Entre o Amor e a Música.
37 Capítulo Final
Notas iniciais
Tudo estava errado. Era como se a vida tivesse traçado uma linha para ele e colocado atrás dela tudo o que ele mais desejava apenas para puni-lo a cada tentativa de cruzá-la. Odiava aquele lugar, odiava o branco do chão e das paredes do hospital. Odiava o cheiro, e odiava ainda mais, a sensação que aquele lugar trazia. Tudo isso sem levar em consideração o maldito destino, que parecia brincar com todo o seu esforço. Não importava o quanto ele amasse Hinata, o quanto cuidasse dela, ou o quanto lutasse para protegê-la, algo sempre tornava a vida e história deles mais triste.
– Uzumaki-san? – ele apenas encarou o médico. – Eu sei que o senhor está aflito por notícias e peço desculpas pelo atraso. Sua noiva passou por vários exames e nada de grava aconteceu a ela ou ao bebê. Ela chegou aqui esgotada, precisamos sedá-la para que ela pudesse descansar. Nossa maior preocupação por enquanto, é o bebê, já que foi um milagre o corpo dela ter aguentado manter a gestação após esse acidente. Fora isso, ela teve apenas uma luxação no joelho devido ao acidente e alguns cortes que foram devidamente suturados e tratados. Infelizmente, não pude prescrever nada forte para a dor, devido ao estado frágil em que seu corpo está por causa das drogas administradas nela durante o período em cativeiro.
– Eu posso vê-la?
– Lamento, mas ainda não. Quando for possível, você será avisado. E sinta-se à vontade para pedir qualquer informação.
Mal o médico deixou o corredor, Sasuke apareceu com um copo de café quente na mão, o entregou a Naruto e sentou ao seu lado.
– E então? Como ela está?
– Aparentemente bem, mas eu não sei o que vai acontecer. Até agora não há problemas com a gravidez. Tudo que eu posso fazer é esperar que continue assim. Alguma novidade sobre a Sakura?
– Não.
Uma simples encarada em Sasuke era o suficiente para ele perceber o quão absurdo tudo aquilo era. Mesmo Sasuke, que era de longe o mais “frio” do grupo, tinha um semblante cansado e esgotado. A verdade era que ele estava apavorado.
– Sempre foi assim? – perguntou Sasuke.
– O quê?
– Essa sensação. Esse pavor. Esse medo de que tudo vai acabar sem você ter ao menos uma chance de fazer uma maldita despedida, é isso que você sentiu nesses meses?
– Sim. Agora você sabe como foi para mim nos últimos tempos. Embora eu realmente deseje que ninguém tenha que passar por isso. Ainda mais você.
– Não deixo de pensar que tudo foi minha culpa. Meu Deus... — Sasuke esfregou o rosto com as mãos — Minha Sakura, Naruto... — Lágrimas corriam de seus olhos vermelhos pela falta de sono. Naruto o consolou com seu silêncio.
Horas após a conversa com Sasuke, Naruto finalmente pôde ver Hinata, mesmo que ela ainda estivesse inconsciente. E por mais frustrante que fosse não poder falar com ela e ter certeza que de alguma forma ela estava bem, o ar mais tranquilo que ela tinha, mesmo em um momento como aquele já foi mais do que o suficiente para tranquiliza-lo.
O retorno à realidade foi gradual e de certa forma, bem mais fácil do que Naruto imaginou. Na primeira semana após o sequestro, muito havia sido modificado na Uzumaki e agora sem a interferência de Orochimaru, logo tudo estava voltando ao seu curso original. Foi também apenas após a primeira semana que Hinata voltou para casa após os dias no hospital, sempre aos cuidados de Ino que se dividia entre Hinata e Sakura.
A jovem médica ainda estava internada, mas fora de perigo. O acidente havia trazido mais prejuízos a ela, algo que devia estar nos planos de Orochimaru.
– Sakura, já pedi para você não estudar aqui. — Ino a julgava da entrada do quarto ao vê-la rodeada por livros.
– Eu quero recuperar minhas notas, esse tempo aqui pode ter me custado algumas disciplinas se eu não tentar correr atrás.
