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15 Capítulo 15


Notas iniciais
Capítulo saindo só porque uma certa pessoa prometeu parar de me ameaçar com legos assustadores em minha casa! ahuahuahua ♥

–Eu odeio essa parte do trabalho! – Jenny resmungou pela milésima vez.

Não pude deixar de sorrir ao vê-la irritada na tela do meu notebook. Estava em um hotel em Miami agora, deitada em uma enorme cama e com o notebook a minha frente em uma ligação com Jenny. O mês de eventos já estava quase acabando e na semana seguinte já retornaríamos para Burbank para prosseguir com as gravações até o último episódio de Eternal.

Durante esse mês que passou tudo aconteceu. Viajei para vários lugares, estive em vários cantos e conheci muita gente importante. Às vezes Jenny estava comigo, outras não. Como atriz da personagem principal, ela viajava sempre com Zack e Ian, apesar dela ainda se incomodar um pouco com o Zack depois do beijo que ele me deu. Eu acompanhava mais o Oliver, afinal nossos papeis eram os de vilões.

–Também estou com saudades – suspirei e fiz um bico triste.

–Como foi a gravação do comercial? – Jenny indagou e abriu um sorriso enorme – Eu sei que foi incrível, porque foi você quem o gravou, mas como foram as coisas?

–Boba – fiquei um pouco corada com o elogio e estava sorrindo apenas porque ela estava sorrindo para mim, era algo automático – Mas foi bem divertido, eles me trataram muito bem e você sabe como eu converso com todo mundo.

–Michelle você tem o dom de fazer amizades, o que eu acho legal contanto que fiquem só nisso, amizade. Porque essa garota linda ai já tem dona com nome e sobrenome.

Ri alto daquele jeito possessivo de Jenny. Ela sempre comentava algo assim em tom de brincadeira, mas no fundo eu sabia que ela ainda tinha um pouco de medo por conta do ciúme. Diferente das outras vezes, eu estava em Miami apenas com o Kevin para gravar um comercial de uma marca de roupa famosa que estava abrindo o campo para os jovens. Havia sido realmente divertido fazer vários looks, tirar bastantes fotos e fazer cenas com muitos efeitos. Além do que, os outros modelos eram bastante simpáticos e ficavam conversando sobre diversos assuntos além do seriado.

–Eu conheci uma modelo muito divertida, ela tem um humor negro muito terrível e era essa a graça – comentei de forma distraída.

–Modelo é? Qual o nome? Era bonita? – Jenny pediu tentando disfarçar o tom, mas era impossível com aquele olhar verde desconfiado.

–Era bonita sim, ruiva e de olhos cor de mel. Mas não faz o meu tipo.

–Não? E qual o seu tipo?

–Loira, alta, magrinha, olhos escuros.

–Michelle! É assim?!

Jenny olhava-me incrédula enquanto eu caia na gargalhada. Era óbvio que aquele era o momento clichê em que eu diria que ela era o meu tipo. Porém só de pirraça eu havia dito o seu total oposto e agora recebia um olhar reprovador.

–É brincadeira amor. Sabe que eu to completamente na sua – disse fazendo voz fina e sorrindo logo depois.

–Ah eu sei? – Jenny arqueou uma sobrancelha.

–Sim, porque não fui eu quem escolhi, foi essa coisa batendo aqui no meu peito. Acho que o tipo de meu coração é uma branquela de olhos verdes intensos e expressivos, de cabelos negros e deslumbrantes – falei toda apaixonada, arrancando dela um sorriso que só ia aumentando enquanto eu falava – do tipo que tem uma boca linda, que se encaixa perfeitamente na minha.

–Não fala isso, eu quero tanto te beijar – Jenny gemeu em frustração – Três dias sem estar perto de você é um martírio.

–Você sabe que terá época que será mais tempo longe uma da outra não é? – comentei em um triste e tentei dar o meu melhor sorriso – Então eu acho que devemos viver intensamente cada segundo que tivermos perto uma da outra, não acha?

–Nunca concordei tanto com você. Mas nem sempre vai ser tão difícil assim.

–Amor, enquanto você disser que me ama, nada será realmente difícil. É só questão de paciência.

–Eu já disse que quero beijar você?

Sorri de lado e acenei com a cabeça. Era tão bom falar com ela, mas ao mesmo tempo tão torturante por ela estar longe! Jenny me contou como foi o evento que participou em uma cidade pequena, como uma fã tentou tirar a blusa só para mostrar que estava escrito na pele com tinta que amava o Ian. Loucuras como essa sempre aconteciam às vezes, no momento poderia ser até tenso, mas depois de um tempo se tornava bastante hilário.

–Quando vai ser seu voo? – Jenny perguntou de repente.

–Pela noite, onze horas.

–Tem compromisso durante o dia?

–Nada planejado, Kevin quer ir ao shopping saltitar feito uma gazela entre as lojas, mas prefiro ficar no hotel descansando.

–Nós não vamos ficar no hotel.

–Espera, nós?

Jenny olhou-me daquele jeito sapeca dela e tinha um sorriso travesso nos lábios. Era evidente que ela estava aprontando algo.

