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20 Capítulo 20


Notas iniciais
Capítulo pequeno, é apenas um momento que finaliza um momento para começar outro. Se for considerar, nesse dia primeiro eu postei 3 capítulos, vocês não podem reclamar de nada e nem me ameaçar mais hunf u_u

Eu tinha formulado uma noite romântica para mim e Jenny, já que a atriz prometera voltar para dormir em minha casa. Havia pedido comida oriental que eu sabia que ela gostava, selecionei uma garrafa de vinho mesmo sabendo que apenas ela iria beber, já que eu estava tomando remédios e não poderia misturar. Fiz uma playlist para tocar no meu aparelho de som na sala com músicas românticas e mais calmas. Até me arrumei para a ocasião, mesmo com dificuldade por causa de meu braço enfaixado e dolorido. Escolhi um short preto que era curto, uma blusa vermelha que era caída de um lado, exibindo o meu ombro. Não usei de maquiagem, porém escolhi o perfume que Jenny mais gostava em mim.

Quando a companhia de casa tocou, meu coração deu acrobacias dignas do Cirque du Soleil. Caminhei a passos largos com um sorriso bobo quase formado em minha boca... Apenas para abrir a porta e me deparar com meus amigos do lado de fora. A minha cara de decepção foi tão grande que eles gargalharam.

–Não se preocupa, ela está aqui – Zack chegou para o lado mostrando uma Jenny de braços cruzados – Apesar de ter tentado de todas as formas de nos impedir de vim.

–Só queríamos conferir a nossa menina – Oliver disse já entrando em minha casa.

–E minha mulher – Jenny tratou de acrescentar, mesmo que ainda de maneira resmungona.

Revirei os olhos, mas fiz questão de abraçar cada um deles. Não podia negar que eu adorava aquele carinho que estava recebendo. Eu não imaginava que um dia seria amiga de pessoas como eles, não por serem famosas e figuras populares, mas sim de personalidades incríveis. Jenny permanecia de bico ao ser a última a entrar e fechar a porta de maneira emburrada. Aproximei de minha namorada e envolvi o seu pescoço, a fitando com todo o carinho que estava sentindo no momento. Então aquele efeito mágico caiu sobre nós, como se o mundo parasse de existir e estivéssemos em uma realidade paralela onde só existia eu e ela.

–Você está linda – Jenny murmurou me abraçando mais apertado – E está usando o perfume que me enlouquece.

–Eu tinha me preparado só para você – revelei também usando de um tom baixo, sabia que qualquer coisa que fosse escutada pelos outros poderia ser usada contra mim – Peguei até aquele vinho que você disse que gostava.

–Eu ainda posso expulsar esses idiotas – ela falou seriamente.

–Não, eu estou feliz que eles estejam aqui, mas no fim fico mais feliz ainda de saber que vou dormir abraçadinha com você.

Ela deu aquele sorriso que me destruía por inteiro e me beijou de maneira delicada e carinhosa. Eu estava prestes a aprofundar o contato quando escutei Ian nos chamando e dizendo que iria abrir o vinho. Revirei os olhos e dei de ombros, bem se você não pode contra o seu inimigo, junte-se a ele.

A noite no fim das contas havia sido extremamente divertida. Ian e Zack fizeram questão de encenar de uma maneira um pouco exagerada tudo o que aconteceu depois que eu desmaiei. Jenny ainda ficava de cara amarrada, mas não conseguia deixar de rir de algumas palhaçadas. Depois disso jogamos baralho, tive de pedir pizza para poder alimentar aqueles garotos que pareciam ainda estar em fase de crescimento, já que a comida que eu havia pedido antes não foi suficiente. Zack era um verdadeiro ladrão e um mentiroso nato, sempre inventando as mais ridículas e divertidas justificativas quando o flagramos roubando nas cartas. Jenny era extremamente competitiva e logo esqueceu que estava zangada com a intromissão dos garotos, passando a se divertir pelo restante da noite.

Ao menos quando foram embora, foram os três de uma vez. Eu estava um pouco cansada, talvez pelo efeito dos remédios ou por não ter dormido direito ainda. Porém estava longe de querer acabar aquela noite. Estava preparando o cappuccino enquanto Jenny tomava um banho e voltava vestindo um baby-doll branco extremamente curto e aparentemente confortável. Por um momento me distrai olhando para suas pernas, a curva da cintura, a saliência dos seios e me perdendo naquela boca que tinha um sorriso maroto ao ver que eu a observava.

–Fiz cappuccino para você – falei um pouco corada por ter a encarado daquela forma tão descarada.

–Eu sei que seu plano é me viciar no cappuccino para que eu me torne completamente dependente – Jenny aproximou e me abraçou por trás, dando suaves beijos em meu ombro exposto pela blusa – Mas me deixa avisar que você é muito mais gostosa e viciável do que o cappuccino.

O sorriso que ficou estampado em meu rosto surgiu naturalmente. As borboletas em meu estômago estavam em festa com aquela demonstração de carinho que me aquecia por inteiro. Virei meu corpo para poder olhá-la, apenas para descobrir que ela também tinha um sorriso apaixonado em seus lábios.

–Sabe o que eu queria? Que meu braço estivesse completamente bem e que não tivesse começado a doer. Assim eu poderia deixar meu corpo tentar falar o que meu coração está gritando.

–Seu coração está gritando que quer meu corpo nu?

