Entre o Amor e a Música.
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Após todos os acontecimentos no dia anterior as coisas pareciam melhorar. Acabou que Naruto não conseguiu ver Jiraya como o combinado e isso acabou ficando para as próximas horas. Quanto à Hinata, as coisas pareciam estar um pouco melhores, Sakura havia indicado a Naruto o melhor médico disponível para casos como o dela e já havia uma consulta marcada para dali a exatos quatro dias. Agora, porém, ele desobedecia as recomendações de Sakura para acatar um dos desejos de Hinata. Fazia horas que ela estava o torturando mentalmente pedindo algo doce e após praticamente implorar de todos os jeitos ela finalmente conseguiu fazer com que ele fosse para a cozinha preparar uma sobremesa de frutas vermelhas.
— Naruto, por favor!
— Não! Está quente! Espera esfriar!
— Isso é maldade! – Dizia ela enquanto tentava passar por ele para chegar até a tigela sob o balcão.
— Não vai passar! – Ele disse rindo. – Eu já desobedeci às ordens da Sakura, então ao menos espere esfriar para você comer!
Claramente vencida ela o abraçou fazendo bico e resmungando até que após algum tempo ela quebrou o silêncio.
— Ei... Você acharia estranho se eu disser que estou ansiosa pela a consulta? – Ele a encarou surpreso.
— Eu... Eu sinceramente não sei o que dizer.
— Tomei uma decisão. Uma decisão que eu já deveria ter tomado.
— Qual decisão? – Ele perguntou curioso.
— Não vou dizer por que você não quer me dar o doce! – Respondeu ela mostrando a língua e o deixando sozinho na cozinha.
A atitude dela o deixou literalmente sem jeito enquanto um sorriso bobo se estampava em seu rosto. Estava feliz pelo o fato dela estar aparentemente melhor. Porém, como ela havia mudado tanto e de uma hora para a outra, ele não conseguia entender. Não que isso realmente importasse, tudo o que queria agora era vê-la melhor. À medida que as horas passaram, Naruto acabou por se distrair em meio a um bolo de papeis de sua empresa e sem perceber a campainha tocando, só voltou a si quando viu Hinata levantar indo em direção a porta.
— Então! Onde está aquele desnaturado?!
Após falar rapidamente com Hinata, ele entrou e foi direto para a sala.
— Jiraya! – Respondeu ele largando os papeis e levantando para dar um abraço no padrinho.
— Continua bonito como sempre!
— E você continua um velho tarado e babão!
Por mais que o humor e o jeito dele continuassem iguais, não se podia dizer o mesmo da aparência de Jiraya. os cabelos estavam maltratados e bagunçados em um rabo de cavalo mal feito enquanto as feições dele aparentavam um nítido desgaste. Era como se ele tivesse envelhecido nos últimos meses, o que não envelhecera nos últimos anos. Logo atrás de Jiraya, Sasuke também entrou, mas antes que ele e Hinata pudessem perceber, Naruto e Jiraya já não estavam mais na sala.
— Hã? Para onde eles foram? – Perguntou ela curiosa.
— Apenas deixe os dois. Eles têm muito o que conversar.
Sozinhos na varanda eles começaram a falar.
— E então meu garoto? Eu quero saber de você, quero saber como você está!
— Estou bem na medida do possível. Você sabe... Sasuke e Shikamaru já devem ter lhe contado tudo.
— Sim... – disse ele em um tom mais sério. – Sasuke me deixou a par de tudo. Como ela está?
— Instável, acho que é a palavra... Não sei ao certo, eu já não sei de nada Jiraya. Eu estou confuso demais, é muita bagunça na minha cabeça. Eu não sei nem mesmo o que pensar, muito menos o que sentir.
Aquela tarde fora um pouco melhor que as últimas, a companhia de Jiraya parecia lhe trazer um pouco de confiança. E o mais importante: o modo como Jiraya sabia no que ele pensava o ajudava em horas como essa. Jiraya não falou mais do que julgou suficiente, preferiu não preocupar Naruto dizendo detalhes de sua prisão e os possíveis motivos por trás disso. Era verdade, no entanto, que ele tinha suas suspeitas praticamente confirmadas, mas dizer essas coisas a Naruto agora seria cruel demais. Logo após Jiraya e Sasuke deixarem a casa de Naruto, ele enviou uma mensagem aos amigos e ao padrinho informando que iria viajar com Hinata nos próximos dias e voltaria na data marcada do exame da garota.
Não demoraram muito a pegar a estrada e ela logo pegou no sono o deixando no silêncio. Por mais que tentasse prestar atenção na estrada, pensamentos sobre a empresa, sobre Jiraya, sobre a banda e agora principalmente sobre Hinata recheavam sua mente.
— Ei... – Chamou ela sonolenta.
