Entre o Amor e a Música.
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Aquela era o dia em que Shikamaru iria falar com Jiraya. Os malditos paparazzi pareciam adivinhar os passos do garoto, já que mesmo em frente à delegacia onde Jiraya permanecia preso eles estavam. O movimento era grande, para todo lado haviam flashes de câmeras e microfones com jornalistas insistentes por uma única palavra do garoto.
Acompanhado por três advogados e seguranças particulares, ele seguiu para a delegacia sem dar uma palavra sequer com a imprensa. Lá dentro, surpreendeu ao pedir que os advogados ficassem fora da conversa com Jiraya. E logo estavam os dois... Frente a frente em uma sala simples, fechada. No centro da mesma, uma mesa de aço chumbada ao chão, assim como as cadeiras.
— Shikamaru...
Ele falou com certa fraqueza na voz, e não era apenas a voz dele que apresentava fraqueza. Jiraya estava horrível; os cabelos desgrenhados e mal presos no rabo de cavalo, o rosto com fundas olheiras e nítidas marcas de depressão, além de uma tosse forte.
— Jiraya! Como você está? – Ele perguntou aflito após ver o velho amigo.
— Eu estou bem garoto. Apenas sem dormir direito, muitas coisas passando pela cabeça.
— Você sabe que nenhum de nós engoliu tudo isso, não é? Julgarem você como assassino deles?!
— Esqueça isso por enquanto! Quero informações Shikamaru! Informações! Como ele está? Como Naruto está?!
— Ele está bem. Já acordou, também perdeu a memória, mas está recuperando tudo aos poucos. Ele logo poderá vir ter ver. – Pela primeira vez naquele curto encontro Jiraya sorria enquanto as lágrimas de preocupação corriam.
— Você não sabe como essa notícia me deixa aliviado Shikamaru... Obrigado, muito obrigado! Eu perguntava a toda hora sobre ele, mas simplesmente se recusavam a falar qualquer coisa para mim!
— Tudo bem, se acalme, ele está bem Jiraya. Mas agora... Jiraya quem fez isso?
— Eu tenho apenas suspeitas... Nada mais concreto que isso, garoto.
— Quem?! – Ele respirou fundo enquanto olhava para Shikamaru.
— Orochimaru... Madara... Kabuto... – Os nomes paralisaram Shikamaru.
— Orochimaru? Aquele que foi criado com você e Tsunade por Hiruzen?!
— Sim. E Uchiha Madara, e Yakushi Kabuto.
— Não não... Isso não é possível! Jiraya, são todos empresários próximos as nossas famílias! Isso... Isso é – Jiraya o interrompeu.
— A mais pura verdade. Esses três, armaram tudo Shikamaru! Diga para mim, quem são os mais cotados para assumir as empresas Uzumaki e Namikaze?
— Eles três!
— Veja bem Shikamaru, golpe fácil, matam eles dois, me incriminam! Depois eles dão um jeito no Naruto que por pouco já não saiu dos planos deles por conta própria... Para eles é fácil subornar e comprar. Enganar e mentir é algo trivial para pessoas como eles! Vocês precisam estar atentos, reforcem a segurança em casa e na rua. Tomem cuidado com as garotas também.
— O que você me sugere?
— Alguns seguranças profissionais. Nada muito exagerado para evitar dar na cara. Blindem os carros, troquem as linhas de telefone por linhas seguras. Troquem as fechaduras e reforcem as mesmas, e se preciso façam cursos de tiro e tirem uma licença para o porte de arma. Não sei do que esse pessoal é capaz, mas não quero arriscar perder nenhum de vocês.
— E você Jiraya? Como tiramos você daqui?
— Incriminando um dos três para provar que eu sou inocente. Você é esperto, mais esperto que eu e qualquer um deles, pense nas possibilidades, pense em um jeito. Eu tenho certeza que você é capaz de pegá-los.
— Tudo bem... Deixe isso comigo, eu vou encontrar um jeito.
'
— Nosso tempo está acabando.
— É, eu sei. Fique tranquilo, nós vamos conseguir um habeas corpus para que você responda o processo em liberdade, você é réu primário, nunca teve problemas com a justiça. Além disso, eles não têm provas concretas contra você. A única coisa que tem contra você é a informação de uma suposta testemunha ocular de que você estava na casa deles. Não encontraram digitais, nada, nenhum vestígio de que você esteve perto dos cabos de freio do carro. Como o carro pegou fogo, não tem como fazerem a perícia do veículo.
