele filme. Encontrei muita gente, amigos e figuras extremamente importantes. Fiz contatos. Naquele meio, conhecer as pessoas certas poderia facilitar em muito a sua vida. Foi assim nesse momento de socialização que eu encontrei Candice. Ela estava linda e gostosa em um vestidinho vermelho, toda sorrisos para mim.

Candice era uma pessoa ousada, havia aprendido muitas coisas com ela e tido bons momentos. Assim que ela me viu não desgrudou mais e eu realmente não me importei. Aquela loira estava me fazendo bem e me distraindo. Assim eu não ficaria tão pra baixo por Michelle não estar ali do meu lado. Era insana essa minha necessidade de tê-la ao meu lado, ainda mais em momentos como esse. Sempre que pequenas coisas aconteciam eu tinha vontade de dizer para ela, de comentar com ela, de vê-la rir. Saber que ela não estava ali para que eu pudesse fazer tudo isso era uma dor quase física.

Assim, eu não me fiz de rogada quando Candice pediu para ir para a festa comigo. O evento de comemoração seria em um salão fechado, com uma banda famosa do momento e uma área com DJ. Era algo grande e que também estava contando com uma população de famosos e ricos do momento. Eu podia ver menininhas que tinham pais multimilionários, artistas de diversas áreas, modelos se exibindo e muitos garçons e garçonetes com roupinhas sensuais. Eu não me segurei lá dentro, dancei e ri de qualquer besteira, fiz brincadeiras com pessoas famosas que nem ao menos conhecia direito. Estava estupidamente feliz e bêbada. Candice sumia e aparecia, falava dos beijos que conseguia e sempre me aparecia com uma bebida diferente.

Em um momento comecei a ficar tonta. Segui para uma área mais tranquila e externa, que ficava na cobertura do prédio. Encontrei Candice lá, com um cigarro entre os dedos e soprando de sua boca vermelha anéis de fumaça. Aproximei dela e encostei em uma parede, lançando meu olhar para as luzes da cidade. Sem o agito e o efeito borbulhante da bebida, a saudade de Michelle começou a falar mais alto novamente. Estava pensando em minha menina quando senti o corpo de Candice pertinho do meu.

–Candy? – chamei confusa.

–Você está gostosa demais Jenny – Candice disse com a voz rouca, bem próxima de meu ouvido.

Eu queria poder dizer que não estava afetada com aquilo tudo. Mas era humanamente impossível não sentir algo por Candice naquelas condições. Ela era gostosa, muito, e eu estava com um nível alto de bebida circulando por meu corpo. Engoli em seco e aspirei da frangrancia dela, meu corpo estremeceu como resposta e infelizmente ela sentiu isso. A loira começou a depositar beijos em meu pescoço e eu a segurei nos ombros, reunindo todas as minhas forças para afastá-la.

–Não faça isso Candice – implorei e sai de perto da parede – Eu tenho namorada.

–Mas eu sei que você me deseja agora – Candice falava com tom rouco, tentando aproximar-se novamente – Uma pequena aventura Jenny, em nome do nosso bom e velho sexo.

Era fácil me imaginar fazendo sexo com Candice ali mesmo, na cobertura. Seria gostoso e prazeroso. Mas não seria nada comparado ao que eu sentia quando estava com Michelle, de como ela me tocava e fazia molhar com apenas um olhar. Minha mão foi prontamente para o pingente de meu colar, tocando ele como se assim pudesse ter minha menina mais próximo de mim me dando forças.

–Sim, eu tenho desejo – admiti – Mas você não é ela, Candice. Não insista.

–Por favor, eu sou muito mais do que ela – Candice bufou e revirou os olhos – Vamos Jenny, ela não precisa saber, ninguém precisa saber. Só eu e você. Prometo que não vou te marcar e...

–Não! – aquela conversa já estava me irritando – Eu a amo Candy. Não vou trair a única mulher que é tudo para mim. Pare com isso antes que isso piore mais ainda!

–Piorar? Você está apaixonada por uma brasileirinha, Jenny! Se toca! – Candice explodiu, o orgulho ferido por ter levado um fora – Ela é totalmente inferior, de um país de terceiro mundo! Desde quando o seu nível caiu tanto?

