Entrelaços
11 The Mess I Made.
Notas iniciais
Boa leitura!
ISABELLA
– Oi, você ligou para a Manuela Monteiro, no momento eu não posso atender, você pode deixar recado e eu retorno assim que puder. – Ouvi pela centésima vez aquela mesma mensagem.
– Manu, sou eu, Isa. De novo! Olha, você não pode me ignorar pelo resto da vida. Já faz 4 meses desde que você voltou, não é bom pra o Otávio que a gente se mantenha dessa forma, você sabe que nós precisamos conversar. Bem, é só isso. Espero que esteja bem. – Falei com tom de voz triste.
Já tinha passado dos limites, depois que eu e a Manu nos beijamos, nós tivemos uma “última” conversa antes de a situação chegar a esse ponto.
Flashback: on.
No dia seguinte eu ainda estava atordoada com o que acontecera na noite anterior, afinal, eu tinha tido ela nos meus braços e simplesmente a deixei escapar. Marquei meu voo pra logo cedo, mas não o suficiente para que encontrasse a Manuela em casa na manhã seguinte. O Arthur me levou até o aeroporto junto com o Otávio. E depois de me despedir carinhosamente do meu sobrinho, embarquei relutante naquele voo.
Durante o resto da semana não consegui que a Manuela falasse comigo, mas, todos os dias eu ligava para o celular do Arthur para falar com o Otávio.
Era sábado quando eles chegaram à cidade, assim que recebi a ligação do Arthur fui correndo para o endereço que ele havia me mandado, estava morrendo de saudades do garoto, e é claro, da Manuela. Passei horas brincando com o Tavinho antes que a Manuela chegasse, assim que tive oportunidade fui falar com ela.
– Porque você não atende as minhas ligações? – Questionei olhando no fundo daqueles olhos verdes e assustadoramente gélidos.
– Porque eu achei melhor me poupar de certas inconveniências. Eu realmente espero que você tenha esquecido o que ocorreu aquela noite, eu bebi um pouco além da conta e agi de forma errada. – Respondeu.
– Não Manu, não fala isso. Eu, eu quis aquilo tanto quanto você, eu esperei tanto pra que voc.. – Falava quando fui interrompida.
– Por favor, Isabella! Não me venha com essa agora, você namora uma das minhas melhores amigas, então, por favor, não leve esse erro a sério. Vamos apenas fingir que não aconteceu. – Proferiu desviando o olhar do meu.
– Não foi um erro, Manuela! Eu esperei minha vida inteira por aquele beijo, eu não amo a Fernanda, eu só estou tentando encontrar uma maneira mais fácil de não machucar ninguém. – Retruquei me aproximando de Manuela e fazendo com que ela me dirigisse seu olhar novamente.
– Será que você não percebe? Você já machucou. Aquele beijo foi um erro! E nunca, nunca mais eu vou agir daquela forma. Por favor, se você não ama a Fê, não devia tê-la pedido em namoro e que ela se mudasse com você, só te peço que pelo menos ela você não machuque. – Falou com os olhos verdes marejados.
Me aproximei ainda mais de Manuela e a abracei com força, ela se soltou do abraço, segurei o seu braço direito antes que ela me desse as costas e a puxei pra perto, selando nossos lábios. Minha língua pediu passagem e foi negado, invés disso o que eu ganhei foi um fervor do lado esquerdo da minha face, que logo ficou dolorida devido a intensidade da tapa. Levei minha mão até a área dolorida e sussurrei “Desculpa” enquanto a encarava envergonhada.
– Que isso nunca mais se repita! E quanto ao tapa, encare como uma retribuição. – Falou voltando a adotar aquele olhar gélido e me virando as costas em seguida. – A propósito, prefiro que não nos falemos por algum tempo, quando quiser ver ou falar com o Otávio resolva com o Arthur. – Finalizou antes de sair.
Flashback: off.
Eu juro que a minha intenção quando voltei de viajem era acabar tudo com a Fernanda, o problema foi que ela tinha resolvido fazer uma surpresa e já tinha levado tudo pra minha casa, afinal, ela tinha as chaves. Eu não pude simplesmente mandar ela embora, apenas deixei que a situação fluísse até aqui.
– Estava no telefone com alguém amor? – Perguntou Fernanda, entrando no quarto e se deitando ao meu lado na cama .
