Entre o Céu e o Mar: Amor, confiança e compreensão
12 Compreensão - parte 2.
Notas iniciais
Um dos grandes erros do ser humano é dizer que tudo é passageiro, efêmero. Nem tudo passa, principalmente os amores intensos.
Se ver Regina já era um tiro no meu coração, que dirá ver Regina com o Robin. Ela estava tão linda grávida, por diversas vezes durante a semana me perdi observando seu corpo, as curvas, sua barriga, seus seios... Me repreendia cada vez que pensava nessas coisas, afinal, maioria das vezes a minha namorada estava ao meu lado.
Era nosso último dia ali e eu agradecia a Deus por aquilo tudo já estar acabando. Voltaríamos para casa e eu poderia ser feliz novamente, ou pelo menos tentar, já que, aparentemente, minha felicidade estava com ela. Pior coisa daquela viagem era ter que vê-la brincando de família feliz. Eu sabia que ela não estava feliz eu percebia em seus olhos que já não existia mais felicidade naquela mulher.
Muitas vezes, quando estávamos todos reunidos em volta da piscina, eu perdia meu olhar nela e observava ela alisando a barriga com tanto carinho e amor. Mesmo com Belle segurando minha mão, correndo as mãos provocativamente pelas minhas coxas e querendo sempre minha atenção, meus olhos passaram os sete dias voltados para a mais nova grávida da família.
Naquele dia não estava sendo diferente, a diferença era que eu iria observar ela em alto mar, já que todos iríamos para um passeio de iate por um arquipélago famoso. Como sempre, sou a última a chegar no local combinado e recebo um olhar de repreensão vindo de todos. Regina apenas se limita a revirar os olhos para mim, coisa que tinha se tornado constante durante todos os sete dias.
– Desculpa o atraso – digo direcionada a todos.
– E lá vai ela falando essa frase pela milésima vez durante essa viagem. – resmunga ela e eu ouço, porém prefiro ignorar.
– Vamos? – Henry, o mais animado de todos, quebra o gelo.
Subimos a bordo do iate e eu rapidamente corro para a ponta. Não me dou ao trabalho de conhecer o capitão, quero poder sentir a brisa do mar em meu rosto. Me seguro na ponta do barco e percebo o corpo de Belle se colar ao meu, eu sinto asco. Eu sinto asco daquele relacionamento nojento em que eu havia me metido.
– Vamos recriar o titanic, amor. – Diz, animada.
– Eu só espero que esse barco não afunde comigo dentro. – Regina “brota” do nosso lado, acompanhada de Robin, e eu controlo uma risada. Belle solta o ar pela boca com força e vira a cara, encaixando seu rosto do outro lado do meu pescoço. Eu permaneço parada, apenas observando o mar.
Lembro de Ismália e toda a sua loucura. Ismália queria o céu e o mar, eu apenas queria o mar bem lindo para ver se eu morria afogada. Vejo que paramos de nos movimentar e meu pai nos chama, avisando que iríamos descer naquela ilha para explorar.
Saímos do iate com certa dificuldade e entramos no barquinho que nos levaria até a areia. Não demora muito e estamos em uma das praias mais lindas que eu já vi na vida.
Quiosques estavam espalhados e logo nos dividimos em grupos, cada um querendo fazer algo diferente. Minha mãe e Cora queriam massagens, e logo foram seguidas por Belle. Meu pai, Henry e Robin queriam álcool e foram atrás de uma garçonete gostosa lá. Sobrou eu e Regina, paradas, olhando uma para a cara da outra.
– Então... – fala olhando para o chão e alisando a barriga.
– Nós não precisamos fingir que ficamos desconfortáveis uma com a outra. – digo – Qual é, nós já fomos namoradas. – Eu brinco e ela sorri, murmurando “verdade”. – Vem, vamos andar um pouco por aí.
Dou os braços a ela, como uma boa amiga faria, e saímos andando pela trilha que levava aos quiosques mais afastados.
– SQ –
– Aquele dia foi engraçado. – Regina ri, lembrando da vez em que dormimos e acabamos deixando a lasanha que estava no fogo queimar. – Você me fez queimar a comida pela primeira vez.
– Eu que te fiz queimar a comida? – Me viro para ela, fingindo estar ofendida. Nós duas estávamos sentadas nas pedras, um pouco afastadas dos quiosques onde estava o resto da galera. Tínhamos tirado as saídas de praia e estávamos deixando o sol nos queimar.
– Se você não ficasse me distraindo com se... – se cala, ao perceber o que iria falar.