Eu só fui perceber o que eu fiz depois de que a ação estava completa. Minha mão havia colidido com o rosto de Candice, em um tapa ruidoso e dolorido. Ela levou a mão até o rosto tocando o local que já estava prontamente vermelho. Eu respirava com dificuldade, meu corpo fervendo de raiva daquela mulher bem a minha frente.

–Nunca mais ouse abrir essa maldita boca de piranha para falar de Michelle em sua vida! – eu falei cuspindo as palavras cheias de veneno – Ela é a minha mulher, a minha namorada e pode ter certeza de que um dia eu irei casar com ela. Não vai ser uma vagabunda que fica dando para os outros para aumentar a autoestima que vai falar de uma pessoa como Michelle. Você nem ao menos chega aos pés da mulher que ela é, Candice. Ponha-se você no seu lugar!

Candice ficou estática no lugar, surpresa com minha reação. Eu poderia ser do tipo brava às vezes, mas nunca havia erguido a mão contra ninguém antes. Até aquele momento. Eu não poderia ver alguém discriminando a minha Michelle e não fazer nada. Minhas palavras haviam sido duras e, por mais que fosse difícil, eram verdadeiras. Candice era daquele tipo de garota mimada que precisava ter as coisas para se determinar. Talvez por isso nós nunca tivéssemos dado certo, porque ela era uma mulher vazia.

Para mim a festa havia acabado naquele momento. Saí da cobertura e fui até a entrada da festa com dificuldade, afinal minha coordenação motora também estava debilitada por conta do álcool. Merda, eu nunca mais perderia a linha na bebida em eventos assim! Ao finalmente conseguir sair e chamar a minha limusine, pude finalmente pegar o meu celular. Queria ligar para Michelle, ouvir a voz dela, dizer que a amava e que estava sangrando por dentro de saudades. Mas assim que eu peguei o aparelho meu coração despencou de meu peito e pareceu ir até o submundo. Maldição! Claro que ela viu aquela entrevista e o meu jeito idiota com a Candice. Se eu havia pirado com um selinho sem querer dela com Zack, ficava imaginando como estaria se estivesse no lugar dela e tudo parecia piorar. Era só o que faltava para que minha noite fechasse com chave de ouro!

Assim que eu cheguei no hotel onde estava hospedada, comecei a ligar desesperadamente para ela. Sabia que o celular dela deveria estar desligado, mas eu precisava tentar! Depois da vigésima ligação, soltei um suspiro e fui tomar um banho. Não iria adiantar, sabia que ela não queria me ver nem pintada de ouro naquele momento. Apesar de tudo, assim que eu deitei na cama eu adormeci rapidamente. Estava cansada e com um misto de sensações que sobrecarregavam meu espírito.

Porém, quando acordei, a primeira coisa que fiz foi pegar o celular. Passava do meio-dia e eu tinha a esperança de que Michelle tivesse ligado o celular. Linda ilusão, as ligações caiam direto na caixa. Soltei um suspiro frustrado e fui me arrumar, infelizmente ainda tinha algumas coisas burocráticas para fazer. Nos momentos de espera, eu fiz a besteira de ver na internet os vídeos sobre o evento de lançamento e quase me bati forte quando vi a última entrevista, a que Candice quase me beijava na frente da câmera. Não era a toa que Michelle não estava me atendendo! Eu continuei tentando, deixava mensagem e até tentava ligar para Kevin, mas a ligação nunca completava. Isso era algum tipo de complô, sabia que se Michelle tivesse pedido para o seu agente não falar comigo, ele não falaria.

Dois dias se passaram nesse total silêncio da parte dela e eu já estava enlouquecendo completamente. Eu não podia simplesmente jogar tudo para cima e ir atrás dela, não ainda por causa dos meus compromissos. Porém, assim que tive uma brecha, peguei meu celular e mudei de estratégia. Liguei para Bradley Cooper.

–Jennifer?! – ele atendeu falando em um sussurro surpreso.

–Sim, sou eu – confirmei com um tom aliviado, finalmente alguém atendendo minhas ligações!

