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31 Capítulo 31


Notas iniciais
Gente, quem sentiu saudades? o/ hauhauhaua não me matem, eu tive de viajar lembram? Belo Horizonte é linda demais! Se eu for fazer alguma fic com o enredo no Brasil definitivamente vou usar BH como cidade. Eu to apaixonada pelo lugar. Adrieli sua linda, obrigadão pela recomendação! Sério mesmo, essa fic tem um valor muito pessoal para mim, quando recomendam eu fico toda emocionada t.t Então, esse capítulo é bem bobo, mas tipo, bem bobo mesmo. Mas é meio que uma transição para a última fase da fic. Infelizmente meus capítulos prontos acabaram, ou seja, eu tenho de escrever para postar, então não dá mais para ser postagem diária. BUT, eu to de férias, então não vai ser tão demorado assim.

O evento do Amor Livre foi uma das coisas mais inesquecíveis de minha vida. Fomos apenas em um dia, justamente o que teve o show do Rick Martin. Infelizmente eu não encontrei com o Zachary Quinto, o que me deixou de bico por alguns minutos, meu lado nerd sangrando internamente. Mas em compensação, Ellen e sua esposa estavam lá e fizeram questão de ficar uma boa parte do evento conosco. O que foi uma verdadeira e deliciosa bagunça. Havia brincadeiras, uma área cultural, cinema com documentários voltados para as múltiplas sexualidades, mesas com discussões sérias e muita música e diversão.

Muitas pessoas vieram falar sobre o vídeo, desde parabenizar até fazer perguntas mais pessoais. Vários já pareciam desconfiar que meu passado não houvesse sido fácil, porém eu não estava disposta a me exibir tanto para o público, era algo pessoal demais para ser compartilhado assim. Jenny ficou sempre ao meu lado, brincando, abraçando, roubando beijinhos e ficando ciumenta quando uma fã ou artista mais atrevido vinha com suaves flertes. Era tão nítido que alguns faziam propositalmente, apenas para irritá-la e deixa-la de bico. Algo que eu acabava achando extremamente fofo e mordível.

Porém o melhor foi o jantar coletivo, feito em um restaurante luxuoso com os artistas e figuras importantes que participaram naquele dia no evento. Escritores, pintores, diretores e claro, eu e Jenny, Ellen e sua esposa. Kevin havia sumido com o namorado desde o show do Rick Martin, provavelmente prolongando a festa em um lugar mais privado. Eu estava solta, rindo e sorrindo até mesmo para o vento, afinal havia bebido um pouco durante as horas que passei no evento. Jenny estava mais sobrea do que eu, o que era um verdadeiro milagre e uma deliciosa surpresa, já que ela estava cumprindo o que prometeu de maneirar na bebida nos eventos públicos.

–Estou curiosa – Marina, uma fotografa famosa no ramo de belezas reais e sem pudores, questionou encarando-me com os seus olhos castanhos brilhantes. Ela estava sentada ao lado de sua namorada, uma linda menina ruiva, quase a minha frente – Vocês duas se conhecem a um tempo relativamente pequeno, mas parecem que sabem tudo uma da outra. Porém, realmente sabem?

–Todo mundo tem seus segredos, faz parte da privacidade – comentei bebericando um pouco do vinho, lancei um olhar rápido para Jenny, ela me observava com cuidado – Mas acho que ela sabe praticamente tudo sobre mim, até porque eu não vivi tanto tempo assim para ter um longo histórico de desventuras em série.

–Sério isso? Eu sei tudo? – Jenny quis confirmar presenteando-me com um lindo sorriso de lado.

–Ah – fiquei um pouco pensativa e só então lembrei-me de algo, minhas bochechas coraram forte e meus olhos se abriram – Não é bem um segredo, se você for esperta já teria deduzido.

–Estou prevendo uma revelação! – Ellen falou a minha frente, prestando atenção na conversa – O que você anda escondendo da nossa Jenny Summers, Michelle?

