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14 Capítulo 14


Notas iniciais
Oi gente =3 mais um capítulo *-* eu to achando essa fic tão doce, será que eu devo voltar para o drama? muhauhauhauha

Mais uma vez eu fui a primeira a acordar, porém, dessa vez, era Jenny que me fazia de travesseiro. Chegamos em casa tão cansadas que apenas tomamos banho, deitamos na cama, trocamos alguns beijos apaixonados e despencamos em um sono gostoso. Isso apenas porque estávamos uma nos braços da outra. Não havia dúvidas que eu dormia muito melhor quando estava com ela.

Estiquei meu braço para pegar o celular sobre a mesinha ao lado da cama. Soltei um suspiro ao ver que ainda eram seis horas da manhã. Muito cedo, porém era a hora ideal para cumprir o grande propósito da minha viagem. Acariciei o cabelo de Jenny e comecei a chama-la com carinho, ela remexeu sobre mim e apenas me abraçou mais, porém não acordou. Sorri de forma boba e comecei a fazer carinho em suas costas, a chamando novamente. Mas nada dela realmente acordar. Então dei um forte tapa na bunda dela a despertando em um susto. Ri alto com a cara de assustada que ela fez, o cabelo preto bagunçado sobre o rosto amassado.

–Bom dia Sammy – cumprimentei ainda rindo.

–Geralmente se acorda o amor da sua vida de uma maneira mais carinhosa – Jenny reclamou e deitou ao meu lado resmungando.

–Eu tentei senhorita amor de minha vida – ri mais ainda – Mas você não acordava de jeito nenhum.

–Não é para menos, ainda são seis horas! – Jenny gemeu assim que olhou o horário em seu celular – Tivemos apenas duas horas e meia de sono Michelle!

–Desculpe – pedi sem jeito e sentei na cama para poder olhá-la melhor, passei a mão em meu cabelo como sempre fazia quando estava sem jeito – Mas... É o melhor horário para sair. Logo vão descobrir que estamos aqui e eu não queria os paparazzi me seguindo nesse momento.

–Do que está falando? – Jenny perguntou sonolenta.

–Quero ir ver meu pai...

Os olhos verdes finalmente se abriram completamente despertos. Ela entendeu que eu queria ir ao cemitério visitar o meu pai, assim como também queria que ela fosse comigo. Jenny sentou, se espreguiçou de uma forma manhosa que me fez sorrir. Inclinou em minha direção e colou nossos lábios em um beijo casto, um selinho demorado.

–Bom dia, minha vida – ela falou de um jeito carinhoso – Eu vou ao banheiro primeiro, ok?

Acenei com a cabeça e assim que ela saiu do quarto eu fui para a cozinha preparar o meu cappuccino. Tinha de compensá-la por ser tão incrível comigo. Assim que ela chegou ao cômodo e viu o que eu estava preparando ficou prontamente de bom-humor, mesmo tendo dormido muito pouco. A deixei com a minha bebida e fui tomar meu banho, optando por escolher um vestido leve e de cor preta. Dessa vez Jenny nem precisou pedir para dirigir, já estava bem subtendido que ela sempre iria fazer isso.

–Eu não lembro se cheguei a comentar – Jenny começou a falar quando parou no primeiro sinal vermelho – Mas eu me divertir muito ontem, de verdade. Fazia muito tempo que eu não ficava com tanta gente e podendo relaxar.

–Eles são bem loucos na verdade, acho que estavam se comportando para impressionar você – ri baixinho e suspirei – Eu vou ser atormentada por causa daquele vídeo sabia?

–Sim, mas valeu a pena para mim. Também vão comentar sobre estarmos só eu e você na viagem. Mas acho que basta dizer que os outros estavam com compromisso, o que não deixa de ser verdade.

–Acho que teremos de voltar hoje para Califórnia – ponderei e soltei um suspiro exasperado – Aqui não tem todo o suporte para enfrentar aqueles enxeridos.

–É o preço que pagamos por sermos incríveis e talentosas, meu amor.

