Equalize

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Eu to rindo até agora da trollagem ashushusahsausaushau desculpa gente, eu não resisti, amo vocês! ♥ Ah e com esse lance de pegadinha, esqueci de agradecer a Thaauditore pela recomendação linda que ela fez pra Equalize. Obrigada anjo, de verdade! ♥ ai que eu to meiga demais com esses corações G_G'

Nós tentamos ser discretas. Usamos chapéus e óculos escuros para tentar esconder nossos rostos. Mas não deu outra quando um fã reconheceu Jenny. Ele praticamente gritou e logo o aeroporto estava parecendo cheio mesmo sendo uma hora noturna. Olhei para Jenny e ela deu de ombros como se dissesse: “se não pode contra o inimigo, junte-se a ele”. E foi o que fizemos. Tiramos fotos, demos autógrafos e desconversávamos quando algum ousado chegava a perguntar sobre Jennelle.

Por sorte a área vip estava perto, não levamos mais do que dez minutos dando atenção para os fãs. Assim que nós entramos, eu me joguei no sofá com toda a preguiça do mundo. Vejamos, eu passei por uma montanha russa de emoções nos últimos tempos e agora que estava em um estado sublime, tudo o que eu mais queria era descansar com a pessoa culpada disso tudo. Como a porta era de vidro e ainda havia alguns fãs curiosos do lado de fora, Jenny optou por sentar a minha frente e não ao meu lado como parecia querer. Como sabia? Ela ficava olhando o tempo todo para o espaço vago ali.

–Essa vai ser a primeira vez que viajo de classe A – comentei sorrindo feito uma criança que ia para o seu brinquedo favorito.

–Sério? – Jenny fitou-me surpresa.

–Sim, quando viajava a trabalho sempre era no avião da Warner – expliquei e dei de ombros – Essa é a primeira viagem independente que faço desde que tudo começou.

–Eu posso te contar algo? De inicio eu costumava brincar imaginando qual seria a primeira coisa extravagante que você fosse comprar quando começasse a receber o dinheiro. Mas você nunca apareceu com algo e nem tem um carro ainda Michelle.

–Eu sabia que estava esquecendo algo! Merda, preciso de um carro. Oliver já está parecendo o meu chofer de tanto que foi me buscar.

–Se quiser eu faço esse trabalho tranquilamente, mas vou cobrar um salário muito diferente – Jenny comentou sorrindo maliciosa.

–Você iria me por dentro de seu carro e me sequestrar isso sim – disse tentando ignorar meu coração disparado.

–Provavelmente, iria te aprisionar em uma ilha paradisíaca, ai ficaria só eu e você.

Balancei a cabeça rindo. Era tão gostoso descobrir que ao mesmo tempo em que tudo mudou, a essência de nossa amizade ainda continuava. Conversamos sobre coisas amenas até o nosso voo ser anunciado. Estava ansiosa enquanto seguia pelo corredor que dava acesso ao avião, minha mente buscando imagens dos filmes em que aparecia a classe A dos aviões... Apenas para descobrir que era ainda melhor do que eu esperava. As poltronas reclinavam e pareciam verdadeiras camas, eram ainda mais macias que meu próprio colchão. Havia um barzinho, televisão de alta definição, conexão com a internet, aparelhos que eu nem fazia ideia para que servissem e um espaço considerável entre uma poltrona e outra, sendo que havia apenas seis. Naquele voo apareceu apenas um senhor de negócios que desejou uma boa noite e ficou o mais distante possível, concentrado em seu notebook.

–Está com fome? – Jenny perguntou quando o avião já estava estabilizado no ar.

–Agora que você comentou estou morrendo. Mas sinceramente estou com vontade de um daqueles sanduiches que vem com tudo dentro – comentei com um ar sonhador.

–Espera um minuto que eu vou arranjar um desses.

Antes de levantar, ela aplicou um rápido beijo em meus lábios e saiu. Eu estava com um sorriso enorme e parecia que nada naquele mundo seria capaz de arrancá-lo. Peguei meu celular para me distrair e mais uma vez me veio a curiosidade. Conectei com a internet e joguei em um site de pesquisa “Jennelle”. Havia inúmeras coisas! Desde tumblrs e perfis sociais apenas para discutir sobre mim e Jenny. Também havia montagens e muitas delas era de Brielle e Lyanna, ao que parecia nossos fãs adoravam a ideia da combinação oposta de gelo e fogo.

