Entre o pó dos nossos ossos
14 Os progenitores da Vida
Notas iniciais
– Bem vinda Lea!
– Obrigada Meira e como vamos começar?
– Vejo que você esta ansiosa! Isso é bom, primeiro eu vou avaliar em que grau estamos, quero dizer... Até onde seu talento desabrochou quais qualidades se desenvolveram sozinhas.
– Certo! Nós podemos começar agora?
– Claro! (ela me deu um sorriso malicioso e temi oque estava por vir)
Ela olhou para seu vestido e ele... Simplesmente mudou virou uma calça saruel preta de um tecido bem leve e no seu tronco esta um corset preto também, com rosas vermelhas ele era lindo e... Muito provocante para a ocasião me senti intimidada, minha mãe jamais usou esse tipo de roupa, jamais mesmo ela vivia de camisas largas de botão normalmente brancas ou tons claros as camisas iam até seus joelhos e as calças, ela nunca abandonava suas suplex pretas, azul marinho e bordô seu cabelo só ficava solto enquanto estava molhado depois logo ela o prendia em um coque, minha mãe não era vaidosa e nem me ensinou a ser eu não tinha ideia do que vestir e quando tentava minha mãe me olhava com vontade de chorar realmente era crítico, olhei para minha roupa pensando se eu estava vestida adequadamente para os testes que me aguardavam eu deveria ter pensado nisso antes, mas não vou deixar que minhas roupas atrapalhem estou pronta.
– Enfim! Acabou de pensar Lea? Estava começando a me perguntar quando você iria terminar.
– A senhora estava escutando tudo? (acho que esta na hora de eu começar a policiar meus pensamentos, pelo menos perto dela)
– Essa pergunta é totalmente desnecessária vamos andando aqui estamos entre três elementos nós precisamos dos quatro.
Hãn? Oque? É... Vamos indo não sei para onde e nem fazer oque, mas vamos logo, começamos a caminhar saindo da cidade quando dobramos a esquina os clock clock dos saltos das sandálias altíssimas de Meira já estavam me irritando ela me olhou franzindo o cenho provavelmente estava lendo meus pensamentos quando chegamos na metade da quadra o senário tinha mudado totalmente eu estava em uma floresta e eu podia escutar o barulho de uma cachoeira ao longe ela me olhou novamente e esboçou um sorriso apertou o passo e eu a segui o barulho foi aumentando comecei a me desviar das árvores, galhos e pedras enormes que iam aparecendo no caminho, quanto mais eu caminhava mais eu me debatia entre os galhos olhei para a frente e perdi a Meira do meu campo de visão inicialmente me desesperei parei onde eu estava, olhando para todos os lados pensando para que lado seguir tudo era muito parecido eu era muito capaz de me perder mais ainda, mas chamei Meira com o pensamento.
Estou aqui Lea mais a frente!
Afastei os galhos e achei um lindo jardim natural muito lindo mesmo realmente maravilhoso parecia um oásis plantado no meio da floresta tinha até arco – íris e a cachoeira... Ela parecia ter sido desenhada por Deus e muito alta obviamente que foi né! Mas enfim essa quando Deus fez estava inspirado.
– Pronto aqui estamos! Nos quatro elementos, o ar esta em todos e em qualquer lugar, mas a água nós temos que ir até ela e completando o ciclo terra e fogo não necessariamente nesta ordem. (ela me deu um sorriso acho que estava ansiosa para me ensinar)
– Senhora desculpe mas não a fogo aqui.
– Sim ele esta (ela parecia estar se divertindo enquanto apontava seu dedo indicador em minha direção)
– Não entendi senhora.
– Todos nós temos o fogo da vida dentro de nós e assim como os outros elementos alguns bruxos como nós, podem manipula – lo enquanto tivermos esta chama dentro de nós permanecemos vivos quando o corpo a extrai morremos está acompanhando Lea?
– Sim senhora, mas os outros bruxos não podem fazer oque a senhora pode?
– Não Lea nosso clã místico é o mais antigo os Verumdecaelo podem criar magia exercita-la como se fosse um músculo, lapida-la com um diamante e também podem usar sua imaginação nós somos a varinha de condão de Deus os outros bruxos também são encantados, mas cada um nasce com sua magia ela não pode ser expandida todos somos um recipiente de poder, mas os outros são recipientes limitados.
– Mas, cada um tem um tipo de poder?
– Todos usamos cem por cento do cérebro o que disponibiliza telepatia, telecinésia, memória fotográfica, levitação e sempre somos autodidatas pelo menos nós mas sim temos poderes singulares cada um nasce com o seu, a maioria dos clãs lançam nas grávidas um conjuro que deixa uma marca em sua pele para saberem qual tipo de bruxo as crianças vão ser.
– Nossa isso me parece dolorido!