— Shikamaru, tenha cuidado, não seja precipitado em nada e não fique obcecado com isso, vocês são jovens e tem uma bela carreira pela frente.
— Tudo bem, pode ficar tranquilo.
Bem longe da realidade de Jiraya, bem longe de todo o sufoco que Shikamaru enfrentava para deixar a delegacia, o sol já começava a se pôr no horizonte enquanto a noite jogava seu véu negro sob a cidade. Era uma rara noite de céu claro e estrelado embora o frio fosse cruel.
Para a total surpresa de Hinata, se esquentar era o que o garoto tentava fazer, mas bem longe de casa. Ao chegar da faculdade ela o procurou por toda a casa e o chamou diversas vezes até ter a ideia de olhar a praia. E era exatamente lá que ele estava. Ao redor de uma grossa fogueira e sentado na areia. Pelo que ela pode perceber, estava também com um cobertor velho e grosso, bem agasalhado por conta do frio horrível que fazia, com seu violão e o caderno de músicas. Provavelmente estava tocando, e quem sabe, relembrando possíveis memórias.
A maior dúvida dela naquele momento era quanto a descer até a praia. O clima entre ela e Naruto estava bom, bom até demais... A música errada e a atitude certa dele naquele momento a desarmaria completamente contra as investidas dele. E para ser sincera, já estava em dúvida se essa era realmente sua vontade. Resistir a ele. Por que deveria? Estava sendo irracional e idiota. Mas continuaria sendo, até ter certeza que algo entre eles tinha total chance de dar certo. Até ter certeza disso, não iria deixá-lo se aproximar mais. Ao menos essa era sua ideia.
Para ele, porém, se tratava justamente do contrário, não dava muita importância às preocupações de Hinata e para ser sincero queria que ela parasse um pouco de ficar sempre na defensiva. Estava sendo egoísta é verdade, pois apesar de ignorar o passado esquecido, para ela não era tão simples.
— Essa música... Vamos tentar.
Não era nada muito difícil, ele pegou o ritmo de primeira e logo deu sequência à canção, mas antes que terminasse a primeira frase, simplesmente parou. Algo estava errado naquela música. Não era uma simples música, não era algo só para ele, ou para ela. Era para mais uma pessoa...
Por horas ele simplesmente pensou naquela música, não conseguiu cantar ou tocar mais nada. Aquela letra e aquele ritmo pareciam ter lhe roubado algo que ele nem mesmo sabia possuir. Por fim ele decidiu apenas voltar para casa, já estava tarde e logo Hinata iria encher sua paciência pelo resto da noite por ele estar naquela friagem. Mas não importava muito, o fim de semana estava chegando e sentia que queria fazer algo. Sair de casa, andar por algum lugar, ver algum lugar.
Quando chegou em casa encontrou Hinata subindo para o segundo andar.
— Onde você estava? – Perguntou ela impondo uma resposta satisfatória.
— Na praia mamãe. – Respondeu ele com sarcasmo.
— Não me culpe quando pegar uma gripe. – Disse ela voltando a subir as escadas.
— Hinata. Espera.
— O que foi?
— Vamos jantar fora?
— Ah Naruto... Eu até gostaria, mas estou cansada. Vamos deixar –
— Por favor, eu vou enlouquecer ficando preso aqui, eu preciso sair e com meu braço assim ainda não posso dirigir. Eu poderia pegar um táxi, mas você é péssima na cozinha e não tem nada pronto... – Ele começou a rir e ela o encarou furiosa.
— Tudo bem, tudo bem... Vou tomar um banho rápido e me arrumar. Faça o mesmo.
— Certo!
Os dois não demoraram muito a sair do banho e aparecem na sala arrumados. (Naurto — http://img.alibaba.com/wsphoto/v0/455937786_1/Free-shipping-2011-New-fashion-Men-wool-coat-winter-outerwear-jackets-trench-coat-outdoor-windbreaker-overcoat.jpg ; Hinata — http://my10online.com/wp-content/uploads/2010/11/Women-s-Wool-Winter-Jacket.jpg )
Não demoraram também a sair. Naruto procurava alfinetar Hinata com tudo o que lhe vinha à cabeça. Percebera de primeira que o humor dela não estava nos melhores momentos e para tentar evitar os desagradáveis momentos de estresse com ela tentava distraí-la de toda maneira possível.
