Capítulo 3

Acordo com o meu celular tocando. Olho para o visor do meu iPhone e vejo um número desconhecido. Quem em sã consciência, que eu não conheço, ligaria às 4:30 da manhã???

– Alô? – Digo com a voz ainda sonolenta.

– Anastasia, passo aí na casa dos Kavanagh em 20 minutos, esteja pronta. – Diz a voz de Christian em claro tom de comando e logo desliga a chamada.

Ainda perturbada pelo sono e pela surpresa, rapidamente visto uma legging preta, um top da mesma cor e uma blusa de manga longa com capuz azul marinho, além dos tênis próprios para corrida. Escovo meus dentes e prendo meus cabelos e, pontualmente, depois de exatos 20 minutos que ele ligou, o meu celular toca novamente. Agradeço mentalmente por ele não tocar a campainha e correr o risco de acordar um dos meus tios ou pior, Kate.

Assim que abro a porta, vejo Christian, vestido de calça moletom preta e uma blusa do mesmo modelo que a minha, cinza, encostado na parede com um sorriso.

– Quem, mentalmente estável, tem um sorriso a essa hora da madrugada? – Pergunto aos céus. Começamos a andar em direção a ciclovia deserta, em um ritmo lento. – Eu pensei que você estava brincando quando disse que iríamos correr juntos. – Digo tentando evitar um bocejo, mesmo que todos os dias acordo nesse mesmo horário, nunca me acostumo.

– Eu não brinco muito frequentemente. – O olho incrédula e ele se corrige: – Eu não brinco com coisas sérias. – Diz revirando os olhos.

– Afinal, como você conseguiu o número do meu celular? – Pergunto enquanto aceleramos o passo.

– Pedi à Senhorita Kavanagh ontem. – Depois eu terei uma conversinha com Kate.

Passamos os próximos 15 minutos em um silêncio confortável. Mesmo estando acostumada a correr há 10 anos da minha vida, Christian não teve qualquer problema em me acompanhar. Também com esse físico! Controle-se, Ana.

– Kate me disse que você é o CEO da Grey Enterprises. – Comento casualmente, mesmo que eu tenha conseguido essas informações de Kate quase sob tortura.

– Eu sou.

– Então como é comandar um império? – Pergunto verdadeiramente curiosa. Ele pensa a respeito por alguns segundos e enfim diz:

– Eu posso te dar a resposta que dou para os jornalistas e a verdadeira.

– Ambas. – Digo com convicção.

– Eu cheguei a onde estou por que mereço. Eu comecei apenas com o capital, o resto foi por minha conta. Eu gosto de comandar tudo, o trabalho, a minha vida, as pessoas que me cercam... – Ele diz essa última parte olhando para mim. – Pura e basicamente, tudo. – Prendo a respiração, assim que ele diz isso com uma voz nada menos que sensual, enquanto um flash de imagens surge em minha mente e em todas elas Christian deixa bem claro para a minha Deusa interior quem é que tem o controle. Balanço a cabeça tentando espantar essas imagens e a vontade de me jogar em cima dele.

Corremos por cerca de meia hora mais e eu tenho que confessar que a presença dele foi muito agradável. No caminho de volta para a casa dos meus Tios, nós paramos em um Starbucks.

– O que você quer, Anastasia?

– Chá. – Ele ergue as sobrancelhas, mas não diz nada.

Ele volta com os pedidos e nós começamos a jogar conversa fora.

Voltamos para a Mansão e nos despedimos. Eu não sei se eu estou apenas surpreendida ou decepcionada por Christian não ter jogado nenhum charme encima de mim.

*** C.T. ***

Christian me torturava com seus dedos. Ele fazia círculos em um ritmo enlouquecedor e logo enfiava um dedo ou dois na minha intimidade.

– Você gosta disso não é, Anastasia? – Diz ele e logo abaixa sua cabeça na altura dos seus dedos e sopra, me fazendo querê-lo cada vez mais. – Me responda. Você gosta quando te fodo com os meus dedos? Você quer que eu faça o mesmo com a minha boca? – Tento articular as palavras, mas eu me sinto como se estivesse embriagada... Bêbada por Christian Grey. Ele para com seus movimentos me fazendo fazer um barulho insatisfeito como se fosse uma criança a quem negavam o doce, afinal era exatamente dessa forma que eu me sentia. Percebendo que ele me olhava a espera de uma resposta, digo:

– Eu gosto. Eu gosto de tudo que você faz comigo, Senhor Grey. – Aparentemente ainda insatisfeito, ele chega perto de mim, sua boca em meu ouvido e diz:

– Você sabe, Anastasia, que homens gostam quando mulheres falam sujo. – Fala com um ar conspiratório, me fazendo arrepiar da cabeça aos pés. – E agora eu pergunto, o que você quer que eu faça? Onde você quer minha boca, Senhorita Steele?