Ri daquele comentário e Jenny pareceu sorrir como se tivesse conquistado o mundo. A guiei até o cemitério que ficava um pouquinho longe de minha casa. Deveria ser umas sete horas da manhã quando entramos no lugar, estava bem vazio o que me agradou demais. Não queria ter pessoas correndo em nossa direção para bajular ou surtar quando tudo o que eu queria era um momento íntimo com meu pai.

Caminhei pelos túmulos reconhecendo aquela trajetória, eu antes costumava visita-lo o tempo todo, mesmo que ele não estivesse ali de verdade, conversar sozinha e de certa forma próxima de meu pai me ajudava a por a cabeça no lugar. Não demoramos a parar em frente ao seu túmulo, onde em uma pedra estava cravejado o nome de meu pai, os seus anos de vida e uma frase que ele sempre dizia: “Mude a sua forma de pensar que você mudará o seu comportamento”.

–Ei pai – sentei no gramado, enfrente a lápide e me surpreendi quando Jenny fez o mesmo – Ta vendo essa gata aqui do meu lado? É minha namorada! Da para acreditar?

–Isso é forma de me apresentar pro meu sogro? – Jenny fingiu bufar.

–Você é gata, não estou mentindo – dei de ombros e sorri olhando para o túmulo – Ela é incrível papai, e está me fazendo feliz – nesse momento Jenny pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos – E sabe? Eu estou mesmo conseguindo as coisas, como o senhor disse. Eu estou batalhando dia após dia, mas vale a pena.

–Eu tenho certeza de que ele está orgulhoso de você agora.

Eu sorri grande, sim, ele estaria orgulhoso. Comecei a conversar como se meu pai estivesse mesmo ali, contando para ele dos medos e inseguranças que eu ainda tinha. Não me importava de Jenny estar ali do meu lado, na verdade, a presença de minha namorada apenas me relaxava e fazia me sentir bem mesmo em um momento como aquele. Jenny? Ela escutava atenta e sabia quando fazer silêncio ou algum comentário, ela estava sendo perfeita como sempre.

–Você estava certo como sempre papai – falei e abri um grande sorriso – Com a fama vem grandes responsabilidades. Eu posso influenciar a vida de jovens agora, ser um bom exemplo para eles, principalmente para aqueles que tiveram uma vida parecida com a minha. Sonhos podem da certo se você souber arriscar e ser forte para poder se erguer quando escutar um não.

–E é nesses momentos que eu descubro que posso me apaixonar ainda mais por você. Só se passaram dois dias de namoro e eu já estou nesse nível de rendição – Jenny comentou ao meu lado e estalou a língua – Está vendo o que sua filha faz comigo, sr. Lopez?

Acabei rindo e a abracei com força. Depois disso levantei, já era hora de ir para casa. Na despedida foi impossível não chorar. Eu sentia uma sincera saudade de meu pai, queria com todas as minhas forças que ele estivesse ali comigo, mas não estava. Ao menos não fisicamente. Eu tinha fé e nessa minha fé eu acreditava que meu pai poderia ser o meu anjo protetor, consequentemente sempre estaria comigo, me protegendo e guiando como sempre o fez.

Graças a tudo que é sagrado, não nos deparamos com nenhum fotografo ou repórter na saída do cemitério. Porém minha sorte não foi tão grande ao chegar à frente de minha casa. Havia cinco deles prontos para tirarem fotos nossa e um jornalista de tocaia. Soltei um longo suspiro e Jenny apertou a minha mão logo depois que desligou o carro. Não precisou dizer com palavras que ela estaria do meu lado. Era hora de encenar um pouco, fingir que éramos apenas amigas. O que era fácil, pois mesmo depois do título de “namoradas”, não perdemos de forma alguma a amizade.

–Michelle, Jenny! – o jornalista logo se colocou a nossa frente para forçar uma entrevista – o que as trazem a Chicago?!

–Bem, eu morava aqui – disse em simpatia, de nada adiantava os tratar mal – Viemos passar um pouco de nossa folga longe do estúdio.

–Vieram sozinhas? – o jornalista foi bem sugestivo dessa vez.