– Sasuke cuidou disso ao enviar relatórios de seu estado clínico para a faculdade. — Ino a observou atentamente ao falar sobre ele.
– Você pode tomar conta disso no lugar dele? — Sakura não a encarou ao trazer a questão à tona.
–Sakura...
– Não teremos essa conversa, Ino. Depois do que eu soube que você falou a ele, pensei que me apoiaria.
– Eu só estava apavorada e descontei nele. Sasuke tem todo o direito de, pelo menos, algumas justificativas vindas de você. Como pode simplesmente proibi-lo de entrar no quarto antes que ele pudesse sequer ver seu rosto.
– Só estou tornando esse momento mais fácil. Eu e ele não estávamos bem... Minha vida precisa seguir os próximos passos, não ficar estagnada. — Lágrimas desciam abundantemente do rosto dela — Eu mereço um pouco mais que migalhas, Ino. Mereço uma casa, uma família, um futuro. Eu recebi uma proposta de bolsa em Londres algumas semanas antes do acidente. Estou indo embora logo que fizer algumas provas na faculdade.
– Sakura...
– O caralho que você vai! — Sasuke entrou exaltado.
– O que faz aqui? — Sakura não o olhou, sabia que colocaria tudo a perder se o fizesse.
– Ino, saia. — Sasuke pediu em um tom nunca usado com ela antes, fazendo-a sair sem argumentar. — Sakura, eu tentei respeitar sua vontade, mas você está sendo ridícula.
– Saia.
– Não.
– Você não tem esse direito.
– Eu sou Uchiha Sasuke, tenho todos os direitos humanamente possíveis. Não irei sair até que nos entendamos.
– Não torne isso mais difícil, Sasuke-kun. — Sakura o encarou pela primeira vez e doeu intensamente ver aquela expressão no rosto dela. — Não podemos continuar algo que já está acabado. Eu tinha certeza que você viria depois com todo esse olhar de culpa. Acontece que nada do que me aconteceu é sua culpa e eu não sou uma mulher que faz o tipo de fardo. Não use o seu nome, porque ele não tem efeito algum sobre mim. Por favor, me respeite e saia. Eu imploro. — Sakura voltou a chorar silenciosamente, mas não desviou o olhar. Sasuke, surpreendendo-a, caiu no chão de joelhos.
– Sou eu a implorar. Não me deixe.
– Sasuke, não faça isso.
– Seu acidente teve sim efeito sobre mim, ao me fazer perceber como minha vida não tem significado sem você nela. Você é a primeira pessoa a quem eu imploro. Fique. Fique comigo, pelo amor de Deus. Case-se comigo. — Ele sussurrou em meio a lágrimas.
– Sasuke...
– Eu quero passar minha vida com você, Sakura. Casado ou não, eu quero uma vida nossa. Não vejo muito significado na cerimônia, mas se isso significa para o mundo inteiro o maior laço de união que existe, que ele aconteça o quanto antes. Eu não estou pedindo para nos casarmos. Eu estou implorando. Eu amo você, Sakura. Não duvide disso.
– Eu...
– Só diga que sim.
– Sim.
– Não irá mais embora?
– Só levante desse chão, por favor.
– Se você me der um beijo.
– Só levante! — Sakura riu entre últimas e novas lágrimas, essas de alegria.
A maior ajuda que Naruto poderia receber, veio de alguém que ele nunca imaginou, principalmente depois de tanto tempo. Com a morte de Orochimaru, era a primeira vez que Naruto via Tsunade desde a sua infância, quando ela deixou Jiraya e desapareceu no mundo. Era a primeira vez, também, que ele via seu padrinho verdadeiramente feliz. Nunca perguntara a Jiraya o porquê de Tsunade ter partido ou se ele ainda a esperava, sempre tivera medo do que as perguntas poderiam fazer a Jiraya, já que Minato, por mais próximo que fosse, também evitava tocar no assunto. Ela tinha envelhecido, não era mais como ele se lembrava, mais ainda sustentava uma beleza incompatível para alguém da idade. O jeito dela também tinha mudado e agora se parecia com o próprio Jiraya. Palavras medidas e certeiras, atitudes um tanto quanto contidas e um olhar carregado de pesares e arrependimentos. Naruto mesmo quase não conversou com Tsunade, mas viu que as conversas dela com Hinata tinham afetado a garota. Talvez fosse o choque de realidade que o sequestro trouxe, ou a simples presença de uma mulher mais velha e experiente, coisa que no fundo, Hinata nunca teve graças à saúde da mãe.
