Equalize
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Quando acordei na manhã seguinte eu estava em estado total de plenitude. Meu corpo estava levemente dolorido, resultado da noite passada mesclado ao cansaço natural do trabalho. Porém eu estava feliz, sonhadora, serelepe. Esfreguei os olhos e não contive um bocejo, virei para o lado esperando encontrar Jenny adormecida, afinal eu sempre era a primeira a despertar. Mas dessa vez encontrei um par de olhos verdes encarando-me com um brilho especial de admiração.
–Oi – cumprimentei sonolenta.
–Você consegue ser extremamente fofa quando acorda – Jenny falou e depositou um selinho em meus lábios.
–Você é muito serena quando está dormindo, eu sempre acordo primeiro e fico te admirando alguns minutos antes de te acordar também – revelei e sorri – O que faz acordada? Pensei que estaria muito mais cansada do que eu.
–Não poderia perder tempo dormindo, meu tempo aqui é muito menor do que eu queria que fosse.
–Jenny... Nunca haveria tempo suficiente, por isso sempre nos buscamos mesmo quando perto uma da outra.
–Só você para me fazer derreter tão cedo.
O sorriso tímido e genuíno dela fez meu coração disparar. Ali do meu lado estava a mulher mais linda do mundo, de pele muito branca e olhar esverdeado carinhoso. Era nesses momentos que as borboletas dentro de mim entravam em frenesi. Não resisti a puxar aquela mulher para mim e dar-lhe um beijo longo e apaixonado de bom dia. Jenny prontamente retribuiu, tão entregue ao momento quanto eu estava. Porém não podíamos avançar mais do que aquilo, pois ela podia estar de folga, mas eu não estava.
Por sorte naquele dia não haveria gravações. A manhã estava reservada para as sessões fotográficas do filme, para se montar os pôsteres e propagandas para divulgação. Tive de implorar para os produtores permitirem que Jenny ficasse ali, fingi uma grande birra digna de artista mimada e por fim eles deixaram.
Era notório o quanto eu estava bem e feliz. Cumprimentava Deus e o mundo, abria sorrisos fáceis e fazia qualquer coisa com uma animação genuína. Tudo isso porque bastava eu olhar para o lado e Jenny estaria lá. Claro que isso não passou despercebido e fomos alvos de piadinhas do elenco, porém nem isso estava me afetando mais. Afinal, era verdade que o único motivo para que eu estivesse brilhando por dentro e por fora era aquela garota de cabelos negros.
Bradley pediu uma selfie com todo mundo. Parecíamos um bando de jovens loucos para aparecer em todas as fotos de uma festa. Todos se espremeram e claro, Jenny estava lá me abraçando e com um sorriso bobo idêntico ao meu. Ele postou em seu instagram e todos nós já sabíamos que aquela foto seria uma notícia comentada em várias redes. Na hora do almoço, onde nós resolvemos fazer todo mundo junto, eu estava mexendo em meu celular respondendo aos fãs nas redes sociais e claro, postando também as fotos mais recentes.
–Você realmente se dedica a isso – Olivia Wilde comentou bebericando de seu suco.
–É uma forma de mostrar que sou uma jovem normal – dei de ombros e terminei de digitar uma mensagem.
–Às vezes esqueço que você só tem dezenove anos – Jenny franziu o cenho.
–Não se preocupe, só é pedofilia quando não é consentido – não pude deixar de provoca-la – Então fica tranquila sua velha.
–Falou a menininha nerd – Jenny revirou os olhos – Só espero que você não esteja jogando ainda aqueles joguinhos online.
–Mais respeito com meus jogos, aquilo é muito sério – a olhei ameaçadoramente.
–Você encontrava tempo para jogar? – Bradley olhou-me surpreso.
–Uma ameaça que sempre funcionou foi a de falar em rede nacional o nick dela nos jogos online – Jenny riu – Seria um verdadeiro inferno e ela não poderia jogar tranquilamente do jeito que gosta.
–Isso é crueldade na verdade.
–Uma vez ela quase me trocou por uma partida de League of Legends, falando que estava na metade e estava virando o jogo.
