Entre o Amor e a Música.
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Mal Naruto acabara de ler a carta, e o celular que veio dentro do envelope vibrou sob a mesa da praça. Sem esperar qualquer palavra de Jiraya, ele atendeu o celular.
– Escute, Uzumaki Naruto. Você e Jiraya estão sendo observados nesse instante. Dentro de quinze minutos, Hatake Kakashi da Polícia de Tóquio irá chegar até vocês. Então você terá aproximadamente dez minutos para decidir como salvar sua noiva. – a voz da chamada era estranha, levemente deformada e na maioria, artificial. – Existem três situações diferentes para lidarmos com esse sequestro. Primeira, você segue todos os protocolos da Polícia, não cumpre meus requisitos, o sequestro falha e sua noiva é morta. Eu não consigo o que eu quero e tiro tudo de você. Segundo, você desobedece os protocolos da Polícia, age sozinho e tenta bancar o herói. Nesse cenário você morre e deixa sua noiva lidar com a morte da única pessoa que a mantem sã. Terceiro, você cumpre tudo o que eu digo, Hinata é devolvida, você consegue o que quer, eu consigo o que eu quero e todos saímos felizes. Qual você escolhe?
– Terceiro.
– Ótimo. Prestem atenção. Você vai cumprir os protocolos da Polícia, vai agir como se essa ligação não existisse. Haverá um contato pelo telefone da sua residência, Naruto. Lá, você deixará que a Polícia rastreie a chamada e dite o controle da situação. Eu irei pedir um milhão de dólares em dinheiro vivo como resgate. Eles irão marcar as notas, o local de entrega será público e com grande movimento. Você irá entregar o dinheiro, um fantoche meu irá receber o dinheiro e após duas horas será localizado pela polícia e preso. Agora virá a parte que apenas nós dois conhecemos. Nessas exatas duas horas, você irá usar o seu fundo empresarial para comprar um milhão de dólares em BitCoin. A compra será feita em um local público e você deverá estar sozinho. Se eu ver um policial por perto, sua noiva morre. Se eu ver Jiraya por perto, você morre. Então não cometa nenhuma besteira. Dentro do envelope tem um cartão, o cartão indica onde você irá comprar o resgate e para qual conta você efetuará o pagamento. Se durante essas duas horas você seguir as minhas instruções e realizar o pagamento, quando o meu fantoche for preso, eu irei enviar pessoalmente para o Capitão Hatake Kakashi a localização de sua noiva. Se o pagamento não for feito, sua noiva morre. Se você contar sobre essa chamada, sua noiva morre. Temos um acordo?
– Sim.
– Perfeito. Agora pegue o cartão no envelope, depois coloque a carta e o celular de volta e jogue o envelope no rio que corre quinze metros atrás de você. Em oito minutos nosso jogo começa.
As horas a seguir mais pareceram o roteiro de um filme. Cada minuto e cada ato da Polícia fora um teatro bem executado, a chamada para a casa de Naruto, a inútil tentativa de rastrear a chamada ou expor a voz quase robótica mascarada por diversos programas a um reconhecimento. A verdade é que Naruto não tinha nada. Agora, já não tinha mais nada e essa verdade era martelada na sua mente a cada segundo, no passado, a loucura e a soberba de Hiashi lhe custaram o relacionamento com Hinata, um filho e uma parte da sua vida que não poderia ser reposta. Ele sabia que no fundo, as ações de Hiashi ficariam marcadas até o fim, principalmente em Hinata, foram essas ações que tornaram a morte de Hanabi, algo pior até mesmo que o aborto. Seus pais foram levados, até mesmo suas memórias quase foram roubadas para sempre e agora Sakura quase havia sido levada enquanto Hinata estava longe de sua proteção.