– Oh Deus. Eu quero... Eu quero que você me toque.

– Onde? Onde você quer que eu te toque?

– Cristo, Christian. Eu quero que você coloque seus dedos em mim, sua boca e seu pau em minha bu-buceta e me preencha de todas as maneiras possíveis.

– Bem melhor. É assim que eu quero que você fale comigo quando eu estiver te dando prazer. Olhe bem pra mim, – obedeço ele – e você vai falar assim só comigo, por que só eu te darei prazer. Você entendeu, Senhorita Steele?

– Perfeitamente. – Satisfeito com a minha resposta, ele se abaixa, eu abro as minhas pernas e ele começa a chupar...

Acordo repleta de suor e com uma calcinha encharcada.

Já era o quinto dia que eu e Christian corremos juntos e desde então não se passa uma noite sem que eu o imagine comigo, sob mim, me dando prazer de jeitos que eu nem sabia serem possíveis. E se não fosse pela óbvia tensão sexual entre nós, eu poderia dizer que nós estávamos nos tornando amigos.

****

Era uma das últimas voltas que dávamos e meu espírito competitivo estava em alta hoje, corro muito mais rápido que o comum para tentar deixá-lo para trás. Como não o vejo, ao meu lado, dou um sorriso e acabo me distraindo e tropeçando em uma curva. Ei, esse degrau não estava aí antes! Caio de bunda no chão e sinto meu tornozelo torcer. Em milésimos de segundos, Christian está ao meu lado com um olhar preocupado e enfurecido.

– Você está bem?

– Estou. Só foi um arranhão. Estou surpreendida por nada ter acontecido antes comigo, do jeito que sou desastrada. – Digo tentando amenizar o clima e pela cara dele, não chegando nem perto de dá certo.

– O que você pensou que estava fazendo correndo como se estivesse no meio de um tiroteio? – Diz sério enquanto me ajudava a levantar, gemo com a pressão do meu peso exercida sobre o tornozelo que definitivamente não sofreu só um arranhão. Espero não ter quebrado nada. E nem tento dizer nada em minha defesa. Realmente foi uma idiotice correr como em A fuga das galinhas.

– Minha casa fica nesse quarteirão, você quer que eu peça à Taylor para vim nos buscar de carro e nos levar até lá?

– Não. Eu consigo caminhar até a casa dos meus tios.

– Nem cogite essa ideia. Se você quiser, eu não chamo Taylor mas você vai para a minha casa que é muito mais perto que a dos Kavanagh. – Penso em contra-argumentar mas seu tom não deixa espaço para qualquer queixa, então só assinto.

Depois de virarmos em duas ruas, vejo a bela casa que estive há uma semana atrás.

Ele me coloca deitada em seu bonito sofá de couro preto e vai para uma porta que eu não entrei quando estive aqui. Ele retorna com uma maleta de primeiros socorros e ergue a minha legging para ver o estrago.

– Tem certeza que não quer que eu chame o médico? – Pergunta pela milionésima vez e eu reviro os olhos, assim que faço isso ele me encara com um olhar desafiador e dá um sorriso atraente antes de começar a cuidar do machucado. Eu me pergunto o que ele pensou.

Ele termina de vez e nós ficamos olhando um para outro, saio do momentâneo transe e tento me levantar, mas o movimento me faz gemer.

– O que foi? Mais algum lugar dói?

– Foi só um arranhão na minha coxa. – Ainda tento fazer descaso, mas nenhuma novidade quando não dá certo.

– Deixa eu vê. – Ele diz, não exatamente me perguntando.

– Uh, como eu...

– Pode tirar a calça, acredite não a nada que eu não tenha visto ou não tenha gostado. – Sinto meu rosto esquentar antes de tirar a calça. Estando só de calcinha e camiseta branca, eu não me sinto nada menos do que com vergonha. Eu quase sinto a minha pele pegar fogo sob seu olhar. Ele me coloca em seu colo e olha para a área machucada. Realmente a minha coxa só está um pouco roxa, mesmo assim ele passa algum tipo de creme e sinto alívio imediato. Quando ele termina de fazer isso, torna-se mais claro o modo como ele está próximo da minha intimidade, só um pouco mais para cima e ele estará onde eu quero... Antes que meus pensamentos vão além, Christian pergunta:

– O que você está pensando?