– Te distraindo com o quê? – pergunto, me inclinando para mais perto dela. Sua respiração fica pesada de repente.
– Ah, você sabe, Emma. – tenta se esquivar, mas atrás dela estava o mar, não tinha para onde sair.
– Eu sei o quê? – provoco, me aproximando mais ainda. Já é possível sentir seu hálito quente em contato com minha pele.
– A distração que você estava me dando... – eu acho fofo a forma como ela fica vermelha após dizer isso. Para disfarçar a vergonha, ela abaixa a cabeça e alisa a barriga de grávida carinhosamente.
– Sinto saudade de te distrair daquela forma – me movo de forma mais ousada e acaricio o seu rosto. Ela não me repele, e inclina em direção ao meu toque.
– Emma... – diz, num sussurro. – por favor...
– por favor o quê? – questiono, juntando nossos lábios suavemente.
– Ah, foda-se. – e lá estão nossos lábios empurrados uns contra os outros, num beijo completamente necessitado.
Tiro uma das mãos que me apoiavam da pedra e coloco em sua cintura, agora mais larga devido à barriga da gravidez. Ela, buscando aprofundar o beijo, sobe uma de suas mãos para a minha nuca e se deixa perder por entre os meus cabelos.
– Regina... – A afasto quando o ar se faz necessário. Colo as nossas testas. – Eu senti sua falta. – A abraço com força e percebo que ela chora. – Xiu, não chora...
– Estamos tão erradas, Emma, que merda. – fala, se afastando.
– É tão errado, e parece tão certo, meu Deus. – desabafo, exasperada. E era verdade. Era errado, mas ao mesmo tempo certo. Ela me completava como ninguém.
– Eu estou grávida, Emma. – diz, olhando em meus olhos. – Nós não podemos fazer isso. – aponta para nós duas. – Não mais, eu devo respeito ao pai do meu filho.
– Uma última vez, Regina. – suplico. – Me deixe te amar uma última vez.
Sem dizer nada, ela pega a minha mão e me puxa para o mar. Andamos um pouco e paramos num local onde a água cobria pouco acima de nossos quadris. Suas mãos vão para seu lugar favorito, minha cabeça. Me puxa para si e me beija ternamente, de forma lenta, aproveitando cada minuto.
Eu coloco minhas mãos em sua cintura e me permito deixá-las correrem por sua barriga de grávida.
– Esse filho poderia ser nosso. – murmuro em seu ouvido.
– Shiu, Emma. – responde. – Cala a boca e aproveita.
Novamente sua boca está junto a minha e eu busco um contato mais ousado. Correndo as mãos por seu ventre, a provoco, puxando e soltando o elástico da parte de baixo de seu biquíni. Ela morde meu lábio inferior com força e eu solto um gemido.
Desço mais a mão e logo encontro seu sexo. Massageio o local e Regina geme, aprovando meus movimentos. Introduzo, lentamente, dois dedos nela.
– Ai! – Grito, quando sinto ela morder meu pescoço.- Vai deixar marca.
– Eu quero mais, Emma. – suplica e eu atendo. Introduzo mais um dedo, de forma que agora a penetro com três. Entro e saio rapidamente, enquanto ela morde, chupa, beija e lambe meu pescoço. Eu amava quando ela fazia aquilo.
Ainda entrando e saindo de dentro dela, massageio seu clitóris com o polegar, sendo o bastante para sentir Regina gozar em meus dedos.
– Emma! – grita meu nome com força, com paixão, com amor, e eu calo a sua boca com a minha.
– Emma! – ouço outra pessoa gritar o meu nome e abro os olhos, vendo minha namorada, minha mãe e minha ex sogra olhando para mim com cara de poucos amigos.
Fodeu!
Eu fodi Regina.
E agora nós duas estávamos fodidamente fodidas.
– SQ –
Se o clima da viagem já não estava bom, agora tinha piorado tudo de vez. Eu e Regina tínhamos ouvido um sermão vindo de nossas mães, além de Belle só faltar voar em nossos pescoços para nos enforcar.
Fizemos um acordo entre nós cinco de não comentar nada do que tinha acontecido ali com ninguém, nem com nossos pais nem com Robin. Principalmente com Robin, seria difícil contê-lo se ele tivesse a mesma reação que Belle.
Ali estávamos nós, sentados nas poltronas do jatinho particular e voltando para casa. Durante todo o tempo, eu perdia o meu olhar em Regina e em toda a sua beleza.
– Pelo menos disfarça. – sussurra Belle em meu ouvido. – Para de olhar para ela, já está ridículo.
– Eu olho para quem eu quiser. – Respondo, alto demais.