– Não era ninguém Fê, você deve ter se confundido com o barulho da TV. – Respondi virando pra o lado contrario a ela.
– Ah, sério Isabella? Porque eu juro ter ouvido o nome da Manu. – Retrucou irritada.
– Você tem que parar com essa sua implicância de que meu ouviu falando o nome dela! Nós não nos falamos há meses. – Respondi.
– Ótimo, sou eu que estou louca. Você me chamou de “Manu” enquanto a gente transava, e eu ouvi você falando sobre ela com a Amanda uma dúzia de vezes. Eu não sou burra Isabella, e não aguento mais ignorar todas essas provas explicitas a minha frente! Não venha me dizer que é coisa da minha cabeça, porque não é! Vai atrás dela droga, afinal, não é ela que você quer? – Falou levantando-se irritada.
– Já chega Fê! Esse assunto novamente não. Eu não vou discutir isso com você. – Retruquei no mesmo tom de voz que ela.
– Ótimo, não fale sobre isso! Eu cansei, o caminho está livre pra vocês, a otária aqui tá indo embora. – Gritou pegando sua bolsa.
Não consegui falar nada, não queria insistir que ela ficasse. Ouvi o som da porta batendo, e no fundo estava aliviada por ter sido ela quem tomou a decisão. Ela provavelmente dormiria fora, e não demoraria muito pra vir pegar as coisas dela. Eu gostava muito da Fernanda, muito mesmo, mas é difícil se relacionar com alguém que lembra tanto a pessoa que você ama, e por vezes eu a olhava e só conseguia enxergar a Manuela, era torturante acordar desses meus devaneios e perceber que não era ela. Agi mal com a Fê de ter deixado a situação se alastrar a esse ponto. Eu não sabia como agir, eu nunca soube resolver nenhuma situação sozinha, porque eu sou um desastre ambulante que só ferra tudo. Eu me sentia como uma colecionadora de escolhas erradas. Eu precisava conversar com alguém, e só pensava em uma pessoa. Troquei de roupa, peguei a chaves do carro e dirigi até a casa da Amanda.
– Isa? Você por acaso sabe que horas são? – Falou Mandy assim que atendeu a porta.
– Meia noite e cinquenta e sete! Preciso conversar e, além disso, amanhã é domingo. – Indaguei entrando no apartamento.
Sentamos no sofá e eu deitei minha cabeça no colo da morena, que acariciava meus cabelos carinhosamente.
– A Fê foi embora. – Falei baixinho.
– Oh, então é por isso que você tá tristinha assim. – Falou.
– Na verdade, não. Eu estou quase que aliviada pela Fê ter me deixado. Você sabe de toda a situação. – Indaguei com o mesmo tom de voz anterior.
– Você e a Manuela ainda não se falaram? – Questionou calma.
– Não. O pior é a gente ter que cruzar e eu não saber mais nada sobre ela, nunca vou me contentar com aqueles cumprimentos forçados. Agora que a Fê me deixou, eu posso tomar alguma atitude em relação à Manuela. – Falei.
– Você foi a pessoa mais covarde do mundo em ter feito o que fez com a Fê e ter deixado a Manuela sair da sua vida desse jeito! Eu vou ser sincera com você, acho muito provável que seja tarde demais. – Disse dando um longo suspiro em seguida.
– Eu sei Mandy! Eu fui uma idiota covarde e insegura que não teve nem a atitude de procurar a mulher que ama durante 4 meses. Mas poxa, eu tinha que respeitar a Fê, só podia ir atrás da Manu quando resolvesse as coisas com ela. – Falei com a voz falha.
– Você não percebe que o maior desrespeito com a Fernanda foi ter ficado com ela todo esse tempo enquanto tinha a Manuela na cabeça e no coração? Você não tinha obrigação de continuar com ela, pelo contrario, você devia ter sido sincera. – Disse repreensiva.
– Eu sei, droga! Eu fui uma idiota, eu sou uma idiota. Eu fui uma covarde, admito isso, mas eu também precisei organizar as coisas dentro de mim. – Expliquei.
– Isa, se você realmente ama a Manuela como diz amar, lute por ela! Você não essa pessoa covarde e imatura que eu tenho visto ultimamente. – Aconselhou Amanda.
– Eu vou atrás dela! E vai ser agora. – Falei me levantando.
