Entrelaços
10 Kiss Me Like You Wanna Be Loved.
Notas iniciais
ISABELLA
Sabe quando a gente ama muito uma pessoa que chega a doer só de pensar em perdê-la? Pois bem, eu vim até aqui porque no fundo eu não suportaria ser deixada para trás novamente, eu queria a Manu na minha vida. Mas, agora, diante das circunstancias, tudo o que eu queria era estar longe dela. Eu a amava, e amava muito. Podia perdoa-la por ir e vir quantas vezes fosse possível, mas ter tido a opção de me afastar daquele garoto e ter pensado em fazê-lo, isso não, isso não seria algo que eu perdoaria fácil.
Assim que chegamos na casa da Manuela, me deparei com aquele garoto loirinho de olhos verdes que mais parecia o David em miniatura, foi impossível conter as lágrimas. O abracei tão forte que devo ter assustado o garoto. Ele era tão lindo, tão cheio de vida, era como se uma parte minha perdida tivesse sido restaurada. Eu amava aquele garoto que a menos de um dia eu nem sábia da existência, mas esse tipo de coisa não se explica.
– Otávio, essa é a Isabella, sua tia! – Falou Manuela, baixinho.
Continuei olhando encantada para a criança a minha frente, até que ele falou.
– Você é aquela moça bonita da foto! Eu não sabia que era minha tia. – Disse Otávio.
– Nem eu meu amor, nem eu! – Falei o abraçando forte.
Manuela permanecia em silencio, avistei dois homens entrando no cômodo. O primeiro era mais alto, cabelos escuros, barba bem feita e parecia ser mais velho que o outro que o seguia, o segundo tinha olhos quase que da cor dos de Manuela, apesar dos óculos era possível observar esse fato, tinha a pele bronzeada e o cabelo em um tom castanho muito claro. Ambos eram muito atraentes.
– Isabella, esses são o Leonardo e o Arthur! Os outros pais do Otávio. – Pronunciou Manuela.
Levantei-me e cumprimentei ambos.
– Prazer, Isabella Ribeiro! – Cumprimentei.
– Ora, Manuela, ela é tão linda quanto você descreveu! – Arthur pronunciou.
– Obrigada, você é muito gentil. – Agradeci ao elogio.
– A Isabella vai ficar hospedada aqui! Arthur, você pode me ajudar a levar as coisas dela pra o quarto de hóspedes? – Questionou Manuela, saindo acompanhada por Arthur.
– Desculpa ter aparecido sem avisar, eu planejava ficar em hotel, mas, a Manuela insistiu. – Expliquei pra o homem alto a minha frente.
– Você é muito bem vinda a essa casa! Fique quanto tempo for necessário. Você faz parte da família, afinal. – Retrucou sorridente.
– Isso tudo é muito novo pra mim! As coisas meio que mudaram de rumo de ontem pra hoje. Eu só vim esclarecer algumas coisas, amanhã mesmo eu estou indo embora. – Proferi.
– Papai, ela é a tia Isa que a mamãe fala? A irmã do meu pai David? – Questionou o garotinho.
– É sim Tavinho! Porque você não vai mostrar o seu quarto pra ela? – Sugeriu Leonardo.
Otávio me olhou sorridente e estendeu a mão, correspondi o sorriso e segui com ele. Ele me mostrou cada parte do quarto, desde a sua coleção de heróis até os livros de contos que enchiam as prateleiras. Otávio era a segunda pessoa em toda a minha vida que me fazia querer com todas as forças fazer parte da vida dele, a primeira pessoa era a sua mãe.
MANUELA
– Agora eu entendo você ter me ligado àquela noite falando que estava apaixonada por ela, eu achei estranho a principio, mas aquela garota ali faz qualquer um questionar a sexualidade! – Falou Arthur.
– Esquece essa história, eu já falei. Ela me odeia, e vai me odiar pelo resto da vida! – Falei triste.
– Não exagera Manu, você foi praticamente proibida de voltar pra aquela cidade. Ela tem que entender que você não teve como falar pra ela antes. – Disse acariciando o meu rosto.
– O Filipe disse pra ela que eu tinha decidido não voltar, ela veio até aqui porque o Otávio ligou pra ela do meu celular, a Isa acha que eu ia continuar escondendo o Otávio dela. Ela me odeia! – Expliquei.
– Duvido muito que ela odeie você, calma, as coisas sempre parecem mais complicadas do que realmente são. – Finalizou Arthur.
No meio do caminho de volta pra sala, paramos frente à porta do quarto do Otávio, e lá estavam, ele e a Isa, ambos sentados na cama conversando empolgados. Foi inevitável não sorrir ao observas aquela cena, fiquei parada encostada na porta observando os dois com um sorriso que ia de uma orelha a outra. As duas pessoas que eu mais amava, juntas. “Tá ai uma cena que eu queria ver todos os dias” pensei.