–Ah galera, vou aqui atender essa ligação, é uma de minhas amantes! – Bradley falou em tom de gozação.

Mordi o lábio imaginando que ele deveria estar gravando naquele momento. Será que Michelle estava perto dele? Como ela estaria? Ainda muito zangada? Eu sabia que ela iria começar a fingir que estava tudo bem. Ela fazia isso muito bem, afinal eu lembrava detalhadamente dos dias em que ficamos brigadas depois de uma outra estupidez.

–Menina, você está ferrada! – Bradley falou finalmente normal.

–Eu sei, por isso estou mudando a estratégia. Michelle está difícil – expliquei e soltei um suspiro cansado – Eu preciso falar com ela Brad, mas eu sei que ela não vai me escutar tão cedo. Mas eu preciso explicar que aconteceu nada! Que eu fui mais uma vez uma idiota e...

–Deixe seu discurso para ela – Bradley me cortou rindo.

–Como ela está? – perguntei hesitante.

–Se fazendo de forte. No primeiro dia ela parecia para baixo, fazia de tudo de uma maneira um pouco intensa, eu acredito que para distrair a mente. Pelo lado positivo, as gravações estão saindo magnificas porque ela está descontando a raiva no trabalho. Mas... Às vezes dá para notar o jeitinho murcho que ela fica quando ta sozinha.

Mordi o lábio com força, mas não consegui conter duas lágrimas silenciosas. Eu sou uma verdadeira idiota!

–Onde vocês estão? Eu sei que vocês saíram do último local de gravação – pedi a informação em um fio de voz – Por favor, Brad eu preciso de uma ajuda.

–Eu sei. Vamos fazer um evento promocional em Austin no Texas amanhã, terá uma entrevista, sessão de fotos e uma sessão para os fãs. Tudo isso vai ser em um prédio de negócios. Faço melhor, te envio uma mensagem com todas as informações.

–Brad, eu não sei nem por onde começar a te agradecer!

–Só não seja mais idiota de deixar a Michelle desse jeito. Você tem um plano?

–Estou bolando um já. Obrigada mesmo!

Desliguei o celular e finalmente comecei a sentir que as coisas poderiam começar a dar certo novamente. Eu faria Michelle me escutar mesmo que eu tivesse de amarrá-la e aprisiona-la! Peguei mais uma vez meu celular e liguei para meu agente.

–Liam, preciso que você compre passagens para o primeiro voo para Austin. Não faça perguntas agora, só precisa saber que eu vou encontrar Michelle e nada vai me impedir.

(•••)

Pov Michelle

Qualquer um podia notar o meu mau-humor no dia seguinte à première. Eu não estava sorrindo e estava jogando todas as minhas energias no trabalho. Eu nem me importei com um arranhão ou dois que ganhei quando estava fazendo a filmagem da cena de ação. Eu tentava ao máximo desligar a minha mente da première que aconteceu a noite, mas como o coração era traiçoeiro, vez ou outra eu estava me torturando e me perguntando o que aconteceu naquela maldita festa.

Eu sei que eu deveria confiar em Jenny. Esperar que ela se lembrasse de mim nos momentos de dúvida... Mas sempre havia aquela pontada de ciúme que me fazia esquecer toda a lógica e colocava em minha mente imagens nada agradáveis. Então eu realmente me concentrei apenas no trabalho, ficando tão exausta que quando estava sozinha só me restava a opção de dormir durante o resto de horas que tinha até retornar as gravações.

Então veio a viagem para o Texas. Por mais que eu amasse a parte de viajar por toda a América para promover eventos e tudo o mais, aquela viagem não tinha o sabor da emoção de sempre. Eu não poderia tirar dezenas de fotos e enviar para Jenny, eu não poderia ligar e dizer que queria que ela estivesse comigo vendo alguma coisa. Eu não queria, mas depois dessa confusão toda a saudade que eu tinha da mulher branca e de olhos verdes apenas aumentou drasticamente. Eu estava no meio de uma díade. Uma hora eu a queria a minha frente, para jogá-la contra a parede e mostrar de quem ela pertencia. Mas em outras horas eu tinha vontade de bater nela e gritar, como ela se atrevia a me deixar em um estado daqueles?