— Ainda acordada?
— Sim... Essa sua expressão... Está preocupado, não é?
— Sim estou.
— Vai ficar tudo bem...
Ambos sabiam que as palavras dela eram falsas, que embora ela tentasse deixá-lo um pouco melhor, aquelas palavras eram praticamente vazias mesmo que para ele o simples fato dela tentar animá-lo já era uma ótima notícia.
Após horas de viagem finalmente chegaram a Kyoto. Bela como sempre. Mas dessa vez pintada por um leve tom branco devido as constantes nevascas do inverno. O importante agora era deixar Hinata um pouco mais tranquila, e com a vista que tinham no hotel que ele fizera a reserva, começava achar que as coisas poderiam realmente melhorar. Sair daquela casa, deixar aquelas lembranças para trás era a melhor coisa a ser feita nos próximos dias.
— Aqui é lindo, né? – Disse ela olhando pela janela enquanto secava os cabelos após um longo banho.
— Sim. Lembra-se das vezes que viemos até Kyoto durante as férias?
— Sim! Lembro até que em uma das vezes você e Sasuke se perderam em um dos templos.
— Ah não! Você ainda se lembra disso? – Respondeu ele rindo. – Cara estava chovendo, um frio de matar, do nada começou um baita nevoeiro e eu e Sasuke vimos vocês não estavam mais no templo.
— Mais que foi engraçado encontrar vocês dois dentro de uma das saletas do templo abraçadinhos... Isso foi! – respondeu ela caindo na gargalhada.
— Por favor, não me lembre disso. Foi traumático.
Ela continuou a rir por mais um tempo até ele chegar perto dela. Sem dizer nada ele apenas a abraçou e a encarou por um tempo. Ela não tinha mudado nada por fora. Continuava a mesma garota por quem ele se apaixonou. A pele delicada e branca como a de uma boneca. Os cabelos em tons azulados e os olhos cor de pérola. A boca, pequena, macia e que tanto lhe convidava a tomá-la para si. Ele estava resistindo a ela de todas as formas, mas a cada minuto perto dela ficava mais fraco. Queria beijá-la, queria tocar cada extensão daquele delicado corpo. E sem qualquer palavra, ele eliminou a distância que tinha dela. A segurando pela cintura, ele aproximou seu rosto do dela. Sentiu a respiração antes tranquila dela acelerar sem controle, viu a pele antes alva agora ruborizar nas bochechas. Ele começou com um leve beijo, parecendo pedir permissão para continuar e viu a mesma consentir ao beijá-lo quando ele fez menção de se afastar. Era incrível como em todos os momentos ela sabia atraí-lo. O modo delicado como ela o encarava antes de cerrar os olhos ou até mesmo o modo simples que ela o abraçava. Com a permissão dela ele avançou e a beijou mais intensamente. O turbilhão de emoções que aquele momento sempre fazia em seus corpos, o modo como tudo a sua volta parecia simplesmente desaparecer como se nenhuma outra coisa importasse a não ser estar com ela.
Ele parou. Parou para respirar já que o maldito oxigênio parecia sempre lhes atrapalhar em momentos como esse. E essa era a vez dela o encarar. Ele estava mudado é verdade. Talvez fosse um pouco de desleixo ou simplesmente a falta de tempo, ou talvez apenas uma tentativa dele de mudar um pouco o visual. O fato é que de todas as formas ele parecia a hipnotizar, os fios dourados estavam um pouco mais compridos que o normal embora estivessem como sempre arrepiados, como se ele passasse horas em frente ao espelho ajustado aquele penteado, quando na verdade apenas sacudia o cabelo. Os olhos azuis, de um padrão azul como ela jamais viu, o rosto, bem desenhado que agora com a barba por fazer lhe dava um ar um pouco mais velho que o deixava ainda mais atraente. O corpo bem trabalhado que ele sempre tivera. A pegada forte e atenciosa que ele tinha com ela. Ele era um convite para que ela esquecesse tudo. Ele era a razão para ela ainda ter forças e estar ali de pé. Ela o amava, cada pedaço dele, cada encanto, cada peculiaridade de quem ele era.
Sem pressa, sem um destino certo ou sem se preocupar para onde aquele momento os levaria, eles continuaram. Beijos ora mais calmos, ora mais apressados que ditavam completamente o ritmo de ambos os corações. Até que ele a trouxe mais para perto e quando perceberam já estavam deitados na cama do quarto. Ele um pouco inclinado com ela parcialmente sobre ele. Os cabelos dela ainda úmidos espalhados por seu peito, a respiração acelerada e os fortes batimentos em contraste com os olhos que apresentavam um olhar completamente hipnotizado indicavam que naquele momento, nenhum dos dois tinha mais controle algum sobre mais nada.