– Não na verdade a marca fica exposta por pouco tempo e não causa dor, mas teremos tempo para que eu lhe ensine os padrões da sociedade mística por hora precisamos fortalecer seu corpo, sua mente e sua alma quero que você seja melhor do que eu... Você não sabe, mas eu sou a bruxa mais poderosa em relação a todos os clãs que atualmente existem.
Ela fez uma pausa ergueu sua cabeça para o céu e fechou os olhos, eu fiquei olhando me perguntando se os testes tinham começado ela abriu novamente os olhos abruptamente.
– Sim ainda sou a mais poderosa.
Ela estava se certificando? Eu achei que ela era um espirito, mas ela esta viva.
– Respondendo sua pergunta sim eu estou viva, na verdade quando fiz a profecia meu corpo foi arrancado da fogueira e fui trancada nesta dimensão condenada a lhe ensinar a fazer o certo para que eu mereça a liberdade novamente (ela ergueu os ombros como se dissesse fazer oque né? Para ela era muito tranquilo mas eu estava achando bizarro) mas vamos lá vamos ver qual dos elementos mais se agrada de você começaremos com os elementos eles são mais difíceis de dominar quando dominar eles o restante será mais fácil.
– Oque é, o restante senhora?
– Ah! Você sabe... Feitiços, conjuros, tirar os limites da sua imaginação, fazer com que você consiga materializar coisas, tele transporte essas coisas. (ela fala como se isso fosse realmente fácil).
– Feitiços e conjuros não são a mesma coisa?
– Ah! Não mesmo minha jovem, conjuros são magia boa com energia positiva e feitiços são o oposto mas chega de perguntas vamos começar logo.
– Sim senhora!
– Primeiro passo, perceba que aqui estão os quatro elementos, mas não perceba com os olhos perceba com sua alma com seu coração os elementos são como os sentimentos não são governados pela razão.
Fechei meus olhos eles não me ajudariam em nada nesse momento, senti a brisa, ouvi o barulho da água tirei meus tênis e senti a terra fria sobre meus pés nus, mas não senti o fogo tentei me tranquilizar era minha primeira aula, mas oque eu tinha que fazer a seguir mesmo? Como posso controlar um elemento se eu nem consigo controlar meus sentimentos? Será que nem isso eu consigo fazer? Eu preciso corresponder ás expectativas de Meira já que as minhas próprias eu não correspondo, senti meus olhos úmidos e comecei a segurar as lágrimas chorar não iria resolver nada, coloquei meu indicador no canto interno do meu olho e então o usei para contornar meu olho até o canto oposto.
– Isso! Isso mesmo Lea!
Abri meus olhos e a cachoeira estava me imitando na verdade estava imitando o movimento que acabei de fazer, mexi a mão em circulo e na correnteza da cachoeira se formou um redemoinho olhei para Meira pasma eu não estava acreditando no que eu estava fazendo eu estava eufórica comecei a pular e jogar as mãos pra cima, a terra que estava mais próxima de mim levantava e descia junto com meus braços eu tinha conseguido pelo menos dois elementos acho que estava ótimo para a primeira aula.
– Muito bom Lea, muito bom mesmo! Você dominou dois elementos ao mesmo tempo nem eu nas minhas primeiras práticas consegui esta façanha.
Eu estava sorrindo largamente para ela, para a natureza, para os elementos e para tudo que estava em minha volta eu estava orgulhosa de mim.
– Mas muita calma Lea, você é muito sentimental por isso você teve facilidade e pessoas assim são muito fáceis de manipular sem falar que normalmente são prepotentes e não tem autocontrole teremos que trabalhar isso.
Obvio que ela tinha que acabar com a minha alegria, isso era uma coisa que ela tinha em comum com minha mãe, mas pelo menos ela me elogiou... Já é alguma coisa, então só para alimentar meu ego olhei para Meira ergui uma sobrancelha e a cachoeira começou a correr ao contrário, a água que estava descendo agora subia quando ela viu sorriu sem tirar os olhos do meu feito e disse na minha cabeça.
É teremos que trabalhar na sua humildade também.
Será um trabalho árduo Meira.
E pude sentir, ela sorrir na verdade nós duas sorrimos sem nos olhar, finalmente eu fazia parte de algo parecia meio bizarro, esquisito e não humano por que afinal a palavra “bruxa” tem um poder negativo imenso na concepção das pessoas, mas estou começando a aceitar isso não... Eu estou começando a me orgulhar disso me orgulhar de quem realmente eu sou, estou finalmente me conhecendo e estou gostando muito disso.
– Quem sabe Lea você devesse pensar menos e trabalhar mais?
A síndrome de Leona de Meira estava começando a me incomodar, mas isso é uma coisa que vou guardar para mim ela tem muito a me ensinar e eu... Eu estou mais do que disposta a aprender.