– Meninas... – repreende David. – por favor, mais respeito. – Pede e todos os presentes nos encaram. Dou graças que ele não sabia de toda a história com Regina.
– Respeito já não existe mais nesse avião, David. – provoca Belle. – Tem gente aqui que não respeita o relacionamento alheio.
– Está fazendo autobiografia, Belle? – responde Regina com uma risada.
– Ai meu Deus, de novo não. – interfere Cora. – Regina, não desça o nível, querida.
– Descer o nível, Cora? – questiona minha namorada, encarando minha ex-sogra. – Acho que sua filha já desceu demais.
– Primeiro: quem te deu permissão para nos tratar pelo primeiro nome? – Henry, que estava calado até então, se manifesta. – Segundo, mostre mais respeito. Regina é bem vinda aqui, você não.
– Não vai me defender, Emma? – Belle tenta me convencer, mas eu não sou idiota. Não vou defender ela pois ela que começou com toda aquela palhaçada.
– Não. – respondo.
– Pois eu vou contar que ontem, sim, pessoal, ontem, Emma estava comendo Regina enquanto todos nós passeávamos inocentemente pelo arquipélago.
Robin engasga com o whisky que tomava e Regina cora instantaneamente.
– Belle! – grito.
– Emma. — Regina grita.
– Regina... – Robin levanta a mão para ela.
– Robin... – rosna Henry, para defender a filha, e Robin volta a mão para baixo.
– Henry. – Pede Cora, tentando acalmar o marido.
– Cora... — Minha mãe chama, tentando acalmar Cora também.
– Mary... – Fala meu pai, indicando que minha mãe não deveria interferir em nada.
– Desisto. – Exclama Regina, se levantando. – Nem eu, nem meu filho, merecemos isso. Ok, eu transei com Emma mesmo, e daí? – desabafa e eu vejo as lágrimas se formando em seus olhos. – Belle, você foi atrás de Emma enquanto nós ainda estávamos juntas, e se aproveitou de uma fraqueza dela para atacar.
– Vocês já...
– Sim, Mary, eu e sua filha já namoramos. – Continua a falar a minha ex-namorada. – E Robin, todo mundo sabe dos flashbacks que acontece entre você e a mãe do Roland, não venha me julgar. – O silêncio se mantém presente e, de cabeça erguida, Regina vai até o quarto no fundo do jatinho, entrando e trancando a porta.
– Eu vou atrás dela. – digo.
– Melhor não, Emma... – fala Cora. – Deixa ela, você bem sabe como Regina pode ser impulsiva.
– SQ –
– Okay, ela já tem mais de duas horas lá dentro. – digo. – Eu vou levar algo para ela comer.
Sem esperar por aprovação dos demais presentes ali, me levanto, pego alguns salgadinhos, um suco de caixinha e bato na porta.
– Regina – chamo. – Sou eu, abre, por favor.
– Não vou abrir – responde, chorosa. – Sai daqui, vai embora, Emma.
– Eu não vou sair daqui. – replico, com toda a paciência do mundo. – Abre, vai... você deve estar com fome.
– Não estou com fome.
– Mas o bebê está. – apelo para a gravidez, sabia que ela se alimentaria por causa do filho que carregava. Ouço a porta ser destravada e entro.
Ela estava deitada de barriga para cima, encarando o teto. Me aproximo e sento na beirada da cama, estendendo as comidas que estavam na minha mão para ela.
– Obrigada. – Diz, de boca cheia. – E desculpa.
– Desculpa pelo quê? – questiono. – Quem pediu por aquele momento no mar fui eu.
– Eu sei, mas... Eu não deveria ter cedido, Emma. – responde e toma um gole do suco. – É, eu estava com fome. – sorri de lado, mas não mostra os dentes.
– Você fez o que seu coração pediu...
– Eu fiz o que você pediu.
– Eu sou o seu coração. – sorrio. – não adianta negar, eu ainda mexo com você.
– Mexe mesmo. – confessa. – Eu nunca vou deixar de te amar, Emma. Você é meu universo, lembra? – me coração se aquece com aquela declaração. – Mas...
– Mas o quê? – interrompo.
– Mas nós não podemos ficar juntas novamente, não funcionará. – Estou pronta para responder, porém Cora, esbaforida, entra no quarto com um rompante. – O que foi, mãe?
– O combustível acabou. – Sentimos um tranco e caímos para o lado.
– O avião está caindo. – Ouço o grito e é a última coisa que me recordo antes de me sentir em queda livre em direção ao chão.
“O amor eterno é o amor impossível.
Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam.”
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