Entre o Amor e a Música.
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Após a visita de Sasuke no dia anterior, Naruto passou toda a noite tentando compreender o que eram aquelas coisas dentro da caixa que o amigo lhe dera. Havia dois objetos ali dentro, uma delas uma grossa chave. Chave essa que ele não fazia a mínima ideia do que abria.
— Naruto? – Batendo na porta de seu quarto, Hinata o chamava.
— Pode entrar. – Ela abriu a porta.
— Vamos tomar café? Logo terei que te levar ao hospital para os seus exames.
— Tudo bem, já vou descer.
Por pouco que ela não vira os objetos na mão de Naruto já que ele os colocou de volta na caixa antes dela abrir a porta, algo lhe dizia que ela não deveria ver aquilo. Alguma coisa não estava certa, sentia-se tonto e enjoado. E quando tentou deixar a cama não conseguiu se equilibrar e caiu enquanto uma dor aguda tomava conta de sua cabeça. Pouco tempo depois, Hinata subiu ao seu quarto.
— Naruto? Ainda não está.. – Ela o viu caído. – Naruto!
Hinata entrou em pânico quando viu o loiro se contorcendo de dor no chão.
— Naruto você está bem? O que está sentindo?
Naruto não dizia nada, só apertava a cabeça, o que deixava claro para ela onde sentia dor. Hinata tentou não se abalar, e o ajudou a levantar-se levando-o ao carro. Iriam direto ao hospital, sem demora.
A morena dirigiu o mais rápido que pôde, logo não demorou a chegar ao hospital. Lá o atendimento foi rápido e eficiente, afinal o plano de saúde de Naruto definitivamente não era dos piores. Por horas ele foi submetido a vários exames, uma análise completa. Após a exaustiva série, o médico entrou na sala onde Naruto e Hinata o esperavam.
— Pelo que estou vendo sua recuperação está muito devagar, mas está indo. Foi só hoje que se sentiu assim?
— Não. – Começou Naruto. – De vez em quando sinto um pouco de dor de cabeça. Geralmente é quando consigo alguns flashes de lembrança.
— Conseguiu se lembrar de algo concreto?
— Não, apenas borrões. Tudo muito confuso e embolado.
— Bom, a dor pode ser uma sobrecarga no seu cérebro. Não force as coisas. Seu acidente foi grave, você teve um edema, é normal que você tenha dores de cabeça quando tentar forçar. As memórias estão se apresentando, o que significa que podem mesmo voltar por completo, então não há razão para pressa. Quanto a sua recuperação, faça um pouco de exercício. Se sentir dificuldade em se locomover me avise que irei agendaremos fisioterapia. Qualquer dor ou sintoma forte, venha direto ao hospital. Quanto às dores de cabeça, esse analgésico que estou receitando deve bastar. Ele é bem forte, tome apenas quando sentí-las de verdade.
No carro o clima entre os dois não era dos melhores. Vários pesadelos assolaram a mente de Naruto, e alguns com lembranças muito claras. Preferiu não comentar nada, o humor de Hinata variava tanto quanto uma tempestade tropical, uma hora sorria e brincava com ele como se fossem amigos de longa data, coisa que realmente eram, mas na maioria das vezes ela era indiferente e distante.
— O que você lembrou? – Ela perguntou enquanto esperava o semáforo abrir.
— Como?
— Do que você lembrou, Naruto?
— Não lembrei nada significativo, apenas borrões já disse.
— Sei que está mentindo, você está diferente. Geralmente me enche de perguntas e fala comigo a toda hora mesmo quando estou irritada com você, mas desde que saímos de casa você está me evitando.
Naruto olhou para ela e caiu no riso.
— Droga! Esqueci que você me conhece muito bem. – Respirou fundo. – Ok, ok. – Naruto assumiu uma postura mais séria. — Alguns sonhos, vários pesadelos. Família, banda...
— Nada sobre...
— Não, nada sobre nós. – Naruto a cortou. — Ao menos eu acho que não. Mas mesmo que eu lembrasse, não contaria a você.
— Por que não?
— Por que não quero você fique ainda mais distante de mim.
— Naruto, por favor... Não vamos discutir sobre isso, eu já disse que irei embora assim que você melhorar.
