Epitáfio
14 Capítulo 14
Notas iniciais
– É claro que não, sua mente foi totalmente apagada quando matei você. Mas acredite era necessário. Você era uma psicopata, e logo quando descobrimos quem era seu verdadeiro pai, não foi difícil saber da onde vinha essa ânsia pela morte. Seu pai estava morto e sugava quem via pela frente, eu sei disso porque fui eu que o matei também, nunca descobri como ele não sugou nossa mãe naquele ato de “amor”. Enquanto te examinavam, e procuravam uma cura por sua insistente neurose, eu estava sendo programada para virar a pessoa que daria fim a você e toda essa multidão de sugadores de vidas inocentes. Eu fui criada propositalmente para salvar os humanos.
– Do que você está falando?
– Seu pai era o herdeiro de uma dinastia incrível de sugadores de almas humanas, era ele que mantinha todos os outros vivos, como um coração bombeando sangue. Se você não existisse e eu o matasse acabaria com toda a raça semi-humana. Você está entendo porque isso não aconteceu? Por que você era a nova herdeira. Eu precisava que você morresse para que eu pudesse matá-la novamente e assim livrar o mundo dessa praga. Felizmente nosso pai é um caçador e eu sou a herdeira dele. – Então se eu a matasse mataria todos os caçadores também.
– Como você pensa sobreviver sem a nossa energia? – gritou Thomas e pela primeira vez ela o olhou.
– Nós também temos energia artificial para viver, meu querido.
– Como você me matou?
– Você estava saindo de uma festa bêbada, eu passei de carro com uns “amigos” meus e disse que ia te levar pra casa – aquilo a afetava, eu via isso. Valentina não queria que nada daquilo tivesse acontecido, ela me amava também. Mas ela sabia e eu também entendia que ela precisava salvar as outras pessoas que ela amava, mesmo que precisasse sacrificar uma delas – Nós chegamos em casa, eu te dei um banho, coloquei sua camisola e quando você foi dormir tentei te sufocar, mas era a noite e desde aquela época você era mais forte com a lua. Nós brigamos muito feio e consegui te acertar na cabeça. Te arrastei até o carro e entrei por uma segunda entrada do cemitério, meus amigos já haviam aberto a cova e o caixão estava pronto. Eu te joguei lá para dentro e a enterrei. No outro dia levei as flores e a sua foto para te dar alguma pista.
Então eu lembrei, ela havia rido sim, mas quando eu finalmente havia cansado de lutar contra toda aquela terra em cima do caixão, por algum motivo escutei ela chorando. Ela era fraca como eu. E a ultima coisa que escutei antes de morrer foi um grito de dor, um grito dela.
– Mais alguma pergunta?
– Não, acho que não – suspirei – eu entendo.
Então ela me atacou e bom, eu ataquei também. Ela não deixou que ninguém se intrometesse. E ficamos ali.
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