Equalize
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Dois dias depois eu pude voltar a gravar. Apesar de que para terminar aquela cena de ação foi necessária pela primeira vez uma dublê, consegui finalizar a gravação do episódio como se nada tivesse acontecendo. O que de fato não refletia o que acontecia fora do set de gravação. Os tabloides e redes sociais comentavam sem parar a revelação de nosso namoro, a impressa caía encima de nós como se fosse o fim do mundo e nós duas a salvação.
Para a nossa sorte, o seriado estava chegando à reta final nas gravações, o que exigia total dedicação já que as partes mais complexas do enredo estavam começando. Por isso, passávamos mais tempo ali do que em nossas próprias casas. Eu já havia assinado o contrato para a próxima temporada, assim como todos os outros do elenco principal, isso incluía, obviamente, Jenny. Porém com o tempo que teria entre uma temporada e outra, era mais do que hora de procurar outros papeis e meu alvo era o cinema. Kevin estava trabalhando duro, conseguindo testes para mim em novos roteiros.
O tempo foi passando e o estresse ia acumulando, a falta de tempo por causa do trabalho estava desgastando meu espírito, pois mesmo perto de Jenny eu não podia realmente tocá-la como queria. Era algo que tínhamos combinado, em local de trabalho não iriamos demonstrar muito afeto, pois poderia distrair e atrapalhar, além de demonstrar respeito ao nosso profissionalismo. Porém quando tínhamos algum tempo juntas, estávamos cansadas demais para passar mais do que de carícias pequenas e carinhosas. Eu sabia que por muitas vezes Jenny se sentia frustrada sexualmente, mas apesar de compartilhar dessa sensação, tentava manter o foco em meu trabalho.
Ela era bastante compreensiva, apesar de sempre alfinetar quando estava de mau-humor, o que vinha acontecendo bastante ultimamente. Ainda mais quando estava com ciúme de algo, ou pior, de alguém. Eu tinha a faceta de sempre me dar muito bem com as pessoas, apesar de ser um pouco ausente, quando me debruçava em uma conversa eu era, segundo os outros, cativante. Assim mantinha contato com muitas pessoas, desde artistas de diferentes áreas aos profissionais que eram envolvidos nesse meio. Jenny tinha um ciúme absurdo da Shay Mitchel, o demonstrava de diversas formas, mas nunca ousou me pedir alguma forma de restrição de contato.
Aquele havia sido mais um dia agitado. Os últimos dias de gravação estavam finalmente acontecendo e a minha apreensão apenas aumentava, afinal eu ainda esperava resultados dos testes que tinha feito. Porém, apesar de toda a minha insegurança profissional e o cansaço por causa do trabalho, aquele não era um dia qualquer. Era nosso aniversário de três meses de namoro. Jenny nunca se mostrou atenta as datas e elas sempre coincidiam em ser em uma época muito turbulenta. Porém eu não queria deixar passar em branco dessa vez.
Por isso havia preparado algo especial em meu trailer. Comprei velas aromáticas, cuidei para formular uma playlist que mesclava músicas sensuais e românticas em suas faixas. Porém o presente especial estava em meu corpo. Havia escapulido para ir até o shopping com Kevin, completamente disfarçada, para comprar uma lingerie vermelha totalmente sensual e com direito a cinta-liga e espartilho. Assim que estava tudo pronto apenas tive de esperar. Apesar de tudo, Jenny sempre vinha ficar comigo ao anoitecer. Eram raros os dias que não dormíamos juntas, havia me acostumado terrivelmente com o corpo dela perto do meu para adormecer tranquilamente.
Como planejado ela bateu em minha porta e eu apenas gritei um “entra”. Eu usava um roupão para poder cobrir a lingerie que já estava usando. Jenny entrou e observou a decoração com velas de maneira curiosa. Ao fundo tocava uma música de Ed Sheeran. Seus olhos encontraram os meus enquanto seu corpo aproximava lentamente. Jenny estava curiosa e um pouco surpresa.
–Eu perdi algo? – ela indagou.
–Nosso aniversário de namoro – respondi com um sorriso tímido.
–AMOR! – ela exclamou abrindo bem os olhos – Como você comentou nada mês passado eu pensei que você não era do tipo que comemorava mês por mês e...
–Eu sempre notei – dei de ombros para tranquiliza-la – E estávamos ocupadas nos outros dois meses. Mas nesse eu resolvi fazer algo para minha namorada.
–Ah é? E o que é exatamente?
–Um jantar romântico, é claro.
–Só isso?
–Bom, se você conseguir terminar o jantar... Terá uma sobremesa incrível.