Era a primeira vez que ele via Jiraya tão empolgado com um simples dia de trabalho ou com detalhes simples da própria rotina, não sabia se ele e Tsunade tinham realmente reatado o relacionamento deles, mas pelo tanto que ele e a própria Tsunade haviam mudado em alguns dias na companhia um do outro, não tinha realmente necessidade de perguntar tal coisa. Na segunda semana após o sequestro, os problemas ainda continuavam acumulados. Após cuidar da Uzumaki e acompanhar Hinata de longe, a imprensa caiu em cima de Ino como nunca após alguém na Polícia vender para uma revista, toda a informação do sequestro, o que repercutiu no Japão e no mundo. Controlar a imprensa foi de longe o mais difícil. Naruto acabou optando por conceder uma entrevista coletiva ao lado de Sasuke, que era outro integrante da banda atingido pelos acontecimentos devido a Sakura.
– Bem vindos à entrevista que o setor empresarial da Midnight decidiu promover tendo em vista os últimos acontecimentos envolvendo diretamentr dois de nossos integrantes. Pelo fato dos outros não terem sido atingidos de uma forma mais direta, eles estarão aqui, mas não participarão. Peço um pouco de paciência e tato pela situação que nossos músicos passaram e estão passando.
– Uzumaki, é verdade que sua noiva foi sequestrada por um membro conspirador de sua empresa?
– Sim.
– Uchiha, sua(agora) noiva foi vítima do mesmo acontecimento?
– De forma indireta, sim. O plano dos sequestradores envolvia Sakura ao fazer com que um acidente a deixasse gravemente ferida para que Hinata pudesse ser levada sem maiores suspeitas iniciais.
– Qual o atual estado de Haruno?
– Ela está fora de perigo e descansando em casa.
– Vocês estão morando juntos?
– Sakura mora sozinha e precisa de cuidados — ele suspirou — sim, estamos.
– O acidente foi a causa do seu noivado?
– Não, meu amor pela minha noiva foi a causa do nosso noivado. — Sasuke respondeu sem pestanejar.
– O bebê de Hyuuga passa bem?
– Sim.
– Ela foi torturada pelo sequestrador?
– Prefiro não entrar em detalhes sobre o que minha mulher passou em cativeiro. Hinata e Sakura passam bem e estão se recuperando gradativamente. É necessária a ajuda de todos vocês nesse processo. Deixem que elas tenham um pouco de privacidade. Elas estão assustadas e marcadas por um acontecimento infeliz. A Midnight não será negligenciada e toda a mídia receberá constantes notícias de nosso setor de relações.
Foi também a primeira vez que Naruto viu o lado bom dos seus fãs pessoalmente. Após a exibição da entrevista em vários canais de televisão e na internet, ele perdeu a conta de quantas mensagens de apoio Hinata tinha recebido. Mas, de todas as coisas que aconteceram nas três semanas após o sequestro, nada o surpreendeu mais do que a própria Hinata. Todo o ocorrido durante o sequestro, o terror psicológico feito por Orochimaru, os machucados feitos pelo acidente e também pela tortura tinham tudo para fechar Hinata em uma casca dura demais para Naruto arrancar, mas no fundo, a Hinata de agora lembrava muito mais a de antigamente. Talvez o esforço de Naruto para resgatá-la, a preocupação de Ino e Sakura, as conversas com Tsunade e principalmente, a gravidez que agora enfim a tocava de uma maneira diferente. Ele percebeu que algo mudara nela, no final da primeira semana, quando durante a noite, ela se juntou a ele na sala e sem dizer uma palavra por horas, apenas esperou ele terminar tudo o que tinha de pendente para conversar sobre o que aconteceu com ela. Era a primeira vez que ela se abria voluntariamente e com tanta certeza sobre algo. E mesmo que no começo, ele não queria que ela pensasse no sequestro, acabou sendo induzido a motivar a conversa quando ela expôs as suas preocupações com a gravidez.
