Notas iniciais
Eu sei, eu sei... Sou uma autora merecedora de uns bons supapos! Demorei só um pouquinho, mas eu e o outro autor estamos muito enlouquecidos com o desenrolar de algumas coisas por aqui... Não é nada demais, fiquem tranquilos! hahahah Quero agradecer pelos reviews que ando recebendo, são realmente muito estimulantes! Muito obrigada e boa leitura~

No dia seguinte Shikamaru surpreendeu a todos quando, pela manhã, ligou para cada um e pediu que se reunissem durante a tarde já que ele tinha um recado importante e que não poderia ser dito pelo telefone. Cada um teve uma reação adversa a isso, afinal se fosse Sasuke ou Naruto que fizessem algo assim não teria problema, mas logo Shikamaru era de se estranhar.

Assim que chegou o horário marcado começou o movimento na casa de Naruto, a única pessoa não presente era Hinata que já havia informado que não chegaria a tempo. Uma vez todos reunidos na casa de Naruto, Shikamaru começou o assunto.

— Eu sei que todos devem estar estranhando, afinal não faz meu tipo pedir esse tipo de reunião, mas o que estou fazendo é necessário. Tomei essa decisão após a visita que fiz a Jiraya essa manhã. Na última semana eu venho lhe fazendo visitas regulares e graças a ele tenho seguido pistas importantes.

— Que são? – Perguntou Gaara apressado.

— Estamos sendo roubados, há muito tempo. E estamos sendo vítimas de uma possível armação. Digo possível, pois ainda não tenho como dizer exatamente o tamanho disso tudo. A polícia não teve acesso às coisas que eu tive, pois são segredos industriais na maioria das vezes e sem um mandato é impossível que eles possam ver. Se eu perguntar quem é o amigo de longa data de Jiraya e que está envolvido diretamente com os negócios das nossas empresas, quem vocês me responderiam?

O silencio foi geral entre todos, embora Naruto estivesse um tanto perdido no assunto, era visível que todos ali sabiam a resposta, mesmo as garotas, que ainda não estavam por dentro dos negócios das famílias e ainda cursavam a faculdade, sabiam perfeitamente quem era a pessoa de quem Shikamaru falava.

— É exatamente isso. É essa pessoa que vocês pensaram, como vocês sabem Jiraya se desligou um pouco dos negócios quando decidiu ser nosso empresário. Mas ele não se desligou completamente sendo membro sênior na Uzumaki Tech e na Uchiha Corp, por exemplo. Com dados dessas duas empresas, ele foi até à minha família e à família de Gaara, forneceu os dados e pediu uma apuração das contas das empresas. E o resultado? Houveram desvios mínimos nas empresas nos últimos dois anos. Sempre sendo classificados como processos ou projetos arquivados, coisas pequenas demais para a contabilidade acusar algum roubo nas contas. Estaria tudo bem, seria um assunto que poderia ser resolvido sem escândalo se não fosse a morte dos pais de Naruto... O que eu vou falar agora não poderá sair dessa casa, é o que Jiraya me mandou fazer e não ir contra isso, poderia custar caro demais. Ele tem um álibi. Ele estava comigo na noite que os pais de Naruto morreram, nós passamos a noite conversando sobre coisas da banda e eu o ajudei com vários assuntos dando telefonemas, desmarcando reuniões e muitas outras coisas por causa do acidente do Naruto. Ele optou por não usar esse álibi e ser preso, ele optou por estar lá.

— Por que ele fez isso? – Perguntou Sakura nervosa.