–É algo bem bobo e que ela já deve saber – encolhi meus ombros timidamente.

–Mas agora que começou, por favor, termine! – Ellen insistiu.

–Ah bem – pigarrei e olhei para as minhas mãos sem conseguir encarar mais ninguém naquela mesa – A Jenny... Bem... Ai meu Deus, isso soa meio constrangedor quando se pensa que estou no meio de tanta gente importante.

–Mas você é importante agora também meu amor – Jenny acariciou minha bochecha – E ninguém aqui está trabalhando no momento, relaxe e conte, estou curiosa também.

–Eu não sei se você foi capaz de ligar os pontos, mas... – ousei erguer meu rosto e encarar Jenny, seus olhos verdes tão intensos e atentos a mim me fizeram corar mais forte ainda, então respirei fundo e despejei em um só fôlego – Você é minha primeira namorada!

Houve aqueles segundos de silêncio. Jenny paralisou um pouco, seus olhos verdes se abrindo lentamente denunciando a rapidez com que processava a informação. A primeira a reagir foi a Marina, soltando um longo “awn” que me deixou mais sem jeito ainda. Desviei meu olhar do de Jenny, constrangida um pouco com a sua falta de reação. Eu já não lembrava se tinha comentado com ela que tive apenas poucos casos em minha vida, sendo ela o mais sério e único. Senti uma mão delicada e quente em meu ombro, mas eu ainda assim não tive coragem de olhá-la, estava subitamente tímida demais para isso.

–Vem comigo – Jenny chamou sussurrando em meu ouvido.

A mão que estava em meu ombro deslizou até alcançar minha palma. Eu automaticamente entrelacei nossos dedos e só então eu ergui um pouco o rosto. Jenny sorria e seus olhos verdes brilhavam como nunca. A escutei dizer que ia me levar a algum lugar e que já voltava, claro que isso provocou alguns comentários, mas eu nem ao menos estava prestando atenção a isso. Minha namorada me guiou até uma varanda do restaurante, afinal estávamos em seu segundo andar, tendo uma linda vista para a cidade. Era noite e estava levemente nublado, produzindo um clima ligeiramente gélido. Aproximei-me do parapeito de madeira apoiando minhas mãos ali. Não pude evitar um suspiro quando os braços brancos de Jenny circularam a minha cintura em um abraço apertado.

–Eu realmente fui idiota de não ter me tocado que era a sua primeira namorada – Jenny sussurrou em meu ouvido – Antes eu não era tão tola assim, de acreditar em finais felizes, mas no fundo de meu coração eu espero ser a primeira e a única. Isso soa até egoísta, não é?

–Eu não quero novas experiências – disse em um tom um pouco mais alto que um sussurro — Eu quero só você.

–Então que tal eu sempre te dar novas experiências? Nunca irá cansar de mim – Jenny me apertou ainda mais em seus braços – Serei sua eterna namorada. Isso soa romântico e bom o suficiente para mim.

Eu não consegui deixar de ri baixo com aquela ideia. O quanto ferrada nós duas estávamos? E o quanto feliz nós estávamos por estarmos nessa situação? Virei meu corpo lentamente, até ter meu quadril apoiado no parapeito de madeira e meus braços envolvendo o pescoço de minha mulher. Jenny me fitou em silêncio, palavras não eram necessárias naquele momento quando nossos olhares gritavam que nós nos amávamos. Sua boca logo se encaixou sobre a minha, em um daqueles beijos longos e íntimos, sem pressa em nenhum dos movimentos, mas que arrebatava todo o meu ser e deixava meu coração disparado como um louco.

