Entre o Amor e a Música.
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Após aquele beijo repentino, o clima entre eles parecia ter encontrado enfim um dia de paz. Não demorou para que as visitas chegassem e se surpreendessem por Naruto saber todos os nomes e coisas sobre eles, tudo vinha aos poucos como se vê-los ativasse sua memória. E uma hora depois a casa já estava um falatório e uma bagunça. Sasuke e Shikamaru estavam esparramados no sofá vendo TV, Hinata, Sakura e Ino conversavam sobre coisas que ele não fazia a mínima ideia do que era e Gaara o ajudava com o almoço.
— E então como vocês estão? – Perguntou ele sem rodeios.
— Não sei ao certo, mas diria que hoje está sendo o melhor dos dias aqui.
— Você vai precisar de paciência... Coisa que sempre lhe faltou.
— Ela é difícil, principalmente se o humor dela estiver em pauta.
— É, ela ficou assim depois de tudo que aconteceu. – Naruto desviou a atenção dos camarões que fritava e olhou para Gaara. – E não, eu não sei o que houve. Só o Sasuke sabe, embora ele tente esconder, todos nós sabemos que ele sabe. Vocês sempre foram mais próximos, afinal se conhecem desde que nasceram.
— Gaara... E sobre a banda?
— O que quer saber da Midnight?
— Acho que em primeiro lugar o por que dela se chamar Midnight. – Gaara começou a rir.
— O nome é esse pelo fato de que nós fugíamos de casa no colegial para fazer pequenos shows noturnos em barzinhos nas cidades. Nós não tínhamos um nome, então acabamos adotando esse, porque sempre acabávamos fazendo os shows nesse horário de meia noite por não sermos muito conhecidos.
— Nós fizemos muitos shows?
— Pequenos sim. Quase toda noite durante uns dois meses. Depois um caça talento nos encontrou, Jiraya entrou como nosso empresário e fizemos o primeiro grande show em Kyoto. Fizemos mais quatro. Yokohama, Nagoya, Fukushima e Tóquio. Depois Fizemos dois shows internacionais, um em Washington e o outro em Londres, foi ai que cantamos as músicas em inglês pela primeira vez ao vivo. Logo após começamos a nossa primeira turnê: Eternal.
— Em quantas línguas nós cantamos?
— Nossa língua principal era o japonês. Hoje em dia usamos mais o inglês, faz sucesso aqui no Japão e ajuda mais com os fãs internacionais. Além de que, por algum motivo, você e Sasuke acham mais fácil fazer as músicas em inglês. Cantamos em português também. Cantamos duas músicas em francês no show da França. Coreano para o próximo álbum e por enquanto só.
— O que cada um de nós faz exatamente?
— Bom, nós não temos exatamente uma posição fixa, mudamos algumas vezes. Mas oficialmente, eu sou o baterista, Shikamaru o baixista, Sasuke é o guitarrista e back vocal. Você é o vocalista. Eu também toco guitarra, não sou fã de violão. Shikamaru é também o nosso DJ algumas vezes, ele toca violão, mas não gosta de guitarra. Sasuke e você gostam de tudo, bateria, baixo, guitarra, violão e até piano vocês tem paciência de tocar...
— Nossa... E quanto a elas?
— As garotas? A gente não costuma envolvê-las nas coisas da banda. Elas geralmente não gostam muito da exposição que a gente causa, então tentamos evitar enquanto elas tentam seguir a vida de faculdade. No geral a vida delas é bem calma. Casa, faculdade, trabalho de meio período, família e paparazzi enchendo o saco...
— Hm... Gaara, sobre família... E a família da Hinata? – Ele diminuiu o tom enquanto continuava a fazer a comida.
— Bem. Não sei se eu sou a melhor pessoa para falar disso, mas você vai lembrar de qualquer jeito mesmo... – Ele olhou ao redor e teve certeza que as garotas estavam longe. – Bom... A mãe da Hinata, Harumi, morreu há dois anos. Uma doença rara... E a irmã dela... Bem, ela tinha a mesma doença da mãe e...
— Ela também morreu?
— É... Tem alguns meses já. Naruto veja bem, às vezes como você ainda não se lembra de tudo, vai ser normal você se irritar com ela pelo jeito dela. Mas tente ter em mente que as coisas que ela guarda, não são nem 1% da sua irritação.
— Eu estava pensando. Será que agora que eu não me lembro de muitas coisas, não seria mais fácil para recomeçarmos?
— Pode ser. Você vê as coisas de um ponto de vista diferente que dificilmente você teria com as suas lembranças.
