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13 Capítulo 13


Notas iniciais
Gente! Quase que eu não consigo postar, dia de hoje foi uma loucura! Infelizmente, capítulo único do dia. Mas amanhã tem mais! =3

Depois de um almoço regado a lembranças divertidas e algumas vergonhosas, voltamos para minha antiga casa e praticamente apagamos de cansaço na cama. Eu não me importei nem um pouco quando Jenny deitou ao meu lado e me abraçou enquanto estava praticamente dormindo já. Nem cogitei a ideia de manda-la sair dali ou se afastar, eu adorava ficar assim, pertinho e em seus braços. Por mais clichê que seja, eu me sentia completa nesses momentos ternos e só nossos.

Eu fui a primeira a despertar e me descobri na melhor posição do mundo. Jenny estava deitada de costas, de barriga para cima. Eu a usava de travesseiro com a cabeça deitada em seu peito, escutando de perto o seu coração batendo em um ritmo calmo. Meu braço circulava a cintura dela de maneira preguiçosa e tudo parecia ter o cheiro dela agora. Abri um sorriso sem perceber que meus lábios repuxavam. Lentamente ergui a cabeça para encontrar a mulher de pele branca dormindo profundamente.

Deus, ela era tão linda! Eu poderia passar horas olhando para ela... E foi exatamente isso que eu fiz. Ajeitei melhor de modo a ficar apoiada sobre um cotovelo e minha cabeça deitada na palma. Não me afastei nem um pouco, apenas fiquei ali contemplando aquela beleza tão natural e singular, gravando cada pedacinho daquela mulher incrível. Minha mente captava e cravejava na memória cada traço do rosto, desde ao desenho dos lábios até a curva que a sobrancelha fazia. Havia passado um tempo até que ela remexeu um pouco e mesmo sem abrir os olhos sussurrou.

–Encarar os outros é feio, sabia?

–Mas eu estou apenas admirando – comentei em tom baixo, não resistindo a tocar o rosto dela com a ponta dos dedos – Você é tão linda, Jennifer.

Ela abriu aqueles olhos verdes e me flagrou a olhando com sincera admiração e certa devoção. Levei minha mão até o seu pescoço e fui inclinando lentamente até meus lábios roçarem os dela. Encaixei nossas bocas em um selinho longo, mordisquei o lábio inferior e passei a ponta de minha língua contornando a boca até Jenny não resistir mais e me beijar. Foi um beijo longo, íntimo, devastador para a minha alma por conseguir me transportar a um mundo completamente diferente. Um mundo só meu e dela.

–Estou viciando em você – Jenny falou quando nos afastamos em busca de ar.

–Que bom, pois eu sou a única coisa que você terá por um longo tempo – brinquei mordendo o lábio dela e o deixando preso em meus dentes para puxá-lo um pouco e soltar.

–Eu não quero mais nada nem ninguém – ela falou entre um gemido e um suspiro – Mas estou com fome, podemos visitar dona Helena de novo?

–Para falar a verdade eu queria sair – deitei na cama ao lado dela – Pretendia ir até o Red Heart, o pub onde meu pai trabalhava e onde eu passei muito tempo. Hoje é noite de sábado e deve estar tendo show ao vivo de blues ou jazz.

–Um local público assim não seria um pouco complicado? Eu odeio essa parte de nosso trabalho, não podemos realmente ir para onde queremos às vezes – Jenny pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos – Lembro de uma vez que eu quis tomar sorvete, eu tive de ir quase disfarçada de ninja para não ser assediada pelos paparazzi. Se bem que eu acho que o balconista me achou muito louca e ficou com medo de mim.

–O que é bem compreensivo. Mas o Red Heart é pequeno e mantem sempre uma parte mais reservada. Eu poderia pedir ao Martin para reservar para nós duas. Claro que vai sair alguma coisa amanhã sobre esse encontro...

–Opa, espera – Jenny sentou de repente na cama me derrubando com o seu movimento – Estamos saindo em um encontro?

–Vejamos, estou te convidando para ir a um lugar comer, beber, poderá fazer algumas declarações de quão incrível eu sou... Se isso não é um encontro o que seria?

–Então vamos! Eu quero ir a um encontro com você. Que se foda os paparazzi, os deixem especularem a vontade. Vou tomar banho primeiro porque você demora séculos para se arrumar.