– Eu estava pensando... O que teria acontecido na despedida de Kate e Elliot se eu não estivesse tão bêbada... – Assim que falo essa meia verdade, seu olhar escurece e rapidamente eu acrescento: — Só estava pensando nessa hipótese que não tem nenhuma chance de se tornar realidade. – Infelizmente. – Termino mentalmente.

– Tudo bem. – Ele diz sorrindo. – Apenas hipoteticamente falando, eu iria te colocar exatamente nesse sofá e iria te beijar como você nunca foi beijada antes e não seria nada menos do que inesquecível. – Quando ele termina de dizer isso, eu sinto seus lábios sob os meus. Ele pede passagem e em nenhum momento eu cogito a possibilidade de negar. De modo algum minha imaginação (por que pode ter certeza que eu imaginei muito) chegou perto de como eu me senti agora. Os nossos movimentos não eram nada menos do que excitantes. A essa altura eu já estava encima dele. Ele exercia controle em cada gesto e quando eu não tive mais escolha, além de me afastar para respirar, ele começou a distribuir beijos e chupadas sob o meu pescoço, o que me fez gemer e fechar os olhos perdida na sensação dos seus lábios sob a minha pele.

– E depois eu iria tirar sua blusa... – Ele fala ao mesmo tempo que faz me deixando só de top e rapidamente inverte nossas posições, ficando por cima. Sempre querendo o controle, Senhor Grey. – Penso.

– Sempre. – Ele geme me fazendo perceber que eu exclamei meus pensamentos em voz alta.

– Isso tudo apenas hipoteticamente, não é?

– Aham, sem dúvida alguma. – Suas mãos deslizaram para a minha barriga, me fazendo arrepiar levemente, depois ele cobriu meus seios ainda cobertos pelo top com suas enormes mãos, as movimentando e me levando a loucura. – Então, eu iria te torturar de diversas – diz me beijando e logo descendo para o meu pescoço, sem em nenhum momento parar de movimentar suas mãos – e muito, muito criativas maneiras até que você implorasse por mais, implorasse por mim. – Nesse momento eu já estava me contorcendo. Devagar, aparentemente sem pressa alguma, uma das mãos de Christian desce indo em direção a minha intimidade e...

– Senhor Grey, Steven McCarty está... – Quando ouvimos a grossa voz de um homem, nos afastamos rapidamente. Um moreno alto trajando um terno nos olha surpreendido e envergonhado. – Me desculpe. Eu-eu já estou saindo — diz virando as costas para nós e saindo do cômodo.

– Belo momento, Taylor. – Diz Christian como que para si mesmo já que o tal Taylor já não estava onde pudesse vê-lo.

Acordo do transe de desejo que eu estava, pigarreio e rapidamente uso a minha calça e minha blusa.

– Eu preciso ir.

– Tem certeza?

– Aham. Você tem que resolver seus... assuntos.

– Eu posso adiar qualquer coisa.

– Não precisa. – Digo já me dirigindo à porta e tentando evitar seu perigoso olhar.

– Espera! Eu vou pedir pra Taylor te levar. – Só de imaginar vê o moreno novamente já sinto meu rosto esquentar.

– Não, que isso. A casa dos meus tios é aqui perto e eu já estou melhor. – Falo abrindo a grande porta de madeira marrom escuro. Antes que possa sair, sinto um toque em meu pulso. Delicadamente Christian me puxa para si, me fazendo esbarrar em sua parede de músculos. Sinto seus lábios encostarem em meus cabelos. Ele abaixa sua cabeça e fala:

– Nós continuaremos essa conversa mais tarde. – E ele me beija com uma intensidade que me faz esquecer meu nome. Quando ele se afasta, eu estou um pouco perdida e demoro algum tempo pra perceber que ele me encara com um sorriso.

– Ah esse é o momento que eu vou, né? – Pergunto ainda duvidosa.

– É, acho que sim. – Diz com um sorriso de lado.

– Ah, okey. – Falo balançando minha cabeça e me afastando do meu entorpecimento. Saio e como não sinto a porta se fechar atrás de mim, olho para trás e me deparo com Christian Grey com seu short de corrida e camiseta preta da Nike, com os braços cruzados e me pergunto o que eu fiz para merecer ter um homem como ele. Eu que não vou questionar as decisões de Deus. Me viro e vou para a Mansão dos pais de Kate.