–O que está vendo? – Jenny voltou para o meu lado poucos minutos depois – Pedi o seu sanduiche, logo eles trazem.

–Pesquisei sobre “Jennelle”, olha quanta coisa! – mostrei o meu celular.

–Isso porque você não viu os vídeos – Jenny riu e levantou o braço da poltrona, eu prontamente estava me aproximando ao compasso que ela me envolvia com seu braço – Eu ficava me torturando vendo eles, morrendo de medo de não poder ter aquilo que eles mostravam.

–Ao menos aprenda a lição – disse prontamente e recebi uma mordida na bochecha como resposta, continuei mexendo em meu celular até encontrar histórias fictícias – Olha amor, eles estão fazendo até estórias sobre nós.

–Eu parei de prestar atenção até a parte que você me chama de amor – Jenny disse em um fio de voz, eu a encarei e a descobri com um sorriso bobo e o rosto levemente corado – Mas são as fan fictions? Eu acho isso o ápice da fantasia deles – ri baixinho e cliquei em um link – Vai ler mesmo isso? A verdadeira está bem aqui, sabia?

–Eu só acho que você está com medo de ler e descobrir que é a passiva da estória – comentei rindo.

–Idiota, um dia eu vou te mostrar quem é a passiva!

–Oh, já está prometendo que vai gritar loucamente por mim?

–Michelle!

Ela mordeu o meu pescoço como vingança. Mas não foi como aquelas mordidas animais que ela me dava, mas sim uma daquelas que fazia o meu corpo inteiro estremecer de forma involuntária. Jenny riu quando notou que eu fiquei quietinha e que eu havia travado o celular, ela estava certa afinal de contas, a real estava ali bem pertinho.

–Hum, Jenny – sentei melhor para que eu pudesse olhá-la facilmente – Nós temos algo, certo?

–Claro que temos, você precisa de um pedido formal? – Jenny questionou de uma maneira séria – Porque se for, me dê um tempo para fazer essas coisas direitinho para que seja perfeito para você.

–Jennifer, por que você gosta de mim?

–Está mesmo perguntando isso? – ela indagou e eu arqueei uma sobrancelha aguardando a resposta – Ok. Eu sinceramente não sei dizer quando uma amizade se transformou em outra coisa. Também poderia facilmente dizer que é porque você é bonita, sexy, uma menina mulher... Mas é muito mais que isso. Eu adoro seu sorriso, adoro mais ainda saber que está sorrindo por minha causa ou por mim. Seu cheiro me vicia, assim quero está sempre por perto para poder senti-lo. Eu te acho extremamente inteligente e madura, mesmo tendo apenas dezenove anos, mas ao mesmo tempo você consegue parecer uma criança feliz, brincando e se divertindo de verdade, sem fingimentos. Oh meu Deus e quando você canta? É como se todos os sons do mundo parassem porque são insignificantes perto de você.

Ela falava aquilo tudo em um tom baixo, como se me contasse um sério segredo. Sua fala era eloquente, cheia de um sentimento que me aquecia a cada frase. Eu sabia que ela estava sendo sincera, havia aprendido a interpretar cada olhar que aqueles olhos verdes me lançava. Jenny estava apaixonada por mim da mesma forma que eu estava por ela.

–Então eu aceito – eu disse sem esconder a emoção.

–Aceita? – Jenny olhou-me confusa, realmente sem entender.

–Você poderia fazer qualquer coisa, algo bobo e romântico a uma coisa bem louca para me pedir em namoro. Mas para mim, de verdade, só bastava essas palavras sinceras para me convencer que por um longo tempo não tem volta. Que eu tenho o seu coração da mesma forma que você tem o meu. Isso não parece romântico e perfeito o suficiente para você?

–E eu pensando que já não havia mais como me apaixonar mais ainda por você.

Jenny segurou em minha nuca e me puxou para um beijo. Um beijo longo e apaixonado, cheio de carinho e promessas silenciosas. Eu esquecia de que estava em pleno ar, em um avião com um senhor a poucos metros de nós duas. Nada importava enquanto aquela boca tomava a minha com uma devoção nítida e enlouquecedora. Jenny me envolvia de uma forma que eu não saberia explicar, o efeito que seus lábios e língua tinha sobre mim era sentida muito mais além que em minha boca. Era como se ela de certa forma estivesse beijando-me por inteiro. Paramos apenas quando o ar se fez necessário, Jenny beijou o canto de minha boca e mais uma vez me puxou para seus braços onde me acomodou perfeitamente.