–Acabei de comprar passagens para Miami, meu voo sai daqui uma hora e meia! Vou chegar ai logo pela manhã, descanso um pouco no seu hotel e depois vamos sair para algum lugar.

–Está falando sério?! – eu pulei na cama – Isso é loucura!

–Eu já disse que estou com saudades suas, me condene por isso. Agora tenho de ir, tenho de pegar pelo menos duas mudas de roupa e correr para o aeroporto. Eu te mando mensagem quando estiver no avião.

–Eu não acredito nisso – eu falei ainda incrédula, mas totalmente animada.

–Me deseja boa viagem amor? – Jenny pediu já levantando e fazendo um beicinho pidão.

–Venha logo! – eu ordenei e ela riu.

A mulher de cabelos negros na tela de meu notebook lançou um beijo antes de cortar a chamada de vídeo. Eu caí deitada no colchão e comecei a rir sozinha, sem aguentar a felicidade. Jenny estaria vindo para cá, só para me ver. Iriamos passar um tempo juntas! Nesses últimos tempos, apesar de tudo, estávamos tomando cuidado com nossos comentários e atos em público. Sabíamos que ninguém era tolo naquele ramo, uma coisa era querer esconder um namoro, outro era esperar que não notassem enquanto exibíamos muito amor. Quando queríamos sair, sempre convidávamos alguém para servir de distração e não pensarem que estamos em um verdadeiro encontro. Geralmente era Oliver quem nos acompanhava, já que com ele por perto poderíamos falar qualquer coisa. Não era a toa que agora nós o chamávamos de Fado Padrinho de nosso namoro.

Saltei da cama e corri para fora do quarto, indo bater diretamente no apartamento da frente. Kevin deveria estar em seu sono mais profundo, pois apenas depois que eu comecei a ligar para ele foi que meu agente veio abrir a porta.

–Está com pulga na cama? – ele reclamou de mal humor.

–Amanhã eu vou sair – avisei sem conseguir disfarçar o sorriso – Jenny está vindo para Miami agora mesmo!

–Ela é louca? – Kevin arregalou os olhos e passou a mão no cabelo – Vocês vão sair em público? Sozinhas?

–Eu não faço ideia, só sei que ela está vindo e eu quero passar o dia com ela – disse determinada.

–Você só está anunciando o que vai fazer, não pedindo opinião – Kevin fez uma careta e esfregou os olhos – Ok, procurem locais mais discretos, os paparazzi sabem que você está aqui. Ela aparecer de repente e sozinha com você vai levantar rumores.

–Daremos um jeito – prometi e mordi o canto do lábio – Kev, você conseguiria passagem para ela no mesmo voo de volta que o nosso?

–Vocês artistas são insuportáveis. Mas é você quem paga meu salário no fim do mês – ele deu de ombros e eu saltei para abraça-lo apertado – Ok, ok, muito hormônio feminino perto de mim, já chega. Vai lá andar de um lado para o outro esperando a sua donzela.

Apenas para fechar com chave do ouro, dei um selinho rápido nele e sai correndo antes que apanhasse. Kevin ficou gritando mil xingamentos para mim enquanto eu ria segura dentro de meu quarto e com a porta devidamente trancada. Fiz exatamente o que ele mandou, fiquei andando de um lado para o outro nervosamente até meu celular vibrar e Jenny finalmente dar um sinal de vida.

Jenny: Daqui a pouco estou embarcando no avião, vou chegar às cinco horas.

Michelle: Ainda vai demorar mô. Quero você agora.

Jenny: Logo, meu amor. Só um pouco de paciência. Mande-me o nome de seu hotel que eu irei direto para você.

Sorri grande enquanto digitava o nome do hotel e mais uma vez me joguei na cama e fiquei girando e girando que nem uma adolescente que tinha acabado de receber a primeira mensagem que confirmaria o seu primeiro encontro. Estava eufórica, com um sentimento forte que espantou qualquer resquício de sono que me tomava. Tive de manter minha mente ocupada, vendo vídeos no youtube, mexendo na internet, vendo televisão e no fim estava bufando de tédio e ansiedade.

Às cinco horas o céu já começava a clarear denunciando o nascer do sol. Peguei meu celular aguardando uma mensagem da Jenny. As cinco e dez eu esperava uma ligação ou qualquer sinal, as cinco e meia eu já olhava pela janela em espera de sinal de fumaça. Qualquer coisa! Onde estaria ela? Eu precisava de Jenny naquele exato minuto! Era incontrolável aquela necessidade que denunciava o quanto eu dependia da presença dela, do quanto eu a amava e queria seus beijos alucinantes.

Então a companhia do quarto de hotel tocou. Eu saí correndo em direção a porta, a abrindo de maneira brusca e ofegante. Meu coração batia em minha garganta quando eu a vi ali, parada a menos de um metro de meu corpo segurando um buquê de rosas. Eu nem prestei atenção na sua roupa ou em qualquer outro detalhe, apenas soltei um longo suspiro e me joguei em seus braços. Fui amparada de uma maneira desajeitada, Jenny chegou a recuar dois passos para não cair com o impacto de meu corpo sobre o seu. Escutei o seu riso perto de meu ouvido e estremeci forte, mas nada se comparou as sensações que me tomaram quando seus braços envolveram meu corpo e me abraçaram forte.

