Equalize

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Como eu disse, dois capítulos "pequenos" por dia. Burbank é o nome da cidade onde se encontra os estúdios da Warner, é bem próxima de LA. Só pra informar =3

Chegamos a Burbank ao meio dia, porém só fui ao estúdio depois das duas da tarde. Naquele mesmo dia eu já teria de fazer ensaios e gravações já que logo a serie entraria em hiatos, um período de pausa que eu sempre odiava quando era apenas uma espectadora. Mas isso permitia aos atores e diretores uma pausa e planejamentos para a próxima etapa. Cheguei junto com Oliver, fazendo uma nota mental de que eu deveria comprar um carro para mim urgentemente.

Estava ansiosa enquanto me aproximava da área principal das gravações e procurava por Jenny em todos os cantos. Qual a minha decepção quando não a encontrei? Soltei um longo suspiro e tratei de disfarçar prontamente.

–Te peguei!

Senti braços circulando minha cintura, erguendo meu corpo do chão e me girando no ar. O que eu fiz? Gritei alto tomando um susto do caramba! Quando fui posta no chão novamente não me importei de ser a Jenny ali, com o sorriso mais idiota do mundo, comecei a bater em seus braços completamente irritada.

–Por que sempre tem de me dar um susto?! – reclamei prontamente.

–Isso é seu modo de me mostrar carinho? Violenta! – ela tentava se afastar rindo.

–Michelle, está na hora de sua cena – uma assistente veio avisar.

–Você me paga! – saí resmungando.

Não era nada normal nossa relação, ou talvez fosse. Sempre se esperava grandes coisas dos grandes astros da televisão. Mas ali, naquele momento, fomos apenas duas garotas que tinha um jeito esquisito de se divertir. Fui retocar a maquiagem, ajeitar a minha roupa que mais uma vez era um vestido leve e provocante, e logo estava no cenário da praça da universidade, onde Lyanna teria uma conversa com Luke o envenenando contra Brielle e seu melhor amigo, Josh.

Havia um momento em que Lyanna fingia tropeçar e caía nos braços de Luke. Essa cena eu tive de repetir umas cem vezes, porque ou eu ou o Zack acabávamos estragando ou fazendo alguma palhaçada.

–Vamos lá, uma última vez, caia de amores em meu braço – Zack provocou antes da tomada ser anunciada.

Tive de morder a língua para não rir. Concentrei-me em um olhar inocente enquanto avançava como se fosse dizer algo para ele, tropecei e dessa vez caí direto nos braços fortes de Zack. Como estava escrito no livro, Lyanna ergueu o olhar fingindo surpresa e ao mesmo tempo com um toque de sedução. Luke ficaria sem ação, olhando para a garota divido entre aquelas novas sensações e o amor de sua vida, Brielle. Tudo estava indo bem e da forma correta, até que descobrir que estava indo bem até demais. Zack estreitou os braços em minha cintura e colou os lábios nos meus.

Eu arregalei os olhos e fiquei paralisada, em choque por estar sendo beijada no meio da gravação por Zack. Isso me fez demorar em reagir, o que levou uns bons segundos aquele selinho. Quando caí em mim, o empurrei com mais força que o necessário. Eu o fitei em choque e ele também estava meio sem reação, com aquele olhar de “o que diabo eu fiz?”. Pus a mão sobre a boca e me afastei a largos passos, meus olhos vagando de rosto em rosto, desesperada em busca dos olhos verdes.

Eu sabia que ela havia visto o beijo. Eu sabia que havia demorado demais para afastá-lo. Eu sabia que estava ferrada!

–Michelle, desculpa eu... – Zack se aproximou.

–Garotos – Grimer apareceu e tocou em meu ombro – Precisamos terminar mesmo essa cena hoje. Eu prometo que será só essa e eu libero os dois. Vocês dois são profissionais e aconteceu um acidente de trabalho. Mas precisamos continuar, o show não pode parar agora, temos um prazo que ficou apertado.

Respirei fundo uma, duas, três vezes para conseguir por minha mente em um mínimo de ordem. Jenny estava em algum lugar provavelmente me odiando profundamente, mas Grimer estava certo, por causa das atividades extras fora do estúdio estávamos com prazo apertado. E eu tinha de mostrar meu lado profissional naquele momento, eu tinha um senso de responsabilidade muito grande para simplesmente jogar tudo para o alto. Grimer aproximou de mim, olhou em meus olhos e eu apenas acenei com a cabeça aceitando aquele acordo.