Quando falei sobremesa, apontei para mim e dei o meu melhor sorriso sensual. Só então abri meu roupão e deixei que ele caísse dos meus ombros, exibindo o conjunto que eu usava. O queixo de Jenny praticamente despencou e ela literalmente me comeu com os olhos. Aquilo me fez sentir um poder de mulher sedutora que tirava aos poucos a minha inibição. Pisquei um olho para ela de maneira travessa e caminhei até a pequena cozinha, pegando do forno a comida que eu havia encomendado. Propositalmente ao abaixar o meu corpo eu resolvi provoca-la, assim empinei bem minha bunda quando fui pegar o que almejava. Assim que depositei a comida sobre o balcão, senti meu corpo ser agarrado por trás bruscamente. Jenny atacou meu pescoço, pressionando o seu quadril contra o meu.
–Eu não quero você como sobremesa, eu quero te comer como prato principal.
O modo como ela falava, rouca e cheia de desejo, usando daquele palavreado cafajeste... Apenas me deixava ainda mais excitada e cheia de tesão. Porém o meu propósito naquela noite era provoca-la o máximo possível. Por isso depois de uma batalha interna, afastei as mãos dela e peguei a comida, colocando sobre a simples mesa que havia ali.
–Ainda não meu amor – neguei com um sorriso travesso – Vamos jantar, vamos? Eu encomendei minha massa favorita.
–Sério isso Michelle? Você está tão deliciosa nesse conjunto e quer me obrigar a comer enquanto te tenho dessa forma?
–Exatamente esse o ponto.
A olhei em desafio e ela soltou um longo suspiro. Jenny sentou a minha frente e não sabia onde por os olhos. Fitava meus olhos castanho-esverdeados, depois descia para meus seios comprimidos pelo espartilho, os deixando ainda mais expostos. Quando comecei a comer, usei de toda artimanha que conhecia. Mastigava lentamente, passava a língua nos lábios, me inclinava para poder pegar algo ofertando ainda mais meus seios. Jenny ofegava, virava o copo de bebida, batia o pé nervosamente embaixo da mesa. Eu pude contar sete minutos e cinco garfadas. Esse foi o tempo até Jenny não aguentar mais.
–Chega! Foda-se tudo!
Ela levantou tão bruscamente que a cadeira caiu ao chão produzindo um som que mal foi notado por nós duas. Jenny meu puxou sem muita delicadeza, mas a situação em si me divertia e fazia rir achando encantador aquela falta de controle dela. Parecendo raciocinar pouco e estar sendo guiada pela mais pura necessidade, a minha namorada me empurrou até o balcão ao lado da pia e prensou meu corpo. Logo a boca tomava a minha em um beijo urgente. Por um momento eu não tive como reagir da maneira que eu queria, ela me tomou para si com um ímpeto incontrolável, devorando meus lábios com um desejo desenfreado. Não era um beijo bonito, mas exigente e avassalador, dominador e muito quente. Ela tinha o controle sobre minha língua, obrigando-me a seguir um ritmo que nunca havia provado antes. Sua cabeça movia-se as vezes, dando novos encaixes ao beijo que realmente não tinha fim. Quando o contato acabou por falta de ar, finalmente percebi que Jenny tinha me colocado sobre o balcão e estava entre minhas pernas.
Palavras não foram necessárias, Jenny não deu um intervalo real para que nos recuperássemos daquele beijo. Suas mãos finalmente começaram a me tocar, arranhando de leve minha coxa, puxando de leve o elástico da cinta-liga e o soltando, produzindo um som engraçado ao bater em minha pele. Ela atacou meu pescoço e ombros, distribuindo beijos molhados, mordidas lentas e chupões enlouquecedores, provavelmente deixando uma marca ou outra. Não a vi desatar o meu espartilho, mas logo o senti fora de meu corpo e as mãos possessivas deslizarem por minha pele até atingirem meus seios. Ela fez uma torturante massagem, brincando com meus mamilos até que eu perdesse todo o resto de controle que tinha e me jogasse completamente naquele desejo ensandecido. Lutei para tirar a blusa que ela usava e logo a puxava para mais um beijo quente e intenso.
Dessa vez quando ela tentou tomar o controle, eu virei o jogo. Levei uma mão até a nuca dela entrelaçando meus dedos no cabelo negro e macio. Então o puxei com um pouco de força, a obrigando a inclinar a cabeça um pouco para trás. A beijei de modo voraz e com toda a luxúria que tinha, sugava a sua língua com ímpeto e mordiscava o lábio nos momentos certos. Aquele beijo nos deixou completamente excitadas e molhadas, então quando senti minha calcinha ser rasgada eu praticamente gemi nos lábios dela em agradecimento. Jenny segurou em meu quadril e me puxou o máximo possível para a beirada do balcão. Senti os dedos roçarem em meu sexo molhado e tive de quebrar o beijo para pender minha cabeça para trás e gemer longamente. O prazer foi o mais louco, porém só piorou quando ela sem necessidade de avisos penetrou-me em uma única investida com dois dedos. Apoiei uma mão no balcão apenas para manter o equilíbrio, a outra ainda se mantinha no cabelo escuro de minha namorada, o puxando e bagunçando a medida que as investidas prosseguiam.
