Entre o pó dos nossos ossos
13 Enfim o primeiro passo para a liberdade...
Notas iniciais
– Meus cumprimentos minha menina!
– Minha menina? (eu perguntei sem a mínima cerimônia)
– Sim minha, pois fui eu que lhe criei e estou lhe oferecendo esta dádiva como experiência, nesta era todos me conhece como Black Hort.
Não acredito... É a floresta! Ela se materializou ou sei lá oque e esta falando comigo essa história de coração da floresta é real! Mas aposto que nem mesmo Pietro sabia que era assim que ela falava com seus guardiões, mas eu não sou uma guardiã ou pelo menos acho que não sou.
– Você é a... Floresta?
– Sim! E devo um favor para uma velha amiga, um favor que pagarei através de você se me permitir.
– Meu Deus, não posso acreditar no que meus olhos estão vendo! Se eu contar ninguém vai acreditar (Pietro estava perplexo e não fazia questão de esconder isso)
– Não vão acreditar por que você não vai contar garoto intrometido, fique sabendo que você só esta me vendo por causa de Lea (Pietro tinha razão Black Hort. Não gostava dele)
A floresta digo... O velho digo... O senhor voltou sua atenção para mim desamarrando sua cara e me abrindo um sorriso eu que estava sentada no chão me levantei em um salto e agarrei o velho como se estivesse abraçando meu avô eu cresci comendo os seus frutos ele era meu refugio de tudo segurei as lágrimas nos meus olhos lutando para que elas não caíssem.
– Ah! Lea não vai querer desmanchar o coração de um pobre velho não é?
– Me desculpe senhor (fui dizendo enquanto limpava os olhos) agradeço muito desde já... mas que favor é esse?
– Logo você mesma vai descobrir temo que não tenhamos tempo, me de seu oraculo que esconderei dentro de mim lá sua mãe nunca encontrará é como disse o garoto intrometido só me encontra a pessoa que assim eu desejo.
Então assim eu o fiz dei a ele meu oraculo o único meio de eu falar com Meira, agora sim eu estava realmente aliviada meu oraculo esta em perfeita segurança.
– Mas senhor e como vou fazer para pega-lo quando eu precisar? Sabe... Eu tenho que falar seguidamente com minha tutora preciso me preparar para o mundo que me espera.
– Sim é claro minha menina deixe que eu lhe pergunte uma coisa, você esta com seu punhal ai? Aquele mesmo que você lança em meus troncos para treinar sua mira.
– Hum! Bom... Estou senhor (estava completamente sem jeito será que isso o machucava? Espero que não)
– Pois bem peço que me empreste e respondendo sua pergunta não me machucava mas faz cocegas.
– Menos mal senhor.
Mas oque será que ele fará com meu punhal? Ei! E como ele leu meus pensamentos? Ele foi caminhando de volta para o caule que ele momentos atrás tinha despido e cravou meu punhal na casca da árvore tirando uma lasca, se virou em minha direção e veio caminhando lentamente.
– Estenda sua mão esquerda Lea.
Eu prontamente estendi e o senhor botou gentilmente o punhal em minha mão, logo já o botei no seu devido lugar na parte de trás das minhas costas na sua bainha escondida na minha calça.
– Agora estenda sua mão direita.
Eu novamente me prontifiquei em obedece-lo e ele colocou a lasca da árvore em minha mão sorrindo.
– E oque vamos fazer com isso? (Pietro tentou novamente participar da conversa)
Senhor Black Hort. O olhou de atravessado franzindo sua testa.
– Você não é só intrometido não é garoto, mas também inconveniente (ele se voltou para mim) minha menina quando você apontar esse pedaço de mim para a lua ou para o sol seja qual for o astro, ele lhe mostrará o caminho para me encontrar e então enfie a mão dentro do meu caule e achará seu oraculo.
Ele me deu um beijo na testa se virou de costas e foi andando até sua roupa de árvore ficando novamente no centro e a mesma luz que cortou a árvore para que ele saísse costurou para que ele se fechasse novamente voltando para a sua natureza.
– Nossa que doido isso né!
– Doido? Isso foi lindo! Pietro realmente você tinha razão Black Hort. Não gosta de você (eu fiz questão de lembra-lo disso)
– É, muito bem lembrado vamos?
Fomos caminhando para casa tranquilamente, eu estava muito aliviada agora que sabia que eu tinha apoio que eu tinha o suporte da minha floresta agradeci mentalmente a Black Hort. Chegando em casa eram passado das duas horas da madrugada Pietro me deixou na porta e seguiu para sua casa que por acaso eu não sabia onde era mas na verdade isso nem me importava finalmente deitei em minha cama e capotei creio que dormi profundamente eu estava exausta deitei de jeans mesmo só tirei meu All Star e me cobri, pela manhã tudo parecia normal um silêncio delicioso quando abri os olhos, eu tinha até medo de descer as escadas e de alguma forma estragar esse momento raro, não sabia se minha mãe já tinha chegado ou se ela estava acordada Érico pouco me interessava mas segundo Pietro ele provavelmente se tornará pai de meu irmão ou irmã isso baseada nas intenções de minha mãe continuei a não ouvir nada então fui ao banheiro me lavar e vesti uma roupa confortável uma regata branca, uma saruel preta e é claro com meu All Star roxo de sempre, pode até não ter feito sentido com o restante da roupa mas eu estava me sentindo ótima transparecendo como eu estava me sentindo.