— Você já pensou que é exatamente por isso que eu não melhoro? Eu sinto que antes disso tudo, eu só queria estar perto de alguém. E tenho certeza que é você. Então, eu não vou deixar você se afastar. Não outra vez.
Durante todo o resto do trajeto nenhuma outra palavra foi dita. O problema era que isso começava a fazer mal a Naruto que continuava recusando aceitar as vontades de Hinata.
Depois de insistir em fazer o jantar, Naruto sentiu uma fisgada nas costas, região onde haviam ponteado em razão a cortes profundos. E a fisgada mostrou ser o motivo de uma manche de sangue que aumentava.
— Naruto! Seus pontos devem ter aberto! – Hinata levantou rápido da cadeira, puxando o loiro com cuidado até o banheiro.
Ele não respondeu, arfava enquanto seu corpo começava a queimar em febre. Quando chegaram ao banheiro foi que ela tirou o moletom e a blusa que ele usava. Aquilo estava feio, sangrava muito. E foi só nessa hora que ela pôde ver a extensão daquele acidente. Além do antebraço esquerdo quebrado, ele tinha vários cortes. Ombro, costas, peito, abdômen... Sem falar nos hematomas.
— Isso vai arder um pouco. – Antes que ele pudesse assimilar o que ela havia dito, sentiu uma ardência insuportável enquanto ela limpava os cortes com soro.
— Você continua irresponsável... Deixar os pontos abrirem! Você não deixou que eu tomasse conta dos seus ferimentos, mas também não cuidou direito deles e olha só no que deu!
— Já terminou o sermão mamãe? Argh! Ei! Isso dói sabia? – Ela havia pressionado o corte nas costas dele.
— Oh, desculpe. – Respondeu ela com extremo sarcasmo.
Depois de ter feito tudo o que estava ao seu alcance, tendo limpado os cortes e refeito os curativos como o médico a mostrou que deveria ser, Hinata travou. Os dois estavam frente a frente, os rostos próximos. Ele arfava ainda pela dificuldade de respirar, mas ela o fazia pelo ritmo acelerado de seu coração. Não havia mais como negar, nem como ficar longe. Hinata não sabia mais o que pensar, não sabia o que fazer. A cada minuto que passava ao lado dele, sentia vontade de abraçá-lo, de ser dele outra vez. E então, num ato completamente insano, o beijou. Lenta e docemente.
Após aquele beijo repentino, tudo aconteceu exatamente como Naruto pensou que seria, ela apenas se afastou e se isolou. Por toda aquela noite ela não voltou a sair de seu quarto e ele decidiu que era melhor ir dormir. Só não estava nos planos dele de ter mais uma noite com sonhos recheados de lembranças.
Flash Back On.
Terminava o dia, de sol fraco e muito frio. E no aeroporto internacional JFK em Nova York ele desembarcava apressado e com pouca bagagem. Não ficaria muito tempo lá, ficaria apenas o tempo necessário. Apenas o necessário para mudar as ideias dela.
Após sair do aeroporto, entrou no primeiro táxi que conseguiu, pegou seu celular e ligou para Sasuke.
— Conseguiu descobrir alguma coisa?
— Não muito, mais acho que tenho informações úteis. Vou te enviar por e-mail, não posso falar agora.
— Certo.
Não demorou muito para que recebesse as informações que Sasuke lhe passou. Repassou o endereço para o taxista e apenas esperou. Estava completamente formal, terno e gravata. Embora odiasse andar assim, para chegar até ela, teria que estar assim e teria que usar o poder que sua família tinha. Seu destino, número 301 da Park Avenue. O Waldorf. Assim que deixou o táxi e entrou no hotel, fez sua reserva e seguiu para o salão do principal. Seria difícil encontrá-la ali. Seria, se não ela não fosse de longe, quem mais chamasse a atenção naquele lugar, em meio a ternos, smokings e vestidos. Ela era de longe o assunto mais interessante daquela grande reunião de negócios.
Os cabelos em um coque frouxo com alguns fios caindo na frente, a franja solta e alguns brilhantes prendendo o cabelo. O colar em ouro branco com um diamante como pingente, assim como os brincos. Ela estava lá, perfeita, linda. E cada vez mais distante dele. Não daria para se aproximar, não agora com tanta gente perto dela, teria que esperar a hora certa. Seria melhor esperar então, no bar onde poderia continuar de olho nela.