–Eu também senti sua falta – Jenny comentou em tom de riso.

Jenny afastou um pouco e esticou o buquê. Eu sorri feito uma boba e peguei as rosas, finalmente entrando no quarto. Inclinei um pouco para inalar a doce e suave fragrância das rosas e as depositei com carinho sobre a mesa. Virei para poder falar com Jenny e dizer o quanto eu estava feliz pela surpresa, mas assim que meu corpo virou praticamente colidiu com o dela de tão perto que a atriz estava. Meu ar foi embora de meus pulmões assim que notei os olhos verdes com um brilho intenso. O clima ao nosso redor ficou carregado com nossa química, nenhuma palavra precisava ser dita enquanto nossos olhares diziam um para o outro o quanto nossos corações se amavam.

–Eu já disse que quero muito te beijar? – Jenny disse roucamente.

–Acho que não é tanto assim – falei e a vi arquear uma sobrancelha, fiquei ainda mais próxima e envolvi o pescoço dela com os meus braços – Porque ainda não me beijou ain...

Não consegui terminar de falar, os lábios dela sobrepuseram os meus com uma pressão forte. Soltei um suspiro alto ao finalmente sentir aquela textura que eu tanto amava. Jenny me abraçou moldando o seu corpo ao meu, então me beijou com certa urgência e veemência. Não era um beijo delicado, mas sim saudoso e intenso. Eu estava completamente entregue, seguindo o ritmo gostoso que ela impunha com os movimentos de sua língua. Não demorei a sentir as mãos deslizando por minhas costas e parando em minha cintura. Ela apertou e me puxou ainda mais contra seu corpo, fazendo com que cada parte nossa fosse pressionada e roçada. Não segurei o gemido que morreu em minha boca, já que estava ainda ocupada demais envolvida naquele beijo. Infelizmente existia algo biológico chamado necessidade de respirar. Nossas bocas se separaram, mas ainda ousei capturar o lábio inferior dela e o sugar suavemente.

–Eu estou viciada em seu beijo – Jenny murmurou com a voz pesada.

–Então me beija novamente.

E assim Jenny o fez. Tomou mais uma vez minha boca em um beijo sôfrego e tão demorado quanto possível. Eu estava quente e completamente envolvida por aquela magia. Porém assim que aquele beijo teve fim, tive de desviar meus lábios para evitar um próximo. Jenny fitou-me confusa e eu acariciei o seu rosto.

–Você deve estar cansada, vida – expliquei para ela e salpiquei um selinho em seus lábios – Venha descansar um pouco, eu te quero inteira para quando formos sair, seja para onde for.

–Irá deitar comigo? – ela indagou de um jeito puramente inocente.

Mordi o meu lábio e acenei com a cabeça, notei o olhar dela vidrado em minha boca por causa da mordida e não pude evitar um novo beijo, pois antes que percebesse ela já me tinha em seus braços mais uma vez. Ainda juntinhas, praticamente a arrastei para a cama, era visível o jeito cansadinho dela, mas mesmo assim aquela mulher de pele branca tinha um sorriso tipicamente de idiota apaixonada nos lábios. Ela deitou e estava se ajeitando enquanto eu ajustava o ar condicionado. Assim que guardei o controle, seu braço envolveu minha cintura e me puxou rapidamente para bem pertinho dela. Não consegui evitar o riso, parecíamos duas pessoas grudentas daquele jeito, mas não me importava. A saudade nunca deveria ser julgada quando se chegava a um nível como aquele. Não eram apenas três dias longe uma da outra, eram vários momentos acumulados em que não podíamos fazer o que realmente queríamos.

–Deus, eu realmente me sinto em paz quando estou com você – Jenny murmurou enquanto deitava a cabeça em meu ombro.

–Isso quer dizer que está feliz? – indaguei sem conseguir diminuir meu sorriso um centímetro que fosse.

–Sim – Jenny riu de leve – Sinceramente? Eu pensei que teria mais medo do amor, surtaria um pouco mais com medo de me machucar... Mas isso é só perda de tempo.

–Então já aceitou que eu sou incrível e que não é nada sem mim? – obviamente estava me gabando.

–Não estrague o momento – mesmo sem vê-la sabia que estava revirando os olhos – Mas é mais ou menos por ai. Coloca o despertador para despertar às nove e meia?

–Mas irá dormir tão pouco...

–Quero aproveitar cada minuto, não vou desperdiçar tudo dormindo. Até porque você está comigo, tenho certeza que você é o melhor travesseiro do mundo.

Sorri e comecei a fazer carícias no cabelo negro de Jenny. Ela não tardou a adormecer e por mais que eu quisesse ficar apenas admirando a beleza singular daquela mulher. Eu também logo a acompanhei para a terra dos sonhos.

Notas finais
amanhã tem mais! =3