–Mas eu desisti, não foi?
–Obvio, já que eu não deixaria que me trocassem por um jogo Michelle. A atrapalhei da melhor forma possível.
–Sem detalhes! – Henry riu de nossa interação – Vocês são mesmo um casal divertido.
O elogio nos fez sorrir de orelha a orelha. A conversa seguiu tranquila, assim como o resto do dia. Eu adorava essa parte do trabalho, as sessões fotográficas eram divertidas quando as pessoas ao seu redor deixavam o ambiente tranquilo. Durante a noite resolvemos fazer um programa bem caseiro, pegamos alguns filmes, fizemos pipoca e brigadeiro, passamos um bom tempo namorando e conversando como se não fizesse meses que estivéssemos longe uma da outra.
No dia seguinte eu estava o oposto do dia anterior. Jenny teve de viajar cedo para chegar a tempo de se preparar para as filmagens do próprio filme e descansar. A despedida sempre quebrava meu coração em pedacinhos, ainda mais que eu não pude ir com ela para o aeroporto. Era como se uma grande parte de mim tivesse indo junto com ela, uma que tinha uma grande dose da minha felicidade e sorrisos. Trabalhei de uma maneira mais quieta, apenas dando meio-sorrisos para as tentativas de Bradley de me animar. Mas não haveria nunca como afastar aquela sensação de que só estaria completa com Jenny por perto.
O show deveria continuar. As gravações prosseguiram durante dias, semanas. Logo eu estava em entrevistas tanto para televisão quanto para revistas. O primeiro trailer foi lançando e a ansiedade aumentava, assim como a pressão. Jenny também se encontrava uma pilha de nervos, parte por causa natural do trabalho, parte por culpa de Laurent, um ator que não era nada fácil de lidar. Ultimamente estávamos viajando demais, ela chegou a ter de sair do país para promover o filme.
A saudade ia se tornando algo como uma sombra, sempre presente e constante. Eu tinha medo de que isso acabasse esfriando a relação, mas sinceramente? Eu a amava cada vez mais. Claro, havia as brigas, era fácil uma das duas estar sensível demais ou estressada demais. Às vezes era algo quase ilógico, discutir por pequenas coisas que normalmente não teria tanta diferença. Mas a pressão no meio artístico era um fenômeno indiscutivelmente forte. Ainda assim eu poderia contar as horas de nossa briga mais demorada. 72h e 35min, exatamente. O motivo? Ela não queria que eu saísse para uma festa com Bradley e Henry, sendo que ela sempre saia com os colegas de lá para distrair. Eu havia ficado enfurecida, acusando-a de que estava me prendendo e fazendo o contrário do que exigia de mim. Gritamos uma com a outra pelo celular e Skype, passamos 24h sem forma de contato nenhuma... Até ela pedir desculpas e ameaçar vim até mim para implorar de joelhos que eu a respondesse corretamente, já que eu tinha adotado a tática das respostas monossilábicas. Depois disso tivemos uma conversa séria e longa, Jenny parecia finalmente entender que compromisso era uma coisa de via dupla, com certas restrições, mas não obrigações. Era cumplicidade e responsabilidade, não uma prisão e ditadura.
O lançamento do filme dela estava próximo. No meio cinematográfico não se falava de outra coisa, afinal as expectativas estavam altas por todo o investimento que se fez em propagandas e promoções do longa-metragem. O problema? Era que eu não poderia ir para o evento de lançamento. A première aconteceria bem quando estaria gravando cenas importantes do filme, cheias de ação por ser a parte de ação mais extensa e cheia de efeitos especiais. Eu estava morrendo por não poder estar em um momento importante para a minha namorada. Apesar de ela dizer que não havia problemas, que entendia muito bem como funcionava o nosso trabalho, eu sabia que ela também queria que eu estivesse lá, ao seu lado.