— Uísque por favor. – Pediu ele ao barman.
Pouco depois, percebeu que realmente ela era o centro dos assuntos ali. Até escutar uma voz bem conhecida chamar sua atenção.
— Eu tinha certeza de que viria garoto.
Ao seu lado esquerdo, bebendo a mesma bebida que ele, mas nitidamente já alterado, estava Hyuuga Hiashi. Pai de Hinata e o causador de tudo aquilo.
— Então por que não me impediu de entrar? Você bem que tentou me manter longe da sua filha de qualquer jeito nos últimos dias.
— Como eu iria impedir o representante da Uzumaki Tech de entrar aqui? Só espero que não esteja aqui para me prejudicar.
— Não, pelo contrário, vim fazer negócios com você.
Hiashi olhou desconfiado para Naruto, sorriu e pediu mais uísque enquanto Naruto fazia o mesmo.
— Você por acaso tem idade para estar bebendo garoto?
— Sim eu tenho. E tenho carta branca da diretoria para fazer o que vou fazer agora. Faça seu preço Hiashi.
— Sabia que você tentaria. Minha empresa não está a venda garoto. Minha filha também não.
— Tem certeza de suas palavras? Eu tenho como provar os negócios ocultos seus e daquele conglomerado ali atrás.
— Não me ameace.
— E não estou. Não ainda. Olha, a sua empresa tem ótimas patentes, ótimos projetos que cairiam como uma luva nos planos da minha empresa. Veja bem Hiashi, mesmo que você quite suas dívidas, recuperar o mercado que vocês perderam não vai ser possível, nós crescemos quase o dobro do que vocês reduziram. As suas ações estão despencando mais a cada dia. Ao pagar suas dívidas e não ter um plano novo, estará se livrando de uma bola de neve e entrando em outra. Se você estiver disposto, podemos fazer uma parceria, podemos reerguer a sua empresa e fazê-la crescer como você jamais conseguiu fazer.
— Nem mesmo vocês podem arcar com uma compra dessas.
— Sim podemos. 100% se preciso.
— Tudo isso é por causa dela? Tudo isso por causa de uma paixonite adolescente de um moleque irresponsável que está abdicando os negócios da família por causa de uma banda que não fez nem sequer um show no fundo do quintal de casa?
Naruto virou todo o uísque na garganta e pediu mais, colocou a mão no bolso e pegou um pequeno pen-drive.
— Tudo isso por causa de um garoto que não gosta da vida de um empresário. Mas se você tem dúvida da minha aptidão para os negócios da minha família, neste pen-drive estão todos os projetos que eu desenvolvi e todo o lucro que cada um deles trouxe para a empresa. Se você está preocupado em saber se eu herdei a inteligência da minha mãe para os negócios, sim eu herdei. E não, não vou assumir a empresa nem tão cedo.
— Não vai adiantar garoto, valeu a tentativa, mas não deu. Esse acordo está valendo há mais tempo. Há mais de quatro anos.
— Por que você fez isso?
— Porque minha esposa estava doente, porque eu gastei todo o dinheiro que tinha e inclusive o que não tinha para tentar encontrar uma cura. Eu pensava que conseguiria pagar, e que tudo daria certo, mas quando Hanabi também começou a desenvolver os sintomas da doença esse homem veio até minha família, prometeu financiar os estudos para uma cura, disse que iria cuidar da saúde de minha esposa e de minha filha. Quando ele disse isso, ela nem mesmo pensou, não deixou que eu falasse e aceitou a oferta que ele fez, sem nem querer saber o preço que ele cobraria.
— Então ela...
— Sim ela mentiu para você. Ela me pediu para fazer todo esse teatro. Ela disse que te amava demais para arriscar ser odiada por você. Então eu preferi que você me odiasse a odiá-la.