Ela escolhera o restaurante. Um local não muito agitado, calmo, com um ambiente mais relaxado e após fazerem os pedidos Hinata começou a fazer perguntas sobre Naruto, parecendo esquecer um pouco do seu nervosismo. Perguntava a ele como estavam suas memórias e o seu braço entre outras pequenas coisas. Porém a precaução dela em evitar perguntas que pudessem levar ao assunto passado era clara.
— Eu me lembrei de uma coisa.
— O que? – Perguntou ela distraída.
— Um passeio eu acho. Um acampamento.
— Ah não! – Respondeu ela enquanto tampava o rosto com as mãos tentando ocultar a face corada. – O acampamento não.
— O que tem demais o acampamento?
— O quanto você se lembrou?
— Não muito, apenas o momento em que chegamos e tudo o mais.
— Bem. Nós tínhamos o costume de sempre viajar para algum lugar do Japão nas férias de verão e inverno. No penúltimo ano nós viajamos para Sapporo. Iríamos ficar duas semanas passando pelas cidades de Hokkaido, caímos em um acampamento nos primeiros dias. Vocês gostavam de fazer as trilhas que tinham em tudo que é floresta que íamos. Era como uma espécie de competição. Vocês colocavam algumas coisas na trilha que a gente tinha que recuperar, se não conseguíssemos teríamos que pagar uma prenda. Na maioria das vezes não conseguíamos por que eu e Sakura nunca íamos e por vezes vocês ganhavam. Nesse dia vocês fizeram isso de novo mas as outras garotas não quiseram ir e começaram a encher a minha paciência e a da Sakura e enquanto todo mundo dormia eu saí da minha barraca e fui procurar sozinha as coisas na trilha.
Flash back on
O frio a perturbava parecendo penetrar devagar em seu corpo como se fosse torturá-la. Estava claramente perdida em meio àquela trilha, coberta de um grosso sereno, cheia de lama nas pernas e tremendo de frio. Já tinha esquecido completamente o motivo idiota que a fez deixar sua cabana quentinha para se aventurar nos planos idiotas dos garotos. Não voltaria agora, não agora que provavelmente já tinham dado falta dela e estavam a procurando. Voltar agora, suja e amedrontada daquele jeito sem ao menos uma das malditas coisas que eles deixavam nas trilhas, a faria ser motivo de chacota pelo resto da viagem. Uma hora teria que chegar ao fim ou ao começo daquela bendita trilha quando chegasse em algum destes, voltar para sua cabana seria fácil. A primeira coisa que queria fazer era tirar aquela roupa suja de lama e molhada com o sereno, também aqueles tênis que mais pareciam pedras em seus pés.
Se achasse pelo menos uma daquelas coisas poderia voltar tranquila e não teria mais que aturar aquela brincadeira, já que a aposta dos garotos era que quando uma delas encontrasse ao menos uma das coisas nas trilhas e que estivessem sozinhas a brincadeira acabaria.
— Mas que droga eu ainda n... AH!
Hinata escorregou na descida enlameada, torceu o pé perdendo o equilíbrio e caiu pela corrente que marcava o limite da trilha. Rolou por alguns segundos até parar na árvore mais próxima, a lanterna ficou pelo caminho e seu pé doía demais para se levantar. Ótimo, o que estava ruim acabara de ficar pior. Por muito tempo ficou apenas quieta ali tentando se esquentar até ouvir finalmente um movimento na trilha e ela conhecia bem aquela voz.
— EI! Hinata! Cadê você? Cara, onde essa garota idiota se enfiou?
Ela sorriu, era sempre assim com ele afinal de contas, ela era sempre a desastrada, a idiota ou a garota chata.
Seus pensamentos pararam quando ouviu os passos dele chegando perto. Ele a tinha visto?
— É você ai Hinata?
Ele apontou a lanterna na direção dela fazendo-a tapar os olhos, ele reclamou mais um pouco e chegou perto dela.
— Mas que porra você queria saindo a essa hora? – Ele estava visivelmente nervoso.
— Desculpe.
— Porra! Parece que é maluca! E se você tivesse caído no ponto do rio? E –
— E EU JÁ PEDI DESCULPAS!
Ele parou de falar e a encarou. Os cabelos dourados tinham um brilho forte graças à luz da luz da lanterna, os olhos azuis expressavam algo que ela não conseguia decifrar. Era a primeira vez que ela, Hyuuga Hinata gritava com ele, Uzumaki Naruto.