Nos primeiros dias após a gravidez ser confirmada, ela tinha ficado presa em um círculo de culpa e medo, convencendo a si mesma de que não seria capaz de sustentar aquele bebê. Ao contar as lembranças do sequestro, foi a primeira vez que Naruto ouviu Hinata expor carinho e alegria por estar grávida. E foi em uma conversa dessas alguns dias após, que ela disse ter fingido desmaiar algumas vezes durante o sequestro, induzindo Orochimaru a machucar somente ela. Foi também a primeira vez em anos, que Naruto viu Hinata tomando decisões de forma firme e segura. Graças a ela Hiashi teve um enterro, mesmo sendo distante do cemitério onde o resto da família repousava. Naquele dia, após resolver o que era necessário para o enterro do pai, Hinata ainda fora conversar com Neji, deixando claro que após ele resolver suas pendências psicológicas eles poderiam voltar a ser como uma família e reunir os pedaços que restavam dela.
– É engraçado... – ela se ajeitou no colo dele, de forma que pudesse ver melhor o pôr do sol na praia.
– O quê?
– Como foi preciso eu correr o risco de morrer para finalmente entender o porquê de Hanabi ter passado os últimos dias dela com um sorriso no rosto... Antes... Naqueles dias depois do aborto, nos dias depois da Hanabi... Os poucos momentos que eu tinha com você, fossem naquelas discussões, nas ofensas, ou nas vezes em que eu me escondia em casa para ver um show ao vivo de vocês, ver você era o suficiente para mim. Saber que você estava ali, vivo, respirando. Isso era o suficiente. Eu queria continuar viva, queria seguir em frente mesmo com toda aquela dor e todo aquele medo e até agora eu nunca tinha entendido que tudo o que me mantinha aqui era você. Que mesmo me odiando, de uma forma você estava ao meu alcance. Quando aquele homem veio com todo aquela conversa, expondo todos os seus planos e a sua visão distorcida do mundo, a minha cabeça só pensava em como sair dali, como ficar viva para um dia poder ter o prazer de olhar para o nosso bebê. Não era a morte que me amedrontava, Naruto... Era o fato de que, se eu morresse ali, não poderia mais te ver.
– É... É bem a cara da sua irmã pensar nisso tudo nos últimos dias dela. – respondeu ele rindo e fazendo-a emburrar a cara.
– Eu estou aqui me abrindo e você fazendo piada! – respondeu ela em protesto beliscando a perna dele.
– Desculpe! — ele riu alto, a abraçando forte.
– Você entendeu o que eu quis dizer! Hanabi sempre dizia que eu era o motivo dela conseguir resistir a doença e o médico achava que essa vontade de viver dela era decisiva para prolongar seu tempo. Eu sempre soube disso, do quanto você é importante para mim. Mas depois de tudo que aconteceu, o medo me dominou por muito tempo. E sempre que eu tentava escapar, algo me fazia regredir.
– Essas suas reflexões... Por que eu tenho a impressão de que elas são fruto das conversas que você teve com a Tsunade?
– Algumas realmente são. Outras vieram quando eu vi o quanto aquele cara era certo sobre si. A forma como ele controlava tudo, no começo me assustava, mas depois das conversas com a Tsunade eu percebi que sempre quis ter um pouco daquela força. Estar certa sobre o que eu quero, sem hesitar, sem sucumbir ao medo. A Sakura acha que eu na verdade estou maluca, mas no fundo, eu já me condenei por tanta coisa, Naruto... Já tive medo de mim mesma tantas vezes. Se isso continuasse, eu não conseguiria ser uma boa mãe para esse bebê e muito menos ser sua esposa. Fui minha própria inimiga por tanto tempo, que esse sequestro foi um choque. Pela primeira vez em tanto tempo eu consegui lutar por algo com tudo que eu tenho. Eu sei que talvez amanhã, ou daqui a uma semana ou mês, ou um ano, eu me veja presa ao passado como antes... Mas agora que eu já sei o caminho de volta, não acho que você vá me perder outra vez.