— E por que eu faria isso? – Ele perguntou rindo para Hiashi que o olhou curioso. – Por que ela se vendeu para salvar a vida da mãe e da irmã? Você esqueceu que eu fui um dos que mais ficou perto dela quando a Harumi morreu e a Hanabi ficou doente. Eu faria o mesmo se fosse ela. Você recusou ajuda da minha família por orgulho e acabou obrigando sua filha a fazer isso. Eu não a odeio, poderia odiar você e muito, mas acho que a morte da Harumi e o estado da Hanabi já é sofrimento suficiente para você.
— E o que você fará?
— Já disse, vou assinar um cheque. A partir de hoje 62,4% da sua empresa, pertence à Uzumaki Tech. Você receberá pelo que a empresa já valeu, então dará para pagar suas dívidas e você ainda terá lucro, afinal ainda terá 30% da empresa. Quanto à sua dívida com o povo ali atrás, minha mãe já está dando um jeito e se sua filha quiser, ela volta para o Japão comigo amanhã. – Ele olhou para trás e viu que Hinata se afastava do pessoal. – Bom, com licença, é a minha deixa. Agora nós nunca tivemos essa conversa, ainda não comprei sua empresa, e você continua me odiando como sempre.
Ele levantou e antes que Hiashi pudesse dizer algo, Naruto já estava embrenhado em meio a todo o pessoal. Tentando ao máximo não ser visto por Hinata, ele a seguiu até o saguão do hotel que já estava mais vazio e com o passo mais apressado entrou no mesmo elevador que ela.
— Belo vestido. – Disse ele mais atrás dela.
— Obriga – Ela olhou para trás. – NARUTO? Vo... Você! O que... O que está fazendo aqui? – Ela gaguejava, estava nervosa demais.
— Você simplesmente desapareceu.
— Como me encontrou?
— Usei um contato da empresa e descobri que você pegou um voo para cá. Depois foi fácil encontrar você. O gerente daqui deve muito à minha mãe.
Ele apertou o botão de parada do elevador e encostou-se à parede do mesmo.
— Você está linda. Eu estava com medo de ser tarde demais e não conseguir encontrar você. Mas quando eu vi você ali, eu tirei um peso das costas. Só que também passou pela minha cabeça... Você leva muito mais jeito para esposa de um importante empresário a namorada de um cantor sem fama nenhuma. Olha para você...
— Naruto, por favor... Nada disso... Nada disso tem importância para mim, eu amo você. Eu sempre amei você. Não me importo se você é um cantor sem fama, você é quem eu amo.
Naruto começou a rir e a abraçou.
— Não precisa dizer, eu sei de tudo isso.
— Você... Seu palhaço! Estava brincando comigo?
— Sim. Sua irmã me contou que seu pai prometeu você em casamento a esse velho por causa das dívidas. Amanhã voltaremos para o Japão, eu vou levar você de volta não importa o quanto eu tenha que pagar para te livrar disso. Mas agora... — Ainda estavam abraçados e ele a beijou antes que ela pudesse dizer alguma coisa.
— Temos que sair do elevador... Vão achar estranho... – Ela tentava dizer em meio ao beijo. Naruto apenas apertou o botão fazendo o mesmo voltar a andar.
— Vamos ao meu quarto então.
— Não, preciso trocar de roupa.
Já no quarto de Hinata o assunto queria voltar, mas Naruto a calou e mandou que ela tomasse logo o bendito banho. Não queria mais falar sobre aquilo, coisas demais já tinham acontecido no Japão e a única coisa que ele queria agora era estar com ela e apenas isso. Embora, quisesse estar mais tranquilo... Aquela maldita preocupação de que algo poderia levá-la embora não deixava sua mente e isso o estava deixando louco.
Quando Hinata saiu do banheiro, todas suas preocupações pareciam ter pulado para algum outro lugar. Não havia mais vestido, nem joias, nem sapatos. Apenas ela com os cabelos soltos e uma toalha enrolada no corpo. Naruto apenas sorriu, levantou-se e caminhou até ela.
— Escute. Eu prometo que não vou deixar ninguém te levar embora. Eu prometo isso a você. – Rodeando sua cintura num abraço, a beijou.
Naruto acordou suado. Sua cabeça latejava tanto, que parecia estar prestes a explodir. Tateou, no escuro, o criado mudo a procura dos analgésicos, mas eles não estavam ali.
— Merda.
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