–Os outros infelizmente estavam ocupados – deixei meus ombros caírem e fiz beicinho como se estivesse mesmo triste – Queria apresentar meus amigos para eles. Mas ai só me restou trazer essa chata como uma mala extra mesmo.

–Me ame menos, por favor! – Jenny entrou em meu jogo e revirou os olhos, depois riu – Eu não teria nada para fazer, porque não acompanhar uma amiga?

–Soubemos que se divertiram muito ontem, está rolando até um vídeo de você cantando Michelle – o jornalista continuou, mas estava até sendo simpático quando viu que estávamos de bom humor.

–Oh aquilo – fiz uma careta – Eu fui desafiada, chamaram minha alma de velha só porque eu tenho bom gosto musical.

–Duvido que a maioria dos cantores e bandas que você goste ainda existam – Jenny provocou.

–O que prova que eles são tão bons que são imortais! Vou cortar o seu cappuccino se continuar falando de meu gosto musical.

–Não está aqui quem falou – Jenny ergueu as mãos em rendição.

–Moças... Seria demais pedir uma foto?

Sim, seria, eu estava cansada e querendo dormir novamente. Mas eles não precisavam saber disso, além do mais, eles estavam fazendo o seu trabalho. Olhei para Jenny e ela ficou do meu lado, sorrimos para a câmera e Jenny tratou de arranjar uma desculpa para entrarmos. Espreguicei-me finalmente me sentindo um pouco livre da pressão de estar sempre de bom humor e sorrindo para as câmeras.

–Você lida tão bem com eles – Jenny comentou se referindo aos paparazzi – Acho que eles ficam encantados com seu sorriso e não ficam chatos como geralmente são.

Dei de ombros e dessa vez fui a primeira a ir ao banheiro tomar um longo banho. Aquele final de semana foi incrível a sua maneira. Mais ainda se eu fosse pensar que Jenny começava a fazer parte das melhores lembranças que eu estava construindo. E o que seria do ser humano sem as suas lembranças que marcavam a sua história? Naquele momento eu estava descobrindo o quanto era mais gostoso fazer memórias com alguém que eu amava.

(•••)

–Muito engraçado, eu não sabia que estava ocupado esse final de semana.

Oliver reclamava ao meu lado. Revirei os olhos e estava com um sorriso culpado. Estávamos em um clube, eu, ele e Jenny. Zack havia saído para compromissos, sendo que apenas eu sabia que na verdade ele iria encontrar com a namorada. Jenny amava piscina e por isso já estava ali, nadando feito uma sereia. Enquanto isso eu estava estirada em uma espreguiçadeira tomando sol, usando um biquíni vermelho e óculos escuros. Oliver ao meu lado mexia em seu tablete, provavelmente acabando de ver a reportagem sobre o meu final de semana com a Jenny.

–Desculpe – pedi rindo – Era necessário.

–E esse vídeo? – Oliver pegou e eu pude escutar a minha voz ecoando de seu tablete – Nossa já tem muitas visualizações, logo você vai estar lançando um single próprio.

–Quem sabe? Estou aberta a negociações.

Inclinei para ver o vídeo que eu ainda não tinha visto, apenas o postei e esperei para ver no que iria dar. O resultado? Os números de visualizações aumentavam cada vez mais, Kevin me ligou avisando que eu deveria fazer aquilo mais vezes, porém com um intervalo de tempo para poder criar expectativa no público. Entretanto eu não queria realmente ficar a sério com esse lance de música, meu talento e aspiração estava voltado mais para a arte de atuar e interpretar.

–Você estava olhando para ela não é? – Oliver observou quando começou a tocar a parte mais rápida da música – É tão óbvio, sorte a sua que a Jenny não aparece aqui.

–Ou não, nunca ouviu falar dessas amizades intensas entre meninas? – arqueei uma sobrancelha.

–Amigas que se pegam as escondidas? Super normal – Oliver exagerou em seu tom e logo estava gargalhando comigo – Vocês duas sei não...