– Essas são ótimas palavras. E você não tem ideia do quanto eu esperei para ouvi-las. Você é a mulher mais forte que eu conheci a vida inteira. Se pararmos para fazer um balanço de tudo que você passou, veríamos que você é muito mais do que a imagem que o tempo fez você construir de si mesma. Não aceitaria alguém além de você para dedicar a minha vida e fidelidade pelo resgo dos meus dias. Você não tem ideia do quanto eu a admiro e venero. — ele a olhou intensamente, selando sua boca com um beijo lento e carregado de todo o amor que ele podia demonstrar com o gesto.
Com o passar dos meses, Jiraya testemunhava algo que para ele, era um motivo de alegria maior que a sua própria felicidade. Graças a Uzumaki, ele não conseguia acompanhar a vida do afilhado com a devida presença, mas ao menos uma vez a cada semana, dava um jeito para fazer uma visita. Agora, com a volta de Tsunade e sua vida voltando aos trilhos, seus momentos de “pai coruja” se resumiam em ver como o afilhado estava se saindo como pai de primeira viagem, cuidando da noiva como se ela fosse quebrar a qualquer momento e realizando os desejos estranhos e absurdos que Hinata tinha com comida e toda a maratona que Naruto era obrigado a fazer, por vezes durante a madrugada, para cumpri-los.
– Aonde está indo? — Jiraya perguntou ao afilhado quando o viu descer as escadas com as chaves do carro em mãos.
– São duas da manhã, moleque. — Tsunade argumentou. Ela e Jiraya estavam jogando poker em uma mesa improvisada na sala.
– Hinata está com desejo. Alguém sabe onde posso encontrar rolinhos primavera e suco de tomate a essa hora da noite?
– Boa sorte. — os dois disseram em uníssono e voltaram ao jogo antes que pudessem ser escalados para participar da jornada.
Jiraya adorava ver como ele fazia tudo sem pestanejar e com uma alegria quase cômica.
Se Naruto quase não mudara durante os primeiros meses da gravidez, ele não poderia dizer o mesmo de Hinata. Mesmo conhecendo a família Hyuuga há tanto tempo, era a primeira vez que ele via um deles verdadeiramente feliz após a falecida esposa de Hiashi. Para ele, era como se algo sombrio sempre seguisse aquela família. Ver que Hinata tinha se libertado da sina que perseguia sua linhagem, era maravilhoso.
O casamento de Sakura e Sasuke acabou vindo mais cedo que o previsto. A cerimônia havia sido realizada em um templo mo interior da cidade, cercado por uma vegetação linda de primavera onde folhas de Sakura caíam por todo lugar.
– Como está a gestação? — Sakura perguntou ao abraçar a amiga. A jovem médica estava deslumbrante em um vestido rendado e colado ao corpo.
– Os enjoos diminuíram e de acordo com os médicos temos tudo sob controle, mas Naruto não me deixa em paz. — Hinata riu.
– Típico dele. -Sasuke chegou, abraçando a esposa por trás.
– O que é típico? — Naruto chegou e beijou a têmpora de Hinata. — não acha melhor sentar? Você está em pé faz tempo, pode ficar doente.
– Quer parar de sufocá-la? — Sasuke revirou os olhos.
– Cale a boca.
– A gravidez a torna mais linda ainda, Hina. — Sakura sorriu.
– Naruto vive ne dizendo isso, mas não acho que possa contar com a opinião suspeita dele. — ela riu — E você está deslumbrante hoje. Aproveitem nosso presente e sejam felizes. — ela disse se referindo à viagem de lua de mel que eles deram.
– Não acredito que você lembrou da conversa que tivemos sobre não termos tempo de organizarmos a viagem. Obrigado. — Sasuke soltou a esposa e deu um abraço na morena.
– Não tenho muitas ocupações, seria fácil lembrar. — ela piscou.
Para Naruto, o tempo passou muito mais rápido do que ele imaginara. Tinha combinado com Hinata desde o segundo mês de gravidez que eles iriam querer surpresa quanto ao sexo do bebê. Apenas Sakura sabia, por ter acompanhado Hinata a uma ultra. O que ele imaginava ser um longo caminho até o nascimento do bebê, acabou sendo extremamente rápido devido à rotina corrida que tinha com Hinata. Ele se desdobrava em vários para dar conta da empresa, da banda e da gravidez dela. A gestação da noiva se tornou sensação entre as fãs da banda, por isso eles tinham várias sessões fotográficas para satisfazer a mídia.