Revirei os olhos e ri, sabia que ela estava apenas amenizando o clima, mas que havia entendido as minhas palavras apaixonadas, pois logo depois estava me dando um daqueles beijos que me levava até a lua. O beijo continuou por incontáveis minutos, nenhuma das duas tinha pressa ou vontade de quebrar aquele contato tão íntimo e gostoso. Nossas bocas pareciam se conhecer a séculos e agora estavam apenas dançando uma balada de amor. Antes que as coisas começassem a ficar mais quentes, Jenny afastou-se encerrando o beijo com muitos selinhos. Mesmo com minhas reclamações, ela enrolou o meu braço com a tala com proteção plástica e praticamente me empurrou para o banheiro para que eu pudesse tomar o meu banho.

Eu aceitei de bom agrado todo aquele mimo que ela estava me oferecendo. Depois de um banho relativamente demorado, eu saí usando uma camisola azul e logo Jenny tratou de verificar meu braço e olhar meus pontos. Porém antes de deitarmos para dormir – e apenas dormir, infelizmente – eu sentei na cama e peguei a corrente sobre a cômoda ao lado. Jenny notava meus movimentos, mas permanecia em seu lugar, que era sentada um pouco mais ao meio do colchão. Segurei a corrente com o punho fechado para que ela não visse o que eu carregava realmente. Com um pouco de dificuldade por estar atrapalhada e dolorida, eu sentei de frente a ela, minhas pernas esticadas passando ao redor do corpo dela, porém mantendo certa distância e sem estar realmente no colo dela.

–Eu não sei como você vai reagir a isso – comecei em um tom que tentava ser calmo – Nosso relacionamento não pode ser medido pelo tempo, porque tempo é algo bastante confuso para o nosso tipo de trabalho.

O que era verdade. Em um momento você estava trabalhando todas as horas do dia no estúdio de gravações, no outro estava viajando pelo país ou apenas presa em casa preocupada em gravar todas as falas e enredos. Em determinados momentos estávamos juntas o tempo todo, em outros éramos separadas por dias incontáveis.

–Está parecendo que é algo sério – Jenny comentou, segurando em minha cintura de maneira suave, mostrando que estava ali comigo.

–É para mim – soltei um suspiro e abri a palma de minha mão, peguei a corrente e a exibi para ela – Isso era de meu pai, ele dizia que era a pena de um anjo da guarda, portanto iria proteger quem usasse. Ele sempre usava, acreditava que trazia sorte e proteção. Deu para mim quando fui fazer a minha primeira peça de teatro.

–É lindo – Jenny encarava ao colar por algum tempo, mas logo estava voltando a me fitar – Mas ainda não compreendo muito bem...

–Quando ele morreu, eu não consegui mais usar. Era de certa forma doloroso porque sempre me trazia lembranças do que eu já não tinha mais. Agora... Agora eu quero dar a você.

–Eu não posso aceitar, Michelle!

–Jenny...

–É algo de seu pai, algo importante para você e...

–Sim, é algo importante, mas eu quero dar a você justamente por isso.

–Michelle isso não parece certo, é de seu pai e você o ama tanto!

–Assim como também amo você.

Havia tanta sinceridade em minha fala que Jenny fixou o olhar no meu e pareceu parar de respirar. Era esse o momento que eu tinha medo. Talvez fosse cedo demais para exibir sentimentos tão fortes em todas as palavras que poderiam existir para descrever o que eu sentia por ela. Porém para mim era impossível segurar essa onda que parecia mover minha vida, causando efeitos similares aos estragos de um tsunami.

–Eu amo você Jennifer Summers – repeti com a voz carregada de emoção, respirei fundo para poder manter a minha linha de pensamento – Eu amo você tanto que chega a doer, porque meu pobre coração não aguenta tanta intensidade e emoção. Eu te amo a tal ponto de que só de saber que você está bem significa muita coisa e me deixa tranquila. Por isso eu quero te dar esse colar. Para que todos os anjos possam te proteger quando eu não puder, para que meu pai olhe para a garota que me conquistou e a proteja também – nesse momento eu já chorava e Jenny me acompanhava com lágrimas silenciosas – Você não precisa usá-lo sempre, apenas manter consigo. Também quero que tenha algo meu, uma parte física de mim que representa mais do que palavras podem descrever.

–Michelle eu não sei o que dizer. Ninguém nunca antes fez algo assim, falou coisas dessas para mim.

–Apenas aceite. Veja bem, eu não estou querendo nada em troca, porque eu estou doando uma parte de mim que ninguém nunca terá. Apenas você.

–Ah Michelle...!

Jenny que ainda me segurava pela cintura, puxou-me para seu colo e me abraçou apertado. Um abraço que valeria por mil beijos ou centenas de declarações. Um que permitia o meu coração acelerado bater perto do dela que estava em igual ritmo descompassado. Eu a sentia estremecer em meus braços, emocionada com meu ato e o vivendo plenamente. Não podia negar o alívio, afinal seria aceitável que ela fugisse perante a intensidade de meu gesto, podendo alegar mil e um motivos coerentes. Porém ela estava ali, me mantendo perto de si e murmurando frases desconexas, mas repleta de carinho.

Depois de um tempo realmente incontável, nos separamos e Jenny pediu que eu colocasse o colar em seu pescoço. Para amenizar o clima, fui esquentar o resto do cappuccino e o tomamos ali mesmo na cama, abraçadinhas. Não conversamos muito depois, não era necessário, o silêncio era confortável e nossos olhares se comunicavam perfeitamente bem em uma linguagem própria.

Apesar de eu ter dito que ela não precisava usar o colar o tempo todo, Jenny depois daquele dia raramente o retirava.