A tarde continuou, o almoço começou cheio de comentários sobre a comida, coisas como o quanto estava bom ou a falta que sentiram daquela comida. Para Naruto, era como se não existisse acidente ou o passado que Hinata tanto reclamava, tudo estava correndo perfeitamente bem, e tão logo o almoço terminou havia gente jogada por todos os lados da sala. Menos Naruto e Sasuke que conversavam na varanda. E pela gargalhada que Sasuke dava, o assunto estava bom.
— Caralho! Não acredito que você perguntou isso tudo pro Gaara.
— Por que é tão estranho assim?
— Porque ele fala sei lá... Umas três frases por dia! Volta e meia pego a Ino discutindo com ele reclamando que ele não fala nada! Você ter conseguido uma conversa tão longa com ele é o mesmo que fazer o Shikamaru ficar três dias seguidos sem dormir. Bom... Mas agora o que eu quero saber é como você e a Hinata ainda não se mataram.
— Não sei... Quer dizer, de vez em quando acontecem umas coisas estranhas, fica uma coisa entre a gente, mas depois ela passa o dia sem olhar na minha cara.
— Vou te dar um conselho. Parece uma bomba relógio, sabe... Depois de tudo que você e a Hinata passaram. Evite falar das coisas do passado e tente fazer com que ela evite isso também.
— Eu tento, mas ela a qualquer minuto toca nesses assuntos.
— Então use o que nós temos de melhor! A música! É o que fazemos de melhor e a única vocação que temos. Ela sempre gostou das suas músicas, agora não seria diferente. Você já deve ter percebido isso.
— Sim... E ela também canta e toca o piano às vezes. – Sasuke olhou surpreso para ele.
— O piano? Sério?! Nossa... Desde a morte da Harumi que eu não vejo a Hinata tocar.
— Ela é ótima no piano... E foi graças a uma música que ela tocou ontem que eu recuperei algumas memórias. Sasuke, as coisas que tem naquele quarto...
— Não fale, eu fiquei curioso na primeira vez que vim aqui, mas depois descobri o que tem lá... Não comente sobre isso com ela sobre hipótese alguma. Uma hora você irá saber o significado daquilo e da outra coisa que está na caixa que te dei.
— Eu acho que tenho uma vaga ideia do que é, mas tenho certeza que vou me surpreender.
— E com certeza vai... Mas por agora, tente esquecer isso e tente apenas ser feliz com ela.
— Certo.
Os dois iriam continuar a conversa, mas a porta abriu e Shikamaru apareceu trazendo cobertores e uma garrafa térmica com chocolate. Ele jogou alguns cobertores para Sasuke e Naruto e sentou ao lado dos dois.
— Porra Shikamaru! Chocolate? Virei criança agora?
— Porra Shikamaru uma ova, não quero saber da Sakura ou da Hinata enchendo meu saco porque eu e você estamos dando álcool para o Naruto. Esqueceu o que médico disse? Nada de álcool para ele enquanto estiver tomando os remédios.
— Merda, me esqueci disso. Abençoada seja sua memória! A propósito, onde está Temari?
— Foi para Kyoto ontem pela noite. Problemas com a família. Depois ela irá para a casa de Kankurou na Austrália passar um tempo com ele.
— E porque diabos o Gaara não foi junto?
— Vocês sabem como ele é, não se dá bem com o pai, então para ele se o assunto não envolve os irmãos, não interessa. E também, na situação atual, não tem como ele ir para a Austrália.
— Mas Shikamaru... – Sasuke começou a falar em um tom mais sério. – E quanto ao Jiraya?
— É mesmo, eu queria perguntar sobre ele. – Completou Naruto, fazendo Shikamaru olhar para Sasuke.
— Olha Naruto, uma das coisas que não te contamos, – Começou Shikamaru. – É que Jiraya, seu padrinho e nosso empresário, foi acusado do assassinato dos seus pais.
— E foi ele? – Perguntou Naruto rápido e nervoso.
— Não, todos nós temos certeza que isso é impossível. Veja bem, Jiraya praticamente criou seus pais e foi responsável por eles serem tão bem sucedidos no que faziam. Ele amava seus pais demais para fazer isso com eles, e ama você demais para fazer você suportar isso. Amanhã eu vou visitá-lo, estou tentando fazer isso há dias, mas não sei por que diabos não me deixavam entrar. Depois que eu conversar com ele, volto aqui e conversamos sobre isso juntos. Outra coisa importante, como você já deve saber, a justiça congelou sua herança pela circunstancia da morte dos seus pais então é bem provável que você não tenha acesso a muitos bens.