– Eu estou curiosa — Naruto escutou Hinata sussurrar. Ela estava sentada na poltrona branca do quarto do bebê. — Não vejo a hora de você chegar e preencher esse quarto. Papai está muito ocupado, você sabe, atarefado com tantos trabalhos. Mas ele também está muito ansioso com a sua chegada. — Naruto sabia ser um costume dela conversar com o bebê. Ele ficava encantado e nunca se denuncia a, assistindo por horas se o deixassem fazê-lo.
O dia do nascimento chegou e ele, que não acreditava se tornar mais feliz, atingiu o ápice da alegria. Após tantas reviravoltas, tantas feridas e tantos desastres, ele poderia finalmente relaxar e descansar um pouco para aproveitar seu momento. Estava tudo ali, estampado nos olhos dela, o quão amado aquele bebê seria e que a partir daquele momento, toda a preocupação deles seria direcionado apenas aquela pequena vida. Hinata deu à luz a uma pequena garotinha idêntica à mãe e tão manhosa quanto. O parto foi difícil para Hinata, o que a obrigou a ficar alguns dias no hospital devido ao estado delicado que a gravidez sempre teve.
Foi a primeira vez, que aquela casa foi preenchida com toda a alegria que ela originalmente sustentaria. Pela primeira vez, o berço foi usado, todos os novos bichos de pelúcia e brinquedos tinham enfim, uma dona. Agora era a hora onde as tomadas estariam sempre protegidas, o fogão sempre isolado, assim como a porta que impedia o acesso a escada estaria sempre fechada. Era a primeira vez que Naruto era acordado pelo choro vindo do outro lado do corredor e também pela babá eletrônica no criado mudo.
– Ei princesa. — Naruto a pegou do berço e instantaneamente ela se calou. — Mamãe está muito cansada, você podia colaborar hoje, hein? — a menina o olhava curiosa, atenta às suas palavras. — Que tal uma música?
Os primeiros passos de Hikari vieram logo após o primeiro ano. As mudanças na casa agora eram ainda maiores, as mesas de vidro tinham perdido seu lugar. Os porta-retratos agora dividiam espaço pendurados nas paredes ou na estante da sala. A mesa de centro dera lugar a um espaço vazio e emborrachado com peças coloridas. Agora as pesadas portas de correr nos fundos da sala, estavam sempre trancadas, assim como a piscina ficava devidamente isolada. O primeiro dia de Naruto totalmente sozinho com a filha veio quando Hinata retomou a faculdade e aos poucos ela passava a fazer parte também da Midnight que sempre tinha seus ensaios interrompidos pela curiosidade dela ou pela preocupação excessiva de Ino que fazia tanto Hikari, quanto os garotos irem sempre a diversos ataques de riso.
– Vocês não devem dar essa comida a ela! Se Hinata desconfiar, os mata! — ela ralhou ao tirar um donut da mão da menina.
– O que mamãe não vê, mamãe não sente, não é? — Sasuke piscou para Hikari, que gargalhou em resposta.
Mas foi no primeiro dia de escola, logo após completar cinco anos, que Hikari parou completamente a vida dos pais. Principalmente a da mãe, que cancelara diversos compromissos no escritório de advocacia que trabalhava apenas para ver pela primeira vez aquela garotinha pequena e bagunceira, correr em direção a um grupo de crianças. Foi ao ver Hikari e Hinata feliz, que Naruto percebeu o quão vago o passado antes delas havia sido. Aos poucos, aquela criança ia apagando as histórias ruins e curando a mãe de uma maneira que Naruto jamais imaginou ser possível.
– Eu disse que você seria uma ótima mãe.
Foi a única coisa que ele disse enquanto a abraçava pelas costas, ganhando um beijo e um sorriso como resposta enquanto algumas lágrimas contidas escapavam pelo rosto de Hinata. Afinal, aquela era a felicidade que ela tanto procurou durante a vida. E nada, iria leva-los novamente a tristeza daquele passado.
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