–Não vamos divulgar, não é? – eu comentei de uma maneira tranquila.

–Se você quiser ser atormentada até que outro escândalo apareça...

–Não, eu quero curtir você mais – neguei com a cabeça e abri um sorriso – E vamos deixar nossos fãs loucos para saber o que está acontecendo. Acho que de fato eles já sabem, mas é divertido ver as especulações.

–Assim quando anunciarmos não vai ser tanta surpresa assim. É um bom plano, mas eu tenho um melhor ainda.

–Tem?

–Tirar um cochilo gostoso com você em meus braços e acordar e você está em meus braços. Eu não dormir de tão nervosa que estava para poder falar com você.

–Descansa um pouco, ou você irá aparecer na sua versão Samara em Chicago.

–Idiota, me lembre de te morder por isso quando eu acordar. Canta para mim?

Abri um enorme sorriso e me acomodei melhor na poltrona, deixando minha cabeça deitada do lado da dela, com a boca bem próxima ao ouvido de Jenny para poder cantarolar baixinho baladas antigas que meu pai me ensinou a gostar.

(•••)

Era madrugada quando chegamos a Chicago. Jenny fez questão de alugar um carro para não ter de ficarmos usando táxi pela cidade. Eu a guiei pelas ruas ensinando o caminho para o meu antigo lar, uma pequena casa em uma rua de classe média onde morei com meu pai até que ele faleceu.

Eu não podia negar a emoção que senti quando paramos enfrente a casa. Ela estava suja e o pequeno jardim da frente estava morto. Soltei um longo suspiro sentindo um aperto ao ver aquele lugar tão abandonado. Talvez agora que eu tinha dinheiro pudesse contratar alguém para manter o lugar ou até mesmo alugar o imóvel. Era um pecado aquele recinto tão aconchegante se perder no abandono. Assim que nós entramos eu enlouqueci com a sujeira, então obriguei Jenny a me ajudar a varrer e a passar pano pela casa. O que foi engraçado já que ela mal sabia fazer coisas domesticas como aquela. Tive até de tirar uma foto e correr pela casa para que ela não pegasse meu celular e apagasse. Coisas como aquela eram necessárias provas, ninguém nunca acreditaria que ela fez aquilo se eu não mostrasse uma evidência.

Quando terminamos o serviço rápido o dia já estava amanhecendo. Tomei um rápido banho e logo depois Jenny foi fazer o mesmo. Enquanto ela estava lá dentro do banheiro, eu sentei no sofá e deixei as lembranças invadissem a minha mente. Eu realmente fui feliz ali, fui amada e principalmente respeitada. Aquele homem me fazia tanta falta que eu acreditava que nunca iria deixar de doer realmente, a saudade sempre estaria ali para reclamar da lacuna que meu pai deixou em mim. Mas isso queria dizer que ele viveria sempre comigo, nas lembranças, nos ensinamentos que ele me passou em tão pouco tempo.

–Hey – Jenny tocou meu ombro, ela ainda estava um pouco molhada do banho, as pontas negras de seu cabelo estavam úmidas – Está bem?

A encarei por alguns segundos e soube que eu a amava ainda mais apenas por estar ali, naquele lugar, olhando-me daquele jeito tão especial e ao mesmo tempo preocupado. Jenny usava a minha blusona, que alias nunca me devolveu, e um shortinho confortável. Sentou ao meu lado e passou um braço por minha cintura, puxando meu corpo para mais perto do seu.

–Ele não sabia que eu estava viva – de repente me vi começando a contar a minha história – Minha mãe ligou para ele para avisar que iria abortar. Ele já estava aqui nos Estados Unidos e nada podia fazer. Aquela mulher nem teve decência de ligar para ele novamente e dizer que tinha desistido, que meu padrasto a fez mudar de ideia.

–Como ele descobriu? – Jenny perguntou, sua mão envolvendo a minha e acariciando meus dedos.

–Eu o descobri na verdade – soltei um longo suspiro, eu ficava exausta só de lembrar o que aconteceu naquela época – Depois... – engoli em seco e desviei o olhar do dela envergonhada – Depois que eu tentei me matar e não consegui.