Ela praticamente saltou da cama e foi correndo para o banheiro. Ri daquele jeitinho animado dela e fiquei ainda deitada na cama, com um sorriso no rosto enquanto pensava o quanto eu estava bem e feliz. Depois de tudo, eu estava tendo tudo o que eu queria e mais um pouco. Meu sonho de virar atriz estava decolando de uma forma muito boa e controlada, a fama não me subia à cabeça e eu ficava orgulhosa de mim mesma por não estar me transformando em outra pessoa. Quantos artistas não viravam outra coisa depois que a fama e o mundo o estavam o olhando? Eu não queria isso para mim, tudo o que eu almejava era interpretar e viver em vários mundos que essa profissão tinha a oferecer, conhecer muitas pessoas e me divertir enquanto trabalhava. Não queria, entretanto, me perder no meio disso tudo, mas ao mesmo tempo sabia que iria descobrir coisas em mim que não sabia ser capaz de fazer. E claro, havia a Jenny.

Eu não esperava me apaixonar. Eu tive apenas um único caso mais sério e foi um ano depois de me mudar para Chicago. Mas nada se comparava ao que eu sentia por Jennifer Summers. Eu me sentia forte perto dela, me sentia bem e completa. Porém também me sentia vulnerável e exposta, ela sabia agora tudo sobre mim e eu também sabia muita coisa dela. Isso dava um poder sobre o outro que eu nunca havia cogitado existir, afinal bastaria pequenas coisas para causar uma mágoa muito grande. Prova disso foi o que aconteceu pouco tempo atrás.

–Mas que menininha mais preguiçosa, nem ao menos levantou da cama – Jenny comentou quando voltou para o quarto.

A resposta estava na ponta da minha língua, mas morreu e desapareceu junto com o meu ar quando eu vi Jenny apenas de toalha. Aquele pedaço de pano felpudo estava menor do que deveria ser, exibindo belas pernas brancas e ombros levemente molhados. O cabelo dela estava para trás, formando um véu negro levemente ondulado por estar em seu estado natural. Eu senti uma pontada forte em meu ventre, era impossível não olhar para aquela cena e não ficar excitada prontamente. Deus, ela era tão gostosa.

–Acho que nem preciso perguntar se está gostando do que ver – Jenny comentou com um sorriso safado nos lábios que apenas me colocou em um estado pior – Você está mesmo me comendo com os olhos.

Jenny falou aquilo de uma forma tão natural quanto estaria comentando que a noite estava linda e estrelada. Fiquei corada e envergonhada prontamente, afinal eu não era tão descarada assim. Desviei o olhar e praticamente corri para o banheiro, fugindo daquela situação constrangedora que me coloquei sem querer. Respirei fundo diversas vezes, lutando contra uma forte vontade de voltar lá e mandar toda essa minha timidez para o inferno. Precisava de um banho gelado urgentemente.

Assim o fiz, demorei quase quarenta minutos dentro do banheiro, para já sair arrumada. Optei por um estilo completamente casual, um estilo que pertencia a mim, Michelle, uma simples garota de dezenove anos e não a atriz ou Lyanna. Usava uma calça jeans escura com leves rasgos na coxa, o tradicional tênis allstar e uma blusa vermelha lisa de manga curta, com um colete preto aberto. Porém caprichei na maquiagem, usando do que aprendi com minha maquiadora aplicando um efeito legal de sombras em meus olhos os destacando bem. Eu gostava de minhas íris castanho-esverdeadas, elas mudavam de tom de acordo com a iluminação, hora parecendo mais verde, hora parecendo mais castanho.

Quando voltei para o quarto Jenny também estava pronta e também com roupas simples. Um vestido preto que ia até o meio de suas coxas, mas sem um decote exagerado ou coisa parecida. Ela usava uma jaqueta por cima e botas de salto, o que a deixava centímetros mais alta do que eu. O cabelo preto estava com cachos na ponta e a maquiagem era suave, tirando o batom vermelho que ela usava e chamava total atenção para seus lábios. Aquela boca era a maior tentação que eu já tive o prazer de encontrar!

–Você está linda – Jenny falou com tanta admiração que eu corei – E fica extremamente fofa quando fica vermelhinha, dá vontade de morder!

–V-você está incrível – estava quase murmurando, sendo apanhada por uma timidez repentina.

Deus, eu estava do lado da mulher mais linda que eu já tinha visto. Como não ficar tímida e sem jeito quando esta mesma mulher olha para você como se fosse o item mais belo que já viu e que quer morder você?

–Acho melhor irmos logo ou eu mudo de ideia e fico com você só para mim – Jenny falou em um tom mais pesado, parecendo lutar contra si mesmo, aproximou de mim e pegou em minha mão – Vamos?