– Vocês duas formariam um lindo casal. – Sussurrou Arthur atrás de mim.
Pouco tempo depois todos nos dirigimos à cozinha, o jantar foi servido e em seguida o Otávio foi pra cama, todos o desejamos boa noite e a Isabella permaneceu mais um tempo no quarto com ele. Pouco depois ela também se juntou a nós na sala.
– Aceita um pouco de vinho? – Ofereceu Leonardo.
– Aceito sim, obrigada! – Respondeu Isa.
– Então, ele é um garoto muito especial, não é? – Questionou Arthur, se dirigindo a Isabella.
– E como é! Ele é um amor, vejo que foi muito bem educado. Ele é muito avançado pra idade que tem, conversa como se já fosse um rapaz. – Falou sorridente.
Tomei um gole do vinho e olhei pra Isabella, que me encarava. Aquele olhar oceânico conseguiu me engolir a ponto de eu não perceber que Leonardo falava comigo.
– Manu? – Voltou a falar.
– Ah, Léo. Desculpa! O que foi mesmo que você disse? – Questionei.
– Eu perguntei se você já mostrou onde é o quarto para a Isabella? – Repetiu.
– Ah, o Otávio mesmo já me mostrou! – Respondeu Isabella.
– Ótimo. – Falou Leonardo.
– Eu estou meio confusa, lembro-me da Manuela ter falado que já tinha sido casada com você. Mas, vocês dois são casados, e todos moram na mesma casa. O Otávio aceita isso tudo bem? – Questionou Isa.
– Ah, o casamento. Eu e a Manuela casamos pra que eu pudesse assumir o filho como meu diante dos meus pais, minha família não aceitaria que eu assumisse uma criança que não era minha, e muito menos aceitaria a minha sexualidade. Eu propus que a Manu se casasse comigo por que com isso o Otávio se tornaria meu herdeiro reconhecido, mas eu e o Arthur já estávamos juntos. O casamento nos beneficiou bastante, foi crucial para salvar meu relacionamento com o Arthur. Me separei da Manuela e casei oficialmente com ele assim que o casamento gay foi aprovado aqui no estado. O Otávio sempre reagiu bem em ter dois pais, nunca apresentou problemas com isso. – Explicou Léo.
– Ah, e você acredita que ele já tem namorada com essa idade? – Falou Arthur, gargalhando.
– Ele é realmente muito adiantado pra idade. – Completou Isabella. — Bem, acho melhor eu descansar um pouco, a viajem foi bastante cansativa. Boa noite. Foi realmente um prazer conhece-los! – Falou saindo em seguida.
– O que é que você tá esperando, criatura? Vai falar com ela! – Sussurrou Arthur, nos provocando riso.
– Tá bom. Já estou indo! – Falei, me levantando.
Caminhei até o quarto de hospedes e bati na porta algumas vezes, até que Isabella abriu.
– Eu não quero falar com você. – Disse seca.
– Por favor, Isa, me deixa entrar, preciso explicar coisas pra você. – Pedi.
– Entra, mas seja rápida! – Retrucou, fechando a porta atrás de si logo depois que eu entrei.
– Mesmo que eu não fosse voltar, eu ia te contar sobre o Otávio. – Falei.
– Olha Manu, sinceramente, eu acho que entendo o seu lado nessa história toda, a principio eu odiei você por ter me escondido isso, mas não duvido que você tenha planejando me contar. O Otávio mesmo me falou algumas coisas que confirmam o que você diz. Sei que me precipitei em ter vindo aqui. Mas o que eu não entendo no momento é porque você teve essa ideia súbita de vier pra cá e não voltar a ponto de ligar pra o Filipe no mesmo dia confirmando a decisão. – Disse ela me encarando com os olhos marejados.
– É complicado Isa, eu fiquei com medo, sei que foi covardia ter pensado em fugir dessa forma, mas tem coisas que você não sabe. – Expliquei quase que num sussurro.
– Você tá sempre me escondendo alguma coisa. Mas que droga Manuela! Você por acaso tem outro filho? É traficante ou algo do tipo? – Falou irritada.
Não respondi nada, apenas permaneci em silêncio encarando aquelas lindas orbes azuis. Céus, como alguém podia chegar tão perto da perfeição? Eu não saberia explicar o que estava sentindo naquele momento, eu só sabia que tinha que fazer aquilo. Agi por total instinto.
– Fala alguma coisa. Mas, que droga! – Falou me tirando do transe.
Dei dois passos em sua direção, deixando a distancia entre nossos corpos quase que inexistente. Isabella não se moveu, parecia estranhar minha atitude, seu corpo estava tenso, e sua respiração tão alterada quanto a minha. Depositei minhas mãos em seu quadril e aproximei minha boca de seu ouvido a fazendo estremecer.