— Por que se ele usasse o álibi e ficasse livre, ele temeu não ter tempo de mascarar uma possível armação contra nós. Com ele preso, teoricamente ele não teria olhos e ouvidos nos assuntos aqui fora e essa armação não seria adiantada. Isso é tudo que posso dizer por enquanto. Jiraya pediu que eu não desse muitas informações para vocês já que grande parte delas não está comprovada ainda. Eu vou pedir porém que cada um de vocês reforcem sua segurança e fiquem ligados, coloquem uma blindagem nos carros e façam uma revisão, tentem fazer isso da forma mais discreta possível. Eu recomendaria contratar seguranças particulares, mas na rua de naruto já tem um bom policiamento por conta do próprio bairro. Na minha rua, na de Sasuke e Gaara é o mesmo e trazer seguranças particulares agora seria o mesmo que dizer que estamos por dentro de tudo e que alguém está ajudando Jiraya. Isso poderia acabar saindo do nosso controle. Então por enquanto vamos tomar decisões que não deixem a minha investigação com Jiraya escancarada. Gaara, Sasuke e eu temos porte de arma já que Minato e Jiraya sempre insistiram para nossos pais que nós tivéssemos aulas de tiro e defesa pessoal. A nossa preocupação é exatamente vocês garotas. Troquem a fechadura do apartamento de vocês, e se possível iniciem algum curso de defesa pessoal ou algo do tipo. Já que estamos livres, vamos passar a acompanhar vocês na ida e volta da faculdade e se possível, será melhor que vocês duas fiquem na casa do Gaara e do Sasuke. Estou menos preocupado, pois Temari está com Kankurou na Austrália.

Aquela reunião não durou muito mais. Shikamaru fez mais algumas recomendações e logo todos deixaram a casa de Naruto. O loiro, porém acabou por tomar uma decisão: no dia seguinte aproveitaria que se livrara daquele gesso no braço e trocaria os portões da casa, tanto o dos fundos quanto o principal, que já estavam bem velhos; colocaria câmeras ao redor da propriedade, e trocaria os alarmes. A única decisão que provavelmente seria difícil de tomar naquele momento era a recomendação de Shikamaru de passar a andar armado. Mesmo que o Nara já fizesse isso, para ele seria difícil não apenas por saber que provavelmente usaria essa tal arma, mas também porque Hinata provavelmente reprovaria isso da mesma maneira que Sakura e Ino faziam agora e que Temari já deveria ter feito.

Ele tentou esquecer esses assuntos apenas por um momento para que pudesse fazer o jantar, mas aquela caixa com uma pistola que Shikamaru havia deixado na sala realmente o deixara um tanto que nervoso. De qualquer forma, aquela não era hora de pensar nisso, logo Hinata chegaria e...

Logo que o pensamento voou pela sua mente, ela entrou em casa. Naruto viu de relance ela passar para a sala enquanto a ouvia largar a bolsa carregada de livros. O mais estranho não foi ela ter entrado sem falar com ele ou dar um simples boa noite, o estranho foi ela entrar na cozinha e o abraçar, o abraçar forte enquanto tremia bastante.

— Hinata? Por que está tremendo assim? – ele virou-se para ela. – Hey! O que houve?!

Ele se exaltou um pouco, ela estava pálida e visivelmente em choque, era até incrível pensar que ela entrou e chegou até ali naquele estado. Por alguns minutos ele perguntou a ela o que acontecia, mas desistiu, apenas deu um copo de água para ela e esperou que ela tivesse condições de falar.

— Hoje cedo... Eu tive a impressão de que um carro estava me seguindo. E quando voltei para casa o mesmo carro estava realmente me seguindo. Eu fiquei nervosa e comecei a correr, eles me acompanharam e chegando perto de casa eu tomei um caminho diferente tentando despistar... Eu...

— Tem certeza que estavam te seguindo? Não foi impressão?

— Não! Não, eu tenho certeza... Foi como antes... Foi como quando meu pai colocou gente me seguindo... Foi como quando nos separaram! Eu estou com medo Naruto, as coisas estão voltando e voltando e a cada minuto eu fico repetindo todas essas cenas na minha cabeça e –

Ele a cortou e a abraçou forte. Não havia muita coisa que ele pudesse fazer naquele momento, não sabia o que dizer, sabia que ela ficava muito nervosa e bastante fora de si com algumas coisas relacionadas ao passado e claramente aquilo a fez relembrar coisas que ela não queria lembrar. Porém o mais importante agora era apenas uma coisa: ter certeza de que estavam seguros.