–Vamos.

Entrelacei nossos dedos e ela abriu um sorriso que parecia ofuscar qualquer outra coisa ao redor. Fomos para o carro alugado e Jenny pediu para dirigir, ela amava isso e eu não ousaria questionar. Fui guiando ela pelas ruas, sentindo um calor diferente por estar de novo naquelas ruas tão conhecidas por mim. Red Heart era um pub relativamente pequeno em comparação aos outros que existiam em Chicago. Mas ali iam pessoas tão legais e divertidas, tinha um atendimento tão bom que sempre vivia cheio. Pedi para Jenny estacionar em uma vaga meio escondida, a vaga que eu sempre usava porque sempre estava vazia. Peguei meu celular e pesquisei na internet o número do lugar já que não havia como eu lembrar sozinha.

–Red Heart, boa noite! – escutei a voz de Martin assim que ele atendeu a chamada, o som de música e vozes vindo ao fundo.

–Por favor, eu gostaria de falar com um velho marrento e que faz um bicão super charmoso quando está emburrado – falei em tom de riso, ele era do tipo difícil, mas tinha um coração enorme.

–Michelle?! – ele logo percebeu quem era – É você mesma?!

–Oh não, é a mamãe Noel ligando fora do natal – ironizei e ri – Sou eu Martin!

–Menina continua sendo chata como sempre, e eu pensando que ia aprender uma ou duas coisas na Califórnia!

–É o meu charme! Mas deixa-me ir direto ao assunto. Eu estou aqui perto e queria passar a noite ai no Red Heart, estou com a Jenny, ela veio fazer uma visita comigo. Tem como você nós cobrir e entramos pela lateral e ir direto para aquelas mesinhas mais afastadas?

–Você está aqui? Por que não falou logo? Vou pedir para a Zoey ir te buscar na porta e contrabandear vocês duas para o espaço vip!

–Zoey está ai?!

–Ela e toda a turma, você acertou o dia certo para vim.

–Ai eu não acredito! – eu estava quase quicando no acento do carro – Já estamos indo, mande todo mundo para a área vip!

Desliguei o celular com o coração disparado. Estava tão animada em rever os meus amigos! Mas precisou de um segundo para notar o que eu havia feito. Fiquei em choque e olhei para Jenny ao meu lado, aquilo era para ser um encontro e eu havia transformado em um evento de reencontro entre amigos.

–Relaxe – ela pareceu notar o meu duelo e culpa, abrindo um sorriso que me acalmou – São seus amigos não é? Teremos tempo para outros encontros, vários deles, e também quero conhece-los.

–Você é a melhor namorada do mundo!

Saltei sobre ela depois de soltar o cinto e a abracei com força enquanto a escutei rir. Saímos do carro só depois de verificar se não tinha ninguém. Eu estava me sentindo uma verdadeira gatuna enquanto corríamos pela sombra até a lateral do pub. Assim que me aproximei dei três batidas na porta de metal esverdeada e ela abriu de supetão. Atrás dela estava uma garota de cabelos loiros e olhos azuis, ainda bem mais baixa do que eu, mas com uma comissão de frente que superava qualquer expectativas para uma pessoa tão pequena.

–Zoey sua gnomo! – gritei e a recebi em meus braços quando ela saltou para me abraçar eufórica.

–Vai a merda Michelle! – ela também gritou e riu – É bom saber que continua sendo a mesma chata de sempre e... OMG é a Jenny Summers?!

–Então, Zoey, essa é a Jenny – afastei para fazer as apresentações, como se a Zoey não fosse nem um pouco fanática pela Jenny – Jennifer, essa é a Zoey, a coisa que eu chamo de melhor amiga.

–Eu vou ter um infarto – Zoey anunciou assim que Jenny sorriu para ela – O sorriso dela é melhor ainda ao vivo, ai meu Deus!

Eu apenas concordei com um balançar de cabeça. Os sorrisos de Jenny são devastadores para meros mortais como nós. Claro que Zoey fez tudo o que uma fã faria, gaguejou, ficou branca, depois vermelha de excitação e abraçou Jenny como se sua vida dependesse disso. Eu fiquei rindo o tempo todo sem acreditar naquele mico que minha amiga estava pagando. Mas ela estava feliz, isso que contava e Jenny sabia lidar muito bem com a situação, estava acostumada. Depois disso entramos na maior surdina, aproveitando os espaços com menos iluminação dedicado aos casais para irmos até uma mesa redonda com seis cadeiras acolchoadas.

