Notas iniciais
Penúltimo capitulo dessa fase da fic. Espero q gostem.

Alguns historiadores dizem que, se Dom João não tivesse fugido, talvez ele conseguisse dominar as tropas napoleônicas.A verdade era que o Imperador Português era um covarde, que preferiu fugir de Portugal e largar o povo a mercê de Napoleão do que ficar e encarar os problemas como um líder de verdade.

Napoleão não, Napoleão era corajoso. Mesmo sendo estampado como vilão, ele era visionário, sabia o que estava fazendo e conseguiu dominar toda a Europa usando apenas a sua inteligência. Um carinha de 1,67m dominou a Europa e nós aqui reclamando da vida.

De qualquer forma, a vida é uma constante escolha entre ser Dom João e ser Napoleão Bonaparte. Claro, você pode escolher ser a Maria Louca também, mas isso eu não aconselho muito. Na vida, você tem que escolher entre fugir de seus problemas ou encará-los de frente.

Sentada numa cadeira de hospital, era a minha vez de escolher se eu seria o Imperador Português ou o Imperador Francês. Regina, minha ex-namorada, estava em um coma leve já a alguns meses, e eu sofria com isso.

Os médicos diziam que ela iria melhorar, e a cada dia mais eu me agarrava naquela esperança, pois estava difícil conviver com o medo de que ela nunca mais fosse acordar. Cada vez que ela apertava minha mão depois de um monólogo feito por mim ou cada vez que seu coração batia mais rápido quando eu e a mãe dela estávamos no quarto me enchiam de expectativas.

Henry, o filho que ela carregava, era um bebê lindo. Mesmo tendo nascido prematuro, ele agora era saudável e bem esperto. Estava para fazer oito meses em alguns dias. Cora me deixava visitá-lo quase todos os dias, e às vezes dormíamos juntos como mãe e filho de verdade.

Conto a Regina a última do Henry, que já balbuciava algumas sílabas e seu coração se acelera, como mostrado no monitor.

– Eu sinto tanto a sua falta... – digo. – Não posso esperar pelo dia em que você vai acordar e me mostrar esses seus olhos lindos. – Sorrio, com lágrimas nos olhos e ela permanece deitada, de olhos fechados, com uma expressão serena no rosto, como se estivesse dormindo.

Procuro a sua mão e a aperto, entrelaçando nossos dedos. Me inclino um pouco e beijo sua testa ternamente.

– Fica bem, okay? Eu vou ver o nosso filho e volto assim que puder.

Separo nossas mãos, pego a minha mochila e saio do quarto. Minha rotina era aquela, eu passava a manhã na faculdade, a tarde com Henry ou resolvendo coisas da empresa e pela noite eu tinha que visitar Regina, era lei já.

Entro no carro e, diferentemente das noites anteriores, decido fazer uma visita noturna a Cora e Henry. Faço o percurso já conhecido e paro na porta da mansão, sendo recepcionada por Pongo, o cachorro de minha ex-namorada.

Toco a campainha e logo sou recepcionada por Cora, que tem uma expressão cansada no rosto.

– Emma. – força um sorriso. – que bom que você veio.

– Posso entrar? – pergunto e ela abre espaço para que eu entre na casa. – Eu vim ver o Henry, se não for problema.

– Ah, querida, nunca é problema. – diz a mais velha. – Henry está no cercadinho, pode ir lá vê-lo.

Ando em direção ao cercadinho e encontro o pequeno brincando com alguns bonequinhos. Ele mais mordia do que brincava, mas tudo certo, continuava sendo fofo.

– Meu amor... – Chamo e ele olha para mim, sorrindo sem dentes. – Sentiu minha falta? – Ele estende os bracinhos para mim e eu entendo aquilo como um sim. Carrego o pequeno no colo e brinco um pouco com ele. Cora observa a cena de longe.

– Ele tem os olhos dela, não acha? – pergunta a mais velha e eu sorrio em resposta, balançando o bebê em meu colo. – Mesmo sem conhecê-la, Henry sente falta de Regina.

– Todos nós sentimos, Cora. – Henry puxa meu cabelo e eu faço um “ai” falso em resposta. – Eu vim de lá agora, ela está na mesma.

A mais velha suspira, já está acostumada a aquela resposta.

– Você acha que um dia ela vai acordar?