— Hinata olha para mim. Você deixou seu carro na garagem? Trancou o portão?

— Eu deixei o carro, mas não sei se tranquei... – Ela dizia ainda perdida.

— Certo, me espera aqui tudo bem? Eu vou trancar o portão e ver se está tudo bem.

Sem dizer mais nada ele a deixou na cozinha e atravessou a sala, mas parou por um momento antes de sair. Não sabia se era certo o que faria agora, mas se ela foi realmente seguida, isso indicava que o aviso de Shikamaru estava certo. Ele foi até a mesinha de centro, abriu a caixa que Shikamaru deixou e pegou a pistola ali dentro, a colocou no bolso interno do casaco e saiu de casa.

Do lado de fora, ele tentava se manter atento a tudo enquanto controlava o próprio nervosismo. Conferiu o carro de Hinata na garagem e seguiu para o portão. Deu uma boa olhada na rua, não havia pessoas andando por ali naquela hora, mas uma viatura da segurança particular do bairro passava no momento. Os homens acenaram, ele retribuiu o gesto e voltou para dentro de casa. Trancou a porta, ligou o alarme, guardou a arma na caixa que ela estava e voltou a Hinata.

— Ei... Está melhor?

— Sim... Desculpe, eu...

Ela parou de falar. Embora tenha dito que estava melhor, era claro que ela não estava. Naruto respirou fundo e apenas a levou para a sala e a deixou no sofá. Voltou para a cozinha, fez um chá e levou para ela.

— Tome. – Ela apenas pegou a xícara e nada disse. – Eu não queria falar disso, mas... Você quer falar sobre a sua família?

— Não sei... Sobre o que exatamente eu falaria Naruto? Tudo que me sobrou de família foi o quê? Um pai que tentou se desfazer de mim na primeira oportunidade que teve...

— Não. Não quero saber sobre o seu pai. Quero que você fale sobre sua mãe e sua irmã, se possível... Sei que não é o momento de você falar dessas coisas, mas sinto que você está quase explodindo de tanta coisa que vem guardando.

Ela respirou fundo. Bebeu o chá que ele fez e se aconchegou no sofá enquanto ele a olhava sentado no chão.

— Sasuke já deve ter te falado sobre isso eu sei. Minha mãe tinha uma doença rara. Uma doença auto imune que levou a pessoa mais saudável do mundo a uma outra diferente dependente de bolsas de sangue no hospital, sempre internada. Nunca houve uma chance de cura ou algo do gênero, apenas eternos tratamentos que infelizmente não estavam dando certo. Eu não herdei isso. Não herdei essa doença. Mas minha irmã sim... Hanabi começou a apresentar os mesmos sintomas que a minha mãe pouco tempo após sua morte. Ela resistiu mais que a minha mãe, porém quando chegou o momento dela ser internada, ela sabia que não tinha volta. Afinal ela estava sempre comigo ao lado de nossa mãe naquele quarto de hospital. Ela nunca aceitou os remédios, nunca aceitou os exames ou outra coisa. Ela me obrigava a levá-la de carro para todos os lugares, ver coisas que ela queria ver antes de morrer...

Por alguns minutos ela parou de falar. Falar ficou difícil assim como segurar aquelas pesadas lágrimas que há tanto queriam correr. Desde que começou a faculdade, tinha a usado como meio de esquecer-se de tudo. Desde toda a confusão com Naruto, desde a morte de sua mãe e da morte de sua irmã. Não deixou nenhuma brecha para aquelas lágrimas, estava ocupada demais pela manhã quando tinha o trabalho de meio período. Estava ocupada demais nas tardes durante a faculdade, e estava ocupada demais nas noites com trabalhos e com o pouco tempo para descansar.