Não foi o melhor dia da minha vida, mas eu dei o melhor de mim no resto das gravações. Zack também o fez, fingindo que nada tinha acontecido enquanto estava no papel de Luke. Dessa vez não erramos, por mais irônico que possa ser. Eu queria tanto sair dali para procurar Jenny que sabia que se errasse iria apenas me atrasar mais ainda.

Assim que Grimer anunciou que tínhamos terminado, não esperei por mais nada, apenas dei a volta nos calcanhares e corri em direção ao trailer de Jenny. Bati na porta várias vezes, a chamei sentindo meus olhos começarem a arder com a vontade de chorar. Tentei ligar para ela, mas a ligação nunca completava, mandei mensagens e permaneci ali no trailer por quase uma hora. Estava começando a cogitar a possibilidade de ir para a casa dela quando Oliver apareceu e tocou o meu ombro.

–Ela não vai querer ser encontrada, pequena – ele disse em um tom compreensivo – Deixe-me te levar para casa.

–Eu não o beijei – eu falei finalmente deixando as lágrimas escorrerem livremente por meu rosto – Eu não o beijei, eu fiquei surpresa apenas, ele não devia fazer isso!

–Não devia, mas aconteceu. Venha, está ficando frio, as coisas irão se ajeitar Michelle.

Oliver envolveu um braço em minha cintura e me levou até seu carro, o que foi uma benção já que tudo o que eu sabia fazer naquele momento era chorar e pensar que tudo estava perdido. Eu sabia que não havia lógica, que eu não estava errada, mas o desespero de perdê-la era maior, muito maior do que qualquer razão naquele momento. Oliver deixou-me em casa, neguei qualquer ajuda dele já que tudo o que eu poderia fazer era esperar encontrar Jennifer. Ele não precisava me ver em total desespero enquanto isso.

Eu perdi a noção de tempo. Estava largada no sofá, com o celular na mão, ligando de dez em dez minutos para Jenny. Até mesmo para a sua casa eu me atrevi a chamar, porém Maria apenas confirmou que nem mesmo lá a garota havia chegado. O aperto em meu peito me sufocava, eu me sentia mal e como se meu corpo pesasse mil quilos. Estava prestes a desistir, sendo vencida pelos meus olhos pesados de tanto chorar, quando a companhia de casa tocou insistentemente. Meu coração deu um salto junto com meu corpo, corri até a porta quase tropeçando em meus próprios pés. A minha esperança se tornou certa, ao abrir a porta lá estava Jenny... Mas não a minha Jenny.

–Jenny, por favor, me deixa...

–Eu não quero ouvir nada de você!

Ela entrou em minha casa como um furacão transtornado. Os olhos verdes estavam furiosos, mas quando ela passou eu senti o cheiro de bebida. Mas sabia que ela não estava bêbada em si, já a tinha visto alta e aquele olhar estava sagaz e lúcido, porém carregado de uma raiva que eu presenciei em apenas uma pessoa. Minha mãe. Perceber isso me fez recuar prontamente, como se eu tivesse novamente doze anos e estivesse sofrendo tudo aquilo novamente. Meu corpo começou a tremer discretamente, o coração engasgado em minha garganta enquanto eu me sentia completamente indefesa com aquele olhar.

–Eu não acredito que confiei em você, que estava me entregando a você! – Jenny esbravejava, falava alto a ponto de quase gritar e isso me assustava a ponto de me paralisar – Você nem mesmo o afastou!

–Eu o afastei – eu disse o mais rápido que podia, sem conter o desespero em minha voz – Eu o afastei Jenny! Eu juro! Eu só não consegui assimilar o que estava acontecendo!

–Mentira! Você é igual a todos os outros! – Jenny gritou e eu percebi que não havia apenas raiva, mas uma mágoa muito profunda – Você estava querendo me usar!

–Usar você? Jenny isso não é verdade, eu nunca usaria você! – tentei me aproximar, mas ela se afastou fazendo uma enorme careta de nojo, aquilo me machucou tanto que eu quase voltei a chorar novamente – Por favor, acredita em mim, eu g-gosto de você...