Mas nada, absolutamente nada, fazia frente a todo aquele sentimento de impotência. Ninguém sabia como tudo aquilo tinha sido planejado, quantas pessoas foram necessárias afim de forjar um acidente de carro para encobrir um sequestro, dando horas preciosas para os sequestradores conseguirem consolidar o plano. A única pista que a polícia conseguiu os levou até um galpão velho cujo corpo de Hiashi apodrecia em um freezer e suas coisas permaneciam lá, perfeitamente organizadas como se ainda esperassem ser usadas por ele. Foi ele quem planejou o sequestro? Se sim, quem ele usou tinha planos próprios e eliminou a ponta solta e perigosa que Hiashi sempre foi... Correto?
Não. Hiashi não era um gênio do crime, as únicas infrações a lei que ele cometeu o deixou com uma dívida de milhões nas costas, devendo até a alma para a receita. E como se isso não fosse suficiente, adiantou a morte da filha que tanto tentou salvar e vendeu a outra por uma passagem para o resto da vida livre de problemas. Hiashi era idiota demais e presunçoso demais para planejar algo com tanto requinte e cuidado... Mas agora sua preocupação era outra, já estava quase na hora do encontro para o resgate falso e o olhar sério de Jiraya indicava que uma conversa séria vinha junto com ele.
– Você não pode estar pensando em seguir esse plano.
– E o que você sugere Jiraya? Que eu conte para a Polícia o que está acontecendo? Por Deus, você viu que eles não conseguiram nada com aquela ligação, nem um local, nem uma pista de quem é a pessoa por de trás daquela voz modificada. Nem mesmo uma imagem decente do acidente eles tem! Não temos nada, Jiraya. Nada! A única coisa que eu sei é que essas pessoas tem a Hinata e eu não estou disposto a arriscar nada disso.
– E você acha mesmo que tudo vai correr às mil maravilhas? Que esse segundo resgate milagroso vai te fazer ter Hinata de volta sem nenhuma consequência?
– Não importa. Realmente não me importa, eu troco de lugar com ela se for preciso e não me interessa mais nada.
Aquela parte acabou sendo mais rápida do que ele imaginava. Após deixar a mala com o dinheiro no ponto especificado na chamada que recebeu em casa mais cedo. Naruto se desfez do rastreador fornecido para a Polícia e em seguida, partiu em direção ao segundo ponto. Alguns minutos antes de chegar no local, seu celular tocou, uma ligação privada cuja única identificação era um “?” no display.
– Mudança de planos garoto. Abra o porta luvas do seu carro. – ele o fez.
– Mas o que?
– Foi colocado ai enquanto você ia para o ponto do primeiro resgate. Dentro desse frasco, tem uma única pílula. É um sonífero. Você vai parar o carro no estacionamento e vai tomar a pílula.
– E depois?
– Depois, nós teremos uma conversa.
Sem hesitar e sem pensar nas palavras de Jiraya. A primeira coisa que Naruto fez ao parar o carro no estacionamento foi tomar a droga e em questão de poucos minutos, sua visão já estava turva e o seu pensamento lento. Os últimos registros de sua mente antes do remédio o apagar, foi o som da porta do carro abrindo e a sensação de um pano cobrindo seu rosto enquanto alguém o puxava para fora do carro. Tudo que veio depois foram sonhos confusos e desconexos, até que algo forte o puxou para a realidade como uma queda de paraquedas. Seu coração parecia que ia explodir enquanto seus pulmões trabalhavam tão rápido que o ar lhe fugia. Ele olhou desesperado ao redor. Estava em uma sala, provavelmente de uma casa abandonada e inacabada devido ao estado das paredes e do chão. Mas o que chamava a sua atenção, era o homem sentado à sua frente. Um terno branco impecável, assim como os sapatos e a gravata, toda aquela falta de cor dava a impressão de que a pele daquele homem era ligada a roupa devido a sua palidez. Mas os cabelos compridos, lisos e negros davam tanto destaque a sua aparência quanto os olhos frios e de íris amareladas. Um sorriso malicioso se formou quando Naruto finalmente entendeu quem ele era e o que acontecia, o que fez Orochimaru se ajeitar melhor na poltrona vultuosa que estava ali especialmente para ele. Entre ele e Naruto, uma mesa de xadrez com algumas peças faltando, indicando que uma partida foi interrompida.