–Jenny – gemi perto do ouvido dela, a escutei arfar sendo afetada apenas com minha voz – Faz... Faz mais rápido – prontamente novas estocadas rápidas, crescendo exponencialmente de ritmo – Isso! Ai meu DEUS! – gemi no ouvido dela e a escutei gemer junto, ela adorava que eu ficasse sussurrando e gemendo desse jeito – Me faz... Me faz sua, Jenny! Mais, mais forte!
Ela grunhiu perdida no prazer que nos envolvia. Obediente, Jenny conseguiu me tirar desse mundo e transportar para outro onde existiam apenas duas entidades: amor e desejo. Ambos se mesclavam com força, por mais que a luxúria estivesse presente com força esmagadora. Jenny dava estocadas mais rápidas, arrancando de mim todo o fio de controle que existia, as coisas só pioraram quando ela começou a auxiliar os movimentos com o quadril, conseguindo manter um ritmo frenético e forte ao mesmo tempo, acrescentando prontamente um terceiro dedo. Foram inútil minhas tentativas de prolongar aquele momento e retardar o meu orgasmo. Logo estava tremendo forte, meus músculos se contraindo e aquela sensação poderosa que tomava todo o meu corpo. Foi de longe um dos orgasmos mais deliciosos que eu já havia experimento na vida.
O paraíso parecia estar ali naquele momento. Eu abri meus olhos com um sorriso satisfeito nos olhos, apenas para encontrar os de Jenny ainda obscuros pelo desejo. Abri a boca para tentar falar algo, mas meu coração deu um salto triplo quando Jenny abriu minhas pernas segurando em meu joelho.
–Agora minha sobremesa – ela disse arfante, mas de um jeito tão safado que apenas me colocou molhada novamente.
Eu a observei abaixar o corpo até que sua boca ficasse próximo ao meu sexo. Naquele momento não havia espaço para vergonha ou puderes. Eu já ofegava irregularmente, enlouquecendo com aquela expectativa toda. Jenny levantou o olhar e travou nos meus, um sorriso safado brincou em seus lábios antes de sua língua encostar-se a meu clitóris. Naquele momento eu não sabia respirar, apenas estremecer e fechar os olhos com força. O desejo voltou mais rápido e forte, o prazer era imensurável enquanto a língua dela envolvia o meu ponto com devoção. Aquela língua me explorou, brincou e provou de cada parte, a maestria e vontade dela de me provar tornava tudo absurdamente uma explosão de sensações. Eu gemia e mordia meu lábio tentando controlar meus impulsos, mas na primeira vez que ela me chupou com voracidade eu não aguentei um gemido mais alto e longo, era incontrolável. Levei as mãos até o cabelo dela e a prendi ali. Meu corpo pareceu ganhar vida própria, ainda mais quando aquela língua, ah essa língua!, começou a penetrar-me ao máximo que podia, então eu rebolava e empurrava meu quadril em sua direção sem manter um ritmo certo. E quando estava dentro de mim, fazia movimentos que eu não poderia processar como eram feitos, mas que obtinham um resultado eminente: eu estava louca e morrendo de tesão.
Não tardei a desmanchar em um gozo forte e longo, um orgasmo onipotente que dessa vez pareceu atingir alma e corpo em sincronia. Minhas costas arquearam. Meus olhos se abriram e não enxergaram absolutamente nada na verdade. Minha mente parecia ter saído do corpo e voltado carregada de um sentimento inexplicável. Eu estava sem forças, meu corpo completamente entregue. Jenny me sugou por inteira, lambeu cada vestígio de meu prazer e ergueu o corpo com um sorriso enorme e cheio de significados. Ela me pegou no colo e levou até a cama. Demorei alguns minutos ainda para poder recuperar minha consciência.
–Jenny? – chamei em uma voz rouca, mas por causa dos gemidos.
–Estou aqui mô – ela prontamente me puxou para seus braços.
–Pode me fazer de entrada, prato principal, sobremesa e aperitivo quantas vezes quiser, tudo bem?
Ela riu de uma maneira tão gostosa e solta que eu sorri contente por apenas fazê-la feliz naquele momento. Estava finalmente recuperada e então resolvi me despir por completo, tirando a cinta-liga de meu corpo. Dessa vez eu não tinha intenção de seduzi-la, mas parece que Jenny entendeu ao contrário, pois logo estava atacando-me novamente. Recomeçamos tudo de novo, eu tomava o controle, ela roubava de mim e no fim já não sabíamos onde uma começava e a outra terminava. Nada parecia bastar o suficiente, a satisfação era momentânea e intensa, mas logo se fazia presente novamente nos obrigando a passar uma deliciosa e longa noite de sexo e amor.
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