– Isa, eu acho melhor não! – Disse me puxando se volta pra o sofá. – Tem uma coisa que eu preciso te contar.
MANUELA
– Eu não saberia dizer o que foi mais surreal nos últimos meses, a vida realmente me surpreende. – Comentei cobrindo o meu corpo exposto com um lençol.
– Você fala a respeito dos seus pais e os do David terem aceitado tão bem a chegada do Otávio? Digo, até eu me surpreendi por eles terem sido tão compreensíveis com a presença do Leonardo e do Arthur na vida do garoto. – Indagou beijando a curva do meu ombro.
– Isso também! Meus pais sempre foram um tanto “Idade média” e pior ainda eram os Ribeiro, até hoje eles não sabem que a filha é gay. Tenho certeza que toda essa aceitação deles se deu devido as condições financeiras do Leonardo. – Falei me aconchegando ainda mais naquele corpo macio.
– Ora, eu que tenho que falar sobre coisas surreias, a começar por hoje no jantar quando você me apresentou como sua namorada na frente da sua família inteira. – Retrucou rindo.
– Não tem como não amar você logo de cara! E, além disso, ninguém pareceu se surpreender com a notícia, acho que no fundo eu fui a ultima pessoa a descobrir minha condição sexual. – Disse me posicionando frente a ela.
– Mas, sabe, o mais surreal de tudo é o que está acontecendo agora, nunca que eu imaginaria ter Manuela Monteiro completamente nua na minha cama. – Debochou me beijando demoradamente.
Em um único movimento consegui ficar em cima da ruiva, uma perna posicionada de cada lado de seu corpo, sentada no seu quadril. Observei cada pedaço do seu corpo que meu campo de visão permitia, seus seios eram médios e perfeitamente proporcionais ao corpo muito bem definido. Encarei aqueles olhos verdes dilatados e segurei suas mão acima de sua cabeça.
– Achei que você tem que se acostumar mais a me ter nua na sua cama. – Sussurrei em um tom de voz sensual.
Em seguida tomei os lábios de Bianca com vontade e logo fui aprofundando o beijo, acabei por soltar os seus braços, e suas mãos passeavam urgentes pelo meu corpo. Seu beijo era sensual, envolvente, e minha sede dele parecia insaciável. Cada contato daquela pele macia na minha me deixava com ainda mais vontade dela, nossos seios estavam pressionados um contra o outro me provocando gemidos, ao perceber minha reação, Bianca tratou de inverter as posições. Ela encaixou o quadril entre as minha pernas e deu inicio a movimentos de vai e vem, eu estava completamente úmida com aquele contato, e fiquei ainda mais quando nossos sexos, enfim, entraram em contato. Eu gemia auditivamente e ela fazia o mesmo, minhas mãos pressionavam forte as nádegas de Bianca e eu arqueava de prazer. Nos beijamos ferozmente, os movimentos ficavam cada vez mais rápidos e precisos, em poucos segundos chegamos a um maravilhoso orgasmo juntas.
Bianca pousou a cabeça em meu ombro e depositou um leve beijo no local. Nós ficamos abraçadas ali por um tempo, e pela segunda vez na minha vida eu me sentia verdadeiramente bem com alguém. Ficamos deitadas de frente uma pra outra com os corpos entrelaçados. “Ela é tão linda” Pensei e lhe direcionei um largo sorriso. Acariciei seu rosto e os cabelos ruivos na altura do ombro, seus olhos me encaravam atentos. Aquele verde escuro contrastava perfeitamente com aquela pele tão branca.
– Céus! Você é tão linda! Eu estou completamente apaixonada por você. – Confessei.
– Assim como eu estou por você, desde o nosso primeiro beijo. – Falou me beijando carinhosamente.
Ficamos trocando carinho por mais algum tempo, eu não lembrava a ultima vez que tinha sentido aquela reciprocidade, me senti segura, protegida do mundo, até que enfim adormeci nos braços de Bianca.
Notas finais
A vida é um caixinha de surpresas, e a história só ta começando.
Dúvidas serão esclarecidas nas reviews!
Amo a Binca, ela é uma linda e não tem culpa da Isa ter dado bobeira! Não odeiem ela.
Ah, alguém shippa Manu e Bianca?
Vamos lá, me digam o que acharam!
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