(•••)
O cansaço se fazia presente tanto no meu corpo quanto em meu espírito. Passar o dia inteiro em gravações de ação não era nada fácil. Repetir os mesmos movimentos, as mesmas falas até alcançar o ponto mais próximo da perfeição. As gravações estavam acontecendo em uma área florestal próxima a uma pequena cidade, havia câmeras e aparelhagens por todo o lugar para se capturar todas as cenas pelo máximo de ângulos possíveis.
–Ok pessoal, perdemos a luz do dia! – um produtor falou quando o crepúsculo se fez presente – Continuaremos amanhã o final da cena, tivemos um ótimo trabalho!
Soltei um longo suspiro e sentei no chão mesmo, ficando encostada em um carro quebrado e com aspecto de que foi explodido. O que no filme realmente foi, quando um helicóptero tentou acertar os personagens com uma arma de fogo automática. Minhas roupas estavam rasgadas e meu corpo sujo, sem contar em meu cabelo que estava acabado por ter escapado de uma explosão. Porém, apesar disso tudo, abri um enorme sorriso enquanto pensava que estava fazendo exatamente aquilo que eu queria. Bem, Michelle nunca teria como estar em uma confusão daquelas, sendo perseguida por ter um pai que tinha informações demais. Porém ali estava eu, interpretando e vivendo um pouco daquele mundo inventado por roteiristas e produtores. Ah como eu amava a minha profissão!
–Você foi muito bem – Henry aproximou-se, a sua aparência não estava melhor do que a minha – Pra ser sincero é surpreendente como esse é o seu primeiro filme, você parece ter já alguma experiência.
–Obrigada – sorri mais ainda e aceitei a mão que ele oferecia para me auxiliar a levantar – Mas eu também fico bastante nervosa às vezes. Não quero usar dublês para fazer algo que eu posso aprender e interpretar, porém é um risco já que eu não posso aprender direito ou demorar a pegar o jeito.
–Você tem algo chamado talento e esforço – Henry continuou elogiando – Isso ajuda bastante, Michelle.
–Ora, se sua intensão é me deixar sem jeito está conseguindo – comentei sentindo meu rosto corar.
O ator riu de uma forma gostosa e me acompanhou até o meu trailer, desejando-me uma boa noite com aquele seu jeito todo cavalheiro britânico de ser. Garotas, vocês estão completamente cobertas de razão por suspirar por esse ator! Ri só de imaginar o ciúme que Jenny sentiria se pudesse ler meus pensamentos naquele momento. Ao pensar nela, corri para dentro do banheiro para tomar um longo e merecido banho, naquela noite partes da première seria exibida na televisão e eu não perderia de forma alguma!
Banhada e sem mais nenhuma espécie de machucado falso pelo corpo, vesti uma blusona e short confortável e me joguei na cama macia de meu trailer. Peguei o controle e logo liguei a televisão pondo no canal principal que iria cobrir o evento. Ainda não havia começado, mas a todo comercial tinha a propaganda do filme o que me deixava ainda mais ansiosa e me fazia abraçar Otto ainda mais forte. Soltei um longo suspiro, como estaria Jenny agora? Estaria nervosa? Poderia não ser a primeira vez dela, mas esse era um grande e muito bem produzido filme. Ah como eu queria está lá!
O meu celular vibrou ao meu lado e eu rapidamente o peguei e desbloqueei a tela. Uma mensagem da Jenny! Antes mesmo de ler eu já estava com um sorriso que mesclava saudade e felicidade.
“O que me faz não surtar é imaginar você e seu sorriso, seus olhos castanho-esverdeados brilhando de orgulho de mim. Aqui está tudo deslumbrante e eu me sinto realmente bem, mas só seria perfeito se você estivesse ao meu lado”.
Ah meu Deus! Como ela podia fazer isso comigo? Eu já podia sentir meus olhos ardendo pela vontade de chorar. Eu queria tanto estar lá com ela! Respondi o mais rápido possível, lutando contra meus dedos trêmulos e dizendo que eu a amava e que estava explodindo de orgulho de minha namorada. Logo depois tirei uma foto abraçada ao Otto dizendo que ele também tinha orgulho dela. Sabia que aquilo a faria rir e descontrair um pouco. Ficamos trocando mensagem por um bom tempo, eu tentava acalmá-la e distrair um pouco. O programa finalmente começou a exibir a première. Jenny estava na limusine e não queria me mandar uma foto de como estava vestida, dizendo que era uma surpresa. Eu estava me roendo de curiosidade e com um friozinho na barriga, Jenny tinha mandado uma última mensagem dizendo que já estava chegando.