Naquele momento a minha vida tinha tudo para estar no eixo certo. Estava em um evento importante, com pessoas importantes, fazendo algo importante. Mais que isso, eu tinha em meus braços a mulher de minha vida. Logo meu primeiro filme seria lançado e meus primeiros passos no estrelato se tornariam ainda mais firmes. Eu não era tola de pensar que tudo daria sempre certo, de que eu não teria dificuldades. Nunca era fácil. Mas eu iria tentar com tudo o que eu tenho, tinha certeza disso.

Porém eu também tinha certeza de que faltava algo. Eu nunca poderia avançar e crescer se eu não superasse tudo o que deveria ser superado. Meu peito agonizava sempre que eu pensava nisso e dessa vez não foi diferente. Obriguei-me a parar o beijo carinhoso de Jenny com alguns selinhos. Ela estava sorrindo antes de abrir os seus belos olhos verdes, mas assim que me fitou e viu minha expressão, seu sorriso foi sumindo aos poucos.

–O que foi, meu amor? – ela perguntou com um leve tom preocupado.

–Eu tenho de fazer uma coisa difícil – comecei em um tom levemente embargado, definitivamente esse era um assunto que sempre iria me por frágil se eu não o resolvesse – Muito difícil. Mas que eu preciso para poder crescer e ser forte como eu devo ser.

–O que está dizendo? – Jenny segurou firme em minha cintura.

–Que depois da première do filme... Eu vou usar o curto período de folga que eu tenho antes de retornar para Eternal para viajar – comecei e engoli em seco – Eu preciso voltar para o Brasil e dar adeus definitivo para tudo o que eu deixei lá e me fez mal.

–Você tem certeza disso? – Jenny me fitou surpresa – Eu sei que as coisas por lá te machucaram demais e isso pode abalar você...

–Eu sei que vou sofrer se for para lá – a cortei convicta – Muito dos meus pesadelos são originais de minha própria casa. A escola era nada fácil. Porém se eu não me resolver com meus medos, mesmo que eu não vá vencê-los, eu preciso encará-los para não ser tão fraca – respirei fundo e deitei minha cabeça no ombro dela – Eu preciso ser forte, esse nosso mundo não é fácil, é cheio de pressões, especulações, imagens falsas... Mas para eu ficar de bem comigo mesma eu preciso voltar um pouco no passado, encarar minha mãe e dizer que eu cresci, apesar de todas as porras de obstáculos que o mundo me colocou.

–Então você sabe que eu vou ir com você, não sabe?

–Não precisa, se você não quiser. Eu sei que você está começando a ficar cheia de compromissos novamente e...

–E nada, eu vou com você, não precisa enfrentar isso tudo sozinha.

Era nesses momentos que eu me descobria a amando mais ainda. Respirei fundo sentindo o choro vindo com força, mas me controlei. Em compensação, abracei Jennifer com toda a força que eu tinha. Sabia que a estava machucando um pouco, afinal eu havia ficado um pouquinho forte depois de tanta ação em Eternal e no filme. Porém em nenhum momento Jenny reclamou. Pelo contrário, ela me aconchegou em seus braços e ficou fazendo carinho em meu cabelo até que o turbilhão de emoções que eu estava sentindo se acalmasse um pouco.

–Vamos para casa? – Jenny chamou em um sussurro.

–Só se você me prometer ficar comigo e me dando muito carinho – eu pedi toda manhosa.

–Eu não resisto quando você fica dengosa assim. Que tal então pedirmos um pote de sorvete e chocolates? Ai ficamos assistindo um filme qualquer, namorando um pouco até pegarmos no sono?

–Viu? Você é perfeita. Porque não fugimos para Vegas e nos casamos mesmo?

–Porque eu sou nova demais para isso.

Revirei os olhos e ri. Sabia que era apenas uma brincadeira nossa, sabia que era realmente muito cedo para isso. Mas naquele momento eu só tinha certeza de que se fosse me casar um dia, seria com a Jennifer Summers.

Notas finais
Ainda hoje vou tentar responder TODOS os reviews. Eita que vai ser uma maratona! sahushausahsau