Felizmente os eventos em Austin seriam seguidos, o que nos deixava completamente ocupados. O prédio era completamente luxuoso e destinado a negócios e eventos de porte extremamente importante. Havia fotógrafos, paparazzi e jornalistas por todos os lados. Primeiro veio a entrevista com a maior parte do elenco. Eu e Henry falamos de nossa interação, de como ficávamos a vontade perto um do outro e de como isso facilitava as gravações. Bradley falou sobre como era fazer pela primeira vez fazer um vilão e eu de intrometida falei que os vilões estavam mudando, que a sociedade estava os vendo de uma maneira diferente. Quem não era fã de Loki e Curinga? Que apesar de serem personagens de quadrinhos, eles anunciavam mais evidentemente como o estereótipo de vilão estava sofrendo mudanças. Olivia Wilde como sempre estava um amor de pessoa nas entrevistas, ela era linda e deslumbrante, falando de como foi fazer o trabalho, planos para o futuro e coisas desse tipo.

Depois veio a sessão de fotos. Tive de trocar de roupa, passando a usar um shortinho jeans desfiado, com uma blusinha cor vinho e coturnos. Estava bem visual adolescente, como estaria a minha personagem. Tiramos fotos, brincamos com as poses e por algum tempo eu pude esquecer completamente a minha “briga” com a Jenny. Tudo melhorou ainda mais quando tivemos um tempo especial com nossos fãs. Ai sim que eu me joguei e brinquei com eles, abracei e beijei, tirei fotos fazendo caretas e brincando. Se eles me amavam tanto, eu os amava ainda mais. O carinho deles era um fenômeno indescritível.

Durante a volta para o hotel, eu estava com um sorriso sincero. Receber aquela atenção tão sincera, ver que eu estava sendo admirada... isso não tinha preço! Quando chegamos ao hotel, havia alguns fãs e paparazzi nos aguardando. Olivia e Henry ficaram pouco, estavam realmente cansados. Mas tinha uma fã que grudou em meu braço e me olhou com grandes olhos negros chorosos.

–Obrigada Michelle! – ela dizia em meio a desespero e admiração – Por eu ter me inspirado em você, eu consegui sair de casa e ir viver com o amor de minha vida! Obrigada porque agora eu sei mesmo o que é ser feliz com quem a gente ama!

Aquilo encheu meu peito de uma emoção que eu não sabia descrever. Não era exatamente isso que meu pai havia me dito? Que quando estivesse famosa, que usasse isso para fazer o bem de alguma forma? E ali estava, uma linda garota que não deveria ter mais do que vinte anos, chorando e me abraçando com força, dizendo que eu era a sua heroína.

–Hey, qual seu nome? – perguntei emocionada.

–Catherine, mas pode me chamar só de Cat – ela disse limpando as lágrimas.

–Diga a sua namorada que ela é uma mulher de muita sorte – eu disse com um enorme sorriso – Porque enfrentar o mundo por outra pessoa é apenas para os corajosos de verdade.

Cat voltou a chorar prontamente e tiramos fotos, autografei um pôster meu de Eternal e já estava pensando em me afastar quando vi seguranças rompendo a porta do hotel e começando a afastar os paparazzi e alguns fãs mais persistentes. Do meio daqueles homens de ternos surgiu a pessoa que eu menos esperava encontra ali. Jenny estava com um olhar firme, seus longos cabelos negros presos em um rabo de cavalo. Usava uma calça preta muito justa, botas e uma regata azul escura. Assim que a vi, eu simplesmente congelei no lugar, sem saber ao certo o que estava sentindo, embasbacada com a presença surreal dela ali. Quando perto o suficiente, Jenny abriu um rápido sorriso travesso e abaixou o corpo, em um rápido movimento ela me pegou e jogou-me em seu ombro. Exatamente isso! Ela estava me carregando como um verdadeiro homem bárbaro faria. Eu gritei em susto, finalmente acordando de meu torpor.

–JENNIFER! – gritei assustada.

–Senhoras e senhores – Jenny disse alto, parecia estar falando com os fãs e paparazzi – Com toda a licença, isso aqui é um sequestro. Passar bem!