— Certo... Quanto tempo deve ficar assim?
— Não sei, provavelmente até as investigações terminarem, mas você tem muito dinheiro com o que ganha com a banda, não há com o que se preocupar. Agora vamos falar da banda. Como vai seu progresso com suas memórias e todo o mais?
— Estou pegando algumas coisas aos poucos. Quanto à música, já consigo tocar bastante coisa, mas ainda não consigo lembrar as músicas.
— Certo, como Sasuke já deve ter lhe falado, nós cancelamos nosso show em Tóquio por causa do seu acidente, é o ultimo da nossa turnê e fecharemos nosso primeiro DVD após esse show. Como eu estou cuidando da parte nada legal da banda depois da prisão do Jiraya tenho que confessar que estão fazendo um inferno na minha cabeça, a gravadora está pressionando de todas as maneiras possíveis e já até pediram que eu arrumasse outro vocalista para a banda. Já que você está pegando o jeito aos poucos posso deixar esse pessoal quieto na deles. Lembrou de alguma coisa sobre a nossa banda?
— Não, mas o Gaara me falou. – Agora era a vez de Shikamaru rir.
— Você tá de sacanagem comigo né? O Gaara te explicou sobre a banda?
— Sim.
— Porra! Ele mal fala três frases por dia! Como de repente ele ficou tão falador assim?
— É o que estou tentando descobrir Shikamaru, acredite em mim. – Disse Sasuke começando a rir.
Depois de secarem a garrafa de chocolate, os três voltaram para dentro de casa e logo estavam todos amontoados nos sofás da sala enquanto viam filme. Para falar a verdade, Gaara era praticamente o único que via o filme; Sasuke e Sakura dormiam, Shikamaru estava esparramado no chão da sala a sono alto, Ino parecia estar morta no colo de Gaara. Hinata estava na cozinha e logo não demorou que Naruto fosse até lá para ver o motivo da demora.
— Hinata?
Ele chegou de fininho dando um susto na garota que deixou o pote com o resto de pipoca cair no chão.
— Que susto! – Reclamou ela enquanto se abaixava para catar a pipoca.
— Desculpe. – Disse Naruto enquanto fazia o mesmo.
Ao tocarem as mãos acidentalmente enquanto catavam a sujeira da pipoca no chão, aquele clima tenso se instalou entre os dois novamente.
— Agora não... Por favor, não podemos... – Pediu ela.
— Estão todos dormindo... Só o Gaara está acordado.
— Não Naruto! É melhor não. – Disse ela levantando e indo até a pia. Ele fez o mesmo, mas parou atrás dela.
— Escute... Não me importa mais o passado. Não me importa nem um pouco. Eu amo você e é o que me importa. Eu vou fazer você feliz, custe o que custar.
Naruto voltou para a sala antes que ela pudesse falar alguma coisa, ou antes que começasse a reclamar e seu humor piorasse.
E sem que eles percebessem aquele dia chegou ao fim. Haviam feito de tudo; conversaram, comeram, bagunçaram, jogaram... Viram TV e dormiram. Havia sido um dia perfeito, um dia finalmente com coisas boas após uma chuva de notícias ruins e coisas terríveis que aconteceram a eles. Parecia até mentira que tudo estava bem, que Naruto se recuperava aos poucos e que ia apresentando melhoras muito boas em relação a sua memória. E o melhor de tudo, cada vez mais ele e Hinata melhoravam sua relação, isso era algo impossível dias atrás já que não conseguiam nem mesmo ficar dez minutos sob o mesmo teto.
Logo eles foram embora. Eram apenas eles dois naquela casa novamente. E naquele momento estava difícil para Hinata resistir às investidas de Naruto. Cada vez mais ele ficava mais próximo dela e cada vez mais a confusão dentro dela ficava maior. Ao mesmo tempo em que desejava estar com ele, o queria bem longe.
— Naruto, temos que parar com isso. – Disse ela enquanto o ajudava com a louça.
— Isso o que?
— Esses momentos! Esses beijos! Não é tão fácil como você pensa. Eu não vou esquecer tudo isso de uma hora para outra. – Ele deixou os pratos na pia, lavou as mãos e foi até ela, a puxou e a prendeu entre ele e o balcão.
— Responda. Você me quer longe? Você quer ir embora? Eu já estou bem melhor, me sinto melhor, estou recuperando minhas memórias aos poucos. Não preciso mais que você tome conta de mim. Diga que quer me quer longe e eu vou embora agora. – Ele se calou e a encarou. Ela nada disse. – Vamos, diga!