Red Heart tinha todo um jeito mais rústico e aconchegante, era um tradicional bar de jazz e blues com direito a palco e um espaço para quem quisesse dançar. Eu havia crescido bastante ali dentro, conhecendo pessoas de diversas personalidades e isso, de certo modo, me fez querer ser atriz já que em boa parte eu procurava aprender com eles e os imitava apenas por diversão.

Eu nem sentei já que meus amigos logo se aproximaram de uma forma nada discreta. Se não fosse comum eles fazerem barulho nós teríamos chamado a atenção e acabado com o pouco de sossego que eu e Jenny precisávamos. Carl foi o primeiro a me agarrar e levantar do chão com seu abraço de urso. Era um rapaz negro muito bonito, com dentes brancos perfeitos e um sorriso conquistador. Namorava com Bianca, uma garota ruiva e do interior do Texas, tinha todo aquele sotaque caipira e isso apenas a tornava ainda mais fofa. E tinha a Laura, uma garota alta e morena, mas com um estilo masculino que se encaixava perfeitamente em sua personalidade e deixava em evidencia que ela era lésbica.

Precisamos de quase vinte minutos para acabar com os surtos, as apresentações, e mais surtos por causa da Jenny, para só então sentarmos. Felizmente eu consegui sentar ao lado de Jenny, tudo bem que eu transformei aquilo em um encontro de amigos, mas isso não queria dizer que eu queria ficar longe dela realmente.

–Jennelle é tão mais fofo ao vivo – Laura provocou com um sorriso sugestivo.

–Hum? O que? – fingi está confusa.

–Ela bem que queria que eu a pegasse – Jenny comentou em um tom convencido – Mas é tão chata que eu não vejo como.

Bati em seu ombro fingindo estar zangada, mas foi uma boa deixa para deixar claro que éramos “amigas” apenas. Coisa que não era nem um pouco verdade, mas infelizmente eles não poderiam saber disso, não ainda. Eles me obrigaram a contar muita coisa, e eu o fazia de uma maneira animada, era ótimo compartilhar as pequenas coisas que me impressionavam sem parecer uma coisa boba para aqueles que já estavam acostumados, como a Jenny. Aquele ainda era um mundo novo para mim e eu precisava absorver cada pedacinho dele. Quanto mais eu contava, mais eu percebia o quanto era incrível aquela minha profissão. Mas claro, havia o lado ruim. A perseguição dos paparazzi, as especulações e suposições fundamentadas em apenas achismos. Os fãs que perdiam um pouco a noção das coisas e postavam coisas na internet que ofendiam ou exigiam coisas de você que eram absurdas.

Mas o melhor de tudo foi ver Jenny se relacionando com meus amigos. Ela era divertida por natureza, aceitava as brincadeiras e revidava a altura. Não precisou muito tempo para que eles esquecessem que ela era uma famosa e passassem a trata-la normalmente. Claro que a Zoey não perdeu tempo para fazer quase um interrogatório disfarçado de curiosidade, ela era realmente uma fã da Jenny, com pôsteres na parede do quarto e tudo o mais. Teve de implorar para conseguir umas fotos, Jenny aceitou apenas depois que ela prometeu não postar na internet.

Já beirava às três horas da manhã. Red Heart estava muito mais vazio já que os clientes já começaram a sair há uma hora. Todos da minha mesa estavam animados com a ajuda de algumas bebidas que passaram por ali. Até que a Zoey teve a brilhante ideia de falar:

–Você nããão pode sair daqui sem tocar alguma coisa – ela falou com a voz um pouco arrastada no não.

–Claro que posso, tenho pernas pra que? – arqueei uma sobrancelha.

–Toca algo Michelle! – Carl pediu – Estamos com saudades disso.

–Mas toca algo mais recente, sua alma é tão velha! – Laura fez uma careta.

–Hey! Eu tenho muito bom gosto musical está bem?

Que culpa eu tinha de Edward, meu pai, escutasse clássicos musicais de todos os estilos? Acabei pegando o gosto musical dele em boa parte. Jenny segurou em meu ombro e tinha um sorriso maroto naquela boca que eu estava pensando seriamente em beijar fazia horas.

–Eu te desafio a tocar algo como... Justin Bieber! No piano! – Jenny falou em tom superior – Se não fizer vai ter de fazer uma gravação de uma dança muito esquisita e postar no youtube!

–Eu amo cada vez mais essa garota! – Zoey riu do desafio.

–Já que é minha honra que está em jogo, eu vou cantar!