— Sabe... No último dia dela... Foi justamente o melhor dia depois que a crise começou. Ela sempre quis ser fotógrafa... Nesse dia eu fui buscá-la no hospital. Ia leva-la ao mirante da cidade, só que ela estava estranha demais naquele dia. Quero dizer, Hanabi nunca gostou muito de ficar agarrada, de ser pegajosa como ela dizia. Mas naquele dia ela não dava um passo se não estivesse agarrada no meu braço. No fim do dia, quando eu a levei de volta para o hospital, o médico foi fazer o único exame que ela permitia fazerem que era para saber como estavam os olhos dela... Como ela dizia, enquanto ela pudesse enxergar, poderia ter um motivo para continuar viva, ela poderia me perturbar todos os dias querendo ir a um lugar diferente. Eu sabia que quando ela perdesse a visão, seria uma questão de pouco tempo até que ela se fosse... E quando o médico saiu do quarto e nos falou o que estava acontecendo... Ela estava agarrada em mim o dia todo porque aquele seria o último. Porque ela estava chegando ao fim. O médico disse que da maneira que as coisas estavam, no final do dia ela já não enxergaria mais nada. E no final do dia, ela não só não enxergava, como havia ido embora.

O sorriso dela era algo forçado. Automático. Não tinha sentimento algum naquele sorriso ou naquela face, mesmo naquele olhar vazio.

— Eu sabia disso tudo? — ele perguntou cuidadoso.

— Que minha irmã morreu sim você sabia, não teria como não saber. Mas desse dia em especial não. Você não sabia. Ninguém sabia. É a primeira vez que eu faço isso.

— Eu não vou dizer coisas como que eu poderia estar ao seu lado. Eu não vou fazer isso. Além do que como Sasuke me disse, você ficou isolada de todos, obviamente eu seria a última pessoa que você iria querer por perto. Mas... Eu sou seu amigo Hinata, independente do que passamos você pode confiar em mim, você pode falar comigo...

Não era exatamente isso que ele queria dizer, não com essas palavras, mas foi o melhor que conseguiu fazer naquele momento. Foi o melhor que conseguiu no estado que estava. Por mais força que fizesse para fingir que estava bem, ele não estava nem um pouco bem; as palavras dela haviam trazido um monte de sensações e sentimentos diferentes a ele e isso o deixou confuso e sem saber exatamente o que fazer.

A atitude seguinte dela o deixou ainda mais confuso, quando ela se esgueirou do sofá e o abraçou, o coração dela batia tão forte que parecia perto de explodir. O corpo pequeno tremia e ele sentia as lágrimas dela molharem sua blusa enquanto ela tentava esconder o rosto no seu peito.

— Calma... Vai passar...

Ele fez apenas o que podia fazer: a abraçou, a abraçou forte enquanto ela chorava alto e agarrava sua camisa. Toda aquela tristeza que ela guardou tão trancada por todo esse tempo estava muito maior e mais forte do que ela podia imaginar, aquilo a consumiu de uma forma tão forte que era como se nem mesmo aquele abraço fosse real... Ela apenas chorava, apenas chorava. Era tudo que podia fazer, tudo que lhe era permitido fazer...

Horas depois daquela curta conversa eles ainda estavam sentados no chão na mesma posição de antes. Ela já não chorava mais, porém continuava abraçada a ele.

— Hm... Não que eu não goste de ter você agarrada em mim... Mas já estou nessa posição há algum tempo e não sinto mais nada da cintura para baixo...

— Se você me quer longe é só dizer, oras. – disse ela sarcástica.

— Eu não quero você longe. Apenas quero sentir minhas pernas novamente.

— Está dizendo que sou pesada? – perguntou ela séria.

— Não! Estou dizendo que minhas pernas estão dormentes e... Ah! Você me entendeu.

Ele levantou, mas antes que pudesse ir até a cozinha, Hinata abraçou as costas dele.

— Sabe... Eu odeio o quanto você consegue me decifrar como se eu fosse algo realmente simples. Você não perde essa mania de conseguir exatamente o que quer de mim.

— O que exatamente você quer dizer? – perguntou ele fingindo não entender.

— Eu estou vulnerável agora... Muito vulnerável. Provavelmente o crápula do Sasuke deve ter te dado conselhos. Sempre que fico assim eu não consigo dormir sozinha...