Notas iniciais
Narração do Charlie ♥

Acordei era de madrugada, as quatro da manhã. Essa é a hora que eu costumo acordar todos os dias, para correr. Tem noites que eu nem durmo, correr me alivia. Não que eu seja uma pessoa muito estressada, mas sim, eu sou. Até um pouco imperativo talvez. Eu corro em torno das fazendas que tem na cidade. Não são muitas, umas seis. Fazendas de grandes plantações, eucalipto, soja, milho, muita coisa para uma cidade tão pequena como essa.

Crescer aqui foi bom, tenho pais que se importam comigo e com meu irmão nerd. Apesar deu achar o Miguel meio anti-social eu gosto dele, e acho que ele de mim. Tenho muitos, muitos amigos mesmo, quase a cidade toda. Apesar de ser uma cidade pequena, tem mais gente do que dá pra imaginar aqui.

Cheguei em casa apos minha corrida matinal, a casa ainda estava silenciosa, as pessoas ainda deveriam estar dormindo. Passei na porta do quarto do Miguel que ficava ao lado do meu quarto, a porta estava aberta e ele estava esparramado na cama. Fechei a porta do quarto dele sem bater, para não acorda-lo, e nem ninguém da casa. Entrei no meu quarto, tirei minha roupa no quarto mesmo e entrei para o banheiro. Liguei o chuveiro e deixei que a água quente caísse no meu corpo, aquilo era tão relaxante.

Hoje era meu aniversário, já havia um certo tempo que estava insistindo para os meus pais deixarem a gente fazer uma festa, porque nunca havia tido festas aqui em casa. Comemorávamos sim, o nosso aniversario todo ano aqui em casa, mas apenas eu, o Miguel e meus pais. E eu queria dar uma festa para convidar a escola toda, meus amigos, pessoas que não sabiam nem onde eu morava.

Terminei meu banho, penteei meu cabelo para trás depois de seca-lo apenas com a toalha. Vesti uma calça jeans preta, uma calça preta, um coturno preto e uma jaqueta jeans. Desci as escadas, meus pais estavam sentados na mesa, e eu escutei os passos do Miguel vindo logo atrás de mim.

— Bom dia. _ Passei direto.

— Charlie, não vai tomar café da manhã? _ Meu pai gritou quando já estava quase saindo da casa.

— Não, não estou com fome. _ Sai de dentro da casa, entrei no meu Jeep preto, liguei o carro e dirigi a caminho da escola.

Cheguei na escola adiantado como eu sempre fazia.

Entrei no refeitório, a turma sempre se reunia ali antes das aulas começarem.

— Oi gente. _ Me aproximei dos meninos que estavam sentados em uma das mesas do refeitório.

— Charlie. _ Briana gritou quando eu ainda estava longe, veio correndo e me abraçou quase me sufocando.

— Oi Briana.

— Parabéns meu gatinho_ ela me encheu de beijos e selinhos.

— Obrigado querida. _ Afastei ela de vagar de mim para eu poder me aproximar das outras pessoas.

— Charlie, parabéns irmão. _ Tyler, um dos poucos garotos negros da escola se levantou e me abraçou me dando um tapinha nas costas. Eu e Tyler eramos grandes amigos, eu sempre podia contar com ele pra tudo, inclusive quando o assunto era garotas e festas.

— Obrigado Tyler. _ Já Briana, era filha de um dos fazendeiros mais ricos da região. Ela era loira, se vestia com vestidos caros e sapatos que custavam um carro, era burra, mas vivia correndo atrás de mim, e eu nem tão pouco me importava. Quando os pais dela viajavam, eu passava a noite com ela. Ela era uma boa diversão para mim. Sexo sem compromisso.

— Olha quem é o nosso garotão que está ficando mais velho hoje. _ Stephanie se aproximou junto com Daniela e me abraçou. Senti a mão dela deslizando pela minhas costas até a minha bunda e apertando-a. Fazia uns dias que Stephanie estava dando em cima de mim. Ela era a melhor amiga de Briana, e isso faziam as coisas se tornar estranhas entre mim e Briana. Mas eu confesso que era muito divertido.

— Charlie, parabéns. _ Samuel e Milton disseram juntos.

— Obrigado. _ Me sentei na cadeira entre os meninos, para ter um pouco de sossego com as meninas.

Miguel se aproximou da mesa.

— Charlie, vamos ter festa. Mas acho que vai ser no fim de semana. Porque amanhã tem prova.

— E quem liga pra prova? _ Ele levantou uma sobrancelha me encarando por de baixo daqueles óculos horroroso que ele usava.

— Eu ligo. _ Respirei fundo.

— Tá bom, obrigado. _ Ele se virou fazendo cara feia e saiu de perto de mim.

Quando ele saiu de frente, notei uma garota sentada sozinha em uma das mesas do refeitório. Eu não a conhecia. E eu sempre conhecia todo mundo do colégio.