Ele gritou, estava decidido e ela via isso nos olhos dele. Ele estava decidido a não cometer os erros que cometeu no passado, mesmo que não soubesse quais foram.
— Eu não posso. – Ela disse baixo e já segurando um aparente choro. – O que você quer? Que eu diga que te amo? Eu te amo Naruto, eu te amo mais do que posso suportar! Você não sabe o quanto machuca querer estar com você a todo momento e essa memória não deixar! – Ela o empurrou e começou a andar, mas ele a segurou e a abraçou.
— Escuta, apenas me dê a chance de tentar! Vamos pelo menos tentar Hinata! Você diz que me ama, você fala tudo isso que me falou, mas nós sequer tentamos recomeçar?
— Não. – Disse ela com a voz tremida, secando as lágrimas.
— Então pronto! O máximo que pode acontecer é o que? Tudo dar certo e nós conseguirmos... E – Ela o interrompeu.
— E se der errado?
— Se der errado, não vai ser diferente do que é agora, concorda?
Pela primeira vez em tempos ele a ganhara no diálogo, e ganhara muito bem. Perguntas como “por que ele não fez isso antes?” recheavam a cabeça dela. Mas a verdade era nua e crua, toda a mudança ocorrida em Naruto só pode ser atribuída a uma coisa: o acidente dele. Perder as memórias permitiu que ele organizasse tudo, que separasse os sentimentos e que repensasse muita coisa. Mas e quando a memória dele voltasse? E quando ele soubesse de tudo? Ele ia continuar a agir assim? Ele ia continuar a querer ficar ao lado dela? Ora, ele foi atrás dela no dia do acidente, não foi? Ele foi pedir uma chance, foi pedir para tentarem novamente.
Mas e se ela tivesse dado essa chance para ele naquela hora? Provavelmente não teriam tido nem 1% do avanço que tiveram.
— Hinata.
— Hm? — Ele a pegou dispersa em pensamentos enquanto já estava sentada no sofá.
— Eu estava pensando... Você quer conversar sobre a minha família? – A pergunta a pegou de surpresa. – Quero dizer, eu...
Ele parou de falar quando as lágrimas correram rápidas, sem controle algum e pesadas, ele segurava um porta retratos onde ele estava com o pai e a mãe. As lágrimas apenas corriam enquanto ele tentava sorrir.
— Eu... – As palavras não saiam.
— Você não sabe como agir não é?
— Eles morreram. Eu não vou vê-los novamente. E se... E se eu não recuperar o resto das minhas memórias?
— Vem cá. – Ela o puxou para o seu lado e o fez deitar em seu colo. – Eu acho que não sou a melhor pessoa para falar disso. Mas eu sei que é difícil... Seus pais eram pessoas maravilhosas. Pessoas que todos admiravam. Tenho certeza que você vai recuperar suas lembranças e que você poderá saber tudo sobre eles. E eu sei que não vai ser a mesma coisa. Mesmo que suas antigas memórias voltem, elas não vão apagar as memórias que você vem construindo esses dias... É isso que te preocupa não é?
— Sim... Saber que eu me esqueci deles... Isso me assusta demais.
— Não fique assim... Nós vamos superar isso e... – Ela parou de falar quando percebeu o "nós" e limitou-se a apenas acariciar os cabelos dele enquanto secava as lágrimas no rosto do garoto.
Por alguns minutos eles ficaram calados, Naruto parecia ter melhorado enquanto ela parecia desconfortável com a observação que ele logo faria.
— É a primeira vez que você fala de nós dois juntos fazermos algo.
— É...
E novamente aquele clima estava lá, teimoso, insistente. Era como se aquele destino tão improvável quisesse juntá-los novamente, como se até ele torcesse pelos dois.
— Isso está ficando perigoso. Eu não consigo mais resistir a você e isso me assusta. – Reclamou ela.
— E eu não quero resistir. Eu simplesmente amo sentir o seu beijo. – Ela corou.
— Não diga essas coisas!
— Ora! Você fica corada só por que eu elogiei você? – Ele riu. – Você é linda garota. O toque da sua pele macia. Os seus lábios... O gosto suave e a maciez dele. O seu cabelo... Seus olhos. Suas mãos... O que em você não é perfeito? O que em você não me atrai? E não me venha falar do passado. Nós ainda temos uma vida inteira para descobrir o que em você que não me atrai... Ou um jeito de fazer você corar ainda mais. – Disse ele começando a rir tamanho era o rubor das bochechas dela. – Eu te amo, e eu vou fazer você feliz. Isso é o que importa para mim.
Fim do capítulo.
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