Levantei e eles começaram a aplaudir e fazer barulho. Fui falar com Martin e ele logo abriu um sorriso em expectativa. A banda que estava ali já havia terminado o show e estava ajeitando o palco. Aproximei-me e os cumprimentei, já os conhecia de outros shows e prontamente eles voltaram a ajeitar o som e a me elogiar pelo trabalho no seriado. Dez minutos depois eu estava sentada de frente para o piano e pensando na música que iria tocar.

–Eu não acredito que vou fazer – falei no microfone e os poucos que estavam ali no pub finalmente notaram que era Michelle Lopez no palco, os murmúrios começaram rapidamente – Boa noite senhoras e senhores, eu sou Michelle e estou cumprindo um desafio. Tudo bem, vou tocar uma música do Bieber, mas vai ser do meu jeito.

Escutei aplausos e uns gritos exagerados de meus amigos dizendo algo como “Vai Michelle!”. Eles precisavam torcer para que eu cantasse? Revirei os olhos segurando o riso e me concentrei no piano. Respirei fundo, endireitei minha postura e comecei a tocar. Normalmente eu ficaria tímida de inicio, mas a bebida havia tirado isso de mim. A música era As long as you love me, uma música romântica e que era impossível para mim cantar e não pensar em Jenny Summers. Então meu tom saia apaixonado, como se com aquela música eu pudesse gritar para o mundo que enquanto ela me amasse eu seria capaz de qualquer coisa. Eu realmente me empolguei, cantei sem inibições e quando isso acontecia a minha voz tirava as melhores notas, tinha o melhor ritmo. Na parte mais rápida que era cantada pelo Big Sean foi inevitável meu rosto virar e encontrar os olhos verdes vidrados em mim. Naquele momento eu estava cantando unicamente para ela e só para ela. Dizendo através daquela música que eu preferia a ela, que ela era o meu melhor lado. Assim que essa parte acabou um sorriso de canto permaneceu em meus lábios enquanto terminava de cantar a música.

Novamente aplausos, assovios e algumas câmeras apontadas em minha direção. Só naquele momento percebi que no dia seguinte existiriam vídeos sobre esse momento na internet. Mas havia sido bom, eu pude cantar na frente de todo mundo uma música para minha amada, mesmo que ninguém soubesse, bastava que ela tivesse entendido o recado apaixonado. Assim que voltei para a mesa, um senhor se aproximou pedindo um autógrafo e eu de boa fé autografei um guardanapo que ele trazia.

–Você é tão boa! – Laura resmungou – Nunca consegui chegar ao seu nível.

–Eu filmei tudo! – Zoey quase gritou em meu ouvido, alterada por causa da bebida.

–Me dá isso daí que eu vou postar em minha conta. Amanhã vai ter algo sobre isso mesmo então melhor que seja algo “oficial” meu.

Zoey me enviou o vídeo e eu logo estava postando no youtube. Estava alta demais para pensar na euforia que seria para os meus fãs ver algo como aquilo. Eles adoravam qualquer coisa que mostrasse um pouco do cotidiano, um pedaço do seu artista favorito que fosse o seu verdadeiro eu. Jenny estava quieta, mas me fitava tão intensamente e com um brilho diferente no olhar esverdeado que eu não precisava de suas palavras para perceber que ela tinha entendido que aquela música foi para ela.

Pouco tempo depois estávamos saindo do pub, Martin não nos deixou pagar a conta, ele disse que só de me ver ali já iria trazer mais clientes para o lugar. O que poderia ser bem verdade. Assim que entramos no carro Jenny deixou escapar um forte suspiro, sua mão tocou em minha coxa e apertou para chamar a minha atenção. Ela me olhava de um jeito próprio, um jeito que me dizia que me amava, que eu era especial e isso fazia sempre meu coração disparar contra o peito.

–Enquanto você me quiser Michelle, eu vou ser capaz de dar o mundo para você – ela declarou de um jeito tão meigo e sincero que me derreteu por completo – Eu realmente estou perdida de amores por você e... Eu não tenho medo, medo nenhum e isso é tão incrível e incontrolável!

–Eu sei meu amor – fiz uma lenta caricia no rosto dela – Eu sei porquê é exatamente o que eu sinto.

Não precisamos de nenhum sinal ou pedido para saber o que iria acontecer depois. Inclinamo-nos uma na direção da outra até nossas bocas se encontrarem e através de um longo beijo confirmar as palavras que tínhamos dito uma para a outra.

Notas finais
Queria um apelido pra Michelle, querem me ajudar? Eu não consigo pensar em um legal =/