Meus olhos ficaram vidrados na televisão, não demorando mais que cinco minutos para que a terceira limusine parasse enfrente ao tapete vermelho. O câmera pegou um bom ângulo da porta e o repórter já estava próximo para poder fazer a rápida entrevista. Meu coração disparou quando a porta abriu, como em uma verdadeira cena de filme, primeiro foi exibindo uma bela perna que tinha nos pés uma sandália de salto vermelha extremamente linda. Longos segundos depois, o corpo de Jenny apareceu e meu queixo caiu enquanto captava cada coisa de seu figurino. Ela estava deslumbrante! O vestido preto parecia ter sido feito sob medida – o que eu não duvidava que fosse verdade – e moldava cada curva dela com perfeição. O decote era enorme, destacando aqueles seios fartos e perfeitos e que me deixou babando. O cabelo estava em um estado sublime de perfeição, preto, brilhantes, cheio de ondulações que a deixavam com um ar ainda mais sexy. A maquiagem estava pesada, mas o batom vermelho chamava completamente a atenção para aquela boca que eu sabia ser extremamente gostosa. Deus, aquela mulher estava para matar um! Porém nada disso se comparou a sensação que eu tive ao ver que ela usava o colar de meu pai.
–Jenny Summers, você está uma deusa! – o repórter exclamou animado – Poderia nos contar um pouco de como está se sentindo?
–Eu não sei muito bem definir – Jenny respondeu e sorriu sem jeito – Meu coração está disparado, apesar desse não ser meu primeiro filme, é como se fosse! As sensações nunca mudam e é sempre uma emoção muito forte atravessar esse tapete vermelho com o pensamento de que eu dei o meu melhor e que fiz um excelente trabalho.
–Eu tenho certeza de que você estará brilhando nas telas como está nesse momento – ele não já estava elogiando demais não? Franzi o cenho sentindo uma pontada de ciúme no peito – O que você está esperando para essa noite?
–Muitas coisas, comemorar e celebrar o novo filme, rever alguns velhos amigos que vieram prestigiar o momento!
–Então será uma noite perfeita, certo?
–Ah – Jenny abriu um sorriso sem jeito que acabou comigo – Não. Ela só seria perfeita se a Michelle pudesse estar aqui comigo. Mas infelizmente ela está concentrada no próprio filme, logo será ela a passar pela primeira vez por um momento como esse.
Coloquei a minha tartaruga de pelúcia sobre os lábios e soltei gritinhos de felicidade. Ela tinha mesmo dito aquilo em plena entrevista?! Jenny não pode se alongar demais naquela entrevista, teve de tirar algumas fotos e logo estava desfilando pelo tapete vermelho. Assim que ela sumiu de vista me arrependi amargamente de não ter posto pra gravar aquela cena. Soltei um longo suspiro e caí deitada na cama. Não tardou para meu celular vibrar com uma nova mensagem.
“Não vou poder manter o celular perto de mim, eu realmente estou me divertindo aqui, mas você sabe, seria perfeito apenas se você estivesse comigo. Amo você, Mitch”.
Mitch? Era um novo apelido? Mas só aquilo me fez sorrir feito idiota, já que era muito raro alguém arranjar um apelido para o meu nome. O evento prosseguiu, cada ator aparecendo no tapete vermelho, algumas entrevistas sendo feita antes da grande première começar e então seria algo fechado, não poderia ser exibido em detalhes. Jenny fez mais algumas entrevistas, falando dos melhores e piores momentos, falando de expectativas para o futuro e até mesmo de Eternal. Mas nada se comparou quando em uma entrevista ela acenou para a câmera e mandou um beijo seguido de um lindo “eu te amo”. Ela sabia me deixar como uma adolescente idiota apaixonada e sonhadora mesmo a quilômetros e mais quilômetros de distância!