– Claro senhora oque vem a seguir?
– Vamos parando com isso ok? Nada de senhora você sabe meu nome e outra coisa sou muito jovem para ser chamada assim não acha?
– Sim! Claro Meira então!
– Ótimo lembre-se de que estou apenas testando você hoje, sua primeira aula ainda não começou você já deu seu primeiro passo na telepatia já consegue conversar mentalmente, mas tem muitas outras coisas que pode fazer.
– Sim eu também já consegui entrar na mente da minha mãe e ver um fragmento do passado dela.
– Muito bom! Entrar na mente de uma bruxa experiente e ainda na mente de uma Verumdecaelo é um grande feito, mas... Você consegue criar magia sem pronunciar os creatio vocalis? Você sabe algum creatio vocalis?
– Na verdade não sei nem oque é (fiquei sem jeito parecia meio óbvio eu saber do que se tratava)
– Bem... Na verdade são as pronuncias que os bruxos usam para fazer conjuros ou feitiços a maioria cria magia através da fala, mas nós não precisamos disso quando estamos aperfeiçoadas. (nunca sei oque “nós” quer dizer, se a família Verumdecaelo ou Meira e eu)
– Eu quis dizer a família Lea.
– Ah! Ok
– Não tem problema você não saber nenhum, de certo modo é melhor você é um diamante bruto que eu lapidarei com delicadeza.
– Ok e quando vou começar a aprender esses creatio vocalis?
– Não será hoje! (ela sorriu, será que eu estava transparecendo minha ansiedade?) certo oque mais você sabe fazer?
Pensei... Oque mais? Acho que só sobrou manipular objetos com a mente é só isso que sobrou infelizmente espero que seja o suficiente, olhei para as pedras perto da água as que estavam soltas eu já estava cansada, mas não admitiria isso a Meira controlar as pedras soltas me parecia mais fácil do que gastar mais energia arrancando as que estavam firmes, então foi oque fiz deixei elas flutuando no ar em uma distância razoável do chão.
– Muito bem Lea! Tem mais alguma coisa que eu deva saber?
– Não tem mais nada! Isso é tudo...
Ela fixou seus olhos verdes vivos em mim, analisando creio eu, não importa quantas mentes eu consiga ler a dela parece uma fortaleza para mim.
– Pois bem, terminamos por aqui amanhã continuaremos vou analisar suas aptidões e montar seu cronograma de treinamento acho que você já consegue voltar sozinha.
– Como assim sozinha? Eu nem sei como você fez para me levar de volta?
– Ok ok não precisa entrar em pânico vou lhe mandar de volta novamente (ela fez questão de falar “novamente” com muita ênfase)
Ela fez um gesto com a mão como se afastasse um mosquito indesejado, e quando percebi estava de volta podia sentir a grama, a brisa e Pietro entediado batendo o calcanhar em uma pedra, abri meus olhos e lá estava ele com os braços cruzados e com o pé nervoso na pedra sua expressão estava fechada e seus lábios deixavam passar o ar muito rápido um lábio batendo no outro fazendo um barulho estranho eu sorri ele não viu, pigarreei com a garganta chamando a sua atenção não sei se ele me olhou primeiro ou se começou a caminhar em minha direção, talvez os dois ao mesmo tempo ele se agachou em minha frente analisando cada centímetro meu, colocou seu indicador entre minhas sobrancelhas e desceu até meu nariz eu provavelmente fiquei estrábica olhando para seu dedo quando ele chegou na ponta do meu nariz parou e ficou olhando intensamente para ele, oque exatamente ele estava fazendo? Oque eu faço? Fiquei paralisada vesga olhando para seu dedo.
– Você esta suando Lea!
Ah! Sério? Era isso? Por favor, né Pietro.
– Como você é observador Pietro isso foi tudo oque conseguiu perceber?
Ele tirou o dedo do meu nariz e passou em sua camisa para limpar, se levando com uma expressão de dúvida olhou para frente e depois para mim.
– Oque mais eu deveria perceber?
Suspirei.
– Nada! Estou cansada ainda temos tempo?
Pietro ergueu sua cabeça para o céu procurando a posição do sol, ele ainda não estava no oeste tínhamos algum tempo li sua mente, mas deixei que ele falasse.
– Temos algum tempo o sol ainda não esta no oeste, por que oque quer fazer?
– Estou cansada preciso recarregar minhas energias, (dei um sorriso de canto) vamos caçar?
– Oque? Isso é sério?
– Ok você espera aqui e eu vou, mas quando eu voltar você vai cozinhar!
– Hey! Eu sei caçar!
Me levantei limpando minha roupa peguei minha adaga e fui caminhando em direção da mata.
– E cozinhar você sabe?.
Fale com o autor