— Eu já me desculpei com você, não é? Não tem por que você continuar me chamando de idiota como você sempre faz! Tinha que ser justo você a me achar? Não podia ter sido qualquer outro?
— Não! Não podia! – Ele ficou claramente irritado com a resposta dela. – Porque para a SUA informação eu fui o ÚNICO a perceber que você não estava na cabana!
— E por que justo você daria falta de mim? – Perguntou de forma irônica.
— Somos amigos, sua idiota. – Ele respirou fundo e coçou a cabeça enquanto ia até ela e a puxava para colocá-la em suas costas.
— E-Espera! O que está fazendo? – Perguntou ela ficando vermelha.
— Carregando você. Isso é obvio né? Hinata, olha... Isso podia ter sido sério, você podia ter se machucado de verdade.
— Faria alguma diferença para você?
Ela sussurrou, mas por estar perto demais dele ele ouviu e parou.
— Sim faria toda a diferença para mim, então cale essa boca.
Fim do Flash Back.
A conversa terminou quando os pratos chegaram, e durante o resto todo do jantar foi aquele clima estranho, enquanto ela queria apenas que ele esquecesse tudo e deixasse aquele assunto de lado, ele queria saber mais. Queria que ela contasse mais.
Quando chegaram em casa Hinata logo deu um jeito de desaparecer das vistas de Naruto e ir para seu quarto. O mesmo acabou por logo fazer o mesmo. Mas para arruinar completamente aquela noite, aquele flash, aquele pequeno pedaço de filme invadiu seus sonhos corrompendo seu sono.
Flash Back On
Estava lá, parado no meio daquela casa, molhado e tremendo de frio. Sasuke estava no outro cômodo, e ele estava ali em seu quarto imerso no escuro enquanto desejava que aquilo simplesmente acabasse com ele. Que tudo simplesmente se encerrasse.
— Tome. – Dizia Sasuke entregando uma caneca com algo fumegante a Naruto.
— Só nós dois estamos aqui. O tio e a tia foram a algum lugar, tome isso e vá tomar um banho para tirar essa roupa.
Não havia resposta dele, não havia discussão. Ele apenas olhava para a caneca em suas mãos, os olhos sem brilho algum, estavam afogados em uma mágoa que ele jamais poderia imaginar existir.
— Sasuke... Por que ela fez isso?
— Eu não sei Naruto... Eu não sei, não sei como você se sente, principalmente depois de tudo que a tia já passou em relação a esse assunto.
— O que eu faço? Depois de tudo Sasuke...
— De tudo o que Naruto? – Perguntou Sasuke hesitando.
— Olhe na gaveta da minha escrivaninha.
Ele levantou e foi até a escrivaninha, sentou na cadeira frente a mesma e começou a ver tudo que estava ali. E quando mais tentava entender, menos conseguia, jamais conseguiria entender o que Naruto sentia naquele momento e por mais que odiasse admitir, não tinha nada que pudesse fazer.
— Naruto eu...
— Já estava tudo planejado. Tudo pronto. Eu não imaginei nunca... Que ela faria isso.
Flash back off
— Naruto! Ei Naruto!
Ele acordou, suado, tremendo e com uma enorme dor de cabeça. E quando viu Hinata segurando seus ombros aparentemente apavorada tudo daquele sonho se encaixou. Aquelas memórias voltaram para o seu lugar, aquelas sensações e aqueles sentimentos. Ele empurrou Hinata a fazendo cair da cama.
— Naru – Ela parou de falar, parou ao ver aquele olhar novamente.
Ele arfava, o ar simplesmente não vinha enquanto os sentimentos contidos naquela memória o assolavam. Ela apenas travou, não tinha reação, não conseguia nem mesmo falar, ver aquele olhar novamente no rosto dele era a pior punição que ela poderia ter. Mas se em um momento ele estava na cama a olhando daquela maneira, no outro momento ele estava a abraçando e se desculpando.
— Você gritava muito e se debatia, eu entrei no seu quarto e tive que te acordar, estava assustada. Desculpe.
— Não se desculpe. Eu é quem tenho que te pedir desculpas.
— Naruto... O que você sonhou?
Ele calou-se por alguns segundos.
— Hinata. O que nós fizemos é assim tão ruim?
Fim do capítulo.
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