–Oh sim, claro que gosta – ela riu de forma irônica – Gosta de meu corpo? Você o deseja? Torna ainda mais fácil o fato de eu ser bonita não é? Fica linda posando do meu lado, me usando para que você crescesse nesse meio!

–Jennifer! Eu não usaria você para ter fama! – eu gritei me sentindo ofendida, eu não podia acreditar que ela estava pensando mesmo aquelas coisas, eu podia estar morrendo de medo daquela versão dela, mas não conseguia aceitar aquelas afirmações – Isso é algo baixo!

–Tão baixo quanto você! – ela cuspiu as palavras me fitando, naquele momento eu finalmente entendi que ela estava mesmo acreditando em tudo o que estava proferindo – Você tem muito talento, você me enganou muito bem. Mas sabe? Isso só torna você um lixo como todos os outros! Uma vadia que...

–Pare com isso!

Aquelas mesmas palavras estavam sendo ditas novamente. Era como se tudo o que eu vivi até agora fosse um sonho e finalmente estivesse acordando em um pesadelo. Jennifer estava me destruindo a um nível que ela nunca sonharia ser capaz. Naquele momento o meu amor por ela se transformou em raiva, eu não a queria naquela casa, mas sim longe de mim, muito longe. Então eu fui até a porta e a abri com força.

–Você não me conhece, você não sabe de nada do que eu passei para chegar até aqui – eu falei com a voz forte e alta, mas ao mesmo tempo vacilando nas palavras – Se quer me julgar por tão pouco, foda-se! Saia daqui!

–Você nem está tentando se defender – ela acusou quase sem se mover do lugar.

–SAIA DAQUI! – eu gritei sentindo a dor que rasgava o meu peito, minha mão tremia forte mesmo que eu estivesse segurando firmemente a porta – Você nem ao menos confiou em mim. SUMA! Eu não preciso de você para fazer porra nenhuma, eu sempre fiz tudo sozinha – as lágrimas estavam turvando a minha visão, porque ela não estava se mexendo para ir embora? Mesmo com minha garganta ardendo, eu dei um ultimo grito – VAI EMBORA! EU TE ODEIO!

Alguma coisa parecia ter mudado. Eu não conseguia entender o olhar de Jenny sobre mim, e nem porque ela estava tão parada no meio da sala. Ela se aproximou de mim, e não da porta. Mas eu fugi dela o mais rápido possível, eu não suportaria ser tocada por ela naquele momento. Eu não a queria perto de mim, mas bem longe, o mais longe possível. As vozes se mesclavam em minha mente, uma voz que há muito tempo não me atormentava parecia entrar em coro com a dela, xingando-me daquela forma que tinha me derrubado por completo.

–Michelle... Eu...

–Você é surda?! Não era isso que você queria? Acabar com qualquer coisa que estava acontecendo? Eu não sou um lixo para você? Então saia daqui!

Eu realmente não vi quando ela foi embora, apenas escutei o som da porta batendo com força. Então eu desabei no chão, perto do sofá. Eu chorei como há muito tempo não fazia, chorei ao mesmo tempo em que sentia meu coração quebrado em minúsculos fragmentos. Minha mente começou a ser atormentada, imagens de minha mãe erguendo o cinto para me espancar enquanto dizia aquelas palavras.

Você é um lixo. Você é nada. Você é uma vadia.

Eu gritei uma, duas vezes. Até recolher o que restou de mim até o quarto e me perder na escuridão dele. Eu era apenas um pássaro ferido que retornava para a sua gaiola, sendo presa novamente por algo que pensei ter superado. Mas parecia que estava esperando apenas o momento certo para aparecer novamente, mais forte e mais cruel. Fiquei ali em meu quarto até praticamente desmaiar de cansaço.

Notas finais
Não me matem, eu sei que disse que não iria ter muito drama, mas isso n significa que não iria existir um. E só pra avisar, muitas coisas dessa fic se espelham em mim. ESSA NÃO É UMA DELAS HAUAHAUAH, eu que gosto de exagerar no sofrimento das gurias mesmo, tipo a Shay que teve de se virar sozinha q