– Desculpe pelo choque, adrenalina pode ser desagradável. Mas não temos tempo para deixar você relaxar nos efeitos daquela droga.
– Eu devia saber que tem um dedo seu nisso tudo. Sua ganância sempre foi além, Orochimaru.
– Ora garoto, não se culpe. Nem mesmo meu velho amigo Jiraya conseguiu prever meus passos ou imaginar quem eu realmente sou. Pensando bem, toda essa situação só foi possível pelo simples fato de Jiraya se recusar a ver o que Tsunade viu em mim. O que foi realmente uma pena, afinal, um casamento tão belo e duradouro como aquele desabou por que ele se recusou a acreditar na própria esposa... Mas não vamos nos ater a Jiraya! Você tem muitas perguntas não tem? Vamos lá, ainda temos um tempo.
– Você faz isso parecer um jogo. – apenas agora Naruto percebia que não estava amarrado.
– Mas isso é um jogo meu garoto... Permita-me explicar. Vê esse tabuleiro? Imagine que cada uma dessas peças são um pedaço da sua vida, pessoas que fazem parte do seu dia a dia, pessoas que você ama ou pessoas que você nem mesmo deveria conhecer. Imagine então, que a cada movimento que eu faço nesse tabuleiro, eu mudo algo na sua vida. Você conhece alguém que originalmente não iria acontecer, isso desencadeia decisões que originalmente você não tomaria, o que modifica o seu futuro. Mas é ai que entra a beleza disso tudo, mudanças pequenas geralmente são corrigidas pelo curso da vida, mas quando as mudanças são grandes, o que as pessoas chamam de “destino” não consegue consertar. Vou começar com um exemplo pequeno. Por que eu não te amarrei? Por que sei que você não vai sair dessa cadeira sem que eu mande. Não com Hinata em minhas mãos, isso te torna manipulável, uma peça no meu tabuleiro. Tão descartável quanto um peão, mais tão valioso quanto uma rainha...
– Hiashi estava envolvido nisso? Foi ele quem planejou isso?
– Hiashi?! – a gargalhada de Orochimaru ecoou pela sala por vários minutos. – Não, Hiashi não planejou isso. Ele se achava tão importante quanto o rei do meu tabuleiro, mas tinha menos valor do que um peão. Afinal de contas, ele já tinha servido ao seu propósito e recebido sua recompensa. Ainda estaria vivo e bem de vida se não fosse tão idiota.
– Recompensa? Do que diabos você está falando?
– Das desgraças da sua vida é claro! – ele pegou um copo d´água que estava no braço da cadeira e o empurrou para Naruto. – Beba, você deve estar sedento... Continuando, a minha chance de ouro veio a um tempo atrás. Quando as minhas mãos só alcançavam as poucas ações que eu tinha da Sabaku, já que seus pais não confiavam em mim, por isso eu nunca consegui entrar no comando da Uzumaki. E então, o idiota do Hiashi entra no jogo, devendo a Deus e o mundo após as tentativas frustradas financiando remédios miraculosos para a doença da esposa e da filha, remédios que nunca funcionaram e só trouxeram dividas exorbitantes que logo sugaram a Hyuuga Tech. Em um primeiro momento, tudo que eu fiz foi usar um peão meu para comprar a dívida de Hiashi e se apossar da Hyuuga, dessa forma, hora ou outra a Uzumaki teria que se abrir para mim. E então vem a oportunidade perfeita quando Hiashi oferece a própria filha como pagamento e eu descubro que Hinata está grávida justamente de você, Uzumaki Naruto.
– Não... Você não está dizendo que...