–Você o que?! – dessa vez Jenny não foi delicada, ela realmente ficou em choque com o que eu disse.

Eu não tive coragem de olhá-la. Virei o meu pulso esquerdo encarando os pássaros. Deus eu estava tão presa naquela época que preferi a morte ao invés de lutar pela minha liberdade, uma liberdade tão metafórica que apenas alguns iriam entender. Então eu contei a ela tudo desde o inicio, sobre a traição de minha mãe com meu pai, sobre meu padrasto, sobre os maus tratos e minha terrível baixa-autoestima na adolescência. Ela me escutava e tentava não me interromper, mas eu sentia todas as reações dela. Jenny apertava minha mão quando ficava emocionada e tentava me dar apoio, ela resmungava e ficava tensa quando escutava dos castigos inescrupulosos que eu recebia. Xingava baixinho quando eu contava das dificuldades que eu tinha na escola, por ter sido uma garota com um aparelho dentário, baixa e quieta.

–Eu estava tão cansada daquilo tudo que eu simplesmente desisti. Eu não sabia como lutar, ninguém me dizia como fazer isso – disse com uma voz embargada, respirei fundo pela milésima vez e toquei a cicatriz escondida pela tatuagem – Não é preciso um corte muito grande, basta apenas acertar o lugar e atingir o pulso. Eu não estava querendo chamar a atenção, estava decidida daquilo, fiz minhas pesquisas e realizei o ato. Minha irmã me encontrou antes que... que...

–Eu entendi – Jenny segurou minha mão esquerda enquanto seus dedos tocaram minha tatuagem com carinho – Mas graças a Deus que ela te encontrou Michelle.

–Agora eu penso assim – sorri rapidamente e encostei no sofá, olhando para a casa mais uma vez – Então eu descobri que meu pai ainda existia, o verdadeiro. Pensei: porque não? Foi relativamente fácil, eu pedi para minha mãe para ficar com meu pai e ela praticamente me expulsou de casa cantando glória. O difícil foi quando eu cheguei aqui, com inglês precário e com um endereço velho no bolso. Felizmente Edward Lopez sempre morou aqui – abri um enorme sorriso e me permiti rir um pouco – A cara que ele fez ao me ver na porta foi impagável. Mas quando eu falei que era a sua filha, ele chorou e me abraçou tão forte que eu não precisei falar a mesma língua que ele para me sentir amada. Sabe? Amada de verdade.

Senti Jenny tremer e quando a olhei vi que seus olhos verdes transbordavam lágrimas teimosas. Sorri tocada com o envolvimento dela com minha história, limpei o seu choro e só então resumi o fim daquilo tudo.

–Ele já tinha descoberto o câncer. Então resolveu me amar todos os dias, me ensinar tudo o que sabia e me dar tudo o que eu sempre quis. Ensinou-me coisas que eu carrego até hoje, me deu a força que eu precisava para me erguer. Mais que tudo, ele me ensinou a me amar. Cada vitória que eu tenho hoje em dia eu devo para aquele homem.

–Ele... Ele foi incrível – Jenny fungou e limpou as lágrimas que tornaram a descer – Eu queria ter conhecido ele, para agradecer por tudo o que ele fez a você.

–Não sei – fiz uma rápida careta – Ele iria ficar soltando piadinhas sobre nós duas até conseguir constranger você. Ele era muito direto e sem papas na língua.

–Acho que eu saberia lidar com meu sogro.

Não pude deixar de evitar um riso divertido com o que ela disse. Eu também queria que Edward tivesse conhecido Jenny Summers, mas não a atriz e sim a minha mulher. Ficamos conversando ali, eu contava sobre coisas divertidas que tinha passado com meu pai, principalmente nas furadas que passei por não saber inglês. Pedimos comida pelo telefone já que ali não havia absolutamente nada.

–Amor, vamos fazer uma aventura? – Jenny sugeriu jogando o que restou no lixo.

–Como o que?

–Vamos fazer compras no supermercado?

–Oh que grande aventura!

–É sério, eu nunca fui a um, tipo, esses pequenos e populares. Sempre foi nesses grandes e que ficam em shoppings. Vamos ficar aqui o final de semana todo e precisamos de algumas coisas para sobreviver, certo?