Me olhei no espelho e me senti bem resolvi descer e comer algo sai do quarto e comecei a descer a escada quando faltava uns cinco degraus escutei a voz de minha mãe, ela estava cochichando.
– Érico acha que isso deu certo? Acha realmente que estou grávida? Nossas raças não foram criadas para se misturar.
– Sim Leona! Lembre-se do que as runas da vidente disseram nossas raças não são um empecilho.
– É verdade, esse... É um pecado que estou disposta a pagar pela segurança de minha filha
Como assim raças? Devem estar falando de Érico com certeza ele é um ser humano, e que segurança? Acho que esta bem mais para rédeas que ela acha que ainda tem sobre minha vida mas preciso me controlar preciso começar minha doutrina hoje mesmo com Meira um passo de cada vez em direção de minha liberdade, os últimos degraus da escada pisei forte fazendo barulho para que minha mãe percebe-se que eu estava descendo para que eles acabassem com esse assunto e assim foi quando terminei de descer os dois já estavam me encarando e sorrindo artificialmente improvisando uma situação que não existia.
– Bom Dia filha! Dormiu bem?
– Bom Dia, dormi como uma pedra (nunca entendi essa expressão, afinal pedras não dormem)
– Bom Dia Lea!
– Bom Dia Érico
E um silêncio voltou a inundar a cozinha, suspirei e caminhei em direção á geladeira para ver oque me daria vontade de comer.
– Oque você quer de café da manhã filha? Eu preparo pra você
– A senhora faz? Por quê? Nunca fez isso antes!
– Minha filha, estou tentando recomeçar, renovar minha vida e nossa relação agora me diga... Você quer tentar ou não? Porque se não eu paro de tentar agora.
Porque tentar salvar uma pessoa que já morreu de afogamento? Claro eu não diria isso a minha mãe, sabe aquela história de boa convivência? Pois é... Mas sendo honesta agora acho que ainda tenho uma fagulha de esperança que quer tentar de repente para que eu possa olhar para trás e dizer eu tentei... Eu tentei tudo e de todas as formas e poder ir á diante sem nenhum receio ou com a consciência pesada olhei para ela e sorri, seus olhos se acenderam sentei-me à mesa ela continuava me olhando.
– Eu quero iogurte com frutas maçãs se tiver.
Minha mãe sorriu e praticamente correu para a geladeira e para a fruteira que se encontrava do lado dela, ela sabe que eu gosto de maçã com a casca e a cortou em fatias pegou duas peras e meio melão e fez o mesmo até abriu o iogurte pra mim, logo veio até a mesa com um prato estendendo tudo para mim satisfeita por eu deixar, ela tentar... Sei lá me resgatar de certa forma eu a olhei e mordi o primeiro pedaço ela saiu e voltou para a pia da cozinha para agora fazer seu café da manhã olhei para Érico ele não tirava os olhos do jornal e direcionava até sua boca garfadas de omelete sem ao menos desviar o olhar tomara que tudo se mantenha assim ele no canto dele e eu no meu, sem essa necessidade de se fazer pai oque na realidade ele não é, mas enfim terminei meu café lavei meu prato e disse a minha mãe que iria brincar na floresta.
– Sim pode ir, mas você sabe o horário para voltar não me faça ir buscar você.
Não me lembro de ter pedido, eu só estava avisando.
– Sim senhora.
Abri a porta da frente e olhei para a floresta na verdade me lembrei e tive que voltar, subi as escadas e fui ao meu quarto pegar a lasca da Black Hort. Digo do Black Hort. Peguei um casaco para disfarçar com certeza minha mãe perguntaria o porque de eu retornar e assim também eu esconderia dentro do casaco a lasca, quando voltei para a sala minha mãe já estava me olhando mas viu o casaco em minha mão e voltou ao que estava fazendo agora sim eu poderia começar meu treino e sai fui caminhando até que me distanciei bem de minha casa eu já sabia que Pietro estava me seguindo mas preferi deixar ele pensar que eu não o tinha percebido peguei minha adaga bem rápido e quando ele foi passar de uma árvore para outra para permanecer escondido eu a joguei com meu pensamento prendendo a manga de sua camisa branca no tronco da árvore, massagear o ego um pouco não faz mal a ninguém né? Ele já estava me olhando com cara feia e tirando minha adaga do tronco tudo isso sem tirar os olhos de mim isso não era muito mas em relação a Pietro fazer tudo isso sem olhar para oque estava fazendo era com certeza um grande feito, olhou para sua camisa analisando o estrago e bufou.