– Eu tenho fé. – respondo e olho para o pequeno bebê com carinho. – Ela vai voltar para casa e nós duas vamos cuidar desse bebezão aqui. – brinco com a barriga de Henry e ele dá uma risada gostosa. – Regina, Henry, e até você são tudo o que me sobrou.

– Eu sei, minha querida. – Ela sai da pequena salinha e anda em direção à cozinha, eu a sigo. – Aquele maldito Robin conseguiu o que queria, matou o meu marido.

– Mas o plano não deu certo, ele morreu junto. – respondo.

Minha ex-sogra arruma uma mamadeira e me entrega, indicando que era para eu alimentar Henry.

– Ninguém sabe se ele morreu, o corpo até hoje não foi encontrado. – sorri sem força.

– Emma, posso te abusar um pouco?

– Seja o que for, não será um abuso. – uso meu tom de voz mais amável.

– Você dorme aqui com Henry hoje? – Eu faço que sim com a cabeça e ela continua. – Eu estou exausta, queria aproveitar a sua presença e descansar um pouco.

– Não tem problema, ficar com ele é uma das coisas que mais me dá alegria. – respondo. – faz com que eu me sinta perto da mãe.

– Então eu vou te deixar aqui com ele. – diz, saindo da cozinha. — Sinta-se em casa. Se precisar, pode pegar alguma roupa da Regina para vestir. – Sorrio, sabendo que nenhuma roupa de Regina caberia em mim, pois ela era menor.

– Tudo certo, pode descansar. – Respondo e ela sobe, provavelmente indo para o próprio quarto.

A noite passa rápido, e em pouco tempo Henry está dormindo em meus braços. Subo as escadas e o coloco em cima da cama de Regina, rodeado por travesseiros para ele não cair.

Procuro, nas coisas da minha namorada, sua maior calcinha e sua maior blusa. Me surpreendo com o que eu encontro: uma blusa minha da Marvel, sumida desde que nós havíamos terminado.

Aproveito que aquela blusa está ali e tomo banho, vestindo-a logo em seguida. Uso um desodorante ainda intocado de Regina e vou dormir abraçada ao meu quase filho, cheirando igual à mãe biológica dele.

– SQ –

Faltavam alguns dias para o aniversário de um aninho de Henry, e Cora decidiu por não fazer uma festa imensa, tudo seria comemorado em casa mesmo, apenas os mais próximos.

Como de costume, eu dormiria lá naquela noite, apenas para Cora poder descansar um pouco. Regina ainda não tinha acordado, mas todos os médicos acreditavam que faltava pouco para isso acontecer, e eu confiava neles quanto a recuperação dela. Todos os dias eu ia ao hospital e, nos melhores, eu recebia um aperto na mão.

Naquele dia, em especial, Henry estava agitado, querendo pular em cima de tudo e sem querer dormir. O melhor de tudo era que ele estava aprendendo a falar, então vivia balbuciando sílabas desconexas e sem sentindo.

– Você quer falar o quê, hein, garotão? – Levanto ele pelos braços e o coloco em meu colo, indo em direção ao quarto da mãe. Ele fala algo parecido com “ma” e eu acredito que ele esteja tentando falar “Emma”. – É Emma. – Falo, pronuciando com força o meu nome.

– Ma. – ele diz e sorri, como se tivesse conseguido falar direito.

– Não, rapaz. – eu dou uma risada leve. – EM-MA- digo as duas sílabas separadamente e chego ao quarto, sentando com ele na enorme cama de casal que pertencia à Regina.

Coloco ele de costas para a cabeceira da cama, de forma que ele não tem como cair. Henry balança as mãos querendo brincar com o meu celular e eu pego o aparelho da sua mão antes que ele jogue no chão.

– Assim você quebra, meu amor. – puxo e ele faz um muxoxo. – Quer olhar as fotos? –Desajeitadamente ele faz que sim, então eu o puxo para meu colo e ele fica entre minhas pernas. Desbloqueio o celular e vou logo para a galeria.

A primeira foto é uma dele, sorrindo com seus quatro dentinhos. Passo para o lado e mais fotos dele invadem a tela, mostrando a sua evolução desde um pequeno recém nascido prematuro ao meu quase “homem”. Depois de muitas fotos dele, aparecem algumas minhas bem idiotas, fazendo caretas e usando roupas esquisitas. Indo ainda mais longe na galeria, encontro fotos minhas com Regina e sorrio com a lembrança.