– Tentar fugir de você foi a segunda coisa mais estúpida que eu já fiz. – Sussurrei provocando-lhe um leve arrepio.
– E q-qual foi a primeira? – Questionou no mesmo tom de voz.
– A primeira foi não ter tido coragem de fazer isso antes! – Sussurrei novamente, para em seguida tomar os lábios de Isabella.
Isabella correspondia aquele beijo urgente na mesma intensidade que eu, sua língua pedia permissão para aprofundar o beijo e eu cedi de imediato. Sua mão direita agora se encontrava em minha cintura, e a esquerda em minha nuca, ambas me puxando com força. Nossos corpos se colidiam provocando um calor incrivelmente gostoso. Era como seu quisesse fundir nossos corpos com aquele contato, eu tinha uma sede insaciável dela. Ela me conduziu até que eu encostasse na parede, nos separamos por falta de fôlego e por alguns segundos eu encarei aquelas orbes azuis dilatadas de luxuria. Dessa vez foi ela que iniciou o beijo, suas mãos passeavam pelo meu corpo enquanto eu a pressionava contra o meu corpo. Nossas línguas dançavam naquele mesmo ritmo inebriante.
Eu não sabia que um beijo seria capaz de me roubar os sentidos daquela forma. Seu gosto era tão bom, melhor do que qualquer outro. Aquele hálito doce e gostoso, o beijo mantinha o gosto do vinho tomado há pouco. Eu estava totalmente entregue a Isabella, nos separamos novamente por falta de fôlego e eu mordi o lóbulo de sua orelha provocando um leve gemido, o que me deixou ainda mais excitada. Isabella tomou posse de meu pescoço explorando todo o local com beijos e leves mordidas, enquanto eu ficava ainda mais ofegante. Suas mãos adentraram a minha blusa e entraram em contato direto com as minhas costas, me deixando completamente arrepiada, ela pressionava uma das pernas entre as minhas enquanto voltava a me beijar. Mordiquei de leve o seu lábio inferior, lhe provocando mais um gemido. Eu juro que podia chegar ao meu ápice com apenas aquele contato, e faltava pouco, se não fosse a interrupção do maldito barulho do celular dela. Separamo-nos com relutância e ela atendeu a ligação.
ISABELLA
Eu só podia ter sido uma pessoa muito ruim em outra vida pra ser castigada dessa forma! Quem diabos ousava atrapalhar aquele momento? Eu com certeza mataria aquele ser. Peguei o telefone e a foto da tela anunciava que era a Fernanda. Eu não queria, mas se eu não atendesse ou desligasse o telefone, a encrenca ia ser certa. Eu só ia dar uma desculpa qualquer e estaria livre pra contar tudo o que eu sentia para a Manuela.
– Alô, Fê. Eu estou meio ocup.. – Atendi, sendo interrompida em seguida.
– Eu aceito amor! Eu vou me mudar com você. – Falou Fernanda empolgada.
Pra minha infelicidade, o celular estava perto o suficiente para que Manuela ouvisse a conversa. Ela olhou pra mim com aqueles olhos verdes marejados e saiu do quarto rapidamente. Tentei impedir que ela saísse, mas, foi inútil.
– Amor, você tá ai? – Questionava Fernanda do outro lado da linha.
– Estou Fernanda, estou! – Respondi irritada.
– Olha, não precisa ficar brava! Eu não disse sim ontem porque queria fazer charminho, você me conhece. Nem acreditei quando você me ligou no meio da noite me propondo isso. – Proferiu.
– Nem eu Fê, nem eu acredito que eu fiz isso. – Falei baixinho.
– Eu te amo Isabella! – Falou.
Sinceramente, doeu ouvir aquilo! Eu me sentia a pior pessoa do planeta naquele momento. Definitivamente, aquele não era o meu dia de sorte. Eu amava a Manuela, não a Fernanda, mas eu não sabia o que diabos ia fazer daqui pra frente. Já estava feito, e eu não tinha coragem de desfazer, tinha que arcar com as consequências.
Despedi-me de Fernanda e desliguei a ligação, e só então, chorei. Chorei como a muito não fazia, eu me sentia refém de uma situação que eu mesma tinha criado. Não podia machucar a Fernanda assim, mas também não podia ficar sem a Manuela. Disquei o numero da Amanda e logo a morena atendeu.
– Eu ferrei tudo Mandy, eu ferrei tudo! – Falei em meio ao choro.
Notas finais
Eu amo a Manu ♥3
A Isa só se complica ;x ai ai!
Ok, algum males são necessários. Não me matem, não me odeiem, e tentem não odiar a Fê tbm, afinal a culpa não é dela, concordam?
Quero saber o que vocês acharam, então, please, mandem reviews ;*
Duvidas? Sugestões? Esclareço tudo nas reviews.
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