Olhei para ela e vi aqueles olhinhos lindos e verdes brilhando em espera de minha resposta. Estalei a língua e balancei a cabeça de um lado para o outro, Jenny soube que havia me convencido, pois já soltava um grito de felicidade e vinha me abraçar. Trocamos de roupa e tentamos mais uma vez nos disfarçar com óculos escuros gigantes, penteados diferentes, roupas mais comuns e um jeito discreto. Levei Jenny até o supermercado que havia na rua do lado e dei graças a Deus por estar vazio.

–Será que esses doces são bons? – ela perguntava segurando um pacote de doces baratos.

–São sim, eu vivia com um monte deles na bolsa – comentei enquanto pegava coisas básicas e jogava no carrinho – Não podemos esquecer as coisas para fazer o cappuccino...

–Isso! Meu cappuccino! – Jenny quase gritou e abriu um enorme sorriso – Você é a deusa do Cappuccino sabia?

Revirei os olhos e ia pegando as coisas mais básicas, enquanto que Jenny se divertia pegando tudo quanto era besteira ou coisas que achava interessante. Estava discutindo com Jenny sobre qual marshmellow levar quando senti uma mão em meu ombro. Meu corpo gelou só de pensar que era algum fã maluco, mas quando virei era uma senhora de cabelos brancos e jeito todo jovem.

–Dona Helena! – exclamei toda feliz, mal ligando que havia acabado de denunciar quem eu era, abracei a senhora com todas as minhas forças – Ai meu Deus, que saudades da senhora!

–Michelle! Eu sabia que era você! – Dona Helena falava toda emocionada, afastou e deu uma boa olhada para mim – Menina, você está tão magra! Eles não te alimentam direito na Califórnia? E cadê o seu bronzeado californiano?

Eu ri alto e abracei aquela senhora mais uma vez. Ela era minha vizinha e algo que eu poderia chamar de figura materna para mim. Se eu tivesse o poder de escolher uma mãe, definitivamente eu escolheria dona Helena. Depois disso foi inevitável. Seu Douglas, dono do supermercado, entendeu rapidamente o que estava acontecendo e veio me cumprimentar e abraçar. Eu não liguei, aquelas pessoas fizeram parte de meu cotidiano durante anos e sorriam tão orgulhosos para mim que os elogios que eles me davam valiam mais do que qualquer prêmio.

–Eu sei que você deve escutar isso direto... Mas você poderia autografar algo para minha menina? Érica não irá acreditar mesmo que eu jure – Douglas pediu todo sem jeito.

–Claro que sim Dougie – disse prontamente – E não se preocupe, Jenny também vai autografar.

–Vou?

Ela havia ficado quieta, comendo as balas que eu falei uma atrás da outra. Eu sabia que era mesmo viciante e por isso não a julguei. Mas sabia que ela estava sendo extremamente delicada ao me dar espaço com meus conhecidos.

–Claro que sim – afirmei firmemente e abri o meu melhor sorriso – Ou vai ficar sem cappuccino.

–Ah o famoso cappuccino Lopez – dona Helena suspirou.

–Eu sabia que não era a única a me render ao cappuccino! – Jenny falou animada e só com isso conquistou a senhora.

Revirei os olhos e logo estava assinando uma dessas revistas de fofoca que tinha o elenco de Eternal na capa. Jenny assinou logo ao meu lado e eu tive de morder o lábio só para não rir ao vê-la fazer coração perto de meu nome e do dela. Não pudemos escapar do convite de dona Helena para almoçarmos em sua casa já que não havia nenhum resquício de comida em minha casa. Também não queria causar tumulto desnecessário indo até um restaurante e chamando mais atenção do que o necessário. Prontamente aceitei para me arrepender cinco minutos depois, pois mesmo durante o caminho Dona Helena parecia ter prazer em contar todas as coisas vergonhosas que ela se lembrava de mim. E claro, Jenny estava completamente interessada e soltando gracejos apenas para saber ainda mais sobre mim.

Mas sinceramente? Desde muito tempo eu não me sentia feliz daquele jeito. Não era loucura dizer que a culpada disso tudo estava ali a pouquíssimos metros de mim, com um sorriso galanteador e olhos verdes brilhantes. Contar tudo para Jenny me deixou mais leve, mais tranquila comigo mesma. Eu sabia que naquele momento estava começando a dar um novo passo em minha vida. Mas dessa vez não era uma caminhada solitária, não mais.

Notas finais
Acredito que esse vai ser o único capítulo do dia >