— Quem é? _ Falei baixo apenas para o Tyler ouvir.

— A, é uma das garotas novas do colégio. _ Ele olhou rumo a garota. _ Bonitinha né?

— Uma das?

— Gêmeas. Tipo você e o Miguel.

— Esse colégio está começando a ficar interessante.

— Cara, as meninas todas desse colégio dão em cima de você. E você nem liga. Porque tá interessado nessa aí? A irmã dela parece mas interessante.

— Irmã. _ Olhei em volta para ver se encontrava a irmã. Tinha uma garota bonita que eu tambem não conhecia sentada conversando com o Miguel.

— Orgulho do irmão. _ Cutuquei o Tyler o apontei discretamente com a cabeça mostrando a cena, que deu uma risada com a mão na boca.

— O nerd bonitinho com a garota esquisita. _ Eu ri baixo.

Meu celular apitou era Suzana, uma garota bonita que morava no México. Trocávamos mensagem quase o dia todo. Eramos amigos, nos trocavamos mensagem a mais ou menos uns três meses. Ela sabia de todos os meus segredos. Inclusive até da amiga do Briana.

* Oi gato, bom dia.

* Oi Suzana

* Parabéns pelos seus 17 aninhos

* Obrigado ;)

O sinal tocou e todo mundo da mesa se lavantou e saiu andando.

— Vamos Charlie. _ Tyler me cutucou e levantou.

— Já vou. _ Estava digitando uma mensagem para Suzana.

Tyler saiu junto com os outros.

* E aí vai ter festa?

* Está mais que convidada

* Como se eu não precisasse pegar um avião para chegar aí.

Me levantei devagar olhando pro celular enquanto esperava uma nova mensagem da Suzana. Dei o primeiro passo e trombei em alguém. Tirei o celular de frente e olhei. Era a garota que eu tinha visto mais cedo sentada na mesa sozinha.

— Desculpa eu não te vi. _ Ela estava com cara de chateada. Abaixei o olhar pro chão. Suas coisas tinham caido. Me abaixei para pegar a mochila dela.

— Se não tivesse olhando pro celular teria me visto.

— Já te pedi desculpas.

— Tá desculpado. _ Me levantei e entreguei a mochila na mão dela.

Era mais bonita de perto, olhos claros, cabelo loiro amarrado em um coque bagunçado, um óculos enorme no rosto que a deixava ainda mais bonita.

— Aproveita e me ajuda a achar a sala do segundo ano. _ Levantei uma das sobrancelhas me acompanhando.

— Claro. _ Me virei e sai andando, escutei ela dando passos mais largos para me acompanhar.

— Você é a irmã da garota que estava conversando com meu irmão agora a pouco?

Ela virou o rosto me olhando.

— Não sei quem é seu irmão, mas deve ser porque tenho uma irmã.

Eu ri baixo, discretamente para ela não perceber.

— Tenho, gêmeo. Apesar de sermos diferentes.

Ela sorriu, não que eu estivesse reparando, mas sim, eu estava.

— Temos algo em comum então.

— Acho que só isso. _ Chegamos na porta da sala. _ Chegamos.

— Obrigada, pode ir pra sua sala agora. _ Fiquei parado no meu lugar encarando, ela estava parada na minha frente me olhando. E a professora nos olhando de longe no canto da sala.

— Vamos entrem meninos, preciso começar minha aula. _ Passei pela garota e entrei na sala, me sentando em uma das últimas cadeiras, perto do Tyler e das outras garotas. Ela entrou logo atrás de mim, se sentando perto do Miguel e da irmã dela. A aula passou rápido. Logo era hora de irmos embora.

Estava entrando no meu carro quando Briana apareceu.

— Vai ter festa pra gente hoje? _ Ela se aproximou de mim, me empurrando contra o Jeep e encostando seu corpo inteiro no meu.

— Sábado.

— Não, festa particular nós dois.

— Briana tenho prova amanhã.

— E você liga? _ Ela arqueeou a sobrancelha.

— Não. Mas eu não to afim hoje. _ Afastei ela devagar e entrei no Jeep.

— Qual o seu problema Charlie?

— Estou cansado. Até amanha Briana. _ Liguei o Jeep e acelerei saindo dali.

Cheguei em casas as coisas estavam como sempre, Miguel no quarto, mãe na cozinha. Pai na fazenda. Entrei para o quarto e troquei de roupa.

Desci novamente.

— O almoço está pronto Charlie.

Levantei o olhar encarando minha mãe.

— Ah.. _ Peguei um prato na cozinha. Me servi e sentei na mesa para comer.

— Onde vai? _ Ela se sentou na minha frente.

— Ajudar o pai.

— Vou deixar você fazer a festa no fima de semana, mas para poucas pessoas. Sabe como seu pai é.

Eu sorri, esperei tanto tempo por isso.

— Claro, obrigado. _ Terminei de comer, lavei meu prato, sequei e guardei e fui ajudar meu pai na fazenda.