– Sim. Eu puxei as cordas. Coloquei Hiashi contra a parede e você também. Fazendo meu peão recusar a sua proposta e pedindo um valor exorbitante, eu sabia que você iria recorrer a venda da sua parte da Uzumaki. E eu também sabia que como você não era burro, ofereceria essas ações a Gaara, com a Sabaku entrando na Uzumaki, eu teria tudo! Economizaria anos de trabalho para meter a mão naquela empresa. Enquanto o negócio era feito, eu pressionei Hiashi para que ele fizesse Hinata abortar, algo que ele não queria fazer inicialmente, afinal aquela criança seria seu filho, dessa forma ele poderia sugar o seu dinheiro de alguma forma. Mas rapidamente consegui contornar isso. Uma vez o aborto feito, eu afastaria você de Hinata, tiraria Hiashi do jogo e ainda me livraria mais rápido daquela peste da sua cunhada. Enquanto você estivesse longe, Jiraya tiraria os olhos de mim e se focaria totalmente em você e nos seus pais. Isso me deu espaço para planejar meticulosamente o assassinato dos seus pais usando venenos poderosos em doses imperceptíveis que ocasionalmente, fizeram seu pai perder o controle do carro. Então eu armei para Jiraya, uma armação simples para afastá-lo de você por tempo suficiente. O único contratempo que tive foi a sua amnésia, já que eu preciso das suas memórias. Confesso que não esperava uma volta tão rápida do relacionamento de vocês, e nem que você colocaria outra vez, um filho seu em minhas mãos. Mas, são essas surpresas que deixam o jogo emocionante!
A verdade veio nua e crua. Contada de uma forma tão fria e simplória que fez Naruto quase vomitar. Para Orochimaru, cada um daqueles detalhes, eram exatamente isso, detalhes. Coisas desprovidas de sentimentos. A raiva fervia no peito de Naruto, dando a impressão de que ele acabara de tomar outra injeção de adrenalina. Mas ele se segurou e manteve-se sentado.
– Por que tudo isso? Por que esse interesse na Uzumaki?
– Por que, apesar da política não armamentista da sua mãe. A Uzumaki detêm patentes tecnológicas que revolucionariam o mercado das armas. Você não faz ideia do que as grandes potências pagariam por essas tecnologias garoto. Do poder que elas trazem e esse tempo todo a sua mãe manteve esse poder guardado e isolado para que ninguém o possuísse. É por isso que eu preciso de você. As patentes, os documentos e os projetos, estão todos guardados no cofre pessoal dos seus pais que apenas você sabe onde está. E você vai pegá-los para mim.
– Você deve realmente estar muito convencido do seu controle não é? O que te faz pensar que eu vou dançar perfeitamente conforme a sua música e não vou arrumar uma forma de sabotar o seu plano?
– Eu realmente queria que você fizesse essa pergunta! Do contrário, todo o sofrimento da nossa querida Hinata seria em vão!
– O QUE VOCÊ FEZ?
– Acalme-se! Antes que você se exalte mais, o que estamos prestes a ver, é apenas uma gravação que eu fiz a algumas horas. O estado atual dela, você vai ter que adivinhar após o vídeo.
Os poucos segundos de silêncio naquele quarto, fizeram Naruto admitir, aquele homem era pior que uma cobra. O modo sorrateiro de andar, as palavras carregadas de veneno. O modo de encarar as pessoas, estudando-as como potenciais presas e nada além disso. Aquele homem estava centenas de passos à frente de qualquer pensamento que Naruto pudesse formular e agora ele veria o preço de cada provocação que viesse a seguir. Com a ajuda de um suporte móvel, uma TV generosa foi arrastada para a frente de Naruto, pegando o lugar onde antes estava o tabuleiro de xadrez. Quando ligada, a gravação exibiu um quarto igualmente deteriorado pelo tempo, indicando que Hinata deveria estar em algum lugar daquela casa. Amarrada a uma cadeira com duas pulseiras presas aos pulsos, ele sentiu o coração apertar ao ver que embora ela não estivesse tão machucada quanto Sakura, o acidente também havia cobrado um preço a ela, um corte no rosto, outros tantos no braço direito e hematomas que pipocavam para onde ele olhasse.