Porém, apesar de minha animação, eu estava começando a ficar com sono. Meu corpo cansado pedia por algumas horas de descanso. Eu insisti em continuar vendo a televisão, já que depois do evento de lançamento haveria uma festa e ela seria exibida. Estava bocejando e esfregando os olhos enquanto a televisão mostrava alguns artistas saindo do prédio onde aconteceu o evento principal. Laurent saiu com duas garotas modelos, deu uma rápida entrevista e entrou em um carro esportivo e evidentemente caro. Jenny não tardou a aparecer, entretanto dessa vez meus olhos se arregalaram. Ela não estava sozinha!
–Jenny Summers! – a entrevistadora da vez chamou – E Candice! Que surpresa!
Exatamente. A mesma Candice que ela admitiu ter tido um caso um pouco sério. Meu coração estava disparado e não era da melhor maneira! Mas sim porque eu vi o braço daquela loira envolvendo a cintura de minha Jenny! O sorriso idiota que Jenny deu para a câmera deixava evidente que ela havia bebido e estava um pouco alta, ela sempre sorria daquele jeito quando estava nesse estado.
–A grande estrela do momento com a nossa querida Candice! – a entrevistadora começou com um sorriso no rosto – Fazia tempos que não víamos as duas juntas!
Claro, porque agora ela estava comigo!
–Eu não poderia deixar de prestigiar minha amiga em um momento tão importante quanto esse – Candice falou, naquele momento até a voz dela estava me irritando – Jenny é uma pessoa importante para mim!
–Ah sua fofa! – Jenny sorriu estupidamente e cutucou a bochecha dela rindo – Estou feliz que você está aqui! Já disse isso. E ela está linda não está?
Se linda for sinônimo de vadia, sim, ela estava. Como alguém poderia ir para um evento usando um vestido minúsculo como aquele? Epa, porque ela está ficando mais próxima de Jenny?!
–É muito bom ver que a amizade de vocês continua! Mas diga Jenny, irá se divertir na festa?
–Isso é óbvio! – Jenny revirou os olhos – Candice está comigo, eu tenho certeza! Uma festa nunca é a mesma quando essa loira está participando. Não Candy?
–Pode deixar que eu vou deixar sua noite inesquecível.
VADIA! E para piorar, ela teve a audácia de dar um beijo no canto dos lábios de Jenny. E o que minha inútil namorada fez? Olhou para ela e começou a rir que nem retardada. Ah como eu odiava quando ela ficava daquele jeito quando bebia! A entrevistadora fez perguntas bobas e logo elas duas se afastaram, andando juntinhas. Desliguei a televisão e me descobri arfante. Eu estava tremendo, só não sabia dizer se de raiva, ciúme ou inveja. Era para eu estar lá do lado da Jenny e não aquela loira! Era para Jenny ter ficado afastada de seu ex-caso, e não praticamente a agarrando. O que ela estava pensando?!
Naquela noite minha mente ficou tumultuada de pensamentos cheios de raiva e cobertos de ciúmes. Incontrolável e incoerentes, eu queria matar um naquele momento! Porém saber que nada poderia fazer já que estava tão distante daquela branquela maldita me deixava ainda mais frustrada. Eu não sabia o que fazer, o que pensar direito. Será que dentro daquela festa Jenny deixaria a bebida falar mais alto e ficaria com a Candice? Era óbvio que aquela loira estava querendo mais do que uma simples amizade. Peguei o meu celular de maneira tremula e chamei o número de Jenny. A cada toque era como se algo dentro de mim entrasse em desespero, mas ela não atendeu. Liguei uma, duas, três vezes até me convencer de que ela não iria atender. Foi difícil engolir o choro e mandar a última mensagem daquela noite.
“Espero que sua noite tenha sido inesquecível, já que perfeita ela nunca mais vai ser”.
Então desliguei o meu celular com a intensão de não liga-lo tão cedo.
Fale com o autor