–O QUE? – gritei novamente, começando a tentar me segurar nela e me soltar – Jenny Summers, me coloque no chão AGORA.

–Hum? Disse algo?

Jenny segurou mais firme minhas pernas e começou a entrar no hotel. Eu gritava e batia em suas costas. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo! Eu via os fãs gritando por “Jennelle”, os flashes das câmeras praticamente me cegavam. Mas nada se comparava ao turbilhão de coisas que aconteciam em meu interior. Eu não sabia se estava eufórica por ela estar ali, ou com raiva por estar me tratando daquele jeito, ou se simplesmente queria fugir da confusão que iria ser quando ela me colocasse no chão. Nem mesmo quando chegamos ao elevador ela me soltou.

–Me solta! – eu ordenei vermelha de raiva – Porra Jennifer!

–Não vou te soltar – ela disse em um tom tranquilo, eu não podia ver o seu rosto – Você vai fugir assim que as portas abrirem ou me nocautear. É mais seguro dessa forma.

–Oh claro! Ainda bem que sabe que vai morrer assim que eu puser meus pés no chão! – gritei e bati com força em suas costas – O que você pensa que está fazendo? Não sabe ser civilizada?!

–Auch, me deixe viva pelo amor de Deus! – Jenny choramingou, eu a estava batendo a sério – Civilidade não ia adiantar muito caramba!

As portas do elevador se abriram e ela me levou até um quarto. Um rapaz abriu a porta para gente e a fechou logo em seguida. Não estávamos em meu quarto, o que deixava claro que Jenny havia reservado um para si no mesmo hotel que o meu. Assim que ficamos no meio do apartamento, Jenny respirou fundo, me colocou no chão e eu arfei. Tirei meu cabelo do rosto e nos fitamos por longos segundos que eram acompanhados do silêncio absoluto. Eu não sabia o que fazer ou o que estava acontecendo. A saudade esmagava meu peito em cada batida de meu coração furioso. Era tão contraditório e complexo tudo o que eu estava sentindo! Então o silêncio foi quebrado, mas apenas pelo barulho do tapa que eu dei no rosto de Jennifer.

–AI! – ela choramingou e acariciou a bochecha vermelha – Não poderia ser em outro lugar? Isso daqui vai ficar um hematoma.

–Não brinque comigo! – eu exigi não gritando, mas falando forte e brava – O que pensa que estava fazendo? Me tratando daquela forma na frente de fãs e fotógrafos?! – eu a empurrei pelo peito e ela nem ao menos tentou se defender – Se cansou dos momentos inesquecíveis com aquela loira vadia?! – ah triste dor do ciúme, ele estava acabando com toda a minha sanidade – Volte lá com aquela criatura ridícula!

–Não quero – Jenny deu de ombros com desinteresse, então ela me segurou pela cintura e me puxou forte, fazendo meu corpo colidir com o seu – Eu tenho uma namorada já.

–Ah, tem uma namorada?! – eu a empurrei e consegui me afastar alguns bons centímetros, mas ela logo me puxou de volta, nada delicada – ME SOLTA!

–Não quero – Jenny repetiu com um sorriso que me deixou ainda mais nervosa – Eu não vou soltar minha namorada.

–Vai pro inferno Jennifer! – gritei e bati no ombro dela – Eu não quero você!

–Não? É uma pena, porque como eu disse isso aqui é um sequestro, você não tem muitas opções – Jenny continuava aparentemente calma e isso contribuía ainda mais para o meu desespero.

–Oh agora você quer? – meu tom escorria ironia – Parecia muito contente com a sua companhia na première enquanto eu estava longe!

–Eu pensei que com a Candice eu poderia me distrair e aproveitar um pouco a noite – Jenny disse e soltou um suspiro, eu a odiei com todas as minhas forças e bati tão forte no braço dela que o som do choque de minha palma em sua pele produziu foi alto – AI! Meu Deus que violenta!

Dessa vez eu consegui me soltar dela. Eu nunca senti tanta raiva em minha vida. Como ela se atrevia a fazer aquilo tudo apenas para dizer que queria aproveitar a noite? Que pensou que uma loira ínfima a poderia distrair? Minha mente bolava várias situações e em todas elas Jenny acabava nos braços de Candice. Aquilo era masoquismo psíquico!