– Muito bem querida. Vamos esclarecer algumas coisas, ok? Essas pulseiras vão conduzir choques elétricos pontuais por você. Quando os danos por choque se tornarem perigosos para o seu bebê, outros tipos de tortura podem ser usadas.
– T-Torturas p-para que?
– Para manter a mente do seu noivo focado. Agora vamos começar.
Por uma hora, Naruto assistiu a algo que o fez por várias vezes pular da cadeira e matar Orochimaru ele mesmo. A cada grito de dor ou pedido de piedade que ela fazia, a raiva de Naruto aumentava e ficava mais difícil de se controlar. Quando os choques acabaram e as pulseiras foram tiradas deixando queimaduras nos pulsos de Hinata, facas e água gelada para causar hipotermia foram usadas. A tortura apenas terminou quando Orochimaru se sentiu satisfeito com o quanto Hinata gritava para Naruto o escutasse e que fizesse o que ele mandasse.
– Não se preocupe, ela vai sobreviver, assim como o seu bebê. Mas não posso garantir nada em caso de uma nova seção ser necessária.
– NÃO! Por favor! Eu faço tudo o que você quiser, eu te trago tudo que tiver naquele cofre, mas por favor, não faça nada a ela!
– Pronto, viu, eu não disse que quando mexemos a peça certa, tudo pode ser manipulado?
– Eu posso vê-la? Apenas uma vez?
– Sim. Venha comigo.
O sorriso satisfeito de Orochimaru confirmava que ele tinha conseguido o que mais almejava naquele momento, destruir o espírito de Naruto. Envolvê-lo em uma manta de medo e pavor, não por ele é verdade, mas por quem sempre foi a sua maior fraqueza. Ver Hinata chorar de dor a cada choque, encarar seus olhos vidrados e desesperados, ouvir seus gritos a cada corte ou presenciar o quanto seu corpo doía a cada jato de água quase congelada, a forma como seus pulmões implorava por um oxigênio que quase não vinha. O trajeto foi curto e após alguns passos apenas, um simples abrir de uma porta foi o suficiente para trazer Hinata ao seu alcance. Deitada em uma cama com um cobertor tão fino que chegava a ser patético e apenas alguns cortes devidamente tratados enquanto outros exibiam rastros de sangue seco com uma vermelhidão ao redor indicando o quanto a área deveria estar dolorida, ela estava completamente apagada e após ver o final do vídeo quando o olhar dela já não tinha mais nenhum traço de lucidez, ele não estranhou. As lágrimas vieram em seguida, aplacadas pelo medo de perde-la outra vez. Medo esse que tentava com sucesso abafar a raiva que voltava a gritar no peito de Naruto. Queria fazer algo, precisava fazer algo. Mas sabia que qualquer imposição não seria aceita por Orochimaru e só acarretaria em mais dor para Hinata. Tudo que ele poderia fazer agora, é acreditar que de alguma forma, alguém o acharia e com uma imensa sorte, enfiaria uma bala na testa de Orochimaru.
Por outro lado, ele deu a Naruto tempo suficiente ao lado de Hinata, tempo para ele comprovar que ela ainda respirava, que apesar de toda a tortura, ela ainda estava viva. Tempo também para que ele tentasse se recuperar de um choque que não passaria, afinal, ele sabia que fisicamente e externamente ela poderia se recuperar. Mas não sabia até que ponto a gravidez poderia ter sido afetada e como eles já tinham sido avisados, qualquer dano ao útero dela, com toda certeza a deixaria estéril e isso era algo que destruiria Hinata de uma forma que ele não poderia concertar e nem mesmo remendar.
– Muito bem já te dei tempo suficiente e –
Tudo aconteceu tão rápido que o único reflexo que Naruto conseguiu executar foi o de proteger Hinata com seu próprio corpo. Quando Orochimaru virou-se para a porta a fim de levar Naruto consigo, sons de passos foram ouvidos e em seguida um tiro ecoou pelo quarto. As lágrimas já retornavam a Naruto enquanto sua mente trabalhava pressionada pelo medo, calculando as maneiras as quais Hinata poderia ser ainda mais machucada.