Claro que ele foi o primeiro e o único a saber que estávamos juntas. Afinal de contas, ele sabia desde Nova Jersey que eu gostava daquela branquela. Depois Jenny o perseguiu para saber notícias minhas depois de nossa briga. Então quando voltamos de viagem Oliver já sabia que estávamos juntas, mesmo sem que anunciássemos nada concretamente. Apesar de sua aparência jovial, Oliver era o mais velho do elenco com seus trinta anos. Ele entendia como funcionavam os romances entre famosos melhor do que eu ou Jenny.

–Michelle, venha para a água! – Jenny chamou da piscina.

–Estou com preguiça – fiz uma breve careta – Eu levaria uma hora no banheiro só pra me convencer que o cloro saiu de meu cabelo.

–Fresca! Venha logo, o dia está lindo e a água está muito gostosa – Jenny tentou argumentar.

–Você que deveria sair, sua pele de assombração não se dá bem com o sol!

Oliver riu alto e Jenny com toda a sua delicadeza mostrou o dedo do meio para mim. Ah o que o amor não fazia, não é? Balancei a cabeça rindo e não demorou cinco minutos para que Jenny estivesse saindo da piscina. Era impressão minha ou o mundo ficou em câmera lenta de propósito? Sentia-me em um filme em que se colocava um efeito especial da garota gostosa saindo da piscina. A água escorrendo pelo corpo molhado, o close indo direto para as curvas do corpo parando propositalmente nos locais estratégicos. O olhar aguçado e claro da garota indo direto para a câmera como se dissesse: eu sou gostosa e sei disso. Só que nesse caso a “câmera” seria eu.

–Eu praticamente posso ver o pornô que está passando em sua cabeça, Michelle – Oliver prontamente me zoou.

Eu quase engasguei e fiquei tão sem jeito que quando Jenny se aproximou eu virei o rosto na direção contrária. Meu coração ainda estava disparado, ela estava seminua e bem próxima de mim.

–O que houve? Ela está vermelha que nem tomate – Jenny perguntou diretamente para Oliver.

–A Michelle estava com pensamentos impuros – Oliver me entregou e eu bufei alto – Só fiz constatar isso em voz alta.

–Eu vou pegar água! – falei em desespero, levantando em um salto.

–É só pedir ao garçom Michelle – Jenny ria sabendo que eu estava apenas fugindo.

–Assim como também tenho pernas para fazer algo tão simples, já volto!

Só não corri porque ainda tinha um resto de dignidade a manter. Não poderia ficar parecendo uma adolescente virgem o tempo todo! Quando cheguei ao balcão de vendas, conversei um pouco com o vendedor que se mostrou um fã meu e demorei o máximo que pude. Aproveitei para esfriar meus pensamentos, ou não conseguiria voltar e encarar Jennifer só de biquíni novamente e não surtar. Quando voltamos propus que fossemos para o salão de jogos e foi exatamente ali onde passamos o resto da tarde, jogando pebolim e jogos de mesa. Estávamos aproveitando os últimos minutos de folga, pois logo depois estaríamos viajando para cumprir com nossa agenda de astros de um seriado popular.

Porém a melhor parte foi quando Jenny foi me deixar em casa e antes que eu saísse de seu carro puxou-me para um beijo longo e quente. Os vidros do carro eram totalmente escuros, nada seria capaz de nos ver ali. Não foi a toa que ficamos ali uns bons trinta minutos, trocando beijos e mais beijos, aproveitando aquele pequeno espaço que tínhamos uma para a outra. Sair dali foi uma das coisas mais difíceis que eu já tinha feito na vida, estava tão gostoso, tão bom que meu corpo e coração reclamavam em alto e em bom som por eu estar me afastando.

Eu sabia que seria assim dali para frente, alguns beijos escondidos, dias sem poder tocá-la direito por estarmos em constante companhia e vigilância. Mas se eu tivesse apenas alguns minutos como aquele e pelo menos pudesse ficar perto dela... Definitivamente poderia me acostumar com essa rotina.

Notas finais
Alguém ler mangá yuri? to precisando tanto de leituras assim ç.ç serve em inglês também *-*