–Eu não quero saber como foi sua noite com aquela garota. Eu quero que você saia daqui! – eu disse finalmente tremendo em minha voz – Eu sinto muito que eu não pude estar lá – arfei e fugi quando Jenny tentou se aproximar – NÃO ENCOSTA MAIS EM MIM – eu não queria ser tocada, eu era fraca e não conseguiria pensar direito com ela tão perto – Pare de brincar comigo, pare de tentar me seduzir quando minha mente está se quebrando pensando em como você se divertiu com outra mulher naquela noite.

–Eu não traí você – Jenny disse firme, finalmente perdendo a pose de “sequestradora tranquila” – Eu podia estar um pouco bêbada, mas eu não traí você.

–Ah estava muito evidente isso, eu e todo mundo que viu o evento acha que nada aconteceu!

Eu odiava brigar com Jenny. Odiava o medo que sentia de perde-la, de que realmente algo tenha acontecido naquela noite e que ela apenas me diga que não me queria mais. Eu queria fugir pra bem longe, porque assim poderia fugir das palavras que poderia me destruir totalmente. Mas ao que parecia, Jenny não queria me deixar escapar. Ela grunhiu impaciente, aproximou-se tentando me pegar, mas eu não seria tão fácil. Desviei e corri para o lado oposto.

–Eu disse pra não me tocar! – gritei.

–Eu posso passar a tarde correndo atrás de você – Jenny ameaçou – Porque eu vou sempre correr atrás de você Michelle Lopez.

–Corra atrás daquela loira! – continuei de birra.

–Vai me deixar tão fácil assim? – aquilo me fez travar no lugar, Jenny aproveitou e começou a se aproximar – Vai deixar que outra me tenha fácil assim? – ela me pegou mais uma vez, dessa vez empurrando até a parede e me prendendo entre seus braços. Seus olhos travaram nos meus e eu soube naquele momento que eu estava completamente perdida – Eu sei que sou uma idiota algumas vezes.

–Algumas vezes? – repeti em deboche.

–O suficiente para te deixar triste em alguns momentos – pela primeira vez Jenny falhou na voz e abaixou o olhar – O que me obriga a ter muita criatividade para ter sua atenção para eu poder pedir desculpas por ser assim.

–Você ficou com ela? – disparei a pergunta que tanto tinha medo, mas que necessitava fazer – Não minta para mim.

–Ela tentou ficar comigo.

A sinceridade dela poderia contar um ponto a favor, se não tivesse me deixado completamente abalada. Bufei e tentei sair de dentro de seus braços, precisava pegar distância daquele corpo que tanto me atormentava. Mas Jenny nunca facilitava as coisas! Ela segurou-me firme e me jogou mais uma vez contra a parede. Quanta “delicadeza” para alguém que precisava pedir desculpas.

–Mas eu não fiquei! – ela acrescentou finalmente, eu ergui meu olhar ao dela desconfiada – Porque apesar de tudo eu só ficava pensando em você. Porque assim que eu vi a intensão dela de verdade, eu deixei bem claro que preferia a minha Michelle a qualquer outra mulher do mundo.

–Como posso acreditar que disse isso? – indaguei arfando com a possibilidade.

–Pergunte a ela se o tapa que eu dei nela a convenceu de que eu sou só sua.

A imagem que se formou de Candice recebendo um tapa muito bem dado naquela cara de falsa que tinha foi o suficiente para quebrar todas as barreiras. O olhar de Jenny era sério, não havia resquício de brincadeira ou lance de sequestro, ela estava sendo sincera. Aquela mulher poderia querer a minha Jenny, mas era como o pronome possessivo dizia, ela era só minha!

E eu iria provar que essa era a única verdade que existia, provar para mim mesma que eu podia fazer Jennifer Summers ser minha mulher e apenas minha. Como iria fazer isso? Da forma mais gostosa e dominante que eu poderia conhecer.

Notas finais
Ok, eu sei que eu fui muito má em postar esse e terminar dessa forma. Mas o próximo vai ser só ISSO hauhauhauah. Amanhã provavel que tenha dobradinha de novo xD