– NÃO, NÃO, NÃO! ISSO É IMPOSSÍVEL! NÃO TEM COMO VOCÊ TER PREVISTO ISSO!
O grito desesperado e instável de Orochimaru fez Naruto observá-lo. O terno antes impecavelmente branco, agora era machado pelo vermelho carmesim do seu próprio sangue vindo do ferimento no ombro esquerdo. Só então Naruto arriscou um olhar para a porta e ao ver aquela silhueta conhecida, seu corpo desabou em um alivio e uma súbita alegria tão intensos que ele poderia simplesmente desmaiar ali mesmo. Era Jiraya ali, de pé na porta com uma arma em punho. Fumaça ainda saia do cano indicando que foi ele o autor do disparo e algoz de Orochimaru.
– Eu devia ter feito isso anos atrás. Quantas mortes e quantas conspirações eu teria evitado se tivesse dado ouvidos a Tsunade e metido uma bala nessa sua cabeça? Quando você se tornou... Isso. Orochimaru?
– Quando? – a risada ecoou pelo quarto. – Você é mesmo um velho patético Jiraya! Tanto você quanto Tsunade que pelo menos, foi menos idiota que você! Eu SEMPRE fui isso, sempre fui eu a controlar tudo, a ver tudo. A merecer TUDO! E você não vai tirar isso de mim!
– Bom, não sei como você espera sair daqui. Afinal, suas chances não são muito boas.
– KABUTO!
– Ora pelo amor de Deus, Orochimaru. Eu posso ter sido um cego durante todos esses anos. Mas não sou tão idiota assim. Você se deliciou tanto em torturar Naruto que nem percebeu a ausência do seu comparsa. Eu já estou aqui a quase uma hora, só não te matei antes por que precisava saber se era apenas você e o garoto.
Um movimento com a mão em direção a cintura e então outro tiro ecoou pelo quarto antes que Orochimaru pudesse pegar sua arma. A bala atravessou a mão direita e o abdômen.
– Acho que a morte é boa demais para você, não acha? Mas é perigoso demais deixar uma cobra como você viva por ai. Na primeira improvável chance que você conseguir e a cadeia não te seguraria mais.
– Você não pode! É você quem vai passar o resto da vida enjaulado se me matar! Você não tem coragem para isso Jiraya! Você nunca foi homem suficiente para tais decisões. Se você fosse, Tsunade não teria te largado, Minato e Kushina ainda estariam vivos e agora seu afilhado teria um filho no colo ao invés de lutar pela sobrevivência de um outro que ainda vai se formar! Você não –
Quando o terceiro tiro ecoou pelo quarto. Veio seguido pelo som metálico da pistola encontrando o chão cimentado. Naruto arriscou um olhar, um rastro fino de sangue corria ao redor do buraco na testa enquanto um rastro vermelho corria pela parede atrás do corpo. Um misto de nojo e alívio corriam por Naruto enquanto ele inconscientemente abraça Hinata com um pouco mais de força, como se ela pudesse simplesmente desaparecer se ele não o fizesse.
– Era por algo assim, por pessoas assim, que a sua mãe sempre controlou a Uzumaki com mãos de ferro. Contratos militares extremamente pensados e controlados sempre mantendo as tecnologias mais perigosas bem guardadas e distantes das mãos erradas. Por que esse, é o resultado de poder demasiado, Naruto. A loucura é algo perigoso, ela te engana, te ilude e distorce a sua visão... – ele levou uma mão ao ombro de Naruto. – Me desculpe meu filho, eu devia ter feito isso a muito tempo. Teria lhe poupado muita dor. Não apenas a você. Por isso, não culpe a você por isso, culpe a mim pela dor de Hinata. Leve para você apenas o sentimento que te mantêm tão firmemente abraçado a ela. Apenas esse amor.
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