Eles estiveram por tanto tempo gastando ambas as energias com brigas, discussões e acusações que simplesmente haviam trancado tudo em seus corações. Desde as mais belas memórias que tinham até as piores que ficavam sempre em um eterno conflito. E agora que tudo estava finalmente livre daquele cárcere, era como se o tempo cobrasse o preço. E no momento que tudo apressou, parecia mesmo que não haveria nada que os parasse. Ele deslizou a mão pelo pescoço dela após o beijo e passou a mesma pelo ombro levando consigo uma das alças da fina camisola que ela vestia e com um movimento rápido e forte ele a colocou sentada em seu colo. Com a outra mão tirou a alça que segurava a camisola em seu lugar.
Agora nada mais o impedia. Levemente a camisola branca deslizou pela pele delicada dela deixando os firmes e fartos seios dela a mostra, assim como sua barriga e mostrando o começo de uma simples calcinha também branca que ela vestia por de baixo da camisola. Deslizando ambas as mãos pela cintura dela ele a levantou e se ajeitou sentando na cama e a trazendo um pouco mais para perto. No momento em que tudo ficava mais intenso, ele logo desviou seus lábios para o pescoço dela que no primeiro toque a fez soltar um leve gemido. Enquanto ele sentia todo o corpo dela se arrepiar, logo seus lábios continuaram a descer até encontrarem os seios dela, que agora segurava com certa força algumas mexas douradas do cabelo dele e somente naquele momento ela percebia que entre eles havia apenas sua calcinha lilás e a cueca box preta dele que embora tentasse, não conseguia esconder nem um pouco a excitação do mesmo.
— Eu não ligo. – Ela respondeu ao olhar indeciso dele. Sabia que ele estava com medo de machucá-la.
Sem perceber, no entanto, ele acabou esbarrando com certa força na barriga dela fazendo soltar um pequeno gemido de dor. Na mesma hora era como se tudo que ele tinha esquecido, caísse na sua cabeça como uma pedra o fazendo travar na mesma hora. Ela percebeu que ele tinha se lembrado, que ele tinha “se ligado” que as coisas estavam avançando rápido.
— Desculpe... Eu... – Ele bufou enquanto colocava a camisola dela no lugar.
— Eu queria evitar isso.
— O que exatamente? – Perguntou ele confuso.
— Que você parasse. Que você se lembrasse de tudo e travasse.
— Desculpa Hina... Eu... Eu só não consigo avançar sabendo que eu posso machucar você. E não apenas o seu corpo. – a voz dele ficou mais carregada.
— Eu sei... Eu sei que como sempre, você coloca o meu bem estar na frente de tudo. Mas saiba que nesse momento, meu corpo é a única coisa que me impede de te deixar continuar. – Ele a olhou surpreso enquanto ela mantinha um olhar malicioso que era raro de se ver nela. – Eu disse que iria fazer o possível para esquecer tudo e ficar menos instável até os exames, lembra?
— Sim... Mas... É um tanto estranho ouvir você falando essas coisas.
— Por quê? Eu nunca escondi que adoro ir para a cama com você e...
E naquele momento ela percebeu que ele estava a encarando com uma cara de “Você é uma tarada” e quase rindo tamanha era a surpresa.
— Quero dizer! Eu nunca escondi de você... Eu acho... Eu... AH! – Gritou ela, o abraçando e escondendo seu rosto dele. – Desculpe... Não sei o que deu em mim para falar essas coisas...
— Tesão reprimido? – Arriscou ele caindo na gargalhada.
— Naruto! – Bradou ela o repreendendo.
— Desculpe! Eu não resisti!
Agora ela dava tapinhas nele tentando fazer com que as risadas dele cessassem. Mas o fato é que por incrível que pareça se aquele momento se encerrasse de outra forma, se ele não tivesse embarcado no que ela falou e a feito rir, a feito distrair a cabeça dos pensamentos que começavam a rondar sua mente, ela provavelmente iria se agarrar no passado e provavelmente toda aquela instabilidade começaria outra vez. Mas agora, apenas por aqueles dias tudo o que ele queria era dar a ela toda a felicidade que ele conseguisse e tentar de qualquer maneira a fazer sorrir e esquecer tudo. Seria temporário, é verdade. Dali a três dias quando deixassem Kyoto, eles estariam indo direto para Tóquio para a bateria de exames que Hinata faria. E naquele dia ele saberia que tanto a vida dela quanto a dele seriam decididas, ambos os caminhos seriam traçados pelos resultados dos exames que se apontassem para uma direção ruim, seria sim muito difícil de mantê-la ao seu lado. Não. A verdade é que pelos últimos acontecimentos, seria difícil mantê-la viva. Mas agora não deveria pensar em mais nada disso, não mais. O melhor agora era simplesmente continuar a abraçá-la e continuar fazendo-a sorrir.
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