Em uma delas, estávamos as duas semi-nuas depois de muito sexo, sorrindo abestalhadamente para a câmera. Em outra, Regina dormia agarrada ao meu corpo e eu lembro que aquela foto foi tirada por Zelena, uma das melhores amigas de Regina e minha ex-professora, numa noite que ela invadiu a nossa casa.

Meus olhos se enchem de lágrimas quando vejo uma foto da minha ex-namorada sozinha, seus olhos intensos encarando a cama e seus lábios convidativos entreabertos.

Me lembro de quando aquela foto foi tirada, era o dia da minha formatura do ensino médio, e ela tinha acabado de me fazer um discurso particular dizendo o quão orgulhosa ela estava de mim por ter chegado até ali. Lembro, também, que aquele batom teve que ser retocado mais algumas vezes, pois meus beijos de alegria acabaram por borrá-lo por completo.

Fazia certo tempo que eu não visitava aquela parte da galeria e ver o rosto de Regina, ver o quão felizes nós fomos na nossa pequena quantidade de dias juntas me faz querer poder reviver tudo aquilo mais uma vez. Me faz querer ter mais um dia, tarde, noite ao seu lado.

Porém não posso.

Volto meus olhos ao pequeno bebê sentado entre as minhas pernas e afago, carinhosamente, sua cabeça.

– Olha, amorzinho, essa é a sua mamãe. – aponto para a tela e ele brinca com o rosto de sua mãe estampado.

– Mamãe Ma. – ele diz e eu sorrio sem entender.

– O quê?

– Mamãe Ma. – repete, com mais força dessa vez e eu entendo.

Henry estava me chamando de mãe.

Eu que já estava emocionada, agora deixo as lágrimas correrem livres pelo meu rosto.

Ouvir Henry me chamar de mãe era uma das coisas mais lindas que eu já tinha ouvido na vida.

– Sim, amor, eu sou sua mãe Emma e essa aqui é a sua mãe Regina. – explico. – Ela em breve vai voltar para nós, ok? – Pergunto e ele balança a cabeça desajeitadamente, mostrando que compreendeu o que eu havia explicado. – Agora vamos dormir que a sua mãe loira tem que resolver alguns problemas na empresa amanhã, okay? – ele engatinha pela cama e eu o puxo, deitando-o do meu lado.

Henry brinca um pouco com meus cabelos, mas logo cai no sono depois que eu canto algumas cantigas de ninar para ele.

Observo o sono de Henry, tão leve, tão sereno, tão parecido com a mãe. Lembro de todas as noites que eu passei em claro, alguns anos antes, velando o sono de minha namorada, protegendo-a, no calor dos meus braços, de tudo que pudesse fazer mal a ela.

O amor é isso, infinito, imortal. O meu amor por Regina não tinha morrido, ele continuava ali como uma vela eternamente acesa. O meu amor por Regina, assim como uma semente, tinha crescido e se tornado o amor que eu sinto por aquele bebê. O seu filho. O nosso filho.

Regina podia não estar ali do meu lado, mas eu sentia em meu coração que em pouco tempo ela voltaria para mim, voltaria para Cora, voltaria para o Henry.

Voltaria pelo Henry.

Não demora muito e eu me entrego ao sono com a imagem de uma família perfeita composta em minha mente: Eu, ela e o nosso bebê.

– SQ –

– Emma! – ouço a voz e abro os olhos devagar. Procuro o celular debaixo do travesseiro e olho o horário: 3:47 da manhã. – Acorda.

– Oi, Cora. – respondo baixo para não acordar o bebê que dormia calmamente ao meu

– Me ligaram do hospital. – seu olhar tinha um brilho diferente e eu sei que aquilo significava boas notícias. – Regina saiu do coma.

"O amor da gente é como um grão, tem que morrer pra germinar."

Notas finais
1) Trecho do final da música Drão, de Gilberto Gil 2) Gostaram? Me deixem saber as opiniões de vcs knlkdnf 3) Próximo cpítulo é o ultimo, mas, ao que tudo indica, vai ter EOCEOM 3 SIMMMMM 4) temos grupo no wpp, interessados, falem comigo hahah