– Isso era realmente necessário?
– E se esconder, era realmente necessário?
– Você sabe que vai ter que me dar uma camisa, certo?
– Até poderia se você entra-se em alguma minha.
– Ah! Engraçadinha pelo menos esta de bom humor... Hoje.
– É e pelo visto você também né Pietro! Mas então... Porque você estava se escondendo?
– Na verdade eu estava testando seus sentidos sempre que apareço você não percebe (ele falava isso enquanto olhava para suas unhas)
– Pra dizer a verdade eu tinha percebido você desde que entrei na floresta e a minha paciência se esgotou no momento em que eu lhe surpreendi.
– É pode ser... Mas só para constar você não me surpreendeu.
– É mesmo? Então porque você não poupou a sua camisa da minha adaga?
Nós rimos e continuamos caminhando para mais longe de minha casa, em busca de um local seguro para que eu pudesse usar a lasca para achar o coração da floresta para pegar meu oraculo para enfim começar o meu treinamento com Meira Ufa! É com certeza isso é muita coisa para se assimilar em um primeiro momento, caminhamos mais um pouco e parei.
– Aqui já deve ser longe o suficiente!
Desenrolei o casaco deixando a lasca exposta joguei o casaco para Pietro segurar ele não gostou muito disso mas enfim meu passa – tempo predileto era incomodar Pietro olhei para cima mas as copas das árvores tapavam a luz do sol realmente a floresta era muito escura de dia então estendi minha mão para o alto tirando alguns galhos com a força de minha mente a luz do sol apareceu e estendi a lasca até a luz e o caminho de luz novamente se fez a luz começava em nossas costas oque indicava que passamos um pouco do coração da floresta então começamos a voltar quando chegamos no coração da floresta de dia pude perceber mais detalhes ela era a única árvore com cores vivas, até a terra envolta de suas raízes tinha uma tonalidade de marrom diferente ela era realmente linda.
– Lea? Oque você esta esperando? Cada segundo que passa é um segundo perdido.
Claro, Pietro não entenderia que eu estava admirando a Black Hort. Então eu não perderia nenhum tempo explicando isso, aproximei minha mão ao caule e toquei com um dedo a madeira permanecia dura, olhei para Pietro que estava muito curioso nem piscava e também não tinha ideia do que fazer me certifiquei em sua mente, virei para frente novamente e coloquei minha palma da mão no caule da árvore senti como se um coração estivesse batendo no tronco da árvore e a madeira que estava em contato com minha pele começou a esquentar e minutos depois a se desfazer abrindo um buraco do tamanho da lasca que eu tinha em minha posse enfiei a mão meio com medo, sei lá poderia sair algum bicho e eu também não tinha ideia do que mais poderia haver lá dentro mesmo assim coloquei a mão e senti um nó respirei aliviada e agarrei vagarosamente fui puxando expondo meu oraculo para o exterior do tronco ele estava do jeito que eu deixei agradeci mentalmente mais uma vez quando tirei completamente o oraculo o buraco do caule se fechou tornando ela perfeita novamente.
– Ok isso foi legal.
– Foi só isso que você conseguiu perceber Pietro?
– Não! Também vi o seu medo de colocar a mão dentro do caule.
– Sim é claro que viu isso! Se é tão corajoso porque você não tentou?
– Sabe que a floresta não gosta de mim, Black Hort. Deixou isso bem claro mas chega de papo vamos começar logo seu primeiro dia de treinamento, coloque logo a corda e vamos andando.
– Como assim? Acho que Meira não vai gostar de sua presença e na verdade isso não diz respeito a você.
– Oque? Será que você lembra através de quem você a conheceu?
– Sim e lhe sou muito grata! Mas tem um porém se você for comigo quem vai cuidar dos nossos corpos? E principalmente do horário aqui o tempo passa mais rápido.
– Hum! Sei... Tudo bem é verdade é melhor eu ficar... Desta vez
– Ok
Me sentei na grama respirei fundo pronta para começar peguei meu oraculo e o transpassei em meu braço quando terminei já não via mais a grama verde e o clarão já tinha possuído minha visão e quando a luz começou a diminuir estava perdida novamente no tempo estava em outro século estava no mesmo lugar que eu tinha me transportado da primeira vez meus olhos já estavam se adaptando ao ambiente olhei para o lado lá estava ela Meira estava sentada em uma pedra com as pernas cruzadas me olhando e sorrindo, oque será que me aguardava nessa tarde? Seja o que for não posso decepcionar Meira vou me esforçar ao máximo já que o tempo passa mais rápido aqui tenho que fazer render minha visita.
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